Viagem Pela Highland
6 Highlander Desperto
Notas iniciais
Por favor, não me enforquem mentalmente. Aconteceu umas coisinhas aqui em casa e acabei atrasando tudo de vez. u.u
Mas então... Estou recompensando vocês com esse cap enoooorme que eu fiz de ontem pra hoje. >,<
Ainda enchi muito o saco da minha irmã porque ela queria escrever a fic dela, e eu a minha. Acho que alguns de vocês a conhecem "Vanessa" que escreve a fic "Minha querida idiota..." (ótima fic, só que é SasuHina u.u Mesmo assim, recomendo>,<)
Heey, Belle, valeu pela ajuda de ontem!
Enfim, chega de papo! Apreciem a leitura!
Seus passos estavam pesados sobre as folhas mortas da densa floresta. A garota em seus braços não era pesada. Não mesmo. Pelo contrário. Seu peso era tão insignificante que passava quase despercebido.
A garota era jovem e bonita. Suas roupas estavam completamente molhadas e seu corpo tremia levemente por causa do frio. Percebeu que seus lábios tinham adquirido uma tonalidade meio azulada e que seus dentes batiam um no outro ritmicamente.
Estava ficando velho para esses tipos de coisas de salvar jovens mulheres em perigo. Não que fizesse isso sempre. Infelizmente, não fazia. Se tivesse a chance, com certeza convidaria as jovens para um passeio sobre a luz do luar ou até mesmo algo mais ousado, mas sua afilhada era muito cruel em relação a deixá-lo sair com jovens moças. Era agonizante ver a sombra dos volumosos seios das mulheres de sua época, tão perfeitamente moldados e tentadoramente chamativos, sem poder nem mesmo tocá-los.
E era tão excitante como o inferno.
Respirou fundo sonhadoramente.
Ele podia se imaginar num lugar onde mulheres lindas e cheirosas brotavam de tudo quanto é canto. Olhariam pra ele... Oh sim... Piscariam inocentemente lhe enviando olhares significativos por baixo das pestanas. Depois, chamariam seu nome em sussurros provocantes e olhares descarados que faziam promessa de prazer. As jovens mulheres iriam acariciar seu corpo lentamente, no ponto de ser frustrante. Iriam dar mordidinhas em suas orelhas e lamber lentamente seu pescoço, dando beijinhos por toda aquela região. Ouviria os risos delas ao pé de seu ouvido e sentiria a quente baforada de ar de suas bocas perto da dele. Sentiria a macies de suas bocas e o doce sabor de suas línguas contra a sua.
Seria tããão bom!
Imaginou a cena de duas mulheres sentadas em seu colo dizendo coisas muito sujas e muito certas para seus ouvidos. Hmmm... Realmente... Adorava mulheres!
Sorriu alegremente enquanto passava por cima de um tronco e andava com passos firmes em direção ao lugar onde estaria a bolsa da jovem.
Sua afilhada desaprovava seu comportamento de total fascinação pelas mulheres. O chamava até de pervertido quando o pegava em seus devaneios sonhadores e eróticos. Era constrangedor, mas não havia nada que pudesse fazer. Principalmente por estar tanto tempo sem o toque feminino.
Perdido em seus pensamentos, não percebeu que tinha pisado em uma pedra com formato de casco de tartaruga. Desequilibrou-se e por pouco não caiu.
A jovem morena em seus braços soltou um pequeno gemido de dor pelo seu brusco movimento, apertando mais seus olhos fechados, como se pudesse desfazer-se da dor.
Idiota! Disse para si mesmo. Ela está machucada! Repreendeu-se mentalmente.
Estava surpreendido pela precisão da visão de sua afilhada. Ela realmente era mais poderosa do que ele imaginava. Era uma lástima que ela não acreditasse nisso. Achava que ele era o mais poderoso druida que jamais havia existido.
Tola.
Se ele era assim tão forte, por que não conseguiu prever que a garota caia da cachoeira?
Sua afilhada se auto subestimava. Foi ela quem teve a visão que o livro tinha sido perdido quando Hinata ainda era uma criança. Tudo bem que tinha sido ele quem teve que voltar lá até recentemente para devolver o livro para sua devida dona, mas, vamos lá! Sua afilhada tinha talento! Viu até mesmo onde Hinata iria parar depois da brusca queda da cachoeira, lhe informando onde encontrá-la. Disse-lhe até sobre qual caminho seguir para não se deparar com Naruto.
Como não acreditava que era poderosa?
Respirou profundamente, dessa vez frustrado, e continuou caminhando.
Tinha chegado no local pouco antes de Hinata sofrer o acidente. Pôde acompanhar como a garota caía da cachoeira e como Naruto que segundos antes queria matá-la, lutava por sua vida.
Ele conseguiu sentir o mal que habitava em Naruto a metros de distância. Por todos os santos! O garoto aguentava uma carga muito pesada! Qualquer um que albergasse sua maldição já teria sido corrompido à tempos!
Mas não Naruto.
O garoto era forte. Provavelmente pensava que havia sucumbido para sua maldição, mas não era assim. Naruto estava aguentando muito bem esse tempo todo, mas sua resistência estava esgotando-se. Ele não tinha ideia do que aconteceria se realmente deixasse-se levar pela sua maldade.
Estremeceu com o pensamento, lembrando de quando o pai do jovem soltou a besta furiosa de seu interior para salvar sua família. Não tinha sido uma coisa bonita de se ver. Minato havia lutado como um monstro para proteger sua esposa e seu filho. Ele era só ódio e violência sobre todos aqueles que estavam querendo arrebatar-lhe de sua felicidade. Ele, sozinho, matou muito mais homens do que dez guerreiros bem treinados fariam. Era implacável em sua fúria e no desespero de dar continuidade de uma vida para Naruto.
Mas não era imortal.
No final acabou sendo ferido gravemente e despencou inconsciente.
Foi levado para seu pai, o líder de seu clã, para que entregasse a “bruxa” e o “filho do diabo”, mas quando recusou-se a dar o paradeiro de sua mulher e sua criança, foi morto com a cabeça decapitada pelo seu próprio familiar, acusado de traição e de se aliar com uma bruxa, um ser que compactuava com o mal.
Que tolos e irritantes eram! Chamavam aos druidas de feiticeiros e bruxos! Eram completos ignorantes em relação à magia da natureza que os cercavam. Parecia até que faziam questão de não tentar sabê-lo. Os druidas nada mais eram que pessoas abençoadas com poderes da natureza para que pudessem ajudar no equilíbrio da mesma. Não eram malvados!
Bom, pelo menos, não todos.
Por mais que quisesse acusar aos humanos de serem tão fechados para magia, não podia culpá-los. Como em todo lugar, existiam aquelas pessoas que sempre queriam mais do que tinham. Ficava de tudo pior quando eram os druidas a serem essas pessoas ambiciosas e perigosas. Eles se aliavam com uma força maior, mais escura e corrosiva que não podiam aguentar. Deixavam se dominar pelo poder concedido à eles pelo mal, regozijando-se de uma falsa ideia de poder e dominância, achando que por terem mais poder do que pessoas que nasciam sem nenhum, podiam usar sua magia para intimidar ou usar a benefício próprio. Esses eram os tão conhecidos e odiados bruxos que em sua maioria se tinham por mulheres.
O poder maléfico era tão devastador, que apodrecia a alma de cada indivíduo que o usasse. As orbes dos usuários dessa magia ficavam sem cor, algo parecido com branco, sem vida, causado pela mucosa maldade que se alastrava pelos olhos. Quanto mais magia se utilizava, mais negra, vazia e podre a alma ficava, levando todo rastro de humanidade e pureza que a pessoa teve algum dia.
Olhou de relance para o rosto da garota em seu braços e estudou-a lentamente. Era muito bonita. Seus cabelos negros azeviche estavam soltos e molhados, estendidos graciosamente ao ar livre com alguns fios que lhe grudavam a testa. Sua boca era carnuda e bem delineada, mesmo estando quase azuis pelo frio, ainda eram bem chamativas.
Moveu seu olhar para os olhos da garota a dando-se conta que uma estranha negritude os banhava.
– Infernos... – Murmurou pra si mesmo pensando na reação de Naruto.
Com certeza tinha pensado que a garota era uma bruxa.
Se ele mesmo não a tivesse trago do séc. XXI também o pensaria.
Os olhos de cada ser humano, são o espelho para alma. Se a alma de um druida está podre, suja ou corrompida pela escuridão, a maldade se exibe ao contorno dos olhos, refletindo o estado atual da alma, já que as orbes estão sem vida.
Se estivesse no lugar de Naruto ao presenciar o rosto da mulher, com certeza teria tirado a conclusão de que a alma da jovem estaria mais que podre. Saberia que a alma dela estava morta, dominada pelo mal e crueldade. Exatamente como uma maldita bruxa asquerosa.
Mas... Naruto tentou salvá-la, não é mesmo?
Não tinha certeza. Era muito provável que quisesse salvá-la para matar ele mesmo a jovem com suas mãos. O que não seria uma coisa boa. Naruto não podia matar sua única salvação. Por mais que não acreditasse que tivesse uma.
“A encontrou?” Uma voz macia e sedosa disse em sua cabeça.
“Sim” Respondeu ele em pensamento, automaticamente.
“Graças aos Deuses.” Murmurou a voz feminina de sua afilhada, aparentemente aliviada.
Já estava acostumado a esse tipo de intercâmbio. Podia parecer muito invasivo, mas na verdade era mais parecido que um telefone sem fio.
Telefone... As geringonças do século moderno eram impressionantes. Era uma lástima que não pudesse ficar tanto tempo por lá.
As mulheres daquela época saiam somente com alguns pedaços de trapo colado ao corpo que fariam qualquer homem enlouquecer.
“Você não está pensando nisso.” Interrompeu sua afilhada com a voz irritada.
“Não estou mais. Graças a você” Respondeu mal humorado. “É sério mulher, você tem que parar de me amar tanto.” Completou sarcasticamente.
Jurava que podia ouvi-la abafando uma bufada seguida de risada. Sorriu com a ideia. Fazia tanto tempo que não via mais o lindo sorriso nos lábios dela... Parecia que ela podia respirar novamente, em anos.
“E eu posso.” Disse ela lendo seus pensamentos. “É realmente muito bom que ela finalmente tenha chegado.” Ecoava a voz em sua mente.
“Sim, sim. Mas Naruto ainda é muito cabeça dura para reconhecê-la.” Suspirou pesado à não mais que dez metros de onde a bolsa da jovem estava. “Talvez... Poderíamos aju-”
“Não!” Gritou afobada interrompendo-o. “Não podemos interferir em nada!” Trovejou com um tom mais alto.
“Sei, sei...” Bufou em descontentamento. “Mas ela está ferida. Não vai conseguir ir muito longe desse jeito.”
“Maldição” Amaldiçoou sua afilhada. “Tem que cura-la!” Declarou o óbvio.
“Sei...” Murmurou mentalmente. “Ele provavelmente acha que a garota é uma bruxa.” Disse tentando não dar importância ao fato.
“O que!?” Gritou do outro lado. Ehh... “Do que você está falando?”
“A garota tinha aquela coisa preta que as mulheres daquela época usam. Seus olhos estão negros!” Explicou devagar. “Ela realmente parece uma bruxa”
Com mais algumas rápidas pernadas chegou ao local onde se mantinha sua bolsa. Deitou a jovem lentamente sobre as folhas mortas do chão, com muito cuidado, para não causar nenhum sofrimento desnecessário em suas feridas. Não que aparecesse alguma, pois não o fazia. Desconfiava que ela tinha rompido uma costela, dado pelo inchaço aparente através da roupa que estava grudada em seu corpo.
“Tenho que curá-la” Anunciou depois de um momento pensando no que seria o melhor a se fazer.
“Sim” Concordou sua afilhada. “Mas sem mãos escorregando ‘acidentalmente’ pelos seios da garota, entendeu?” Enfatizou ela mentalmente.
“Típico de você, me tirar toda a diversão” Murmurou chateado.
“Entendido?” Perguntou mais uma vez com um tom ameaçador.
“Sim, sim” É claro que tinha entendido. Sabia bem o quão estourada essa mulher podia ser quando estava irritada.
Observou a jovem com os olhos dos pés à cabeça, levando seu tempo para descobrir mais alguma ferida. Levantou a perna calça até a metade da cocha da jovem e percebeu que não havia nada lá a não ser arranhões superficiais e alguns musgos do rio. Devolveu a calça ao estado em que estava e fez o mesmo com a outra perna, constatando que não havia nada lá também. Segurou a borda da larga blusa de algodão branco e levantou cuidadosamente, até que a pele leitosa de sua barriga estava totalmente exposta. Queria muito levantar a blusa toda e tirar a prova de que seus seios eram tão grandes como pareciam, mas não o fez. Ele não era um aproveitador. Além do mais, sua afilhada estava sondando sua mente de longe.
Passou levemente seus dedos pelo o escandaloso inchaço que aparecia um pouco abaixou do seio direito e ela gemeu de dor.
Como tinha desconfiado, tinha uma costela quebrada. Devia estar com uma dor infernal.
Sem perder tempo, levou suas duas mãos para região lesionada e as depositou lá. Suas palmas estavam a milímetros da pele de Hinata quando começou o doce e aconchegante canto dos druidas. Quinze segundos depois, a magia estava flutuando por todo seu corpo, de forma natural e cômoda. Concentrou-se em direcionar toda magia que conseguia depositar da natureza em suas mãos. Podia sentir toda a glória e o comichão caloroso que a magia fazia em seu corpo. Era quase como um orgasmo. Só que não tão bom, mas chegava perto. Quando sentiu alguns segundos mais tarde que tinha conseguido colocar magia o suficiente em suas palmas, direcionou com cuidado o calor milagroso para o inchaço da jovem, presenciando o momento em que o volume da ferida diminuía a cada segundo até que desaparecia, sem deixar um rastro sequer na sedosa pele.
Massageou o local que tinha acabado de curar comprovando que a palidez mortal da garota havia sumido, mas a garota ainda fazia caretas de dor.
Será que tinha perdido a prática?
Franziu o cenho e olhou meticulosamente o local de suas costelas. Nada mais quebrado. Massageou mais uma vez, aplicando uma porção moderada de força e ouviu o pequeno grito que brotava da boca da jovem. Com certeza ainda havia mais feridas para serem sanadas. Olhou por toda sua frente e entendeu que a outra ferida não estaria por ali.
Suas costas.
– Droga. – Como tinha sido tão estupido a ponto de se esquecer das costas?
Com cuidado, girou a garota sobre o próprio corpo, estremecendo toda vez que ela protestava de agonia. Colocou-a de costas e prendeu a respiração ao deparar-se com sua blusa completamente empapada de sangue.
Como diabos não tinha visto aquilo?
Olhou para sua própria roupa e se castigou internamente quando encontrou manchas de sangue da ferida de Hinata.
Levantou habilmente a bainha da blusa dela até que tinha suas costas nuas para ele.
– Infernos! – Amaldiçoou em um grunhido.
Era pior do que tinha pensado.
“O que aconteceu?” Perguntou sua afilhada com evidente preocupação.
“Está ferida... É grave.” Completou hesitante.
“O que está esperando? Cure-a!” Quase gritou de frustração.
“Terei que voltar para casa andando. Então, não me espere para o jantar.” Murmurou mentalmente aflito.
Ele poderia correr quilômetros e quilômetros de distância só com a ajuda da magia da natureza. Tinha sido como ele havia chegado ali tão depressa. Mas ele tinha certeza que ao curar a grave ferida de Hinata, não iria sobrar muito para ele. Retirar magia da natureza exigia um bocado de magia interior. Magia essa que ele usaria para salvar Hinata.
“Está tão ruim assim?” Questionou preocupada
“Sim. Está aberto. E sangra, muito. Agora, fique quieta para eu me concentrar”
Ignorando o murmuro mental dela, concentrou toda sua força para puxar a magia natural e fundi-la com a sua a deixando mais forte e resistente. Não era uma coisa fácil. Eram poucos os druidas que conseguiam fazer tal façanha. Sentiu a dormência irritante que começava pelo seus dedos toda vez que ele juntava as magias. O calor do sol incrementava a potência elementar do ar, da terra e da água ali presentes. Percebeu quando as partículas desses três elementos flutuavam ao seu redor, agitadas, querendo ser útil. Logo invocou mais de sua magia e as intercalou sobre os elementos. Convocou-os silenciosamente para a terrível ferida aberta que tinha quase o tamanho de um palmo das costas da garota. Meio segundo depois, a ferida ia se fechando, juntando pele com pele através do sangue que tinha parado de brotar e curando os tecidos internos que antes estavam destruídos pelo o que quer que seja que tenha causado os danos. Viu como a umidade do ar e da terra limpavam as costas da jovem deixando-a limpa e levemente molhada. Começava a perceber que sua magia estava acabando e só faltava menos que três centímetros aberto da ferida. Teve que aplicar sua força de vontade para fechar o restante da lesão.
Olhou para a pele da jovem, feliz ao comprovar que não tinha nada mais ali. Nem sequer um arranhão em sua pele perfeita. Abaixou sua blusa e desvirou a garota.
Seus lábios tinham perdido a tonalidade azul, agora brilhavam a vida com um rosado fresco. Não estava tão pálida como antes e dormia em paz.
Respirou profundamente e sentou ao seu lado comodamente.
Estava tão cansado. Fazia tempo que não tinha usado tanta magia assim, mas tinha que sair dali. Hinata podia acordar a qualquer momento.
“O fez?” Questionou sua afilhada.
“Sim” Murmurou em resposta.
“Ela está bem?”
“Hum...” Acenou positivamente com a cabeça.
“Isso é um sim?” Estava ficando irritada. Nada bom.
“Sim, sim. Está dormindo agora” Respondeu enquanto levantava-se pesadamente e sacudia algumas folhas presas.
“Então saia antes que acorde!” Exclamou
“Vamos deixa-la aqui?” Perguntou preocupado. “Sem nenhuma proteção?”
“Não podemos interferir” Murmurou em tom de frustração. “Mas... Podemos ajuda-la indiretamente.” Completou
“Como?” Perguntou ele cético. “Se você mesma disse que não podemos interferir...”
“Dê-lhe sua adaga” Respondeu brilhantemente. “Assim poderá se defender dos animais a noite.
“Sim” Respondeu descontente. Gostava de sua adaga. Não era tão grande como uma espada, mas era tão mortal quanto uma.
Depositou a arma ao lado da garota, em cima de sua bolsa e mandou um beijinho de despedida para fina lâmina.
“Oh, não faça cena!” Disse ela adivinhando sua reação para a arma.
“Sabe que eu gosto da lâmina!” Murmurou fazendo biquinho enquanto se afastava com equilibradas passadas, da garota e de sua arma.
“Sim. Eu sei Jiraya, eu sei.” Respondeu sua afilhada, enquanto sumia de sua mente e o deixando sozinho com seus pensamentos.
*******
Esquivou-se habilmente da ameaçadora lâmina que passava à distância da asa de uma mosca de seu coração. Já faziam dois dias desde que a batalha havia começado dentro da mata, mas todos já sabiam como ela iria terminar. Eles venceriam. Novamente, os ingleses tentavam controlar a Escócia por meio da força bruta, onde muitas vezes envolviam inocentes highlanders de isca ou de chamariz para uma armadilha. Os bastardos eram cruéis. Torturavam suas vítimas até o ponto de os fazerem adoecer. Depois levavam ao ponto da luta, mostrando o que havia sido feito das pessoas inocentes, sejam essas homens, mulheres ou crianças, exibindo suas façanhas enquanto jogavam seus corpos no meio do campo de batalha, como um convite aberto para guerra, onde mostrava o potencial de crueldade e frieza que poderia adquirir o ser humano.
Era odioso. E Naruto sentia ânsia de mutilar a cada um dos bastardos.
Elevou sua espada em um ângulo de noventa graus e com velocidade a desceu sobre a garganta do inglês. Não ficou parado para ver como o infeliz morria. Não gostava de matar. Somente o fazia para proteger as pessoas que eram importantes para ele. Pessoas do seu clã, as mulheres e crianças indefesas, que temiam por seus maridos sempre que saíam para uma batalha com medo de nunca mais voltar.
Não deixaria que seus companheiros fossem mortos.
Correu para dois inimigos que tinham cercado um dos seus homens, atacando a um deles com ferocidade. O inglês viu seu movimento e rapidamente se defendeu. Arrumou de revidar com um forte ataque de sua espada diretamente ao ombro de Naruto. Ele se esquivou, sentindo o vento que a arma fazia ao passar próximo de sua cabeça e atacou ao peito do homem que havia aberto uma brecha.
Tão estúpidos eram.
A luta correu rapidamente por toda aquela tarde. Muito dos ingleses renderam-se ao entender o resultado da luta. Muitos outros, faziam questão de continuar lutando pelo seu país e por sua causa, acabando mortos.
– Achou ao líder? – Questionou Sasuke enquanto lutava ao seu lado.
Seu amigo chegava a ser tão mortal quanto ele mesmo em campo de batalha. Juntos, eram implacáveis.
– Ainda não está morto? – Grunhiu Naruto frustrado, atacando sem piedade um dos ingleses que tinha certeza que havia dado parte na tortura de sua gente.
– O maldito desapareceu. – Praguejou Sasuke indo de encontro com sua espada ao mortal pedaço de metal do inimigo.
Naruto amaldiçoou enquanto girava seu corpo e se deparava com um inglês que tinha sua lâmina ensanguentada, estendida ameaçadoramente, pronto para ataca-lo por trás.
Realmente... Odiava aos bastardos!
Parou seu ataque ao erguer sua arma sobre sua cabeça e anular o a descida do objeto cortante que vinha em sua direção.
O inglês ficou claramente surpreso por ele ter evitado o ataque e hesitou com um passo para trás.
Tolo! Nunca hesite perante um inimigo.
Em uma rápida pernada, Naruto estava face a face com o covarde, com sua fina folha de aço enfiado em seu coração.
Observou como os olhos do homem abriam instantaneamente de espanto, e logo, perdiam o foco, em seguida, sua vida. O corpo escorregou sobre sua espada até cair no chão. Naruto fez uma careta depreciativa mas logo virou seu rosto para longe do cadáver. Não mereciam sua piedade.
Um movimento perto dos galhos a sua direita o chamou-lhe a atenção. Caminhou ofensivamente com sua espada erguida até o local. Mal tinha chegado perto o suficiente e um homem havia pulado fora do pedaço de moita em que estava escondido e arrebatou-se numa corrida sem fim.
– Maldição! – Praguejou Naruto em voz alta enquanto corria pela mata atrás do homem.
Se tivesse sido um inglês qualquer a correr, o teria deixado ir, mas Naruto sabia que o homem não era nada menos do que o maldito líder dos soldados ingleses e ele nunca iria deixa-lo escapar. Merecia sofrer por toda crueldade que tinha feito ao seu povo.
O perseguiu por aproximadamente quinze minutos, aproximando-se cada vez mais significativamente do inglês. Deu-se conta que tinha se afastado muito campo de batalha, mas tinha uma ideia de onde estava. Não estava perdido.
O homem olhou para trás, sobre seus ombros, e gritou alguma ofensa que Naruto não entendeu. Não que importasse. Seu inimigo iria ser morto.
Suas pernas já estavam ficando cansadas pela dura corrida quando o homem tropeçou em algo do chão e rolou desajeitadamente tentando se levantar.
Tarde demais.
Naruto saltou por cima do homem prestes a dar a apunhalada que levaria a vida da escória, quando teve o vislumbre do sorriso vitorioso sobre os lábios do inglês.
– Mas o que...
Mal teve tempo de completar sua frase, e sentiu a aguda dor queimando, abrindo espaço em um ponto de suas costas até atravessar-lhe o peito. Caiu de lado tentando retirar o objeto que o tinha atravessado.
A dor era tanta...
Sua visão estava nublada. Conseguiu ouvir risos de dois homens enquanto um deles chutava sua cabeça e o outro, suas pernas.
Sua visão mudou.
Seus olhos eram duas finas frestas mal abertas tentando capturar o borrão de movimentos ao seu redor. Estava em um espaço que parecia ser uma sala?
Tanta dor... Sentia que a cada segundo ia se desfalecendo, que seu corpo que caía no retumbar agonizante da dor. Deus... Ia morrer?
Lembrava-se de ter sido apunhalado por trás seguido de algumas agressões ao seu corpo, depois só escuridão...
Tão escuro...
A clara sala estava escurecendo-se... O ar não era o bastante para seus pulmões e abriu a boca na fútil tentativa de conseguir mais. Sentiu uma barreira em sua garganta. Algo o impedia de respirar. Tossiu fortemente em busca de ar mas parecia em vão. Todo seu corpo convulsionava lutando contra a agonia que era a ruptura da respiração. Abriu a boca novamente, tentando puxar ar, e tossiu novamente, sentindo que algo molhado saia de sua boca.
Deus, estava morrendo. Entalado com seu próprio sangue!
– Não – Distinguiu a negativa desesperada de alguém... Uma mulher?
– Irá morrer! – Exclamou outra voz.
– Não posso deixar. – Disse a voz feminina assustada. – Tenho que fazê-lo! – Ouviu a voz tremente, cada vem mais distante.
Não conseguia mais entender as palavras que eram lançadas ao ar por essas pessoas. Só queria que malditamente se calassem. Sua cabeça estava doendo e ele estava agonizando.
Será que nem morrer direito poderia?
Mais uma vez, a cena mudou.
Naruto abriu os olhos lentamente logo percebendo que o teto sobre sua cabeça era mais escuro. Tinha morrido?
Ainda sentia um pouco de dor e algo mais além disso. Significaria algo, não? Se sentia alguma coisa, era porque ainda não estava morto, certo?
Estava deitado em algo que parecia ser um colchão de linho.
Estranhamente, parecia que ele estava atento a tudo em volta dele. Tinha a incômoda sensação que não estava mais sozinho em sua mente, em seu corpo, em sua... alma?
Que tolice. Parecia que tinha voltado dos mortos com sua mente surtada. Queria rir da ideia, mas não tinha vontade. Parecia que toda a alegria tinha sido drenada dele.
Queria esmurrar algo, bater em alguém, quebrar alguma coisa por pura frustração, mas seu corpo simplesmente não respondia a seus comandos. Parecia que estava tão débil que era até mesmo vergonhoso para um guerreiro tão forte como ele.
Tentou levantar a cabeça, para conseguir uma visão melhor do aposento em que se encontrava e foi recebido com uma infernal dor de cabeça.
Gemeu ante a torturante agonia mental que se alto infligiu com seu movimento. Mas que infernos?
– Está acordando! – Disse uma voz masculina. Reconhecia aquela voz... Quem...?
– Finalmente – Ouviu o sussurro de uma mulher.
Espera... Tinha ouvido essas mesmas vozes antes de ficar inconsciente. Tinha certeza!
Abriu a boca para perguntar quem estava ali, mas sentiu a secura que se encontrava no céu de sua boca e tragou com sede. Sua tontura não tinha diminuído o bastante e ainda via alguns borrões imprecisos quando tentava se concentrar em algum detalhe por muito tempo.
Passou sua língua pelos lábios secos desejoso de água e respirou fundo. Tinha que saber onde se encontrava e quem eram aquelas pessoas ao seu redor. Seriam inimigos ou aliados? Da última vez, tinha sido apunhalado por um inglês.
Eram inimigos então?
O que planejavam fazer com ele?
Torturá-lo?
Não iria funcionar.
Exigir informações?
Tampouco funcionaria.
Repentinamente, sentiu uma pressão sobre sua boca seguido da fria e prazerosa sensação de líquido descendo por sua garganta. A água nunca tinha parecido tão bom como naquele momento.
Engoliu-a repetidamente com desespero enquanto tentava saciar a sede descomunal e umedecer sua garganta. Parecia que não eram tão ruins assim....
Tudo ficou escuro novamente.
Quando tinha acordado de novo sua tortura mental parecia pior. A dor era tanta que chegava a ser insuportável. Não conseguia se importar pelo fato de algumas horas atrás ter estado perto da morte com a fatal ferida em seu peito, pois já não a sentia. Somente a infeliz e surda dor de sua maldita cabeça.
Abriu os olhos percebendo que ainda se encontrava no mesmo local escuro de antes. Felizmente, sua visão já tinha voltado ao normal e já não via mais os imprecisos borrões. Mas ainda assim, não conseguia mover seu corpo. Estava tão malditamente pesado!
Inútil.
A palavra veio como um estalo em sua mente. Não era mais que um sussurro de uma voz rouca e cruel que gotejava maldade. Logo que pode processar o significado da simples palavra, uma onda de calor e fúria se espalhou pelo seu corpo. Não era um maldito inútil!
Pensou ter ouvido indícios de uma gargalhada um tanto macabra em sua mente, que cada vez ficava mais baixo, até desaparecer completamente. Mas o que-
– Em ti, agora, jaz a fera despertada que habita teu ser. Teu caminho será longo e testes serão feitos por tua estrada de sangue, vingança e sofrimento. Amará a violência e terá a raiva que rivalizará com a do próprio Deus da ira.
Serás fortes o suficiente para controlar-te guerreiro? Será forte o bastante para salvar aqueles que ama? – Disse a voz feminina, tranquila e monótona ao seu lado.
Instantaneamente, seu corpo reagiu de forma bruta ante as palavras. Todo ele tremia, de forma convulsiva mas não sabia o porquê exatamente. Se antes pensava que a dor em sua cabeça era insuportável, agora era mais que isso. Parecia que iria explodir a qualquer momento. Abriu sua boca para gritar perante o sofrimento mas nenhum som saía dela. Infernos! Estava agonizando em silencio. O que essa mulher lhe tinha feito? Sentiu a picada de lágrima que saía pelo seu olho direito e corria por sua bochecha. A dor era tanta que não conseguiu evitar. Era como se mil demônios estivessem arranhando por toda sua mente com suas animalescas garras.
Somente um... Ouviu o sussurrar de algo escuro e maligno que ecoava dolorosamente por sua cabeça, seguido por rios de gargalhadas cruéis e falsas.
Não conseguiu dar atenção para peça que sua cabeça estava lhe pregando. Todo seu corpo parecia em chamas! O que estava acontecendo?
Forçou sua cabeça a cair de lado e pôde visualizar por alguns momentos a cascada de cabelos ruivos da mulher ao seu lado e seus olhos azul escuro.
– Quem... – Gemeu entre dolorosos ofegos pesados.
Distinguiu o sorriso alegre e culpado da mulher e o modo como seus olhos fechavam ante a demonstração. Era muito bonita... Mesmo parecendo ter mais idade que ele.
– E assim... – continuou ela — permanecerá, até que encontre sua salvação e a morte pela sua absorção.
Completou, enquanto Naruto sentia seu corpo sendo levado pela escuridão e enviado para uma espiral de mais sofrimento e dor.
Despertou com um pulo dolorido de sua cama com rápidas respirações irregulares somente para dar-se conta, um segundo mais tarde, que havia alguém com ele. Girou a cabeça em direção ao intruso de seu quarto, com cuidado para não mexer sua perna que pinicava dolorosamente. Encontrou temerosos e hesitantes olhos de uma mulher que o observava com uma fresta de sua boca aberta. Não era jovem, mas não tão velha. Ela segurava um bocado de folhas e uma tigela com o que parecia ser água. Suas roupas eram comuns do povoado do castelo. Naruto apertou o olhar em sua direção e a mulher tremeu voltando um passo para trás, afastando-se dele.
Naruto direcionou o olhar para a estranha sensação de frio em sua perna ferida e logo deu-se conta do que estava acontecendo ali. Toda a região infectada estava completamente lavada e com rastros de algumas folhas.
Maldito Sasuke! Iria degolá-lo quando o visse!
Olhou para a mulher com todo ódio que não podia restringir dentro de si. Provavelmente iria matar a maldita mulher que se atreveu a tocá-lo.
Sentou-se em sua cama bruscamente e olhou para a curandeira que tinha dado mais um passo pra longe. Estava a não mais que três passos dele, assim, poderia levantar e envolver sua mão pelo fino pescoço dela e torcê-lo. Seria tão fácil.
Hum... Seria agradável de se ver.
Sentiu o ligeiro sorriso de antecipação brotar de deus lábios. Nunca tinha matado uma curandeira antes, seria sua primeira vez. Como seria ver o sangue da mulher correr pelos seus dedos enquanto sua alma morria para esse mundo?
Jogou sua perna direita para fora da cama e sua perna esquerda em seguida com ajuda de seus braços. Ignorou a pontada muda de dor que queimava em sua perna durante todo o processo. Ela estava três vezes o seu tamanho normal. Provavelmente iria perdê-la.
Deu um passo desajeitado em direção a mulher que tinha se afastado mais dois passos. O sorriso em seu rosto tinha aumentado mais, só que de uma forma bestial e perversa.
A curandeira arregalou seus olhos quando percebeu o que ele iria fazer e congelou-se no lugar.
Medo...
Sentia o puro e extasiante cheiro do medo. O mal nele se revirava em sua cabeça e seu corpo pedindo por um pouco de carnificina e violência, coisas que Naruto estava pronto para dar.
Com mais um passo... Estaria perto o bastante para apunhala-la se tivesse alguma arma. Mas não a tinha.
O que pedia...
Mais um passo...
Irei matá-la. Pensou categoricamente, sem dar muita importância.
Oh sim... Matar...
Como a bruxa da cachoeira.
O pensamento da morte da bruxa esfriou todo seu ser e sua determinação. Era como se tivessem jogado um balde de água fria em suas furiosas e agressivas emoções só com o simples pensamento daqueles olhos perolados e o momento em que tinha caído da cachoeira.
Maldição! Tinha até mesmo tentado ajudá-la! Esse fato era algo que não entendia e não estava disposto a pensar sobre isso. A mulher era um ser maligno! Não deveria ter tentado salvá-la. Nem mesmo se tivesse sido por pena!
Podia dizer isso milhares de vezes para si mesmo e saberia que que estaria mentindo. Não tentou salva-la por pena. Longe disso. Simplesmente, achava certo salvá-la. Porque... Era um anjo... não era?
Por todos os santos! Não era um anjo. Bruxa! Sim, uma bruxa! Não anjo.
Mas era tão malditamente celestial.
Oh, infernos! Do que estou falando?
Estava delirando? Provavelmente. Sentia todo seu corpo tremente de frio mas sabia que devia estar quente como uma brasa pela febre.
Ouviu a respiração pesada da mulher a sua frente e percebeu que tinha se esquecido dela. Estranhamente, não sentia mais a férrea vontade de matá-la. Sabia que se o fizesse, prosseguiria todo o processo se lembrando da bruxa que tinha morrido na cachoeira e isso o enjoava.
– Parte. – Disse para a mulher em tom ameaçador.
– Mas meu senhor... Lorde Uchiha mandou-me...
– Parte daqui ou morre. – Grunhiu frustrado dando um passo ameaçador em sua direção.
A curandeira pulou assustada mas não perdeu tempo. Girou rapidamente sobre seus pés e correu para fora do quarto.
Naruto viu o momento em que ela tinha finalmente deixado o aposento e respirou profundamente aliviado.
Virou seu corpo para a cama e caminhou torpemente em sua direção. Apoiou em seus braços enquanto sentava dolorosamente sobre o local onde dormia, observando sua perna. Tinha tentado ignorar a dor mas era muito para passar despercebida. Podia ver a cor amarelada do profundo rasgo de sua perna envolto pela irritante camada de sangue que saia da ferida. Sabia que se não deixasse que uma curandeira o cuidasse, provavelmente iria morrer pela infecção. Só que a mera ideia de uma mulher tocar seu corpo novamente quando estava tão debilitado o aterrava e enfurecia. Mesmo que essa mulher fosse de seu povoado.
Nunca mais iria ficar tão vulnerável como tinha ficado da última vez como em seu maldito sonho, que não era nada mais do que tinha realmente acontecido naquela noite de inverno em que foi amaldiçoado pela bruxa inglesa.
*****
O barulho das cigarras e dos pássaros noturnos a despertaram de sua inconsciência dormente.
Hinata abriu seus olhos hesitantemente ao contemplar uma confusão de folhas que se perdiam no céu quase abóbora ameaçado pela escuridão da noite. Era tão bonito...
As árvores pareciam tocar o infinito a cima e era digno de inveja. Levantou uma de suas mãos tentando tocar ao céu também, mas percebeu que era inútil. Era tudo tão verde e vivo. O cheiro do lugar era maravilhosamente puro, não era o ar infestado de poluição das cidades grandes.
Que lugar tão maravilhoso era aquele?
Logo que a pergunta apareceu em sua mente, as respostas vieram em seguida como um monte de tapas.
Oh não... Ainda estava presa naquela floresta maluca!
Sentou-se abruptamente e olhou para os lados, pesquisando o lugar onde estava.
Parecia ter voltado ao local onde tinha encontrado Konohamaru ferido entre a moita.
Estranho... A última coisa que se lembrava era de ter caído da cachoeira. Não deveria estar morta?
Fez uma careta diante das possibilidades. Ela definitivamente, deveria ter morrido na queda.
Oh, cara. Estava tudo tão fudidamente confuso! Será que tinha ficado maluca?
Pôs suas palmas no chão e aplicou um bocado de força para levantar. Testou o equilíbrio de suas pernas alongando-as perto de si. Não parecia ter nada quebrado. Impossível! A queda, no mínimo, teria quebrado uma perna dela!
Sabia que não tinha estado sonhando. Sua roupa ainda estava molhada, grudada ao corpo e sentia uma incômoda ardência nas em seus joelhos.
Levantou as pernas de sua alça até o um pouco abaixo da coxa, e xingou internamente quando percebeu vários arranhões ali.
Respirou profundamente se perguntando qual seria seu próximo passo.
Pelo visto, tinha conseguido fugir do loiro bonito. Não sabia como, mas felizmente o tinha feito.
Sentiu que seu estômago protestava por atenção e por um momento esqueceu-se de tudo. Estava tão faminta! Tinha que procurar alguma coisa para comer. E como já estava ficando de noite, seria bem mais difícil de encontrar alguma fruta.
Olhou pelo chão e soltou um gritinho de alegria e alívio quando viu sua bolsa ali. Tinha certeza que tinha alguma coisa para comer ali dentro.
Rezava para que tivesse, pelo menos.
Agachou ao seu lado e surpreendeu-se ao encontrar um tipo de... adaga? Em cima da bolsa. Que estranho. Deveria ser de Konohamaru.
Estava com tanta fome que esqueceu-se momentaneamente da lâmina.
Infiltrou sua mão na bolsa revirando-a por completo a procura de algum alimento. Sua barriga grunhia furiosamente implorando por atenção e ela já estava a ponto de gritar. Quase chorou de alívio quando sentiu que tinha encontrado duas barrinhas de cereais. Desempacotou-as o mais rápido que pôde, e enfiou-as goela a baixo. Uma por uma, com lentas e apreciativas mastigadas. As barrinhas sem gosto nunca tinham parecido mais gostosas.
Sentou-se no chão depois de comer o mísero alimento que agora sustentava seu estômago. Ainda tinha muita fome. Mas agora estava suportável.
Olhou para o céu, percebendo que sua cor acobreada estava escurecendo, dando indício da noite. Arrepiou-se ligeiramente, sentido os pelos de sua nuca eriçarem. Não era muito fã da noite. Principalmente pelo fato de estar perdida em um floresta.
Gemeu depressivamente colocando seus cabelos para trás.
Não gostava da ideia de estar perdida!
Puxou a alça de sua bolsa contra seu peito e levantou-se do chão. Não iria ficar naquele lugar nem ferrando! Tinha que encontrar o inferno de uma estrada e pedir carona.
Sim. Esse era um bom plano!
Começou a caminhar rapidamente entre os galhos e arvores que cada vez fechavam mais com a mata ao seu redor. Não tinha muita escolha. Não andava com uma bendita bússola para poder se orientar. Não que tivesse alguma ideia de por onde ir. Nem mesmo sabia onde estava!
Algo em sua mente estava indicando que não era bem essa a questão. Mas como não seria? Se soubesse onde se encontrava, poderia voltar para casa!
Mesmo estando em outro ano, retardada? O infeliz pensamento veio de sua vadia.
Não estava em outro ano! Era ridículo, impossível, inconcebível, inadimi-
Ah cala a boca! Disse para si mesma. Tinha a impressão de que se continuasse se questionando sobre isso iria surtar. Mas... O livro tinha mostrado algo antes dela para nesse inferno de lugar, não é? Estava escrito lá.
“1578 – Escócia. Highlander’s” e “Boa sorte”
Oh Deus... Será que... Não. Definitivamente não!
A única explicação é que estavam fazendo algum tipo de piada sem graça com ela.
Com esse pensamento, andou por toda a noite, ignorando as súplicas de seus pés descalços que provavelmente estavam esfolados. Não podia parar. Se continuasse andando reto, poderia chegar a algum lugar. Não é?
Se dormisse, poderia se confundir de direção ao despertar e andar em círculos. Não era uma opção. Tinha que sair daquela maldita floresta. Daqui a pouco a fome ficaria insuportável novamente, incrementando-se com a sede horrenda que estava sentindo.
Não soube por quanto tempo andou, mas soube que tinha andado o bastante quando o céu ficava menos escuro a cara minuto que se passava. Estava amanhecendo novamente.
Sem parar de andar, abriu sua bolsa e agarrou ao celular comprovando a hora.
6:50AM
Respirou fundo e pensou em se sentar por um momento. Estava tão cansada. Seus pés estavam imundos, empapados com lama e sujeira e suas roupas já haviam secado em seu corpo. Provavelmente iria pegar um resfriado.
Olhou novamente para o visor do celular na esperança de haver alguma área de serviço, mas rapidamente o sentimento foi esmagado pelas infelizes letras de: “Sem área de cobertura”
Devolveu o celular para sua bolsa, aflita e derrotada. Estava tão sedenta! Podia até mesmo ouvir o barulho do salpicar de água e risinhos distantes.
Riu sem vontade. Definitivamente, estava ficando maluca. Era incrível o que algumas horas sem água podiam fazer com sua mente.
Exceto que... O som dos risos e da água não diminuíram e sim aumentavam a cada passo que ela dava.
Hinata acelerou seus passos em direção ao som. Será mesmo que tinha encontrado água? Que Deus queira.
Também pediria ajuda para quem estivesse lá no lago.
Enfiou-se entre dois ramos de uma árvore e visualizou a fonte das vozes e do som.
– Graças a Deus. – Disse entre seus lábios secos ao perceber o extenso rio cristalino a sua frente.
Não pensou duas vezes. Correu desesperadamente para a água, esquivando-se de algumas árvores e entrando no lugar mais aberto onde ficava o rio. Caiu de joelhos e jogou suas mãos desajeitadamente dentro da água corrente. Limpou-as tão rápido como pôde em seguida juntou-as em forma de concha as enchendo e água. Levou cinco viagens da água cristalina do rio até sua boca até estar completamente saciada.
– É uma mulher! – Ouviu o grito incrédulo de uma criança.
– Com roupa de homem! – Exclamou outra voz infantil.
Pulou levemente pelo susto e olhou para a origem do som.
Duas crianças com não mais de sete anos pairavam a beira do lago, cada um com algo que parecia ser pedaços de pau um em cada mão.
Os dois garotos olharam diretamente para ela e arregalaram os olhos. Meio segundo depois, estavam gritando e correndo assustados, como se tivessem visto a visão do capeta, afastando-se dela e entrando em um atalho.
Mas que merda? Não era tão feia assim!
Olhou seu reflexo na água e levou um susto quando percebeu seus olhos totalmente borrado pelo rímel. Parecia o Monstro do Lago Ness! Não era à toa que as crianças tinham corrido dela. Xingou alto e levou suas mãos ao rio novamente jogando água no rosto, limpando o suor e a sujeira que havia nele, só fazendo borrar mais o rímel. Jogou água em seus olhos mais algumas vezes e os esfregou incansavelmente, até que toda a região estivesse avermelhada mas completamente livre da mancha negra de rímel.
Respirou profundamente e sentou-se no chão com os olhos fechados. Queria tanto uma cama. Mas não podia dormir. Não agora, que tinha encontrado duas almas vivas no meio da floresta.
Agarrou sua bolsa e seguiu a direção que as crianças tomaram. Andou durante alguns minutos somente seguindo a direção do atalho, pensando que não iria ter fim. Finalmente, depois de trinta minutos, conseguia ouvir vozes e mais vozes próximos dela. Hinata respirou mais uma vez profundamente e com mais alguns passos, estava em perto o bastante para distinguir um tipo de cabana feita de madeira. Avançou andando mais rápido afoitamente em direção a casinha. Tinha chegado perto o suficiente para ouvir as vozes das crianças de dento do local.
– É verdade pai! – Exclamou um menino com a voz assustada. – Era uma bruxa!
–Sim, sim! – Disse a outra criança. – Vimos seus olhos! Eram podres de tão negro! – Argumentou o outro.
– Por Deus. – Disse a voz de um mulher assustada. – Tem ideia do perigo ao qual estavam expostos! – Sussurrou a voz feminina.
– Vou atrás dela! – Disse uma voz mais grossa. A que parecia ser a do pai.
– Pelo amor de Deus, não vai sair daqui! – Respondeu a voz da mulher, elevando sua voz em tom autoritário.
Mas que merda? Achavam que ela era uma bruxa?
Cerrou seus dentes em irritação. Malditos. Ela não era tão feia!
Se batesse na porta deles pedindo ajuda, provavelmente, as crianças iriam reconhece-la.
Dado que não fazia nem a mínima ideia de onde estava e com que tipo de gente louca estava lindando, a melhor coisa a ser fazer era sair dali.
Começou a afastar-se da cabana quando tropeçou em um pedaço de pano. Agarrou ao trapo pronto para jogá-lo de lado, quando percebeu que era uma roupa. Parecia com algum tipo de vestido sem graça meio marrom. Pensou melhor e reconsiderou em jogá-lo de lado. Voltou para a cabana e olhou cuidadosamente pela janela. Conseguiu o vislumbre da mulher e de sua roupa. Parecia com o tecido que ela tinha pego no chão.
O que as crianças tinham dito? “Uma mulher! Com roupa de homem!”
Bufou com a frase. Estava num lugar totalmente louco e não queria chamar atenção pra ela. Pelo visto, teria que vestir aquela coisa.
Afastou-se da cabana e entrou na mata de modo que ocultasse seu corpo enquanto colocava a roupa por cima da sua.
O vestido, ou o que parecia ser aquele trapo, coube perfeitamente em toda sua extensão do corpo, cobrindo seus pés descalços e ajustando-se aos seus seios. Não tinha decote, o que era consideravelmente bom.
Voltou para a cabana e começou a procurar algo para pôr nos pés. Não era nenhuma ladra. Longe disso. Mas seus pés clamavam por um pouco de piedade que ela estava mais que feliz em dar. Alguns segundos depois, encontrou um par se sapatilhas de pano bege perto da porta. Agarrou ao calçado e afastou-se novamente da cabana ouvindo um pouco assustada enquanto a porta se abria e quando o homem saía dela.
– Tome cuidado. – Disse a voz preocupada da mulher.
– Terei — Respondeu o homem, dando-lhe um suave beijo nos lábios em despedida e afastando-se da cabana.
A mulher que aparentava ter uns trinta e todos, olhou para os lados, ao redor de sua cabana e fechou a porta receosamente.
Hinata colocou rapidamente as sapatilhas em seus pés, somente registrando que tinham ficado um pouco largas.
Seguiu ao homem ocultando-se na floresta enquanto ele, depois de um tempo andando, chegou ao que parecia ser um povoado.
Não poderia mais segui-lo pela floresta. A mata já havia terminado.
Aguardou mais alguns instantes pensando no que iria fazer. Tinha que saber onde estava e as respostas não iriam cair do céu. Teria que questionar uma daquelas pessoas por informações. Inspirou o ar lentamente e acalmou as batidas do seu coração. Ainda oculta pela mata, olhou algumas mulheres que tinham roupas estranhas como as dela nesse momento. Isso era bom, certo? Observou que os cabelos de cada uma estava amarrado em sua cabeça, sem exibir muito ao público. Hinata rapidamente fez um nó em seus longos cabelos também. Não queria de forma alguma chamar atenção.
Sua barriga roncou emitindo o claro aviso de que ela estava vazia
Tinha tanta fome!
Mordeu o lábio inferior para aplacar o gemido que brotava em sua garganta.
Tinha que conseguir algo para comer!
Saiu da mata dois minutos mais tarde, decidida a encontrar alguém que pudesse lhe dar algo que a alimentasse e que a ajudasse a voltar pra sua casa. Levantou o queixo confiante que alguma coisa boa iria acontecer. Pensamento positivo atraia resultados positivos, certo?
Errado.
Comprovou isso em sua terceira passada de quando saia da floresta e se deparava com o afiado aço mortal direcionado perigosamente pra sua garganta. Hinata engoliu seco e olhou a pessoa, ou Deus, que carregava a arma.
– Quem é você? – Perguntou a voz do homem a sua frente.
Oh... Eu quero... Pensou sua vadia interior que estava malditamente de boca aberta.
A histeria estava a ponto de explodir em sua cabeça.
O homem ia vestido de preto, com algo parecido com uma túnica escura com alguns bordados detalhados e calças de couro negra.
Queria rir. Muito. Gargalhar até. Tinha acabado de salvar seu rabo de um loiro muito malditamente sexy, e agora, se deparava com um moreno tão alto e lindamente grande e cheios de músculos.
Tão mau...Tão adorável.
E que segurava sua vida por um fio de sua espada.
Queria chorar. Por que a vida era tão injusta?
Deus, você é um belo de um sacana! Como é que você pode fazer isso comigo?
O que ele tinha perguntado mesmo? Ah sim. Quem eu sou.
– Oh... uh... Hinata. – Disse movendo somente sua boca, com muito cuidado para que não se cortasse em sua lâmina.
– Hinata... – Disse o homem moreno, de olhos negros. – O que estava fazendo na floresta? – Perguntou em tom ameaçador.
Cara... tão... cara... uh...
Vou morreeeer... Cantarolou mentalmente.
Calma Hina! Não pira! Disse pra si mesma.
Minta. Indagou sua puta mental enquanto passava um batom rosa bebê e soltava os cabelos.
Mas, pelo amor de Deus, e se ele descobrir? Questionou-se.
Aí, morremos. Disse a muito cadela, despreocupada.
Desgraça! Não quero morrer. E se eu morrer, você vem junto idiota! Nada de homens em nossas vidas! Nada de sexo! Está feliz com isso?
A safada somente fiz um biquinho depreciativo e sentou em um canto de sua mente.
– E então? – Questionou o homem ameaçadoramente.
– Eh... eu... procurava... hum... – Gaguejava estupidamente. O homem estava ficando impaciente. – Plantas! – Disse por fim.
Plantas? É sério? Gemeu mentalmente por sua idiotice. Com certeza iria morrer.
O enorme homem abriu os olhos em pratos, como se tivesse entendido algo que Hinata não sabia.
Oh cara, ia morrer!
Fechou os olhos fortemente e esperou pela dor e o estrago que a espada iria causar em sua garganta.
– Graças aos céus! – Respondeu o homem.
Hinata abriu os olhos e surpreendeu-se ao perceber que a espada não estava mais apontada para ela, e sim, que o homem a colocava de volta na bainha.
Mas, hein?
– O que...
– É curandeira, certo? E estava procurando suas ervas? – Questionou o homem em expectativa. Dava para sentir sua tensão de longe.
Hinata sabia que tinha duas escolhas:
Na primeira, ela confirmava que era uma “curandeira” (quem diabos ainda usava essa palavra?) e possivelmente ficasse viva por tempo o suficiente para fugir desse bando de doidos gostosos e ir para o conforto de seu apartamento. Possivelmente teria que curar alguém, mas ela não chegaria a tanto. Diria que teria que comer e depois fugiria.
A segunda opção, era dizer que não era. Ele iria questioná-la incansavelmente até que descobrisse que ela não era dali. Provavelmente a matasse também. Dependeria do seu grau de loucura.
A escolha era óbvia. Ainda era muito nova pra morrer.
– É. É claro, curandeira. Isso mesmo. – Balbuciou enquanto concordava energeticamente com a cabeça.
Que todos os santos a ajudassem. Graças à Deus que passava horas e horas de suas infelizes insônias assistindo House M.D e Tv Cultura.
Notas finais
Vamos vamos! Não se contenham, me digam tudo o que pensam! xD
Acreditem, comentários fazem a diferença! xD
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