Acordei com o som do noticiário das sete da noite como sempre, uma boa caçadora depende de uma boa rotina.

“A polícia local investiga uma série de assassinatos em que o sangue das vítimas foi completamente drenado de seus corpos, alguns apresentam lacerações no pescoço e nos pulsos, a polícia ainda não sabe dizer com certeza se os responsáveis foram vampiros mas um inquérito está sendo aberto. Até quando essas abominações irão tirar vidas e sair em pune? “

– Não no meu turno. – Digo brincando e me levanto da cama começando os alongamentos.

Vou até o banheiro e me dispo de forma que eu possa ver os locais que precisam de atenção, ontem foi um dia bom então só tenho arranhões no rosto, um lábio inchado e um ombro potencialmente deslocado, tomo uma rápida ducha fria e em seguida jogo o uniforme de combate do dia anterior dentro de um saco de lixo, pego um novo de dentro da gaveta e assim que estou vestida prendo minhas armas nos cintos e colo mais uma foto de um vampiro que matei no quadro da morte , cada foto significa mais um passo mais perto do monstro que matou minha família.

Minha história começa a três anos atrás, eu morava com meus pais em uma casa pequena mas aconchegante em uma cidade do interior, eu tinha uma vida até feliz até que o telefone tocou de madrugada em um 7 de julho, me levantei para atender mas minha mãe tinha sido mais rápida, consigo me lembrar de cada expressão no rosto dela ao receber a terrível notícia de que meu pai não voltaria para casa pois havia sido morto. Foi como se eu tivesse sido esfaqueada no peito, eu nunca mais veria meu pai, eu nunca mais reviraria os olhos quando ele dissesse algo estúpido e jamais ganharia um abraço dele quando eu estivesse triste.

Minha mãe entrou em um estado mecânico de ser, seus sorrisos eram raros e ela chorava toda noite, não comia, não bebia e raramente levantava da cama, descobri um mês depois que ela estava com depressão, o que me obrigou a trabalhar para manter a casa e a nós duas, arrumei um emprego em um shopping que ficava no centro da cidade, era bem longe da nossa casa mas pagava muito bem e eu precisava do dinheiro.

Em uma dessas noites de hora extra eu cheguei em casa muito tarde, e assim que abri a porta tive a visão mais horrível da minha vida, algo tão bárbaro que ainda se faz presente nos meus pesadelos todas as noites, minha mãe havia sido morta pelo mesmo vampiro que assassinou meu pai, e ele ainda deixou um recado para que eu encontrasse: estou chegando.

Balanço a cabeça para me livrar das memórias e saio do quarto, bato na porta de Matt pontualmente como sempre e ele aparece completamente pronto segurando uma barrinha de cereal.

– Quer uma? – Pergunta ele antes de fechar a porta atrás de si.

– Eu não como essas merdas. – Digo e ele revira os olhos.

Descemos as escadas para o refeitório sem comentar o que aconteceu na noite anterior, quinze dos nossos foram mortos e a maioria eram novatos, não era para ter acontecido nada disso mas eles armaram uma emboscada com informações de dentro. Nos sentamos juntos na mesa mais afastada possível dos outros caçadores, quanto menor o contato menor o risco de se abalar diante da morte deles.

– Lauren Nicolev? – Pergunta uma garota novata se aproximando da nossa mesa, ela era pequena e tinha uma grande atadura em volta da cabeça, que se destacava bastante em contraste com seus cabelos negros.

– Sou eu. – Digo.

– Eu vim para agradecer, se não fosse por você eu e minha irmã estaríamos mortas. – Diz ela com lágrimas nos olhos.

Ah não! Esse é mais um daqueles momentos constrangedores onde eu tenho que explicar que eu só estou fazendo meu trabalho, e eu faço isso por mim e não porque eu quero salvar a humanidade nem nada disso.

– Não tem que agradecer nada, qualquer um faria a mesma coisa. – Digo ríspida e assim que a menina vai em bora eu me viro para Matt que me olha sério.

– Ser a queridinha de todos deve ser bem estressante. – Diz ele ironicamente.

– Eu não pedi por nada disso Matt, você sabe muito bem o motivo pelo qual eu estou aqui, e não é para receber medalhas e troféus.

– Tudo que eu sempre quis foi receber medalhas e troféus, mas nem mesmo um obrigado eu ganho.

– Pare de choramingar, seja homem Matthew. – Brinco com ele e ele dá um sorriso fraco.

– Vou buscar nossa missão de hoje parceira. – Diz ele se levantando e saindo da mesa.

– Não me chame de parceira. – Grito para ele.

Isso me dá tempo de pensar na noite anterior, eram mais ou menos 23h e a tarefa era simples, apenas conduzir os novatos em uma busca de atividade suspeita pelas ruas, era para ser uma ronda simples então nos dividimos em duplas, marcamos um horário certo para nos encontrarmos no ponto de partida mas ninguém apareceu, fiquei preocupada e o localizador dos novatos estava perdendo o sinal e se apagando, os rastreadores nos levaram para uma casa enorme onde estava acontecendo uma bela de uma festa, olhei para Matt confusa e ele disse que ia olhar em volta da casa, pela porta da frente uma garota loura saiu e se escorou em uma árvore para vomitar.

– Você está bem? – Perguntei.

Ela abriu a boca para falar mas caiu desfalecida aos meus pés mostrando as lacerações no pescoço, aparentemente caímos em um covil de sangue, os vampiros dão essas festas com o intuito de se alimentarem sem deixar rastros, assim que terminam eles jogam ácido nos corpos até ficarem irreconhecíveis para dar pistas a polícia.

Meu corpo formigou com a adrenalina e Matt ainda não tinha voltado, poderiam ter muitos vampiros na casa, mas eu não podia abandonar os novatos lá dentro sem proteção nenhuma, se eu ligasse para o Instituto iria demorar chegar reforços e poderia ser tarde demais.

Retirei duas lâminas longas do cinto e entrei me concentrando na música eletrônica que pulsava para não perder o foco diante desses monstros, apesar de terríveis eles tinham uma beleza incrivelmente atrativa a qualquer humano, mas imaginem a minha surpresa ao entrar e encontrar o salão vazio, era uma cilada.

Ouvi o grito antes de perceber que alguém foi jogado do segundo andar , o garoto novato caiu a dois metros de mim e morreu com a queda, saía muito sangue do seu corpo e com isso vieram imagens daquela noite em que minha mãe foi morta, automaticamente perdi qualquer sentimento humano que eu pudesse ter e em segundos estava no andar de cima em combate, foi tudo muito rápido, já haviam novatos mortos então só pude salvar o restante, nunca me lembro com clareza das lutas, só me lembro de ter decapitado todos eles e de ter ligado para o instituto para que mandassem alguém para acender uma pira onde pudéssemos jogar os corpos.

Matt surgiu no andar de cima coberto por sangue e me perguntou alguma coisa mas não consegui ouvir, tudo que sei é que corri a noite toda pelas ruas frias da Romênia até conseguir sair do estado mental inerte e voltar para casa.

– Adivinha o que eu tenho para você ? – Pergunta Matt de volta para a mesa.

Notas finais
Vai melhorar gente , é minha primeira fanfic. Reviews ??