Vermelho Sangue

26 We were born to die.


Notas iniciais
Então, amores... É o fim. Esse capítulo cês tem que ouvir Lana del Rey, Born to die. Sério. Link no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Bag1gUxuU0g Agradecimentos embaixo. Dêem uma olhadinha! Boa - e última - leitura.

CAPÍTULO BÔNUS – O Fim.

Frigga empurrou a porta de madeira com dificuldade. Não porque estava pesada ou algo parecido, mas porque seu corpo não parecia querer fazer aquilo.

O quarto de seu filho, seus filhos, quebrava seu coração em mil pedaços. Frigga perdeu-os muito cedo, muito rápido. Talvez, a única coisa que a confortava no meio do luto é que agora eles estavam no Vahalla. Juntos, como eles sempre mereceram ficar.

Frigga ainda não tinha tomado coragem de entrar no quarto, mas seu coração queimou de amor e angústia quando o fez. De um lado do quarto, cuidadosamente dobrado, o vestido de casamento de um de seus filhos, juntamente com a coroa de flores que ela mesma havia lhe dado. De outro lado, o Mjölnir, em cima de um pedestal ornamentado. A deusa deu um sorriso bobo ao notar que nele estava gravado “Loki esteve aqui”.

Frigga sentou-se na cama, encolhendo-se, abraçando o corpo. Segurava-se para não chorar, mas sua alma gritava dor. Uma semana após o falecimento de Loki ainda não havia amenizado sua angústia... E Frigga sabia que não importava. Uma semana, um ano, um século... Nada preencheria o vazio deixado por seus dois filhos.

Frigga caminhou pelo quarto, até achar algo... Incomum. Um caderno preto, em cima da cômoda de Loki. Frigga cuidadosamente o abriu, e a caligrafia familiar fez as mãos da deusa tremerem. Um... diário? A loira folheava rapidamente as páginas. Todas cuidadosamente escritas, até que começasse o vazio, o branco. Aquilo doeu mais o coração cheio de espinhos de Frigga. O tanto de coisas que Loki poderia ter escrito...

A mãe não resistiu em ler a última página. Os últimos pensamentos de Loki.

“Eu nasci durante a tempestade de gelo mais violenta e duradoura de Jotunheim.

Meu pai, após matar o jotun que me deu a luz, tomou-me nos braços. No momento que ele tocou minhas mãos pequenas, eu o queimei, de modo que ele tem a cicatriz na mão até hoje. E desde esse momento, eu soube que era diferente.

Ainda pequeno, descobri a magia que corria pelas minhas veias. Quebrei coisas. Destruí palácios inteiros. Ações suficientes para gerar medo e repulsa não só por parte do meu pai, mas para os jotuns em geral. Eu não sabia como controla-la. Nunca tive orientação, já que nunca na história havia existido um jotun possuidor de magia. Aprendi de machucado em machucado a me curar. Aprendi a atacar quando me ameaçavam. E assim, de violência em violência, eu a domei.

Ainda pré-adolescente, eu despertava apenas dois sentimentos em Jotunheim: Medo e desejo. Meu corpo pequeno, muito menor que qualquer um dos jotuns, era desejado e temido. Às vezes eu me disfarçava e caminhava por Jotunheim e conseguia ouvir coisas como “eu o foderia até que os outros reinos soubessem meu nome”. Eu me sentia sujo, ao mesmo tempo que não conseguia entender. Eu nunca havia tirado a vida de ninguém. E mesmo assim me odiavam, tinham repulsa da minha magia... e atração pelo meu corpo. Se eu pensar bem, até hoje não consigo entender.

Fiquei mais forte. Mais poderoso. Conseguia me teletransportar para reinos cada vez mais distantes, mais rápido, mais furtivamente. Conseguia derrotar todo e qualquer jotun em batalha. Nem sequer conjurava magia, simplesmente pensava e ela se materializava. E algo que eu aprendi é que poder pode trazer duas coisas: Pânico e atração. Ao mesmo tempo que boatos sobre mim, sobre a minha magia e minha beleza corriam pelos reinos, cada vez mais o pânico se instalava. E, consequentemente, os outros reinos desejavam-se aliar-se a Jotunheim.

Atração. Curiosidade. Eu começava a ser um fenômeno. Um objeto de barganha.

Não demorou muito para que Laufey visse as vantagens... Mas antes, era preciso um teste. Um bebê jotun.

Se eu fechar os olhos, ainda consigo ver suas mãos pequeninas. Os olhinhos vermelhos-sangue cheios de lágrimas. Eu me recusei. Chorei. Tentei resistir às ameaças de meu pai, mas eu o conhecia. Ele morreria tentando me dar a punição.

Foi rápido. Indolor. Ou melhor, toda a dor foi para mim. Eu quase morri naquela noite. De dor, de angústia e medo. Medo de pensar no que eu estava me tornando. No que iria acontecer comigo. Aquele bebê... Ele fez uma parte de mim morrer.

Eu estava pronto, meu pai dizia. E logo, eu era objeto nas mãos de qualquer pessoa que pagasse ou que fizesse vista grossa para os crimes de Jotunheim. Durante todas as noites, todas aquelas malditas noites eu me perguntava porque eu fazia aquilo. Por quem. Para proteger exatamente o que.

Eu morria um pouquinho mais. Vivia uma subvida miserável, digna de pena.

E daí eu me encontrei com Thor. Uma criatura tão diferente de mim. Tão firme de vontade, tão definida em seus ideais, tão integra. Ele tinha tanta razão sobre tudo, impassível de medo. Nem sequer quando eu o capturei ele o demonstrava. Thor era tudo o que meu interior gritava para ser.

Por anos eu pensei estar fazendo a coisa certa, do meu jeito. E numa noite, um asgardiano destruiu todos os meus princípios com poucas palavras. Talvez tenha sido por isso que eu me apaixonei. Thor destruiu-me inteiro e, pacientemente, construiu-me, peça por peça. Com um amor e carinho que eu só conhecia de nome.

Ele me reconhece e me aceita, cada pedaço de mim. A cada dia com ele eu descubro partes destroçadas da minha alma, que eu sequer sabia que existem. Eu o amo mais do que posso suportar. Eu morreria e ressuscitaria mil vezes, se isso o fizesse feliz.

E agora, estou casado com ele.

Talvez, depois da tempestade, realmente venha a bonança. O futuro é lindo, branco, de infinita paz. Talvez um passado destrutivo tenha realmente servido para algo que eu, em minha santa ignorância, jamais poderia entender naquela época.

Porque agora eu tenho minha vida traçada a fogo e amor na minha pele. E eu tenho a maior confiança nela.

‘Eu te amei em eras passadas. Eu te amo nesta era. Eu te amarei nas eras futuras.

Por tudo e para sempre.’

E assim será, Thor. Eu tenho certeza disso.”

Frigga fechou o pequeno caderno, pressionando contra o peito, entre lágrimas.

– Por tudo e para sempre, meus pequenos. Que assim seja.

Choose your last words, this is the last time.
Cause you and I…

We were born to die

Notas finais
E acabou-se. Eu só queria dizer que nunca, NUNCA tinha escrito uma fic longa na minha vida. Então foi um puta desafio pra mim. E sinceramente... Eu não teria passado do primeiro capítulo sem o apoio de vocês. Obrigada pelo acompanhamento, pelas reviews, pelos elogios, pelas mensagens carinhosas e até pelos puxões de orelha por causa dos atrasos. Perdoem-me pelos atrasos, pelos erros... Por qualquer inconveniente. Eu posso dizer com a maior certeza do universo que vocês são os melhores leitores que uma pequena autora como eu poderia esperar e querer. Eu espero do fundo do meu coração que tenha preenchido a expectativa de vocês. Um beijo no coração de cada um. Eu espero reviews de despedida!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!