Vestido Da Sorte

15 O vestido de noiva.


Notas iniciais
Acreditem ou não, mas isso aqui não é uma miragem. Eu estou de volta! Sim, depois de dois meses sem atualizar, eu estou de volta E inspirada para escrever Vestido da Sorte. Eu poderia escrever um texto gigante explicando os motivos de meu sumiço, mas isso tomaria tempo e ficaria chato, basta saber que eu estava sem tempo e sem insipiração para VS, e que hoje, por mágica, voltou tudo e novas ideias começaram a surgir em minha mente. Well, não é o melhor capítulo da fanfic, mas eu gosto dele e gosto do próximo também. Eu apenas desejo: Boa leitura!

14. O vestido de noiva.

Acordei assim que meu despertador tocou.

Era sábado e eu tinha várias coisas a serem feitas, e isso incluía Sophia e seus ataques de noiva diários, já que com o casamento se aproximando cada vez mais, minha amiga começou a ficar cada vez mais estressada e isso me deixava estressada, porque eu gostaria que tudo saísse perfeito para o seu grande dia.

Quando fico pronta para mais um dia de final de inverno, com a primavera se aproximando e o gelo começando a derreter lentamente. Minha casa estava começando a entrar no clima da estação, ou seja, ela não estava tão fria quanto antes – o que eu agradecia aos deuses. Então pego meu celular e vejo que minha caixa de mensagens estava cheia com mensagens de Sophia. Olho ao relógio e constato que eu estava dentro do horário estipulado por ela, tanto nas horas, minutos e segundos. Pelo jeito minha amiga havia começado o dia brigando com todos, e eu só queria ver como ela ficaria assim que entrasse na costureira.

Sim, hoje era o dia da grande prova e minha amiga devia estar mais apavorada do que normalmente fica. Acho que toda mulher, quando se veste como noiva, sente aquele medo e insegurança, pelo menos sempre era assim quando eu ia para casamentos na minha vida antiga. E, se Sophia começasse a passar por mais uma crise existencial, como na oitava série, eu estaria aqui para ajuda-la.

Guardei meu celular em minha bolsa que logo joguei em meu ombro e peguei as chaves do meu apartamento e sai de casa. Chamei um táxi – o que demorou uns bons dez minutos – e entreguei o endereço da costureira onde minha melhor amiga estaria batendo o pé com o meu atraso, mesmo eu não estando atrasada.

Assim que cheguei ao local certo, pago o taxista e entro no grande ateliê onde a senhora Heckman trabalhava. Eu já havia estado ali uma ou duas vezes quando era menor, mas ainda assim, surpreendia-me com o tamanho do lugar. Ele era todo branco desde a entrada até o interior, de uma forma estranha, quase que errada. Assim que entrei no cômodo, onde Sophia deveria estar, encontrei vários manequins vestindo roupas de noivas e dava a impressão que ali estava um bando de noivas mortas.

– Madalene Gregory, você está atrasada! – Escuto a voz estridente de minha amiga atravessar o salão e logo em seguida escuto seus saltos batendo contra o chão enquanto via em minha direção.

– Bom dia! – Desejo ignorando sua irritação costumeira de uns tempos para cá.

– Bom dia Mada, bom dia. – Responde puxando-me para um abraço. – Mas ainda está atrasada dois minutos, e três segundos.

– Menos Sophia, bem menos. – Sussurro em seu ouvido antes de separar o nosso abraço. – E onde está o seu vestido de noiva? – Indago no mesmo momento em que minha amiga começa a me guiar pela sala.

– Eu estava te esperando para poder experimenta-lo! – Confirma sorrindo. – A senhora Heckman fez uma grande mágica, ele está lindo Mada, simplesmente lindo! – Minha amiga diz com encanto nos olhos.

– Sua amiga está bem animada para experimentar o vestido. – Escuto a senhora Heckman dizer segurando o vestido em suas mãos. – Acho que é uma das poucas noivas que ficam realmente empolgadas com isso, normalmente elas têm muitos medos e começam a chorar. – Diz.

– Sophia espera por esse vestido desde criança. – Informo sorrindo para a velhinha de cabelos brancos, mas com um estilo para poucos. – Eu estou surpresa por ela ainda não ter soltado fogos de artificia.

– Posso já provar o vestido? – Sophia indaga parecendo uma criança que quer brincar com o seu brinquedo novo.

– Já pode sim Sophia, venha. – A senhora Heckman afirmou guiando minha amiga até um dos provadores.

Olho para os lados e avisto um pufe e logo me instalo nele. Pego meu celular e vejo minhas mensagens, apagando aquelas que eram apenas histerias de Sophia, ou seja, noventa e cinco por cento delas. Os outros cincos por cento estavam dividas entre meu irmão e George. Não havia nenhuma de meus pais e nem de Noah.

E isso me deprimiu, apenas um pouquinho.

Não falava com meus pais desde a carta e não falava com Noah há uma semana. Não tinha pretensões de falar com meus pais, pelo menos por enquanto. Seria uma briga na certa e eu não estava preparada para ser julgada mais uma vez por minha mãe e ser alvo de suas acusações, por vezes, verdadeiras. Já, quanto ao Noah, não falava com ele desde que havia conhecido Kim. Na verdade, no outro dia ele havia desaparecido da cidade assim como Kimberley e não tinha retornado nenhuma de minhas – milhares – ligações ou mensagens ou e-mails.

Eu sabia que Noah não tinha nenhuma obrigação de falar comigo, mas ainda assim, acho que seria educado dizer que ele estava bem pelo menos. Eu sabia que minha relação com Noah não passava de alguns beijos e de algumas saídas e que não tínhamos compromissos um com o outro, mas ainda assim, uma parte de mim queria que ele respondesse minhas ligações, que desse sinal de vida. Já outra parte me chamava de idiota por estar me importando com ele, o cara que eu mal conhecia e que parecia tão errado de uma maneira certa.

Eu pesquisei sobre ele na internet e poucas coisas foram encontradas. Sei que ele é filho de um famoso fazendeiro e só. É a única coisa que afirma, com todas as letras, sobre a vida do homem misterioso. E isso me deixava apreensiva. Havia contrato a melhor investigadora de internet que eu conhecia, ou seja, Sophia e nem ela havia descoberto muita coisa. Era como se o cara não vivesse na era digital, que não publicasse nada no facebook e que não tinha nem twitter.

– Como estou? – Escuto Sophia indagar chamando minha atenção para ela.

Tinha a consciência de que minha boca havia aberto por conta própria ao olhar para minha melhor amiga vestida daquele jeito. Ela, percebendo minha expressão, ficou vermelha e passou a mão pelos seus cabelos nervosamente.

Seu vestido não poderia ser mais perfeito e que combinasse tanto com a minha amiga. O tecido era a cor tradicional: branco, porque Sophia só aceitava se casar com essa cor e achava um desaforo outras que quisessem se casar com azul ou rosa e ai daquelas que se casam de pretos e roxos. Até o busto de minha amiga e as mangas eram de rendas com um tecido transparente por baixo, assim que acabavam as rendas começava o vestido em si, com o tecido branco justo descendo até pouco acima do joelho, essa parte era bem justa que demarcava suas curvas e havia várias rendas enfeitando o tecido. Abaixo, o vestido abria-se em uma grande cauda e era solto e possibilitava os seus movimentos. A cauda tocava o chão e se arrastava por ele causando aquele impacto de noiva mesmo. As costas eram abertas e o tecido branco começava um palmo a cima de sua cintura, e a renda que tinha na parte de cima de seu vestido estava presente nas costas também, só que apenas em uma linha fina ligando uma manga na outra.

– Você está tão magnifica! – Afirmo levantando-me do pufe e indo até ela. – Ai meu Deus, você é a noiva mais linda que eu já vi na minha vida!

– Vai me fazer chorar. – Sophia afirma sorrindo enquanto seus olhos estavam começando a ficar marejados por causa das lágrimas. – Eu quero me ver nesse vestido. – Afirma virando-se para a senhora Heckman que a acompanha até uma área que estava disposta três grandes espelhos.

Minha amiga subiu no pequeno palco circular e eu ajudei à senhora Heckman arrumar o seu vestido para ela poder se contemplar. Assim que Sophia viu-se por completo no espelho, começou a sorrir e chorar ao mesmo tempo. E eu, não aguentei e comecei a chorar junto com ela.

De fininho, a senhora Heckman nos deixa só. Ela devia estar acostumada com choros em seu ateliê, ainda mais quando eram de alegria. Porque sim, eu estava chorando de felicidade pela minha melhor amiga. Ela ia se casar, ia construir uma vida o lado do homem de sua vida, ia ter filhos e seria feliz para sempre e isso bastava para me fazer chorar.

– Mada. – Chamou sua voz embargada por causa de suas lágrimas. – O que eu estou fazendo da minha vida? – Indaga e eu a olho sem entender. – Eu vou me casar Madalene, eu vou ser esposa. – Diz virando seu rosto para o espelho e se olhando nele. – Sabe aquele frio na barriga que temos quando damos o nosso primeiro beijo? – Pergunta ainda olhando o seu reflexo no espelho. – Eu sinto como se estivesse naquele maldito momento, com as borboletas se debatendo uma com a outra sem parar, como se tudo fosse pela primeira vez novamente.

– E isso não é bom? – Questiono passando minha mão pelas minhas bochechas tentando parar com minhas lágrimas.

– Eu não tenho mais tanta certeza. – Conclui virando-se para mim e ameaçando desabar a chorar mais uma vez. – Não tenho mais certeza de nada Mada.

Eu aproximo-me dela e a abraço o mais forte possível.

Eu tinha um vago conhecimento sobre isso, mas acho que a insegurança de Sophia era normal. Afinal, quem está preparado para assumir um compromisso como aquele? Quem nasceu pronto para embarcar em uma montanha russa e seus altos e baixos? Porém, eu não estava na situação que minha melhor amiga se encontrava e eu não tinha certeza do que falar.

Devia conforta-la? Devia dizer que tudo daria certo? Devia falar o que?

Permaneci calada e abracei tentando dizer tudo o que eu queria com aquele único toque. Sophia sempre tinha o dom de adivinhar as palavras dos outros, ela sempre entendia os olhares e toque das demais pessoas, ainda mais vindo de mim que nem sempre fui boa com as palavras. Eu queria que Sophia entendesse que eu estaria com ela por toda sua vida, que estaria pronta para bater no meu próprio irmão, que estaria ali para o que desse e viesse e para ela não ter medo com o novo inicio de sua vida.

E acho que funcionou.

Aos poucos Sophia foi se acalmando até parar de soluçar. E assim que separou nosso abraço, ela me olhou com o rímel borrado e com um sorriso tremulo em seus lábios agradecendo com seus olhos por eu estar ali.

Parece um pouco dramático ou até mesmo um pouco surreal narrar isso. Mas é a pura verdade. Há certas coisas e certas amizades que não se precisa dizer nenhuma palavra, basta sentir. E, estar com minha melhor amiga enquanto ela vestia um vestido deslumbrante e que marcaria o inicio de uma nova fase de sua vida, não tinha preço ou palavras para descrever.

– Você está linda, até com o seu rímel manchado. – Falo dando uma risada nasal e passando minhas mãos por suas bochechas na tentativa de limpa-los.

– Terei que usar rímel a prova d’água no meu casamento, porque desse jeito, eu gastarei um tubo só de rímel toda vez que eu chorar. – Sophia constata e desce do palco redondo e olhando pela última vez no espelho. – Esse é o meu vestido ideal, sem dúvida alguma. – Afirma e depois olha para mim. – E obrigada por estar aqui comigo.

– Eu me mataria se não estivesse nesse momento. – Afirmo rindo.

O resto do dia passou normal. Eu e Sophia acabamos indo e vindo de vários lugares da cidade para confirmar alguns detalhes como DJ, salgadinhos e bolos. Passamos boa parte da tarde provando bolos e doces para a festa que eu não conseguia comer mais nada, mas quando apareceram às bolinhas de queijo, eu arrumei espaço e devorei todos, porque ninguém renega bolinhas de queijo!

Cheguei à minha casa por volta de oito horas da noite com três sacolas diferentes cheia de roupas, um bolo de chocolate que foi cortesia da doceira com a promessa de voltamos lá sempre e com meu telefone apitando o tempo todo. Deixei minhas compras em cima do meu sofá, o bolo em cima da mesa de canto da sala e peguei meu celular, um pouco irritada com a pessoa que não parava de me ligar. Assim que atendi ao telefone, pronta para colocar os cachorros em cima e manda-lo ser mais educado, escuto a voz de Noah.

– Está ocupada? – É a primeira coisa que Noah diz.

– Noah. – Chamo seu nome, um pouco surpreendida. – Por onde esteve?

– Madalene, concentre-se na pergunta. – Pede em um tom impaciente. – Você está ocupada nesse momento?

– Não, aconteceu alguma coisa? – Pergunto me assustando com o tom ríspido e urgente de Noah.

– Hm, eu preciso que venha até minha casa, e que faça um grande favor para mim. – Pede abaixando o seu tom de voz, quase se transformando em sussurro. – Eu meio que menti dizendo que tinha uma namorada e agora, preciso que você finja que é a minha querida namorada.

– Para quem você disse isso Noah? – Pergunto incerta de como deveria agir.

– Tenho que ir, e não me deixe na mão. – Noah pede antes de desligar.

Bloqueio o celular e fico olhando para o nada absorvendo o que Noah acabou de dizer. A única coisa que eu tinha certeza é que iria para a casa dele e descobriria o que estava acontecendo e torceria para não me meter em mais confusões.

Notas finais
Então, o que acharam? Eu disse que o capítulo não estava lá essas coisas, mas eu gosto dele e estava contando os segundos para escrevê-lo. O próximo capítulo está todo esquematizado em minha mente e só falta digita-lo (o que farei esse fim de semana) então o capítulo deve vir nesse fim de semana, ou no comecinho da semana. Em todo o caso, peço que me ajudem a melhorar VS, porque sinto que me perdi na história e quero ter o controle novamente dela. Deixem suas opiniões e sejam legais. E, mais uma vez, desculpem pela minha enorme demora! Beijos.