Vermelho Sangue
25 A Vingança.
Notas iniciais
CAPÍTULO 25 – A Vingança.
Loki chegou ao frio familiar de Jotunheim. Sua aura negra de ira queimava seu interior, mas Loki não se importava. Logo avistou o palácio onde seu pai estaria e caminhou até lá.
Jotunheim estava silenciosa. Por algum motivo, todos os jotuns haviam se escondido. Os passos pesados de Loki ecoavam e revelavam facilmente sua posição, mas ele destruiria qualquer um que tentasse cruzar seu caminho. Estava possuído por uma dor e fúria que jamais pensou que poderia sentir na vida.
Loki apertou os punhos de ódio ao chegar às portas imensas de gelo do palácio. Loki estendeu as mãos no ar, envolvidas pela aura negra de magia. Ele lentamente fechava as mãos, gritando de ira. Todo o gelo rachava, até por fim tornar-se pó.
Loki entrou no palácio. Caminhou vagarosamente, ainda desconfiado com o silêncio e o vazio de lá. Continuou até chegar na sala do trono e seu ódio aumentou ao ver Laufey sentado desajeitadamente em seu trono de gelo, como se esperasse Loki.
– E o filho pródigo retorna... – a voz grossa de Laufey ecoou no gelo, enquanto ele sentava direito no trono. – Desistiu de brincar de casinha em Asgard?
Laufey viu os olhos de Loki, agora negros, brilharem com uma ira assustadora. A magia que saia de suas mãos intensificou-se, parecendo fumaça, negra como breu.
– Você o matou! – Loki já não tinha a mesma voz. O timbre dele, antes tão doce, ficara assustadoramente grosso, inumano. Loki parecia estar possuído. – VOCÊ O MATOU, SEU MISERÁVEL!
Laufey levantou-se do trono, certo de que Loki não teria reação. Por mais que desprezasse o filho, o conhecia muito bem. Ele era... bondoso demais. Para Laufey, um defeito que lhe deixava em vantagem no momento.
– Eu não poderia te deixar lá... Filho. – Laufey falou, seriamente. Nunca havia se referido a Loki naquela palavra. – Seu lugar é aqui, governando Jotunheim. Ele era... um empecilho.
Loki deu um grito animal, arqueando-se. Seu coração doía e seus olhos ardiam. O jotun começara a, literalmente, chorar sangue. Loki caiu no chão, arfando. O sangue de seus olhos manchava suas roupas e gelo do solo.
– Eu entendo o seu ódio, sua fúria. – Laufey se aproximava de Loki, tentando acalmá-lo. – Mas eu tinha que trazê-lo para cá... E aquela asgardiana idiota me deu uma passagem segura. – Laufey suspirou calmamente, como se contasse uma fábula. – Ela tinha tanto... Ódio. Tanto desprezo por você. Implorou para que eu te matasse. Vadia ingênua. – Laufey ria, seus dentes afiados davam-lhe um ar sádico. — Ela usou até magia proibida para que eu entrasse sem ser percebido... O que você fez para que ela te odiasse tanto?
– Por que... Porque você não me matou? Por que... – Loki murmurava, em choque e horror.
– Você tem magia, meu filho. Isto é poder. Por que te matar quanto posso te ter ao meu lado... Governando junto a mim? – Laufey falou, dando um riso quase diabólico.
Loki soluçava no chão sujo de sangue, procurando ar, trêmulo de pavor. Laufey abaixou-se a sua altura.
– Me diga, filho... Você não é estúpido a ponto de realmente amar o asgardiano, não é mesmo?
Loki levantou o rosto e Laufey não via mais seu filho. Tudo o que Laufey via era um lobo manchado no próprio sangue, de olhos negros como breu, perigosamente furioso.
– Eu o amava. EU O AMAVA MAIS QUE TUDO, SEU DESGRAÇADO! – Loki levantou-se e levou Laufey junto, cravando as unhas enormes no pescoço do pai e rasgando sua pele, com força. O sangue de Laufey corria pelos braços de Loki. — Nós teríamos... Um futuro... — a voz de Loki se engasgou. Ele acariciou a própria barriga, enquanto as lágrimas vinham mais fortes.
Possuído pelo ódio, Loki levitava no ar. Laufey tentava soltar-se do filho, não sentindo os pés tocarem o chão. Mas estranhamente, deu um sorriso debochado em meio a todo o sangue que saia de seu pescoço dilacerado.
– Aí está! – falava com dificuldade. – O monstro que você verdadeiramente é. – Laufey falava, desdenhando de Loki, mesmo à beira da morte. – É isso que você é, é isso que você sempre foi... Mesmo que você tenha tentado se casar, tentado amar alguém... – Laufey tossiu, mas continuou com o mesmo sorriso diabólico. – Você sempre será um monstro!
As lágrimas de Loki aumentaram, e ele murmurava “não” diversas vezes, em dor extrema.
– Ele não é um monstro.
Uma voz familiar soou atrás de Loki. Frigga, cansada depois de usar quase toda sua magia para mover-se de reino, agora ofegava no chão, à beira da exaustão.
– Loki, filho... Solte-o. – ela dizia, com voz cansada.
Laufey deu uma gargalhada de deboche. Loki falou:
– Mãe, mas ele... – as lágrimas pesadas de sangue caiam de seus olhos.
– Eu sei, minha criança. – ela falou, em meio às lágrimas. – Mas isso, não é você, filho... Thor não o reconheceria dessa maneira.
O grito de dor de Loki gelou a espinha de Frigga.
– Mãe, eu...
Laufey deu uma gargalhada.
– Você não vê, mulher? – Laufey tossiu sangue. – É isso o que ele é. O seu filho que não conseguia ver.
Frigga, ofegante, implorou mais uma vez. Mas apenas viu Loki dizer “me desculpe”.
Um vento forte e frio correu por Jotunheim enquanto magia negra como breu saia do coração para as mãos de Loki, passando de suas unhas para o pescoço de Laufey, espalhando-se visivelmente por suas veias como um veneno fatal. Laufey deu um grito horrendo que pareceu durar por horas, que ecoou por Jotunheim. Loki o soltou e ele caiu no chão, banhado pelo próprio sangue, ainda com a magia correndo seu corpo. Estava morto.
Loki olhou para a mãe, levitando no ar. Seus olhos voltaram a ser vermelhos. Seus dentes estavam de tamanho normal, suas unhas diminuíram. Ele tinha um sorriso doce nos lábios e suas lágrimas não eram mais de sangue. Mas seu peito, seu coração... estava negro como a morte.
– Eu finalmente ficarei junto a ele... Eu sinto muito... Mãe.
Loki caiu do ar, desfalecido. Frigga correu para acolhê-lo em seus braços, gritando entre a dor e o choro. Ela o abraçou com força, mas Loki ainda continuava sorrindo.
Ele agora poderia ficar com Thor.
Porque ele o amava nas eras passadas. O amava nesta era. O amaria nas eras futuras.
Por tudo e para sempre.
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