Notas iniciais
Yooo pesoas pessoas que eu adoro >,<
Antes de tudo, quero agradecer de coração a todos que acompanham a fic. Sou eternamente grata a vocês. Se não fosse por seus comentários, eu não viraria a noite escrevendo outro cap de nove mil e alguma coisa de palavras. rsrs Que é outra coisa sobre qual eu vou falar. u.u
Esse cap ficou enorme, mas foi sem querer. Quando eu vi, já tinha sete mil palavras e ainda nem tinha chegado na parte em que eu queria parar. ¬¬ hahaha Mas eu acho que vocês gostam disso, não é??? hahaha Não se acostumem! rsrs
Bom bom. Só mais uma coisinha antes de tudo. Chegará uma parte na fic que eu peço pra vocês lerem a letra e escutar a música. (vcs vão entender quando chegar lá). Bom, eu realmente aconselho que façam. Essa parte fica mágica ouvindo a música! *--*
Cheeega de enrolação. Boa leitura pessoa! :-*

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Sasuke tinha a indubitável certeza que a mulher em sua frente não era do povoado. Tinha ido de seu castelo com alguns de seus guerreiros à procura de alguém que lhe desse esperança, alguma curandeira que pudesse salvar o parvo arrogante de seu amigo Naruto. Saíra de sua fortaleza sobre os grandes e fortes muros de pedra rezando a todos os tipos de santos que conhecia para que conseguisse levar outra curandeira, mas ficava cada vez mais difícil. A última mulher que tinha sido encarregada de cuidar da perna de Naruto, saiu correndo de seu castelo gritando que seu amigo era algum tipo de demônio, dizendo aos berros que seus olhos tinham brilhado vermelho sangue quando Naruto disse para ela partir.

“Parte daqui ou morre”

A curandeira disse que essas foram as exatas palavras de Naruto um momento depois de seus olhos ficarem tão assustadores como ela afirmava.

Pelo menos Naruto não havia matado a ninguém, como havia prometido.

Não tinha sido sua intenção colocar a mulher em perigo. Mas estava confiante que Naruto tinha desmaiado por causa da febre e que não acordaria tão cedo, por isso a tinha enviado lá. Ele mesmo havia estado com a curandeira minutos antes do incidente ocorrer, verificando se estava tudo bem. Naquele momento, Naruto estava profundamente inconsciente, balbuciando alguma coisa sobre inimigos ingleses e uma bruxa. Por mais que tivesse tentado acordá-lo do que aparentava ser um pesadelo, seu amigo não tinha conseguido despertar.

A curandeira tinha pedido pra ele buscar mais água para tentar aplacar sua febre e assim o fez. Foi falar com um de seus serventes para buscar o balde de água e segundos depois a curandeira tinha saído correndo dos aposentos de Naruto gritando que nunca mais iria entrar lá pois seu amigo continha o mal. Sasuke tinha corrido de volta para o quarto e se deparou com um Naruto caído de mal jeito sobre a cama. Em um pulo, estava ao seu lado, deitando-o mais confortável sobre a superfície. Os olhos do loiro estavam fechados e sua respiração saía com mais dificuldade que antes. O muito idiota provavelmente tinha forçado a perna deixando sua grave ferida pior do que estava. Tinha desmaiado e novamente gemia entre suspiros dolorosos algo sobre os cabelos longos e negros de alguém.

É claro que sabia que Naruto não suportava a ideia estar debilitado, ainda mais com alguém cuidado dele. Ganhou esse infeliz trauma por causa da bruxa asquerosa que tinha posto a maldição sobre ele. Mesmo assim, ele tinha que entender que Sasuke jamais deixaria que alguém fizesse mal a ele sobre o seu teto!

Cerrou os dentes em frustração.

Francamente, as vezes seu amigo podia ser uma dor no rabo.

Olhou para a mulher novamente que estava em pé na sua frente. Ela tinha saído da mata sorrateiramente e isso o tinha alertado. Por um momento pensou que poderia ser um ataque dos ingleses e quase tinha cortado a cabeça da jovem. Mas pelo que parecia a garota era uma curandeira. Pelo menos era o que tinha dito. Realmente, desconfiava.

Suas roupas eram comum do povoado e ela era mais pálida do que o normal. Era alta comparada as outras mulheres dali. Tinha os olhos claros, quase sem cor. A não ser pelo bonito traço quase transparente de prata em sua íris. Seu cabelo parecia ser grande e volumoso, mas não podia dar certeza. O nariz era levemente arrebitado e sua boca moderadamente cheia e suculenta. Seus fartos seios destacavam-se sobre a malha desgastada da roupa que cobria toda extensão de seu corpo. Muito bonita para uma jovem comum do povoado.

E era curandeira, certo? Quem sabe... Poderia convencê-la a ajudar seu amigo?

- Me surpreende encontrar uma curandeira tão jovem. – Observou ele, medindo sua expressão com cautela.

- Jovem? – A garota riu nervosamente jogando alguns negros fios rebeldes que tinha caído em sua testa para trás da orelha. – E desde quando idade é documento? – Completou rapidamente olhando-o nos olhos

Era o tom de arrogância que tinha ouvido? Estava surpreso pela resposta rápida da mulher.

- Não é. – Respondeu rapidamente.

Realmente, não importava sua idade. Como era seu nome mesmo? Inta? Não. Não era isso. Inate? Não. Tinha algo mais... Hi...nata? Sim! Isso mesmo. Hinata.

Era um nome estranho. Nunca o tinha ouvido antes e não sabia que existia outra curandeira por ali. Muito suspeito.

- Sim, não é. – Disse a mulher afastando um passo. Novamente, pensava ter ouvido um traço de arrogância. – Ah.. Bom... Eu tenho que ir... – Afirmou com a cabeça enquanto andava para distante dele.

- Detenha-se. – Ordenou em tom autoritário.

A garota parou rígida no mesmo instante. Será que sabia o que ele iria pedir?

- Nunca tinha ouvido seu nome antes por aqui. – Reclamou pensando na melhor maneira de pedir que curasse Naruto. Estava ficando cansado de procurar uma curandeira! Até agora, só tinha conseguido falar com duas. A que tinha fugido gritando de seu castelo e uma senhora de idade que tinha recusado com todas as forças cuidar de Naruto. Dizia que tinha muito medo dele. Maldição! A cada minuto que se passava seu amigo ia ficando pior! Não tinha tempo pra toda essa conversa mole. Mesmo que ela soubesse qual era sua intenção, ela iria vir com ele. Ah sim. Por bem ou por mal, a garota viria. – Não importa. Virá comigo até meu castelo. Tenho alguém que precisa de seus cuidados. – Disse sem deixar outra alternativa que aceita-lo.

- Castelo? – Perguntou incrédula girando seu corpo para ele. – Você tem um castelo?

- Mas é claro que tenho. – Respondeu sem entender sua pergunta. – Como um Lorde não teria um? – Perguntou estranhando a reação da moça.

- Um Lorde... – Disse a mulher processando a palavra, olhando para nada. – É claro que tem um Lorde. – Riu um pouco histérica.

- O que quer dizer? – Questionou franzindo o cenho.

– Se tem guerreiro, tem castelo. Se tem castelo, tem um Lorde. – Riu novamente. A histeria era evidente em sua voz.

Sasuke observou enquanto a garota ria baixo com seu olhar perdido. O que estava acontecendo? A jovem tinha algum problema mental?

Maldição! A mulher era retardada?

- Mulher... – Tocou seu braço tentando chamar atenção. – Você está be...

Repentinamente o corpo da jovem desabou em direção ao chão. Sasuke amaldiçoou em um sussurro e agarrou-a antes que caísse. O que infernos tinha acontecido?

- O que aconteceu? – Ouviu Kiba perguntando enquanto corria em sua direção.

- Ela só... Desmaiou. – Respondeu Sasuke virando o rosto da garota em direção ao seu. – É curandeira. – Disse explicando ao seu segundo no comando.

- Tão jovem? – Perguntou o guerreiro agachando ao seu lado. – Está viva?

- Sim. — Disse Sasuke sentindo as quentes baforadas de ar que saíam da boca da jovem próximo a seu rosto – Temos que levá-la. Talvez possa ajudar Naruto. – Disse Sasuke para ninguém em particular enquanto segurava mais comodamente Hinata em seus braços.

- Ela consentiu em ir? – Questionou Kiba cético.

- Pouco me importa. – Grunhiu Sasuke apertando o maxilar. – Naruto está pior do que parece, Kiba. Não vou deixa-lo morrer. – Afirmou entre os dentes levando a jovem curandeira até seu à seu cavalo.

******

Hinata despertou com um maldito murmuro de fome que incomodava constantemente em seu estômago. Abriu seus olhos lentamente com uma careta e contemplou um estranho teto de pedra quase cinza sobre sua cabeça.

Sentia que seu corpo estava deitado confortavelmente sobre algo que parecia como um colchão, só que não era tão macio. Que incomum... Por um momento teria pensado que estada deitada sobre um monte de linho. Será que tinha acordado daquele sonho estranho? E se sim, onde estava agora? Mesmo deitada sabia que nunca tinha estado nesse lugar antes. O local era somente iluminado por um monte de velas, prendidas na parede dando um ar medieval para o cômodo. Podia perceber diferentes objetos pelo lugar, mas não conseguia reconhece-los. Era tudo tão malditamente estranho. Uma grande janela com forma de arco estava um pouco distante dela. Suas cortinas estavam abertas, e Hinata pode perceber que estava de noite. Moveu seu corpo mais comodamente sobre onde dormia e estremeceu quando sentiu pontadas de dor por todo seu corpo. Queria tanto fechar os seus olhos e voltar a dormir, mas não podia.

Mesmo que quisesse muito que fosse um sonho, sabia que não tinha saído daquele maldito lugar no qual o livro a mandou.

Uh... já estou acreditando em uma besteira dessas? Qual é, o livro não pode ter me mandado aqui. Era só um...

Novamente, seu estômago roncou forte. Hinata encolheu-se junto de suas pernas e apertou seu estômago. Nuca tinha sentido tanta fome!

Oh... Deus... Estava ficando maluca, certo? Ela estava malditamente considerando a possibilidade do livro a ter enviado pra algum lugar onde Judas esqueceu as botas? Sim, ela estava. Era a única explicação para tudo, se é que era uma explicação.

Então... Espera... Tinha algo no livro. Sim. Algo como “1578 – Escócia. Highlander’s” e depois um maldito “Boa sorte”. Não. Definitivamente não! Um livro não poderia envia-la para o Séc. XVI. De jeito nenhum! Ou poderia?

Subitamente sentiu sons de pesados e medidos passadas vindo em direção a ela. Esqueceu todo seu questionamento interior quando percebeu que alguém estava mais próximo do que gostaria de pensar. Sentou-se abruptamente na cama, pronta para encarar ao estranho. Sua barriga gemeu em protesto e ela tentou disfarçar a terrível vontade de chorar quando pensou em um Cheeseburguer recheado de gorduras suculentas, acompanhado por coca cola e uma porção de batata frita.

Morra, fome maldita!

- Por fim, despertas-te. – Observou o estranho com a voz grave.

Hinata girou sua cabeça em direção ao homem com toda intenção de correr mas parou logo essa ideia quando conseguiu obter uma boa imagem dele.

Conhecia esse cara! Até mesmo a roupa estranha e escura que ele usava.

Tão sexy... Tão comestível... Estalou sua vaca interior.

Hinata dessa vez não a repreendeu. Por que... Oh, repreendê-la porque ela fala a verdade? Não dessa vez. A pessoa a sua frente tinha facilmente um metro e noventa.

Hum, hum... Bem alto... Observou sua vadia passando a língua pelos dentes. E gostoso. Deu uma risadinha mental e continuou o estudando.

Hinata prosseguiu com seu estudo também. O rosto do homem era firme e viril, seus olhos eram da cor mais negra que jamais tinha visto assim como seus longos cabelos que tinham algumas magras tranças em suas laterais. Seu corpo era perfeitamente moldado e musculoso só não conseguia ver mais por causa de sua roupa. Vestia um tipo de túnica escura que faziam par com suas calças de couro que moldavam provocativamente suas pernas. Como sua vaca observou, bem sexy.

E comestível. A relembrou batendo suas longas unhas de caçadora sobre seu queixo.

Sim, sim, pode ser. Admitiu Hinata. Mas eu prefiro os loiros. Comentou distraída. Desde quando tinha essa preferência, não se lembrava.

- Oh... – Disse percebendo que ele esperava uma resposta sua. – Sim... eu... acordei. – Concluiu idiotamente.

- Sim. Já o vejo. – Disse o homem aproximando-se mais dela. – Tem que vir comigo moça. – Exclamou quando estava perto o bastante. – Há quem necessite de seus cuidado

- Cuidados? – Questionou Hinata confusa.

- Sim. É uma curandeira. Tenho a um de meus homens feridos, preciso que cuide dele. – Concluiu, como se a tarefa fosse fácil.

Sua expressão era dura e impenetrável. O coração de Hinata acelerou assustadoramente quando ela se deu conta do que estava acontecendo. Lembrou-se desgostosamente de quando tinha mentido para o homem dizendo que era curandeira e fez uma careta depreciativa. Na hora, tinha parecido uma boa ideia. Mas naquele momento que não fazia ideia de onde estava, provavelmente em um lugar que o homem tivesse controle, se sentia uma completa estúpida. Quando descobrisse que não poderia ajudar, a mataria.

Ouch. Seu coração acelerou mais ainda, desesperado. Calma... calma... respira Hinata. Ele não vai te matar. Você só está... surtando novamente.

Ou não. A observação veio quando ela percebeu que o homem carregava uma longa espada embainhada e presa a sua cintura.

Oh... cara...

- Sim, isso... – Mentiu com um sorriso falso em seu rosto – Curandeira. – Disse um segundo antes de seu estômago parecer que tinha o maldito ogro Shrek dentro dela, a fazendo curvar de dor e mortificação

O home fez uma carranca ao olhar a reação dela mas logo sua expressão passou de desconfiada para preocupação.

- Está bem, moça? – Perguntou tocando o braço de Hinata.

- Eu estou morrendo de fome! – Hinata quase gritou em cada palavra.

Uma expressão de entendimento brilhou no rosto do homem.

- Mas é claro que está. Passou quase dois dias dormindo! – Observou o moreno indo em direção à uma bandeja de madeira que estava depositada em um lado do quarto.

Depositou-a sobre a cama que Hinata estava e ela pôde perceber que várias frutas, pedaços suculentos de carne e alguns pães estavam ali. Como não tinha visto a bandeja antes? Tudo cheirava deliciosamente bem, o que só fez seu estômago roncar mais alto. Ele tinha dito dois dias?

- Desculpe por isso... – Disse ela com vergonha.

- Está tudo bem, moça. A cada duas horas uma de minhas serventes vinha aqui para ver se tinha despertado, cada vez, trazendo consigo uma bandeja dessa. – Explicou apontando para comida.

Serventes? Sério? A cada segundo tudo ficava malditamente pior.

- Sirva-se. – Disse o moreno com um tom de impaciência – Por favor, seja rápida. Temo que o guerreiro ferido precise muito de sua ajuda. – Argumentou com uma nota de tensão.

Hinata engoliu seco pensando que provavelmente depois de comer, teria que arrumar um jeito de fugir. Olhou para a bandeja desejosa e procurou um garfo. Tristemente, não estava lá. Se surpreendeu por não estar surpresa com o fato.

Pegou o pedaço de carne com uma das mãos e comeu silenciosamente. Estava pouco se lixando para o silêncio do quarto, mesmo sabendo que o homem a estava observando. Depois de mais algumas mordidas no delicioso pedaço de carne, passou para as frutas. Comeu duas maçãs e algumas uvas ainda com fome. Sua garganta estava seca e começou a caçar algo para beber. Instantaneamente uma mão com o que parecia ser um copo bem moldado a mão foi-lhe estendido. Hinata olhou para o dono do gesto e se deparou com os olhos ônix do moreno. Seus olhar eram tão intensamente perfurantes que por um momento ficou desconcertada. Sacudiu a cabeça para reorientar-se e pegou o copo que lhe era oferecido.

Bebeu o líquido gulosamente e quase depois de três tragadas pôde perceber o que era.

Vinho. Hm... Delicioso.

Ficou mais alguns minutos na enrolação de morder, mastigar, engolir e beber vinho até que estava finalmente satisfeita. Queria muito voltar a dormir agora, mas sabia que tinha que arrumar um modo de fugir.

O homem a sua frente não tinha movido um músculo durante todo o processo mas pareceu que tinha capitado sua intenção.

- Se tentar fugir, a trarei de volta. – Disse claramente irritado. – E não serei gentil. – Completou a olhando friamente através das pestanas.

Hinata engoliu seco novamente.

Nada bom.

- Não tentarei fugir. – Mentiu olhando-o nos olhos. Não era uma boa mentirosa, e o que perecia, o homem tinha percebido, mas deixou passar.

- Vamos. — Disse rudemente virando de costas para ela e andando em direção à porta.

- Pra onde? – Hinata o questionou.

- Para os aposentos do homem ferido. Vai curá-lo agora. – Explicou de forma mais simples do mundo, ainda de costas.

Hinata abafou um palavrão enquanto levantava-se da cama e seguia o homem.

Ainda vestia as estranhas roupas que tinha pego daquela mulher. Não estava suja, e por incrível que pudesse parecer, nem ela.

- Quem é você? – Hinata perguntou voltando seu olhar para as costas do homem.

O moreno viril parou de andar e girou de volta para ela com suas sobrancelhas franzidas.

- Não sabe quem eu sou? – Questionou-a cético.

- Deveria saber? – Queria ter dito: Claro que eu não sei, idiota! Mas se controlou.

O homem olhou-a novamente, estudando-a dessa vez. Depois de um momento respirou fundo, claramente tirando alguma conclusão.

- Sou Sasuke Uchiha. Lorde desse castelo e chefe do clã Uchiha. – Disse olhando-a nos olhos.

Claro, o Lorde. Hinata riu internamente um pouco histérica. Claro que era um lorde. E esse era o seu castelo. Fez uma careta mental e respirou fundo. A cada segundo a explicação de que tinha voltado no tempo fazia mais sentido. Mesmo que fosse um absurdo.

- Claro que é. – Sussurrou pra si mesma.

- O que disse? – Perguntou sem entender.

- Em que ano estamos? – Perguntou Hinata ignorando sua pergunta e temendo a resposta.

O homem, Sasuke, franziu o cenho pela pergunta. Arregalou um pouco seu olhar como se tivesse entendido a explosão do Big Beng. e logo fechou os olhos e sacudindo sua cabeça em forma de negação.

- Por favor, me diga que não tem nenhum problema mental. – Disse ele ainda de olhos fechados.

- Está me chamando de maluca? – Perguntou Hinata sem acreditar no muito filho da puta.

- Só estive me perguntando se tem algum problema mental. – Respondeu de forma simples, abrindo os olhos.

O infeliz estava a chamando de maluca! Hinata fechou suas mãos fortemente em forma de punho até sentir suas unhas machucando sua pele. Queria muito socar a cara do bastardo por chama-la de louca.

- Não. – Respondeu depois de algumas respirações controladas – Não tenho nenhum “problema mental” – Enfatizou com os dedos.

- Ótimo – Disse ele claramente sem acreditar. – Vamos.

Hinata fez uma careta de desgosto e continuou o seguindo. Andaram por quase um minuto e começaram a subir uma longa escada.

Olhou maravilhada para cada detalhe, esquecendo sua irritação inicial com Sasuke. Estava ficando encantada com o lugar. Era tudo tão antigo e enorme! Exatamente como era descrito nas histórias de romance medieval que ela lia. Por dentro do castelo, as paredes eram de uma cor cinza claro muito bonita. Vários tipos de móveis apareciam por cada canto do castelo. Percebeu que o lugar não tinha nem sequer um toque feminino em toda a arrumação. Não tinha cortinas coloridas pelas janelas, nem flores, nem nada. Até mesmo o grande portão em uma das paredes era totalmente masculino. Era estranho, considerado que para cada canto que olhasse, havia vários grupinhos de mulheres com roupas parecidas com a sua que sorriam umas para as outras enquanto olhava Sasuke e desviavam seus olhares indiscretos e de evidente admiração e desejo. Algumas delas, olhavam para Hinata com uma carranca de nojo e viravam o rosto com força, empinando o nariz.

Todas com fogo na calcinha. Sua vadia interior observou revirando os olhos.

Hinata não podia fazer mais nada do que concordar.

Continuou observando ao local, mesmo enquanto subia a escada.

Em um canto mais longo do vasto salão, um grupo de homens conversavam seriamente sobre seus semblantes faciais irritados. Todos eles eram bem altos, do mesmo jeito que eram corpulentos e desejáveis. Hinata estava encantada! Dava pra fazer um festim com todos esses homens! Pensou atrevidamente.

Sua vadia interior bateu palmas soltando gritinhos de excitação ante a ideia.

Sua amiga Sakura iria adorar isso aqui.

Subitamente a ideia a deixou triste. Queria Sakura com ela. Sentia uma falta esmagadora da rosada, principalmente das piadas que ela soltava de vez em quando sobre homens magrelos e baixinhos. Ela com certeza, iria amar tudo isso. Ela sempre falava que quanto maior, melhor. Levando para o lado maldoso, é claro.

Um dos guerreiros desviou sua atenção do grupo e olhou para cima. Hinata teve o rápido vislumbre dos largos ombros do homem e do modo como suas pernas estavam separadas de um jeito muito másculo. Uma de suas mãos jogou um monte de seu cabelo castanho rebelde que caía por sua testa para trás de sua orelha e ele subitamente a percebeu. Hinata estava boba de como os homens daquele lugar podiam ser bonitos. E não só isso. Todos eram tão malditamente quentes que a deixava com água na boca!

Ele deu um meio sorriso de lado e inclinou sua cabeça de modo respeitoso e cortejador. Hinata sorriu atrevidamente com todos seus dentes a amostra e piscou com um olho para o homem.

O sorriso do grande guerreiro sumiu lentamente e deu espaço para uma pequena fresta de boca aberta. Hinata mordeu um de seus lábios para não rir alto. Aquele grande e muito bom homem estava de boca aberta, e pelo que podia perceber, podia jurar que tinha até um rastro de fascinação. Por ela!

Tarde demais, já tinham chegado no andar de cima e a visão do lindo homem tinha sumido. Andaram mais alguns rápidos passos sem dizer nem sequer uma palavra. Cada vez que chegavam mais próximos de uma porta de madeira, o moreno que a conduzia pelo caminho ficava mais tenso.

Suspeito. Dizia uma parte dela.

Completamente normal. Dizia a outra.

Gostoso. Afirmou a vadia

Foge daí, idiota! Dizia a parte mais sã.

Ela não teve muito tempo pra pensar, pois já tinham chegado na porta e Sasuke já a abria.

Hinata girou sua cabeça olhando para o local que tinha acabado de passar. Aquela grande porta do salão devia ser a saída, certo?

Maldição. Tinha que fugir. Agora!

- Não o faça. – Disse Sasuke virando-se para ela.

- Fazer o que? – Perguntou inocentemente.

- Fugir. – Respondeu serrando seus dentes e fazendo um barulho irritante.

- Para com isso! – Hinata disse antes de poder se impedir.

Ele franziu o cenho em descrença e abriu a boca para dizer alguma coisa. Logo a fechou alguns segundos e abriu novamente.

- É muito desrespeitosa com um superior moça. – Observou com um grave olhar. –Necessito muito de sua ajuda para mandar que separem sua cabeça por tal atrevimento agora, mas não tolerarei tal tom comigo. Se o fizer novamente, terá suas consequências. – Completou com seu ameaçador olhar em cima dela.

O-ow. Luzinha vermelha piscando. Peça desculpas!

Lógico, era o certo a se fazer. Você não pode irritar um carinha bonito que pensa que é rei. Ou lorde. Mas....

Ele quer arrancar minha cabeça! Maldito! Filho da puta. Morra duas vezes, canalha! Tudo bem que tinha lhe dado comida e tudo mais, mas... Filho de uma cadela preta! Com quem ele pensava que estava falando? Será que ele estava achando que ela, Hinata Hyuuga aceitaria esse tipo de provocação e abaixaria a cabeça? Oh... engana-se meu bem!

Vai te matar... Veio-lhe o sussurro desesperado de sua parte mais sã, antes que pudesse controlar sua bendita língua.

- Se me ameaçar de novo... – Disse de modo sombrio, querendo muito ter uma faca pra enfiar no meio da testa do moreno. – Eu te castro. – Completou com um sorrisinho forçado e meio macabro. – E ainda frito e jogo pros urubus.

O homem deu um passo para trás e tocou sua espada com sua mão direita. Hinata tinha ficado atenta a toda sua reação e ficou completamente satisfeita quando percebeu que tinha aberto sua boca em total perplexidade.

Toma. Otário.

Provavelmente ninguém nuca tinha falado assim com ele, por causa de seu rostinho bonito e todo seu tamanho intimidador. Mas... Qual é? Ela era uma mulher independente. Pagava suas próprias contas e lavava suas calcinhas! Não iria deixar que a ameaçassem! Não mesmo!

- Acaba de me ameaçar? – Perguntou Sasuke ainda com suas negras sobrancelhas franzidas.

- Mas é claro! – Disse mais alto do que pretendia. – Eu venho aqui, com a mais boa e pura vontade de ajudar sua amigo doente, e você fica aí, todo... – Lindo! – Irritante e... – Gostoso. – ameaçador quando... – quero te devorar. – só quero ajudar a um dos seus. – Respirou fundo e tentou controlar os inconvenientes pensamentos de sua vadia. Cala a boca idiota! Estou tentando livrar nossas peles aqui. – E o pior – Disse com uma risadinha nervosa. – É que diz que vai cortar minha cabeça porque eu estava pensando em voltar e ficar contemplando seu lindo salão. – Disse carrancuda por fim. Nunca tinha mentido tão mal em toda sua vida.

Ele abriu a boca para protestar alguma coisa, provavelmente para dizer que ela ia morrer, mas a fechou e franziu mais ainda o cenho. Olhou para os olhos de Hinata por insuportáveis segundos, que pareciam horas, fazia até mesmo que ela quisesse desviar seu olhar, mas não o fez. Um instante depois ele respirou profundamente e piscou decidido.

Ai meu Jesus... Vou morrer.

- Desculpe por isso, moça. – Disse o moreno inclinando sua cabeça claramente culpado. – Tem razão. Está aqui para ajudar a um dos meus e estou lhe ameaçando a vida. – Voltou de sua inclinação e a olhou nos olhos. – A verdade é que estou preocupado que fuja como a última curandeira e deixe meu... amigo, sofrendo na agonia. – Completou tristemente.

Hinata podia respirar novamente. Tinha passado desesperadoramente perto da morte. Não era bom ameaçar um homem com uma espada quando você não tinha nada pra se defender.

- Tudo bem. – Respondeu ela aliviada. – Eh... Desculpe pelo meu... hum... tom. – Desculpou-se de volta. Fazendo uma nota mental: Nada de ameaçar ao homem grande, Hinata.

Ele aceitou suas desculpas com um breve inclinação de cabeça e entrou no quarto, pedindo que ela o acompanhasse.

Ela não teve escolha, a não ser, seguir o homem. Depois de todo aquele teatro, seria idiotice se não o seguisse.

Respirou calmamente tentando controlar sua pulsação e o constante pensamento de que estava fazendo uma grande e fedida merda. Andou hesitantemente para dentro do quarto meio escuro e a primeira coisa que pôde ver, foi o vulto de alguém sobre uma cama.

Ao ver o homem estendido de barriga para cima, só coberto por um lençol até a cintura, um nó se formou em sua garganta. Suas largas costas e seus ombros poderosos estavam nus e então viu a ferida que fazia uma extensa mancha no pano que o cobria. Tinha o rosto voltado para a parede e Hinata não sabia se estava consciente, pois só podia distinguir um pouco de seu longo cabelo que parecia ser loiro.

Aproximou-se da cama cautelosamente, esperando que notasse sua presença, que se movesse, mas o homem permanecia imóvel. Segurou com uma das mãos a borda do lençol e subiu lentamente o pano pela extensão de sua perna. Engoliu o repentino caroço que se formou em sua garganta quando contemplou a feia ferida. Aquilo não era bom. Era um corte feio, inchado e infectado. Tudo bem que conhecia algumas plantas e suas propriedades curativas, mas, pelo amor de Deus, o que estava vendo na perna do homem era caso de cirurgia!

Sasuke apareceu ao seu lado provavelmente percebendo sua hesitação.

— Sobreviverá? – Perguntou ele.

- Não sei... Eu.. uh... – Respirou profundamente e tentou fazer com que sua voz saísse firme. – A ferida está bastante infectada. Vê essa toda essa parte amarelada? – Perguntou apontando para região de modo profissional. – Isso, definitivamente, não é bom.

- Sim. – Concordou Sasuke cerrando os dentes.

- Ele perdeu muito sangue? – Perguntou aproximando-se e tocando levemente na ferida amarelada. Ugrh... Pus.

- Sim. Não deixava que nenhuma de nossas curandeiras o tocasse.

- Por quê? – Questionou desconfiada olhando em sua direção.

- Não importa. – Disse o moreno dando fim a discursão. – Salve-o. Prometo que terá um pagamento bastante generoso.

Hinata voltou seu olhar para o guerreiro. Tinha os olhos fechados e sua expressão denotava o esforço por controlar-se provavelmente pela dor. Por um momento, podia jurar que já tinha visto aquele rosto antes, mas não tinha certeza por conta da escuridão do quarto. Provavelmente estava pirando de novo.

Hinata apoiou uma mão no braço do homem e o calor que emanava quase queimava.

Oh merda... No que tinha se metido?

- Eu... hm.. Me desculpe... Mas eu acho que não posso ajudá-lo. – Disse lentamente engolindo outro caroço em sua garganta. Oh cara... Por favor, não me mate...

Ouviu o som de fortes pisadas no chão, instantes depois, Sasuke tinha a agarrado pelos ombros e girado seu corpo em sua direção.

- Por favor. – Disse o enorme homem a sua frente.

- Está muito ruim! – Tentou explicar Hinata

– É como se fosse meu irmão. – Comentou com seus olhos em formas de súplica.

O homem transparecia medo com os olhos.

- Não sei se posso fazer muito por ele! – Indagou Hinata um pouco assustada. Nunca tinha visto um homem daquele porte tão vulnerável. – Não sei se tenho... capacidade. Disse finalmente.

Sasuke cerrou seus dentes fazendo aquele som irritante novamente e firmou mais seu aperto nos ombros de Hinata.

- Não importa, maldita seja! – Grunhiu Sasuke. – Faça o que puder! – Clamou a beira do desespero. – Por Deus, pode fazer alguma coisa! Sei disso! Só... faça... – Pediu, com sua voz cada vez mais baixa. — Não posso perdê-lo também. – Disse por fim, em um sussurro torturado.

Oh homem... Por favor, por favor, por favor... Não chore! Eu sou uma merda com homens que choram! Tentou olhar para os olhos do moreno, mas ele tinha se afastado repentinamente dela, pondo uma distância considerável enquanto parava no marco da porta. Estava de costas para ela, mas Hinata podia perceber que o corpo do moreno tremia levemente através de suas roupas.

- Tentarei. – Disse antes que pudesse impedir sua impulsiva língua.

Viu quando o moreno prendia a respiração e a soltava completamente tremente, de um modo aliviado. Levou um dos seus braços ao longo se seus cabelos negros os jogando para trás. Hinata queria muito ver sua expressão, mas o homem ainda estava de costas para ela.

- Ali – Disse ele com sua voz ainda trêmula apontando com uma mão para um canto onde se podia ver um tipo de cesta. – A última curandeira deixou o cesto onde guardava suas ervas e os unguentos. Pode utilizá-los. – Completou com a voz um pouco mais firme.

‘Unguentos?’ Gemeu internamente. Tinha lido sobre isso em alguns de seus livros históricos. Ou achava que tinha... Era algum tipo de pasta para passar em feridas, certo?

- Eu... Vou mandar buscar algumas tinas de água. Ele não acordará. Está desmaiado há dois dias. – Disse enquanto voltava se rosto pra ela com uma careta de dor, mas firme. – Por favor, não o deixe morrer. – Pediu seriamente a encarando por alguns segundos para logo depois voltar-se sobre seus pés e sair do quarto, a deixando a sós com o ferido.

Que Deus a ajudasse, mas sabia que não podia deixar o loiro assim. Principalmente pelo moreno quase ter um treco quando ela disse que não poderia ajudar.

Caminhou lentamente em volta da cama do doente e contemplou a situação de sua perna.

Estava enorme. Precisaria de antibióticos. Muitos, para falar a verdade, mas duvidava que tivesse algum ali ou em qualquer lugar. Voltou sua atenção para cesta que Sasuke tinha mencionado da última curandeira. Se tivesse sorte, talvez já teria algo preparado. Andou rapidamente em direção as ervas somente ouvindo o som de seus passos sobre o chão de madeira. Agarrou a cesta com uma das mãos e analisou o monte de ervas que tinha na cesta. Cada planta estava separada em um canto, o que era muito bom. Outra coisa muito boa, era que jurava que podia reconhecer todas elas.

Obrigada Tv Cultura. Agradeceu e um sussurro.

Passou os dedos por cada planta tentando lembrar os nomes de cada uma, e suas funções.

Havia Açafrão e Alcaçuz. Se não se enganava eram bom para infecções e também era antibacteriano. Tinha Babosa, que era um bom remédio medicinal para inflamações e infecções. Também era anestésica e cicatrizante.

Passou o dedo por mais outra erva e custou um certo esforço para que lembrasse do nome e de sua função, mas o fez assim que amaçou o pedaço de folha próximo ao nariz e inalou seu cheiro. Picão. Graças a Deus. Essa era uma ótima planta que combatia uma série de merdas do corpo. Ela era ao mesmo tempo anestésica, anti-hemorrágica, antibiótica, tranquilizante e sedativa. Era realmente uma planta medicinal fascinante. Continuou sua pesquisa de reconhecimento o mais rápido que pode, constatando que havia mais planta do que havia imaginado. Tinha para vários tipos: Para febre, dor, sedativo, calmantes entre outros. Dentro de um potezinho, havia um tipo de pasta feita com ervas. Unguento, provavelmente. Cheirou o pote e enrugou o nariz quando percebeu que não tinha um cheiro bom. O que Sasuke tinha lhe dito? Que o homem não despertava a dois dias? A coisa gosmenta dentro do pote provavelmente estava podre.

Retirou o pote da cesta e colocou em cima de um móvel. Não iria usar aquilo.

Tinha vários pedaços verdes de caule de outra planta medicinal. Lembrava-se bem da função daquela, mas não conseguia recordar o nome da planta. O suco extraído de seu caule era bom para a mistura do unguento. Cara... Estava se sentindo a fodona em ervas medicinais. Mas sabia que a realidade era mais tensa que isso. Entendia bem que tinha um homem sofrendo a menos de um metro de distância precisando da ajuda dela.

Sasuke entrou pela porta do quarto, fazendo breves comandos para dois homens que vinham carregando cada um, um recipiente grande de água e os depositando no chão, ao lado da cama. Hinata não olhou para os homens e voltou para sua pesquisa. Estava tão entretida pensando em como seria a melhor forma de salvar o homem que não percebeu quando os dois guerreiros saíram do quarto e a deixaram sozinha no quarto com Sasuke e o doente.

- Necessita de mais alguma coisa? – Perguntou Sasuke quebrando o silencio e junto com ela, a concentração de Hinata.

- Oh... sim. – Disse depois de um momento. – Panos. Muitos deles. – Afirmou com a cabeça.

- Dentro desse móvel tem bastantes panos. – Respondeu Sasuke abrindo um tipo de guarda roupas. – Os trouxemos quando a antiga curandeira veio.

- Sim. – Hinata confirmou aceitando os panos brancos que lhe mostrava. – Algo mais?

- Eu acho que... – Estava pronta para negar, quando sentiu sua pele arrepiada. – Está frio aqui, não? – Perguntou quando o que queria gritar é que ela estava com um frio do inferno.

Ouviu Sasuke soltar uma maldição, algo por ser estúpido desatento e logo ele caminhou para um canto da parede onde tinha uma... Espera. Aquilo era uma lareira? Woow... Beeem legal! Nunca tinha visto uma sem ser através de fotos antes!

Alguns segundos depois, as chamas ardiam naquele local, expulsando todo o frio desolador que havia por ali. Hinata percebeu que tinha um tipo de caldeirão pendurado alguns centímetros a cima do fogo e estranhou. Parecia muito coisa de revista em quadrinhos... Tipo, caldeirão da bruxa.

Logo se deu conta que provavelmente era o tipo de panela que ela teria que usar para ferver a água e fazer algum tipo de chá para o homem doente.

- O que mais? – Perguntou o homem enquanto intercambiava seu olhar preocupado para o homem da cama e ela.

- Hum... Preciso que me deixe sozinha. – Respondeu Hinata com toda a intenção de expulsar o homem.

- O inferno que eu vou. – Respondeu olhando para ela com agressividade.

- Faço melhor isso, sozinha! – Respondeu Hinata. — E não grite. A cabeça dele deve estar estourando. – Apontou para o enfermo.

- Mesmo assim, não vou sair. – Contestou irritado, plantando seus pés no chão com sua expressão inabalada.

- Ah... você vai. – Disse Hinata com seu olhar firme.

- Não vou deixa-lo com você. Não a conheço, pode lhe fazer mal. – Respondeu Sasuke cruzando seus braços em sua frente.

- Olha... – Começou Hinata. – Essa discursão só vai prolongar o sofrimento de seu amigo ali. – Apontou com a cabeça.

- Por isso mesmo, comece. – Disse o homem de maneira irritada.

- Então saia do quarto. – Pediu Hinata olhando para porta de modo sugestivo.

- Pode fazer mal à ele. – Cortou ele de arrogantemente. – Não o permitiria.

- O único que está fazendo mal a ele aqui, é você, que não sai da merda do quarto. – Disse com toda sua paciência esgotada. – Se eu quisesse realmente lhe fazer mal, teria ido em bora, porque vou te dizer, pior que está, ele não fica. Toda essa conversa fiada só está prolongando sua dor e provavelmente deixando quase nula a possibilidade de eu o salvá-lo. – Continuou sem tomar fôlego. – Agora, se você acha que toda essa droga de “vou ficar, porque você pode lhe fazer mal” – Enfatizou sarcasticamente. – Vai dar em alguma coisa, pegue a maldita cesta mágica e faça você mesmo merda do trabalho de curandeira. – Estendeu a cesta de mal humor para Sasuke, esperando que a pegasse.

Ele olhou para ela logo depois para a cesta. Hinata viu quando o homem cerrou novamente seus dentes fazendo aquela coisa irritantemente barulhenta com eles. Tinha que quebrar os dentes! Aí sim ele iria parar com isso.

Sasuke ainda estava pensando e Hinata já estava cansada. Tomou a decisão pelo moreno de começou a rebocá-lo do quarto, empurrando o homem pelas suas costas até ele estar do outro lado da porta. Estava surpresa por ele ter ido tão fácil. Tinha certeza que se ele quisesse realmente ficar, Hinata não teria conseguido mover nem sequer um centímetro de seu músculo.

O moreno estava claramente preocupado com seu amigo e Hinata se sentia um pouco culpada por separar os dois, mas sabia que não conseguiria fazer aquilo com alguém a olhando. Não sabia nem mesmo o que fazer!

O moreno se virou e encarou-a nos olhos querendo dizer alguma coisa. De algum jeito, o homem parecia aliviado por estar longe do doente, e ela podia entender isso. Deus a livrasse de ver sua amiga Sakura deitada em uma cama a beira da morte!

- Juro que vou fazer tudo que puder para ajudá-lo. – Disse Hinata de modo tranquilizador. — Não posso prometer que vou salvá-lo, mas se tiver a menor chance de fazê-lo, eu vou. – Aquilo era uma promessa para ela, e para o moreno.

Sasuke inclinou sua cabeça em forma de agradecimento e afastou-se do quarto com pesadas passadas. Tinha visto toda preocupação e temor nos olhos do homem e tremeu internamente. Naquele momento o moreno parecia ter o dobro de sua idade de tão desconsolado que estava. Viu quando se afastava e descia as escadas lentamente.

Bom. Pelo menos agora ela podia começar. Ou tentar.

Jogou uma rápida oração aos céus pedindo por ajuda. Não queria que ninguém morresse em suas mãos.

*****

Naruto sorriu. Estava em seu lar, não exatamente seu lar, e sim o de seu melhor amigo, Sasuke. Ainda era um garoto, com mais ou menos treze verões. Sasuke que um ano mais velho que ele. Os dois estavam caçando, montados a cavalo e desfrutando da vida. Os topos das montanhas estavam nevados e as águas eram frescas e tentadoras. Um sorriu para o outro com cumplicidade. Horas antes tinham estado no lugar onde as serventes dos castelos tomavam seus banhos. Tinham visto como as mulheres eram tão bem moldadas e desejáveis. Mesmo com aos seus treze anos era mais levado que muitos garotos de sua época. Era o mais encrenqueiro também.

Sasuke gargalhou ao seu lado.

- Você viu, Naruto? – Perguntou montado em seu cavalo com um grande sorriso orgulhoso no rosto. – Quando Mely nos pegou espionando, ela nem gritou! – Riu novamente encantado.

- Claro que não. Ela até mesmo piscou para mim! – Afirmou Naruto de modo confiante.

- Do que você tá falando! Foi pra mim que ela piscou! – Rebateu Sasuke. – Me chamou até com o dedo! – Argumentou orgulhoso com seu sorriso de orelha a orelha.

- Iluda-se Lordesinho! – Gargalhou Naruto. – Admita, ela me queria! – Incitou Naruto provocando.

- Nunca. – Respondeu Sasuke – As moças me desejam mais! Sou mais belo. – Argumentou olhando sorrateiramente para Naruto.

- Elas gostam mesmo é do leão aqui. – Riu Naruto apontando para seu loiro cabelo desgrenhado com uma mão, e segurando seu cavalo pelas cordas com a outra.

- Essa juba? – Gargalhou Sasuke sem dar importância. – Quem liga pra cabelo quando elas querem é outra coisa? – Perguntou Sasuke, maldoso como sempre.

- Pervertido. – Observou Naruto enquanto encenava um gesto de decepção com a cabeça.

- Você também o pensou! – Argumentou seu melhor amigo.

- Mas foi você quem o disse. – Respondeu Naruto sorridente.

Os dois olharam sérios um para a cara do outro por rápidos segundos, e logo voltaram a rir em gargalhadas.

Milhares de imagens se amontoavam em sua cabeça. Uma atrás da outra sobre vários anos de sua vida. Ao longo via várias mulheres que lançavam sorrisos indiscretos para ele e seu amigo quando tinham resolvido que era hora dele ter uma relação.

Recordou o doce adeus de uma beldade loira. Seus beijos insinuavam que ansiava sua volta, e ele sabia que o estaria esperando.

Curiosamente, sabê-lo não o excitava, embora suspeitava que seu amigo se sentiria muito feliz se se casasse com ela.

De repente sentiu calor, um calor estranho. Desejava encontrar-se no alto das montanhas, onde o ar era puro e frio. O calor ardente lhe palpitava nas veias e Naruto se removeu, tratando de encontrar o frescor da brisa, querendo que o ar glacial o envolvesse, mas não foi assim. Só existiam a dor atroz e as labaredas que atravessavam seu corpo. Agitou-se, incapaz de sofrer em silêncio e seguir negando o tortura que sentia. Sasuke tinha sumido e os cavalos também. Todo cenário agora parecia errado, como se tivessem derretendo pelo calor que ele mesmo emanava. Se remexeu mais uma vez. Queria encontrar água, mas toda a água do lugar também tinha sumido.

- Calma, guerreiro... — disse uma suave e persuasiva voz feminina entre as o calor infernal. – Não se mova. Deixa que eu te ajude.

- Me ajudar? – Perguntou com voz profunda e áspera.

Durante um momento não aconteceu nada. Logo sentiu ritmicamente os movimentos refrescantes. Naruto notou que o ritmo das carícias com o pano úmido era quase sensual. Sentiu frio e estremeceu.

- Parece que está melhor – Disse a voz da mulher — Muito melhor.

As carícias continuaram e cada toque do pano fresco apagava o fogo que o consumia.

Naruto lutou por emergir do abismo de dor mas tudo que parecia fazer era em vão. A cada movimento que fazia, sua perna parecia gritar em protesto e ele também.

Repentinamente, ouviu o som de alguma cantiga que desconhecia. Era cantada pela doce voz da mulher e achava simplesmente fascinante. Tentou se concentrar na letra da canção, mas a dor que sentia era atroz, de modo que só conseguia distinguir a sinfonia da hipnotizante cantiga.

Parecia que a única saída era permanecer ali, deitado no meio do nada, enquanto ouvia o encantado som que a mulher fazia com sua voz.

****

Hinata continuou a passar o pano úmido por todo corpo do homem. Já tinha feito esse processo milhares de vezes e parecia que a cada passagem ficava melhor.

Tinham se passado três dias mas o tempo transcorria com lentidão para Hinata enquanto alternava em aplicar várias vezes os unguentos que ela mesma tinha feito e compressas de água fria no homem. Começavam pelo pescoço e com lentidão exagerada passava o pano pelos peitos e descia por sua barriga muito lindamente quadriculada, umedecia-lhe todo o local até o ponta do lençol que cobria sua cintura. Queria muito olhar por baixo do pano, mas algo a impedia. Não conseguia tirar da cabeça a ideia de violação de privacidade se olhasse as coisas do homem. Por mais que sua vadia interior reclamasse, ela infelizmente não iria fazer isso.

Estava cada vez melhor, tirando a parte da febre, para a benção de Hinata. Seu inchaço estava menos volumoso e a ferida não estava tão amarelado como antes.

Lembrou da vez que forçou o homem, Naruto, como Sasuke havia dito em uma de suas visitas constantes, a beber há dois dias atrás o horroroso chá que tinha feito para baixar a febre. Não podia ter tomado susto maior quando descobriu, ao estudar o rosto do homem, que era o mesmo loiro que a tinha atacado. Na hora, tinha querido correr e deixar o pobre morrendo de dor, mas algo em seu rosto, a fez parar e reconsiderar. Hinata tinha passado as mãos por suas loiras mechas de cabelo, para comprovar se eram tão sedosas como pareciam. Logo, por seus longos cílios observando como parecia tranquilo enquanto dormia, ou desmaiava, em seu caso. Passeou levemente seus dedos por seus lábios curiosa por sua macies e com a louca vontade de pôr sua boca sobre eles para provar que eram tão macios como parecia. Lentamente, um minuto depois de total contemplação, passou seus polegares pelo seu queixo firmemente rígido e quente. Devia estar sentindo uma dor infernal naquele momento e parecia errado que fugisse e deixasse o loiro morrer. Oh... a quem estava enganando? Desde o momento que o tinha visto naquela cama se sentia enormemente culpada. Mesmo que o muito filho da mãe merecesse todo sofrimento que estava sentido, somente pelo fato de querer matá-la, Hinata se sentia terrivelmente mal mesmo ao pensar em como estaria sofrendo. Era agonizante para ela só olhar enquanto ele sofria.

Era quase meia-noite do dia seguinte quando novamente Naruto começou a se mover inquieto sobre a cama. Hinata aproximou-se mais do corpo do homem e tocou sua testa comprovando que ainda estava muito quente. Maldição! Parecia que a cada dia a febre piorava, se é que era possível. Recolheu ao pano dobrado ao lado da cama e o mergulhou na tina de água. Espremeu-o deixando bem úmido e começou a passar pelo corpo do homem.

- Relaxa... – Hinata o aconselhou quando ele não parava de se mover. – Só vai se machucar...

- Preciso... – Gemeu o homem dolorosamente estendendo a palavra pela febre. – Tenho que... encontrar.... – Disse entre pesados suspiros.

- Pode encontrar depois que melhorar. – Respondeu Hinata passando o pano por seus quadris. Estava muito preocupada com Naruto e toda sua agitação para apreciar todo o contato que tinha sobre os poderosos músculos.

- Tenho... – Dizia sem escutá-la. – Maldi...ção... – Gemeu novamente apertando seus olhos. – Não deixe... que me... perca... – Respirava pesadamente a cada palavra

- Não se mova, guerreiro. – Realmente, tinha começado a gostar dessa palavra, “guerreiro”. – Não deixarei que se perca. – Concordou tentando fazer com que parasse de se mover.

Por alguns minutos o homem permaneceu quieto, mas logo depois, voltou a se mover, dizendo coisas aos sussurros que Hinata não entendia.

Se não parasse, provavelmente iria abrir mais a ferida que estava curando-se fantasticamente bem. Subitamente teve a ideia de cantar novamente. Podia dar certo, não? Tinha dado certo há uma noite atrás. Não era lá uma cantora fodona e tudo mais, mas não era um completo desastre. Pensou rapidamente em alguma música, qualquer coisa que o fizesse ficar quieto e logo começou a cantar a primeira que veio em sua cabeça. (N/A: Aconselho vocês a ouvirem a música lendo essa parte dafic. É muito linda. / Música: Nickelback – Lullaby/ Link: http://www.kboing.com.br/nickelback/1-1098793/)

Well I know the feeling

Bem, eu conheço a sensação

Of finding yourself stuck out on the ledge

De se encontrar na beira do abismo

And there aint no healing

E não há cura

From cutting yourself with a jagged edge

De se cortar com uma navalha afiada

I'm telling you that

Eu estou lhe dizendo que

It's never that bad

Nunca é assim tão ruim

Take it from someone who's been where you're at

Aceite isso de alguém que já esteve onde você está

Laid out on the floor

Caído no chão

And you're not sure

E você não tem certeza

You can take this anymore

Se você pode aguentar mais

So just give it one more try

Então, só tente mais uma vez

With a lullaby

Com uma canção de ninar

And turn this up on the radio

E aumente o rádio

If you can hear me now

Se você pode me ouvir agora

I'm reaching out

Eu estou chegando

To let you know that you're not alone

Para que você saiba que você não está sozinho

And if you can't tell

E se você não sabe disso

I'm sacared as hell

Eu estou muito assustada

Cause I can't get you on the telefone

Porque eu não estou conseguindo falar com você pelo telefone

So just close your eyes

Então, basta fechar os olhos

Oh, baby here comes a lullaby

Querido, aqui vai uma canção de ninar

Your very own lullaby

Sua própria canção de ninar

Please let me take you

Por favor, deixe-me tirá-lo

Out of the darkness and into the light

Dessa escuridão e levá-la para a luz

'Cause I have faith in you

Porque eu tenho fé em você

That you're going to make it through another night

Que você irá passar por outra noite

Stop thinking about

Pare de pensar sobre isso

The easy way out

É o caminho mais fácil

There's no need to go and blow the candle out

Não há necessidade de apagar a vela

Because you're not done

Porque você não está pronto

You're far too Young

Você é muito jovem

And the best is yet to come

E o melhor ainda está por vir

Ao decorrer da canção, os movimentos do loiro ficavam mais débeis, fracos, como se ele quisesse parar com tudo somente para continuar escutando-a. Um convencido sorriso apareceu nos lábios de Hinata. Gostava da ideia do grande guerreiro apreciar sua voz. Continuou cantando se sentindo estranhamente mais feliz, enquanto passava o úmido pano pelo corpo de Naruto. (N/A: Eu fiz algumas minúsculas alterações na letra da música. Vocês quase não vão perceber. É sério, ouçam a música. É perfeita pra situação atual dele u.u)

So just give it one more try

Então, só tente mais uma vez

With a lullaby

Com uma canção de ninar

And turn this up on the radio

E aumente o rádio

If you can hear me now

Se você pode me ouvir agora

I'm reaching out

Eu estou chegando

To let you know that you're not alone

Para que você saiba que você não está sozinho

And if you can't tell

E se você não sabe disso

I'm sacared as hell

Eu estou muito assustada

Cause I can't get you on the telefone

Porque eu não estou conseguindo falar com você pelo telefone

So just close your eyes

Então, basta fechar os olhos

Oh, baby here comes a lullaby

Querido, aqui vai uma canção de ninar

Your very own lullaby

Sua própria canção de ninar

Well everybody's hit the bottom

Bem, todo mundo já alcançou o fundo do poço

Everybody's been forgotten

Todo mundo já foi esquecido

When everybody's tired of being alone

Quando todo mundo está cansado de estar sozinho

And everybody's been abandoned

E todo mundo já foi abandonado

I left a little empty handed

Eu fiquei de mãos vazias

So if you're out there barely hanging on

Então, se você mal está suportando

So just give it one more try

Então, só tente mais uma vez

With a lullaby

Com uma canção de ninar

And turn this up on the radio

E aumente o rádio

If you can hear me now

Se você pode me ouvir agora

I'm reaching out

Eu estou chegando

To let you know that you're not alone

Para que você saiba que você não está sozinho

And if you can't tell

E se você não sabe disso

I'm sacared as hell

Eu estou muito assustada

Cause I can't get you on the telefone

Porque eu não estou conseguindo falar com você pelo telefone

So just close your eyes

Então, basta fechar os olhos

Oh, baby here comes a lullaby

Querido, aqui vai uma canção de ninar

Your very own lullaby

Sua própria canção de ninar

Ao final da canção, Hinata percebeu que os movimentos do loiro tinham cessado por completo e ele estava completamente imóvel. Sua respiração saía e entrava mais fácil agora, e o guerreiro parecia quase tranquilo. Hinata sorriu satisfeita com seu trabalho e molhou o pano novamente, espremeu e o dobrou, colocando-o sobre sua testa e deixando lá. A febre por fim tinha baixado um pouco mas ela sabia que voltaria. Mas enquanto isso, pensava em continuar sentada ao lado do guerreiro.

Hinata estendeu uma de suas mãos e pegou uma das mechas loiras do homem que se estendia pelo seu ombro e começou a brincar com o cabelo o envolvendo pelos seus dedos. Ele era tão bonito... Não conseguia entender por que a tinha atacado. Não tinha perguntado a Sasuke, é claro. Provavelmente iria fazer muitas perguntas, e ela não saberia como mentir sobre todas elas.

Hinata não tinha saído do quarto durante todos os três dias desde quando tinha chegado ali. Até mesmo quando Sasuke tinha dito para sair, pois precisava tomar um ar.

Hinata envolveu novamente a mecha loira pelos seus dedos enquanto deitava-se de barriga para baixo apoiando seus cotovelos ao lado dele.

Ela não tinha querido sair. Estava preocupada que o loiro ficasse pior no momento que saísse, e ela não tivesse por perto pra fazer alguma coisa.

Sasuke tinha engolido a desculpa, e mandava sempre alguém lhe trazer a comida. A maioria das vezes, era o guerreiro de cabelos castanhos que tinha visto no salão. Kiba, se não se enganava. Sempre quando vinha, eles trocavam poucas palavras pois Hinata nunca mantinha o foco na conversa, porque a cada segundo olhava para o loiro para ver se estava bem. O interessante, foi que sua vaca interior não reclamou nenhuma vez sobre querer comer a nenhum guerreiro desde que tinham se alto confinado no quarto. Exceto, é claro, para o loiro doente. Toda maldita hora sua vadia implorava por acariciar os rígidos músculos de sua barriga e ombros, e muitas vezes Hinata sedia a tentação. Era tão bom.

Voltou sua atenção para a mecha loira em sua palma, enquanto girava-a mais uma vez sobre seus dedos.

******

Naruto tinha tido os terríveis pesadelos novamente de uma sangrenta batalha onde perdeu vários de seus amigos e companheiros. As imagens ficavam mudando ao seu redor sempre com o tema de sangue e violência. Ironicamente, não aguentava mais sangue. O fazia se sentir enjoado. Sabia que o mal estava ali com ele, podia ouvir a risada que ele dava cada vez que um de seus companheiros morria pela espada inimiga. Queria socar ao bastardo, mas ele era só a viscosa e maldosa voz que continuava rindo e ecoando por sua mente. Tinha querido tanto que as lembranças acabassem. Sentia seu corpo quente, mas também sentia o acariciar do mesmo pano úmido de antes. Não conseguia pensar claramente, e sua cabeça a qualquer momento explodiria com todas as sensações. Tinha ódio, raiva, alegria, tristeza, pena e por fim um pouco de conforto, pois sabia que tinha alguém a mais que ele e seu mal por perto. Subitamente, como se o tivesse ouvido, a voz da mulher perfurou toda a carnificina e sofrimento das imagens. Ele tentou com todas as forças se concentrar em sua melodia e nas suas letras. Incrivelmente deu certo. Sentia que a maldade que rondava por perto tinha se ido. As imagens sangrentas de seus companheiros mortos, tinham sido substituídos pelo clarão tranquilizante onde não podia se ver nada, somente ouvir. Naruto tinha conseguido finalmente se concentrar na letra da nova canção. Apesar de não ter entendido algumas palavras, parecia que tinha sido feita especialmente para ele. Escutou fascinado as letras e sim, estava querendo seguir seu conselho. Principalmente quando ela dizia que era pra ele tentar mais uma vez, pois ela estava chegando, para que ele soubesse que não estava sozinho.

Sozinho... Riu sem humor. Esteve sozinho a partir da hora em que a maldição foi lançada sobre ele. Tinha afastado a todos, para tentar protegê-los de sua maldade.

O clarão estava ficando mais branco agora... A canção da mulher tinha acabado, e Naruto desconfiava que estivesse morto. Lamentava que não pudesse mais ouvir s voz da mulher... Mas finalmente a tortura mental da maldade acabaria. Quem sabe fosse para um lugar tranquilo, onde ficasse sozinho com seus pensamentos.

Muito claro... Quase insuportável para os olhos. Forçou suas pestanas a se fecharem por causa da dor através delas.

Então...

Nada.

Era isso? Estava morto?

Abriu os olhos lentamente e a primeira coisa ao contemplar foi um lindo anjo de longos cabelos negros e olhos tão claros como um pérola preciosa. Sorriu feliz ao saber que não tinha ido ao inferno depois de tudo. Parecia que Deus queria presenteá-lo com tal beldade e estava disposto a aceitar o presente. Naruto levantou o olhar e contemplou à mulher inclinada ao lado dele. Na penumbra do quarto iluminado com velas parecia etérea, como um sonho, parecia una visão que flutuava ao seu lado em meio da confusão de cores causada pela febre. Era bela: Seus cabelos escuros, seu vestido de linhas suaves, seus traços formosos, E seus olhos... Ah seus olhos... Desconfiava que já o tivesse visto antes, mas não conseguia se lembra. A mulher estava deitada ao seu lado, perdida em pensamentos enquanto enrolava alguns fios do cabelo dele sobre seu fino dedo delicado. Conseguiu dar um sorriso torcido ao mesmo tempo que tratava de ignorar a dor. Queria tanto provar de seu presente que não conseguiu se conter. Envolveu sua fina cintura com um dos braços no mesmo tempo que a colocava em baixo dele, a prendendo imóvel sobre o peso de seu corpo. Ouviu uma exclamação de surpresa mas mal a registrou pois rapidamente tinha grudado a macia boca do anjo a sua. Na sequência, invadiu sua boca com a língua, tentando incitá-la a fazer o mesmo. Moveu-a por sua boca, tentando sentir todo seu gosto celestial e quem sabe até mesmo pegar um pouco de sua pureza para ele. Por alguns momentos nada aconteceu. Naruto estava a ponto de exigir a algum ser superior que a fizesse de mover, mas logo, uma língua hesitante de primeira e ao mesmo tempo ousada enroscou com a sua, e ele pôde finalmente provar o verdadeiro céu. Sentiu todo o calor do beijo em suas veias, invadindo todo o seu corpo, deixando-o quente, duro, excitado. Oh... Parecia tão certo. Tão... errado... Tão... Bom...

Os baixos estalos do delicioso beijo ecoavam pelo quarto, acabando com a monotonia sem graça e o deixando belo, um lugar para seu prazer, talvez? Colocou um de seus joelhos entre as pernas do anjo, e ouviu satisfatoriamente quando ela soltava um gemido surpreso de prazer. Podia ter reparado que sua outra perna ardia como inferno, mas o momento não permitia.

Provou mais do doce beijo celestial, tentando se prender a aquele mágico momento onde tudo o que importava, era a dança que suas línguas faziam uma contra outra. Suas línguas cruzavam e se batiam de modo perfeitamente sincronizado. Ele era totalmente consciente de seu pequeno corpo que encaixava-se tão bem por baixo dele, fazendo o ponto de sua virilha inchar de dor pelo esfomeado desejo. O calor cada vez aumentava entre os dois corpos e Naruto desconfiou que aquilo não pudesse ser real. Queria tanto guardar aquele momento ser para si. Queria tanto que aquele poderoso e extasiante beijo durasse para sempre. Parecia que não podia ter o suficiente. Queria lutar e ficar ali, mas parecia que cada vez mais perdia suas forças.

Respirou profundamente tentando guardar o cheiro do anjo para ele, quando percebeu que uma névoa escura invadia sua mente.

Cheirava como jasmim. Foi o único pensamento em sua cabeça.

- As lendas estão certas – Disse separando seus lábios dos dela a escassos milímetros de distância enquanto lhe sussurrava com fortes respirações – Os anjos... É a mais bela de todas elas....

Disse por fim, antes que a escuridão revogasse seu direito sobre ele, o lançado no esquecimento enquanto caía cobre o corpo de seu querido anjo.

Notas finais
Olha eu aqui de novo! o hahaha
E então? O que acharam?? Por favor me digam tudo, sua opinião é importante.
Até mesmo dos leitores fantasmas que não comentam ¬¬' (TodeolhoemvocêsHein!) HUmph! kkkkk zoa zoa.
Mas enfim. Comentem! >___