Vermelho Sangue
4 A Ira.
Notas iniciais
CAPÍTULO 4 — A Ira.
Thor acordou levemente zonzo. O meio do nada de Jotunheim que Loki o havia deixado estava congelando-o até a alma. Pegou em mãos seu Mjölnir do chão. Deu um sorrisinho quando viu que nele estava gravado:
“Loki esteve aqui”.
Levantou-se e olhou para o mundo de gelo a sua volta. Tinha dado tudo errado, absolutamente tudo, naquela missão. Mas o deus dos trovões estava conformado, pelo ao menos Loki cumprira sua parte do contrato.
Já Thor não tinha certeza que cumpriria a sua.
Thor gritou o mais forte que pôde para Heimdall abrir a Bifrost. Queria muito voltar para casa.
∞
Thor finalmente chegou ao seu quarto, depois de uma longa viagem pela Bifrost e por Asgard, a qual ele teve que ser discreto e evitar sair voando. Seus pulsos ainda estavam doloridos por ter se debatido contra aquele maldito gelo inquebrável e seu corpo estava completamente exausto. Ele havia decidido descansar um pouco para clarear as ideias e decidir o que faria.
Tirando pacientemente peça por peça da armadura para tomar um banho, Thor começou a pensar. Havia tantas perguntas sem resposta em sua mente... Pela primeira vez na vida, Thor não sabia o que fazer. Loki com certeza possuía poderes extraordinários, incomparáveis com os magos de Asgard... Mas ele não apresentava absolutamente ameaça alguma. Estava óbvio que Loki não tinha interesse em guerrear e só usava a magia para machucar por legítima defesa. Ele poderia ter entregue Thor de bandeja ao próprio pai, Laufey... Por que não o fez? Poderia tê-lo matado, roubado o Mjölnir (já que consegue manejá-lo), poderia tê-lo torturado... As possibilidades eram infinitas. Todas vinham a mente de Thor, menos a que Loki fez: soltá-lo. Parecia incoerente. Não parecia algo que... Um jotun faria.
Ele, para um jotun, era justo e belo. Uma beleza imensurável, que Thor jamais vira em outros reinos, em tantas outras mulheres. Uma perfeição encantadora e única ao seu próprio jeito, de modo que Loki, aos olhos de Thor, tinha um veneno singular e letal.
Loki. Logo um jotun. Nascido com magia correndo pelas veias. Digno de segurar o Mjölnir. O ser mais belo, mortal e poderoso dos nove reinos, que poderia ter tudo o que quisesse... Poupou sua vida num acordo besta. Ingênuo, até. Ele realmente queria paz entre Jotunheim e Asgard? Ele pretende ser um rei bondoso, diferente de seu pai? Por um momento, Thor cogitou que aquilo pudesse tornar-se verdade... Mas parecia longe demais, impossível demais.
Thor sabia que havia algo de encantador e perigoso no gênio de Loki. Algo que ainda não havia definido ainda, e não tinha certeza de que queria saber o que era. Loki, de alguma maneira insana, estava mexendo com seu cérebro, manipulando-o, fazendo com que Thor não pensasse em outra coisa... era apenas muito complicado para ele entender, mas o que não faltava ao loiro era curiosidade e interesse. Saber mais sobre ele. Conhecê-lo.
Thor entrou no banho. Já havia pensado demais. E tomado sua decisão.
Thor, a passos largos, adentrou o salão onde estavam Lady Sif, Fandral, Volstagg e Hogun. Todos levantaram-se para recebe-lo e pareciam felizes com sua volta.
– Graças a Odin! Você voltou vivo! – a bela Sif sorriu. Thor, por um momento, pensou que ela fosse pular e abraça-lo.
– E aí, amigo... Parece que a missão de reconhecimento foi um sucesso, não? – Volstagg falou com a boca cheia de comida.
–É, conte-nos o que puder de Jotunheim! – Fandral parecia animado com a possiblidade de batalha.
– Amigos, é melhor que se sentem... – Thor sentou-se na grande mesa do salão – A história é bem mais complicada do que parece.
– Mas como assim poupá-lo? – Volstagg parecia não entender o que Thor havia acabado de dizer.
– Poupá-lo, meu amigo. Loki, por hora, não oferece perigo algum. Ele poupou minha vida nesse acordo, quando poderia ter me matado num estalar de dedos. A palavra dele é confiável. – Thor falou, humildemente. Todos na mesa pareciam chocados.
– Confiável? Mas Thor... Ele é um jotun! Eles são traiçoeiros como cobras, você sabe disso melhor do que ninguém! – Sif argumentou.
– É! Além do mais, ele pode apenas estar esperando o momento certo para atacar Asgard. – Fandral se manifestou.
– Se ele quisesse atacar Asgard, já teria atacado. Não podemos fazer nada por hora. Precisamos esperar até que saibamos suas reais intenções. – Thor tentava acalmar os ânimos dos amigos.
Sif bateu o punho fechado na mesa. Ela permaneceu em silêncio com o rosto virado, recusando-se a olhar para alguém daquela mesa. Vermelha de raiva e sem falar uma palavra, virou e saiu da sala a passos rápidos.
– É melhor você ir atrás dela, amigo. – Hogun, finalmente, se manifestou.
Thor levantou-se rapidamente para alcançar Sif, até por fim encontrá-la num corredor.
– Sif! Sif, espera! – Thor apressou o passo, até finalmente pegá-la suavemente pelo braço. – O que pretende fazer, Sif?
– Não sei. Mas não pretendo assistir Asgard ser atacada por esse maldito jotun. – Sif soltou violentamente o braço da mão de Thor. As palavras saiam carregadas de desprezo.
– Mas Loki não...
– O que há com você, Thor? – Sif gritou – Olha só pra você, falando desse jotun como se ele fosse um amigo! O que ele fez com você? O Thor que conheço já o teria matado! – Sif falou rápido, explosiva, enraivecida. Queimava de ira.
– Sif, por favor, não precisamos fazer isso. – Thor tentou ser paciente.
– Tem razão. Nós não. Eu preciso. E você não vai me impedir. – Sif continuou a caminhar no corredor, sem olhar para trás.
Agora sim. Thor, absolutamente, não sabia o que fazer.
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