Vermelho como o Céu [HIATUS]
5 Segundo dia - parte II -
Notas iniciais
A cegueira também é isto:
viver num mundo onde se tenha acabado a esperança
(Ensaio sobre a cegueira)
O laranja é a mistura perfeita entre o vermelho e o amarelo
— Nós dois pulamos ao mesmo tempo na água, fugindo de todas as abelhas. — Eu ria descontroladamente sentado no ônibus ao lado do cara mais baka que já havia conhecido na minha vida a caminho Lac-Ménagic.
— Aquele dia foi muito engraçado! — Naruto, com o seu jeito sempre intempestivo, dizia alto.
— Nossa! Impressionante como esse Naruto sempre está metido em alguma confusão! — Uma voz que eu já identificava como pertencente a Sabaku no Temari, uma das amigas de Naruto, surgiu no meio das gargalhadas.
— Vocês é que não sabem aproveitar a vida! Eu e Suigetsu aqui sabemos bem aproveitar cada momento. — Demonstrando toda sua empolgação, Naruto envolveu o braço em meu pescoço, bagunçando o meu cabelo em seguida.
No meio de tantos risos, esperava ao menos ouvir a voz dela, mas era inútil. Karin continuava quieta diante de todo aquele falatório. Seu jeito calado e recluso já me incomodava e muito. Atiçava a minha curiosidade. Como ela poderia ser tão indiferente a tudo e a todos? A todo o momento, eu procurava contar as minhas melhores histórias, as que eu julgava mais engraçadas para tentar arrancar qualquer sorriso que fosse daqueles lábios.
Eu nunca fui de me lastimar por minha condição, porém – em horas como essa – eu gostaria muito de ver, só para saber se por debaixo de toda aquela indiferença um sorriso seria capaz de brincar no canto de seus lábios, por menor que ele viesse a ser.
— Ei, Naruto, como ela está? Onde ela está sentada? Está perto de nós? — Aproveitei que o falatório dentro do ônibus havia se dispersado nos tirando do foco e cochichei ao pé do ouvido de meu amigo para tentar descobrir através dele algo a respeito de Karin.
— Não, está lá atrás! Está calada como sempre. Não espere mais do que isso dela! Ela não tem amigos e não faz questão de tentar tê-los — murmurou me respondendo. — Agora, Suigetsu, me explica direito essa história? — contrariando todas as possibilidades, Naruto agora falava mais baixo ainda e só pela mudança de seu tom de voz eu sabia exatamente a pergunta que viria a seguir. — Por que está andando por aí com ela? E que história é essa de acompanhante? Você conhece muito bem Montreal! Conhece melhor do que muita gente que enxerga e, além do mais, o Wolf não tem problema nenhum com multidões.
— É complicado! — De modo tenso, apertei o alto da minha bengala com as mãos.
— Naruto-kun! Conte mais uma história, por favor. — Antes que o baka voltasse a me questionar, uma voz doce e tímida me salvou de um possível interrogatório do qual não conseguiria fugir por muito tempo.
— Ah, Hinatinha, teve uma vez que o Suigetsu teve caganeira... Coitado! Foi um horror! Estávamos na rua e...
— Eu tive o quê? — Comecei a dar fortes pancadas na cabeça do idiota ao meu lado com minha bengala. — Você não está confundindo as coisas, não? Foi você que teve diarreia, baka. — Eu batia mais e mais forte fazendo com que todos rissem ainda mais.
....
Quando chegou o horário de irmos ao festival que Shizune havia mencionado, bati na porta dela insistentemente com o Wolf ao meu lado, claro. Não deixaria meu amigo de lado, afinal, ele possivelmente seria um grande aliado para tentar desvendar mais sobre essa garota tão misteriosa. Além do mais, o Wolf e eu desenvolvemos uma espécie de código só nosso com o passar dos anos que nos ajudaria muito nessa empreitada. Instruído por mim – sempre que necessário – ele rosnava para alguém, me obedecendo, às vezes, pela forma como eu puxava de leve sua coleira ou pelo número de bengaladas que eu dava no chão.
Um puxão de coleira significava rosne de leve só para assustar, dois puxões significavam rosne mais forte para obrigar a pessoa a fazer o que nós queremos. Três puxões significavam pode atacar com tudo. Sendo que esse último recurso nunca foi utilizado por mim, eu só o treinei desse jeito para alguma eventualidade ou situação mais séria. Nunca nos deparamos com alguma situação em que isso fosse necessário.
Sendo assim, aproveitando a clara instrução do meu lobo-guia, confesso que andei utilizando tal artimanha para convencer minha acompanhante nas últimas horas. Mas tudo com uma única finalidade: a de conhecê-la melhor e nada mais. A verdade é que Karin me intrigou desde o primeiro minuto em que a conheci. Naquele dia no restaurante, a garota petulante saiu encarando Senju Tsunade sem nem ao menos mostrar uma hesitação de voz ou receio.
Quem em sã consciência encara Tsunade desse jeito? Ela pode até ter ficado meio grilada quando falei que a denunciaria, mas no fundo, sei que não foi por medo e sim para evitar qualquer tipo de falatório, porque vamos combinar que quando Senju Tsunade resolve dar sermão é pior do que mãe que repete a mesma coisa um milhão de vezes.
Bati mais umas trocentas vezes e nada dela abrir. Quando disse que não sairia de lá até que ela aparecesse, eis que a porta se abre.
— O que quer? — Ela me indaga.
— O que você acha? Vamos ao festival! Apronte-se!
— Nem morta!
Ao perceber mais uma vez sua recusa, fui novamente obrigado a forçá-la. Segurei a coleira de Wolf com cuidado e discrição para que ela não percebesse e dei um puxão de leve.
— Eu não vou! E tira essa coisa de perto de mim!
Dois puxões e os rosnados do meu fiel amigo tornaram-se mais ameaçadores.
— Você não vai me deixar em paz, vai?
— Não!
Ela entrou e voltou alguns minutos depois. E, por Kami-sama, eu não podia vê-la, mas assim que ela abriu a porta um cheiro cítrico invadiu as minhas narinas. Parecia uma mistura de laranja com acerola. Confesso que fiquei meio desnorteado com o cheiro a ponto de desejar chegar mais perto dela para senti-lo melhor. Que diabo de perfume era aquele? Ela tinha que usá-lo justo essa noite?
Alguns me considerariam um tarado por afirmar tal coisa – e talvez eu seja – mas a minha vontade era sentir aquele perfume direto do pescoço dela. Acho que a convivência nas férias passadas com Jiraya e Naruto não foi a melhor influência para mim.
— Vamos, idiota! — Nem as pernas apressadas que eu já podia ouvir andarilharem na minha frente me desanimaram.
A minha curiosidade para saber como ela era só aumentava e não era para menos. Um cego conhece e reconhece uma pessoa pelo cheiro, pela voz e pelo tato. Quando Karin me proibiu essa manhã de tocar nela ou de estabelecer qualquer tipo de conversa, era como se ela acrescentasse por cima da minha já irremediável cegueira outra cegueira ainda pior.
Tal proibição só fez aguçar ainda mais a minha curiosidade a respeito de suas feições, porte físico, cor dos cabelos e olhos. Afinal, não é de hoje que a própria sabedoria popular afirma que “o que é proibido é mais gostoso.” E aquela maldita proibição era um convite para a desobediência e o seu cheiro era – sem dúvida – um convite para a perdição. Quanto tempo mais eu resistiria?
....
O festival finalmente teve início e eu estava muito animado. O barulho dos fogos me deixava eufórico e zonzo ao mesmo tempo. O cheiro da pólvora que invadia as minhas narinas seria uma distração para o problema do perfume de Karin que não se despregava do meu nariz, atiçando a minha vontade de quebrar todas aquelas regras estúpidas de convivência.
— O que você está achando, hein? Não disse que seria animado? — Quebrando pelo menos uma das regras, tentei puxar assunto, mas a resposta não veio. Não fiquei surpreso, afinal, já estava me habituando a ser ignorado. — Vamos, zangado, não seja ranzinza!
Provoquei-a propositalmente porque já havia percebido que diante das minhas provocações, ela acabava abrindo a boca nem que fosse para ralhar comigo, porém – mesmo diante de toda a confusão e barulho dos fogos – eu não sei explicar, mas sensorialmente era como se houvesse algo errado.
Foi aí que eu notei... Aspirei os odores ao meu redor assim que o cheiro da pólvora dissipou-se e nada. Aspirei novamente puxando todo ar possível em volta de mim e mais uma vez nada. Não sentia nada. Era como se ela já não estivesse mais ao meu lado. Quando Wolf começou a agitar-se, soube que minhas impressões estavam corretas.
— Karin! Karin! — Comecei a chamar baixo e à medida que não havia resposta desesperadamente fui aumentando meu tom de voz. — Karin! Karin! Wolf, ache-a agora! — Segurando em sua coleira, dei quatro puxões rápidos que era o código que usávamos toda vez que eu queria que ele farejasse algo para mim.
Não sei por que estava preocupado. Ela podia ter ido embora e ter me abandonado como daquela vez, mesmo reconhecendo essa possibilidade, isso parecia muito estranho. Por que ela aceitaria ficar próxima aos fogos depois da minha insistência e depois sairia assim, do nada, sem me avisar?
— Karin! — Continuei gritando para tentar encontrá-la.
Wolf continuava farejando, porém mesmo para ele era difícil. Afinal, naquele lugar lotado, havia várias pessoas com vários odores diferentes seria complicado encontrá-la. Comecei a ficar irrequieto e um tanto quanto desesperado. Onde aquela garota se enfiou? Droga! Onde está o idiota do Naruto quando se precisa dele? Tenho que avisar aos outros! Não deveríamos ter nos afastado tanto.
Wolf continuou sua busca quando de repente saiu em disparada pela rua. Nesse momento, eu soube que havia encontrado algo. Corri junto dele ainda segurando-o pela coleira e volta e meia esbarrando nas pessoas ao meu redor sem me importar em pedir desculpas. Não havia tempo para isso! O mais importante agora era achá-la e nada mais.
....
Wolf ainda prosseguia no seu rastreamento até que parou um segundo. Eu já fazia alguma ideia de onde estávamos, por causa do barulho que meus pés faziam ao tocar o chão, soube que era um lugar com muitas folhas secas e bem escorregadio por causa da neve. A julgar pelo silêncio ali presente, tenho quase certeza que chegamos na parte que dava para um bosque que eu conhecia muito bem por sinal. Foi aí que comecei a ouvir algumas vozes e me intriguei mais.
— O que é isso?
— O que?
— A garota ali... Jogada no meio daqueles arbustos.
Ao som dessas últimas vozes, fiquei em sinal de alerta. Garota jogada no meio dos arbustos?
— Vamos ver... Vamos ver... O que temos aqui? Será que tem dinheiro?
— Provavelmente! Tem cara de turista! Turistas sempre tem dinheiro.
— É bonita! É muito bonita!
Não esperei mais para agir. Quem quer que fosse, aquilo não acabaria bem se eu não interviesse.
— Ei, amigos, vejo que acharam minha amiga, hein. — Enfiei-me por entre alguns arbustos, chamando a atenção daqueles homens.
— Sua amiga?
— Deveria avisá-la que é arriscado andar sozinha em cidades estranhas! — Assim que o estranho falou, consegui identificar no mesmo instante sua localização e me aproximei mais.
— É só um cego estúpido! Vamos pegar o dinheiro, a garota e dar o fora! — O segundo homem sugeriu altivo.
Como sempre minha bengala e meus óculos escuros denunciavam a quilômetros a minha condição.
— Cavalheiros! Infelizmente, acho que essa ideia de levar garota não é uma boa!
— Ah, é... E me diz aí, otário, como você pretende nos impedir?
— Wolf, agora! — Não esperei mais, ao comando de três fortes puxões em sua coleira, meu lobo-guia transforma-se completamente e rosna para os sujeitos mal intencionados. Eu o solto e permito que ele espante os dois covardes que saem amedrontados correndo. — Bom garoto! — Acaricio-o atrás das orelhas assim que ele volta para perto de mim. — Agora vamos lá! Me leve onde essa tal garota está.
Wolf me levou até a pessoa em questão. No mesmo instante, assim que me aproximei, soube que era Karin por causa do perfume que ela naturamente exalava aquela noite. Estava caída no chão e, aparentemente, desacordada. Me abaixei e ali ajoelhado, eu tentava acordá-la a todo custo.
— Karin! Karin! — Insistentemente, sacudia-a de leve.
Ela começou a se mexer, correspondendo as minhas investidas.
— Karin! — Toco em seu ombro a fim de obter alguma resposta.
Ao escutar mais uma vez o barulho de folhas secas, tenho a ligeira impressão de que nesse exato momento ela afastou-se de mim.
— Sou eu! — Nesse momento, Wolf uiva ao meu lado como se instintivamente também estivesse tentando fazê-la entender que não há perigo algum.
— Não... não... não... — É a primeira coisa que a escuto dizer depois de alguns intermináveis minutos. — Fica longe de mim! — Sua voz trêmula revela um choro contido e desalentado e diante dessa recusa, eu não consigo entender o que se passa.
— Karin...
— Me deixa em paz! Vai embora! — Agora sua voz torna-se mais firme e o choro mais descontrolado, ela grita me deixando completamente sem reação.
— Karin... Acalme-se! Sou eu, Suigetsu! — Apoio-me na bengala me levantando em seguida e estendo minha mão amigavelmente.
— Não... não... não! Não encosta em mim! — Seu berro faz com que eu me assuste com aquele comportamento inesperado.
— Karin... O que houve? Vamos voltar! Me deixa te ajudar!
— Ajudar? — Ela parece confusa e perdida. — Eu não consigo... Eu não consigo respirar.
— Karin...
— Está tudo girando! Minha cabeça... Minha cabeça... Eu quero sair daqui! Eu quero sair daqui! — Seu pedido vem em tom de sussurro suplicante, mas a impressão que eu tenho é que ele não é necessariamente para mim.
— Vamos fazer o seguinte... Eu não vou encostar e nem me apoiar em você. Você é que se apoiará em mim! Eu te levarei para fora daqui. Eu guiarei você! — Esse sem dúvida era um dos momentos mais irônicos de toda a minha vida. Eu, um cego, agora seria responsável por guiar alguém. — Tudo que deve fazer é segurar no meu braço.
Fiquei estático, esperando pelo momento em que ela seguraria em meu braço. Não sabia se aquilo iria funcionar, mas ou era isso ou nada. Não poderia sair dali para pedir ajuda, porque no estado em que ela se encontrava era capaz de sair vagando sem rumo pelo bosque adentro.
Ouvi o barulho das folhas secas se partindo mais uma vez no chão e desejei internamente que fosse ela se aproximando e não se afastando. A ansiedade me consumia até que finalmente senti seu toque em meu braço.
— Isso! Isso! Acalme-se! Vai ficar tudo bem! Eu prometo. — Foi tudo que consegui dizer ao escutar seu choro baixinho. Já segurando a coleira de Wolf, prossegui ao lado dela a guiando até chegarmos ao chalé.
....
— Eu sei! Eu sei! Já entendi. Eu sinto muito Tsunade — sama! Eu achei que... — Guiado por Wolf, estou prestes a descer para tomar café quando ouço a voz de Shizune pelo corredor, onde ficavam localizados os quartos do chalé. Pelo tom de voz, só poderia estar falando com Tsunade pelo celular. — Eu achei que ela ficaria bem! Eu... Eu não imaginei que a síndrome do pânico... Eu achei que ela já tivesse superado isso!
Paraliso ao escutar tais palavras. Síndrome do pânico? Então era isso... e ela me avisou. Ela me deu vários sinais. Como posso ter sido tão burro? Ela me pediu... Ela praticamente implorou para não que ficássemos perto dos fogos e eu a ignorei. Eu deveria ter percebido. Ah, Suigetsu, como você é burro!
— Eu sei... Eu sei... Eu não deveria! Eu sinto muito, Tsunade-sama. Nós voltaremos para Montreal imediatamente. Não se preocupe. — ouço Shizune soltar um suspiro de frustração e me aproximo mais.
— Suigetsu... Já tomou café? — Já percebendo minha presença, Shizune me pergunta com uma voz cansada.
— Ainda não! Na verdade, eu gostaria de saber como ela está?!
— Hum... Não vou mentir. Não está muito bem, mas vai ficar. Vamos voltar para Montreal e lá Tsunade-sama decidirá o que fazer. Mas não precisa ser um gênio pra saber o que vai acontecer... Devido às circunstâncias... É provável que Karin volte imediatamente para Konoha. Foi um erro! Foi um erro! — Ela lamenta entre uma fala e outra. — Bom, vou avisar aos outros lá embaixo para se aprontarem. Não demore muito! — ouço a secretária de Tsunade afastar-se aos poucos.
Escoro-me na parede e deixo que o sentimento de culpa me invada. Eu fui tão idiota. De repente, escuto o som de uma maçaneta girando e fico mais atento.
— Suigestu?!
— Sakura?
— Sim, sou eu.
— Como...
— Shiiii! — A garota aproxima-se de mim e põe a mão na minha boca antes que eu possa perguntar. — Está na cama! Imóvel e meio... — Ela me responde antes que eu pergunte.
— Meio o quê? — pergunto tirando sua mão de minha boca.
Wolf também demonstra certa inquietação e pelo modo como se agita sinto que é como se estivesse me puxando em direção ao quarto de Karin.
— Não sei explicar! Sei lá... Ela parece tão sem esperança. Está com o olhar perdido e vago! Tentei me aproximar, mas é impossível. Ela recua! Se ainda houvesse alguma coisa que... Não sei! Pra você ter uma ideia quando Shizune tentou fazer com ela se levantasse da cama, tudo o que disse é que não conseguia, que simplesmente não conseguia se levantar, que não se sentia segura para colocar os pés no chão — disse sussurrando, provavelmente para que Karin não nos escutasse.
— Não se sente segura para colocar os pés no chão?! — Reflito momentaneamente sobre aquela informação. — Sakura, preciso que me faça dois favores: primeiro, distraia Shizune. Segundo, ache o Naruto e peça para ele me encontrar na casa de Shiranui Genma e peça para ele aprontar e deixar Charlotte no esquema!
— Charlotte? Quem é Charlotte? Mas por que isso? Distrair a Shizune? Pra quê? Por quê? — A garota me disparou um monte de perguntas carregadas da típica curiosidade feminina.
— Só faz o que eu estou te pedindo, por favor.
— Se eu fizer você promete que irá ajudá-la? — Sua voz transmitia muita preocupação.
Não imaginei que ela se importasse com Karin depois do que Naruto havia me dito, achei que Karin não tivesse amigos.
— É só o que eu pretendo fazer! — Sorri amistosamente, mostrando-me convicto em meu propósito.
Para reparar meu erro, estava disposto a ajudar Karin de qualquer maneira. Faria o que fosse necessário para que ela ficasse bem. E se o problema era esperança, eu a levaria ao único lugar onde a esperança renasce a cada dia.
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