Vermelho Sangue
3 A Ironia.
Notas iniciais
CAPÍTULO 3 — A Ironia
A mente de Thor juntou rapidamente as peças. Era ele, era Loki. O alvo principal da sua missão. O jotun que nascera dotado de extrema beleza e poder. Basicamente, Loki era o motivo de Thor estar em Jotunheim.
Santa ironia.
Agora, Thor sentia-se completamente estúpido. Seu alvo estava na sua frente, e ele sequer poderia mata-lo.
– O que foi, asgardiano? O fato de eu ser filho de Laufey o assustou a ponto de perder a fala? – Loki ironizou enquanto sorria, sentado numa elevação de gelo que ele mesmo havia acabado de criar com magia.
– Oh, Loki... Não me faça rir. – o loiro replicou a ironia.
Loki deu um sorriso tortuoso, os dentes vampirescos davam-lhe uma sensualidade fria. Levantou-se e caminhou graciosamente até Thor. Pegou o queixo do loiro, os dedos frios de gigante de gelo e as unhas negras ameaçadoramente grandes do jotun fizeram Thor arrepiar.
– Você é corajoso. – Loki falou perigosamente perto do rosto de Thor – estúpido, mas corajoso. – ele sorria e mordia os próprios lábios enquanto analisava o rosto de Thor com os olhos rubi.
Thor inclinou-se repentinamente, num surto de ódio, mais próximo ao rosto do jotun. Falou, entre dentes:
– Eu não preciso de coragem pra matar alguém como você. – Thor sentia todo o seu sangue concentrar-se no rosto. Fervia de ódio. – Basta que eu queira.
Loki deu uma risada maior, levantando-se.
– Oh, parece que a gatinha tem garras! – sorria, enquanto cruzava os braços, afastando-se lentamente de Thor, olhando para ele. – Bem, asgardiano... Ainda estou vivo, não é mesmo? Parece que você não está “querendo” o suficiente. O que falta? É do martelo que você precisa?
Loki caminhou calmamente até o Mjölnir. Pegando-lhe em mãos sem esforço, brincava com ele, girando-o no ar através de magia. Uma aura azul manifestava-se ao redor do martelo. Thor observou-o, estupefato.
– Como... Como você consegue?
– O que? A magia? – Loki girava o Mjölnir com a maior naturalidade, olhando para Thor – Se este for o caso, nasci com ela.
– Mas nativos de Jotun...
– Eu sei. Não dominam magia. Eu sou a prova viva de que a sentença não é verdadeira. – Thor notou que, por algum motivo, os olhos de Loki tomaram um angústia imensa enquanto ele falava aquilo.
– Como você conseguiu levantar o Mjölnir?
– Mjölnir é o nome dessa coisa? – Loki sorriu e dessa vez, seu sorriso era sincero. Os dentes afiados surgiam no sorriso divertido, e Thor, por um momento, comparou Loki a um lobo... Um lobo doméstico adoravelmente dócil. Thor não pode deixar de notar que ele tinha um belo sorriso. – E como assim “levantar”? Você fala como se fosse impossível. – Loki jogava o martelo para cima, brincando com ele.
– Mas é. É impossível. Apenas eu poderia levantar o Mjölnir.
Loki pôs cuidadosamente o martelo de volta no pedestal.
– Bem, parece que não é só você. – o jotun voltou a abaixar-se, para ficar a altura de seus olhos. – E agora, Thor... – era a primeira vez que seu nome era pronunciado por Loki. – O que eu faço com você? – Loki olhava profundamente nos olhos do asgardiano. Seus olhos brilhavam como sangue vivo.
Thor, por algum motivo, sentiu o coração acelerar numa chama morna de adrenalina. Não era sede de batalha... Simplesmente não sabia o que era essa sensação. Talvez fosse medo... Thor nunca havia conhecido uma criatura tão poderosa.
– Solte-me. Eu vou para o meu reino e nunca mais incomodo o seu povo. – Thor barganhou.
– Oh, asgardiano... – Loki olhava para Thor, com expressão decepcionada. – Você realmente subestima minha inteligência. A primeira coisa que você faria seria pegar este maldito martelo e me matar... Como todos os asgardianos sempre fazem com meu povo. Você é igualzinho a eles.
– Não, eu não farei isso. Não sou como eles. Solte-me e eu irei embora... Aceite isso como uma oferta de paz, pelo ao menos temporária. Eu te dou minha palavra. – Thor argumentou. Realmente, aquela missão perdera o sentido. Seu alvo havia o capturado e Thor só queria voltar a Asgard para dar o relatório de missão.
Loki pensou por um momento. Respirou fundo e aproximando-se do rosto de Thor, sussurrou:
– Tudo bem... Mas tenha em mente que se você voltar aqui, se matar alguém de Jotunheim ou se tentar me ferir... Eu não terei escrúpulos em te matar. – falou, entre dentes.
– Aceito seus termos. Agora solte-me.
Loki sorriu da ingenuidade de Thor.
– E quem disse que eu irei te soltar?
Thor viu um chama azulada sair das mãos delicadas de Loki. Sentiu o corpo pesar e logo, Thor havia perdido a consciência.
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