Viagem Pela Highland

8 Highlander Ofensivo


Notas iniciais
Yoo minaa!
Primeiramente... Mil perdões pelo atraso! Eu estive muito atolada com o meu curso essa semana e só comecei a escrever o cap ontem quando me dei conta que vocês deviam estar me matando mentalmente pelo atraso. >,< Sorry!
hahaha.
Bom... Eu disse pra vocês, anteriormente, para não se acostumarem com caps grandes, não foi? Parece que eu estou ficando viciada em escrever caps enormes... Tanto é que eu fiz outro. Bah.
Eu sei que vocês gostam! hahaha
Enfim, boa leitura!

\"\"

“Sua amiga Sakura iria adorar isso aqui.”

Parecia impossível, não é? Mas muito provavelmente, não era. Hinata estava presa em algum lugar do passado. Podia provar isso pelos pensamentos de sua amiga. Só ela sabia o que a rosada dizia sobre as coisas dos homens, como: “Quanto maior, melhor.”

Por um momento seu rosto esquentou de vergonha. Não devia dizer essas coisas pra Hinata. Por sua culpa, sua amiga tinha desenvolvido um tipo de “pervertida interior” que fazia todo o tipo de comentário sujo quando a situação era relacionada aos homens.

Sorriu achando graça da situação.

Ninguém iria imaginar que alguns anos atrás Hinata era tão tímida que até mesmo gaguejava descontroladamente ao falar com o sexo oposto. Novamente, ela ajudou a morena nisso. Basicamente desvirtuou os pensamentos puros de sua amiga.

Não se arrependia. Hinata tinha que ser esperta em um lugar onde a maioria dos homens tinham uma tara escandalosa por peitos. Inconscientemente olhou para os seus. Não tinha tanto volume quanto os de Hinata.

Malditos brotos deficientes! Pensou carrancuda.

Sakura acomodou o livro culpado de levar sua amiga para outro século cuidadosamente sobre as almofadas do sofá e se afastou alguns centímetros. Ainda não tinha saído do apartamento de Hinata desde que tinha descoberto que amorena tinha sido levada através do tempo por alguma razão desconhecida. Era um absurdo pensar em tal possibilidade, mas não para ela. Sakura sempre acreditou que havia mais alguma coisa num mundo movimentado por leis e governada por homens hipócritas do que podia parecer. Acreditava que no fundo, algo mais existia, alguma coisa que pudesse parecer impossível de primeira vista, como um truque, até. Realmente, qualquer pessoa teria pensado nisso. Mas não ela. Além do mais, seu nome tinha aparecido no livro novamente, não tinha?

Subitamente, pensou em seus pais. Desde criança, sempre soube que havia algo de errado com ela, sua família e seus vizinhos. Parecia tudo tão fora do lugar quando pensava neles. Como se ela não pertencesse ao lado daquelas pessoas. Principalmente ao lado de seus supostos familiares.

Sakura franziu suas sobrancelhas ao pensar pela milionésima vez no assunto. Era tudo tão estranho e tão malditamente mal explicado! Desde bebê, foi-lhe dito que tinha nascido prematura e que por isso sua mãe tinha morrido.

Só. Mais nada. Nenhum foto, ou recordações ou até mesmo amigos de sua mãe com quem pudesse falar. Tinha saído em busca de alguns, mas nunca os encontrou. Lembrava de que pouco antes dos quinze anos de idade, estar tão frustrada a ponto de revirar as coisas do seu pai a procura de imagens que revelassem como sua mãe era. Estava esperançosa de encontrar várias fotos de seus pais felizes e sorridentes, com vários momentos de suas vidas em fotografias. Principalmente de quando estava gravida dela. Mas só tinha encontrado um mísero retrato de sua mãe e seu pai abraçados em um tipo de parque de diversões. Os dois pareciam felizes. Seus braços entrelaçados e seus olhares admirados um para o outro era a evidente prova de que se amavam. Mas não havia nada sobre ela.

Respirou profundamente e apoiou suas costas no encosto do sofá com um sorriso triste nos lábios.

Flashes das dolorosas lembranças daquele dia lhe vieram a mente. Parecia que estava acontecendo tudo novamente. Que era real. A maldita lembrança a perseguia.

O modo como seu pai a tinha pego bisbilhotando suas coisas... O ódio que viu no olhar daquele homem direcionado especialmente para ela... A voz dele que vinha aos berros com insultos através de insultos, todos eles sendo jogados nela. O modo de como despregou o seu cinto e agonia de saber a cruel verdade que estava por vir. Outra surra. Simplesmente por estar curiosa por sua mãe. Até mesmo tentou lhe explicar seus motivos para fuxicar entre suas coisas, mas nada adiantou.

- Nunca... mais... fale... dela...! – O grito de ódio vinha do fundo de sua alma com uma forte chibatada do cinto a cada intervalo de palavras em suas magras costas.

Estava encolhida no canto mais apertado da cozinha, que ficava entre a geladeira e a parede, de costas para ele, mesmo assim, ele era implacável em seu açoite.

Ela não chorava. Suas lágrimas já tinham secado à tempos, desde a primeira surra que ela tinha levado por deixar a caixa de leite cair e sujar a mesa. Parecia que o fato de não chorar só incrementava sua ira e alavancava algo em seu interior que o fazia estalar de violência.

- Morreu... por... culpa... sua! – Repetia o homem diversas vezes ainda acompanhando as palavras com o potente castigo.

Ela não gritou uma vez sequer. Sabia que só tinha que esperar até que sua fúria diminuísse ou ele se cansasse. Quando acontecesse, ele iria se afastar e se trancar no quarto com uma ou duas garrafas de bebidas alcoólicas. Enquanto ela, iria para o seu quarto, passar um pomada anti inflamatória em suas feridas. Já era costume. Sinceramente, não culpava seu pai por seu ódio. Aliás, ela tinha sido a culpada pela morte de sua amada.

Só que naquele dia, algo se revoltou dentro dela e fugiu. Não era justo! Ela não tinha pedido pra nascer! Se tivesse a chance de escolher, teria morrido no lugar de sua mãe. Mas não. Ela estava viva. Seu pai teria que conviver com isso. Se é que era seu pai.

Mas em um lugar bem profundo dentro dela desconfiava. Não tinha nada a ver com qualquer um dos dois. Sua mãe, pelo que viu na fotografia, tinha cabelo castanho escuro, com os olhos da mesma cor. Não havia nenhum traço sequer que pudesse comparar com ela. Era a mesma coisa com o seu pai. Seus cabelos eram negros, de acordo com a tonalidade fria e morta de seu olhar azulado, nada a ver com seu estranho cabelo rosa e seus olhos verde mar. Provavelmente tinha sido adotada. Mas isso não explicava a amargura de seu pai e nem a ausência de sua mãe.

Ela nunca tinha conhecido amor em sua vida. Sempre olhava para rua, vendo os pais e seus filhos saírem de mãos dadas e sorridentes uns para os outros doía dentro dela. Infelizmente, tinha sido privada disso. Tudo que sabia, era que seu pai a odiava. E sempre que tentava falar sobre isso era punida. É claro que não tinha dito a história toda e suas desconfianças para Hinata. Sua amiga só sabia o básico. Que ela teve uma infância difícil e que seu pai tinha ficado frio e violento quando sua mãe morreu. Se é que também era sua mãe.

Talvez fosse por isso que seus relacionamentos nunca duravam. Não sabia como responder as emoções do sexo masculino a altura.

Não que fosse privada deles.

Bufou com a ideia.

Realmente... Adorava homens e seus brinquedos mágicos que tinham entre as pernas. Era divertido e prazeroso. Um passatempo incrível. Mas era somente isso. Não conseguia se envolver de verdade. Nunca. Sempre que tentava, recordava que as únicas emoções direcionada a ela por muito tempo foram pesar, ira e ódio. Não conhecia muita coisa diferente disso, então não podia retribuir.

Era diferente com sua amiga Hinata. Era como se ela fosse seu porto seguro. Se Sakura sabia algo sobre bons sentimentos, era o que tinha pela morena de olhos claros. Amava sua amiga, é claro. Mas sabia que esse não era o tipo de amor que os homens pediam dela quando queria algo mais sério.

Respirou forte e profundamente, se dando conta da constante tremedeira de seu corpo.

Patético.

Mesmo depois de tanto tempo, as memórias ainda a afetava.

Depois de outra respiração longa, voltou sua atenção para o livro com uma virada de cabeça. Não valia a pena lembrar desse tipo de coisa quando Hinata estava perdida no tempo.

Estava preocupada com sua amiga.

Sabendo onde ela estava, lhe dava pelo menos a ideia de um alivio momentâneo. Só para lembrar que ela estava no séc. XVI e a deixar preocupada novamente.

Pelo menos ela lia bastante romances históricos não? Talvez servisse de alguma coisa.

Ou talvez não. Dado que o lugar onde ela foi parar era cercado de magia e mistério.

Já se faziam cinco dias que sua amiga tinha sido sugada para 1578 e ela simplesmente não podia fazer nada. Nem mesmo tinha ido para a faculdade. Só para continuar lendo o que lhe acontecia e rezando para que Hinata não morresse.

Desencostou suas costas da comodidade do sofá e agarrou ao livro. Ele era mágico. Tinha certeza disso. Um dos motivos, é que sempre quando chegava em alguma certa parte dele, as palavras acabavam, e momentos depois, letras negras e formosas apareciam, dando continuidade a história. Era como se tudo que acontecesse onde Hinata estivesse em tempo real fosse contado exatamente no mesmo momento pelo o próprio livro. Era fascinante.

Voltou seu olhar para as palavras que surgiam magicamente sobre as folhas antigas, uma de cada vez, em ordem.

Muita gente adoraria pôr a mão em uma raridade dessas... Pensou distraída.

Dane-se. Não ia deixar. Concluiu um segundo mais tarde antes de retomar sua leitura.

Acompanhou cada ação de Hinata e ficou feliz em saber que sua amiga estava cantando novamente. Fazia tempo que não a ouvia cantar. Sempre disse pra muito idiota de sua amiga que ela tinha uma voz e tanto...

Pelo que parecia, o loiro, Naruto, também concordav...

- Jesus, Hinata! – Ofegou a rosada quando leu a reação de sua amiga ao beijo inconsciente do loiro. – Safadaaaa. – Enfatizou com um gritinho deixando a palavra se estender. – Se aproveitando totalmente do homem doente! – Exclamou ainda um pouco perplexa e de boca aberta e de modo risonho.

Uh-uh... Repreendeu-se internamente se perguntando se tinha sido uma boa ideia transformar a sua amiga nessa grande aproveitadora pervertida. Não que ela no lugar de Hinata não fizesse a mesma coisa. Em realidade, seria melhor... Ou pior... Dependia do ponto de vista.

Abafou o riso que ameaçava explodir em sua garganta.

Sua mente realmente era um lugar indecente. Principalmente quando se tratava de homens grandes e musculosos.

Hinata, cadela sortuda.

Pensou com um sorriso cúmplice estampado na cara dando-se conta do alvoroço que a morena faria à mutirão de homens tudo-de-bom que ficariam aos pés dela.

****

Hinata já estava a cinco minutos completamente imóvel por baixo do enorme corpo de Naruto. Disse para si mesma que o homem só estava delirando de febre novamente, que era muito provavelmente verdade. Mas alguma coisa dentro dela estava uma completa queimação de tão excitada que estava.

O homem tinha a beijado! E que beijo!

Por um momento estava mexendo na sua linda mecha loira, pensando em como era malditamente sexy todos esses homens de cabelo grande, principalmente o dele em particular. Realmente... Adorava a cor dos cabelos desse guerreiro. E num piscar de olhos, ele já a tinha posto por baixo dele! Ela mal teve tempo de registrar o que estava acontecendo e suas bocas estavam deliciosamente grudadas quando seus corpos eram pressionados contra o outro. Hinata tinha até mesmo ficado estática, sentindo a língua dele abrir caminho por sua boca, roçando seus dentes e procurando por sua língua. Era como se ele se sentisse no completo direito de beijá-la!

Respirou pela enésima vez, consciente de cada músculo, cada volta e de todos os membros do homem por cima dela. Estava completamente atenta ao fato da dura ereção do homem que era sentida pressionada contra seu ventre. Se sentia tão pequena e delicada perto dele...

Tinha que tirá-lo de cima dela mas... Era bom...

Sua vaca interior estava aos pulos e orgasmos em sua mente. A cadela tinha adorado cada momento daquilo. É claro que estava, afinal, tinha sido a pervertida a incitá-la a responder o beijo do loiro. Hinata, logicamente também tinha adorado cada momento. Além do mais, sua vadia interior nada maios era que suas emoções mais pervertidas convertida em um ser mental que ela mesma tinha criado para aplacar sua timidez.

Ainda respirando forte, colocou suas mãos sobre a cintura quente do loiro, pensando seriamente em tirá-lo de cima dela. Parecia tão bem ali. Como se fosse seu lugar preferido em todo o mundo. Suas dedos passearam suavemente desde sua cintura até a costela, voltando a fazer o movimento repetidas vezes.

O que ela estava fazendo? O homem tinha acordado muito quente pela febre, tinha pensado até mesmo que ela era um anjo e o que Hinata tinha feito? Aproveitado da situação! Devia sentir vergonha se si mesma. Mas a excitação que ainda queimava feito brasa em seu sangue não a fazia pensar direito.

Sai daí, Hinata... Dizia para si mesma. Se algum dos guerreiros a ver assim...

A gente faz um montinho! Interviu seus pensamentos sua vadia. Principalmente se for com aquele moreno gostoso. Sorriu nada delicada enquanto passava seu batom vermelho sangue e magicamente aparecia uma roupa sexy em seu corpo. Sua mente estava projetando uma roupa de couro? Roupa não... Pedaços dele! A pervertida estalou um chicote que a cinco segundos atrás não estavam em suas mãos, fazendo o som ecoar por toda sua mente.

Acorda o loiro! Gritou excitada. Tá na hora da festa!

Hinata sentia que seu próprio corpo ia ficando quente com a ideia. Sexo a três, sério? Realmente, nunca tinha feito. Não que fosse uma má ideia uma festinha particular com esses dois grandes e sedutores homens. Seria incrível!

Oh Deus... No que estou pensando? Questionou-se perplexa pela direção de seus pensamentos.

Devem ser tãããão grandes... Observou a vaca mental de sua cabeça, andando de um lado para o outro de modo provocador tentando chamar sua atenção para sucumbir ao pecado.

Cala a boca! Respondeu Hinata de modo cortante. E eu não rebolo desse jeito! Disse criticando o modo em que sua vaca mental indecente requebrava exageradamente a cada passo.

Ignorou-a com intuito de fingir que essa sua outra parte não existia.

O que ela tinha que fazer? Oh, sim! Tirar o loiro bonito de cima.

Muito cuidadosamente, Hinata escorregou para o lado da cama, segurando seu corpo com as mãos. Tinha que ter cuidado ao sair de baixo dele, pois não queria que a ferida abrisse. Não depois de todo o esforço que teve para salvá-lo. Sentiu que algo prendia sua cintura no lugar, a impedindo de mover-se mais um centímetro. Olhou para baixo e percebeu que o musculoso e longo braço do homem estava em volta da sua cintura, a mantendo no lugar. Mesmo inconsciente ele tinha uma força absurda!

Seguiu no seu escape empurrando delicadamente um lado do corpo do homem para tentar virá-lo de costas e assim ser livre. Mas Naruto pesava mais que um touro, e estava custando suas reservas de energia tirá-lo dali.

Alguns segundos mais tarde, depois de várias tentativas inúteis e muitos palavrões jogados fora, conseguiu finalmente desancorá-lo de cima dela e emborcá-lo de costas.

Sentou-se na beirada da cama e respirou forte seguidas vezes enquanto tentava recuperar o fôlego. Não olhava para o rosto de Naruto. Não queria ver como parecia gentil e sereno enquanto dormia...

Era mentira. Morria de vontade de virar o rosto e tocar mais uma vez os lábios dele nos seus, mas temia que se o fizesse o loiro acordaria e a beijaria novamente. E sinceramente, ela iria ceder fácil. Novamente.

Levantou com um pulo e afastou-se da cama andando para longe dela. Caminhou irritantemente em volta da lareira, depois, próximo à porta, para novamente voltar para a lareira e olhar perdida em seus pensamentos para o fogo que ardia para a vida enquanto fervia o chá que ela tinha preparado para aplacar a febre dele.

Novamente, seus pensamentos foram para o incandescente beijo. O modo como a tinha posto por baixo dele... Como sentia seu delicioso peso por cima dela, fazendo seu coração trovejar loucamente excitado, como a fricção de seus corpos era ritmicamente perfeita...

Maldita seja Hinata! Desde quando você cede tão fácil? Repreendeu-se mentalmente.

A partir do momento em que suas línguas faziam a “transa bucal”. Interviu a parte mais podre e mais pervertida de sua mente.

Mas que merda... Transa bucal? Questionou Hinata perplexa pela nova palavra que sua vadia tinha inventado.

A promíscua somente riu sem dar importância.

Hinata reprimiu seus pensamentos tarados sentando-se em uma cadeira que estava à uma considerável distância do loiro. Estava morta de cansaço.

Inclinou sua cabeça no encosto do alto acento e estalou sua língua, ainda sentindo o formigar do beijo.

Que bom seria uma barra de chocolate agora...

Foi seu último pensamento antes mesmo de perceber que já não tinha mais nada na cabeça. Pois o sono reivindicava seu direito sobre ela.

A alta e constante batida na porta a fez despertar com um pulo assustado. Levantou-se rapidamente da cadeira e sentiu sua coluna estalar dolorosamente.

Filho da....

Nunca mais dormir em cadeira! Fez uma nota mental. Andou velozmente em direção à agua da tina e a jogou sobre o rosto, com intenção de aplacar o sono.

Alisou rapidamente o vestido que Sasuke tinha lhe trazido no dia anterior, com intensão de desamassá-lo. O tecido era lindamente gracioso. Mesclava-se o tom verde claro e branco, com vários babados e linhas suáveis que tinham sido traçada por todo o pano formando um desenho. Cobria seus pés que estavam calçados por uma sapatilha clara aconchegante e confortável. Era incrível como o tecido tinha se ajustado perfeitamente ao seu corpo. Sorriu para si mesma confiante. Sentia-se malditamente sexy. Será que teria de tomar cuidado com algum dos homens do castelo?

Sasuke tinha dito que enquanto ela estivesse em seu castelo, seria sua convidada, e todos a tratariam com devido respeito, então provavelmente estava segura.

- Pode entrar. – Disse depois de um momento arrumando sua compostura e erguendo o queixo.

A porta abriu-se lentamente, seguida do manhoso gemido da dobradiça enquanto era escancarada. Segundos depois, a sombra de um homem alto apareceu sobre ela. Não demorou muito para perceber que se tratava de Kiba. Ia vestido com nada mais que um kilt e tartán vermelho com várias linhas de cores verde e azul. Seu cabelo estava molhado e um pouco bagunçado, como se tivesse acabado de sair do banho. Seu musculoso peitoral estava a amostra, dando espaço pela extensa descida de seu abdômen quadriculado e deixando evidente duas linhas muito agradáveis de sua virilidade que ia afundando-se cada vez mais dentro do seu kilt até que sumia pelo tecido que nada mais era que um pedaço de pano que mal cobria um de seus peitos, prendendo-se em algum lugar aa cima de seus ombros.

Hinata engoliu seco. Todos tão pecaminosamente irresistíveis!

- Minha dama. – Disse inclinando-se respeitosamente quando esteve próximo o suficiente dela. Agarrou uma de suas mãos delicadamente e depositou um suave beijo que mais parecia uma carícia.

Hinata tentou não se mover, mas foi difícil. Especialmente por que esse inocente beijo, lembrou o devastador beijo do loiro horas atrás. Ela tinha dormido na cadeira, e suas costas ainda doíam como o inferno.

Kiba levantou sua cabeça tranquilamente e disse enquanto a encarava.

- Lorde Sasuke deseja que se ausente um pouco desse quarto. Já tem muitos dias aqui e está pálida. – Argumentou o guerreiro cruzando seus braços sobre o peito. O Movimento só fez realçar seus músculos.

Hinata encostou suas costas em uma parede distante do ferido e olhou para o local em que o loiro estava. Será que podia deixá-lo?

Francamente, não queria. Ele podia cair da cama ou começar a ter delírios novamente. Sem falar que ainda não tinha lhe dado sua sopa.

- Ele ficará bem. – Interrompeu Kiba com sua voz confiante. – Não acreditava que fosse durar muito tempo, mas está levando bem. É uma curandeira incrível, se me permite dizer. – Completou com um olhar de fascínio em seus olhos.

Hinata fez uma careta. Não era curandeira. Só gostava de tv. E do canal Cultura. E do infeliz louco do House. E tinha acidentalmente salvado a vida do guerreiro fazendo uns remédios com plantas e desinfetando sua perna. Isso não a convertia em uma curandeira. Ou o fazia?

- Eu... tenho que encher o bucho dele... Alimentá-lo. – Disse, escolhendo melhor suas palavras ao ver seu cenho franzido de desentendimento.

Desde que tinha chegado ali tinha percebido que as pessoas não entendiam bem suas gírias e não conheciam algumas palavras.

Era compreensível, se realmente estava no séc. XVI qualquer um faria uma careta ao ouvir suas merdas. Realmente, tinha aceitado que tinha voltado no tempo?

- A comida está sendo preparada. – Disse Kiba andando em direção a cama e analisando a perna coberta pela pasta de unguento que Hinata tinha feito. – E a dama tem que comer também. – Disse sem dar espaço para argumento.

- Ah.. Eu posso fazer uma pergunta? – Hinata perguntou mudando de assunto enquanto criava coragem e rezava para que o homem não a achasse louca.

- Claro. – Respondeu voltando seu olhar curioso para ela.

- Não pergunte nada, só responda ok? – Pediu ainda hesitante. Tinha percebido que o guerreiro franzia o cenho, provavelmente de desentendimento pela palavra “ok”, mas ele acenou confirmando com a cabeça.

Hinata tomou suas respirações controladas e perguntou de uma vez. Estava cansada da maldita dúvida!

- Em que... ano estamos? – Perguntou, prendendo a respiração, temerosa pela resposta.

Kiba abriu a boca como se fosse questioná-la, mas logo fechou-a e olhou sério para ela.

- Estamos em 1578. – Respondeu, sua voz sem mostrar qualquer indício de sarcasmo ou ironia.

- Claro que estamos... – Murmurou Hinata soltando sua respiração um pouco frustrada. Por incrível que parecia, ela não estava surpresa com a resposta do guerreiro. – Aposto que estamos também na Escócia, Highlander’s.

Kiba franziu o cenho em desentendimento. Mas estava claro para ela. Deus... Realmente estava na Escócia! No século dezesseis, cercada de highlander’s lindos e maravilhosos!

Parecia não ser tão ruim. Afinal, ela estava sendo abrigada. Não estava passando fome ou coisa parecida. Mas se perguntava constantemente como ir pra casa.

Calma Hina... Uma coisa de cada vez. Fazia cinco dias, se não se enganava, que estava enfurnada nesse quarto cuidando do Guerreiro. Devia estar parecendo uma assombração por ficar tanto tempo sem tomar um pouco de sol. A janela permitia que a luz solar entrasse no quarto, e aquecesse um pouco o local, mas não era o bastante.

Sentiu seu estômago encolher de fome e finalmente decidiu que o melhor a se fazer naquele momento era comer. Logo quando acabasse, voltaria para alimentar Naruto.

- Vamos. Eu preciso de um pouco de sol. – Disse afastando-se da parede.

- Sim. – Respondeu o guerreiro esquecendo sobre o assunto que tinham falado a poucos segundos. – Por favor, irei acompanhá-la. – Lhe disse estendendo um braço.

O que? Teria que acompanhá-lo segurando seu forte e delicioso moreno braço?

Oh, sim. Sua vadia passou a língua pelos dentes, pronta para fazer um comentário espertinho.

Só cale-se. Interrompeu Hinata antes de qualquer tentativa. Vamos acompanhá-lo, porque parece que é assim que funcionam as coisas por aqui.

Convenceu a si mesma, aproximando-se do alto guerreiro e envolvendo sua mão em torno de seu ante braço.

Ele começou a rebocá-la para fora do quarto, mas antes de sair, Hinata jogou seu olhar preocupado para o loiro que ainda estava inconsciente.

Não se preocupe, meu Guerreiro. Eu já volto. Disse mentalmente, mais para ela do que para outra coisa.

E eu também. Completou sua vadia acenando com a mãe em uma triste despedida. Já, já volto pra te com...

Alimentar. Interrompeu Hinata antes que pudesse pensar nela e esse lindo loiro fazendo coisas indecentes.

Desviou seu olhar dele com o rosto um pouco quente e deixou que Kiba a levasse para o pátio.

Passaram rapidamente pelo hall de entrada enquanto desciam as escadas. Hinata estava fascinada novamente com a vivacidade de cada detalhe. Era exatamente como descreviam seus livros históricos, mas era tão diferente por estar vivendo aquilo! Percebeu que castelo estava um pouco vazio. Não havia guerreiros no grande salão, nem mesmo os grupinhos irritantes de mulheres que estavam ali da última vez. Hinata mal registrava Kiba ao seu lado quando passaram pela portão de entrada do castelo que estava aberto. O intenso clarão da luz solar a banhou inteiramente assim que passou pelo portão e machucou um pouco seus olhos. Ergueu sua outra mão fazendo uma escassa sombra para sua visão. Continuaram andando descontraidamente para o que parecia ser a varanda, e seus olhos, pouco a pouco, foram se acostumando com a claridade. Não tinha percebido quanta falta o sol fazia sobre sua pele. Podia sentir o delicioso calor entrando por ela e a aquecendo lentamente.

- Se me permite perguntar – A voz de Kiba interrompeu seus pensamentos. – Qual é o seu clã? – Questionou-a curioso.

Hinata elevou seu olhar até que podia alcançar aos do guerreiro. Nunca se cansaria de achar tão malditamente bom toda a altura deles. Kiba era muito bonito. Seus olhos castanho escuro tinham um tom desafiador, que fazia o par perfeito para suas sobrancelhas mais escuras. Sua boca tinha um ligeiro rastro de diversão, mas Hinata não entendia o porquê. Ou entendia.

Estava observando ele quase de boca aberta.

Idiota! Mesmo assim. Era tão bom olhar para cima quando conversava com alguém e não o contrário por causa de sua altura elevada...

- Ah... Eu... – O que tinha perguntado? Clã? Hinata não tinha um clã, a não ser seu um sobrenome. – Hyuuga. – Respondeu, esperando que ele não fizesse mais perguntas.

Sem sorte.

- Clã Hyuuga? – Perguntou Kiba acompanhando seus passos. – Nunca tinha ouvido falar dele. – Inclinou sua cabeça de modo curioso.

- Não são muitas pessoas que o conhecem. – Hinata disse sem interesse. – É um... Clã... pequeno. – Finalizou dando de ombros sem importância.

Parecia que o guerreiro iria pergunta-la mais alguma coisa, mas uma chamada, ou melhor, um grito de chamada, o fez parar.

- Já está tentando se aproveitar da jovem, Kiba? – gritou a voz de longe.

Hinata virou seu corpo em direção a voz e teve o breve vislumbre de uma grande forma e de cabelos avermelhados. Segundos depois, já podia ver todo o guerreiro. Estava vestido com o Kilt da mesma cor que Kiba. Seu longo cabelo era trançado por suas costas, com vários fios soltos pelo seu rosto. Seus olhos eram de uma cor impressionantemente de um estranho verde, quase azul. Nariz bem definido e uma fina linha de estresse aparecia em sua boca não muito carnuda, mas muito sexy. Como todos os guerreiros daquele lugar, ele era alto e forte. Bem corpulento, com a pele da cor do pecado bem bronzeada.

Acho que eu poderia me acostumar com isso. Comentou a vadia interior, deitada de barriga em sua mente, com seus cotovelos apoiados no chão e suas mãos ao abraçando aos lados do rosto. Parecia uma criança que tinha visto brinquedo novo.

- Acho que essa é a minha deixa. – Kiba suspirou cansado fechando os olhos como se estivesse com dor de cabeça. – Não dê ouvidos a ele. – Completou um pouco antes do outro homem ruivo chegar perto deles.

- Seus alunos precisam de você no campo de treinamento. – Disse o ruivo para ele. – Dama. – Cumprimentou a ela com a leve inclinada de cabeça. – Me chamo Gaara. Desculpe interromper seu passeio. – Disse, e voltou para Kiba novamente. – O que está esperando? As crianças vão acabar se matando!

- Infernos. – Amaldiçoou, separando-se de Hinata e passando rapidamente a mão pelo cabelo em um claro gesto frustrado.

- É Kayle novamente? – Questionou Kiba com o olhar intenso e preocupado

- Sim. – Respondeu o ruivo, com um triste olhar nos olhos. – Disse que o provocaram. – Completou ele soltando um pouco de ar.

- Maldição. – Amaldiçoou novamente e virou-se para Hinata. – Lady Hyuuga – Disse pegando uma de suas mãos e depositando um suave beijo ali. – Foi um prazer acompanhá-la. Se pudesse, ficaria mais. Mas tenho trabalho a fazer.

- Tudo bem. – Disse Hinata tentando ser compreensiva. – Não se preocupe.

Kiba abriu um lindo sorriso-derrete-calcinhas para ela antes de acelerar seus paços na direção oposta e sumir em uma escadaria que descia.

Provavelmente ele a queria em sua cama, mas Hinata não estava disposta a deitar-se com ele. Só o mero pensamento lhe incomodava. Kiba não era feio. Não mesmo. Era muito atraente, isso sim. Mas não gostava de imaginar-se acordando ao lado dele e sim de um certo loiro...

Hey! Não vá por aí, Hinata.

- Um conselho, Lady Hyuuga. – O ruivo interrompeu seus pensamentos.

- Oh... É claro. – Disse concordando com a cabeça voltando sua atenção para ele.

- Kiba é um bom homem – Começou ele olhando para o local onde Kiba havia desaparecido – Mas tem o péssimo histórico de partir o coração das moças depois de tê-las. – Continuou ele, encarando-a significativamente. – Parece ser uma mulher esperta. Não se encante por...

- Me apaixonar? – Hinata quase gritou ao entender onde o homem queria chegar. Seriamente, ele pensava que ela se apaixonaria por Kiba? – Não gosto dele. – Respondeu explicando-lhe. – Quero dizer. Gosto. Mas não desse modo. Parece ser um completo galinha do inferno, mas até que ele é legal.

Gaara tossiu mais que surpreso com suas escolhas de palavras. A olhou com os olhos arregalados por um instante e logo tentou se explicar.

- Eu não disse que... Bom... – Disse ele se interrompendo. – Ele só não consegue se manter com uma mulher por muito tempo...

- Sei. – Hinata disse com um sorriso. Pelo visto Kiba era um completo cheirador de calcinhas! Se ele soubesse o que era uma calcinha, é claro. Pensou revirando seus olhos mentalmente. – Não se preocupe com isso. Estou bem. E não pretendo me “encantar” – Enfatizou a palavra – Por ninguém. – Sorriu novamente, passando confiança.

- Bom. – Lhe respondeu parecendo aliviado, acenando com a cabeça. Fez um rápido gesto de despedida e virou-se de costas, afastando-se. Own... Os homens daquela época eram tão gentis e atenciosos! – Oh, sim. Tem algo mais. – Acrescentou girando para ela a uma certa distância.

- O que? – Perguntou curiosa.

- Tome cuidado com Naruto. O guerreiro de quem cuida. – Aconselhou-a, sério.

- Por quê? – Perguntou Hinata incômoda. Sabia que tinha que tomar cuidado com o loiro, mas que alguém lhe dissesse isso era perturbador.

- Digamos que é um pouco... Instável. – Disse hesitantemente. Hinata franziu suas sobrancelhas sem entender onde Gaara queria chegar. – Só... Tome cuidado, sim? – Aconselhou-a novamente girando em seus pés e sumindo de vista pela mesma escadaria que Kiba.

Mas que infernos? O que ele tinha querido dizer com “Tome cuidado?”

Então Naruto tentava arrancar, não só sua cabeça, mas também a de seus amigos? O simples fato a deixou inquieta novamente. Nada bom.

Voltou a andar sobre o silêncio daquele dia tão aconchegante e quente. Não queria pensar muito hoje. Estava cansada, com sono e com fome. Sem contar que sua pele ainda estava um pouco fria.

Parou de andar e fechou os olhos em regozijo enquanto encostava suas costas na parede de fora do castelo, direcionando seu rosto para o céu. Respirou profundamente sentindo parte da sua tensão indo em bora. Tinha estado tão preocupada com o guerreiro doente que não havia conseguido dormir bem. Principalmente pelo fato de sempre adormecer naquela maldita cadeira quebradora de coluna do quarto do guerreiro. Sasuke tinha tentado colocá-la em um dos quartos de visita, alegando que ela tinha que estar bem disposta para curar seu amigo. Mas Hinata recusou seu pedido, dizendo que o melhor era deixá-la lá, pois seu amigo estava muito perto da morte. Hinata não precisava ser nenhum House pra dizer isso. O loiro tinha estado muito pálido e seus delírios tinham ficado pior. Então ela resolveu lhe dar aquele chá cuspido pelo diabo, pelo gosto tão ruim que tinha a coisa, para aplacar sua febre e diminuir suas dores. O resultado tinha sido de algumas horas depois, ele ter a beijado, dizendo que era ela um anjo.

Ainda com o rosto virado para o céu e de olhos fechados, sorriu com a ideia daquele tão forte e viril homem a chamar de anjo. Já tinham flertado com ela antes, é claro. A chamavam de princesa, meu doce, bebê (eca!), entre outros nomes melosos, mas nunca de anjo. E, que Deus a ajudasse, tinha gostado de como aquilo soou. Principalmente por ser aquele guerreiro. Parecia tão... certo.

Idiota... Murmurou mentalmente pra si mesma. Estava ali, viajando na maionese, pensando em como seria bom ouvir aqueles doces e provocativos lábios a chamarem de anjo novamente, mas sabia melhor. Tinha certeza que o loiro iria pirar se descobrisse que tinha beijado a pessoa que dias atrás jurou de morte.

- É muito bom que tenha saído daquele quarto. – Disse uma voz ao seu lado.

Hinata abriu pesadamente os olhos e olhou para o dono da voz. O moreno estava muito malditamente gostoso naquele mesmo Kilt que tinha visto os guerreiros usarem. Seu corpo estava um pouco ruborizado e podia-se ver várias gotas de suor que desciam indelicadamente por sua garganta, abrindo caminho pelo seu peito... abdômen... e sumindo na malha de sua roupa. U-uh. Sasuke carregava uma longa espada pendurada em suas costas, deixando toda a cena ainda mais sexy.

- É... – Respondeu Hinata voltando sua atenção para ele. – Precisava de um pouco de sol. – Desapoiou-se da parede elevando seu olhar para os de Sasuke.

- Sim. Está pálida. – Comentou ele com as sobrancelhas franzidas, sinalizando com a cabeça para que ela andasse junto dele.

Hinata acompanhou silenciosamente os passos do moreno, mas sem dar-lhe muita atenção. Seu olhar estava faminto por registrar cada detalhe do lugar. Se antes pensava que o castelo era grande só por estar dentro dele, via agora que ele era enorme. Haviam grandes torres com no mínimo dois guerreiros observando em cada extremidade. Anotava mentalmente cada detalhe. Quanto mais andava, mais deslumbrada ficava. Nunca haveria imaginado nada parecido. Ela ainda estava do lado de dentro do castelo mas logo percebeu um enorme portão com mais de cinco metros de altura sua frente. Parecia ser bem resistente, forte e estava aberto. Do outro lado dele, notava-se casas, ou melhor, cabanas distribuídas por lá. Várias mulheres e homens trabalhavam alegremente, sejam elas carregando algo na cabeça, ou eles levando algo pesado em seus braços. Todos eles vestiam roupas simples, sem detalhe, ela desconfiou que esse seria o povoado. Tinha também muitas crianças correndo de um lado para o outro felizes e risonhos. Tinha mais de dez deles, tinha certeza. Perseguiam uma pequena égua com determinação. Gritavam uns para os outros um melhor jeito de cercá-la e gargalhavam toda vez que tentavam agarrá-la e a égua simplesmente se esquivava e os fazia cair.

Hinata sorriu com a cena. Era tudo tão acolhedor.

Continuou andando ao lado de Sasuke ainda atenta para cada detalhe. Podia ver em um canto direito mais distante vários guerreiros treinando com espada. Estava longe para ter uma boa visão, mas capturou várias mulheres que andavam propositalmente de um lado para o outro. Sempre que tinham a chance, olhavam aos Guerreiros quase os comendo com os olhos.

Estava explicado o por que de não ter visto quase nenhuma jovem mulher no castelo.

Revirou os olhos e prosseguiu caminhando. Em algum lugar, podia ouvir relinchos de cavalos se maravilhou com a ideia. Adorava cavalos! Mesmo não sabendo montar em um, achava que eram os animais mais impressionantes de todos. Queria seguir o som dos animais, mas Sasuke só continuava andando.

- Sasuke? – Perguntou tentado lhe chamar a atenção.

Ele só continuava caminhando, com o olhar reto e perdido. Estava muito distraído, e com certeza não tinha a ouvido.

- Sasuke...? – Repetiu inutilmente enquanto ele continuava perdido em seus devaneios mentais. – Hey... – Hinata disse suavemente tocando seu braço.

O moreno enrijeceu ao seu toque despertando do transe. Tinha o rosto um pouco abalado e marcado por linhas de tensão e cansaço.

- Tudo bem? – Perguntou Hinata preocupada. Não tinha motivo para ele permanecer daquela maneira quando deu amigo já não estava tão próximo da morte. – Olha, não precisa ficar assim, Naruto é guerreiro durão, duvido que vá morrer. – Explicou-lhe calmamente com a voz serena.

- O que... – Seu cenho franziu em confusão, mas logo depois deu lugar ao entendimento. – Graças aos céus. – Respirou profundamente evidentemente aliviado, mas seu corpo ainda estava tão tenso como antes. – Serei eternamente grato pelos seus serviços. Seu pagamento será três vezes o que eu tinha em mente para te dar. Merece-o. Realmente estou aliviado que tenha salvado Naruto. – Disse firmemente as palavras a olhando nos olhos.

Hinata percebeu que seus olhos estavam mais negros que antes. Estavam diferentes, sem brilho ou emoção. Ela identificou evidentes olheiras e se perguntou se ele dormia bem. Sasuke parecia um robô naquele momento. Mas... Seus olhos tão inanimados estavam evidentemente agoniados.

Agora foi a vez de Hinata ficar confusa.

Tudo bem que ele estava aliviado por ela ter salvado seu amigo e tal, mas parecia que o moreno estava prestes a entrar em colapso.

- Você não tá legal não... – Comentou Hinata preocupada.

- Por que diz isso? – Perguntou confuso e cansado.

- Qualquer um que tenha olhos pode ver isso. – Respondeu sarcástica.

Quando ele não lhe respondeu nada, ela realmente viu que tinha uma coisa muito errada ali. Ele devia pelo menos dizer algo do tipo: “Não perdoarei esse tipo de tom”, como ele fez da última vez, mas ele estava sendo muito indulgente.

O moreno fechou os olhos e respirou profundamente. Inclinou sua cabeça para o céu e abriu os olho, fatigado.

Um leve sorriso sem emoção apareceu sobre o canto de seus lábios.

- Você é bem perceptiva. – Murmurou anda com o sorriso desanimado. – Não acho que alguém tenha notado algo diferente em mim. Estou sempre de mal humor. – Comentou enquanto abaixava a cabeça e andava para um monte de grandes pedras, sentando-se em uma delas. Hinata o seguiu ainda inquieta com a situação.

- Exato. – Lhe respondeu. Quando ele só fez um “o quê?” com as sobrancelhas ela lhe explicou. – Você deveria ter dito me respondido algo como: “Cortarei sua cabeça por me desrespeitar!” – Imitou sua voz grossa. – Mas... Você só não disse nada.

Sasuke só a olhou. Vários segundos, ou minutos, se estenderam até que ele quebrou seu olhar. Apoiou seus cotovelos nos joelhos enquanto encarava o chão. Hinata sentou-se ao seu lado se perguntando o que estava passando na cabeça do moreno. Não queria ser enxerida, mas sentia que se Sasuke não descarregasse um pouco seu pesar, ia perde-lo novamente para seus pensamentos.

- Você pode me contar, sabe. – Ela comentou sem dar importância para fato. – Sou uma boa ouvinte, e sei quando alguém precisa de um ombro. Já que seu amigo não está em condições de lhe ajudar, eu posso te ouvir...

Hinata se perguntava se tinha ido muito longe. Provavelmente sim, dado que Sasuke continuava olhado para o chão, sem mover um músculo sequer. Vários minutos se passaram enquanto o silêncio reinava entre eles. Provavelmente o tinha perdido novamente para seus pensamentos. Não devia ter dito nada. Sasuke não precisava de um ouvinte e sim ficar só.

Hinata levantou-se da pedra, pronta para ir embora ou para cozinha, quando ouviu sua voz e parou.

- Vou me casar. – Lhe disse o moreno com sua voz baixa.

- O que? – Perguntou Hinata sem acreditar. Era por isso que ele estava tão depressivo?

- Eu... Me casarei... – Repetiu erguendo sua cabeça e olhando-a de modo torturado.

- E isso é ruim porque...? – Perguntou Hinata estendendo a pergunta.

- Porque não foi uma noiva escolhida por mim! – Lhe respondeu quase grunhindo.

- Mas... hein? – Ele ia se casar com alguém que não queria, era isso? – O que? A deixou grávida? — Questionou Hinata.

- O que? – Quase gritou. – Não! – Respondeu sem dar chance dela falar. – Não a conheço pessoalmente. Foi-me deixada como último desejo de meu pai. – Disse infeliz.

Hinata imediatamente entendeu o que acontecia. Naquela época, os pais decidiam com quem seus filhos casavam, mesmo tendo diferenças de idade absurdas. No final, era tudo sobre interesse político. Esses tipos de união eram muito comuns quando dois lados não se davam bem. Pegavam o herdeiro de cada clã e os cavavam, como um acordo de paz.

- O... Clã... De sua noiva... – Começou Hinata. – São seus inimigos?

- Não necessariamente. – Lhe disse.

- Não entendo...

- Eu tampouco. – O cansaço era evidente em sua voz. – Recebi uma carta ontem, anunciando que minha noiva estaria aqui em poucos dias para que consumássemos nosso casamento. Não tinha entendido nada aquele momento. Eu estava prometido para alguém, e não sabia... – Disse rancoroso. – Fui ao antigo quarto dos meus pais, esperando que pudesse encontrar algo para que a notícia fizesse sentido.

Revirei um dos baús de documentos dele, e encontrei a carta. – Fez uma careta. – Nunca tinha mexido ali desde sua morte, tudo para preservar sua memória. Deixar do mesmo jeito que estava. Mas eu tive que fazê-lo. – Respirou profundamente mais uma vez, e continuou. – A carta dizia que eu estava prometido para a única herdeira de uma poderosa família. Tudo tinha sido combinado entre os clãs há vinte anos atrás, assim que a menina nasceu. Eu mal tinha dez anos naquela época...

Hinata escutava atentamente enquanto tentava dar sentido a tudo o que escutava.

- Diziam que a linhagem de sangue da família era muito especial e rara. Ninguém sabia o por que exatamente, mas a família era claramente reconhecida pela diferente cor natural de seus cabelos, adquirida com a linhagem. – Continuou, jogando alguns fios de cabelo que incomodavam seu olho para trás. – Eles foram atacados. – Disse tristemente. – Queriam o segredo tão especial que essa família tinha, e quando se recusaram a falar, mataram a todos do clã.

Hinata ofegou por tamanha barbaridade. Como as pessoas podiam ser tão egoístas? Mataram todos por boatos de que o “sangue da família era fodão?!” e pelos cabelos diferentes?

- Só... mataram? – Questionou ainda horrorizada. – Todos? – Era muito irreal para acreditar.

- Sim. Pelo menos é o que dizem. – Confirmou tristemente. Enrugou a testa enquanto pensava em algo.

- O que foi? – Hinata perguntou.

- Nada... – Respondeu Sasuke. – Bom... Também há pessoas que falam que a criança, a menina recém nascida não foi morta. Só estava desaparecida. – Disse ele. – Mas isso são só histórias. A menina ainda era um bebê, não teria como sobreviver.

Hinata fez outra careta com o comentário adicional. Era triste que ninguém tenha sobrevivido.

- Espera... Se ninguém sobreviveu...

- Sim. Aí é que está. – Respondeu mal humorado. – Minha suposta prometida está morta. A carta dizia que iria consumar o casamento com outra herdeira próxima da família. Sua prima.

Hinata permaneceu em silêncio enquanto escutava o restante da história. Pelo que parecia, essa tal prima não era uma boa pessoa. Muitos comentavam que ela maltratava suas criadas e era agressiva com os servos. Tinha mania de riqueza, e não tolerava pessoas do povoado, ou seja, gente pobre.

Vadia. Indagou sua vaca.

Sim. Concordou Hinata.

Ao final da história, Sasuke a acompanhou para o salão onde o jantar tinha sido servido. Ele tinha a aconselhado a tomar um banho, para que suas energias se revigorassem, e ela fez isso de bom grado. Foi para o quarto que Sasuke tinha guardado para ela e caminhou diretamente para o “banheiro”. A banheira era incrível. Tão grande que quase podia se afogar dentro dela. Já estava cheia de água no momento que tinha chegado lá e pensou que alguns criados deviam tê-la enchido.

Ensaboou seu corpo com um tipo de sabão estranho, que pinicava na pele, mas que tinha um cheiro bom. Lavou seu cabelo, retirando toda oleosidade e sujeira. Quando tinha terminado, secou-se comodamente, sentindo os efeitos do ótimo banho. Seus músculos estavam um pouco doloridos, mas com certeza a maior parte da tensão deles havia ido em bora. Enrolou-se no pano que uma criada de idade lhe trouxera. Parecia ser gentil, até o momento que passe teve um infarto quando Hinata disse que ela mesma colocaria o novo vestido que tinham lhe trago. A senhora tinha arregalado os olhos, e insistentemente declarava que ela iria ajudar, que Hinata era uma dama, e que não devia fazer esses tipos de “trabalho” sozinha.

Depois da serva muito insistir, Hinata deixou que a ajuda-se. O novo vestido de linho azul claro era fantástico, mas seus laços eram um completo mistério para ela. Por fim, a senhora tinha conseguido arrumar todos os detalhes do tecido e Hinata se sentia mais encantada que nunca. A forma como as roupas daquela época se ajustavam perfeitamente à ela ainda a impressionava. Penteou rapidamente seus cabelos com os dedos, desembaraçando-os. Depois disso, desceu para o salão morta de fome.

A primeira coisa que ela percebeu quando chegaram lá, foi a enorme mesa retangular de centro. Muitos guerreiros estavam sentados em volta dela, rindo, gargalhando, com altas conversas animadas. Hinata se perguntou se teria que comer com eles. Não se importaria, realmente. Teria a chance de conhecer aos outros guerreiros. Sasuke apareceu ao seu lado, todo lindo como sempre, e a guiou para próximo da mesa. Quanto mais chegavam perto, mais os homens se calavam, reconhecendo a presença deles.

Quando todos estavam em silencio, Sasuke a apresentou para os guerreiros. Disse que ela era curandeira, e que tinha salvado Naruto do pior. Vários dos guerreiros gritavam sorridentemente aprovando e cumprimentando Hinata. Outros somente sorriam e assentiam com a cabeça. Era mais que óbvio que estavam feliz por seu amigo não estar morto. O infeliz pensamento a fez perceber que tinha corrido um grande risco ao assumir a responsabilidade de salvar Naruto com seu pouco conhecimento de plantas medicinais. O que teria acontecido se tivesse errado a dosagem dos chás que Naruto bebia para desinfecção e ele morresse? Com certeza os guerreiros iriam ficar irados com ela.

Uh-uh... Não seria uma coisa bonita de se ver.

Hinata conversou um pouco com alguns dos guerreiros após a refeição. Eles ficaram surpresos, mas sempre mantiam uma boa conversa. Foi bom dialogar com as pessoas dali. Seus costumes, objetos, roupas, falas... Tudo era diferente. Mas ainda assim, acolhedor.

Mais ou menos uma hora depois, despediu-se de todos eles e de Sasuke. Disse que tinha que alimentar Naruto, pois o homem ainda estava muito fraco, e não se recuperaria bem se não tivesse suas forças.

Sasuke lhe disse que uma das servas tinha colocado uma bandeja de sopa no quarto de Naruto, e que quando ela voltasse, poderia chamar alguém para ajudá-la a alimentar o loiro.

Hinata recusou a ajuda. Ela queria alimentar ao guerreiro sozinha.

Voltou para o quarto pensando em sua conversa com Sasuke. O homem não queria se casar com alguém que maltratasse seu povo. Estava angustiado sequer com a possibilidade. Tinha descoberto que o moreno era órfão. Um dos principais motivos de se preocupar tanto com Naruto, é que o via como irmão. Também ficou sabendo, em uma das conversas com os guerreiros, que Naruto não tinha uma família. Que tinha sido deixado, dentro de uma cesta quando bebê, somente com uma carta que supostamente era de sua mãe. Não lhe surpreendia que os dois tivessem se ligado tanto. Afinal, nenhum deles tinham familiares vivos.

Hinata se sentia triste pelos dois. Não conseguiria se imaginar em uma situação tão desesperadora.

Chegou ao quarto ainda pensando no assunto. Apoiou uma de suas mãos sobre a maçaneta da porta e outra sobre a própria madeira empurrando-a para que abrisse.

Desfez-se do redemoinhos de perguntas que sua mente lhe fazia e tentou focar-se no que iria fazer.

Adentrou no quarto com leves passadas e procurou a bandeja com a sopa. O quarto ainda estava um pouco escuro, mas o alimento ficou visível para ela alguns segundos depois de ajustar seus olhos.

Bom... Iria alimentar ao loiro para que ele se mantivesse saldável e sua ferida curasse bem. Nada de mais. Disse pra si mesma.

Exceto que... Quando olhou para o guerreiro, só percebeu a bagunça de lençóis enrolados e a cama vazia.

Mas... O que diabos...

- Disse, que se voltasse, morreria, mulher. – Grunhiu a voz irritada e ameaçadora atrás dela.

Hinata pulou pelo susto, e se voltou em direção à voz. Mal tinha girado seu corpo, e uma forte e obstinada mão envolveu seu pescoço sufocando-a e a pressionando contra a parede. Não tinha precisado ver o dono da voz para saber que Naruto tinha despertado e estava ardendo em fúria. Hinata levou suas duas mãos para o local em que o homem apertava, estrangulando-a, enquanto ela tentava se libertar. Mas parecia inútil.

Sua passagem de ar estava sendo bloqueada enquanto lutava para respirar sobre o aperto. Queria gritar, mas nem mesmo o desesperado som saía de sua boca.

Não conseguia se soltar! Tenteou com desespero socar o peito nu do homem mas nada surtia efeito. Não conseguia ver o seu rosto por causa da proximidade. O rosto dela estava quase colado no peitoral do homem enquanto sentia a fria parede atrás dela, e a grande e forte mão de naruto apertava cada vez mais dolorosamente sua garganta. Uma densa neblina ameaçava invadir sua mente querendo lhe tirar os sentidos. Por mais que ela lutasse, não conseguia se soltar.

Filho da puta. Ia matá-la!

Oh Deus... Não queria morrer. Choramingou internamente sentindo suas forças indo em bora.

Não quero morrer! Ouviu o grito desesperado de sua mente, refletindo o que ela queria.

Nem eu! Choramingou sua vadia interior angustiada.

Hinata tentou pensar com clareza, mas era difícil. Se só pudesse se separar dele... Mas ele estava tão próximo.

Espera. Isso! Idiota. Pense com claridade! Está próximo demais! Você pode lutar!

Sim, ela podia. Não era tão boa em luta corpo a corpo como sua amiga Sakura, mas não iria morrer sem tentar.

Com a mísera energia que lhe restava, pôs toda sua força em sua mão direita e levou sua palma aberta com agressividade para o alto, em direção o nariz do loiro.

Soube que o tinha acertado de jeito quando ouviu o som abafado de “crek”. Naruto soltou-a na mesma hora com um grunhido de dor abafado, acompanhado pelo palavrão.

Hinata caiu sentido todo seu corpo mole indo de encontro ao chão. Não podia fazer nada além de sentir o forte impacto contra o frio plano e tossir descontroladamente em busca de ar.

Sua visão estava embaçada e seu corpo tremente. Sacudiu sua cabeça para afastar a confusão da neblina que ainda queria a seduzir para escuridão e a deixar vulnerável em torno deste homem.

Ela girou deitada sobre seu corpo e percebeu que o loiro ainda estava em frente a ela. Não podia ver mais que parte da sua cintura para baixo, pois levantar sua cabeça, doía. Rastejou com sua bunda dolorida pela queda, afastando-se dele. A medida que ia pondo distância entre os dois, mais ela podia ver o restante de seu corpo. Ainda estava escuro, mas ela podia identificar perfeitamente a silhueta do imbeciu que queria matá-la. Novamente. Pelo que pôde perceber, ele não levava nenhuma roupa.

Oh... cara... sua vadia interior gemeu desejosamente.

Calada! Respondeu-a usando seu tom autoritário. Ele quer nos matar! Tentou colocar juízo na pervertida.

Só parou de rastejar até que sentiu a porta de madeira sobre suas costas. Estava fechada, não tinha como ela fugir. A não ser que se levantasse e saísse correndo. Mas ainda estava muito tonta, e sabia que iria cair se erguesse-se muito abruptamente.

A solução era tentar permanecer viva até que a neblina em sua mente se dissipasse um pouco.

Ergueu sua cabeça levando seu olhar diretamente para o guerreiro de modo desafiador e de mandíbula apertada. Sentiu a dolorosa queimação em sua garganta que dificultava sua respiração, mas não se atreveu a mostrar-se débil diante dele. Subiu seu olhar, com muito esforço enquanto tentava ignorar a masculinidade dele.

Os olhos dela encararam o rosto dele e Hinata quase soltou um risada de alegria quando percebeu que uma linha grossa de sangue saía de seu nariz. Não parecia que estava quebrado, mas com certeza era doloroso, dado pela sua careta agonizada.

Seus olhos estavam pousados intensamente sobre ela e sua boca estava meio aberta em surpresa irritada, mas o loiro não se moveu. Só a olhava com o cenho franzido, como se ela fosse um tipo de animal exótico.

Se encararam por um bom tempo, um medindo a reação do outro, até que finalmente ele se aproximou com dois passos em sua direção.

Hinata prendeu a respiração enquanto ouvia o retumbar histérico de seu coração em seus ouvidos. Não sabia se estava sentido medo, ou excitada. Provavelmente com medo. Porque, que mulher seria idiota o suficiente pra ficar excitada com aquilo?

Eu! Exclamou sua vadia interior enrolando uma mecha de seu cabelo em um dedo. Ele está tããão pelado! Riu a pervertida divertida

Só... cale-se. Demandou Hinata. Ela não podia se distrair. Por mais que ele estivesse muito nu, com tudo a amostra, e Oh meu Deus, o que era aquilo tudo! Tão...

Grande! Finalizou sua vadia maravilhada.

Hinata teve que concordar. Era enorme. E olha que ele nem estava excitado!

Droga! Para de pensar nisso! Você está com medo, lembra?

Mas ela sabia que não era só medo. Por mais insano e sem noção que fosse, aquilo era um pouco excitante também. Doloroso, mas ainda assim...

- Quem é você...? – Perguntou o loiro com um grunhido dando mais um passo. – Disse para Sasuke não trazer nenhuma maldita curandeira. – Sua voz estava cada vez mais gélida e ameaçadora.

Hinata engoliu seco.

Okay... Isso não estava indo bem. E... Espera. Ele não sabia quem era ela? Não se lembrava?

Por um momento Hinata ficou sem reação. Mas logo se deu conta de outra coisa.

O cachorro tinha tentado matá-la, de novo, e nem se quer se lembrava dela!

- Não... lembra? – Pigarreou irritada sentindo sua garganta em carne viva.

Era doloroso falar.

Naruto deu mais um passo não muito firme. Estava a menos de dois metro dela, e Hinata inconvenientemente podia captar todo o seu delicioso corpo que a chamava.

Oh... não! Não vamos por aí de novo, Hinata! Disse pra si mesma.

Hinata percebeu que a ferida do loiro sangrava. O líquido vermelho escorria desde sua lesão até toda extensão de sua perna. E não era pouca coisa. Podia perceber que a cada parada que ele fazia, uma pequena poça de sangue se formava rapidamente em baixo de seu pé esquerdo. Quase todo o unguento tinha saído do machucado que agora jazia aberta. Igualmente a antes, quando ele estava quase morrendo.

Droga.

Ela tinha certeza que ele tinha aberto a ferida pelo esforço de apoiar seu corpo sobre sua perna.

Agrh! Guerreiro Idiota! Grunhiu mentalmente, irritada. Será que ele não tinha nenhuma consideração por quem tinha salvado seu rabo?

- Você... – Disse ele apertando seu olhar sobre ela, enquanto a analisava. – Conheço você. – Sua voz saía cada vez mais rápida.

Hinata fez uma careta de desgosto. Então... Ele tinha lembrado que a jurou de morte. Riu um pouquinho histérica, odiando esse tipo de reação dela. Sempre que ficava muito nervosa, ria. Era horrível e ridículo, mas ela não podia controlar.

Estava irritada, com medo e terrivelmente excitada. Todas essas emoções dentro dela não estavam fazendo bem.

Naruto segurou o fôlego e ficou rígido. Seus olhos estavam um pouco arregalados, mas era evidente que tinha se lembrado dela.

Será que ele se lembraria também que tentou salvá-la depois? Porque... Ele tentou, certo? Ou só foi sua imaginação tentando enganá-la para Hinata pensar que ele não era tão mal?

- Bruxa... – A simples palavra sussurrada a pegou de surpresa.

Hein? Bruxa? Do que ele estava falando? Ela não era tão feia assim. Pelo amor de Deus!

- Maldita e asquerosa bruxa! – Exclamou mais firmemente, com o ódio e escárnio pingando em sua voz enquanto cortava a distância que tinha entre eles.

Hinata percebeu o quando sua ferida sangrava e abria mais a medida de cada passo.

Cerrou os dentes fortemente uns contra os outros até que lhe doía toda a boca.

O loiro a ofendeu novamente de bruxa. Ainda por cima tinha a qualificado como “asquerosa”. Filho de uma cadela sem coração! Como ele podia dizer isso pra uma mulher? Como ele podia dizer isso pra ela? Logo pra ela! Que tinha se enfurnado no inferno daquele quarto escuro, cuidando dia após dia dele. O banhando com panos úmidos para aplacar sua febre, dando-lhe chás para passar sua dor, até mesmo cantando para afastar seu delírios e pesadelos! Qualquer um teria que reconhecer que Hinata tinha sido muito amável!

Mas não ele.

Ela nunca tinha feito mal a ninguém, nem sequer a uma maldita mosca! E ele só vinha com o infeliz papo de “maldita asquerosa bruxa” não lhe dava nem sequer um simples “obrigado”.

Algo naquele momento estalou dentro dela.

Tudo bem que não gostasse dela e tudo mais. Mas de jeito nenhum ia permitir que um bruto idiota inflamasse seu ego.

Olhou novamente para sua ferida agora não mais que centímetros de distância, apertando seus punhos até que podia sentir suas unhas cortando a carne.

Todo seu esforço tinha ido pro lixo.

Sua excitação e seu medo também.

Só um constante e sedutor pensamento restava, e estava de seu lado mais vingativo e furioso de sua mente.

Ia dar umas boas porradas no filho da puta.

Notas finais
Entããão??? O que acharam??
Não se contenham em dizer sua opinião. Adoro ler seus reviews e saberem se vocês já estão desvendando alguma coisa. ^^ hahaha
Please, comentem! ^^
Beeeijos, e até o próx. cap!