Vermelho Sangue
2 O Contato.
Notas iniciais
CAPÍTULO 2 – O Contato.
Thor abriu os olhos devagar. Sua cabeça doía tanto que tinha a sensação de que seus ouvidos “pulsavam”. Levemente tonto, ele tentou mexer as mãos. Estavam dormentes e presas com uma camada de gelo cristalino, fixa a parede daquele lugar. Thor olhou em volta.
Estava sentado no chão de uma enorme sala de gelo tão límpido e brilhante que quase parecia cristal. As paredes tinham formas florais com um furta cor que Thor nunca havia visto antes, e o chão tinha desenhos geometricamente organizados. O lugar tinha grandes portas de cristal reluzente, o teto era uma abóbada que parecia vidro e por um momento, Thor duvidou que ainda estivesse em Jotunheim. Não esperava que algo tão belo se encontrasse num lugar tão frio e escuro.
Thor furiosamente tentou soltar-se do gelo que prendia seus pulsos. A camada de gelo parecia fraca e quebradiça, mas só parecia. Thor sequer conseguiu rachá-la. Não era apenas gelo – caso contrário, o asgardiano conseguiria quebrar muito facilmente – havia magia envolvida.
“De um mago experiente” pensou. A mente de Thor entrou em profundo pânico por alguns momentos. Magos com tal habilidade só haviam em Asgard. Será que ele fora pego numa missão de resgate? Seu pai havia descoberto a tentativa de invasão à Jotunheim? Heimdall falou tudo? Thor respirou fundo e tentou se acalmar. Seja quem fosse seu captor, não adiantaria em nada entrar em pânico.
Sem que Thor esperasse, uma figura adentrou o quarto.
Um jovem jotun abrira as portas de cristal e por um momento, o cérebro de Thor parou de funcionar. Ele tinha a pele azulada e cheia de marcas. Seus corpo era esguio, com músculos muito levemente definidos e podia ser considerado com habilidade para a luta. E tudo isso era visível porque ele vestia uma pele de um animal morto em caça nos ombros e em seus quadris, preso com correntes e enfeites de ouro e pedras preciosas, havia um tecido nobre branco cobrindo suas partes intimas e um pouco das pernas.
Ele também tinhas belíssimos cabelos negros e lisos que iam até a cintura. Seus cabelos e o topo da cabeça eram todos enfeitados com joias brilhantes. Aliás, isso era algo marcante nele: O jotun era coberto de joias. Braços, quadris, coxas, tornozelos e até mesmo seus cabelos eram delicadamente ornamentados com correntes, braceletes e tornozeleiras, todos de ouro e pedras rubi.
O jotun possuía um olhar forte, e Thor podia sentir isso a partir de seus olhos vermelhos-sangue, que analisavam-no com uma precisão cirúrgica. Ele caminhava levemente e prostrou-se a frente de Thor com um ar autoritário, mas que ao mesmo tempo, parecia tranquilo.
Thor apenas não deixou de notar ele era a criatura mais bela que já havia visto em todos os 9 reinos. Uma beleza única que, por alguns momentos, Thor reprimiu-se mentalmente de notar. Ele era um jotun, um inimigo. Deveria considerar-lhe, absolutamente, como tal.
– Onde... Onde está o meu... – Thor tentou organizar os pensamentos.
– Seu martelo? – o jovem completou. A voz dele era melódica. – Está ali. Temporariamente longe de você, para minha segurança. – ele falou, apontando levemente para um canto da sala, onde estava o Mjölnir, em cima de um pedestal de gelo límpido. Thor notou que o belo jotun tinha os dentes caninos afiados. Isso dava-lhe um ar vampiresco quando ele falava.
A mente de Thor estava em pane. Em sua mente pairava mil perguntas, e nem sabia quais fazer primeiro. “Onde estou? Quem é você? O que fará comigo? Como conseguiu trazer o Mjölnir para cá?”
– Então, asgardiano... – o belo jotun andava de um lado para o outro, olhando firmemente para Thor. – o que faz em Jotunheim? Creio que esteja ciente que forasteiros não são bem vindos por aqui. Especialmente de Asgard.
– Pude notar. – Thor ironizou. – Quem é você?
O jovem deu um risinho pelo nariz. As joias tilintavam e o véu que vestia na cintura farfalhou enquanto ele abaixou-se para ficar a altura dos olhos de Thor.
– Não seria conveniente eu te matar agora, não é mesmo, asgardiano? — ele falava, a voz melodiosa soava fria como uma lâmina. – Diz teu nome, e talvez tu sejas digno de ouvir o meu.
– Você está ameaçando Thor, filho de Odin, futuro herdeiro do trono de Asgard. – O loiro falou. A voz de trovão saia com desdém.
Desta vez, a risada do jotun foi mais alta e irônica.
– Não é uma ameaça, asgardiano. É uma promessa. E o que vos promete chama-se Loki, filho de Laufey, herdeiro de Jotunheim.
A mente de Thor deu um estalo.
∞
Odin sentou em seu trono. Sentia-se fraco e cansado, e sabia que aquilo não significava boas notícias.
Para piorar, em Asgard corriam rumores. Um jotun, filho de Laufey, nascera com poderes extraordinários. Assim como alguns magos de Asgard, o jotun poderia produzir magia e materializar gelo. Além disso, Loki – como o garoto fora chamado – foi considerada a criatura mais bela dos nove mundos, fazendo com que até mesmo homens se apaixonassem por ele.
Odin estava mais do que preocupado. Sua temporada de sono profundo chegava rapidamente, havia um gigante de gelo que sabia como usar magia, herdeiro de Laufey que futuramente, governaria Jotunheim. Odin precisaria exterminá-lo ou juntar-se a ele. Mas principalmente, não poderia deixar que Thor soubesse.
Odin suspirou.
O filho impulsivo, se soubesse de qualquer coisa, acabaria indo a Jotunheim executando a primeira opção. Precisava agir rápido.
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