Sieg e Freya cavalgaram o mais rápido que puderam até finalmente adentrarem o pátio dentro da segurança dos muros. O pátio estava em alvoroço, lanceiros, escudeiros e espadachins corriam de um lado para o outro. No centro do pátio, Tyler comandava os cavaleiros perdidos a tomarem suas devidas posições.

– Tyler! – Exclamou Sieg.

– Agora não, pivete. Eu tô tentando organizar esse bando de novatos. – Ele respondeu com um tom tão calmo que fazia com que aquilo fosse só mais um treinamento.

– Sieg! Freya! – Eren chamava ao fundo, correndo ao encontro dos amigos.

– Eren! O que aconteceu?

– Algo grave! Um exército de Cavaleiros Negros foi avistado e eles estão vindo para cá!

Como o continente estava em épocas de cruzadas, só seria questão de tempo até que Venorian fosse alvo de ataque. Tamanha coincidência trouxe um revertério no estômago de Sieg. Em seguida, sua expressão se entupiu de fúria e determinação.

– ...Onde está minha espada...?

– Sieg? O que você...

– O que mais, Eren?!? Eu vou pro campo de batalha!

– Espera... Será que eu ouvi direito? – Tyler voltou-se para Sieg – Um aspirante quer ir ao campo de batalha?

– Pelo visto você não é surdo, Boca de Siri. Quer que eu repita novamente pra deixar claro?!? – Encarou Tyler, sem perder a determinação.

– Você pode querer ir se matar, mas não atrapalhe a vida de quem está fazendo o trabalho direito. – Ele respondeu antes de sair para dar mais ordens aos que nunca lidaram com uma guerra.

– Escuta aqui, seu... – Sieg foi impedido por Eren de avançar sobre Tyler.

– Sieg, para! Você sabe muito bem que você não pode ir para o campo de batalha ainda se você não é um favorito!

– Eu não ligo pra essa bosta! – rugiu – Eu tenho que batalhar!

– Aleksandru! – uma voz chamou ao fundo. Era o instrutor de Sieg.

– P-Professor?

– Que bom que você está aqui. Quero que você e Freya fiquem dentro do castelo.

– O que? Por quê?!?

– Alguém precisa proteger a família real. Faremos nosso melhor para não deixar ninguém atravessar, mas precisamos garantir qualquer ponto fraco.

– Meu lugar não é dentro desse castelo, professor! Eu tenho que ir pro campo!

– Aleksandru! – O mestre aumentou a voz – Não discuta comigo. Apenas obedeça!

– Mas, mestre, eu...

Eren puxou Sieg pelo braço, gesticulando para Sieg que não havia outra escolha e para parar de insistir. Sieg se lembrou do momento que deixou suas emoções falarem mais alto, e então finalmente se acalmou.

– ...Sim, senhor. –Foi a única coisa que disse, antes de tomar rumo para dentro do castelo. O instrutor suspirou aliviado. Em seguida, voltou a atenção para Freya.

– Você também, Freya. Faça o que eu digo.

Freya assentiu com a cabeça

– Sim, senhor – A garota logo seguiu Sieg para dentro do castelo.

“Sieg... Freya... Vocês dois são meus melhores alunos... Não posso arriscar perder vocês dois até que estejam totalmente prontos para isso... Faremos nosso melhor para garantir mais um dia", pensava o instrutor. Em seguida levantou a voz:

– Vamos para a batalha! Daemon, me ajude a organizar as fileiras!

~*~

O som da marcha dos cavaleiros negros ecoava para dentro do castelo. Nas muralhas, os vigias apenas viam um enorme mar de armaduras negras saindo dos bosques. Eram centenas... centenas de lanças. Centenas de espadas. Centenas de passos trazendo a morte com eles. Um dos líderes caminhava pela muralhas:

– Onde estão nossos arqueiros? Precisamos "dele" aqui!

Ao ouvir o sino, uma pessoa encapuzada corria para cima das muralhas com um arco na mão e várias flechas em suas costas, sendo seguida por centenas de arqueiros.

– Todos aos seus lugares, vamos logo! – Gritava uma voz feminina enquanto fazia sinal para alguns arqueiros a seguirem e outros para irem às escadas mais próximas da muralha. Alguns segundos depois, já em cima da muralha, voltava a gritar para os arqueiros.

– Todos em suas posições! – Dizia ao mesmo tempo em que corria em direção ao líder que estava acompanhado de dois arqueiros.

Tirava o capuz, revelando a face de uma garota. Ela tinha olhos azuis e cabelo avermelhado não muito comprido, preso em 'maria chiquinha'.

– Certo... Qual a situação? – Perguntou, encarando-o com expressão séria, enquanto esperava os arqueiros que a seguiram se ajustarem em suas devidas posições.

– Ah, Noah, finalmente! A situação não é das melhores. Daqui dá pra ver que são em centenas, mas outros devem estar se escondendo entre os bosques. Talvez eles passem dos milhares! Nossos homens já estão a caminho, mas não dá para garantir se venceremos em números. Precisamos reduzir o máximo possível para mandar nossos homens sem nenhum perigo. E é aí que você entra... Comandante.

– Diminuir a quantidade de inimigos... Não é um trabalho difícil para meus arqueiros. – Dizia, com uma aparente felicidade em sua voz.

Os arqueiros já estavam devidamente posicionados ao longo da muralha em duas fileiras, deixando um espaço suficiente para Noah entrar na formação. A garota andou até o local, enquanto tirava uma flecha de sua aljava e a posicionava no arco.

– Preparem-se para atirar! – Com o comando da garota, os arqueiros quase perfeitamente sincronizados, pegavam uma flecha posicionando–a no arco e mirando logo em seguida. Noah mirava, e em seguida gritava o próximo comando: – Fogo!

Flechas começaram a voar em direção ao exército inimigo, matando vários deles. Noah observava as flechas atingirem o exército, com um sorriso estampado no rosto, pelo bom treinamento que seus homens haviam recebido.

“...Ainda há vários deles...”, pensava enquanto observava o exército se aproximar. – Preparem-se para atirar novamente! – Com o comando, tanto os arqueiros como Noah, voltaram a pegar uma flecha em suas devidas aljavas, posicionando–a no arco e mirando.

– Fogo! – Novamente, a chuva de flechas voava em direção ao exército inimigo.

A saraivada de flechas de Venorian cai sobre as cabeças dos cavaleiros negros, mas eles também possuíam suas armas. O som de uma das torres da muralha desmoronando chama a atenção dos próximos. E então Noah e os outros percebem o motivo: Catapultas. Escondidas nos bosques. Uma série de pedras é lançada contra as paredes de Venorian. Mesmo sendo resistentes, haveria uma hora que elas cederiam. Se elas cederem, será o fim para todos os presentes. Não se sabe quanto tempo mais as paredes serão alvejadas por pedras, mas estava aparente que os comandantes não iriam querer que isso se propagasse. E então os portões se abrem, de dentro dele, um mar de armaduras prateadas montados sobre cavalos de armadura tomam as fileiras do lado de fora. Ambos os lados estão prontos. De um lado, uma enorme infantaria de cavalos prateados seguidos por outros cavaleiros desmontados. Do outro, centenas de cavaleiros negros, prontos para derrubar as paredes de Venorian. No centro da primeira fileira, estava um dos comandantes mais experientes e respeitados pelos outros. Seu nome é Karlos Dragomir. Ele também é instrutor de aspirantes a cavaleiros. Ao seu lado direito estava Tyler, que dispensava o uso do elmo. Karlos virou-se para a infantaria, rugindo palavras para seus homens:

– Soldados de Venorian! Esse é o momento que nós tanto aguardamos! Nós mostraremos às forças corrompidas de Namuras que haverá um reino que se levantará diante das sombras! Haverá um reino que ficará de pé! Haverá um reino que fará as sombras voltarem ao abismo! E haverá um reino que se destacará mais do que os outros! Por Venorian!

Em seguida, um rugido monumental de todos os cavaleiros, todos em uníssono, gritando apenas duas palavras:

– Por Venorian! Por Venorian! Por Venorian!

– Cavaleiros! – Dragomir se vira, empunhando sua espada – Por Venorian!

Karlos comanda o ataque. Tyler estava logo ao seu lado, cavalgando um cavalo negro e empunhando sua espada própria. Sua expressão: Indiferença. Os cavaleiros negros avançam ao mesmo tempo, empunhando as lanças para uma ferroada destruidora. Ambos os exércitos se preparam para a colisão... 300 metros... 200 metros... 100 metros... E finalmente... BLAM. Os campos de Venorian começam a se encharcar em vermelho. Cabeças voam. Corpos são dilacerados. Cavalos morrem alvos de lanças. Prata colidindo contra preto, um verdadeiro massacre. E era apenas o começo.

Tyler reparou que, em meio a todos os Cavaleiros Negros, avançando como uma grande onda de armaduras e lanças, um deles se mantinha parado o tempo todo, como se estivesse com medo de batalhar. Cavalgou até chegar no tal medroso, cravando a espada no meio de qualquer um que ousasse entrar em seu caminho. Percebeu que o cavaleiro tentava recuar assim que notou a presença do garoto de olhos dourados.

– Não fuja, seu imbecil. – Ele urrou, aproximando–se cada vez mais. Com apenas uma cabeçada de seu próprio cavalo, conseguiu fazer com que o cavaleiro caísse de sua montaria.

– Covardes como você não deveriam se meter num campo de batalha como este – Tyler puxou o inimigo pelo pescoço, enforcando–o.

– P-Piedade, por favor!

– Piedade? Olhe a sua volta, estamos em guerra e além do mais... – O moreno deslizou a espada pelo pescoço do cavaleiro, separando sua cabeça do resto do corpo – Piedade não faz o meu estilo...

A saraivada continuava até as duas dúzias de flechas de cada arqueiro tivesse acabado. Mesmo matando uma boa parte dos cavaleiros negros, o exército aliado ainda estava com menor número de soldados.

– Tudo bem... – Noah dizia, com um tom de frustração e felicidade em sua voz. – Arqueiros! Como no treinamento! – Gritava, enquanto andava em direção às escadas para descer. – Aqueles mais hábeis na esgrima, peguem suas espadas e escudos e sigam-me!

Olhando para aqueles que ainda estavam em suas posições esperando o comando, percebeu que Louis, seu subordinado em que mais confiava, estava entre eles. Olhando com um sorriso no rosto, o chamava com um sinal de mão. O mesmo rapidamente se aproximava de sua comandante, e batia continência com sua mão direita enquanto segurava seu arco com a outra mão.

– Louis... Deixarei a outra parte dos meus homens em suas mãos. As aljavas com as flechas extras já estão lá em baixo. Pegue-as e coloque os arqueiros nessa mesma formação... Fora das muralhas, subi-las novamente seria apenas perda de tempo. Mire nos inimigos mais ao fundo, para não ter perigo de acertar os aliados. Conto com você! – Dizia colocando sua mão direita no ombro do rapaz.

– Conte comigo, comandante! – Dizia Louis, batendo uma segunda continência e virando–se em seguida.

– Aos outros homens: Sigam Louis, ele dará as ordens a partir de agora! – Assim, Noah descia as escadas mais próximas seguida de parte seu exército, enquanto Louis comandava a outra parte do lado oposto. Já no térreo, saía pelo portão, e dava o sinal para seus homens entrarem na batalha ao mesmo tempo que falava.

– Auxiliem aqueles com mais dificuldades. Não tentem ser heróis... – "Não quero nenhum de vocês mortos", pensava, enquanto corria junto deles em direção à batalha que estava em sua frente.

No meio do caos, Karlos Dragomir mostrava esperança para seus soldados. Mesmo sabendo da desvantagem, comandava os seus aliados de forma perfeita, além de habilidoso no combate. Dezenas de cavaleiros negros já saborearam o aço de sua lâmina. Tyler continuava seu show de matança a sangue frio e agora com Noah e seu reforço ao campo de batalha, rugiu aos céus

– Avante, soldados! A morte é um dia que vale a pena viver!

Assim como a chuva de flechas de Venorian caia sobre a cabeça dos inimigos, as forças negras de Namuras continuavam a lançar as pedras contra os muros. Alguns dos arqueiros foram vítimas das pedras gigantes. As casas dentro dos muros da cidade sofriam a maior consequência. Os aldeões tinham que ser recuados para os subsolos da cidade, para que não fossem vítimas. Eren e outros novatos estavam responsáveis por garantir a segurança do povo. Mas muitas casas já foram demolidas e muitas vítimas foram feitas. O exército fazia o máximo que podia para reduzir o número delas, mas não parecia ser o suficiente. E na cabeça de Eren, vendo todas as vítimas à sua volta, vendo as torres caindo vítimas das catapultas, apenas um pensamento corria:

– Aqui... É o inferno! – Proferiu em voz alta.