Vermillus

5 Capítulo 5 - Vermelho como o sangue de Paul...


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Desculpem-me se houver algum erro e boa leitura. =D

Havia um sorriso nos lábios finos e rosados de Quinn. Um sorriso tão genuíno e largo que poderia ser comparado à felicidade. Não se sentia assim há muito tempo, mas se lembrava dos momentos que a fizeram se sentir daquela maneira. Primeiro quando matou cada um dos homens que a machucaram, depois quando ajudou Santana a liquidar o ex-namorado dela, e agora, olhando nos olhos de Paul, sabia que seria prazeroso novamente. Ele estava com medo. Um medo puro e intenso.

O tipo de medo que a deixava feliz.

Ela se aproximou de Paul, se agachando na frente dele.

— Eu vou tirar a fita da sua boca, e então vamos conversar, certo? — Ela indagou, como se estivesse falando com uma criança.

Paul assentiu, e Quinn fez exatamente o que dissera.

— Socorro! — Ele gritou o mais alto que conseguia, e Quinn pôs a fita novamente, acertando em cheio o rosto dele com o próprio punho.

A cabeça de Paul pendeu para trás tamanha força utilizada, e quando ele voltou a fitá-la, o nariz parecia um tomate. O sangue vertia torrencialmente.

Quinn riu.

— Eu poderia fazer isso várias e várias vezes, mas não quero machucar a minha mão, então da próxima vez que abrir a boca para gritar, vai sentir a força dessa belezinha aqui. — Ela ergueu a mão, mostrando a pá. — Ninguém vai vir ajudar você. Aqui é deserto demais, e a sua loja já está fechada, por isso eu aconselho que se comporte, entendeu?

Paul aquiesceu freneticamente, e Quinn tornou a puxar a silver tape dos lábios dele. Dessa vez, ele não gritou, e ela sorriu vitoriosa.

— Ótimo. — Quinn se levantou. — Agora, Paul, eu quero que me diga quantas pessoas você já assediou além da Marley. — Ela perguntou calmamente.

Ele não respondeu, e isso fez o sorriso de Quinn sumir. Ela bateu com força a ponta da pá no chão, fazendo um ruído alto ecoar pelo depósito e, consequentemente, Paul se assustar.

— Responda! — Ela gritou.

— Eu não fiz isso. — Paul disse rapidamente, se remexendo no intuito de aliviar a dor que a silver tape causava nos seus pulsos. Estavam apertadas demais. — Eu não assediei Marley.

Quinn riu outra vez. Um riso alto e sarcástico.

— Eu achei mesmo que não voltaríamos nesse clichê de negação. É sempre assim, não é? — Ela puxou uma cadeira giratória, se acomodando em seguida. — Eu pergunto, você nega, põe a culpa na vítima e adota uma pose de falsa inocência, tentando causar alguma comoção. Isso causaria algum resultado na polícia caso Marley decidisse expor o merda que você é, mas isso não funciona comigo, sabe por quê? — Passou a pá para a outra mão, sentindo um prazer interno ao ver as íris dele acompanharem os seus movimentos minuciosamente. — Porque eu já matei antes.

— Jesus Cristo. — Paul resfolegou, aumentando os seus movimentos na tentativa falha de se livrar da fita grossa firmemente presa nos seus pulsos e nas suas pernas.

— Eu não sabia que você era religioso. Você vai à igreja, Paul? Você reza de manhã e se esfrega na sua sobrinha no final do dia? Espero que saiba que vai para o inferno.

— E você? — Ele parou de se mexer e a encarou. O nariz ficando em uma tonalidade púrpura com o passar dos segundos. — Você acha que vai para o céu? Aposto que o diabo já está esperando você. — Cuspiu as palavras.

Quinn sorriu.

— Eu não vou à igreja desde os dezesseis anos. Quer saber o motivo? — Ela não esperou uma resposta e continuou. — Eu senti um prazer imenso ao matar todos aqueles que me machucaram e não senti culpa, então talvez o meu lugar não seja no céu. Mas se tudo isso realmente existir, ao contrário de você, eu vou para o inferno completamente feliz, porque causei dor em quem mereceu, e você... você vai para o inferno sentindo a pior dor da sua vida. — Elucidou tudo pausadamente.

— Por favor! — Paul pediu, finalmente tendo a consciência da real situação em que se encontrava. — Eu sei que errei com Marley, mas isso não vai acontecer novamente. Eu juro. Eu... eu nunca a estuprei.

— Não, você nunca a estuprou. Mas faria isso hoje à noite, não é? — A pergunta pegou Paul de surpresa, e a sua expressão fez Quinn sentir o seu sangue ferver. Seus olhos se transformaram em duas esferas de fogo. Os detalhes dourados evidenciados. — Desgraçado! — Quase rugiu, erguendo a pá e deixando-a extremamente próxima de Paul, que fechou os olhos com medo.

Mas ela não o agrediu.

Quinn respirou fundo e se recompôs.

— Eu poderia enfiar toda essa pá na sua bunda agora, sabia? Você sentiria o que quer fazer com Marley.

— Não! Pelo amor de Deus! Por favor, não! — Paul implorou, voltando a se mexer com fervor. Estava desesperado, ansiando encontrar alguma maneira de sair dali.

— Pare de se mexer! Está me dando nos nervos! — Ela bateu com força a pá na perna dele, fazendo-o gritar de dor e apoiar a cabeça no chão, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelas laterais do seu rosto.

Sua perna queimava e latejava. A dor estava insuportável. Tão insuportável que ele tentou morder a própria mão para aliviá-la, na tentativa de fazer o seu cérebro esquecer o primeiro local ferido e se concentrar apenas no segundo.

Quinn sabia o que ele estava fazendo e riu outra vez.

— Daqui a pouco nem essa mordida vai aplacar a sua dor, Paul. — Ela se sentou novamente, girando algumas vezes na cadeira enquanto esperava-o parar de grunhir.

— Eu... — Paul tomou fôlego. Sua testa estava coberta por uma fina camada de suor, e seu rosto vermelho. — Eu prometo, em nome de tudo o que considera sagrado, que não vou mais importunar a Marley. Eu até posso sumir da cidade.

Quinn pendeu a cabeça para o lado, com uma falsa expressão pensativa no rosto. O macacão laranja, os cabelos presos cobertos pela touca descartável e a falta de maquiagem não a deixavam menos linda.

— Eu vou contar uma história, Paul. — Ela se recostou na cadeira, apoiando os pés em uma caixa e a pá no seu colo. — Há pouco mais de um ano, eu estava iniciando a minha terapia e fui obrigada a ir para um desses grupos de apoio idiotas. Lá, conheci uma mulher chamada Santana Lopez. Ela estava odiando tudo aquilo tanto quanto eu, e talvez por compartilharmos de um sentimento mútuo, começamos a conversar. Eu nunca me tornei amiga de alguém tão facilmente, mas os nossos demônios foram suficientes para que nos aproximássemos. Ela estava se recuperando de um relacionamento abusivo, onde era machucada constantemente e obrigada a fazer sexo com o namorado. Tudo corria bem desde que ela finalmente procurou a polícia e eles emitiram um mandado de restrição enquanto o procuravam, até o babaca começar a procurá-la outra vez. Quando não obteve sucesso, seu ego pareceu gritar, fazendo-o invadir o apartamento dela e estuprá-la enquanto a socava no rosto. Eu recebi a ligação de madrugada. Meu nome era o único contato de emergência. Aquele não era o primeiro estupro que ela sofria. Santana já havia passado por algo assim aos quinze anos, mas nada tão sério quanto naquele momento, onde foi preciso passar quase dois meses internada para se recuperar totalmente. A polícia não a ajudou da primeira vez. No entanto, na segunda, todos tentavam encontrá-lo, mas o maldito havia se escondido como um rato no esgoto. Quando ela teve alta, a primeira coisa que fez foi evidenciar o desejo de matá-lo. Mas não só matá-lo. Ela queria torturá-lo, fazê-lo sentir cada ferimento, e ela fez. Santana fingiu estar procurando-o para conversarem, e foi fácil levá-lo para o apartamento dela, onde eu estava esperando-os. O bom de morar em um lugar com uma vizinhança suspeita é que ninguém vai se meter na sua vida. Ninguém vai se importar em ouvir barulhos duvidosos, porque todos ali fazem algo de errado. Nós o levamos para o porta-malas do carro depois de uma forte pancada na cabeça, e a próxima parada foi um galpão aos pedaços que alugamos com um nome falso. — Ela fez uma pausa, raspando a ponta das unhas no cabo da pá. — O que eu quero dizer com tudo isso é que ele sentiu as bolas sendo arrancadas e colocadas na sua boca, ele sentiu cada gota de sangue sair do seu corpo e ele sentiu a morte chegar. É isso o que pessoas como ele merecem, Paul. O que inclui um homem repulsivo que se esfrega em uma garota e promete estuprá-la no final do dia. — Se pôs de pé. — Então não. Você não vai sair daqui, porque eu não vou ser presa, tampouco você vai parar de ser esse saco de merda. Isso está no caráter.

Paul entrou em pânico com a resposta obtida e tentou roer a fita dos seus pulsos.

— Socorro! Alguém me ajude! — Ele gritou novamente a plenos pulmões.

Quinn se irritou mais uma vez e bateu com a pá na virilha dele, calando-o no mesmo segundo. Ela tinha certeza de que havia acertado os órgãos genitais.

O ar faltou, e Paul ficou de lado, se curvando em posição fetal enquanto sentia novas lágrimas brotarem nos seus olhos. Não havia súplicas de dor, porque se sentiu fraco demais para falar alguma coisa. Suas bolas latejavam e ardiam como o inferno. Ele rezava para que seu cérebro pudesse entorpecer aquela dor excruciante.

— Eu queria muito mostrar como essa situação atual me traz lembranças fantásticas, Paul, mas infelizmente não posso. — O rosto delicado de Quinn se contorceu em tristeza. — O que posso dizer é que você vai morrer, e ninguém vai achar o seu corpo. Vai ser esquecido e excluído da sociedade.

Paul estava repleto de pavor e horror, mas não conseguia gritar. Ainda sentia muita dor, e Quinn percebeu isso, rindo efusivamente.

Ela usou a pá novamente, dessa vez nas costelas dele, que fechou os olhos, chorando sem pudor algum enquanto sentia algo se quebrando no seu tórax. E dessa vez Quinn não parou. Ela queria sair dali o mais rápido possível. Precisava saber como Marley estava e mais do que isso, precisava comer. Estava com fome. Sentia a sua barriga implorar por comida.

Paul tinha certeza de que seu cérebro não conseguiu processar tantas dores vindas de tantos lugares diferentes. Sua outra perna foi acertada, assim como o seu ombro, sua virilha novamente e seus braços. E quando Quinn chegou no seu rosto, ele já se sentia parcialmente fraco.

Ela estava suada. Tanto pelo esforço de bater nele quanto pelo ar abafado. Aquele macacão definitivamente não ajudava, embora fosse necessário.

— Por... favor. — Paul pediu, sentindo a boca seca e ouvindo a sua própria voz sair baixa e esganiçada. Sabia que seu corpo já possuía marcas roxas, provavelmente se tornando pretas tamanha força com a qual recebeu as pancadas.

— Não há espaços para favores aqui, Paul. — Quinn levantou ambas as mãos. — Mande lembranças ao diabo por mim.

Paul perdeu momentaneamente a consciência quando a pá acertou a sua cabeça, e Quinn esperou que ele acordasse para acertá-lo pela segunda vez, querendo fazê-lo sentir o máximo de dor que podia. Na terceira, entretanto, sangue começou a sair da face dele, que estava se deformando aos poucos. Na quarta, ela ouviu mais ossos se quebrando, e então a quinta, sexta e a sétima vieram incessantemente. Na oitava, o líquido escarlate já respingava nela mesma.

A décima chegou, e a testa de Paul já estava se abrindo, despejando sangue pelo chão de concreto. Quinn sabia que ele estava morto há alguns minutos, mas continuou os movimentos. Por garantia e por puro prazer interno.

Ela queria continuar batendo e sentindo todo o êxtase de ouvir o som da pá contra a carne do corpo sem vida, mas então o sangue atingiria as caixas e seria mais difícil de tirar. Em razão disso, ela soltou o objeto no chão em um baque surdo e iniciou o processo de limpeza.

A primeira coisa que fizera foi se livrar do macacão, luvas, touca e botas. Depois disso, Quinn se encaminhou ao banheiro da loja, passando água sobre as pequenas gotículas de sangue das suas bochechas, queixo e testa.

Enquanto se olhava no espelho, ela buscou por algum resquício de culpa ou arrependimento, mas não encontrou. Estava fleuma. Tão fleuma quanto pudera estar nos assassinatos que cometera antes de Paul. Eles mereciam, e era por merecerem que não se arrependia de algo. Ela também hesitou sobre apenas ir embora e deixar o corpo de Paul no depósito, mas não achou uma boa ideia. A polícia alegaria assassinato, o que era óbvio, e então a tia de Marley sofreria pela morte de um estuprador. Não. Paul não merecia ser lembrado como um homem bom e que foi injustamente assassinado, por isso Quinn saiu da loja após pôr um boné, moletom e óculos escuros encontrados no banheiro, caminhando até o final do quarteirão.

Nova York poderia proporcionar o mais tipo variado de lojas, contendo diversos materiais, desde armas sem exigir algum tipo de porte até ácido fluorídrico, o que era exatamente o almejo dela naquele momento.

O bairro onde estava não era um dos melhores, e ela entrou em outro armazém, pedindo o ácido para o atendente, que não fez a mínima questão de questionar sobre a autorização que precisava para obter uma quantidade elevada daquele líquido, e apenas a entregou, recebendo o pagamento. Quinn também aproveitou para comprar um container de plástico, levando consigo para a loja de Paul.

Ela colocou novamente as vestimentas descartáveis e inseriu metade do corpo de Paul dentro do container médio com um pouco de dificuldade antes de pegar o celular dele. Parte do tronco e a cabeça ficaram para fora, mas ela não se importou. Quando despejasse o ácido, tudo se corroeria, e o que estivesse faltando entraria em contato com o líquido.

E foi isso o que aconteceu.

O ácido remoeu todo o corpo de Paul, criando uma massa espessa vermelha no container, que não se dissolvia. Quinn também jogou toda a roupa que usara lá dentro depois de utilizar um pano úmido em água oxigenada trazido do banheiro para limpar o pouco do sangue que entrou em contato com o chão. O seu destino foi o mesmo das vestimentas, com exceção das luvas, que ainda estavam nas suas mãos, e o container foi fechado em segundos.

Ela mexeu no celular de Paul e abriu a galeria. Havia fotos de Marley. Sempre Marley. Deitada enquanto ressonava, inconsciente do que acontecia ao seu redor. Quinn apertou o aparelho em mãos, sentindo o rosto ficar vermelho como o sangue de Paul, e o levou até o computador da loja, passando todas as fotos para lá. Não queria expor Marley daquela forma, mas sabia que quando a tia soubesse do desaparecimento do marido, contataria a polícia, e eles olhariam tudo, inclusive aquele computador. Achariam as fotos e saberiam o homem que Paul era. Eles precisavam saber.

O penúltimo estágio foi levar o container até o porta-malas do próprio carro, juntamente com os recipientes do ácido e a pá, e o fechou, dando partida no veículo.

Seu destino foi Rockland County, mais precisamente o sanatório abandonado de Letchworth Village. Quinn já havia visto aquele lugar uma vez enquanto conhecia alguns pontos peculiares de Nova York com Santana, e o guardara na memória, porque ele era realmente intrigante.

E porque a área de terra que o adornava era perfeito para enterrar qualquer coisa.

Quinn estacionou o automóvel uma hora depois e buscou a pá, abrindo um fundo buraco no solo e arrastando o container até jogá-lo lá dentro, seguido dos recipientes. Em minutos, ele foi fechado, e ela bateu algumas vezes para amaciar a terra e deixá-la sem elevações.

— Adeus, Paul. — Ela deu meia-volta, retornando até o carro e dirigindo até o Westchester Creek, parando na borda e jogando a pá no rio, que afundou na água como o corpo de Paul no ácido.

O local era deserto, e Quinn retornou até a loja de Paul, ligando para a polícia logo depois.

— Oh, meu Deus, me ajude! — Ela forçou uma um timbre totalmente desesperado quando a atendente da central de emergência se pronunciou. — Ele... ele está tentando me pegar.

Ele quem? Tente ficar calma e fale comigo. — A mulher do outro lado pedia. — O que aconteceu?

— Eu vim até essa loja de carpintaria no Queens, e esse homem... Paul... tentou me estuprar quando estávamos sozinhos na loja. — A voz de Quinn saía aflita e recheada de pânico. — Eu consegui pegar o celular dele e agora estou trancada no banheiro da sala de funcionários. Me ajude, por favor! — Falava rapidamente, implorando enquanto simulava um choro falso em seguida.

Tente se acalmar e se mantenha na linha. Fale comigo. Eu já rastreei o celular e estou mandando a polícia até você. — A atendente tentou tranquilizá-la.

— Ele... ele está vindo. — Quinn desligou o celular propositalmente.

O aparelho tocou novamente segundos depois, mas Quinn não atendeu e retornou até o carro mais uma vez, voltando para Park Slope depois de retirar as luvas e guardá-las no seu bolso.

Quando entrou no apartamento, o sol já estava se pondo, e Marley continuava dormindo. Ela precisava daquilo, Quinn pensou, e caminhou até o banheiro após pegar álcool e fósforos.

As luvas foram jogadas na banheira, juntamente com o boné, os óculos escuros e o moletom, recebendo o fogo rapidamente, queimando até sobrar apenas resquícios pequenos que ela se encarregou de jogar no vaso sanitário e acionar a descarga.

Quinn aproveitou para retirar as suas roupas e tomar um banho, e enquanto se mantinha sentada na banheira, sentindo a água fria bater contra as suas costas, abriu um sorriso. Um sorriso tão iluminado quanto o sol que cobriu Nova York durante o dia. Não se sentia tão viva assim há muito tempo.

E ansiava sentir mais dessa sensação prazerosa.

Quando terminou o banho, ela se enrolou na toalha e foi até seu quarto, buscando uma roupa leve e as vestindo no quarto de Santana, não fazendo questão de pentear as madeixas médias, deixando-as úmidas.

Estava pronta para ir até a cozinha preparar algo para comer quando seu celular tocou na mesa de centro, onde havia deixado-o desde que saíra horas atrás.

Sabia quem era pelo número, e aceitou a chamada da prisão feminina da Califórnia.

— Eu achei que você ligaria apenas daqui a dois dias. — Ela franziu o cenho.

É, eu também, mas adivinha... — Frannie fez uma pausa. — Eu estou saindo hoje! — Estava eufórica.

— Espera, o quê?! Eu achei que você passaria mais alguns meses pela pena adicional de ter entrado em uma briga com aquela mulher. — Quinn ficou confusa.

Eu também achei, mas me comportei depois disso e reduziram a minha pena.

Quinn sabia que não era apenas isso, mas se contentou em exibir um sorriso, sentindo o seu interior se revirar em antecipação e felicidade em saber que teria Frannie solta em poucas horas.

A irmã continuou.

— Vou pegar carona com uma amiga até San Diego e hoje mesmo embarcarei no trem em Santa Fe Depot.

— Eu estarei na Penn Station pronta para receber você assim que desembarcar.

Ótimo, e eu espero que você faça um almoço digno de uma rainha, porque eu sinto que posso comer por duas vidas.

Quinn riu.

— Eu farei.

Certo, eu preciso desligar agora para arrumar tudo.

— Nos vemos amanhã.

Eu te amo, Quinnie.

— Eu amo você, Frann.

A ligação encerrou, e Quinn se sentou no sofá, extasiada demais, contente demais. Frannie estava saindo da prisão. Sentia falta da irmã mais velha. Sentia falta das histórias e dos abraços. Ela era a única pessoa no mundo, além de Santana, que estava dentro das barreiras impostas ao seu redor, porque a amava mais do que qualquer coisa no mundo. Esperava contar para ela sobre o que tinha feito e sobretudo, receber apoio.

Quinn tinha certeza de que receberia.

Notas finais
Gostaram do fim que Paul recebeu? Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. twitter.com/yasagron