Vendetta
22 Yamamoto
Yamamoto
Ele soube imediatamente que aquilo era um sonho.
A porta do terraço se abriu, e ele recebeu a luz do sol direto em seus olhos. O braço esquerdo se ergueu, protegendo seu rosto da claridade e também oferecendo a visão das pessoas que ele procurava. Isso é um sonho, pensou Yamamoto ao dar o primeiro passo na direção do terraço. Eles ainda são crianças, adolescentes, as figuras sentadas em uma das partes do terraço, comendo lanches, não tinham mais de 15 anos, e eu já sou um homem crescido. O Guardião da Chuva aproximou-se, erguendo o braço direito e acenando. Ele sentiu quando seus lábios se repuxaram em um largo sorriso, enquanto seu coração batia freneticamente em seu peito. Eu estou feliz. Eu estou feliz em vê-lo.
Gokudera estava sentado rente à grade. Ao seu lado havia uma caixinha de suco e em suas mãos um pedaço de melonpan comido pela metade. Tsuna sentava em frente ao amigo, degustando um obento generoso, provavelmente feito por Nana. Os dois garotos ergueram os olhos ao vê-lo se aproximar, mas somente o futuro Décimo Vongola sorriu. Eu estou feliz. O moreno sentou-se e sorriu na direção do garoto de cabelos castanhos, mas sua atenção foi totalmente para o Guardião da Tempestade, que o olhou com o mesmo olhar transbordando desdém. Eu quero dizer que o amo. Eu quero abraçá-lo aqui e beijá-lo e dizer que o amo.
"Você já soube, Yamamoto?" Tsuna ergueu a cabeça. Suas bochechas estavam coradas. "Gokudera disse que está apaixonado."
Yamamoto sentiu o rosto tornar-se quente. Sua mão direita coçou uma de suas bochechas e ele engoliu seco, tamanha a expectativa. Há muito tempo ele não sonhava com o passado. Ele costumava ter esses sonhos depois que terminou o ensino médio, mas isso acontecera há anos. Ter a oportunidade de rever o garoto de cabelos prateados daquela época era incrível. Eu queria ter notado. Eu queria que ele tivesse dito ou feito alguma coisa. Eu perdi tanto tempo. Ele sempre esteve ao meu lado, a pessoa certa sempre esteve ao alcance dos meus dedos e eu nunca percebi. Eu devo tê-lo feito sentir-se tão sozinho. Durante todos esses anos Gokudera me amou em silêncio... Eu quero dizer que o amo. O Guardião da Chuva encarou o garoto da direita. Aquilo era um sonho, então o Braço Direito não se importaria de dizer seu nome ali, na frente de Tsuna. Porque em sonhos tudo é possível.
"É mesmo?" O moreno entrou na brincadeira.
Gokudera levou a caixinha de suco até os lábios, corando violentamente.
"N-Não é assim, Jyuudaime."
Yamamoto sabia que o Guardião da Tempestade só estava agindo daquela maneira tão honesta porque havia sido Tsuna a perguntar. Fosse qualquer outro ser humano a resposta teria sido atravessada e cheia de arrogância.
"Diga a Yamamoto quem é, Gokudera-kun. Ele ficará feliz em ouvir."
O garoto de cabelos prateados pousou a caixinha no chão e limpou a garganta. Seus olhos verdes pareceram nervosos por um momento e, quando seus lábios se entreabriram, o Guardião da Chuva sentiu o coração bater mais rápido.
"A-Ami."
O futuro Décimo riu baixo, mas o moreno não conseguiu esboçar reação alguma.
O Braço Direito pediu para que seu amigo parasse de rir, porque o assunto era sério, mas o garoto de cabelos castanhos continuou. Este não é um sonho, é um pesadelo. Yamamoto encarou Gokudera, completamente sério. As risadas dos dois amigos se tornaram longe, e ele sentiu seu corpo se afastar pouco a pouco. A cena em si tornou-se borrada, como se ele estivesse sendo levado para outro lugar. A única constante eram as risadas tímidas que os dois amigos trocavam. O Guardião da Chuva abaixou os olhos, encarando as próprias mãos. Ele não estava mais sentado, e sim em pé. O terraço havia dado lugar a um dos corredores do Colégio Namimori e a cena diante de seus olhos também havia mudado. No lugar de seus dois amigos, agora ele via Ami, sua primeira namorada, parada em frente a Gokudera. Eu sei o que vai acontecer aqui.
"E-Eu estou apaixonada por você, Gokudera-kun." Ami estava igualzinha a lembrança de Yamamoto. Os mesmos cabelos castanhos e levemente longos. O mesmo rosto corado e a mesma atitude reservada. Eu sei disso porque foi dessa maneira que ela se confessou para mim. "Por favor, seja meu namorado."
Diga não, Hayato. O Guardião da Chuva virou o rosto, ficando surpreso ao ver o garoto de cabelos prateados corar e coçar a nuca. A resposta, porém, ele não chegou a ouvir. Assim que o Guardião da Tempestade entreabriu os lábios para responder, o moreno o segurou pelo braço, puxando-o pelo corredor. Os dois correram por um longo tempo. O corredor parecia muito mais longo do que ele se lembrava, e suas pernas não pararam por um minuto sequer. Ele sentia a mão quente entre seus dedos, e não importasse o quanto precisasse correr, Yamamoto sabia que não poderia soltar aqueles dedos. Se eu soltá-lo ele vai desaparecer. Gokudera vai se confessar para a garota. Aquela realização o fez diminuir os passos, até parar. Seus olhos castanhos encararam o chão, e ele se virou devagar. O Braço Direito do Décimo o olhava com uma expressão neutra, como se não soubesse o que estava acontecendo. Agora eu entendo...
"Eu sinto muito, Hayato." O Guardião da Chuva esboçou um meio sorriso triste. "Desculpe por tê-lo feito passar por isso. Não foi justo."
O moreno deu um passo, depositando um gentil beijo na testa do garoto à sua frente. Eu disse incontáveis vezes que entendia o sofrimento dele, mas nunca parei realmente para me colocar em seu lugar. Hayato precisou carregar isso sozinho. Ele assistiu a tudo sem dizer nada. Deve ter sido difícil. Os olhos castanhos se fecharam e quando eles se abriram Yamamoto não estava mais no colégio Namimori. O teto branco do quarto estava embaçado, mas ele soube imediatamente que havia acordado. Por alguns segundos o Guardião da Chuva piscou, tentando lembrar-se de onde estava. Algo se moveu ao seu lado, chamando sua atenção e o fazendo virar o rosto. Nunca a realidade lhe pareceu tão doce, porém, nada seria mais doce do que a expressão de serenidade no rosto da pessoa que dormia ao seu lado.
Gokudera havia se arrastado na cama e dividia o travesseiro com o moreno. Uma de suas mãos estava sobre o peito de Yamamoto e ela se erguia e se abaixava conforme o ritmo da respiração. O lençol estava baixo, cobrindo apenas o que deveria ser coberto e deixando a pele pálida à mostra. O Guardião da Chuva sorriu e virou-se devagar, com medo de acordar seu amante. Meu, pensou o ex-capitão do time de baseball, ele é meu agora. Os olhos castanhos encararam o relógio digital que ficava na cômoda do lado em que o Guardião da Tempestade dormia, e por um momento ele se sentiu triste. Em dez minutos ele teria de oficialmente acordar, e não havia nada que ele quisesse mais naquele dia do que passá-lo ao lado do homem de cabelos prateados. Uma das mãos de Yamamoto desceu pelas costas do Braço Direito, sentindo a pele firme e os músculos. Gokudera não tinha a pele macia de Ami-chan, os cabelos longos e negros de Erika, a personalidade cativante e eufórica de Maya e nem os seios fartos de Yurika. O Guardião da Tempestade era mais alto do que todas as suas antigas namoradas, tinha a voz grossa e falava palavrões. Sua personalidade era explosiva, e ele era direto e sem rodeios. E era um homem.
A mão do Guardião da Chuva tocou os cabelos finos e prateados, tirando-os do belo rosto. Ele é perfeito. Tudo nele é perfeito. O moreno sorriu ao tocar aquela face tão tranquila, pensando que a pessoa em seus braços deveria ter passado por um sofrimento inimaginável durante todos aqueles anos. Eu não teria sido paciente. Eu jamais teria aguentado vê-lo com outra pessoa. Aquele pensamento fez Yamamoto sorrir, lembrando-se do dia que vira o homem desconhecido na soleira do apartamento. Eu senti raiva. Eu me senti traído. O Guardião da Chuva não havia dito isso para o homem de cabelos prateados, mas ele sabia que chegara antes do beijo acontecer. Na verdade, ele estava ali há alguns segundos e, apesar de denso, naquele momento ele soube que o Braço Direito teria beijado aquele homem. Eu não entendi porque fiquei tão incomodado. Eu apenas senti que havia alguém que queria levá-lo para longe e eu jamais permitiria. O moreno suspirou e esticou a mão, o suficiente para que seu dedo apertasse o botão do alarme antes que ele tocasse. Gokudera moveu-se um pouco em seus braços, mas aparentemente não acordou. Yamamoto depositou um gentil beijo no alto da cabeça prateada antes de sentar-se na cama. Ele vestia apenas a roupa de baixo negra, e precisaria de um banho antes de ir. Hoje é o dia, pensou o Guardião da Chuva enquanto ficava em pé e se espreguiçada, hoje é dia de saber o que o futuro me reserva.
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O banho foi rápido, assim como todos os banhos que ele estava acostumado a tomar.
O moreno não era uma daquelas pessoas que gostava de cozinhar embaixo do chuveiro, herança essa herdada dos tempos de colégio, em que ele precisava dividir o vestiário com outros garotos, e sempre havia fila para tomar banho. Yamamoto deixou o banheiro, arrumando a toalha ao redor da cintura. Seus passos foram vagarosos, principalmente ao entrar no quarto. Ele havia trazido roupa limpa da sua última passada em casa, isso na manhã anterior. As peças estavam em uma gaveta, na cômoda embaixo da janela. O Guardião da Chuva pegou a roupa de baixo e seguiu para o outro lado do cômodo, atrás de sua roupa social. A camisa estava separada, e seu terno e calça pendurados ao lado das roupas do dono da casa. Ver aquilo o fez sorrir, imaginando se em breve teria um pedacinho, mesmo que insignificante, do guarda-roupa. Um espaço que ele saberia que era dele, por direito, um direito conquistado. O moreno retornou ao banheiro, escovando os dentes e terminando de se vestir. Gokudera havia pedido para ser acordado, pois ele faria o café da amanhã. Porém, Yamamoto não o fez. Seus passos o levaram novamente até o quarto, mas ele apenas refez o caminho para poder dar uma última olhada em seu amante. Os dois se encontrariam antes da viagem ao futuro, mas ver o Guardião da Tempestade dormir havia se tornado o passatempo favorito do moreno naqueles últimos três dias.
Seus joelhos se flexionaram e o Guardião da Chuva se abaixou. Sua mão direita tocou o rosto do homem de cabelos prateados e seus lábios se repuxaram em um sorriso. Há três dias ele basicamente não deixava aquele apartamento. A única saída foi na manhã do dia anterior, e Yamamoto foi somente pegar algumas roupas. O restante do tempo eles passaram ali, basicamente nos limites daquele quarto. Lembrar-se de todas as coisas que fizeram sobre a cama o fez corar levemente, mas a timidez jamais seria capaz de sobrepor sua felicidade.
A impressão que o moreno teve foi que antes de dormir com o Braço Direito do Décimo ele realmente não conhecia o que sexo significava. Ele nunca havia sentido tanto desejo por outro ser humano, tanta vontade de possuir alguém a tal ponto que a pessoa em questão chegava a implorar por seu corpo. Ele pediu, ontem. A cor rosada pintou a pele morena e Yamamoto encarou a cama. Os dois haviam feito de tudo nesses dias, e a cada vez que possuía Gokudera ele sentia como se quisesse sempre mais. O resultado foi que ambos acabaram ficando até altas horas da madrugada acordados, dormindo apenas quando já não era possível mover um músculo. Eu vou deixá-lo dormir um pouco mais, Hayato deve estar exausto e eu preciso aprender a ter um pouco mais de autocontrole. O moreno ficou em pé, inclinando-se e depositando um casto beijo na bochecha de seu amante. Eu quero retornar logo para esse apartamento e então vou amá-lo com todas as minhas forças para que ele acredite que eu jamais vou deixá-lo. Eu não me importo com o que verei no futuro. Eu sei que eu o quero e isso é suficiente. O Guardião da Chuva endireitou-se e deixou o quarto. Tudo dependia daquela viagem e ele daria o seu melhor.
O dia estava quente, assim como os anteriores. Agosto estava sendo um mês incrivelmente abafado, mas Yamamoto não reclamaria. Ele adorava o verão. Era sua estação favorita. O calor, o céu azul, o Sol sempre brilhante... tudo o encantava e o fazia lembrar dos tempos de colégio: os sorvetes que tomavam depois das aulas, os treinos de baixo do Sol escaldante, os deveres de casa feitos na casa de Tsuna com o ventilador ligado na potência máxima. Pequenas lembranças que sempre surgiam quando chegava o verão. E naquele ano, em particular, o Guardião da Chuva lembrava-se bem dos momentos que passou com os amigos, principalmente Gokudera.
O caminho até o escritório dos Vongola foi feito através de lembranças e memórias. Seu carro percorreu as ruas e avenidas, parou nos sinais e quando finalmente entrou no estacionamento subterrâneo, ele soube que não teria volta. Tsuna havia pedido que ele chegasse antes do horário combinado, pois gostaria de dizer uma ou duas palavras. O moreno tinha uma vaga ideia do que se tratava, e não viu problema algum em conversar com seu amigo.
Seus passos foram lentos e despreocupados. O elevador estava vazio, assim como os corredores do terceiro andar. Yamamoto parou em frente à sala do Décimo e bateu duas vezes antes de entrar. A figura de Tsuna surgiu atrás da mesa e o recebeu com um caloroso sorriso.
"Bom dia!" O Guardião da Chuva entrou e olhou ao redor. Não havia sinal do Arcobaleno. "Reborn não está aqui?"
"Ele está no subsolo conversando com Dino-san." O homem de cabelos castanhos sorriu nervoso.
"Entendo. Então seremos somente nós dois." O moreno aproximou-se da mesa e puxou uma das cadeiras que estava próxima.
"Gokudera não veio com você?"
Em qualquer outro dia Yamamoto teria rido e apenas dito um simples e displicente "não". A resposta era tão básica, tão comum, que não havia motivos para ter alguma reação ou segundo pensamento. Entretanto, seus olhos castanhos se ergueram e naquele momento ele soube que aquela não havia sido uma pergunta inocente.
"Você sabia, não é?" Aquela realização o fez encarar as próprias mãos de maneira triste. Eu fui o único que não viu.
"De certa forma." Tsuna coçou a bochecha e corou. Aquele definitivamente era um assunto que ele não gostaria de comentar. "M-Mas esse é um problema de vocês, e eu estou feliz que vocês estejam felizes, e-eu só queria dizer que não tenho nada contra!"
"Hahahahaha não se preocupe, eu não estou bravo." O Guardião da Chuva sorriu. Era engraçada a maneira como seu amigo corava e se desculpava. "Apenas não diga a Gokudera. Ele não vai receber tão bem a notícia e tudo o que eu não preciso é que ele continue a duvidar dos meus sentimentos."
"Não é culpa dele, Yamamoto." A expressão no rosto do Décimo Vongola tornou-se um pouco mais sérias. Seus olhos se abaixaram e ele esboçou um meio sorriso. "Todos esses anos Gokudera-kun foi apenas expectador da sua vida. Eu imagino que não deve ter sido fácil assistir a tudo aquilo."
"Mas eu não fazia ideia..." O moreno sentiu o peito apertado. Eu sei disso. Eu sei que foi difícil para ele, mas eu não sabia.
"Eu sei. Ele sabe. Ele garantiu que você nunca soubesse e, sendo sincero, eu acho que ele teria morrido com esse segredo se a situação não tivesse se tornado o que se tornou. Se toda essa bagunça entre as Famílias não tivesse acontecido, arrisco dizer que Gokudera jamais teria dito nada a você, mesmo eu não sabendo as circunstâncias que o fizeram realmente ser sincero consigo mesmo." Tsuna apoiou as mãos sobre a mesa, e desviou os olhos.
"Como você soube? Por que eu não vi?"
"Eu desconfiei, a princípio, quando você disse que gostava da garota da classe D, Ami-san. Porém, a certeza só veio no ano seguinte quando você começou a namorar a Erika-san. Naquele dia eu precisei ir embora pelo ginásio, pois Hibari-san estava na entrada do colégio, e ninguém em sã consciência teria coragem de sair por ali. Eu passei por mero acaso no vestiário e foi quando percebi que ele estava chorando em um dos cubículos. Ele não sabe que era eu naquele dia, e, por favor, não diga nada, mas algo dentro de mim sentiu que você talvez fosse o motivo." O homem de cabelos castanhos sorriu. "O restante veio com os anos e a maneira como ele se comportava ao seu lado. Você pode não ter percebido, mas durante todos esses anos foi sempre você, Yamamoto. Os olhos de Gokudera não viram mais ninguém."
O moreno tentou não se sentir machucado com aquilo, mas foi impossível. Seus olhos se abaixaram e ele encarou o tapete vinho que forrava o escritório, sabendo que não importasse o quanto se martirizasse, as coisas simplesmente não mudariam. Eu preciso esquecer o passado e me focar no presente. Hoje eu amo Gokudera. Eu tenho plena certeza dos meus sentimentos e vou lutar até o fim para que ele acredite no que eu digo. Tsuna o encarava quando seus olhos se ergueram e tudo o que Yamamoto fez foi sorrir. Ele sempre iria sorrir.
"Gokudera tem medo que eu o abandone. De acordo com ele eu estou casado no futuro. Eu sei que posso ver coisas que não quero nessa minha viagem, mas eu quero descobrir... eu preciso ver com meus próprios olhos o tipo de vida que levarei, e, honestamente, eu estou disposto a mudar isso." As palavras saíram naturais, como se desde o começo aquele fosse seu plano, sua vida.
O Décimo Vongola sorriu e balançou a cabeça em positivo.
"Então vamos falar sobre a sua viagem ao futuro, pois ela é importante para muitas pessoas."
Quando o assunto mudou, o Guardião da Chuva se sentiu mais aliviado. Tsuna estava a par dos acontecimentos, pois o Chefe da Família Cavallone havia entrado em contato. Os dois amigos conversaram sobre o tempo que ele passaria lá e que a informação vital seria entrar em contato com algum dos Guardiões.
"Nós precisamos de alguém de confiança. A informação não pode ser dada por qualquer um." O homem de cabelos castanhos coçou a nuca. Essas são palavras de Reborn, não suas, certo, Tsuna? "O ideal seria que você pudesse encontrar Dino e..." O Décimo parou e mordeu o lábio inferior. Seu rosto tornou-se levemente corado, mas seus olhos pareciam temerosos.
"Não se preocupe, eu sei quem devo procurar." O moreno sorriu. "E eu entendi, procurar qualquer Guardião menos Mukuro."
"E-Eu não quis dizer isso." Tsuna desviou os olhos, mas era clara a maneira como ele compartilhava aquele pensamento.
Os dois homens ainda permaneceram cerca de uma hora dentro do escritório, trocando informações e repassando alguns pontos importantes. Yamamoto sabia que se o futuro não tivesse mudado, seria sua responsabilidade coletar o máximo de informações para um contraplano. Se a missão falhou então teremos problemas. O Guardião da Chuva ficou em pé, encarando seu amigo sentado atrás da mesa e lembrando-se daquela garoto tímido e desajeitado que conheceu há sete anos. Tsuna ainda possuía os mesmos olhos gentis e amigáveis. Havia uma espécie de áurea ao redor do homem de cabelos castanhos, que o fazia ser uma daquelas pessoas confiáveis e bondosas. É esse o homem que Hayato admira. Espero um dia me tornar alguém que ele também possa admirar.
"Eu estarei de volta logo."
"B-Boa viagem, Yamamoto."
O moreno fez uma polida reverência antes de dar meia volta e seguir na direção da porta. Ele soube, através do Décimo, que Dino já estava no escritório, mais especificamente no subsolo e na companhia de Reborn. Eles haviam marcado para as 11hs da manhã, e, após consultar seu relógio, Yamamoto viu que teria cerca de dez minutos livres antes de se dirigir aos elevadores.
O corredor estava vazio, mas o Guardião da Chuva sorriu ao fechar a porta da sala. Seus pés o levaram para o lado direito, sabendo que há poucos segundos Gokudera havia passado por aquele lugar. O cheiro da colônia que o Guardião da Tempestade usava parecia ainda mais notável naquela manhã, e o guiou até a sala ao lado. Os nós de seus dedos bateram duas vezes e sua outra mão girou a maçaneta.
O homem de cabelos prateados estava sentado atrás de sua mesa e assim que a porta foi aberta seus olhos verdes se ergueram. O moreno sentiu uma onda de eletricidade subir por suas costas ao pensar que aquela era a primeira vez que eles se falavam diretamente depois daquelas 72hs. Seria extremamente fácil descrever o que aconteceu naqueles três dias. Após o momento inicial, os dois Guardiões basicamente passaram esse tempo perdidos em beijos e gemidos. Dizer que esses dias foram aproveitados sobre a cama seria uma meia-mentira, pois eles não se limitaram ao quarto. Cama, sofás, corredores e banheiro... Yamamoto perdeu as contas de quantas vezes eles haviam se rendido a um dos mais básicos desejos humanos. E, verdade fosse dita, até aquele dia o Guardião da Chuva nunca havia se sentindo tão erótico, o que o fez pensar que ele não conhecia realmente o que era prazer até conhecer o corpo de Gokudera.
Sexo com suas antigas namoradas não fora ruim, mas o Guardião da Chuva nunca havia se soltado totalmente como naqueles três dias. No começo ele foi devagar, resquício das experiências passadas. Suas namoradas sempre foram mais baixas e delicadas, e o moreno sempre teve medo de machucá-las. Entretanto, quando o Braço Direito pediu que ele fosse mais rápido e com mais força, foi impossível utilizar do autocontrole. Cada movimento possuiu 100% de seu desejo e amor, e Yamamoto não mentiu quando disse ao homem de cabelos prateados que não havia estranhado a anatomia masculina. Ele nunca havia tocado outro homem, mas sabia como as coisas funcionavam. Gokudera esteve em suas fantasias por semanas, e não teve nada naquele homem que o deixou decepcionado. Certo, ele não tinha os seios de Yurika ou deixava sua voz ecoar alta e sonora pelo quarto como Erika, mas havia algo que o Guardião da Tempestade possuía e que nenhuma de suas namoradas nunca conseguiu obter: ele, por inteiro. Foi somente ao sentir-se dentro do Braço Direito do Décimo e vê-lo ali, corado e totalmente descomposto, olhando-o com aqueles doces e amorosos olhos verdes, que o Guardião da Chuva teve certeza de que era ele... era Gokudera, não poderia ser outra pessoa. A primeira impressão, as brigas iniciais, os anos de amizade... ele sentiu como se todo aquele tempo o tivesse preparado para aquele momento, e, embora se arrependesse de nunca ter notado os sentimentos do homem de cabelos prateados, Yamamoto tinha plena convicção de que o que tinham ele jamais encontraria em outra pessoa. E foi esse sentimento quente, aconchegante, e extremamente familiar que o fez sorrir e dar o primeiro passo dentro do escritório.
O Braço Direito ergueu os olhos, mas os abaixou ao ver a porta sendo fechada. Ele acha que eu vim me despedir. Hayato, bobo. O Guardião da Chuva caminhou na direção da mesa, abrindo um largo sorriso.
"Tem certeza de que não quer descer? Você terá uma hora com a minha versão dez anos no futuro e poderá perguntar o que quiser. Será uma oportunidade única."
"Não, obrigado." O homem de cabelos prateados mantinha os olhos baixos. Não havia nada em sua mesa que justificasse aquele tipo de tratamento, além de alguns papéis. "Você vai descer agora?"
"Sim, eu vim apenas saber se tem mais alguma coisa relevante e que eu precise perguntar. Tsuna me passou as coordenadas, mas eu quero ter certeza de que entendi perfeitamente a missão."
"Você está sério sobre isso, idiota." Um meio sorriso irônico cruzou os lábios de Gokudera enquanto ele se levantava e dava a volta na mesa. "Mas o Jyuudaime já te disse tudo, eu mesmo passei a ele o que deveria ser dito, então não há nada mais que eu tenha que repassar."
"Certo." O moreno abaixou os olhos e sorriu ao ver sua companhia parada ao seu lado. Seu corpo virou-se automaticamente, fazendo com que eles ficassem frente a frente. "Quando eu voltar nós precisaremos conversar."
"Sim." O Guardião da Tempestade manteve o olhar firme, mas foi clara a maneira como ele queria dizer outra coisa. Nós não estamos falando a mesma língua.
"Só para deixar claro, eu me refiro ao que faremos a partir de hoje. Quero dizer, eu gostaria de vê-lo com mais frequência, por exemplo."
"Vamos falar sobre isso quando você retornar." A maneira descrente com que aquelas palavras foram ditas irritou Yamamoto.
"Você realmente acredita que eu estou aqui me despedindo, não é? Que o que passamos nesses últimos três dias não significou absolutamente nada."
O Braço Direito engoliu seco, mas não disse nada. Seu olhar continuou na direção do homem à sua frente, desafiante.
"Certo, eu entendi." O Guardião da Chuva sorriu triste. "Eu estarei de volta em pouco mais de uma hora e quando isso acontecer nós teremos a nossa conversa e você não terá para onde fugir." O moreno inclinou-se e depositou um gentil beijo na testa de seu amante.
O homem de cabelos prateados, porém, nada disse. Yamamoto sorriu mais uma vez antes de caminhar na direção da porta, respirando fundo ao se afastar daquela sala. Ele sabia o que queria e, principalmente, quem ele queria, mas isso não significava que não seria um choque encarar um futuro como ele havia ouvido. Hayato disse que eu estarei casado no futuro, mas não disse quando e nem com quem. A primeira pessoa que cruzou sua mente foi Yurika, mas ele duvidou que fosse a jovem mulher, não somente por causa da conversa que tiveram da última vez que se encontraram, mas também devido à situação em que ele vivia no momento.
Em poucas semanas a existência de Gokudera se transformou em algo extremamente necessária, como respirar ou comer. Se eu pensar bem, não foi em poucas semanas. O Guardião da Chuva acenou para o segurança que ficava perto dos elevadores, e que havia chegado nesse meio tempo, esperando poucos segundos até finalmente entrar. O botão que marcava "S" foi apertado e ele sabia que até lá haveria pelo menos quinze andares abaixo do solo. Eu o conheço há seis anos. Eu sei tudo sobre o Hayato. Aquela sensação o fez coçar a nuca, entendendo porque não houve estranheza em nada do que eles fizeram. Até aquele momento o moreno não havia parado para realmente pensar sobre o que acontecera naqueles três dias. Nesta manhã eu acordei ao lado dele, depois de termos feito amor pelo menos quatro vezes. Eu deixei o apartamento vivendo aquela realidade, a minha nova realidade, entretanto, agora eu preciso encarar a realidade geral. A vida real.
A porta do elevador abriu-se e Yamamoto suspirou. Agora não. Eu preciso me focar na missão. As vidas de duas pessoas queridas dependem disso.
O subsolo era uma versão light da fortaleza construída para a batalha do futuro. Havia menos salas, menos corredores e menos (muito menos) tensão. Existia cerca de 20 salas; 15 delas dedicadas somente às construções de Spanner e Giannini. As outras cinco se dividiam em cozinha, banheiros e uma sala de estar, utilizada para reuniões ultra-secretas (que verdade fosse dita, nunca aconteceram!). E era exatamente na direção dessa sala que o ex-capitão do time de baseball caminhou. O corredor era largo e bem iluminado. A sala era a quinta porta, e, assim que encarou o letreiro, o Guardião da Chuva suspirou fundo e girou a maçaneta.
Dino Cavallone foi o primeiro a recebê-lo. O simpático Chefe virou o rosto quando a porta foi aberta, sorrindo e levantando-se assim que viu a pessoa que entrava. O italiano caminhou três passos, mas tropeçou no fim do tapete e teria batido o rosto na mesa se o próprio moreno não tivesse corrido até ele por puro reflexo, e evitado o acidente.
"Hehehe obrigado. Eu acabei tropeçando." Dino ainda olhou para trás, encarando o tapete. "Muito perigoso esse tapete. Não sei por que fui tropeçar."
"Hahahaha acontece, acontece." Yamamoto entendia. Ele às vezes tropeçava em coisas assim, mas, no fundo, ele precisava concordar que o Chefe dos Cavallone tinha uma tendência anormal às quedas.
"Ciaossu, Yamamoto!"
"Hey, Reborn!" O Guardião da Chuva acenou para o Hitman sentado em uma das poltronas. A sala não tinha absolutamente nada de especial. Era um cômodo do tamanho de qualquer outra sala do prédio, possuía um jogo de sofá e várias poltronas (o número exato de Guardiões, ele havia contado), uma mesa, um tapete que forrava uma parte do local e alguns quadros pendurados. "Eu estou pronto."
"Ótimo!" O ex-Arcobaleno levantou-se. Somente naquele momento o moreno viu a bazuca que estava encostada ao lado da poltrona. Ao contrário da primeira versão da bazuca da Família Bovino, aquela havia sido modificada por Giannini no decorrer dos anos. Ela havia diminuído, e agora possuía metade do tamanho. Sem contar o tempo de permanência. Os minutos iniciais agora duravam uma hora. "Eu farei companhia ao inútil do Dino, caso o idiota se esqueça de perguntar alguma coisa para o outro Yamamoto."
"Eu não esquecerei, Reborn." O louro havia se sentado no sofá. Era bem mais seguro quando ele não tentava perambular pelo local.
"Idiotas não tem boa memória." Reborn sorriu, segurando a bazuca em sua mão. "Não se esqueça de perguntar e observar o máximo possível. Não fazemos ideia aonde você vai cair, então mantenha sua espada sempre ao seu lado."
Oh! Eu deixei a Shingure Kintoki em casa. Aquela realização o fez sentir-se muito idiota. Ele havia visto a espada no canto de sua cama antes de sair, mas achou que não seria necessário carregá-la. Os olhos castanhos se abaixaram e o moreno tentou pensar em uma maneira de ir buscar a espada, até sentir que algo fora jogado em sua direção. Seu reflexo foi rápido e antes que seus olhos se erguessem ele segurava algo em sua mão direita. Algo extremamente familiar.
"Agradeça a Gokudera. Ele entregou a espada assim que chegou. Achou que seria necessário e que você certamente não lembraria." O ex-Arcobaleno não sorriu ou fez nenhuma expressão diferente.
Obrigado, Hayato. Yamamoto retirou o pano que sempre envolvia sua Shingure Kintoki, pendurando a espada nas costas. "Agora eu estou pronto."
"Não se esqueça da missão. E eu espero sinceramente que a sua versão mais velha tenha amadurecido e se tornado forte. Se meu treinamento não surtiu efeito você será punido quando retornar, entendeu?" A seriedade com que aquelas palavras foram ditas fez o Guardião da Chuva sentir que aquilo provavelmente era mais um aviso do que uma ameaça.
"Boa sorte, Yamamoto." O italiano, ao contrário do Hitman, ofereceu um sorriso gentil e amigo.
"Vejo vocês em breve."
O moreno ergueu a mão esquerda e acenou.
O barulho que a bazuca fez ao ser engatilhada não havia mudado, conservando o som oco e a terrível sensação de que algo gigantesco aconteceria. A fumaça foi a primeira coisa que envolveu Yamamoto, e seus olhos se fecharam, esperando que a sensação de queda passasse. Sua mente revivia algumas cenas que ele presenciou nos últimos três dias, como Gokudera cozinhando enquanto ele lavava a louça, ou a forma como o Guardião da Tempestade jogava a cabeça para trás toda vez que tinha um orgasmo; e a melhor das lembranças: o silêncio cúmplice e íntimo entre eles que seguia o momento pós-sexo, quando os dois ficavam deitados, nus e completamente vulneráveis, olhando um para o outro como se todo o mundo simplesmente não importasse. Essas memórias, eu as quero. Eu quero um futuro com ele, uma vida ao lado dele. Eu quero acordar todos os dias ao seu lado, o rosto dele é o primeiro e o último que quero ver. Eu quero ficar velho ao lado de Hayato, então, por favor, que o futuro não seja diferente do presente, pelo menos para nós.
O coração de Yamamoto batia rápido e ele pediu mentalmente por aquilo tantas vezes que seus lábios chegaram a repetir em voz alta aquele ingênuo pedido. A sensação de queda havia passado, e, quando seus olhos se abriram, ele não estava mais no subsolo do escritório dos Vongola.
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O chão era forrado por um piso que lembrava madeira, e as paredes eram brancas, extremamente brancas. O Guardião da Chuva apertou as sobrancelhas, e sem precisar pensar muito ele soube que estava em uma sala de estar. É um apartamento, foi seu primeiro pensamento. A janela – esta de frente para onde ele estava – era larga e dali era possível ver o céu azul. Os primeiros passos foram lentos e estrangeiros. Ele não reconhecia nada ali. A sala era grande, possuía um jogo de sofás azuis-escuros, visivelmente caros. Havia uma larga tv em uma distância segura dos sofás. Próximo a janela existia uma pequena estante, baixa e retangular. Na extremidade esquerda , uma porta e, ao chegar naquela direção, o moreno viu que dava para uma sala de jantar. A primeira coisa que passou pela mente do ex-capitão do time de baseball foi que aquele era o apartamento de Gokudera, o pequeno e aconchegante local que sempre fora sua segunda casa, e que naqueles três últimos dias havia se tornado ainda mais importante. Entretanto, não era. O local era pelo menos três vezes mais largo do que o apartamento do Guardião da Tempestade, e quanto mais inspecionava o local, mas certo disso ele se sentia. Sua garganta tornou-se apertada, mas foi somente ao encarar o corredor, na extremidade direita, que Yamamoto se deu conta de que simplesmente não tinha ideia de quem morava naquele lugar. Seus pés o levaram até o corredor, mas antes de completar o trajeto eles pararam.
Em todos aqueles 21 anos o Guardião da Chuva poderia contar nos dedos da mão esquerda às vezes em que sentiu, quase literalmente, o coração subir até sua garganta. Aquela ocasião entraria facilmente nessa lista, aliás, ela estaria no seu top 3. Os olhos castanhos se ergueram e seu corpo não se moveu. Ele não havia notado uma porta à direita até passar e ouvir o barulho do chuveiro ligado. A sensação de que ele estava em um apartamento desconhecido e que o dono, ou a dona, ainda por cima estava em casa era embaraçoso e temeroso o suficiente para fazê-lo perder os movimentos. A pior parte, porém, veio em menos de 20 segundos depois que ele havia parado de andar. O barulho do chuveiro cessou. O silêncio e a antecipação o fizeram apertar a alça da Shingure Kintoki, imaginando se deveria ficar ali quando a pessoa saísse. Eu tenho que me preparar. Independente de quem sair desse banheiro, eu terei de obter informações. O moreno engoliu seco e deu meia volta, retornando para a sala com passos lentos. O sofá era macio e extremamente aconchegante, mas naquele momento nada pareceu suficiente para acalmá-lo.
Os poucos minutos de espera foram definitivamente a pior parte. Yamamoto permaneceu o tempo todo encarando a própria imagem através do reflexo da tv, imaginando se sua expressão real parecia tão séria e desconsertada quanto o reflexo. Não havia música ou nada que pudesse distraí-lo, então, quando o barulho da porta do banheiro sendo aberta chegou aos seus ouvidos, o Guardião da Chuva ficou em pé no mesmo instante, sentindo que seu coração batia três vezes mais rápido do que o normal. Seus olhos encararam o corredor, como um animal que esperava um predador mais forte e mais voraz aparecer a qualquer momento. Daquele ângulo ele sabia que não seria visto, pois o corredor ficava um pouco mais à direita. Entretanto, os passos no piso de madeira eram facilmente audíveis e, quando o(a) dono(a) da casa finalmente surgiu na sua linha de visão, o moreno chegava a suar frio.
A face era basicamente como ele se lembrava, com exceção de alguns traços que haviam se acentuado com os anos, transformando um rosto já belo em algo ainda mais bonito, mas com a adição de sinais adultos e um charme maduro. Em 10 anos Gokudera mudaria muito pouco, seus cabelos se tornariam mais longos; a altura não mudara, a pele continuaria pálida e visivelmente frágil e os olhos verdes e cheios de expressões. Naquele corredor o futuro Guardião da Tempestade vestia uma fresca calça esportiva vermelha e uma camisa branca. Seus cabelos estavam bagunçados e havia uma toalha azul-clara em seu ombro esquerdo. Aquele conjunto encheu os olhos do Guardião da Chuva com uma estranha e genuína felicidade. Seu coração sorria, ele sorria, seus olhos brilhavam com a ideia de que a pessoa que ele tanto queria ver aparecera diante de seus olhos. A expressão no rosto do futuro Braço Direito do Décimo era de surpresa e curiosidade. As sobrancelhas prateadas estavam juntas, e partiu do moreno o primeiro passo, a primeira iniciativa para um diálogo... o primeiro contato.
O passo inicial foi o mais fácil. Antes que Yamamoto pudesse raciocinar suas pernas o haviam traído, levando-o alguns centímetros na direção da versão futura de seu amante. Porém, um segundo passo não aconteceu. Seus olhos fitaram aquele homem de cima a baixo, como se quisessem gravar aquele momento em uma parte muito especial de sua memória. Ao chegar à altura dos ombros, o Guardião da Chuva entreabriu os lábios, sem saber como reagir àquilo. Sua voz ficou presa em sua garganta e, embora seu coração ainda continuasse a bater intensamente, dessa vez não era de pura felicidade, mas medo. Segurando a toalha em seu ombro, a mão esquerda de Gokudera possuía uma pequena aliança dourada.
"Yamamoto...?" A voz que chegou aos seus ouvidos o fez tremer quase por inteiro. Seus olhos ainda estavam fixos na aliança, mas sua atenção precisou ser momentaneamente roubada.
"B-Bom dia." Foi a primeira frase que apareceu na mente do moreno. Ele simplesmente não tinha nada melhor a dizer.
"Você veio do passado..." O Guardião da Tempestade desfez a expressão tensa e retirou a toalha dos ombros.
"Sim, eu vim."
"Oh!" O futuro Braço Direito do Décimo não pareceu surpreso, na verdade, ele pareceu como alguém que esperava aquela visita. "Achei que ninguém fosse aparecer. Nós estávamos discutindo ontem sobre quem iria retornar ao passado, mas você estando aqui nos poupa tempo."
Yamamoto achou que a melhor resposta seria um sorriso e foi exatamente isso o que ele ofereceu. Eu não consigo pensar em outra coisa além da aliança. Eu quero perguntar o que ela significa. Milhões de possibilidades cruzaram a mente do Guardião da Chuva, como pequenos e dolorosos filmes. Quando o bom senso o acertou, a ideia de que seu amante simplesmente poderia ter construído uma família sem ele pareceu a resposta mais natural e plausível. Eu me casei e ele fez o mesmo. Os olhos castanhos desviaram-se da figura parada na entrada do corredor e o moreno se permitiu mais uma olhada na sala. Não havia nada. Uma imagem ou dica de que ele fazia parte daquele futuro. A realização o atingiu com tanta força, que Yamamoto sentou-se novamente no confortável sofá e apoiou a cabeça em uma das mãos, rindo baixo e amargamente para si mesmo. Eu fiquei tão concentrado no que Hayato disse, sobre meu futuro e meu casamento, que não pensei na simples possibilidade de que ele poderia seguir em frente também. O Guardião da Chuva fechou os olhos e sentiu o choro preso em sua garganta. Eu fui egoísta. Eu estava pensando que ele sempre estaria esperando por mim, que sempre me amaria. O quão tolo eu fui?
"Yamamoto?"
A voz saiu baixa e doce. Os olhos castanhos se abriram apenas para ver Gokudera sentado na beirada da poltrona ao lado. Uma das pálidas mãos estava sobre o braço do sofá em que o moreno estava sentado, e naquele belo rosto havia uma sincera expressão de preocupação. Yamamoto sorriu ao vê-lo tão perto, mas tão longe ao mesmo tempo, e seu olhar automaticamente desceu para a outra mão, aquela que estava sobre os joelhos e que vestia a aliança dourada. O Guardião da Tempestade pareceu notar, e, quando os dois se encararam novamente, o ex-capitão do time de baseball ficou em pé. Ele precisava de alguns minutos. Ele precisava lavar o rosto e se lembrar do real motivo que o havia levado até ali. Ele precisava ficar livre do "felizes para sempre" que a pessoa que ele amava havia construído sem ele.
"Eu preciso usar seu banheiro. Eu volto logo. Nós temos tanta coisa para conversar." O Guardião da Chuva se levantou e se afastou do sofá. Cada passo pareceu ser dado a muito custo. "Desculpe por invadir sua casa, Gokudera, mas eu já volto."
Seus passos não chegaram até metade do caminho. O moreno sentiu quando dois braços rápidos passaram por baixo dos seus e entrelaçaram seu peito, enquanto outro corpo o abraçava por trás. As mãos apertaram a camisa e o terno que ele usava, e Yamamoto arregalou os olhos ao sentir o rosto do futuro Braço Direito na altura de seu ombro.
"Você tem o mesmo cheiro." A voz do homem de cabelos prateados soou rouca, exatamente como o Guardião da Chuva lembrava. Naqueles três últimos dias ele ouviu várias e várias vezes aquele sensual e íntimo timbre.
"E-Eu preciso ir ao b–..." A própria voz do moreno era apenas um fio. Ele podia sentir as lágrimas umedecendo seus olhos e a última coisa que ele faria seria chorar.
"O anel..." As mãos de Gokudera o apertaram ainda mais, como se ele quisesse juntar ambos os corpos com aquele abraço. "Você me deu o anel quando mudamos para este apartamento, há cinco anos. Eu disse que não queria, que não precisava, mas você me deu mesmo assim, exatamente neste local em que estamos. Eu nunca o tirei desde aquele dia."
Yamamoto juntou as sobrancelhas e virou-se lentamente, assim que sentiu que as mãos ao redor de seu corpo haviam diminuído o aperto do abraço. O que ele encontrou foi uma versão extremamente corada de seu amante, olhando-o com os mesmos doces olhos que ele se recordava. O coração do Guardião da Chuva batia forte, tão forte que chegava a ser doloroso. Sua garganta engoliu o choro, e, embora ele quisesse perguntar, as palavras simplesmente não conseguiam formar uma sentença completa.
"Você é realmente um idiota." O Guardião da Tempestade soltou-se do corpo do homem à frente e em um gesto simples sua mão direita retirou a aliança dourada e a ofereceu na direção do moreno. "Você usa o mesmo anel. A única diferença são os nomes."
Foi com grande esforço que Yamamoto ergueu sua mão e segurou a aliança. Seus dedos estavam trêmulos e ele achou que a derrubaria, mas não o fez. Uma pequena virada no acessório e ele viu claramente o "T". Entretanto, foi somente ao ler seu nome, seu primeiro nome, ali, gravado naquela peça de ouro, que ele se sentiu finalmente livre de toda aquela angústia. Takeshi...
"Meu nome?" Os lábios do Guardião da Chuva tremeram. Ele queria sorrir, gargalhar, cantar e dançar.
"Não. Eu estou dormindo há dez anos com um homem que compartilha do mesmo nome que você." O Braço Direito tirou a aliança das mãos do moreno e a recolocou em seu dedo. "Você é realmente um idiota, sabia?"
"Hahahaha eu devo ser." O sorriso finalmente apareceu. Ele correu livre por seu rosto. Meus lábios estão sorrindo, mas meu coração está gargalhando. "M-Mas é real? Digo, tudo o que você disse?"
"Sobre o apartamento e a aliança?" Somente naquele momento Yamamoto notou que o homem de cabelos prateados falava normalmente, como se aquele assunto fosse corriqueiro, rotineiro... "Sim. Nós moramos aqui há cinco anos. Você não tem ideia do que economizamos para isso. Cinco anos poupando cada centavo."
O Guardião da Chuva coçou a nuca, sentindo-se idiota. Seu rosto estava corado, e ele tinha a impressão de que um peso havia sido tirado de suas costas.
"Desculpe, eu fiz um papel ridículo." O moreno abaixou os olhos. "Eu vim para uma missão e acabei deixando assuntos pessoais falarem mais alto. Desculpe, Gokudera."
O homem parado à sua frente ergueu as sobrancelhas e esticou uma mão, pousando-a em seu ombro.
"Quanto tempo você tem?"
"Cinquenta minutos." O moreno consultou o relógio.
"É tempo suficiente para conversarmos." Gokudera abriu um meio sorriso. "Eu pretendia almoçar com o idiota, mas já que ele foi enviado para o passado, o que me diz de ser minha companhia? Você até se deu ao trabalho de trazer o sushi."
"S-Sushi?" Os olhos de Yamamoto se arregalaram. A figura de Tsuyoshi surgiu em sua mente e seu coração se tornou aquecido. Ele está vivo.
"Sim, você ainda o ajuda aos fins de semana."
"É bom saber disso." O Guardião da Chuva retirou a Shigure Kintoki do ombro, encostando-a ao lado do sofá. "O que eu preciso fazer?"
"Arraste aquela mesinha para o centro, nós vamos almoçar aqui mesmo." O Braço Direito apontou para a mesa de vidro que estava próxima à janela. "A sala de jantar é basicamente para enfeite, nós fazemos as refeições na mesinha, na maioria das vezes. Eu vou trazer o sushi."
O moreno apenas respondeu com um sorriso, mas internamente seu coração havia batido mais rápido ao som da palavra "nós". Ele é diferente do Gokudera do meu tempo. Seus gestos são menos contidos, suas frases não são ambiguas e não existe o olhar desconfiado, como se ele esperasse que eu fosse embora a qualquer momento. A mesa era levemente pesada, mas Yamamoto não teve problemas para colocá-la entre o sofá mais largo e a tv. O Guardião da Tempestade apareceu segundos depois, trazendo as sacolas e a toalha de mesa. Yamamoto o ajudou e em pouco tempo os dois se sentaram um de frente para o outro. Isso parece tão comum que me faz feliz. O Guardião da Chuva encarou os quatro pratos de sushi, imaginando se o sabor continuava o mesmo.
"Então, o que você precisa saber?" O homem de cabelos prateados foi direto para o salmão.
"Tudo o que você puder me dizer." O moreno sorriu ao sentir o salmão derreter em sua boca. O gosto continua o mesmo. "Dino e Kyoko... estão vivos?"
Gokudera abaixou os olhos na direção dos sushis, escolhendo o que comeria.
"Sim, e se você quer saber sobre o plano, então saiba que ele funcionou. Haneuma está vivo e continua Chefe da Família. Kyoko também está de volta e o Jyuudaime parece feliz todos os dias."
"Isso me deixa muito mais aliviado." Yamamoto soltou um longo suspiro.
"Mas diga," a voz do Guardião da Tempestade o tirou de seus devaneios momentâneos, "como foi? O que o Haneuma fez de tão importante que foi capaz de mudar o futuro?"
"O plano foi de vocês, não?" O moreno soou confuso.
"Sim, mas nós tínhamos apenas uma pequena base." O Braço Direito pareceu contrariado. "Tudo o que conseguimos nós obtivemos de Romário. Foi ele quem disse que o Haneuma do tempo de vocês poderia resolver a situação. Eu mesmo não sei o que aconteceu."
"Entendo..." O Guardião da Chuva tocou a ponta do hashi em seus lábios. "Bem, tudo o que eu sei é que um homem que supostamente estava morto, na verdade estava apenas vivendo no anonimato. Quando ele reapareceu, o Chefe da Família Moretti já não tinha nenhum argumento para aquela vingança." Lembrar-se daquele dia fez Yamamoto ficar sério. Ele não fazia ideia do que havia acontecido com o homem, e a imagem dele sendo levado por Xanxus de maneira tão violenta o assombrou por várias noites. "Ele tinha um filho também. Um garoto."
"Eu sei." O homem de cabelos prateados molhou seu quinto pedaço de salmão no molho shoyo. "Ele é um homem agora e trabalha para os Cavallone. Haneuma disse que ele será o sucessor de Romário. Porém, Hibari o detesta."
"Hahahaha eu imagino o porquê". O moreno ficou feliz por saber que o garoto havia se transformado em um bom homem e que havia conseguido um cargo tão importante.
"Eu não quero saber. Quanto menos contato com aquela gente, melhor. Nada bom sai do envolvimento com aqueles dois."
"Você não mudou nada, Gokudera hahahaha."
"Por que você está rindo? Isso não foi um elogio, foi?" Gokudera o ameaçou com os hashis.
"Não, foi um elogio. Eu gosto do seu jeito explosivo. É adorável."
O futuro Guardião da Tempestade desviou os olhos, mas foi fácil notar as bochechas vermelhas. O assunto acabou se aprofundando, e Yamamoto soube certas coisas que gostaria de não ter descoberto. Ao perguntar sobre a situação anterior à missão, o Braço Direito do Décimo ficou sério ao dizer que a vida era basicamente um inferno, uma sucessão de acontecimentos tristes. Após a morte de Dino, dias depois foi anunciado que os Cavallone seriam desfeitos devido à morte do Chefe. Como não havia herdeiros diretos ou indiretos, Romário se recusou a aceitar o assassino de seu Chefe como o Décimo Primeiro Líder. Entretanto, a parte realmente assustadora de toda aquela história foi ouvir que Hibari havia simplesmente massacrado todos os membros da Família Moretti.
"Em menos de três dias ele simplesmente matou todos os mais de duzentos membros espalhados pela Itália. Acredito que ele nem chegou a dormir. O rapaz, aquele que assassinou o Haneuma, esse ai eu soube apenas boatos, mas se eles forem verdadeiros, então Hibari perdeu completamente a cabeça. Ouvi sobre torturas e que o rapaz implorou para ser morto. Depois disso Hibari simplesmente desapareceu. Ele não estava na Itália, não estava em Namimori, ele não estava em lugar nenhum, mas ao mesmo tempo estava em todos os lugares. Foi um tempo sombrio, e eu não pude fazer nada, pois o Jyuudaime simplesmente não conseguia seguir em frente após a morte de Kyoko. Ele tinha de cuidar da Mayu-chan que havia se tornado orfã."
"Mayu-chan?" O Guardião da Chuva ergueu as sobrancelhas. "Tsuna teve uma filha!?"
"Não diga isso a ele quando voltar, idiota!" O hashi voltou a ser apontado em sua direção. "Isso pode estragar tudo. Se eu não me engano o Jyuudaime da sua época ainda não se casou com a Kyoko, então o deixe dar um passo de cada vez."
"Certo, certo, mas hein? Uma filha? Eu adoraria conhecê-la! Aposto que ela se parece com a Kyoko."
"Claro que não! Ela é a cara do Jyuudaime!" O homem de cabelos prateados pareceu estranhamente orgulhoso.
"Quem mais? Quero dizer, como estão os outros?"
"Hm... Ryohei casou-se com aquela amiga da Kyoko, Hana. Lambo deve ter sido rejeitado pela I-Ping novamente, aquele ali é um caso perdido." O Guardião da Tempestade pareceu pensar. Entretanto, seus olhos se tornaram apertados, como se ele tivesse se lembrado de algo que não gostaria. "Não vamos mais falar sobre isso, não vale a pena."
"Como assim? Eu quero saber!" Yamamoto insistiu. Qualquer pedaço de informação seria útil, nem que aquilo ficasse somente para ele mesmo. Eu quero ter certeza de que todos estão bem. "E quanto à Chrome? Ela prometeu visitar você, no passado, mas nunca mais apareceu. Nós ficamos um pouco perdidos em determinados momentos, porque ela disse que voltaria."
"Ela não pode mais fazer essas viagens no tempo, pelo menos por enquanto." As palavras saíram arrastadas, como se fosse difícil para o Braço Direito pronunciá-las.
"Aconteceu alguma coisa?" O Guardião da Chuva pousou o salmão que tinha entre seus hashis. Tudo o que ele não precisava era de um novo problema.
"Nada sério." O homem de cabelos prateados mordeu o lábio inferior. "Chrome está grávida, então ela não pode sair por ai viajando no tempo."
"Oh!" O espanto do moreno foi genuíno. Em sua mente Chrome era uma jovem de quase 20 anos, tímida e quieta. Era difícil imaginá-la assim tão adulta... tão mãe. "Ela deve estar muito feliz. E... oh! Eu acredito que o pai seja o Mukuro, estou certo?"
"Não diga esse nome nesta casa, idiota!" A veia na testa de Gokudera pareceu saltar.
"Hahahaha mas o que ele fez? Eu não consigo imaginar Mukuro fazendo nada que mereça esse tratamento. Se eu me lembro bem, depois daquele estranhamento inicial, ele, de uma forma ou de outra, ajudou Tsuna com a brincadeira de máfia sempre que foi possível. Sem contar que ele é o pai do filho da Chrome, essa é uma grande notícia!"
"Grande? Eu vou te dizer o que é grande, seu grande idiota!" O Guardião da Tempestade bateu uma das mãos em sua própria perna. Seu rosto estava vermelho, mas dessa vez não era de vergonha. "Sabe o que ele fez? A primeira coisa que Mukuro fez ao descobrir que Chrome estava grávida foi ir à casa do Jyuudaime. O pobre do Jyuudaime mal tinha aberto a porta e o maluco, completamente insano do Mukuro, começou a rir e disse que sabia que um dia a Sorte brilharia para ele. E eu sei disso porque eu estava lá. Eu estava na casa do Jyuudaime. Mas não, você disse que era grande, não é?"
O Braço Direito quase bufava de raiva. Yamamoto, internamente, achava aquilo divertidíssimo.
"O Jyuudaime, inocente e bom como sempre, perguntou do que se tratava e o Mukuro simplesmente riu e disse que, e eu aqui vou quotar as exatas palavras dele, porque foi uma daquelas situações que você não esquece, jamais! 'Eu terei um filho, Sawada Tsunayoshi. Um filho, um garoto. Não vê? O destino novamente me impulsiona para os Vongola!' Mas veja, até ai o Jyuudaime não tinha percebido a maldade por trás daquelas implicações venenosas. Não, não o Jyuudaime! Alguém com um coração tão puro e bom jamais perceberia as entrelinhas. Foi preciso que o Mukuro falasse com todas as letras que planejava casar seu futuro filho com a filha do Jyuudaime para que ele percebesse o tamanho da infâmia!” O homem de cabelos prateados enfiou um pedaço de tuna na boca e pareceu engolir sem mastigar.
"Hahahahaha e o que Tsuna fez? Como ele reagiu?"
"Ele riu, como você fez agora. Como ele pôde rir, me diga? Se um psicopata feito Mukuro aparecesse na minha porta e me dissesse tal coisa eu o enxotava dali com explosões. Ele não teria como cantar seus planos ridículos depois que eu o explodisse. Mas não, o Jyuudaime apenas riu e disse que a ideia parecia engraçada. Eu não compreendo, como ele pôde?"
Yamamoto não soube dizer quanto tempo passou rindo. Sua voz soou alta pela sala, e, embora estivesse ouvindo a versão futura de seu amante ralhando e dizendo que aquele comportamento era inaceitável, tudo o que ele conseguiu fazer foi simplesmente rir. A situação em si era engraçada, por mais que Gokudera somente enxergasse tragédia. Saber que o plano havia funcionado, que Dino e Kyoko estavam vivos e aparentemente ao lado daqueles que lhes eram queridos; e, principalmente, ter a certeza que em dez anos ele estaria ao lado do Guardião da Tempestade, era suficiente para deixá-lo em excelente humor, permitindo que aquela gostosa e sincera gargalhada deixasse seus lábios. Ele ria de felicidade, de alegria, de alívio... Eu quero este futuro mais do que tudo. O Guardião da Chuva enxugou o canto dos olhos que estavam úmidos por causa das lágrimas decorrentes da gargalhada. Eu quero morar neste largo apartamento e compartilhar o máximo de refeições possíveis ao lado desse homem. Eu quero ouvir sua voz, a maneira como seu timbre muda quando ele está sério, feliz e irritado. Eu quero conhecer todas as facetas do Hayato a ponto de conseguirmos nos entender com apenas um olhar. Aos poucos o moreno foi se recuperando, e, quando seus olhos finalmente se abriram, o futuro Braço Direito tinha uma expressão levemente aborrecida, mas suas bochechas estavam coradas.
"Se você tem tempo para rir, então me ajude a levar o restante para a cozinha, idiota!"
Com um meio sorriso, Yamamoto ficou em pé e prontamente se pôs a ajudar. Seu olhar bateu rapidamente em seu pulso e ele ficou surpreso por notar que tinha apenas 15 minutos naquele tempo. O homem de cabelos prateados pareceu perceber, e, assim que retornaram da cozinha, Gokudera sentou-se no sofá e chamou o Guardião da Chuva para lhe fazer companhia.
"Você ainda tem alguns minutos, não? Nós moramos próximo ao escritório dos Vongola, mas nesses minutos não daria para visitar o Jyuudaime. Então, o que quer fazer? Podemos caminhar até algum parque ou comprarmos alguma sobremesa."
"Não, eu estou bem aqui." O moreno sentou-se ao lado de seu futuro amante. Somente naquele momento ele se deu conta de que eles estavam tão próximos. Suas bochechas se tornaram vermelhas, sem saber como agir. Normalmente ele tentaria roubar um beijo de Gokudera, mas aquele homem ao seu lado não era exatamente o seu Hayato.
"Você está pensando alguma coisa suja, não está?" A voz de Gokudera soou irônica. "Você continua o mesmo pervertido."
"E-Eu não sou um pervertido!" Yamamoto defendeu-se rápido. Sua voz saiu estranha e seu rosto pareceu queimar. Aquilo era raro. Ele dificilmente tinha atitudes contidas. Timidez não fazia parte de sua personalidade.
"Não se preocupe, eu não farei nada com você, idiota." O Guardião da Tempestade sorriu. "Você não é o meu Yamamoto e eu não sou o seu Gokudera, então pare de agir dessa maneira."
"É apenas estranho..." O Guardião da Chuva coçou a nuca e encarou suas mãos. Elas estavam descansando sobre suas pernas. "Você é diferente do Gokudera do meu tempo. Você fala bastante."
"Hã!?" Uma sobrancelha prateada ergueu-se no mesmo instante.
"Não de uma maneira ruim!" O moreno correu para se explicar. Ele sabia que seu comentário havia soado como uma crítica. "Mas o Hayato do meu tempo fala pouco e na maioria das vezes suas palavras parecem mais um adeus."
O futuro Braço Direito não respondeu. Sua cabeça havia se encostado ao alto do sofá e ele pareceu ter encontrado algo no teto, pois permaneceu alguns segundos encarando uma mesma direção.
"Eu estava com medo," a voz do homem de cabelos prateados soou baixa, "o eu do seu tempo estava o tempo todo com medo."
"Medo?"
"Medo de que você pudesse simplesmente acordar um dia e decidir que não queria mais aquilo." As palavras saíram devagar e foi fácil notar que aquele assunto não era discutido com frequência. Aquelas lembranças provavelmente estiveram dentro do peito de Gokudera por todos aqueles dez anos.
"Mas eu não fiz isso. Eu não acordei um dia deixando de gostar de você." Yamamoto sentiu-se na obrigação de se defender, mesmo não conhecendo sua versão mais velha.
"Eu sei, mas ele não." O Guardião da Tempestade virou o rosto. Aqueles grandes olhos verdes brilhavam da mesma maneira, mesmo depois de anos. "O Gokudera que você conhece não sabe disso."
"Eu disse a ele várias vezes antes de vir para cá, mas eu tenho certeza de que ele não acreditou. Quando Chrome foi ao passado, tudo o que ela disse foi que eu estaria casado. Pensando a respeito, eu acho que o Hayato interpretou a aliança como um sinônimo de casamento. Como Chrome nunca mais retornou, não tivemos meios de fazer mais perguntas."
O Guardião da Chuva juntou as sobrancelhas. Era a primeira vez que ele deixava que aqueles sentimentos saíssem de seu peito. Ao ganhar voz, aquela sensação parecia deixá-lo um pouco mais calmo. Seus sentimentos estavam frescos, principalmente os três dias passados no pequeno apartamento de Gokudera. Se nós continuamos juntos neste tempo, então o nosso futuro não mudou. Independente de a missão ter dado certo, eu e Hayato já estávamos juntos. Aquele pensamento o fez sorrir. Saber que eles acabariam, cedo ou tarde, um nos braços do outro era extremamente reconfortante.
“Você já deve ter ouvido isso da minha versão mais velha, mas sabe qual foi a primeira coisa que eu pensei ao vê-lo com aquele cara? No dia em que eu apareci no corredor do seu prédio?"
O moreno entreabriu os lábios, ficando realmente surpreso ao ver a expressão no rosto do homem sentado ao seu lado. O Braço Direito do Décimo tinha os olhos arregalados e as bochechas levemente coradas, e não foi preciso perguntar para saber que aquele assunto era inédito para o homem de cabelos prateados. Então eu nunca disse. Este Gokudera não sabe sobre algumas coisas. Yamamoto coçou a nuca novamente e sorriu. Aquela seria uma troca justa. Ele veio do passado para obter informações e acabou descobrindo muito mais do que pretendia, então não haveria problemas em abrir um pouco seu coração. Quando ele retornasse, o Gokudera que o estaria esperando (e isso ele mais esperava do que tinha certeza) não saberia daquilo.
"Naquele dia eu fui procurá-lo porque fiquei muito preocupado. Você me evitou por uma semana, e eu liguei e fui até seu apartamento quase todos os dias, mas nada. Você simplesmente desapareceu da minha vista." O Guardião da Chuva se lembrava muito bem daquele dia. "Eu queria procurá-lo para dizer que havia pensado melhor e que era muito cedo para falar em casamento. Eu achei que o seu silêncio naquele dia significava que você era contra, mas por achar que era uma escolha imprudente. Quando relembro como fui idiota e sem tato, eu me sinto até envergonhado." O moreno lançou um rápido olhar para o Guardião da Tempestade, desculpando-se mentalmente. "Mas como eu dizia, eu fui procurá-lo e quando cheguei ao corredor eu o vi sair do apartamento e se inclinar na direção daquele homem. Minhas pernas não se moveram, e eu acho que nem consegui respirar direito. Claro que eu sabia que você pretendia beijá-lo. Eu não sou tão inocente a ponto de não ter percebido. E, naquele mesmo momento, a primeira coisa que pensei foi: ‘Por que não eu’?
Os olhos castanhos permaneceram baixos. Ele não conseguia encarar sua companhia. Não ainda.
"Pensando sobre isso, acredito que aquele foi o primeiro momento em que eu comecei a vê-lo de maneira diferente. Até aquele dia eu nunca havia pensado tal coisa. Quero dizer, eu sabia que existiam relacionamentos entre homens. Um dos jogadores do time, no segundo ano, se confessou para mim depois de um treino." Yamamoto juntou as sobrancelhas. Ele havia esquecido completamente aquele incidente, mas de repente todas as suas lembranças pareciam vivas em sua mente. "Eu declinei, e fiquei surpreso, porque eu não conseguia me imaginar saindo com outro homem e nem que possuía nada que chamaria a atenção daquela forma. Eu estava namorando a Erika naquele tempo. O garoto saiu do colégio meses depois e eu acabei não dando importância para aquilo, até ver a cena no seu corredor, bem na minha frente. Naquela hora eu não pensei em sexo definido, se a pessoa diante dos meus olhos era homem ou mulher. Tudo o que eu desejei, com todas as minhas forças, foi tirar aquele homem da sua frente, porque não era justo. Por que ele estava ali e eu não? Por que você o atendeu prontamente enquanto eu passei horas tentando localizá-lo? Por que você parecia tão feliz ao falar com ele, a ponto de sorrir? Eu recebia somente olhares sérios, e ele recebia o melhor de você."
O Guardião da Chuva respirou fundo.
"Eu sei que isso soa egoísta, ainda mais depois de tudo o que eu te fiz passar, mas achei que você merecia saber isso, porque eu realmente não sei como fazer com que o outro Gokudera acredite em mim. Acho que nem que eu diga exatamente o que vi aqui neste apartamento ele acreditará. Você consegue ser extremamente teimoso quando quer."
O moreno virou o rosto e recebeu um leve e delicado toque em sua bochecha esquerda. Seus olhos se fecharam e ele inclinou a cabeça, permitindo-se sentir aquela mão tão familiar tocá-lo. Quando seus olhos se abriram, o homem de cabelos prateados esboçou um meio sorriso e ficou em pé.
"Seu tempo está se esgotando, então acho melhor nos despedirmos."
"Certo..." Yamamoto ficou em pé, levando a mão até o canto do sofá e segurando sua espada. "Obrigado por tudo. O almoço estava delicioso e reportarei a Tsuna e aos outros sobre tudo o que eu descobri. E não se preocupe. Eu não direi nada sobre Mukuro ou sobre crianças e herdeiros hahahaha"
"Obrigado." Gokudera respondeu enquanto caminhava na direção da pequenina estante próxima à janela. Sua mão abriu uma das gavetas e ele retirou algo do fundo. "Um souvenir do futuro. Guarde-o bem."
O Guardião da Chuva ergueu as sobrancelhas, ficando visivelmente surpreso. Seus lábios se repuxaram em um largo sorriso.
"Obrigado. Eu cuidarei disso como se fosse um tesouro."
"Boa sorte com os seus problemas. Você precisará suportar por mais algum tempo, mas acredito que o souvenir vá ajudá-lo um pouco."
"Hahahaha não se preocupe, eu não pretendia desistir." O moreno levou a mão livre até o rosto do homem parado à sua frente, tocando-o pela primeira vez. Desde que o vira no corredor ele sentiu vontade de tocá-lo somente para ter certeza de que aquilo não era um sonho. "Eu jamais desistiria de você, Hayato, e eu tenho certeza de que a minha versão dez anos mais velha pensa o mesmo."
O Guardião da Tempestade corou e o meio sorriso que pintou seus lábios foi a última coisa que Yamamoto viu antes de sentir-se puxado para baixo. A fumaça ofuscou sua vista e o fez tossir algumas vezes. Entretanto, a sensação dessa vez foi inteiramente diferente. Havia um tolo sorriso em seus lábios e, quando seus pés pareceram tocar em algo sólido, o Guardião da Chuva entreabriu os olhos, não conseguindo ver muita coisa. As vozes de Reborn e Dino pareciam longe, mas a cada segundo ele tinha mais e mais certeza de que retornara para seu tempo.
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Reborn o recebeu com um tapa tão forte nas costas que quase o fez cair de joelhos. Porém, a única reação que o moreno conseguiu ter foi rir e sorrir. O carismático rosto de Dino surgiu quando a fumaça tornou-se menos densa e, pela sua expressão, ele já sabia sobre o futuro.
"Obrigado, Yamamoto." O louro o ajudou a se endireitar.
"Vocês já sabem o que aconteceu, eu acho." Yamamoto apertou a Shigure Kintoki em seu ombro. Ele sabia que aquela atitude não era correta e que Gokudera ficaria bravo quando descobrisse, mas o Guardião da Chuva simplesmente não conseguiria esperar. "Desculpem, eu preciso ir agora, mas responderei a tudo o que vocês quiserem saber... depois, em alguns minutos, está bem?. Eu prometo."
"Você é idiota? Precisamos sab–" A voz do ex-Arcobaleno foi cortada por um gesto do Chefe dos Cavallone. O italiano ergueu a mão direita e balançou a cabeça em negativo.
"Vá, nós poderemos conversar depois. De qualquer forma já sabemos o principal."
Ele sabe. O moreno não teve tempo de se questionar quem mais sabia sobre aquilo. Não é como se isso fosse novidade para ele. Yamamoto sorriu timidamente e saiu às pressas pela porta. Há alguns anos ele ouviu através dos lábios do Guardião da Tempestade que Dino e Hibari estavam juntos. Eu havia ido ao templo para entregar alguns documentos que precisavam ser assinados e vi Dino em um dos corredores. Embora Hibari tivesse me garantido que não havia ninguém mais ali, quando retornei ao escritório, Hayato disse que eles eram amantes. O Guardião da Chuva entrou no elevador, apertando o terceiro andar com pressa. Eu não achei estranho, na verdade, achei que somente alguém como o Chefe dos Cavallone poderia lidar com a personalidade difícil do Guardião da Nuvem. Hibari não é uma má pessoa, apenas um pouco complicado de conviver.
Os andares pareciam subir em câmera lenta, e o moreno não percebeu que seus pés batiam levemente no chão de metal, mostrando sua impaciência. Eu só posso imaginar o sofrimento que Hibari passou ao descobrir que Dino havia morrido. É completamente compreensivo. Yamamoto lembrou-se da conversa que tivera com a versão dez anos mais velha do Braço Direito do Décimo, e da maneira quase desumana com que ele havia descrito o comportamento do Guardião da Nuvem. Mas quem sou eu para julgá-lo? A porta do terceiro andar abriu-se e o moreno praticamente se jogou na direção do corredor. Se algo acontecesse ao Hayato eu caçaria a pessoa até o fim do mundo e teria feito muito pior. Aquele pensamento o fez balançar a cabeça, tentando enviá-lo para longe. Seus olhos passaram vagamente em frente à sala de Tsuna e o Guardião da Chuva se desculpou mentalmente. Desculpe, Tsuna, eu prometo que contarei tudo, mas não agora.
A porta que ele realmente queria abrir; a pessoa que ele realmente queria ver era outra. E sem nem ao menos bater, sem anúncio ou aviso, o moreno abriu a porta da sala do homem de cabelos prateados com um forte empurrão. Gokudera, que estava sentado em um dos sofás, ficou de pé no mesmo instante. Yamamoto retirou a Shigure Kintoki de seu ombro enquanto caminhava, deixando-a sobre uma das poltronas. Suas mãos se esticaram e a próxima coisa que ele soube foi que seus dedos seguraram o belo rosto do Guardião da Tempestade e seus lábios finalmente tocavam aqueles lábios. Durante todo o tempo eu só conseguia pensar em beijá-lo, mas aquele não era o meu Hayato. O Braço Direito tentou empurrar seu peito e resmungou um pouco, mas, quando a língua do Guardião da Chuva deslizou dentro de sua boca, a luta deu lugar a um gemido baixo de contentamento, e as mãos que até poucos segundos tentava afastá-los, seguraram e apertaram com força àquela parte do tecido. O beijo foi longo e teve gosto de saudade e medo. Os movimentos que começaram eufóricos se tornaram lentos, uma delicada dança que não parecia querer ser interrompida. As mãos de Gokudera subiram pelo peito do moreno, entrelaçando-o pelo pescoço. Yamamoto podia sentir seu coração bater rápido, descompassado, mas feliz. Quando os lábios se afastaram, ele sabia que não poderia perder tempo:
"O plano funcionou. Tudo funcionou. Dino e Kyoko estão vivos e felizes. O Chefe dos Cavallone intitulou Namimori como a segunda sede da Família; ele fica seis meses em cada continente. Kyoko e Tsuna estão mais do que felizes hahahaha."
O Guardião da Chuva segurou a língua antes de chegar a parte sobre a pequena notável, pois não importava a época, o Braço Direito jamais aceitaria aquilo.
"E você estava certo, eu realmente uso uma aliança no futuro."
Os olhos verdes se arregalaram e o corpo do homem de cabelos prateados automaticamente foi para trás.
"E você também. Nós moramos em um apartamento imenso. Demoramos cinco anos para comprá-lo e poupamos muito para isso. Eu trabalho com meu pai aos fins de semana e nos últimos dez anos nós visitamos a Alemanha, a Inglaterra, o México, a Argentina, o Brasil, o Egito e há dois anos fomos para a Austrália." A mão do moreno rapidamente entrou por seu terno e ele achou facilmente o que procurava. "Você não vai se livrar de mim, Hayato. Eu vou estar ao seu lado o tempo todo, e se mesmo depois de tudo o que eu disse você ainda não acredita nos meus sentimentos, então acredite nisso. Eu recebi das suas próprias mãos. Das mãos de um Hayato que sorri, que tem olhos brilhantes e que fala como se vivesse um sonho realizado todos os dias. Eu estarei lá. Daqui a dez anos eu estarei ao seu lado e isso não mudou e não mudará. Eu não estive com você nos últimos seis anos, mas você pode ter absoluta certeza de que eu passarei o resto da minha vida garantindo que você não se lembre do tempo em que não estávamos juntos." O moreno não notou que tremia até sentir uma das mãos de seu amante tocar seu rosto. Ele também não percebeu que estava com os olhos cheios d'água.
A outra mão de Gokudera segurava a foto que ele havia recebido da versão dez anos mais velha daquele mesmo homem. A fotografia em si havia sido tirada pelo próprio Guardião da Chuva e isso era facilmente identificável devido ao ângulo da câmera. O Braço Direito estava sentado no colo do moreno, e, apesar de não sorrir, era visível a maneira como o homem de cabelos prateados estava feliz. Seus olhos brilhavam e suas bochechas estavam coradas. Yamamoto, sim, sorria. Sua outra mão estava sobre o ombro de seu amante e ambos os dedos estavam entrelaçados. As duas alianças douradas estavam visíveis e era exatamente aquilo que ele queria que a versão atual de seu amante entendesse. Gokudera olhou a foto por alguns segundos, e quando seus olhos se ergueram eles estavam vermelhos.
"Como eu pareço?" A voz saiu chorosa, mas nenhuma lágrima deixou aqueles belos olhos.
"Como se nenhum dia tivesse passado." O Guardião da Chuva sorriu. "Seu cabelo é um pouco mais longo."
"Você parece melhor no futuro." Aquele comentário fez o moreno rir. Suas mãos desceram pela cintura do Braço Direito do Décimo, trazendo-o mais para perto.
"Você esperaria?" Yamamoto sentia-se tão incrivelmente feliz que era difícil transformar aquilo em palavras. "Esperaria para conhecer o homem desta foto?"
O homem de cabelos prateados juntou as sobrancelhas e encarou a fotografia em sua mão mais uma vez, retornando o olhar para seu amante.
"Eu esperarei." Gokudera esboçou um meio sorriso, aliviado.
O abraço que seguiu aquele momento foi apertado. Yamamoto podia sentir o homem em seus braços, e aquela sensação o fez finalmente derramar as lágrimas que ele tentou a todo custo omitir.
"Obrigado, Hayato. Obrigado por esperar por mim."
Os braços do Guardião da Tempestade envolveram suas costas e os dois permaneceram presos naquele apertado e tão necessário abraço por longos minutos. O Guardião da Chuva nunca se sentiu tão feliz e amado como naquele momento. O vislumbre no futuro apenas serviu para confirmar seus sentimentos, e ele não mentira quando dissera que passaria o restante de seus dias amando aquele homem. Essa é a pessoa que eu escolhi, o presente que eu quero e o futuro que eu mal posso esperar para viver. Quando os braços se afastaram, o Braço Direito do Décimo correu para passar as costas das mãos nos olhos, respirando fundo e colocando sua melhor expressão arrogante. O moreno gargalhou alto, recebendo um forte beliscão como resposta, mas nada poderia fazê-lo perder o bom humor. Não naquela situação. Sua cabeça inclinou-se para frente, encostando testa com testa. Seus olhos se ergueram e ele sorriu. Havia algo que ele precisava falar, mas, no fundo, Yamamoto sabia que aquelas palavras, apesar de exprimirem um pouco do que ele sentia, jamais seriam capazes de transmitir o que ele realmente sentia:
"Eu te amo você, Hayato."
Continua...
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