Vermelho Sangue
18 O Combate.
Notas iniciais
CAPÍTULO 18 – O Combate.
Loki caminhava rápido entre os corredores. Thor o fizera atrasar bem mais do que deveria para encontrar Frigga, e nem sequer sabia como se desculparia. Quando chegou ao salão principal, a loira sorriu para ele.
– Desculpe o atra...
– Ora, são suas núpcias. – ela sorriu. — Não precisa desculpar-se de nada.
Ainda envergonhado, Loki perguntou, curioso e com voz trêmula:
– Então, o que você precisa conversar comigo?
A loira começou a caminhar lentamente, indo em direção a um grande espaço aberto do palácio.
– Oh, não é nada sério, mas... Você já adquiriu seu juramento? – ela perguntou, sorridente.
Loki mostrou a ela, levantando o tecido das mangas da manta vermelha. Ela analisou a tatuagem e sorridente, falou:
– Foi o juramento mais lindo que já ouvi, sabia, filho? – a loira olhava toda Asgard pela varanda. – Até mais que o meu.
Loki sentiu o coração apertar-se de felicidade e adrenalina.
– “Juntos, nós governaremos o mundo até sua glória e mesmo nas cinzas, nossas almas se encontrarão. ” – a loira recitou seu juramento e mostrou seu selo, no ombro.
– É... É lindo. – Loki parecia sem palavras.
– Sabe, todo juramento tem um pouco de profecia em si. Nunca se sabe qual parte dele acontecerá ou sequer como interpretá-lo... Mas sempre acontece. Isso é o belo dos juramentos... A incerteza do destino. – ela olhou para Loki. Ele a ouvia atentamente, como uma criança curiosa. – Eu apenas precisava alertá-lo. Estas pequenas tradições asgardianas são importantes... Você é um príncipe agora. – a loira afagou o rosto de Loki com as mãos, com um carinho maternal.
Loki apertou as próprias mãos de nervosismo.
– Está tudo bem, filho. – ela deu um meio sorriso que confortou Loki. – Você tem o coração puro. Será um ótimo governante ao lado de Thor. Tu trarás juízo a mente inquieta dele.
A loira caminhou novamente, com Loki acompanhando-a um pouco mais atrás. Algumas pequenas lágrimas de felicidade caíram de seus olhos, e ele enxugou-as rápida e silenciosamente. Loki foi tão bem recebido em Asgard, tão diferente de Jotunheim... Como poderia? Uma completa estranha importava-se mais com ele que seu próprio pai... E Loki a amava mais que qualquer um em Jotunheim. Sua nova família dava-lhe mais amor e confiança do que jamais recebera na vida. Então Loki apenas agradecia mentalmente, era mais do que ele merecia.
– Chegamos. – a loira falou. Loki estava tão distraído nos próprios pensamentos que nem notou por onde Frigga guiava-o.
Jovens guerreiros treinavam, sendo observados pelo pai de todos. E para sua surpresa, Thor estava treinando com Sif. Loki notou que a guerreira atacava-o com fúria, dando gritos enquanto investia contra seu marido. Odin gargalhava da defensiva de Thor. O deus dos trovões recusava-se a atacá-la e apenas defendia, desviando-se rapidamente de seus ataques, ofegante.
– Tudo bem, eu acho que já chega. – Odin levantou uma das mãos e Sif imediatamente parou, ajoelhando-se a Odin. – Loki, o que acha de treinar um pouco?
– Seria uma honra... Senhor. – Sif falou alto, ainda arfando de adrenalina e ódio.
– Querido, Loki nem sequer está com as roupas adequa... –Frigga tentou argumentar com o marido, mas Loki a interrompeu.
– Tudo bem, minha rainha. Eu posso fazer uso de um pouco de treino. – Loki fez-lhe uma reverência e deu-lhe um meio sorriso, para em seguida descer as escadas para a área de treino.
Todos os guerreiros recuaram inconscientemente em um círculo e Thor, preocupado, pegou Loki suavemente pelo pulso, sussurrando em seu ouvido:
– Tome cuidado. – Thor falou, ainda ofegante. Loki sorriu.
– Tomarei. – em seguida, deu-lhe um beijo leve, fazendo com que Sif desviasse discretamente o olhar em desprezo.
Lady Sif posicionou-se retirando sua espada e colocando o escudo para a frente do corpo. Um dos guerreiros deu uma espada a Loki e ele agradeceu, ficando em posição de combate. Moveram-se em círculo como dois lobos, um estudando e analisando ao outro. Sif, num movimento rápido e repentino, atacou primeiro. Felizmente, Loki bloqueou o ataque com a espada, dando Sif a oportunidade de golpeá-lo com o escudo, acertando-o no rosto e fazendo-o recuar, com o lábio sangrando. Loki limpou o sangue com o dorso da mão e pôs-se novamente em posição de combate.
Thor apertou as mãos de apreensão e Frigga cobriu a boca com as mãos. Não queria emitir um som sequer de preocupação, mas ver Loki lutando e sendo machucado... Era uma tortura aos dois. Odin parecia apenas se divertir ou mostrava-se incapaz de compreender toda a tensão da luta.
Sif deu uma risada de desprezo e atacou novamente em investidas rápidas, ainda mais confiante, as quais Loki defendeu sem muito esforço. Em uma das investidas, Loki chutou o escudo da guerreira e ela caiu de costas no chão. Envergonhada e enraivecida, ela se levantou rápido e jogou o escudo longe, continuando apenas com a espada.
Os guerreiros em volta olhavam com uma atenção minuciosa, querendo compreender e aprender cada golpe e investida e ao mesmo, admirados com a destreza de Loki. Sif era conhecida por suas habilidades em combate, mas Loki... Nunca o viram lutando. E de certo modo, os impressionava que ele fosse tão bom.
Sif deu um grito de ódio antes dar vários ataques rápidos e sucessivos em Loki e o jotun defendeu-se de todos eles, recuando. Num último golpe, a guerreira pôs toda a sua força num movimento vertical, o qual Loki esquivou abaixando-se e dando uma rasteira em Sif, fazendo-a cair violentamente de costas, fazendo sua espada cair se suas mãos. Ela tentou pegá-la rapidamente de volta, porém Loki, ofegante, chutou a espada dela para longe e posicionou a sua sob o pescoço dela, deixando-a sem alternativas. Loki falou baixo, aproximando-se dela, para que apenas eles dois ouvissem:
– Você realmente não deveria deixar que suas emoções interfiram na luta... Lady Sif.
A plateia, antes tensa, explodiu em palmas e gritos empolgados. Loki virou-se, entregando a espada de volta ao guerreiro e agradecendo, enquanto a guerreira levantava-se.
– Foi uma honra lutar com você, Loki. – Sif falou. Era evidente a raiva na voz dela, por mais que ela tentasse esconder. – Espero que um dia voltemos a lutar.
Loki virou-se para a guerreira e respondeu:
– Nós lutaremos. – em seguida, juntou-se com o marido e saiu.
∞
Thor sentou-se na cama do quarto, tirando as botas. Respirava forte, como se quisesse falar algo a Loki, porém não conseguiria.
– Ela quer me matar. Você sabe, né? – Loki olhava a janela de vidro, abrindo discretamente a cortina. Falava com voz tranquila, o que arrepiava Thor.
– A Sif não faria is...
– Thor, ela me desafiou. Ela estava enfurecida. Ela quer me matar, só não na sua frente! – Loki tentou argumentar.
– Ela... Ela é uma pessoa legal. Ela só... Está desconfiada. Enraivecida. – Thor falava, desconcertado. O olhar cuidadoso do marido analisava-o.
– Eu não consigo ver essa pessoa legal dentro dela. – Loki cruzou os braços, ainda com voz calma. – Eu não sei o que tem na sua cabeça, mas sei o que tem na dela: Minha destruição.
Thor se levantou, caminhando até o marido que estava levemente irritado. Pegou delicadamente seu rosto pelo queixo, dando selinhos, enquanto Loki não o correspondia, por birra. Thor sorriu.
– Você acha isso engraçado? – Loki o olhou, com ódio nos olhos.
– Sim. – Thor deu-lhe um selinho. – Eu te fiz uma promessa, se lembra? Eu vou te proteger. Não importa o que me aconteça. Não importa o que seja. – Thor o beijou.
Loki deu um meio sorriso.
– Talvez seja você quem precise de proteção... Até porque eu a derrotei. – o jotun sorria em satisfação.
– Bem, talvez eu seja o único que possa te derrotar. – Thor respondeu com o mesmo sorriso. – Você não me machucaria... Machucaria?
– Talvez um pouco. – Loki fez pouco caso, fazendo Thor sorrir ainda mais.
Thor deu-lhe um beijo e tirou o resto das roupas, indo tomar um banho. Loki sentou-se na beira da cama.
– Então... O que seu pai queria saber? – o jotun perguntou, curioso.
Thor hesitou um pouco em responder e Loki notou isso.
– Ah, coisas sobre... O futuro... Esses assuntos.
– Thor...Você é meu marido agora. Pode me falar qualquer coisa. – Loki apenas ouvia o marido. Admitia que a curiosidade estava deixando-o louco.
– Ele... Ele queria saber quando geraríamos um herdeiro. – Thor hesitou.
Loki riu com força.
– O que foi? – Thor gritou, o barulho de água do chuveiro limitava sua audição.
– Ele quer netos? Já?
Thor não respondeu. O sorriso de Loki desapareceu e por um momento, seu coração acelerou as batidas. Um filho? Um bebê? Loki não era ingênuo a ponto de pensar que seu reinado não teria herdeiros... Mas já? Uma criança... Um ser pequenininho... Loki não sabia se estava pronto para conceber uma criança. Mas ao mesmo tempo, seu coração gritava um “sim” alto, impossível de se ignorar.
Loki imaginou a pequena criança de pele e olhos azuis, puxando aos do pai... Suas mãos pequerruchas e bochechas fofas... Tão frágil e indefeso. Loki não fazia ideia de como cuidar de uma criança, mas o futuro ensina, não é mesmo? Quem diria que Loki se casaria com o príncipe do reino inimigo? O destino havia pregado muitas peças na vida de Loki e ele lentamente aprendera com eles.
Thor saiu do banho enxugando os cabelos, com uma toalha na cintura.
– Eu não ouvi nada do que você falou.
Loki levantou-se da cama, indo até o marido.
– Nós... Nós estamos preparados para termos uma criança? Um bebê? – Loki tinha um semblante preocupado.
– Amor... Isso foi só um conselho. Não faremos nada que você não queira. – Thor beijou o menor. – O corpo é seu. E deverá continuar assim.
Loki sentou-se na cama e Thor foi se vestir. Mesmo que não parecesse, durante toda àquela tarde, Loki permaneceu com o coração acelerado.
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