Vermelho & Branco
10 Chamas (Final)
Notas iniciais
Caso tenha algum erro, me avise.
Boa leitura.
Chamas
Mesmo com a mão sobre a maçaneta, Erza hesitava em abrir a porta de seu quarto, do outro lado tinha um demônio, que de maneira literária não se devia abrir, mas como evitar ver algo pelo qual você possui tantos sentimentos fortes, alguns sentimentos conhecidos e outros desconhecidos. Erza pressionou a maçaneta e girou ela, mas não totalmente, ainda tinha uma pequena parte da fechadura travando a porta, neste momento Erza teve um sentimento frio, sua mente teve uma visão de que o motivo da presença do demônio branco em seus aposentos naquele horário, só poderia ser para apresentar o cavaleiro que ela escolheu, e Erza sabia que mesmo que utiliza-se armadura, não era ela o cavaleiro. Será que o demônio que sempre admirou, optou em se transvestir de princesa e ter seu “feliz para sempre” ao lado de outro.
Erza sentiu como se uma lança atravessa-se seu peitoral, rasgando sua carne e desfigurando seu corpo, e um líquido negro esguichava da ferida, e ao colidir com o chão de madeira, borbulhava e fumaçava e em poucos segundos a madeira se corroía. Erza ajoelhou e lagrimas escorreram de seus olhos, e para sua gigantesca surpresa eram lágrimas de sangue; Erza não entendia a lógica, mas não conseguia raciocinar devido à dor, não aguentava suportar aquele momento, visualizou uma adaga ao seu lado e apanhou com toda a raiva e força existente em seu ser, endireitou a adaga de forma horizontal a sua garganta, e com tamanha destreza, sentiu a lâmina gélida em sua pálida pele, e iniciou a sua ação de ceifar sua vida. Mas os olhos de Erza se arregalaram, ainda estava viva, seu braço estava congelado, estático e sem forças, e que por mais que mentalmente tentasse executar a ação, não conseguia, seu braço estava inanimado, e sentia um calor em seu pulso, quando dirigiu seus olhos cansados, visualizou uma mão branca contento sua ação.
– Erza, por favor, abra a porta, estou ficando assustada. – Falava Mira do outro lado da porta de madeira, despertando Erza de seu transe.
– Não posso.
– Por que você não pode? – Questionou Mira.
– Tenho medo! – Respondeu com a mão trêmula.
– Medo de quê? – Perguntou assustada Mira.
– Medo desta realidade, medo de que meus olhos vejam aquilo que não quero ver. E que estás sensações piorem! – Gritou Erza, seus olhos já estavam molhados, e lágrimas geladas escorriam vagarosamente sobre seu rosto.
Erza soltou a maçaneta da porta, e esta que girou para seu sentido anti-horário trancando completamente a porta. Mira gritava e perguntava para a maga de cabelos vermelhos, que permanecia em pleno silêncio, sem sinal de vida. A branca estava assustada e tensa, não consegui assimilar a situação atual, não entendia o que causava tanta dor no coração de titânia. O desespero de Mira aumentou quando ela começou a escutar o melancólico choro de Erza. Mira apertou a maçaneta da porta, tentando de forma afobada arrombar a porta, mas não conseguia grande resultado, mas continuou tentando e gritou:
– Erza me diz o que está-te fazendo sofrer! Foi algo que eu fiz? Se for, por favor, saia deste quarto, pode-me insultar, me punir, me bater, pode fazer o que bem entender mais, por favor, não chore!
O silêncio vermelho se manteve, sendo fragmentado por pequenos soluços. Já do outro lado, o barulho branco se mantinha forte, se ouvia o rangido da maçaneta sendo forçada, se escutava o som forte de socos desferidos sobre a madeira da porta, e os gritos sequenciais do mesmo nome “Erza”.
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.
– William Shakespeare
Talvez um sonho vermelho, mas alagado pelas lágrimas de um desejo que não seria realizado. Na tristeza e dor, Erza descobriu o amor, agora estava mais do que claro para a mulher de armadura que o sentimento que sentia por Mira era amor, e o sentimento que mais lhe causou dor foi seu ciúme. Erza como toda pessoa optaria por conhecer o amor por Mira na vivacidade da primavera, ou na elegância do outono. Mas ela se apaixonou pelo demônio, teria que ser o branco e morto inverno para manter o clichê. O amor é como uma maçã, mas é dividida em duas partes, e para que ela se torne doce é necessário a união destas duas partes. Mas existem casos onde apenas uma desta parte procura a união, mas não consegue devido à decisão da outra parte de seguir outro caminho, e o lado que queria a união não se adapta a solidão e logo vai apodrecendo. Erza se sentia o pedaço podre, tinha a certeza à união era algo impossível, não existia amor multo, e este despedaçava a armadura e coração de Erza, que permanecia ajoelhada a frente da porta.
Erza sentiu um aroma acido, percebeu que o caloroso e aconchegante ambiente de seu quarto estava mudando, estava se tornando frio e intimidador, Erza estava desconfortável em seu próprio quarto, fitou seu braço que estava com todos os pelos de pé, como se um trovão a tivesse-lhe acertado, mas a situação só piorou quando sentiu um calafrio e se assustou com o trincar de sua espinha, e o formigamento de uma centopéia escalando suas costas.
Uma explosão aconteceu, lançando Erza contra a parede. A parece em si quase foi derrubada, Erza sentia grande dor em seu dorso, a pancada tinha sido violenta, abriu seus olhos, sua visão estava embaçada, se via chamas e um pouco de fumaça infectando o quarto, a porta a minutos atrás fechada foi substituída por um grande buraco, e sobre o chão se via alguns pedaços e destroços da porta.
– Cansei de esperar! Vamos, me diga logo o que está acontecendo com você? – Perguntou Mira, que estava caminhando sobre as laranjadas chamas e seu corpo era ocultado pela fumaça negra, se vendo apenas um vulto.
Erza escutava o som do passar de Mira sobre o chão de madeira, estava apenas vendo o vulto de Mira; mas algo estava errado, a voz de sua amada estava grossa, mas não era estranha para Erza, a conhecia de algum lugar, e buscava procurar a resposta em suas memórias. Mas foi impedida assim que uma corrente de vento a levantou ao teto, mas para minimizar o impacto conseguiu usar sua magia e colocou sua armadura. Uma cauda se alastrou em sua perna direita, e a lançou chão a baixo, titânia em sua queda, conseguiu visualizar o proprietário da cauda, mas não conseguia acreditar, e se recusa também a crer.
Erza estava estirada sobre o prejudicado chão de madeira, seus olhos arregalados e sua boca aberta demonstravam sua surpresa, balançava a cabeça para os lados de forma negativa, não querendo admitir aquele momento. As chamas começaram a se alastrar formando um círculo de fogo ao redor de Erza. Uma pequena brecha de abriu e a maga de cabelos vermelhos endireitou seu foca para lá, visualizou sua amada entrar no circulo de fogo, mas Mira estava diferente, ela estava em sua forma satânica, seu cabelo branco estava arrepiado, seu vestimento estava mais vulgar, dando ênfase em seus fartos seios albinos, sua cauda composta por escama se movia por sua vontade, e seu olhar estava alto mostrando superioridade.
O demônio alabastrina liberou um sedutor sorriso e abriu suas gigantescas asas negras, e o inferno tomou conta do local, o circulo de fogo se estendendo ao céu, enjaulando o branco e vermelho.
– Muito bem Titânia, diga logo o que está acontecendo! – Ordenou Mira.
– Por que você está nesta forma? É impossível! – Indagou Erza.
– Quem faz as perguntas aqui sou eu, Erza! Vai abrindo a boca!
Erza continuou em pleno silêncio, aumentando os nervosismos de Mirajane que voou sobre escarlate, e desferindo um soco sobre o chão ao lado direito do rosto de Erza, a tamanho força do soco quase fez desabar o dormitório.
– Me responde caralho! – Gritou Mira, que estava sobre Erza.
O vermelho estava deitado e sem forças, seu corpo estava machucado e dolorido. Mas um ponto a se ressaltar é seu conflito interno, sua cabeça parecia um campo de batalha entre gregos e troianos, uma batalha sangrenta de pura carnificina, onde nenhum dos lados desistiria e o banho de sangue se estenderia pelos próximos mil anos, e a cada soldado morto um neurônio se desfazia, e tudo isso se cominava em uma terrível dor de cabeça.
Descendo um pouco mais abaixo pelo corpo de Erza, mais exatamente na região do peitoral, via que a situação não era das melhores, seu coração parecia uma bomba relógio, onde o tempo de explosão era invariável, e que um minuto atrás faltava apenas alguns segundos para explodir, agora falta anos, e mais cinco minutos depois o tempo marcava apenas alguns minutos para explosão, e este clico de pura tensão e desespero continuava, não dava para prever quando esta bomba poderia detonar, causando angustia e agonia.
A atmosfera estava ardente, as chamas ganhavam mais vida e volume, a fumaça ganhava densidade. E os corpos de Erza e Mira começavam a transpirar, e gotas salgadas escorriam sobre seus corpos, mas uma singela lágrima era doce e mesmo contra aquele inferno, ela era gélida, e caiu sobre a bochecha de Erza. Era a lágrima de um demônio, mas desde quando demônios choram?
Mas conforme a lágrima ia escorrendo sobre o rosto de Erza, seus medos e aflitos desapareciam, sua batalha interna tinha acabado, todos os soldados estavam submersos num vasto oceano que conquistou o campo de batalha, e o relógio aprisionado em seu coração, não funcionava mais devido à pólvora estar molhada.
Erza nunca se sentiu tão leve e solta, visualizava a albina em cima de si, conseguia sentir seu prazeroso aroma, mas o que ganhou seu foco foram os atraentes lábios vermelhos, Erza estava fascinada para experimentar aqueles lábios, que com toda a certeza do mundo deveriam ser divinos e a sensação deveria ser uma explosão de puro êxtase. Não conseguia mais se controlar, queria aquele prêmio branco, e para conquistá-lo deveria liberar todas suas emoções e desejos, já estava no inferno e a situação já se prolongo demais, não podia mais escapar, respirou fundo e disse:
– Ok! Eu vou contar o que está acontecendo Mira.
Mira ficou surpresa pelo fim do silencio vermelho.
– Eu quero você! Eu desejo seu corpo e sua alma! Eu quero que você seja minha. – Gritou o mais algo que conseguia, e segurava as mãos de Mira com grande força. – Eu sei que somos garotas, mais como eu não poderia não amar você?
Mira se aproximou da orelha esquerda de Erza e sussurrou com uma voz extramente sensual:
– Então você me anseia?
– Sim – Respondeu rapidamente Erza.
Mira começou a dar leves mordidinhas no lóbulo da orelha, deixando Erza arrepiada e mais sensualizada e fazendo largar suas mãos. Então Mira se levantou e liberou um sorriso sedutor, levantou sua mão direita e direcionou-a até a ponta da armadura no pescoço, encostou lentamente sua pontiaguda unha do dedo indicador no aço e começou a aranhar a armadura em uma descida lenta e agonizante até a área do umbigo, e quando Mira desfez o contato com a armadura, ela instantaneamente se tornou cinzas. O branco aproximou seus lábios do corpo de Erza e soprou as ultimas cinzas, deixando o vermelho despido. E o demônio levantou seu torso, olhou para o céu, e um diagrama mágico surgiu sobre sua cabeça, o diagrama começou a descer e passou pelo corpo de Mira, e assim que o diagrama encostou-se à madeira, raios negros começaram a faiscar violentamente, em segundos depois o diagrama se fecha e a única coisa que se vê são penas negras sobrevoando o local em chamas, e a imagem endeusadora de Mira totalmente nua, deixando Erza ludibriada com aquele esbelto corpo albino que estava por cima de sua carne.
Mira olhos nos olhos de Erza, e lhe deu um abraço unindo seus corpos. Titânia sentiu o beijar de seus seios com os seios albinos, sentiu a umidade que vinha dentre as pernas de Mira e se arrepiou quando a mesma amada branca apertou o bico de seu seio esquerdo e sussurrou baixinho em seu ouvido:
– Cansei dos labirintos que nos separa... quero emergir em seus braços e deixar a pele gritar nossas vontades.
No exato momento Erza entrelaçou sua mão aos cabelos brancos de Mira e a puxou e deixando seus rostos próximos, e devido ao calor que queimava em seu corpo, beijou o demônio, se deliciou com o gosto doce de sua amada, o beijo continuou por minutos até que a necessidade de oxigênio se tornou importante. Mira começou a descer vagarosamente liberando doses de carinho e paixão sobre o excitado corpo de Erza, parando quando chegou no calor das coxas e na umidade do sexo.
O local estava tomado pelo fogo, que se mantinha forte e alto, o som ambiente era uma mistura de gemidos, respirações ofegantes, palavras de amores e tapas, uma sinfônica única digna de ser ouvida por anjos e demônios.
Duas cores opostas, mas que ao mesmo tempo se simpatizaram. Da mistura do branco do demônio com o vermelho do cavaleiro, nasce uma nova cor nas chamas de uma noite inteira de nomeação amor.
Notas finais
Obrigado por ter acompanhado está fic. Por favor comente sobre o que achou dela, é de grande ajuda saber os pontos fortes e fracos, para que eu possa aperfeiçoar minhas futuras fics.
Eu estou planejando em lançar um capítulo extra, para fechar algumas coisas que ficaram em aberto na fic, mas não tenho uma data prevista. E sobre Mirza, eu já tenho uma ideia bacana para uma próxima LongFic, e também estou escrevendo uma one-shot.
Obrigado por ler a fic.
E tudo de bom para vocês.
Fale com o autor