Vento nas Folhas

5 Tudo dorme.


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Suspiro profundo e audível.

Adivinha Dindi?

Estou exatamente na mesma situação que me trouxe a escrever esses capítulos.

É noite, todos dormem.

Mas, em meu peito…

Apenas destroços em minha órbita gravitacional.

Se houvesse uma forma de descrever a sensação, seria um quadro completamente caótico, uma nebulosa.

Mesma radiação. Mesmo vento violento de destruição e criação.

Um grito preso na garganta.

Uma falta de pertencimento.

Exatamente uma nebulosa. Pois tudo permanece silencioso, porque o som não se propaga no espaço…


Porra, quando tudo desandou?


Esqueci completamente que queima e não consome. Que deixa feridas que ninguém vê, mas que continuam ardendo.


Esqueci completamente que é um nó que não desata.


Tem gosto de fel.


Tenho estado em silêncio, não quero falar mais a ninguém sobre essa dor, por que ela é só minha para devorar.

Mesmo quando há outras pessoas.

Essa dor me sorri com seus dentes afiados, me arrancando pedaço por pedaço.

Quando realizo que fui comprometida por ela. Já estou em lágrimas.

Sufoco os soluços.


Fujo para nosso lugar seguro.

Onde você mora dentro de mim, para ter um pouco da paz que você me traz.

Onde você pode viver para sempre.

Onde posso te ouvir falar sobre tudo e nada, com sua xícara de café, no entardecer laranja.

Consigo visualizar a forma como se move.

Ouvir sua risada.

Não saio até que me mande embora.

Mas então, já compartilhamos uma vida inteira e tenho um pouco mais de força para encarar a realidade.


Realidade essa, que me fez perceber que estou completamente imersa na situação atual.

Toda vez que preciso tomar uma decisão, pulo completamente.

E me afogo.

Quase me acidentei duas vezes em uma quadra. Meu corpo estava ali.

Mas, meu espírito completamente avulso à vida principal, está se afogando.

.

Nem estou triste pelo fim.

É algo mais profundo.

São tantas emoções em onda.

Tudo à flor da pele.

Parece que mesmo com todos os avisos, voar perto do Sol foi tão tentador que não me atentei ao risco da queda…

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E adivinha quem não sabe nadar se sobreviver a ela?

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Isso mesmo Dindi…

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Hoje estou esperando o vento vir beijar minhas lágrimas, carinhosa ou violentamente. Mas, nem isso me será permitido nessa noite.

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É noite.

Tudo dorme…

Mas, em meu peito…

Apenas destroços do que foi e do que será.

Acabou. Finalmente acabou…

E o futuro incerto?

Acabou…

Como você vai se virar sozinha?

Acabou…

E a exaustão?

Acabou…

E o medo?

Acabou…


O entretenimento do meio do caos?

O espetáculo da minha dor para todos saborearem comigo, acabou.

Só aconteceu porque dei permissão.

E então não permito mais.

Levanto.

Saio.

Deixo que falem pelas minhas costas.

Quando me dobrei de dor, quando implorei misericórdia a qualquer entidade que me ouvisse…

Ninguém parou para verificar minha condição antes de me fazer caminhar para outro dia.


Quando me tornava amarga…

Quando tudo estava se tornando cinza.

Ninguém ofereceu um pincel para eu mascarar a dor. Para colorir um pixel da minha tristeza.


Os sinais estavam todos ali.

E eu não os vi.

Não fugi a tempo.

Não me protegi .

Não protegi os que vieram de mim…

E agora, lamento por que preciso abandonar tudo para começar tudo novamente.


Apesar da raiva.

Apesar da falta de sentimento de pertencimento.

Apesar de não jogar com o jogo de desinteresse de ninguém.

Acabei perdendo em todos os aspectos e me encontrar novamente, como pessoa antiga e nova pessoa, tem se tornado uma tarefa Hercúlea.

O caos deixou tudo absolutamente mais bonito e deixou tudo fora do lugar e fora do controle.

Mas, o espetáculo de cores…

Em contrapartida o sentimento de desamparo, de impotência…

Preciso queimar até às cinzas para renascer novamente.


Um dia de cada vez…

Até ter um pouco de cor novamente.

Até a vida voltar a meus ossos.


Posso me esconder em

nosso lugar seguro?

Apenas mais hoje…?


.

.

É noite…

Tudo dorme…

Mas em meu peito…

Porra, em meu peito…