Notas iniciais
Desculpem! Desculpem desculpem desculpem! Eu deveria ter postado ontem, mas tô em semana de provas da faculdade, e semana de provas de faculdade significa dormir menos de 4 horas por dia e injetar cafe/energético na veia. Então cá estou eu, postando nessa odiosa e ensolarada manhã de segunda. A música dessa semana é da Sia, Elastic heart. Eu poderia passar anos ouvindo só essa música Link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=pqbwD_1y1GM

CAPÍTULO 19 – A Verdade.

Loki fez o máximo de esforço para não acordar o marido enquanto se desvencilhava de seus braços na cama. Foi até o banheiro tomar um banho, pelo ao menos para tentar disfarçar sua total indisposição. Ficou a noite inteira entre a insônia e alguns minutos de cochilo, geralmente seguidos de pesadelos... Sentia o estômago queimar de preocupação.

Desde o dia que casou-se com Thor, Loki arrumou alguns inimigos poderosos. Lady Sif, seu próprio pai, e até mesmo Odin... Por mais que seu sogro tentasse disfarçar, Loki via claramente o quanto Odin não confiava plenamente nele e o quanto gostaria que Sif fosse a próxima rainha. A única que parecia ter algum tipo de amor por ele era Frigga e por isso Loki era infinitamente agradecido.

Loki deslizou na parede do banheiro, sentindo sua garganta queimar de tanto prender as lágrimas. Respirou fundo, sentindo a água percorrer seu corpo. E chorou silenciosamente, entre pequenos soluços, recitando preces internamente para que Thor não o encontrasse daquela maneira.

Loki caminhou pelos corredores de Asgard. O vento farfalhava seu manto branco enquanto ele dava passos decididos. Uma criada o cumprimentou com uma reverência sutil e um “bom dia, vossa alteza”, e Loki notou que era a mesma que ele havia curado a uns dias atrás.

– Você! — Loki pegou-a gentilmente pela mão, sorrindo. – Já lhe falei para me tratar pelo nome.

– Perdão, vossa Al... Loki. – a criada sorriu, sem jeito.

– Ai, que idiota que eu sou! Nem sei seu nome! – Loki deu uma leve batidinha na testa.

– É Ran*, senhor. – a criada hesitou antes de responder. Ninguém a havia perguntado antes e isso a fez ficar imóvel por um momento.

– Ran. Belo nome. – ele sorriu. – Ran, escuta, você pode me ajudar com algo?

A criada sequer hesitou.

– Eu sou eternamente agradecida... Loki. – ela corou levemente ao tratar o jotun pelo nome. – Não há nada que eu não faria.

Loki deu um meio sorriso, agradecido.

– Você sabe onde ficam os aposentos da Lady Sif? Eu gostaria imensamente de falar com ela.

A criada pensou um pouco e falou.

– Na verdade, é no corredor paralelo ao quarto de vosso marido. O último quarto.

Loki apertou gentilmente as mãos da empregada. Deu um beijo gentil na testa dela.

– Eu não tenho como te agradecer, Ran.

– Não precisa, Loki. – ela sorriu.

Loki sorriu em agradecimento e caminhou rapidamente até o corredor do quarto de Sif. Fechou os olhos, respirando profundamente antes de bater na porta.

– Pode entrar. – a voz da guerreira soou tranquila.

Loki abriu a porta silenciosamente. Ela limpava sua espada.

– Você? O que você faz aqui? – ela falava coma voz cheia de ódio.

– Lady Sif... Eu queria conversar com você...

– Conversar o que? O que possivelmente me faria querer falar com você? – ela sentou-se numa cadeira, prendendo a respiração, com o rosto vermelho de raiva.

Loki sentou-se de frente a ela.

– Sif, eu não sei o que possivelmente eu fiz para te causar tanto ódio, mas...

– Você não sabe? – Ela levantou-se da cadeira, indo até a janela do quarto, ficando de costas a Loki. – Você pode enganar a todos com esse comportamento falso, mas não a mim. Você espera que eu acredite que você “se apaixonou” pelo Thor? Sendo um jotun, filho de Laufey? – ela deu um riso irônico.

– Sim, eu espero. – Loki levantou-se. – Eu larguei meu pai, meu reino e meu povo para casar-me com ele. Eu o amo.

Sif deu outro riso pelo nariz. Quando ela ficou de frente para Loki, ele notou que os olhos da bela guerreira estavam cheios de lágrimas contidas.

– Você não sabe nada sobre amar alguém. Como poderia? – ela falava, e sua voz saia presa por lágrimas. Ela tentava manter o jeito rígido na frente de Loki.

– Você tem razão. – Loki, por fim, falou. Ele pôde notar uma expressão de surpresa no rosto dela. – Eu não sei nada sobre amor. Nunca havia recebido nada parecido antes. – ele olhou para o chão, dando um sorriso para disfarçar as lágrimas que queriam sair de seus olhos. – eu fui aprender com o Thor. E eu sei que você o merecia bem mais do que eu. Você viveu séculos com ele. Sabe do que ele gosta, o que o faz rir, o que o faz feliz. E eu sinto muito. – Loki tentou tocar em seu ombro.

Num movimento rápido, ela tirou uma pequena adaga escondida na bota e empurrou Loki para a cadeira mais próxima, encostando a lâmina fria no pescoço do jotun.

– Eu deveria ser a rainha! – ela dizia com fúria, as lágrimas caiam livres de seus olhos vermelhos. – Eu o amei mais do que você jamais amará! Me dê um motivo para eu não deslizar essa lâmina e acabar com tudo isso agora!

– Eu não tenho nenhum. – Loki falou. As lágrimas dele caiam enquanto ele falava seriamente, olhando nos olhos de Sif. – Você tem razão. Se isso te fizer sentir melhor, faça. – ele gentilmente segurou as mãos de Sif enquanto ela pressionava a adaga. Um filete de sangue escorreu do pescoço de Loki.

Ela bufou de angústia, afastando-se de Loki, dando as costas a ele e deixando a adaga cair no chão, tilintando, dando um susto em Loki, enquanto ele tremia de choque e adrenalina.

– Saia daqui. – ela enxugava as lágrimas, falando com voz baixa.

– Sif, me.. – Loki tentou falar, mas ela o interrompeu.

– Saia daqui antes que eu mude de ideia. – ela continuava com a mesma voz baixa.

Loki não tentou argumentar. Saiu silenciosamente do quarto, enxugando as lágrimas.

Quando Loki chegou ao quarto, Thor havia saído para resolver umas coisas com seu pai. Loki teve uma sensação de alívio e culpou-se por isso. Quer dizer... Eles haviam acabado de casar e Loki queria ficar sozinho? O jotun se sentia horrível.

Pediu para que a Ran preparasse um banho para ele. A criada assim o fez, deu-lhe um leve aceno de cabeça e preparou-se para sair. Loki a segurou pelo braço.

– Ran, você é a única amiga que eu tenho por aqui. Você, por favor, poderia ficar por perto?

A pequena criada deu um meio sorriso angustiado. Apertou as mãos de Loki com carinho enquanto respondia.

– Claro, Loki.

Loki tirou o roupão, sem pudor da sua nova amiga. Entrou na banheira e Ran sentou-se num banco perto, pegando ervas e óleos para o banho.

– Obrigado, Ran.

O jotun ficou quieto enquanto a criada/amiga passava óleos nos seus cabelos e os penteava cuidadosamente.

– Senhor, se me permite dizer...

– É Loki, Ran. Loki. E você tem total liberdade de falar qualquer coisa.

– Loki... Eu realmente admiro você. – a criada falou rápido, corando imediatamente após dizê-lo. – Você é sábio e humilde e se importa com os outros. Durante todos os séculos que sirvo aqui, ninguém se importou em sequer perguntar meu nome. – a voz doce da criada tremeu um pouco, mas ela respirou fundo e continuou. – E por isso agradeço. E lhe digo que você tem todas as qualidades necessárias para ser um ótimo governante.

Loki sorria, enxugando as lágrimas de felicidade.

– Eu que agradeço, Ran. Ninguém tinha falado nada parecido de mim.

Ran deu um meio sorriso. Continuou a pentear os cabelos do novo amigo, com um carinho que ela jamais sentira por qualquer autoridade de lá.

(*) N.A.: Ran é a deusa nórdica dos mares. Muitíssima poderosa, ela pode causar tempestades e destruir embarcações. Por isso, costuma levar grande quantidade de almas ao Vahalla.

Notas finais
Oi bebês! Desculpem não ter tempo de responder as reviews de vocês! Eu recebi tantos comentários amáveis e carinhosos nessa semana, estou muito feliz com eles! Juro que responderei a todos com muita calma. Um beijo e até a próxima semana! P.s.: O FIM ESTÁ PRÓXIMO, AMORES!