Vestido Da Sorte
4 Meu vizinho é o Conde Drácula.
Notas iniciais
Boa Leitura e qualquer erro, me avise.
4. Meu Vizinho é o Conde Drácula
– Cheguei! — Grito ao entrar em casa.
Não escuto ninguém responder e fecho a porta. Estava sozinha em casa, o que eu queria naquele exato momento. Havia recém saído da casa de Sophia depois de uma tarde trabalhosa andando para cima e para baixo a fim de satisfazer todos os desejos da princesinha. Tudo o que eu queria naquele momento era uma cama quentinha.
Largo minhas chaves em cima da mesa do corredor e subo as escadas. Ando até meu quarto e largo minha bolsa em cima da cama. Chamo por alguém em casa, e constato que não há ninguém mesmo. Enquanto procurava por uma roupa, meus pensamentos voam para hoje cedo.
Aquele homem, Noah, havia me deixado bastante curiosa para saber sobre ele. Não é todo o dia em que um cara aparece na sua vida duas vezes de maneiras bem diferentes, se houvesse uma terceira vez, ia começar acreditar naquela coisa de "Probabilidade Estática do Amor à Primeira Vista"*, mesmo sabendo que é totalmente improvavel. Mas havia algo nele que eu não sabia explicar, era como se eu o conhecesse, mas as lembraças haviam sido apagadas de minha mente. É algo como um dejavu, só que completamente diferente. Em todo o caso, eu sentia como se já conhecesse e fosse conhecer novamente Cavalcanti.
Afasto meus pensamentos rapidamente ao ouvir um barulho vindo do andar de baixo. Largo a roupa que estava segurando em cima da cama e desço as escadas cuidadosamente. Ao chegar no fim dos degraus chamo:
– Mãe?
Não escuto nenhuma resposta.
Fico parada atenta a qualquer barulho, mas havia cessado totalmente. Deixei minha mente acreditar na hipotese de ter sido apenas o vento, ou um gato procurando comida. Mas as cenas de filmes de terror que havia visto essa semana ainda rondavam minha mente.
Dei um passo para subir a escada novamente e o mesmo barulho se repetiu. Revirei os olhos imaginando o que seria que estava provocando o barulho e pensei se estava sendo alvo de algum filme de terror que sempre me assustará. Sorri com esse pensamento idiota. Andei pelo corredor até alcançar a cozinha.
– Tem alguém ai? — Pergunto.
Não sabia o porquê de perguntar isso, como se algum vampiro/ladrão fosse responder "Oi, estou aqui para te morder/roubar. Seja uma boa menina e volte para sua cama.", às vezes eu era patética até mesmo para mim.
Não escuto nenhuma resposta — que novidade — e decido subir para meu quarto e ligar para meus pais e descobrir onde eles estavam. Eu sei. Uma mulher de 21 anos ligando para seus pais... Patético, convenhamos.
Ao me virar para ir embora escuto novamente um barulho, desta vez diferente e rapidamente me viro encontrando o que havia o provocado. Quase grito de susto, mas a irritação tomou conta mais rápida a minha mente.
– Que diabos está fazendo aqui? — Pergunto irritada.
Ali na minha frente, coberto por uma camada fina de neve, estava Noah, dono da loja de vinhos. Sim, aquele Noah que eu encontrei duas vezes hoje, e essa era a terceira. O mesmo Noah que eu conhecia e não conhecia ao mesmo tempo. E o mesmo Noah que invadiu minha casa e fez parecer que eu estava em um filme de terror. Aquele Noah.
– Oh. — Escuto ele exclamar surpreso por me encontrar ali. — O que faz aqui? — Pergunta desajeitadamente ao fechar a porta.
– Minha casa, eu faço as perguntas. — Digo irritada. — Você sabe o que é invasão de domicilio?
– Sua casa? — Pergunta surpreendido.
– Como você entrou aqui? — Ignoro sua pergunta. — E que diabos faz na minha casa uma hora dessas? E que tipo de barulho é aquele? Parecia até que era o Conde Drácula a espreita para me morder. — Comento passando as mãos pelos cabelos nervosa.
– Em primeiro lugar, eu tenho a chave. — Noah fala mostrando seu chaveiro e sacudindo para fazer barulho.
– Porque você tem as chaves da minha casa?
– Eu não sabia que era sua casa. — Noah fala ignorando minha pergunta. — E estou aqui porque sua mãe pediu para eu pegar alguns guardanapos para sei lá o que.
– Onde está minha mãe? — Pergunto.
– Na igreja, hoje tem um tipo de feira ou sei lá. — Noah fala dando de ombros. Olha pela cozinha toda e anda até a geladeira. Levanta sua mão e pega os guardanapos em cima do refrigerador. — Esses aqui é o que procuro.
– Porque você tem as chaves da minha casa? Porque minha mãe pediu justamente para você vir aqui pegar? E você frequenta a igreja? — Faço as perguntas ficando mais calma.
– Alguém já te disse que você faz muitas perguntas?
– Alguém já te disse que você não responde nenhuma? — Rebato.
– Achei que ficaria feliz por me encontrar aqui Madalene. — Noah fala abrindo um sorriso malicioso e andando até mim. — Sabe, dizem que quando uma pessoa encontra a outra mais de três vezes ao dia, sem planejar, é porque o amor está no ar.
– Nem vou responder. — Informo revirando os olhos e cruzando os braços.
– Vai dizer que não estava com saudades da minha pessoa? — Noah pergunta rindo da minha careta. — Oh, sua amiga me acha lindo, alguma chance de você achar o mesmo?
– Nunca confie no bom gosto de Sophia, ele não presta. — Digo para ofender Noah.
– Vai dizer que não me acha irresistível? — Pergunta dando um sorriso como se estivesse se divertindo com aquilo.
– Pode sair por onde você entrou. — Comento revirando os olhos e virando-me para ir embora.
Ele me irritava profundamente, e nem chegamos a conversar cinco minutos em todos os nossos encontros imprevisíveis. Eu teria uma conversa com minha mãe, afinal, ela não poderia simplesmente entregar a chave para qualquer estranho e manda-lo vir aqui em casa. E se o cara fosse um assassino? Ladrão?
Antes que eu pudesse continuar meu caminho, sinto uma mão passar pela minha cintura e sou puxada para trás. Viro-me para encarar Noah e dou de cara com seu peito forte. Levanto meus olhos para olha-lo melhor.
– Se não se importar, poderia me largar? — Peço com uma educação falsa.
– Você não respondeu nenhuma das minhas perguntas. — Noah fala quase sussurrando.
– E você as minhas. — Rebato.
Noah ri alto, mas não me solta. Não faço nenhum esforço para ser solta, sabia que não conseguiria o tal fato. Ele era forte demais e grande demais. O que me restava era aguentar o idiota por mais algum tempo.
– Porque não me conta a piada para eu poder rir também? — Peço achando nenhuma graça na situação toda.
– Você é impossível Madalene. — Noah afirma me soltando.
– E você é um invasor.
– Eu tenho as chaves, tecnicamente não sou um invasor. — Ele diz sorrindo e dando dois passos para trás.
Reviro os olhos com sua afirmação.
– Já que pegou os preciosos panos de prato, porque não sai pela porta onde entrou? — Pergunto incomodada com sua presença ali, ainda mais do que jeito que ele estava me olhando.
Era uma forma estranha, como se ele me escondesse alguma coisa e se divertisse por isso. Como se tudo aquilo fosse uma grande piada da qual eu não participava.
– Já que não sou bem vindo, estou indo embora. — Noah fala erguendo suas mãos em forma de rendição.
– As chaves, eu as quero. — Peço andando até ele. — Quero me certificar que não te encontrarei aqui novamente. — Informo estendendo a mão esperando as chaves.
– Você é a primeira mulher que pede as chaves de volta, normalmente todas pedem para que fique com elas. — Noah fala piscando o olho e as colocando em minha mão.
– Deve ser porque eu sou diferente de todas que você já conheceu. — Respondo colocando as chaves em meu bolso. — Tchauzinho.
– Você é difícil Madalene, mas eu gosto disso. — Noah fala antes de sair pela porta.
Antes que ele possa ter a ideia de voltar, apresso-me e tranco a porta. Pego as chaves que Noah usou e as coloco com as minhas na mesa do corredor. Certifico-me de que as portas estavam trancadas e subo para tomar um banho e esquecer o que tinha acabado de acontecer.
Uma hora depois estava na minha cama com a televisão ligada passando algum filme, comendo biscoitos que minha mãe havia comprado das escoteiras e falando ao telefone com Sophia.
Max ainda não havia chegado em casa, então...
– Ele não é o Conde Drácula.– Minha amiga respondeu.
O celular estava no viva voz.
– Não revire os olhos. — Ordeno.
– Como você sabe... Esquece. Tá, mas ele não é nenhum vampiro que veio do futuro para te matar.
– Estamos falando do filme Conde Drácula ou do Exterminador do Futuro? — Pergunto mordendo um biscoito.
– Sei lá, você que me liga dizendo que o cara é um vampiro que veio te matar, morder ou sei lá o que.
– Eu não disse que ele era um vampiro, apenas disse que ele é estranho. Aparece nos lugares menos prováveis, como na loja de vinhos.
– Ele é o dono de lá, esqueceu?
– Tá, mas hoje de manhã?
– Vocês se esbarraram, poderia ter esbarrado com Laurene ou com qualquer uma pessoa.
– Nossa Sophia, nem sei por que te liguei. Não está ajudando em nada. — Respondo terminando de comer meu biscoito.
– Aceite o fato de que você é fissurada por filmes, e que tem que achar uma explicação lógica para tudo que acontece na sua vida.– Minha amiga sentencia. – E o problema será resolvido.
Fico em silêncio. Ela poderia ter até um pouco de razão em dizer que eu era fissurada em filmes, e sempre achava uma explicação lógica para tudo. Mas, convenhamos que Noah está longe de ser algo lógico tanto ele quanto a situação em si.
– Ainda está ai?
– Estou sim. — Respondo. — Tá, talvez você esteja certa.
– É claro que eu estou certa.– Ela diz, sinto que ela acabou de sorrir de forma vitoriosa, como sempre faz quando prova que ela está certa e eu errada.
– Max disse que horas chegaria? — Questiono mudando de assunto.
– Ele disse que daqui a dez minutos estaria aqui em casa.
– Ok, então vá terminar de se arrumar. — Digo sabendo que Sophia ia arrumar os últimos detalhes despercebidos para que tudo fosse perfeito.
– Obrigada... Ah, e não esquenta sua cabeça pensando no Noah, eu sei que ele é irresistível, lindo e gostoso, mas não é o Conde Drácula.– Sophia fala dando uma risada.
– Espere Max te ouvir falando assim. — Falo rindo. — E se amanhã eu aparecer na primeira página porque fui morta por um lobisomem, não venha reclamar.
– A gente não estava falando de um vampiro? - Ela pergunta sem entender.
– Isso também. — Digo rindo de sua possível confusão. — Tchau!
E desligo o telefone.
Fiquei algum tempo na cama enquanto terminava de ver o filme. Quando meus biscoitos acabaram, escuto um barulho de chaves a porta se abrindo e rapidamente a casa se torna barulhenta com Cris gritando meu nome. Obrigo-me sair da cama e ando até o andar de baixo.
– Oi. — Digo ao encontrara Cris.
Meu irmão sai correndo em minha direção e me abraça forte. Retribuo o abraço. Cris me solta e pergunta:
– Mamãe disse que você não estaria em casa, que tinha ido embora de novo. — Fala com aqueles olhinhos de dar pena.
– Eu não vou embora, fique tranquilo. — Falo dando um sorriso. — Porque não vai lá ao meu quarto, comprei um presente para você.
Cris se ilumina com um sorriso e antes de sair correndo falo:
– Está na sacola verde perto da porta.
– Obrigada Mada. — Agradece enquanto corre escadas a cima.
Quando tenho certeza de que Cris estava em meu quarto e não iria nos escutar, já que ficaria entretido com seu carrinho que havia comprado ando até a sala de estar onde estavam meus pais.
– Porque disse para Cris que eu tinha ido embora? — Pergunto tentando manter a calma.
– Porque achei que tinha ido embora. — Sarah responde dando de ombros. — Afinal, você é uma traidora deveria morar com traidores.
Eu fico olhando para minha mãe sem acreditar em suas palavras. Por mais acostumada com aquela situação de ser acusada por ela, ainda assim aquilo me magoou. Viver com a minha mãe era mais do que intenso, era doloroso. Se nada saísse como ela planejava, adeus vida.
– Como você pode ser tão cruel? — Indago.
– Não sou cruel, apenas quero o bem para meus filhos. — Sarah fala largando suas coisas em cima do sofá e vindo em minha direção. — Vocês filhos não sabem de nada da vida, eu apenas tento deixar tudo perfeito para os dois e como me agradecem? Apunhalando-me pelas costas.
– Você quer o nosso bem? Se quisesse mesmo não teria dito para Cris que eu não estava mais morando nessa casa, não estaria pensando em alguma maneira de separar Sophia de Max.
– Sabe qual é o problema de você Madalene? — Sarah pergunta me olhando de uma forma fria. — De você e do seu irmão, é que faltou castigo quando eram crianças para ensinar não serem tão mal agradecidos.
Sustento seu olhar por mais um minuto sem respostas para dar. Não acreditava que minha mãe era daquele jeito, quer dizer, eu sabia que ela poderia ser uma verdadeira bruxa quando queria, mas mesmo assim não era uma coisa que se acostuma com o tempo. Olho para o meu pai que estava lendo seu jornal. Ele não se metia nas brigas da minha mãe, porque ela sempre vencia.
Sem dizer nada saiu da sala indo para meu quarto. Cris já não estava nele quando cheguei, o único indicio de que ele esteve ali foi os papeis rasgados no chão. Fecho e tranco a porta do quarto.
Ando em direção à janela e me sento nela colocando meus pés para fora do quarto. Sempre fazia aquilo desde criança, e sabia que não havia perigo nenhum caso eu despencasse... Sempre haveria alguma coisa lá embaixo para amortecer minha queda, como das outras vezes que esse acidente aconteceu.
– Não tem medo de cair? — Escuto uma voz depois de um tempo em silêncio.
Minha atenção se estabiliza na janela a frente onde encontro Noah parado me olhando com um sorriso grande. Reviro os olhos, era só o que me faltava... O Conde Drácula era meu vizinho!
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*Probabilidade Estática do Amor à Primeira Vista é um livro da autora Jennifer E. Smith, onde diz que se duas pessoas se encontrarem pelo menos três vezes de maneiras diferentes no periodo de 24 horas possuem 98% de chance de se encontrarem de novo.
Notas finais
Então, não deixem de comentar o capítulo.
Beijos.
Ps. Aos leitores de SM postarei o cap. só na segunda depois eu explico os motivos.
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