Verônica
1 Sonho ou Pesadelo?
Notas iniciais
Então como você pode perceber essa é a primeira fic que eu escrevo e eu devo dizer que estou muito empolgada *-*. Essa fic será feita por quem vos fala :) e com a colaboração da minha GRAAAAANDE amiga Vanessa (que infelizmente não tem conta aqui!).
Desde já agradeço e espero que vocês gostem da história que é feita com muito amor por meras aprendizes de escritora...BjOos!
VicKy*
Meus pés produzem um som oco a cada passada que eu dou, forço meus olhos a encontrarem o final da rua escura e sombria porem não consigo ver nada, nem sei por que estou correndo, simplesmente corro, e quanto mais passos eu dou mais a rua vai se estreitando e parece vibrar a minha volta, sinto como se meu coração fosse sair do peito a cada batida irregular; enquanto o ar gélido da noite arranha minha face sem pudor.
Sei que os meus esforços não são suficientes, minhas pernas, já cambaleantes, esforçam-se para manter o ritmo; tremendo pela fadiga. Meus sentidos aguçados estão atentos a qualquer movimento diferente. O tempo parece não passar; eu continuo a correr e chego a lugar algum, meu corpo dá sinais de fraqueza, forço meu coração a trabalhar mais rápido mas, tudo isso é inútil, de tão exausta que estou meu corpo já não responde mais ao meu cérebro, meu pés, agora tão pesados quanto chumbo começam a desacelerar até pararem, já sem ar apoio minhas costas contra a parede da rua e deixo que meu corpo escorregue até ao chão, o suor escorre pela minha testa, tento recuperar as forças sugando o ar ferozmente.
Um pequeno barulho vindo do meio da escuridão da rua me desperta;meus pelos da nunca se arrepiam, viro minha cabeça para todos os lados a fim de encontrar o ponto de origem do barulho, e é nesse momento que meus olhos capitam a presença de uma figura correndo na minha direção se movimentando cada vez mais rápido. Obrigo minhas pernas a se levantarem, mas, essas falham e me levam ao chão novamente, tento me apoiar na parede e consigo me colocar de pé, entretanto não chego a dar quatro passos quando sinto uma dor aguda primeiro passando pelas minhas costas atravessando meu corpo e depois dilacerando meu peito; rompendo minha pele sem a menor piedade, um grito agudo rompe por minha garganta, minhas pernas desabam fazendo-me cair de joelhos com as mãos apoiadas no chão, a dor parece não ter fim, começo a tossir violentamente, uma mistura de sangue e saliva sai pela minha boca, olho para o meu peito e percebo o sangue escorrendo por mim até chegar ao chão formando uma poça vermelha. Meu corpo quase desfalecido desaba sobre a poça.
Sinto a presença do meu perseguidor já bem perto, e antes de cair na inconsciência sua mão fria afaga meus cabelos...
Sentia-me congelando por dentro, mas não podia voltar para casa ainda, continuava perturbada pelo pesadelo; já era a quinta vez em apenas um mês, não sabia por mais quanto tempo seria assim, acabara se tornando uma rotina para mim, acordar de madrugada, me esgueirar para fora de casa sem ser percebida e caminhar sem rumo pelo pequeno, para não dizer minúsculo, bosque sombrio que ficava atrás da casa por quase duas horas. Na primeira vez que tive esse pesadelo tentei voltar a dormir, mas foi uma tentativa em vão, só me sentia mais agoniada, presa debaixo do cobertor; eu precisava me mexer; e foi assim que as caminhadas se tornaram meu único calmante.
Com os olhos fechados e sentada no meu tronco predileto, tento escutar qualquer tipo de barulho vindo do bosque a minha volta e consigo, escuto o som do vento batendo nas árvores, o som me tranquiliza mais, dando-me um momento de paz.
–Bem melhor!- Abro os olhos e presto atenção á natureza, um emaranhado de arvores e troncos caídos, mesmo estando escuro consigo ver suas formas. Depois de um momento apenas analisando me obrigo a levantar, pego minha lanterna e rumo de volta para casa. A trilha continua molhada pelo orvalho, pulo alguns troncos caídos, a lama sujando meus tênis, aquela é a melhor parte do meu dia, quando estou ali sozinha. Começo a enxergar a ponta da casa, o bosque acaba, e já estou no gramado da parte de trás.
Apenas as luzes do lado de fora estavam acessas, iluminando a entrada dos fundos, subi as escadas bem lentamente degrau por degrau, parei na frente da porta hesitando por um momento, girei a maçaneta devagar para não fazer nenhum barulho, adentrei na escuridão da casa, o silencio era um alivio, a porta fez um pequeno “clack” ao se fechar atrás de mim, estava na cozinha, meus olhos já estavam acostumados ao ambiente e por isso podia ver as silhuetas dos objetos, ficando mais fácil de desviar e facilitando meu caminho . Atravessei a pequena sala e subi a escada, essa rangeu um pouco, fazendo-me subi-la mais rápido, cheguei ao segundo andar, segui até o final do corredor passando pelas duas portas fechadas que ficavam antes do meu quarto. O quarto permanecia silencioso como o resto da casa, joguei a lanterna na cama indo em direção a janela, a abri o máximo que pude e sentei no parapeito, colocando uma perna de cada lada da janela, esperando para ver o dia amanhecer. Cheguei a olhar em direção a porta, só para confirmar que a havia fechado.
Não demorou muito para que o sol começasse a despontar através das árvores, eu adorava ver o amanhecer, apreciar as imagens que ele produzia ao passar atrás das folhas, fiquei observando-o até conseguir enxerga-lo por complete. De repente me lembrei da escola, dei um pulo do parapeito peguei o celular que estava em cima do criado-mudo olhando a hora, sete e trinta e dois.
–Merda! – Estava atrasada, eu já devia estar a caminho da casa da Vanessa uma hora dessas.
Despi-me enquanto corria para o banheiro do meu quarto, tomei um banho rápido e me enrolei na toalha, já estava saindo quando ouvi o toque estridente do meu celular e me assustei, na tela do celular o nome Vanessa e uma foto da Katy Perry piscavam sem parar, fiz uma anotação mental de mudar aquele toque que a própria Vanessa havia colocado.
– Verônica Valadares onde você está? Já estamos atrasadas. — Ela nem esperou eu dizer alô.
– Oi, também estou bem, obrigada por perguntar Vanessa Bardini- Ser Irônica era com certeza uma arte que eu dominava.
– Rárárá, muito engraçada você- Havia tanto sarcasmo na sua risada que me lembrou uma bruxa.
–É sério Ve onde você está?- Vanessa só dizia meu nome inteiro quando estava brava ou tentando me irritar, porque na maioria das vezes me chamava pelo meu apelido.
–Agora estou deitada na minha cama enrolada em uma toalha... — dei uma pequena pausa- Acabei me atrasando hoje. — Minha voz mais parecia um sussurro.
–Aconteceu de novo né?- A pergunta saiu mais como uma afirmação. Vanessa era a única a quem eu havia tido coragem de contar sobre meu pesadelo.
–É... De novo – Acabei falando depois de um momento de silêncio.
– Não se preocupe com isso é apenas um pesadelo, agora se troque e venha me buscar, estou te esperando, Beijos. – Como eu queria acreditar que era apenas um pesadelo, mas eu sentia que havia algo maior por traz.
Fui no armário que ficava na frente da cama, escolhia primeira roupa que vi, enfiei meu celular na mochila que estava em cima da bancada e sai do quarto, passei correndo pelo corredor quando cheguei à escada sai pulando os degraus de dois em dois e atravessei a sala voando. Estava perto da porta da frente quando ouvi meu nome.
– Verônica?!- A voz da minha vó vinha da cozinha, voltei alguns passos até a entrada da cozinha e pude ver que eu tinha um pouco mais de quinze minutos conforme o relógio de parede que ficava ao lado da porta dos fundos.
– Hã...Oi vó – Quando me viu deu seu melhor sorriso, tentei retribui-lo sem sucesso, não estava tão animada para isso. Ela estava de baixo do relógio na frente do fogão com um dos seus milhares de conjuntos de moletom e lógico um avental na cintura. Minha vó era moderna, gostava de andar bonita e arrumada e todos os dias fazia caminhada, tinha cinquenta e dois anos, mas não aparentava, seus cabelos eram uma obra de arte á parte, pintados de um vermelho escarlate além de seus belos olhos verdes, com certeza fora uma bela mulher quando jovem. Ela se aproximava de mim com os braços estendidos na frente do corpo, deu-me um beijo na bochecha seguido de um abraço, apenas deixei que ela me abraçasse, era reconfortante receber um abraço daquele depois da noite que tive.
–Não quer comer algo querida? – Disse isso com a voz doce de sempre.
– Melhor não, já estou atrasada para a escola e a senhora dona Ana, pelo que eu sei já está atrasada para a caminhada – ela mantinha o mesmo sorriso no rosto, em todos esses anos eu nunca a vira mal-humorada.
– Você está certa, meu corpo já está gritando por ar fresco — Enquanto dizia gesticulava com as mãos como se pegasse o ar a sua volta, dei uma leva risada.
– Ok vó, boa caminhada – Me despedi saindo da cozinha.
– Obrigada querida e boa escola... — Peguei meu capacete, as chaves da moto.
Sempre tive certa fascinação por motos e foi por isso que ano passado comprei minha primeira, uma Kawasaki ninja 250 vermelha com o dinheiro que meus pais haviam me deixado antes de morrerem. Olhei a moto da sacada estacionada ao lado do carro velho da minha vó na frente da casa.
Acelerei o máximo que podia em cada rua, cortando os carros, foi quando o farol fechou e eu tive que frear em cima, senti a parte de trás da moto se levantar estava freando apenas com a roda da frente por isso tive que inclinar meu corpo para traz afim de não cair, consegui me equilibrar nessa posição antes da moto parar e a parte de trás descer, a moto deu um tranco quando bateu a roda no chão, uma pequena risada brotou em meu lábios, olhei para o carro do lado, a mulher que estava dirigindo olhava para mim com uma cara de espantada, já a criança no banco de traz trazia admiração nos olhos e um sorriso imenso, mandei um tchauzinho para ele e o mesmo retribuiu com outro, o farol abriu e eu acelerei novamente.
Entrei na rua da casa de Vanessa, uma rua cheia de mansões, ela morava na parte nobre de Venice uma cidade no Condado de Sarasota que fica na Flórida. Van – como normalmente eu a chamava — era uma das meninas mais baixas e mais ruivas que eu já conheci, ela tem cerca de um e cinquenta e dois metros de altura é um pouco cheinha, mas isso de jeito nenhum a torna menos atraente muito pelo contrário ela sempre está com um namorado diferente toda semana; lembro-me do dia que nos conhecemos, era o primeiro dia dela na escola e algumas meninas estavam fazendo gozações, lembro-me de vê-la chorar enquanto as meninas a xingavam, foi quando decidi defende-la e desde então nos tornamos amigas. Estacionei a moto na frente da casa, ela era grande e branca como aquelas casas das revistas. Tirei o capacete, Vanessa caminhava em minha direção com um sorriso e o capacete debaixo do braço.
– Você sabe que eu te odeio, não é? – Sua voz trazia um tom irônico.
– Por quê? Só por que estamos atrasadas? — Fiz a melhor cara de inocente que pude.
– Porque você vai ter a desculpa de estarmos atrasadas e vai correr e eu odeio correr... — Fez uma pausa fazendo uma careta e apontando para moto -... Com isso. – Comecei a rir, lembrando que quase havia caído da moto a pouco.
– Não precisa se preocupar, sou uma boa motorista – depois de falar coloquei o capacete de volta e esperei que ela subisse na garupa. Assim que Vanessa se arrumou parti acelerando pela rua, pude ouvir um gritinho seu que foi rapidamente abafado pelo ronco do motor.
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