Vermelho Sangue
23 O Sofrimento.
Notas iniciais
CAPÍTULO 24 – O Sofrimento.
Loki adentrou o quarto. Seu coração parou, esmagado de dor.
O grito de horror que saiu da garganta de Loki sequer foi humano. A mais pura angústia havia saído de dentro de si. Correu até Thor, que estava deitado no chão, sangrando.
Thor tossiu sangue nos braços de Loki. Ainda estava vivo. Loki imediatamente começou a curá-lo, envolvendo sua aura branca no ferimento do abdome de Thor.
– Loki... – Thor murmurou, com a voz trêmula da mais profunda dor que já sentira.
– Não meu amor, quieto, eu vou te curar. – Loki falava em agonia, coberto de lágrimas e sangue, curando o marido.
– Não, Loki, escuta... Eu... – tossiu mais sangue. – Eu não vou sair dessa. – Thor falava. Lágrimas cristalinas saiam de seus olhos enquanto ele lutava para respirar.
– Não, não. Não fala isso. Não me fala isso. Não faz isso comigo. Eu vou te salvar, eu vou fechar esse ferimento. Você vai estar novinho em folha. – o jotun tremia, chorando. Em choque.
Por mais que Loki pusesse sua vida nisso, o ferimento não fechava. Mais e mais sangue saia dele, e Loki o pressionava com força, tentando estancá-lo. Suas mãos tremiam de horror e choque.
– Quem fez isso com você, meu amor? Quem fez... – Loki tocava no rosto do marido, acariciando-lhe sem parar.
– Meu amor... Escuta... – Thor olhava para o marido, enxugando suas lágrimas e acarinhando-lhe com as mãos ensanguentadas. – Saiba que... Eu te amo mais que tudo. Eu quero que... – respirava fundo, entre suas próprias lágrimas e a dor imensurável. – Que você sempre se lembre disso... Você é lindo... É único... Você me fez mais feliz do que qualquer pessoa jamais faria. Eu te amo... Eu te amo...
Thor tinha uma expressão tranquila apesar das lágrimas. Ele beijava suavemente seu marido e lhe doía mais ver toda a raiva e tristeza que Loki sentia.
– Hey... Eu quero você feliz... Como eu costumo ver todos os dias. Não sinta raiva. – Thor tossiu e arfou, arqueando-se por ar no colo de Loki. – Não sinta sede de vingança. Nós não conseguimos, mas... – ele acariciou a barriga de Loki.
E nesse momento, Loki chorou mais. Beijou as mãos ensanguentadas de Thor.
– Eu te amo, meu príncipe. – Thor enxugou mais uma vez as lágrimas do marido.
Loki abraçou o marido, chorando compulsivamente. Thor beijou-lhe os lábios com amor, o beijo mais apaixonado de sua vida, acariciando seu rosto com doçura e por fim entrelaçando suas mãos ensanguentadas às de Loki. Os dois encostaram as testas, chorando baixinho, soluçando. E falaram juntos:
–Eu sou teu amante. Sempre fui. E nós seremos um.
Eu prometo pelo sangue que nos une. Pelo teu sangue derramado.
Eu te amei em eras passadas. Eu te amo nesta era. Eu te amarei nas eras futuras.
Por tudo e para sempre.
Thor sussurrou o seu último “eu te amo” para Loki. A profecia se cumprira.
Loki sentiu o maior medo, angústia, a maior dor de sua vida. As lágrimas queimavam-no como o ácido mais forte. Seu peito doía. E seu grito da mais extrema agonia foi o maior que todo o universo já viu. O jotun abraçava e beijava compulsivamente seu marido. Não o queria soltar, ele sentiria frio. Se sentiria sozinho. Não o soltaria, por nada naquele mundo, nem em mundos além daquele.
Até que Lady Sif chegou a porta, alarmada pelo grito de Loki. Seu coração imediatamente encheu-se de agonia e ela gritava de dor, de choro e lágrima, enquanto caia, desconstruída, no chão. Seus “nãos” doíam na alma de Loki. Até que Sif levantou-se rápido entre as lágrimas e Loki apenas conseguiu ouvir “Não, não entre, senhora! Não entre!”
Frigga.
A rainha gritou. Dor. Pânico. Lágrimas. Ela correu até seus filhos. Loki ainda abraçava o marido, entre o choro incontido.
– Meu bebê... O que fizeram com meu bebê? Por que tanto sangue...? – a rainha ensanguentava-se, maculando suas roupas, acariciando o rosto do filho, abraçando os dois.
Loki não sabia dizer por quanto tempo permaneceu com Thor nos braços. Ou quantas pessoas estavam no quarto, quantas delas choravam. Tudo era um borrão. Um imenso borrão cheio de dor. Seus sentidos bloquearam-se. Tudo o que queria sentir era Thor junto a si. A pele de Thor. O cheiro gostoso dos seus cabelos.
Mas tudo era sangue e lágrimas. A visão de Loki estava embaçada, tudo cheirava a sangue. Não importava. Não o soltaria.
– Amor... Filho... Você tem que deixa-lo ir. – Frigga, ainda chorando, pegava gentilmente Loki pelo pulso.
Loki não a respondeu. Sequer notou ela. Estava insensível ao mundo ao seu redor.
– Loki... Deixe-o ir. – Frigga soluçou, vendo a reação de Loki. Doía ainda mais nela vê-lo naquele sofrimento.
– Mãe... – Loki, por fim, olhou para Frigga com os olhos cheios de lágrimas. – Eu não posso... Ele vai ficar com frio... Vai se sentir sozinho... Eu tenho que ficar junto com ele...
Loki não parecia ver a realidade, ou talvez não quisesse vê-la. Era apenas... Muita dor. A maior do universo. Muito mais do que conseguia suportar.
– Meu menino... Ele tem que ir. – Frigga soluçava. – Ele tem que ir, Loki. Ele tem que ir. – a rainha chorava compulsivamente, pegando Loki pelo pulso.
– Não, não, não! NÃO, NÃO, NÃO, EU TENHO QUE FICAR COM ELE, NÃO! Não o deixe ir, não deixe meu marido ir! Eu o amo, ele tem que ficar comigo! – Loki gritava com todas as suas forças, entre o desespero e as lágrimas, enquanto Frigga o afastava de Thor, abraçando Loki com força.
Loki abraçou sua mãe com todas as suas forças, gritando de choro e de dor.
Seu marido estava saindo do quarto, sendo carregado por dois guardas. Tanto sangue... Por que tanto sangue?
Ele tinha ido. Sua alma, seu amor tinha ido. E Loki estava morto.
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