Vento nas Folhas

4 A retórica do Amor


Sugestão: Canção de Orfeu — Sandman🎶


(...)

Olhos fechados. Respiração profunda.

Por quê?

Para não deixar a raiva dominar o corpo, para não escorregar no medo.

Para não afundar no caos.

Para usar a inteligência emocional.

Afinal, o que sou eu senão a evolução da minha espécie, não é mesmo?

Mas, até onde podemos manter a raiva sob controle?

Como anteriormente mencionado, talvez, o meio do caos traga mais entretenimento.

Dito isso, antes de falar sobre a convivência marital, gostaria de falar sobre a nossa criação sobre o amor. O que nossos ascendentes nos passaram. O que vimos outros passando e o que nós mesmos acabamos nos submetendo.

Parece que achamos que o amor não nos machucará. Nos ensinam que ele não deve fazer isso e quando o amor nos machuca, não é decepção o que sentimos. É desespero, é uma coisa crua.

É sintomático.

É aperto no estômago.

É coração acelerado.

Respiração entrecortada.

Nem quero pensar no que a falta de oxigenação faz com o cérebro. O sentimento é de caleidoscópio. É uma crise de ansiedade explodindo na cabeça e no estômago.

Algum especialista pode dizer por qual motivo a paixão é tão física?

Prefiro um soco. Porque o soco se cura eventualmente, mas, a praga da paixão fica ruminando, arruinando humor, sono, dia, trabalho, relacionamentos.

A gente não consegue fazer nada direito.

É necessário uma inteligência emocional imensa.

Um brio excepcional para se manter no eixo.

Certamente a paixão é uma afronta ao ego.

É uma sucessão de sentimentos em parafuso.

Dá vontade de entrar em uma cabine à prova de som e gritar até ficar sem voz.

Por quê um emaranhado?

Por que não pode ser uma linha contínua?

Um questionamento sério.

É assim para todos.

Ou, alguns escolhidos pelo grande EU SOU, beijados pelo destino, conseguem se manter na linha sem se abater pelas patifarias da paixão?

(Respiração profunda novamente, para não se deixar levar pelo furacão)

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E por que nos submetemos tanto?

Por quê aguentamos tanto?

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Por que nos ensinam que o mínimo é amor?

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Por que é humanamente impossível fugir da necessidade de conexão?

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Tudo apenas conjecturas filosóficas, apenas questionamentos retóricos.

Então, como diria meu querido professor Uipirangi.

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O que é amor?

(...)

Dizem que quando a paixão passa, então se torna amor, em contrapartida, para outros o amor é uma eterna paixão.

Outros, a oposição, relatam que o amor é apenas filial — mães, pais, filhos.

Algumas Religiosidades dizem que o amor é o encontro de almas que já passaram por este plano juntas. Outras, que o ‘amado’ é o presente da fé, e oração, e sacrifício para sua divindade.

Mitologicamente o amor destruiu Tróia. A custo de um pequeno pomo dourado e uma aposta. Tudo que Páris queria era o amor da mulher mais linda da antiguidade.

O amor por Eurídice, fez Orfeu barganhar com Hades, uma saída do submundo.

Fez Isis, dilacerada pelo luto, peregrinar por todo Egito, atrás de todos os pedaços de seu amado.

Para Platão foi um impulso até à contemplação da beleza suprema.

É para Shakespeare é um demônio. “ não há anjo pior que o amor”

A abstração do amor está em todas as configurações de suas formas.

Para os apaixonados, o amor tem nome, sobrenome, cheiro, gosto, fome.

O amor é entardecer alaranjado. É quente e vibrante…

Mas, o amor também é calmaria.

O amor também é vento nas folhas da alma.

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Abraçando todo seu corpo em brisa leve.

Carregando seu aroma favorito, para te envolver com ele, quando furioso vem se chocando contra seus lábios. Beijando e emaranhado seus cabelos.

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Então,

É a calmaria antes da tempestade?

É perseverança?

É divino?

É predestinado?

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Apenas abstração?

Pergunta retórica?

Barco à deriva no mar espelho do céu?