Vestido Da Sorte

11 Expulsa por uma carta!


Notas iniciais
Heey pessoas, todos bem? Espero que sim. Então gente, desculpa a demora, mas ainda estou sem internet e dando prioridade para Sob Medida que está nos últimos capítulos já, então acho que todos entendem. Quero agradecer a todos que enviaram os comentários, acho que respondi todos, mas darei mais uma olhada para conferir certinho. Tá certo que mais pessoas poderiam ter aparecido, mas eu tento superar isso. Então, queria avisar que não tem músicas de Vestido da Sorte no tumblr porque senão eu daria muito spoleir e afins, então quando a fic estiver um pouco mais adiante eu as coloco. Outra coisa, o capítulo tem mais de 5 mil palavras, eu sei que muitos de vocês não gostam, mas eu pensei no seguinte: Eu estou demorando, quero adiantar esse capítulo e essa enrolação logo de uma vez e eu não consegui dividir certo o capítulo, optei em deixar tudo em um só e presentear vocês com um capítulo grande, ele é um dos maiores, senão o maior da fanfic. Então, não se preocupem em ler ele devagar, porque eu sei que é grande... Eu gosto dele, mas o começo é meio chatinho, mas depois eu começo a gostar de verdade e gostei do resultado, embora eu saiba que poderia ter sido melhor. Enfim, se tiver algum erro, me avise. Boa leitura!

11. Expulsa por uma carta!

Acordei animada na quarta feira. Meu celular não parava de tocar, e eu saio de casa antes dos meus pais acordarem. Fui correndo até a cafeteria torcendo para que estivesse aberta e vazia. Havia tantas coisas para arrumar, e faltava pouco tempo que eu não tinha muita certeza se tudo ficaria pronto para aquela noite. A grande noite.

Sentei em uma mesa afastada da porta e abri minha agenda checando o que devia fazer ao mesmo tempo em que ligava para George. Meu chefe era um amor de pessoa, mas era extremamente irritante e ansioso! Desde que fui contratada por ele, não faltou serviço e estresse naquela revista, e eu, sinceramente, esperava que toda aquela tensão passasse após a abertura oficial da tão sonhada revista.

– Madalene! – George grita do outro lado da linha. – Peça para Max vir aqui no salão ao mais rápido possível, parece que passou uma grande avalanche e tudo está terrível!

– O que aconteceu? – Pergunto começando a me levantar sem jeito, preocupada com aquela situação. – A decoração está estragada?

– Ela não está simplesmente estragada, está destruída! – Informa George em um tom urgente. – Parece que alguém entrou aqui ontem e destruiu tudo, esses moleques infames, insolentes, são um bando de delinquentes mirins! – Começa a xingar, e esses foram os mais agradáveis xingamentos que George proliferou.

– Ok, se acalme! – Peço, mesmo sabendo que seria impossível. – Estou indo para a casa de Max e estaremos ai antes das oito horas.

– É melhor mesmo. – Diz soltando um longo suspiro. – A propósito, traga café!

– Ok. – Tranquilizo e desligo o telefone.

Vou até o balcão e peço quatro cafés para a viagem. Um para mim, um para o meu chefe, um para Max e um para Sophia sem açúcar. Pago os cafés e saiu da cafeteria indo o mais rápido em direção à casa de meu irmão. Eu poderia pegar um táxi e chegar mais cedo, mas gostava daquela agitação e não conseguiria ficar parada dentro de um carro, precisava caminhar para aliviar a tensão.

Vinte minutos depois chego até o prédio e cinco minutos depois estou tocando a campainha, porque havia esquecido a chave reserva em casa – como sempre. Escuto Sophia gritar um “já vai” irritado e abro o meu maior sorriso quando a porta é destrancada e aberta.

– Madalene sabe que horas são? – Indaga irritada abrindo espaço para eu passar, depois fecha a porta. – Posso saber por que está aqui em casa de madrugada?

– Amiga não é madrugada. – Argumento. – E preciso de Max, urgentemente!

– Está havendo um incêndio e eu não estou sabendo? – Indaga fechando melhor seu roupão e pegando o seu café bebendo alguns goles.

– É muito pior. – Digo largando minha bolsa em cima da mesa e seguindo para o quarto do casal.

Talvez eu seja uma irmã intrusiva e sem noção que entra no quarto do irmão sem ser convidada com risco de ver coisas que a cegariam, mas situações extremas pedem ações extremas.

– Max acorda! – Ordeno abrindo a porta do quarto.

Meu irmão estava deitado em sua cama, com a boca aberta babando. Seu peito estava nu (como sempre) e podia jurar que estava roncando. Chamei-o mais algumas vezes, mas não tive resposta. Por fim, puxei as cobertas e ele mostrou que estava vivo.

– Sophia, tá cedo. – Reclama sem abrir os olhos e procura suas cobertas.

– Max não é a sua noiva, é a sua irmã. – Esclareço revirando os olhos e me aproximando mais. – É melhor acordar ou vou te bater com travesseiro! – Ameaço puxando um dos travesseiros em cima da cama.

– Ele não vai acordar, pode bater. – Sophia disse com um tom claro de divertimento em sua voz. – Max, acorda logo amor. – Pede com uma voz melosa demais.

Reviro os olhos e espero alguns segundos antes de bater no Max com o travesseiro. Esse por sua vez salta da cama assustado olhando para os lados.

– Bom dia querido irmão. – Digo largando o travesseiro na cama.

– Qual é o seu problema Madalene? – Indaga após se recuperar o susto. – Qual é o problema da sua amiga? – Pergunta desta vez para Sophia que apenas dá de ombros.

– Ela é a sua irmã. – Sophia diz bebendo seu café.

– O que você quer Madalene? – Pergunta, por fim, Max.

– Aconteceu um problema lá no salão, preciso de sua ajuda. – Informo fazendo uma cara de cachorro pidão e Max revira os olhos. – Qual é, estamos te pagando uma fortuna para você organizar aquela bosta de salão, então você vai se arrumar em dez minutos! – Digo perdendo a paciência com a preguiça que estava instaurada em Max.

Saiu do quarto e vou até a mesa onde tinha deixado o café, volto e praticamente jogo a bebida em Max dizendo que em dez minutos eu estaria saindo com ele, nem que ele estivesse apenas de cueca!

Ando até a cozinha e abro a geladeira procurando alguma coisa para comer. Estava estressada, e a preguiça costumeira de Max apenas estragava isso. E se nada desse errado naquela festa? Seria, sem dúvida, o meu fim!

Pego queijo, presunto e ovos. Procuro uma frigideira e ligo o fogão começando a fazer uma omelete... ou era o que imaginava, já que não sabia cozinhar. Enquanto quebrava os ovos na frigideira, vejo Sophia entrar e se sentar em um dos bancos a minha frente.

– Você não sabe fazer omelete.

– Eu não sei fazer nada mesmo. – Retruco desligando a chama do fogão e desistindo. – Não nasci para cozinhar, mal consigo fazer uma omelete quem dirá outras coisas!

– É só comida Mada, não é o fim do mundo! – Sophia diz levantando e vindo em minha direção. – Sente bonitinha aí que eu irei preparar o café da manhã.

Faço o que ela mandou e fico tamborilando meus dedos na bancada.

– Tá, o que mais está te incomodando além da festa? – Sophia pergunta por fim.

– Nada!

– Madalene, eu te conheço melhor do que você mesma. – Sophia diz cortando os queijos e presuntos. – Agora fale logo, porque eu quero voltar para minha cama dormir.

– Você é uma péssima melhor amiga. – Informo rindo fraco.

– Falou a melhor de todas. – Diz revirando os olhos. – Agora me diga, qual é o problema.

– Além de a decoração estar destruída pelo que entendi, não tive coragem de contar aos meus pais a verdade, e a festa é hoje à noite e por mais que meus pais não estarão na cidade sinto que algo dará errado.

– Eu avisei que essa mentira ia dar errado.

– É claro que você não poderia deixar de falar essas palavras malditas!

– Mas eu avisei. – Fala com um tom de satisfação na voz. – Mentira nunca leva a nada, tome como exemplo aquela vez no Ensino Médio quando você disse para a professora que estava com cólica apenas para ir se agarrar com aquele cara embaixo das arquibancadas, o que aconteceu no final?

– Ok, eu já entendi.

– Você se fodeu, sua mãe teve que vir aqui e você ficou sem sair de casa por duas semanas! – Minha amiga termina minha triste história.

– Já sei que mentir é feio, mamãe. – Digo revirando os olhos.

– Ótimo! – Sophia diz colocando a omelete em meu prato após alguns segundos. – Agora coma tudo e não me acorde antes das dez horas!

– Tchau. – Digo ao vê-la se afastar da cozinha indo para o seu quarto.

Fico comendo a deliciosa omelete de Sophia. Quando faltava apenas um pedaço, Max aparece e rouba ele de mim.

– Era o melhor pedaço. – Exclamo chateada.

– Você vai superar maninha. – Max diz rindo e abrindo a geladeira. – Agora qual é a grande emergência?

– George me ligou dizendo que tinha passado um furacão lá dentro e tudo estava arruinado. – Informo levantando do meu banco e indo buscar minha bolsa. – E mais duas chamadas de George. – Murmuro digitando o seu número.

– Por todas as Aves Marias do mundo, até que enfim você me atendeu! – George praticamente grita em meu ouvido.

– O que aconteceu agora?

– Você não está aqui com o seu lindo irmão para arrumar essa bagunça!

– Estamos a caminho, acalme! – Peço colocando minha bolsa em meu ombro.

– É melhor mesmo, ou vou ter um ataque de piripaque!

– Acalme seu coração que estamos quase ai. – Digo abrindo a porta e desligo o telefone após ouvir um palavrão de George. – Vamos Max, meu chefe vai ter uma sincope se não chegarmos lá!

– Estou indo! – Max diz e segundos depois aparece na minha frente. – Porque você tinha que achar um chefe tão... George?

– Ele não é todo ruim, apenas está sobre pressão. – Tento achar uma desculpa pela forma que meu chefe está agindo ultimamente. – Além do mais quando se conhece melhor vai ver que ele é um amor.

– Claro Madalene, claro. – Max afirma e eu dou uma risada com aquilo.

– Vamos logo antes que meu chefe suba nas tamancas. – Digo rindo, embora com receio dele fizesse isso mesmo!

***

Tudo estava pronto, ou pelo era o que a mensagem de texto recém recebia de George. Estava em casa, faltam apenas uma hora para a grande inauguração. Estava arrumando meu cabelo em uma complicada – até demais – trança que combinaria com o vestido que havia comprado para esse grande dia!

Meus pais haviam ido sei lá aonde na cidade vizinha, algo relacionado com a igreja enquanto Cris havia ficado na casa de um amigo dele. Meu irmão e Sophia disseram que iam com toda a certeza e Noah também havia me garantido que ia.

Nada poderia estragar essa noite!

Terminei de trançar meu cabelo e fui à busca do meu vestido. Ele era azul petróleo, com bordado na parte de cima e na saia havia um fino tecido que cobria em várias camadas o forro do vestido. Havia me apaixonado por ele desde o momento que coloquei os olhos no tecido, e não sairia da loja sem leva-lo comigo. Coloquei o vestido e me achei linda, apenas por trajar aquela roupa.

Fui à busca dos meus saltos altos, os calcei. Faltava apenas a maquiagem e alguns acessórios e estaria pronta para aquela noite. Enquanto colocava meus pequenos brincos, meu celular avisa que uma mensagem havia chegado.

“Esteja pronta em dez minutos.” Era apenas o que dizia.

Revirei os olhos sorrindo. Cavalcanti havia me prometido que iria ser meu acompanhante naquela noite e como eu deduzi, ele não me decepcionaria. Respondo um “sim, senhor” apenas para provoca-lo e voltei a maquiar.

Faltava apenas fechar o colar quando eu escuto a campainha tocar. Pego o acessório e desço as escadas rapidamente abrindo a porta e encontrado Noah com seu terno mais do que elegante, e um sorriso idiota no rosto.

– Oi! – Cumprimenta beijando minha bochecha e entrando em casa.

– Como sempre, pontual. – Debocho fechando a porta. – Estou terminando de me arrumar, só um pouquinho. – Digo passando por ele e subindo as escadas. – Espera ai, já vou descer!

Escuto Noah falar algo que não entendo e volto ao espelho de meu quarto para dar os últimos retoques. Coloco o meu colar e pego minha bolsa pequena que só cabia meu celular e algum dinheiro para o táxi. Olho-me mais uma vez no espelho e vejo que estava pronta, então começo a descer as escadas.

– Noah? – Chamo após descer as escadas por fim e procuro meu amigo.

– Aqui! – Escuto dizer e ando até o escritório do meu pai, que ficava um pouco antes da cozinha. – Desculpa, não resisti.

– Não tem problema. – Digo ficando apenas na porta. – Não quero ser chata, mas tenho que estar lá pelo menos dez minutos antes.

– Como quiser mademoiselle! – Noah diz sorrindo.

Ele vem até mim e estende seu braço que eu o pego rapidamente.

– A propósito, está maravilhosa!

– Obrigada. – Agradeço sorrindo, adorava elogios! – E você não está nada mal.

– Fiz o meu melhor. – Noah comenta.

A trajetória até o salão foi calma. A neve havia cessado um pouco, e eu agradeci isso. O taxista não era fumante e não quis puxar papo conosco, e eu dei amém por isso também. Quando chegamos até o salão, respirei fundo e peguei a mão de Noah o puxando para dentro o salão fugindo do frio e querendo ver como tudo estava.

Meu irmão sabia trabalhar bem. O salão estava todo decorado com vários recortes de revistas espalhados nas paredes, às mesas tinham uma toalha branca com acabamento em dourado da mesma forma que as cadeiras. As luzes estavam postas aletoriamente e com diversas cores iluminando toda a parte. Uma mesa central estava posta para todos observarem o processo da revista nas demais cidades e o que era esperado, a mesa do DJ estava posta e ele estava começando a colocar as músicas para tocar e bem, todo o resto estava deslumbrante e bem organizado. Aquela noite prometia.

– Madalene, minha deusa, você chegou! – Escuto George dizer. – Seu irmão fez um ótimo trabalho aqui, tudo está melhor do que ontem! – Comenta vindo em minha direção. – Não deixe de dizer para ele vir falar comigo, ele merece uma recompensa por ser mágico. – Meu chefe diz e depois avalia Noah. – Olá Noah.

– Olá George. – Noah responde com educação.

– Tudo está fantástico! – Digo deslumbrada. – Estou louca para os convidados chegarem!

– Também estou... – George diz, mas logo se afasta indo cumprimentar outra pessoa me deixando sozinha com Noah.

– George é...? – Noah diz, mas eu o corto na mesma hora.

– Não é nada confirmado ainda. – Respondo discretamente sobre a sexualidade de George. Ninguém sabia se ele era gay ou não, mas que havia indícios não se poderia negar.

– Seus pais vão vir essa noite? – Noah pergunta.

– Tomara que não, ia ser uma catástrofe! – Comento e recebo um olhar curioso e desentendido de Noah. – Longa história. Depois falaremos disso, que tal?

Noah murmura algo, mas não escuto. Os convidados estavam começando a chegar e menos de uma hora aquele salão estava cheio. Eu andava em todas as direções falando com todas as pessoas o máximo possível. Noah às vezes me acompanhava, às vezes ficava conversando com algum senhor poderoso. Mas eu sempre olhava pelo salão procurando a silhueta de meu gostoso acompanhante e sempre recebia um olhar e um sorriso em troca.

– Eu sou um máximo mesmo! – Escuto uma voz conhecida falar atrás de mim.

Viro-me e encontro Max com Sophia. Minha amiga estava linda usando uma calça social com uma camisa e saltos nos pés, enquanto Max usava um terno com uma gravata azul.

– Você fez mágica! – Digo abraçando meu irmão. – Obrigada. – Agradeço. – Ah, George quer que você vá falar com ele depois, para acertar seu dinheiro.

– Beleza. – Max diz e se distrai com a bandeja do garçom que acabará de passar.

– Madalene, dá próxima vez que for fazer compras exijo que me chame! – Sophia ralha comigo me abraçando. – Quero saber onde você compra seus vestidos, meu Deus é um mais lindo do que o outro.

– Obrigada Sophia! E você está maravilhosa. – Elogio falando apenas a verdade.

– E onde está Noah? – Minha amiga pergunta.

– Noah está aqui? – Max pergunta dando uma mordida em algum salgado que acabará de roubar da bandeja. – Ele é o seu acompanhante?

– Menos Max, menos. – Peço revirando os olhos. – E sim, Noah me trouxe para cá. Agora cuide de sua noiva, porque já posso ver os olhares sendo virados para ela.

– Onde? – Max diz olhando para os lados com “cara de mau”.

– Obrigada Mada. – Sophia agradece revirado os olhos. – Venha amor, vamos pegar uma bebida. – Minha amiga diz e puxa seu noivo para perto da mesa de comidas.

Pego mais uma bebida do garçom e dou alguns poucos goles, não era muito fã de bebida ainda mais depois do incidente na última festa que estive. Passo meus olhos rapidamente em torno na festa à procura de Noah e o encontro falando com uma mulher que eu conhecia bem, ainda mais vestida daquela forma. Dou um longo gole no champanhe e vou até lá.

– Laurene querida. – Digo interrompendo a conversa entre ela e Noah. – Quanto tempo que não a vejo.

– Madalene, como está? – Laurene pergunta com um tom tão falso quanto o meu. – Verdade, você devia me ligar para combinarmos alguma coisa. São tantas novidades que uma tarde não será suficiente.

– Muitas novidades sim, e pode deixar que te ligarei o mais breve possível. – Minto com um sorriso. – Hm, eu não sabia que conhecia Noah.

– Nos conhecemos a um tempinho já. – Laurene responde.

Eu olho para Noah que parecia estar se divertindo com aquilo.

– Já se conhecem a um tempinho então. – Repito buscando uma explicação para Noah que apenas sorri e bebe sua bebida se divertindo. – Ele nunca havia me falado, mas ultimamente tudo está tão corrido.

– Nem me fale! – Laurene diz com uma falsa indignação. – Não estou tendo tempo de cuidar do meu marido e ir ao salão de beleza, tudo está uma loucura!

– Fiquei sabendo que você está casada... Meus parabéns.

– Você ainda não teve a oportunidade de conhecê-lo, mas espero que em breve eu te apresente. Meu marido é um ótimo homem, um pouco velho, mas faz loucuras na cama! – Laurene diz bebendo sua bebida animada.

– Dizem que os mais velhos têm mais experiências. – Comento sem prestar realmente atenção, já que não parava de olhar Noah. – Mas temos que combinar um dia desses, adoraria saber o que você tem feito depois que saiu do colégio.

– Sim, sim... Dão licença um pouco? – Pede olhando para o lado. – Mas acho que vi Jéssica, ela está com algo que é meu. – Laurene explica, embora eu tivesse quase certeza de que era mentira. – Foi ótimo te ver Madalene, e você Noah.

– Igualmente. – Digo e Noah apenas acena com a cabeça.

Quando aquela mulher irritante sai de perto de nós, Noah não perdeu a oportunidade de ficar calado e sussurra para mim:

– Você fica mais sexy quando está com ciúmes.

– Cala a boca. – Ordeno rindo e bebendo minha bebida.

Eu não estava com ciúmes de Noah, não mesmo. Apenas tinha uma grande aversão por Laurene não a queria envolvida com alguém que eu gostava de verdade. Era tão difícil entender isso?

– Claro. – Noah diz ainda rindo da minha cara e eu reviro os olhos. – Não precisa ficar com ciúmes, eu sou todo seu hoje. – Cavalcanti diz beijando minha bochecha e puxa minha mão.

Eu o sigo até a mesa de comida e o vejo cheirar alguns salgadinhos até comê-los. Aproveito e faço o mesmo – tirando a parte estranha de cheira-los. Sophia aproxima-se de nós com Max, que parecia um pouco irritado.

– Oi Noah! – Sophia cumprimenta.

– Sophia! – Noah diz beijando suas bochechas. – E você deve ser o noivo, Max, certo?

– Sim. – Max apenas afirma e estendo a mão de Noah.

– Você tem sorte, é uma bela mulher. – Cavalcanti diz apertando sua mão.

– É sim, mas minha. – Max diz como um garoto mimado e não posso deixar de revirar os olhos.

– Claro que sim. – Sophia responde o beijando rapidamente parecendo bem feliz com aquela situação.

Só minha amiga mesmo!

– Não liga não Noah, meu irmão é ciumento demais. – Digo.

– Ah, são irmãos então? – Noah pergunta parecendo nem um pouco surpreso com aquilo. Max faz que sim com a cabeça. – Além de uma bela noiva, você tem uma bela irmã. – Noah elogia e Max força um sorriso.

Quando eu ia comentar algo para acabar com aquele silêncio incomodo entre meu irmão protetor e meu acompanhante gato, uma das minhas músicas favoritas começa a tocar.

– Vamos dançar Noah? – Indago sem esperar sua resposta e puxa-lo para longe de Max. Olho para trás rapidamente e vejo Sophia dando uma bronca nele, mas logo o beija nos lábios.

– Seu irmão parece... Protetor demais, não liga não, Max sempre foi assim comigo. – Noah afirma.

– Você não sabe o quanto, hã, se não quiser dançar... – Digo sem conseguir completar uma frase decente, porque na mesma hora Noah me puxa para mais perto de si e sussurra no meu ouvido:

– Ainda bem que seu irmão não é tão protetor assim. Eu poderei fazer isso em paz. – E com esse último suspiro uma de suas mãos alcança a minha cintura me trazendo para mais perto de seu corpo e seus lábios tocam nos meus sem poupar segundos.

Sinto sua boca invadir a minha rapidamente e eu não me oponho a nada. Sabia que a música, o lugar ou aquela situação que estávamos vivendo não era a certa para beija-lo daquela forma, mas por um instante, esqueci-me das pessoas em minha volta, esqueci-me dos problemas e a única coisa que me concentrei foi à sensação de ter sua pele contra a minha, seus lábios e sua respiração em contraste as minhas próprias sensações...

Tudo teria sido maravilhoso, o beijo poderia ter continuado por algum tempo se eu não tivesse escutado uma voz tão conhecida chamar meu nome alto. Abro os olhos instantaneamente da mesma forma que empurro Noah para trás o assustando. Olho para trás, em direção à porta, e encontro as últimas pessoas que gostaria de encontrar naquela noite. Sinto minha respiração ficar descompassa e meu coração acelerar da mesma forma que minhas mãos ficam geladas e eu paraliso. Tinha consciência que todos estavam analisando a cena e eu sabia que aquilo seria um show a parte.

– Madalene! – Escuto novamente Sarah me chamar parada na porta.

– Mamãe. – Murmuro sem acreditar no que estava vendo.

– Eu não acredito no que estou vendo aqui. – Sarah fala vindo em minha direção com passos rápidos e com ira no olhar. Sabia que centenas de pares de olhos analisavam aquela caminhada com ansiedade e curiosidade. – Então tudo é verdade?

Eu abro a boca para falar algo, mas as palavras não saíram. Eu estava em choque. Sabia que esse momento chegaria, mas eu não estava preparada para isso, eu nunca estaria pronta para encarar meus pais daquela forma. Eu apenas mantive-me em pé, com certa dificuldade, e fiquei encarando o olhar de decepção de minha mãe.

– Mas é claro que tudo foi uma mentira olha onde você está, olha a festa que você organizou, olha a revista que está trabalhando agora... Por Deus Madalene, como consegue dormir a noite sabendo que está mentindo para seus pais mais de um mês? Como consegue se olhar no espelho? Não sente vergonha da pessoa que você é? Tem a capacidade de brigar comigo, tem a capacidade de expor sua opinião quando a única mentirosa aqui é você? Acusar os outros é fácil, mas quando os problemas e os erros são teus, o que você faz Madalene? Foge! Foi sempre assim, e pelo visto não mudou nada. – Sarah joga na minha cara que sou uma covarde mentirosa, mas não consigo nem revidar, por que ela logo continua. – Como consegue se mantiver em pé? Como consegue ainda viver com essa culpa? Se é que sente culpa. Você queria uma festa não era Madalene? Pois você terá o seu show na festa! – Sarah diz parando por alguns segundos buscando ar, mas logo continua a falar:

– Eu não acredito que tudo foi mentira, não acredito que você estava enganando nossa família esse tempo todo! Que tipo de filha é você? Madalene, pelo amor de Nossa Senhora, porque mentistes desse jeito? – Ela pergunta aos gritos, sabia que minha mãe não pouparia um escândalo. – Porque não disse que havia sido demitida? Porque mentiu por mais de um mês? Ou melhor, porque não foi mais esperta e contou algo mais sustentável do que dizer que está de férias? – Sarah perguntava gesticulando com as mãos. – Qual é o seu problema Madalene? – Pergunta por fim parando e colocando cada uma de suas mãos em um lado de sua cintura e me olhou suspirando.

Eu ainda não conseguia falar nada, apenas ficar naquele lugar ouvindo as acusações, percebendo que todos nos olhavam, sabendo que havia decepcionado meus pais mais do que eles deviam... E tudo tinha sido minha culpa. Se eu não fosse tão covarde teria enfrentado o problema logo de cara, mas é claro que sou covarde, eu sempre fui. Sempre me escondi atrás das pessoas, sempre inventei histórias e mentiras, sempre... Sempre fui assim, sem coragem e como sempre a verdade sempre voltava à tona e eu sempre me ferro com ela.

– C-como você soube? – Pergunto baixo, recuperando minha voz.

– E isso importa por acaso? – Minha mãe pergunta, mas não espera eu responder. – Eu simplesmente não acredito no que você foi capaz de fez! Você simplesmente entrou na minha casa com uma mentira deslavada e não teve a capacidade de nos olhar na cara e dizer a verdade? – Minha mãe acusa-me. – Você não é digna de ser uma Gregory! – Sarah praticamente cospe as palavras e dá meia volta caminhando até sua a porta, mas em vez dela sair de imediato, minha mãe vira-se para mim e lança o pior olhar que alguém poderia lhe direcionar. – Eu estou muito decepcionada com você Madalene, eu não sei como é minha filha. – E com essas palavras, vai embora me deixando em um silêncio.

Todos lançaram seus olhos em minha direção e a única coisa que queria era cavar um buraco e sumir da vista de todos. Não havia sentido que minhas lágrimas haviam começado a escorrer em meu rosto, mas elas estavam ali para mostrar que eu não havia desmaiado afinal, que eu ainda estava viva. Passo a costa de minha mão secando algumas lágrimas e olho em volta, todos ainda olhavam atentos para mim e eu suportaria olha-los por mais um segundo, sabia o que estavam pensando, seus rostos os denunciavam. Obriguei-me a começar a me mexer e quase corri para a porta onde minha mãe havia estado antes saindo daquele salão e encontrando a neve e a noite fria e sem vida.

Flocos de neve começam a cair sobre meu cabelo e eu não faço menção de tira-los de mim. Continua a caminhar seguindo uma direção totalmente aleatória por causa das lágrimas estarem tapando minha visão. Escuto chamarem meu nome, mas eu não paro e nem olho para ver quem chamava, apenas continuo andando. Eu estava começando a ficar cada vez mais gelada já que estava sem casaco e com um vestido...

– Mada! – Escuto chamarem mais perto de mim e sinto uma mão tocar meu braço. – Por Deus, você está gelada! – Exclama e me faz virar abraçando-me rapidamente.

Eu conhecia aquele cheiro, conhecia aquela voz. Sabia que era Noah e apenas deixei-me ser abraçada, por aquele corpo que despertava várias sensações embaraçosas em mim deixando-me cada vez mais confusa.

– Madalene! – Escuto a voz de Max ao meu lado. – Pode deixar agora comigo amigo, ela é minha irmã. – Max diz decido passando sua mão por minha cintura e me puxando para perto dele, e eu me afasto de Noah sem ao menos perceber.

– É, mas eu sou o acompanhante dela. – Noah diz com uma voz firme.

– Por favor, rapazes a prioridade aqui é a Madalene e não a briga dos dois. – Sophia diz decidida voltando a ignora-los e me olhando. – Calme Mada, vai ficar tudo bem, eu prometo.

– Não vai não, ela me odeia! – Choramingo ainda abraçada em Max. Passo as costas de minha mão em minhas bochechas limpando as lágrimas e tentando me controlar.

– Ok. Vamos lidar com essa situação amanhã, quando essas lágrimas não estiveram mais em seu rosto e sua mãe estiver mais calma. – Sophia diz passando sua mão em meu braço e segurando. – Pelo menos eu espero que ela se acalme. – Suspira por fim.

Eu a olho como quem diz “não tá ajudando” e ela revira os olhos.

– Vamos para casa Mada, vamos. – Max diz começado a me puxar indo em direção, eu acho, de onde estava seu carro, mas somos interrompidos por Noah.

– Mada, quer que eu vá? – Indaga olhando preocupado para mim.

– Não, não ela não quer. – Max responde e eu olho como se não tivesse acreditando. – Que foi? – Pergunta ao notar de como eu estava o olhando.

– Mada? – Ele pergunta. – Se quiser, pode ficar lá em casa...

– Obrigada Noah. – Agradeço por fim, tentando controlar o som da minha voz.

– Mada, se quiser ir com ele, não vamos nos importar. – Sophia diz e lança um olhar rápido para Max que mostra que não estava feliz com aquela possibilidade. – Não é Max? – Sophia pergunta cutucando com o cotovelo a barriga de Max.

– Tanto faz. – Exclama contrariado.

– Então? – Noah pergunta com aquela carinha de cachorro sem dono. – Eu sei exatamente do que você precisa.

Eu olho para Sophia que acena com a cabeça rapidamente e um sorriso brota em seus lábios, aquela garota sempre tem algo em mente. Max estava... Bem, sendo Max, então ele não contava muito como uma opinião. Por mais que os dois fosse minha família, naquele momento tudo o que eu queria era uma não família e não conversar sobre o simples fato de ser chutada de casa e ter participado de um showzinho no dia da inauguração do meu trabalho.

– Ok. – Apenas afirmo e passo meu braço pelo do Noah que abre um sorriso mínimo. – Depois eu ligo para vocês. – Anuncio.

– Melhor tomar conta dela, ou se não... – Max começa a dizer, mas sua ameaça é cortada por minha amiga que revira os olhos rapidamente.

– Menos Max, bem menos. Tchau para os dois. – Sophia se despede puxando meu irmão com ela.

Fico sozinha com Noah e começamos a caminhar em direção a casa dele. E então eu lembro o fato de que Noah mora no lado da casa de meus pais e que talvez não fosse uma ideia tão brilhante assim, mas eu podia voltar atrás. Aceitei de que iria dormir na casa vizinha a que ate hoje de manhã eu morava.

Caminhamos em silêncio até chegar na casa de Noah e quando estávamos quase entrando em sua casa, a porta da casa de meus pais é aberta e vejo minhas malas colocadas do lado de fora. Olho para Noah e sinto vontade de chorar de novo.

– Fica aqui. – Cavalcanti diz beijando o topo de minha cabeça e depois anda até o gramado coberto de neve vizinha e pega as malas trazendo para mim rapidamente. – Toma. – Diz entregando as chaves de casa e eu as abro tão rápido quanto minhas mãos frias e tremulas deixam.

Quando entrou na casa agradeço mentalmente por ter aquecer. Fecho a porta assim que Noah entra em casa e tranco. E mais uma vez eu estava naquela casa, não achei que estaria aqui de novo, mas olha onde eu havia chegado.

– Hm, tem uma carta aqui. – Noah anuncia mostrando um envelope branco.

– Droga! – Praguejo indo até ele e tomando o envelope em minha mão. – Eu não quero ler isso, não sem algo forte. – Digo e olho para Noah.

– Ok. – Diz entendendo o que eu queria.

Eu era fraca para bebida e isso todos sabiam. Mas ei, eu havia sido acusada por minha mãe, havia sido expulsa de casa e estava na casa de um cara que eu ainda não consigo entender, o que uma bebida vai fazer comigo afinal?

Noah aparece de volta à sala e eu havia sentado nos degraus da escada olhando para o envelope em minhas mãos. Ele me entrega o copo e eu bebo tudo de uma vez sentindo minha garganta ficar em chamas e tusso discretamente. Noah me olha e dá um sorriso amigável, do qual eu não retribuo.

Começo abrir a carta, mesmo tendo ideia do que estava escrita nela.

“Madalene,

Estou extremamente magoada, insultada e sem palavras para o que você fez. Você sabe exatamente o porquê de eu estar assim, sei que compreende que não é apenas o fato de você ter mentido esses dias todos, ou ter nos feito de otários enquanto seguia sua vida sem dizer nada, mas porque você não teve a decência e a humildade de nos contar que estava voltando para casa por ter perdido o emprego dos sonhos, tanto para mim quanto para você. Você sabia que não seria fácil que aceitássemos que você havia saído daquele mundo glamoroso, mas afirmo que seria muito mais fácil e menos doloroso para ambas as partes se você tivesse sido mulher e nos contado toda a verdade em vez de mentir... Achei que fosse mais esperta, mas pelo visto, eu errei em todos os sentidos na sua criação. Você deve estar imaginando como eu e seu pai estamos nos sentindo humilhados por ter uma filha que é capaz disso, então, chegamos à conclusão que o seu afastamento, por hora, de nossa família será o melhor para todos.

Ass.: Sr. e Sra. Gregory.”

– Acabei de ser oficialmente expulsa de casa por uma carta. – Informo dando uma risada sem emoção e bebendo o conteúdo que Noah havia abastecido em meu copo em um gole só.

Notas finais
Eu disse que ele era grande! Kkkk Quem chegou ao final lendo de uma vez só, parabéns, você merece! Quem demorou alguns dias, eu te entendo! Em todo o caso, espero que tenham gostado dele, odiado algumas partes, amado outras e que a história realmente comece a ficar interessante, porque agora a chata da Mada não vai ficar mais chata e cheia de drama, vai tomar vergonha na cara e se tornar uma mulher (escuto um amém?) e o Noah, bem, vamos ver o que acontece por ai u.u Não tenho muito que falar por enquanto, mas queria perguntar algo para vocês: O que acham de histórias de natal? Tipo, eu tenho uma one grandinha até pronta, e eu queria saber se devo postar no natal já que o tema é o natal e se chama “Anjo Honorário do Natal”, queria saber quantos iriam ler, ou se alguém deseja que eu poste e tudo mais, ah, e provavelmente terá um de ano novo que se chama “O Ano Novo Foi Cancelado”, mas ainda não decidi nada... então aguardo opiniões. Mandem comentários, por favor, e eu aguardo a opinião de todos ansiosamente. Feliz Natal, muita paz, saúde, tudo do bom e do melhor para vocês minhas lindas! Sério, vocês são demais! Então, espero que comam muito panetone, muito peru, muito doce da vó, que ganham muitos presentes e tudo seja esplendido no dia em que Cristo nasceu, ok? Beijos.