Verônica

2 Acho que aquele acidente afetou minha sanidade!


Notas iniciais
Êêêê segundo capítulo, agora sim é que as coisas começam a ficar boas espero que curtam... nos vemos lá em baixo.

No capítulo anterior...

– Não precisa se preocupar, sou uma boa motorista – depois de falar coloquei o capacete de volta e esperei que ela subisse na garupa. Assim que Vanessa se arrumou parti acelerando pela rua, pude ouvir um gritinho seu que foi rapidamente abafado pelo ronco do motor da moto.



Chegamos ao estacionamento da escola faltando dois minutos para o ultimo sinal tocar, andávamos a passos largos pelo o estacionamento acompanhando alguns outros alunos que estavam atrasados assim como nós.

– Tchau, agente se vê em geografia – disse à minha amiga antes de seguir direto para a aula de biologia.

Parei na frente da porta e dei uma leve batida, alguns segundos depois o Sr. Paulo, um professor baixinho e barrigudo, abriu a porta.

– Olá senhorita Verônica, resolveu se juntar a nós? – Seus olhos me mediam de cima a baixo.

– Hã...é — Ele saiu da minha frente e deixou que eu entrasse, todos na sala olhavam para minha cara, alguns cochichavam outros riam, fiquei um pouco incomodada e me dirigi rápido para meu lugar na ultima e solitária mesa, eu não tinha um colega de mesa, na verdade minha única amiga era a Vanessa, não tenho muita facilidade em fazer amigos principalmente por conseguir notar quando alguém está sendo falso ou está tentando me agradar, acho que é por isso que tenho apenas uma amiga; Vanessa nunca é falsa ela sempre fala o que pensa sem escolher as palavras.

Tentei me concentrar no que o professor dizia, algo sobre o sistema circulatório nada que eu já não soubesse, foquei então minha atenção para a janela olhando o estacionamento da escola, fui olhando carro por carro e tentei me lembrar quem eram seus donos, até que cheguei em um carro o qual eu nunca havia visto antes, era uma BMW preta novinha. Fiquei pensando que poderia ser mais uma extravagância da Natalie ou da Gabriela as duas meninas mais ricas da escola, mas logo me lembrei que as duas tem choferentão seus carros não ficam na escola. Meu devaneio foi interrompido.

– Senhorita Verônica, vai querer assistir outra aula...?! – Desviei meus olhos do estacionamento, todos já haviam saído da sala e só eu continuava sentada no meu lugar.

– Hum, deixa para a próxima! – Agarrei minha bolsa e sai apressada da sala, quase esbarrando na mesa do Sr. Paulo

Antes de ir para a aula de geografia passei no meu armário, que não estava muito cooperativo hoje e recusava-se a abrir.

– Está difícil? – Van ria da minha briga com o armário, que estava ganhando a disputa de lavada.

– Pois é hoje ele decidiu me irritar.

– Será que você não errou a combinação... – Dei um pequeno soco e ele não abriu, coloquei de novo a combinação e nada.Van e todos os alunos que andavam pelo corredor me olham como se eu fosse uma louca, enquanto eu sacudia e tentava de todas as maneiras abrir o armário.

– O que você acha Gaby, devo chamar a carrocinha para ela? Sabe cadela com raiva é um perigo a todo vizinhança – E para piorar meu mau humor ainda tenho que escutar as provocações dessas mimadinhas, definitivamente meu dia não podia piorar.

– Acho que as únicas que precisam da carrocinha são vocês, Natalie querida – Me virei enquanto falava para olhar a expressão que ela iria fazer. O rosto dela se contorceu em uma careta. Ainda não conseguia entender como alguém podia achar as duas legais, tirando o fato de serem bonitas, Natalie tem olhos e cabelos castanho claro liso e é magra, Gabriela é igualmente magra seu cabelo é castanho escuro com cachos na ponta, e uma boca que ela faz questão de mostrar com seus batons chamativos.

– Coitada, ela acha que é alguma coisa, eu não vou ficar aqui falando com alguém que não merece – Virou as costas e foi embora seguida de sua mascote Gabriela.

– Você está cada vez melhor nisso. – Me virei novamente para o armário

–Obrigada pelo apoio — Eu não iria desistir e como uma ultima tentativa dei um soco com a força que eu tinha e como que por um passe de mágica a porta abriu e também foi parcialmente destruída.

– Que foi? – Vanessa olhava para mim boquiaberta.

– Bom, você conseguiu...A porta...abriu — Disse rindo.

– Jura?! Nem tinha percebido... – Peguei meus livros e coloquei dentro da mochila e com a mesma força do soco eu empurrei para que a porta fechasse.

– Pelo menos ela fechou.

– É pelo menos né, vamos para a aula você já brigou de mais hoje. – Saímos andando em direção à geografia.

As aulas passaram rápido e logo já estava entrando no refeitório, Vanessa chegou correndo ao meu lado.

– Tenho uma fofoca quente, quer saber? – Ela ofegava enquanto falava continuei andando sem me preocupar muito com sua “fofoca quente”.

– Eu tenho escolha?

– Não, então pelo que eu descobri um aluno novo veio hoje se matricular na escola – Ela estava tão animada, que chegava a ser hilário.

– Nossa como ele é? Será que é bonito? — Falava com um sorriso falso.

– Eu não sei, espero que seja, ai já pensou se.... – Fez uma pausa olhando com uma careta para mim – Você estava sendo irônica não é mesmo?! – A pergunta saiu mais como uma afirmação.

– Agora que você percebeu...?! – Disse me sentando. Ela me mostrou a língua.

O sinal tocou e logo já tivemos que voltar para o restante das aulas, que passaram tão rápido quanto as outras , quando as aulas acabaram fomos direto para o estacionamento, subimos na moto e eu levei Vanessa para casa. Chegamos à casa dela e eu estacionei.

– Estou louca para fazer dezoito e poder comprar um carro – Ela disse desmontando da moto.

– Se não gosta da minha moto, por que não pega carona com seus pais? – Disse fingindo que estava ofendida.

– Eu prefiro correr o risco de morrer, ao ter que ouvir logo de manhã que tipo de cirurgia plástica eles irão fazer ou onde vão furar... – Os pais da Vanessa eram cirurgiões plásticos bem sucedidos – E você bem sabe que eles só vão me deixar ter um carro com dezoito.

– Então tem que se conformar com minhas caronas – Disse rindo.

–Pois é que opção eu tenho – As duas riram.

– Quer entrar? Agente podia fazer pipoca e pintar as unhas.

– Hoje não, tenho que passar no posto e depois no supermercado. – Coloquei o capacete e liguei a moto.

– Então está bom, agente se vê amanhã.

Fiz o retorno na rua e subi de volta para a avenida principal, cheguei no posto e completei o tanque, logo em seguida me dirigi para o supermercado, já dentro do estacionamento comecei a procurar uma vaga. Não estava encontrando nenhum lugar para estacionar, desistindo de procurar fui para a saída, já estava terminando de atravessar o estacionamento, quando de repente ouvi uma buzina, olhei para direita e consegui ver o carro antes de ser atropelada, o carro bateu na lateral da moto, acertando minha perna, senti meu corpo sendo lançado contra o capô, o impacto aconteceu primeiro nas minhas costas e depois na minha cabeça, uma dor na parte de traz da cabeça me deixou tonta, em seguida percebi que o carro deu uma freada brusca fazendo com que eu fosse jogada agora para frente, rolei pelo capo do carro caindo de barriga e bati meu rosto no chão de concreto, o acidente não demorou mais que alguns segundos.

– Você está bem? – Uma voz masculina exasperada surgiu ao meu lado e uma mão tocou minhas costas trazendo sensações estranhas.

– Estou bem – Disse tentando me levantar.

– Ei fique deitada ai, eu vou chamar a ambulância para você — As mãos que estavam nas minhas costas me impediram de levantar. Percebi que uma roda de curiosos se formou ao meu redor.

– Não, é sério eu estou bem...- Tentei me levantar novamente, colocando-me de joelhos, o homem pareceu desistir de me segurar e me ajudou a levantar.

–Tem certeza de que consegue ficar de pé? – Ele estava com o braço ao redor da minha cintura me trazendo para mais perto de si, me sentia tonta e um pouco desorientada.

– Acho que sim...Ai – Senti uma dor e levei minha mão para a parte de traz da cabeça e toquei o local da dor, senti algo pegajoso na minha mão e quando a olhei descobri que estava sangrando.

– Você está sangrando é melhor eu levar você para o hospital — E começou a me puxar para seu carro.

– Minha Moto! — Disse tentando me soltar do seu braço.

– Ei garoto eu levo ela no hospital e você leva a moto, Você sabe andar de moto né?– Um senhor de aproximadamente quarenta anos junto com a esposa e a filha se ofereceu para ajudar. O garoto me analisou por uns estantes.

– Sim...sei – ele hesitou mas concordou no final. O senhor e a esposa me ajudaram a andar até o carro e acabei descobrindo que minha perna direita e as minhas costas doíam a cada movimento. O carro estava estacionada a poucos metros do acidente para minha sorte, já que a dor estava muito incomoda.

Eles me colocaram dentro do carro e através do vidro pude dar uma ultima olhada no local do acidente, o garoto estava de costas para mim levantando a moto do chão. Chegamos ao hospital e eu fui rapidamente atendida, limparam meu ferimento na cabeça e tiraram vários raios x da cabeça, das minhas costas e da perna direita. Logo após voltei ao consultório do médico, estava deitada na maca esperando queele voltasse.

– Olá, meu nome é Nicolas – O médico entrou se apresentando.

– Bom, você teve uma leve concussão por isso pode sentir dor de cabeça, caso sinta dor deve tomar uma aspirina e se não passar você deve voltar para o hospital-Ele estava em pé ao lado da maca me olhando enquanto dizia – Já as suas costas e a sua perna direita vão ficar doloridas por um tempo mas, vão melhorar, você é bem resistente garota – Dei uma leve risada.

– Então eu posso ir para casa agora? — O médico tinha uma boa aparência, cabelo curto e louro e possui um belo par de olhos verdes, não aparenta ter mais de trinta e cinco anos, além de um bom porte físico.

– Claro! Sua vó está na sala de espera — Comecei a me levantar e Nicolas me ajudou.

Saímos do consultório e fomos para a sala de espera, minha vó estava sentada em uma das cadeiras, quando me viu seu rosto mudou de aflito para feliz em um piscar de olhos.

– Querida como está se sentindo? — Disse me abraçando.

– Estou bem – Retribui o abraço.

– Como sou mal educada, eu sou Ana a vó da Verônica, obrigada por ter cuidado dela – Ela se virou para o médico.

– Não há de que – ele respondeu mantendo um belo sorriso no rosto.

– Vamos vó, eu quero ir para casa.

– Claro, claro – Ela passou o braço ao redor da minha cintura e eu passei meu braço sobre seus ombros para me apoiar melhor.

– Tchau – se despediu do médio, ele apenas mandou um tchau com a mão.

Fomos embora no velho carro da Ana. No caminho de volta fiquei me perguntando o que teria acontecido com a moto. Provavelmente nunca mais a veria.

– Verônica, um rapaz muito atraente que estava no hospitalme explicou o que havia acontecido. Ele disse que estava com a sua moto – Virei a cabeça e prestei atenção

– Então, eu dei o endereço da nossa casa para o rapaz...

– Você o que? – A interrompi.

– Eu dei o nosso endereço, tem algum problema? – Ela parecia meio preocupada.

– Lógico, ele acabou de me atropelar – minha voz subiu algumas oitavas.

– Calma querida, ele estava arrependido pelo o que fez, não se preocupe — Disse e afagou meus cabelos. Voltei minha atenção para a paisagem do lado de fora, perdida em pensamentos confusos e estranhos, primeiro me lembrei do carro vindo na minha direção de como aquele acidente não pareceu-me um acidente, o carro estava em baixa velocidade antes de perceber minha presença, tenho quase certeza de que ele acelerou quando me viu e depois aquela sensação estranha que eu tive quando suas mãos tocaram minhas costas, ainda bem que havia aquela família para me ajudar, pera ai, o que aconteceu com aquela família?

– Vó você viu a família que me ajudou?

– Sim, quando eu cheguei no hospital e disse que era sua vó eles vieram falar comigo, então falei que eles poderiam ir embora – Com certeza estavam esperando meu responsável.

– A...entendi — Já estávamos entrando na rua de casa.

– Olha o garoto está ali! – Minha vó me chamou a atenção e eu desviei o olhar para a entrada da casa que já não estava tão longe. Meus olhos não acreditaram no que viram, um cara alto sentado de costas em cima da minha moto, ele estava na entrada da casa, de repente uma sensação de medo tomou- me por completo e eu não conseguia entender o por quê disso. Minha vó estava a apenas alguns metros de casa, o rapaz pareceu perceber nossa presença e se levantou da moto, virando- se de frente para nós com os braços cruzados no peito; me obriguei a não olha-lo.

Ana estacionou o carro ao lado da moto de modo que quando eu saísse daria de cara com o garoto. Respirei fundo e sai do carro.

– Ah! Oi – Não lembrava de sua voz ser tão grossa e sexy , levantei a cabeça.

– Oi... -O garoto era realmente bonito, alto e com um porte físico que qualquer menino gostaria, seu ombro era largo e forte além de braços sarados e bem torneados, ele usava uma calça jeans clara, uma camisa preta e para completar uma jaqueta de couro.

–Ah oi Ana – dirigiu-se a minha vó

– Olá meu jovem, achou fácil o endereço? – Continuei a examina-lo.

– Claro, foi fácil.

– Sim. Verônica eu vou entrar – Ela já estava na sacada entrando pela porta.

– Ah tá – respondi tarde de mais.

– Então hã....me desculpe pelo acidente de hoje – Retomei minha atenção para ele.

–E você é...?– retruquei.

– Você faz muitas perguntas pra alguém que acabou de sofrer um acidente.- Ele respondeu com um sorriso malicioso, deixando uma fileira de dentes brancos e alinhados se mostrarem sobre lábios carnudos e rosados. Estremeci.

– E você pelo visto, tem respostas de menos.- Deixei a ironia transbordar. Eu havia acabado de sair do hospital após uma concussão, paciência era exatamente o que estava me faltando naquele momento.

–Artur Prado — Ele me respondeu, já com a fisionomia mais sisuda. Os olhos verde-escuros agora como feixes.

–Ãhn, eu..me chamo.. me chamo..

–Verônica Valadares- Ele respondeu, bem seguro de si. Outra vez o sorriso perspicaz , se fazendo naquele rosto meticuloso, de modelo da Calvin Klein.

Eu me odiei por aquilo. Mas em que diabos eu estava pensando? Ele era bonito. Para falar francamente, bonito era xingamento, ele era lindo. Os cabelos curtos, castanho-claros, de um quase louro, eram ondulados, que caiam por sobre seus olhos. Seus lábios eram carnudos, grandes e rosados, que continham um belo par branco de dentes alinhados, e seus olhos eram de um verde escuro que no fundo, dava para notar-se a mescla de verde e mel. Eu vacilei. Eu realmente não era o tipo de menina que deixava-se abalar por qualquer rosto bonito, mas eu estava vendo que aquele tipo era exceção. Eu não ia ser boba. Cuidado era o essencial, para dizer o mínino.

– Olha Artur, ou seja qual for o seu nome, o que você quer de mim? Você só veio aqui para se desculpar? Então saiba que o seu trabalho já está feito. Agora se você realmente não se importar, hoje eu tive um dia muito cheio, se é que você me entende... Então acho que você não se importaria, se eu te dissesse que quero ir para a minha casa descansar, não é? –Fiz uso da minha melhor expressão cínica e me virei bruscamente e saí andando em direção á minha casa, ele por contrapartida me segurou pelo braço e o segurou firmemente.

– Olhe Verônica, não sei se a impressão que eu passei a você tenha sido errada, mas eu estou realmente arrependido pelo acontecido de hoje, e o mínino que eu queria fazer a você era conseguir sua..sua..simpatia.

Confiança. Era isso o que ele queria dizer, eu percebia o modo que ele media as palavras, como cada coisa que dissesse o pudesse comprometer. Eu o olhei fixamente, meus olhos transbordando insegurança, mas ao mesmo tempo intrigados pelo o que aquele belo sujeito escondia.

Ele se aproximou de mim e deslizou sua mão de meu braço a ir de encontro com a minha. Eu quis livrar-me de seu toque, mas eu não sei. Simplesmente não pude, fiquei estarrecida e paralisada, meus olhos castanhos desconfiados.

Ele percebeu o abalo que seu toque fez em mim, e se aproximou mais ainda, e com avoz grave e sedutora, falou:

– Não faça com que um pobre homem se sinta culpado.-Ele sorriu.- Só quero conversar com você, que tal um passeio pela Venice Beach? É só o que eu te peço.

–Eu .. Eu não sei.. – Respondi indecisa.

– Não me faça sofrer de remorso, sou apenas um garoto tentando ser gentil com uma jovem que ele atropelou.- Ele deu aquele sorriso malicioso, mas os olhos continuaram austeros.

Ele abriu a porta de carona de sua BMW, segurando minha mão, como que me forçasse o convite. Prendi a respiração, pelo susto da constatação de que aquele carro era o mesmo que estava no estacionamento da escola hoje de manhã, aquele que me deixou intrigada por não saber de quem era. Um arrepio percorreu minha coluna, aumentando minha curiosidade.

– Quero estar aqui em casa antes das 8, entendido? E isso não é negociável.- Respondi grosseiramente, com uma pitada de ironia na minha voz.

Os cantos de sua boca se repuxaram num sorriso astucioso. Ele fechou a porta da carona e se dirigiu ao banco do motorista. Naqueles poucos segundos eu estava me perguntado no que havia me metido. Seja lá o que fosse, eu queria descobrir.


Notas finais
Primeiro de tudo quero deixar bem claro que o ARTHUR pertence a minha pessoa hahahahahaa!( brincadeira) Entaão o que vocês acharam desse capítulo? Ruim, péssimo ou terrivel...?!! Brincadeiras a parte, pessoal não esqueçam de deixar seus comentários, não mata ninguem e também nos ajuda a melhorar cada vez mais...Bom é isso, tenham uma otima semana e comentem bastante.
BjOos!
VicKy*
(ps: Estou precisando de alguem que faça capas)