Vermelho & Branco
9 Festa de medos
Notas iniciais
Capítulo 9 – Festa de medos
A guilda já tinha sido limpa, todos estavam arrumando os preparativos para a festa. Erza tinha visto Mira no telefone mágico, estava curiosa para saber com quem estava conversando, mas seu senso ético veio à mente, era errado espiar a conversa dos outros, mesmo quando essa pessoa é muito querida. Pouco tempo depois, Erza estava no limite de sua curiosidade, não aguentava mais, usou sua magia de reequipar e utilizou a roupa ninja, e com extrema sutileza e discrição passou por todos em seu caminho, realmente seu estilo ninja era incrível. Com passos leves chegou ao balcão do bar, onde se escondeu agachada, pois Mira estava do lado de dentro do balcão. A escarlate já tinha consigo completar 90% do plano, agora só restava escutar a conversa de Mira.
— Bonita roupa Erza.
— Mi... Mira!
Erza foi pega de surpresa por Mira, que estava apoiando os cotovelos no balcão de madeira e olhando Erza agachada. Erza ficou nervosa e desesperada no mesmo momento, tinha que pensar em alguma desculpa, pensou que Mira ficaria nervosa por ela invadir sua privacidade, e graças à roupa ninja que estava vestindo, sua face desengonçada estava coberta pelo tecido negro da roupa.
— Erza, vou sair um pouco, mas volto para a festa.
— Ok Mira. – Respondeu Erza sem jeito.
— E me mostre seu estilo ninja outro dia, por favor. – Disse Mira se dirigindo a saída da guilda.
Erza sentia alívio e tristeza. O alívio se deve pelo fato de que não foi necessário inventar alguma desculpa, mas a tristeza era maior, acreditava que Mira descobriu sobre sua curiosidade e que ela devia estar chateada com Erza.
O desânimo contaminou escarlate, que andava a passos arrastados à saída da guilda. Quando já estava na rua, ouviu duas garotas que passavam perto comentando sobre a festa da guilda e que elas foram convidadas por rapazes da guilda. Erza ficou estagnada no lugar olhando as meninas que comentavam sobre a festa desaparecendo ao final da rua. Erza nunca tinha pensado na hipótese de que Mira talvez tivesse convidado algum garoto para ir junto com ela a festa. Uma lágrima gélida e solitária escorria pelo seu rosto, a maga vermelha não entendia o motivo da lágrima e muito menos a sensação estranha em seu coração, nunca se sentiu assim e correu o mais rápido que podia para o seu quarto em Fairy Hills.
Abriu violentamente a porta de seu quarto e fechou da mesma maneira; deitou-se sobre sua cama, estava melancólica. Os pensamentos de ver Mira com alguém infernizavam Erza. Uma mancha negra se alastrava em seu peito e dor emergia em seu corpo, as lágrimas se tornavam acidas e queimava sua pele. A maga vermelha não tinha força nem para espancar sua própria face, acreditava que caso fizesse isso as terríveis imagens em sua mente desapareceriam.
Erza se encontrava em uma rua sem saída, estava despida, questionava-se sobre sua armadura, pois ela era sua protetora, e sem ela sua fragilidade era exposta. O frio era atormentador, causando grande tremedeira no corpo branco de Erza, era possível ver sua respiração congelar. A maga escarlate olhou ao seu redor, visualizou casas de madeira em chamas, direcionou o olhar ao céu e estremeceu pela escuridão, as nuvens negras, sem sol ou lua, apenas o preto, talvez o inferno tenha dominado os céus. O beco sem saída tinha sua iluminação alaranjada devido às chamas. Titania sentiu algum líquido cair em seu braço direito, sentiu sua pele queimar, observou uma singela gota escorrendo lentamente sobre sua pele, mais não via as queimaduras em sua pele, simplesmente sentia somente a dor da queimação, e seu braço continuava ileso. Uma terrível tempestade se iniciou, trazendo agonia e dor, as gotas, agora mais pesadas e ácidas, torturavam Erza, que estava ajoelhada e chorava, serrava os dentes, socava o chão lamacento, tudo devido à agonizante dor. Um feixe de luz se abriu no final da rua, o vulto negro de um casal ganhou forma, estavam protegidos da chuva e das chamas, devido estarem dividindo um guarda-chuva branco. Erza que mesmo com a visão embaçada, conseguiu fitar o que não queria ver, visualizou o rosto de Mira, logo o vulto preto desaparece e já era possível ver o vestido vinho, era claramente Mira. Erza estendeu seu braço pedindo e implorando ajuda ao demônio, mas o demônio que tinha sua cor branca apenas esboçava um sorriso amarelo e acenava sua mão e dizia: “Adeus Titânia”.
Erza acorda assustada, sua respiração ofegava, sua transpiração estava excessiva e seu rosto manchado de lagrimas secas. Questionava-se sobre seu pesadelo, era grata por ser apenas um fruto de sua imaginação, mas também tinha medo e receio de que seu pesadelo pudesse ser real. O relógio marcava 23h00min, possivelmente a festa na guilda estava por acabar, o travesseiro branco estava encharcado das lágrimas, seu telefone mágico tocava e tocava, mas ela continuava deitada em sua cama. O vermelho logo ouvia as batidas em sua porta, não queria atender e muito menos se levantar da cama e da melancolia. O toc-toc era contínuo. Erza mandou a pessoa ir embora e acabou ouvindo de resposta:
— Erza não me obrigue a usar meu estilo ninja.
Escutou a voz sedutora daquela que dominava seus pensamentos, ela se dirigi cambaleando para a porta, ficou parada em frente à porta de madeira, fitando a maçaneta, sua mão tremia, a adrenalina em seu corpo estava em níveis máximos, mas mesmo com medo apertou a maçaneta e decidirá encarar a triste realidade.
Notas finais
Obrigado pela leitura. :D
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