Vendetta
19 Gokudera
Gokudera
"Alguma outra notícia? Isso não é um relatório. Isso é meia informação e eu não aceitarei tal coisa." Gokudera tamborilava os dedos sobre seus joelhos. Aquela conversa era uma grande perda de tempo. "Essas duas semanas foram para... isso? Inacreditável! Inacreditável! Eu sabia que não deveria ter deixado você a cargo disso, Yamamoto."
"Mas a culpa não é minha hahahaha" O moreno riu e pousou o relatório sobre o sofá. "Estou apenas comunicando o que me foi passado por Squalo. Eles não enviaram a informação."
"Era seu dever conseguir essa informação utilizando qualquer método necessário!" O homem de cabelos prateados estava furioso. Não, furioso era pouco. Ele estava quase espumando de raiva. "Terei de resolver tudo?"
"O que você pretende fazer?" A graça pareceu desaparecer do rosto sempre risonho de Yamamoto.
"Falar com Xanxus! O que mais eu faria? O Jyuudaime quer essa informação, e se o Jyuudaime quer alguma coisa, ele consegue essa coisa."
"Eu falarei com Squalo novamente, está bem?" A voz do Guardião da Chuva soou séria. "Você mesmo disse, é minha responsabilidade."
"Vamos ver até onde vai essa sua responsabilidade."
O Braço Direito do Décimo Vongola afrouxou a gravata e recostou-se melhor ao fofo encosto da poltrona. Aquele estava sendo um dia tão cansativo que ele não acreditava que ainda era pouco mais de meio-dia. Sua manhã foi passada basicamente compartilhando informações, e terminava com uma leitura incompleta de um relatório incompleto. Não é culpa dele. Yamamoto fez o que pôde, e obviamente a Varia jamais entregaria um relatório oficial. Na verdade, nem eu mesmo quero saber o que realmente aconteceu. Há duas semanas os dois Guardiões haviam retornado da Itália. Nenhum deles sabia, exatamente, se o plano de Dino Cavallone havia funcionado. Por diversas vezes Gokudera se pegou divagando sobre o assunto, mas esses momentos eram extremamente raros. A queda dos Moretti acarretou uma pequena reviravolta no mundo da Máfia. Descobriu-se que eles planejavam muito mais do que simples e amigáveis alianças com os Chefes mais poderosos, e quando os outros envolvidos, ou melhor, as outras “possíveis vítimas” souberam do esquema, todos queriam utilizar seus próprios meios para questionar Lorenzo Moretti. Entretanto, depois que Xanxus e Squalo apareceram com o restante da Varia naquela mansão, ninguém soube do paradeiro do Chefe da Família ou de qualquer um dos subordinados vivos. A função de Xanxus era interrogar, ou melhor, torturar, por isso o Haneuma disse que não poderia fazer nada. Ele jamais teria conseguido fazer aquilo, então a Varia ficou incumbida de coletar as informações. Ele sabia que Xanxus conseguiria qualquer informação.
Tsuna, em especial, foi um dos poucos que não se importou em não saber do paradeiro do homem. O Décimo Vongola reuniu todos seus Guardiões (e isso incluiu Mukuro, mas não Hibari – este último por motivos óbvios) poucos dias após o retorno de Gokudera. O homem de cabelos castanhos agradeceu o empenho e amizade dos presentes, mas avisou que faria certas mudanças muito em breve. Tsuna pretendia fortificar a aliança com os Cavallone e a Varia, além de criar mais dois departamentos na sede localizada em Roma. Quanto a Namimori, o projeto da base subterrânea deveria ser terminado na metade do tempo, e isso fez com que Giannini e Spanner soltassem longos e cansados suspiros.
"Mas, principalmente, eu quero ser capaz de proteger cada um de vocês. O que aconteceu, ou o que poderia ter acontecido, serviu como um exemplo que não devemos seguir", o Décimo Vongola disse com uma expressão séria quando a reunião estava no fim, "vocês são meus amigos, e tudo isso não será para mim, e sim para todos nós!".
O Braço Direito foi o primeiro a concordar, sentindo-se emocionado por ter um Chefe tão gentil e generoso. Ryohei – que nunca soube sobre Kyoko. A informação repassada apenas se referia a Dino – disse que daria o seu melhor AO EXTREMO. Chrome agradeceu Tsuna pela preocupação e disse que faria o possível para ajudar. Mukuro riu e tentou recomeçar uma antiga rixa, mas a Guardiã da Névoa o arrastou para fora antes que os presentes se sentissem nostálgicos com as palavras de Mukuro. Lambo – um garoto de quase onze anos completos – assistiu a reunião através de uma videoconferência, porém, estava entretido com um jogo portátil e pareceu não ouvir uma palavra do que havia sido dito. E Yamamoto, este se levantou, gargalhou e deu um tapa nas costas do Décimo, dizendo que não havia motivos para preocupação. Ainda não acredito que ele deu um tapa no Jyuudaime. O sermão que ele ouviu depois foi tão longo que fiquei rouco por dois dias.
Após a reunião, os dias do Guardião da Tempestade se tornaram extremamente atarefados. Notícias e mensagens de diversas Famílias chegaram até eles, e era sua função auxiliar seu Jyuudaime em tudo o que fosse necessário. Muitos Chefes, amigos dos Vongola, ofereceram palavras de solidariedade e pediram desculpas por não terem ajudado. Outros, apesar de aliviados, demonstraram reprovação pela maneira como Dino e Tsuna tomaram as rédeas da situação, isto é, sem envolver nenhuma outra Família. O que o homem de cabelos prateados sabia era que, nas últimas semanas, ele era o primeiro a chegar ao escritório e o último a sair. Os únicos momentos livres que ele possuía eram durante as refeições, e esse era basicamente o motivo que ainda fazia com que Yamamoto permanecesse em sua sala.
"Você parece cansado." A voz do Guardião da Chuva chamou a atenção do Braço Direito. "Tem certeza de que não quer ir para casa? Eu posso dirigi-lo até lá."
"Não. Eu preciso assinar mais alguns papéis antes de ir para casa, mas farei isso depois do almoço."
Gokudera sentou-se direito na poltrona, olhando para frente e encarando seu amante. Amante. Eu ainda não acredito que sejamos realmente amantes. O moreno estava sentado do lado direito do sofá de três lugares, praticamente à sua frente. Por causa do trabalho nós mal tivemos tempo de ficarmos sozinhos. O Guardião da Tempestade soltou um suspiro contrariado. O homem que ele sempre amou finalmente estava ao seu alcance, mas havia tantas coisas para fazer e resolver, que os únicos momentos em que os dois podiam ficar a sós eram como aqueles... Eu quero beijá-lo. Não aqueles beijos rápidos que trocamos às vezes. Eu quero um daqueles que compartilhamos na Itália. A lembrança fez o Guardião da Tempestade corar levemente. Após a conversa que tiveram no parque, os dois seguiram para o hotel e o restante do dia foi passado basicamente sobre a cama. Mas não fizemos nada além de nos beijarmos. Era muito cedo para qualquer outra coisa.
O homem de cabelos prateados ficou em pé e aproximou-se do sofá, pegando o relatório e lançando um olhar de desprezo para a única folha. Squalo nem seu deu ao trabalho de inventar uma história. Francamente, não sei por que o Jyuudaime simplesmente não corta todos os laços com esses inúteis. Nada bom sai de qualquer envolvimento com a Varia. Os olhos verdes saíram do pedaço de papel para o homem sentado no sofá, e, embora seu corpo implorasse por um pouco de contato, ele sabia que teria de ser forte. Yamamoto nunca havia estado com um homem. Ele poderia saber, na teoria, como as coisas funcionavam, mas a prática era algo totalmente diferente. O Braço Direito sabia que eventualmente eles iriam até o fim, mas não seria ele a dar o primeiro passo.
"Vamos? Eu estou com fome."
"Eu também."
O Guardião da Chuva ficou em pé, parando em frente a Gokudera. O relatório foi retirado das mãos pálidas com extrema facilidade e jogado para trás, como se fosse um simples pedaço insignificante de papel (o que era, diga-se de passagem!). O Guardião da Tempestade só teve tempo de juntar as sobrancelhas antes que seus lábios fossem sequestrados por um beijo tão espontâneo que por um momento ele achou que fosse cair. Seus joelhos vacilaram, mas havia um braço forte segurando-o e mantendo-o em pé. A língua de Yamamoto pediu passagem, e, embora estivesse travando uma árdua batalha interna, o homem de cabelos prateados sabia que era fraco quando o assunto era prazer. Suas mãos tentaram empurrar o peito do moreno, mas a força que ele colocava no gesto era praticamente nula. Os olhos verdes se fecharam lentamente, e, quando as línguas se encontraram, tudo o que Gokudera conseguiu fazer foi entrelaçar o pescoço de seu amante com força, correspondendo ao beijo com a mesma intensidade.
Beijar Yamamoto havia se tornado uma das práticas favoritas do Guardião da Tempestade. Depois da Itália, os dois retornaram ao Japão, e mesmo o tempo sendo escasso e os encontros ainda mais raros, os dois sempre arranjavam algum momento para se perderem um nos braços do outro. As iniciativas geralmente partiam do Guardião da Chuva, que sempre que o via por algum corredor achava que beijá-lo era a coisa mais natural do mundo. O homem de cabelos prateados não poderia dizer que aquele gesto lhe desagradava. Ele havia amado o moreno por tanto tempo, que muitas vezes – na verdade, quase sempre – aquele tipo de coisa parecia surreal. Aproveite. Não se esqueça do futuro. O anel. O homem em seus braços vai deixá-lo eventualmente, então, aproveite. A conversa com a versão futura de Chrome nunca deixou a mente do Braço Direito. Uma parte de seu coração havia se conformado com o fato de que ambos ficariam juntos por algum tempo. Que aquele relacionamento tinha prazo de validade.
As mãos de Yamamoto apertaram as costas de seu amante e Gokudera se viu reclinando-se sobre sua companhia, conforme ela voltava a se sentar no sofá. Seus joelhos ficaram um de cada lado do moreno antes que ele se posicionasse sobre o colo do Guardião da Chuva. Aquela postura era traiçoeira, e não demorou a que ele percebesse que talvez não fosse uma boa ideia permanecer ali. Seu quadril moveu-se devagar, seguindo o instinto de tentar sentir a ereção de Yamamoto o máximo possível. Aqueles contatos indiretos eram torturantes, mas ao mesmo tempo eróticos e ansiosos. O Guardião da Tempestade não sabia o que se escondia por baixo daquelas camadas de roupas. Os dois costumavam dividir o vestiário, mas isso aconteceu nos tempos de colégio, e muita coisa, aparentemente, havia mudado.
O beijo tornou-se mais eufórico e menos comportado. As mãos do Braço Direito tremiam de excitação, e ele precisou mantê-las nos ombros de seu amante, ou elas teriam descido até o baixo ventre, apenas para sentir aquela região entre seus dedos. Somos dois homens. Isso é mais do que natural. Os lábios do moreno deslizaram pelo pescoço pálido do homem de cabelos prateados, mordiscando levemente uma das orelhas.
"Hayato..."
Ouvir seu nome ser pronunciado daquela maneira, por aquela voz sensual e rouca, era mais do que o Guardião da Tempestade poderia suportar. Seu coração batia rápido, e ele soube que não aguentaria simplesmente permanecer ali, sem tocar e sentir diretamente aquele homem. O corpo de Gokudera deslizou até o chão, e ele afastou as pernas de Yamamoto, posicionando-se naquele espaço. Seus dedos correram para desabotoar o cinto e os botões da calça social escura, trêmulos não somente pela excitação, mas também pelo nervosismo.
A roupa de baixo que o Guardião da Chuva vestia era apertada e negra, marcando suas coxas e fazendo com que o Braço Direito sentisse um arrepio de puro desejo ao se deparar com aquela área. Somente em suas fantasias ele imaginou o que o moreno escondia ali. A calça foi abaixada até a altura dos tornozelos, e o homem de cabelos prateados inclinou-se novamente, sorrindo internamente por finalmente ter a chance de fazer aquilo. Sua língua subiu pelo tecido e percorreu toda a extensão do membro de Yamamoto. Um gemido baixo fez com que o Guardião da Tempestade repetisse a carícia, utilizando a ponta de seus dentes para provocar um pouco o Guardião da Chuva. O tecido impedia que ele machucasse seu amante, e Gokudera sabia bem que tipo de reação aquele contato causava. A brincadeira, porém, durou menos tempo do que o homem de cabelos prateados esperava. Ele pretendia tomar seu tempo, saboreando Yamamoto aos poucos, mas bem, isso até sua própria ereção começar a incomodá-lo. O Braço Direito tinha a respiração descompassada enquanto removia a roupa de baixo de seu amante. Seus olhos brilhavam e seu ego se sentiu levemente machucado ao notar que o idiota não era somente maior na altura e nos músculos. Você deveria ser japonês, Yamamoto!
Gokudera colocou a franja atrás da orelha antes de voltar a se inclinar sobre a ereção do Guardião da Chuva. Sua língua subiu e desceu com movimentos lentos, mas precisos. Como homem, ele sabia bem os lugares que deveria dedicar mais atenção, e os gemidos do moreno ajudavam com as direções. O homem de cabelos prateados soube logo de cara que não conseguiria colocá-la totalmente em sua boca, mas isso não o fez desistir. Yamamoto precisou cobrir os lábios com as mãos quando parte de sua ereção sumiu dentro da boca de Gokudera. Isso é tortura. O Guardião da Tempestade utilizava a mão direita para ajudar nos movimentos, enquanto a esquerda abria os botões de sua própria calça. Seus lábios gemeram quando seus dedos começaram a masturbá-lo, e oferecer prazer ao Guardião da Chuva tornou-se ainda mais necessário.
O escritório encheu-se com gemidos baixos e contidos. Em determinado momento o homem de cabelos prateados sentiu a mão de seu amante em seu rosto, afastando a franja que ameaçava cair em sua testa. Foi também naquele instante que o Braço Direito notou que estava sendo observado. Normalmente ele jamais teria mostrado aquele lado, mas naquela ocasião, em especial, saber que Yamamoto o olhava enquanto ele se masturbava era algo extremamente erótico. O moreno avisou quando o clímax se aproximava, mas Gokudera não se mexeu. Ele não conseguiu manter em sua boca tudo o que havia recebido, sabendo que sua camisa e calça provavelmente estavam arruinadas. O líquido desceu quente por sua garganta e o Guardião da Tempestade ergueu os olhos enquanto passava a ponta da língua pelos cantos dos lábios. A reação do moreno foi automática. Em um segundo o homem de cabelos prateados estava ajoelhado no chão, para no outro estar novamente sobre o colo de Yamamoto, precisando tapar a própria boca enquanto o Guardião da Chuva o masturbava. Seu corpo arqueou-se para trás e o orgasmo veio tão forte que o fez sentir o gosto de sangue ao morder seu lábio inferior.
O Braço Direito do Décimo precisou de alguns minutos até conseguir acalmar-se. Seu corpo estava mole quando ele se sentou sobre os joelhos do moreno, sendo abraçado praticamente em seguida. O idiota ria, sem motivo aparente, provavelmente ignorando que ambos estavam seminus e parcialmente sujos. Esta foi a primeira vez que algo tão simples pareceu tão bom quanto uma noite completa. Eu acho que morrerei quando dormir com Yamamoto. O Guardião da Chuva o virou, fazendo-o deitar-se sobre o sofá. Os olhos verdes se abriram, encarando o rosto corado e satisfeito que o observava. Nenhum deles disse nada. Não havia necessidade para palavras. Foi preciso mais alguns minutos até que os dois Guardiões retornassem ao estado normal, e somente ao ficar em pé foi que Gokudera notou que precisaria passar no banheiro antes de ir almoçar.
"Eu preciso de uma nova camisa." Yamamoto disse sem nenhum pingo de vergonha. O Guardião da Tempestade se recusou a encarar o próprio sêmen na peça de roupa de seu amante. Aquilo era embaraçoso demais. "Por sorte eu sempre tenho roupa extra."
"Porque você é idiota." O homem de cabelos prateados já sabia disso. Aquele era um hábito adquirido nos tempos de colégio. Por causa do baseball, o Guardião da Chuva sempre tinha uma troca de roupas no vestiário. O tempo havia passado, mas aquele hábito continuava vivo. Talvez sirva para momentos como esse...
"Eu posso te emprestar alguma coisa. Eu tenho roupa sobrando."
"O que é isso? Você está morando aqui?" O Braço Direito encarou sua camisa e sua calça. Seria impossível sair daquele jeito.
"Hahahaha não, mas eu sou uma pessoa precavida. Às vezes corro ao voltar para casa, então deixo minha roupa esportiva na lavanderia. Ela está limpa, só ficará um pouco grande."
Não vamos falar sobre tamanhos agora!
Gokudera tentou não deixar que aquilo o ferisse ainda mais.
"Vamos. Eu estou com fome!"
"Eu não. Eu estou satisfeito hahahaha."
O Guardião da Tempestade corou e chutou a canela do moreno antes de se afastar. Seus passos foram pesados, e ele abriu a porta do escritório, olhando várias vezes para garantir que não havia ninguém no corredor. Yamamoto ficou incumbido de levar as roupas até o banheiro, e o homem de cabelos prateados permaneceu ali durante segundos que mais pareceram horas. Quando o Guardião da Chuva retornou e entregou as roupas, o Braço Direito engoliu seco ao encarar o que tinha em mãos. A mesma roupa que ele usou quando disse que pretendia pedir Yurika em casamento. Gokudera trancou-se em um dos cubículos e se vestiu devagar, amargando aquela lembrança. O conjunto esportivo vermelho era um pouco mais largo, mas serviria. Tudo mudará. Yamamoto se casará, provavelmente com Yurika, mas no momento ele é meu, e é isso que importa.
O homem de cabelos prateados abriu a porta, reclamando sobre o tamanho das roupas, mas recebendo apenas uma risada e uma pesada mão que bagunçou seus cabelos. O Guardião da Chuva disse que ficaria com as roupas de ambos e as enviaria para a lavanderia, entregando-as assim que estivessem prontas.
"O que você quer comer? Ah! Podemos tomar sorvete depois?" O humor do moreno parecia excelente.
Gokudera escolheu o restaurante e avisou que não se importaria em tomar sorvete, desde que eles não ficassem cozinhando debaixo do Sol e que não fosse dentro do seu carro. O déjà vu que aquela conversa continha não o deixou desanimado, apenas curioso. Há quase dois meses ele jamais achou que faria o que acabara de fazer, e que estaria onde estava. Sua vida havia mudado totalmente e de uma maneira que ele não esperava. O prospecto de um futuro não tão brilhante e feliz ainda não o assustava tanto. Para alguém que nunca esperou ter tudo aquilo, o Guardião da Tempestade decidira viver um dia depois do outro. A mão de Yamamoto o fez acordar daquele devaneio, e, ao sentir seus dedos serem entrelaçados, o homem de cabelos prateados abaixou os olhos e sorriu.
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Dino Cavallone estava sentado na ponta de uma larga mesa. Ao seu lado direito estava Romário, figura tão presente na vida do louro que poderia passar facilmente por sua sombra. Espalhados pela sala estavam meia dúzia de subordinados, que lançaram olhares sérios ao vê-los entrar, mas que suavizaram a expressão ao notarem que os presentes eram aliados. Gokudera entrou na frente, deixando a porta aberta para que sua companhia viesse atrás. Os subordinados fizeram uma polida reverência antes de saírem e então eram somente eles.
A sala de reunião do escritório dos Vongola parecia incrivelmente grande quando Tsuna não estava presente. Haneuma pediu que a reunião fosse privada, embora o Jyuudaime saiba exatamente o que está acontecendo. O Guardião da Tempestade meneou a cabeça, achando que aquele era o cumprimento máximo que o italiano receberia.
"Bom dia. É bom vê-los de novo e em outras circunstâncias." O Chefe dos Cavallone ficou em pé para cumprimentá-los, mas sentou-se novamente.
O Braço Direito do Décimo Vongola não respondeu, mas Yamamoto ergueu uma das mãos e soltou um animado "Yo!", sendo reprimido por um par de olhos verdes.
"Podemos ir direto ao assunto?" O homem de cabelos prateados sentou-se em uma das cadeiras e apoiou as mãos sobre a mesa. Ele sabia o motivo daquela reunião, e aquilo o vinha assombrando durante toda aquela semana.
"Nós precisamos marcar uma data e escolher um representante." Dino pareceu compartilhar daquele mesmo pensamento.
"Você não pode ir por motivos óbvios." Gokudera sentiu-se mal por dizer aquilo. Indiferente de simpatizar ou não com o louro, ele entendia muito bem a situação. Seja simpático. "Digo, você não saberia ao certo se o plano funcionou."
"Dokuro-chan disse que não irá, então nosso número está ainda mais reduzido." O italiano não pareceu ter se afetado pela gratuidade.
O Guardião da Tempestade abaixou os olhos e umedeceu os lábios.
Há uma semana ele recebeu a ligação do Chefe dos Cavallone. A surpresa por aquilo só não foi maior do que o motivo da ligação. Com o plano concluído, só havia uma coisa restante a fazer: ir ao futuro. Não havia como saber se tudo ocorreu como Dino esperava se não houvesse uma prova viva disso. Ninguém retornou. Ninguém veio do futuro para nos dizer se tudo está bem. Pelo que sabemos nada mudou e então as coisas se tornarão piores. O Braço Direito tentava não pensar naquela possibilidade, mas seria muito ingênuo e infantil de sua parte descartar a mais elementar das probabilidades: eles falharam. Eles falharam miseravelmente e então como seria? Haveria uma segunda tentativa? Existia algo que pudesse ser feito? Se nada mudou ele voltará. Hibari voltará e então o futuro será destruído para sempre. As palavras da versão dez anos mais velha de Chrome ainda ecoavam na mente do homem de cabelos prateados. Ela disse algo mais. O anel... Não se esqueça do anel.
"Eu irei."
A voz veio de alguém sentado à sua frente, e foi somente ao erguer os olhos que Gokudera conseguiu juntar a voz com a pessoa. O Guardião da Chuva o olhava com uma expressão séria, mas o “sério” do moreno nunca foi realmente... sério, com exceção de situações extremas. Havia um ar brincalhão e despreocupado em Yamamoto, e naquele momento seus olhos brilhavam com certa curiosidade e, infelizmente, obstinação. Não se esqueça do anel.
"Não."
A negativa cruzou os lábios do Guardião da Tempestade antes que ele pudesse processá-la. Ele sentiu os olhos de todos os presentes, principalmente o olhar levemente surpreso por parte de seu amante. Por um momento o Braço Direito não soube o que dizer. Não havia uma explicação oficial e racional para aquilo. Ele não pode ir. Se Yamamoto for ele saberá sobre o anel. Ele saberá com quem irá casar e então tudo estará acabado. A ideia de que seu sonho estava com os dias contados levou uma onda de temor por seu corpo. O homem de cabelos prateados entreabriu os lábios, mas seu cérebro simplesmente não conseguiu completar o pensamento.
"Eu irei e descobrirei o máximo possível. Eu até mesmo falarei com Hibari se for necessário." O Guardião da Chuva lançou um rápido olhar na direção de Gokudera, mas sua atenção estava totalmente no louro. "Um de nós precisa ir, então eu estou me voluntariando."
"Eu irei." O Guardião da Tempestade tinha a voz incerta. Qualquer coisa era melhor do que saber que, no momento em que o moreno retornasse, aquelas semanas de felicidade não significariam absolutamente nada. "Chrome falou comigo e será mais fácil se for eu a encontrá-la."
"Ela pode falar comigo da mesma forma como falará com você." Yamamoto rebateu. A seriedade realmente séria começava a se tornar visível em suas feições. Ele está ficando bravo.
"É bom saber que temos mais de um candidato". O italiano parecia ser o único despreocupado ali. "Mas eu acho que dessa vez devemos enviar Yamamoto-kun."
"O quê?!" A reação do Braço Direito do Décimo foi automática. Seus olhos pousaram no Chefe dos Cavallone e naquele momento ele desejou explodir aquele homem.
"Existe muito mais do que o meu futuro em jogo, Gokudera-kun." Dino não se abalou. "Lembre-se, eu não fui o único a morrer. E, infelizmente, eu não confio em deixá-lo ir para um lugar em que você, talvez, saiba que a esposa de seu melhor amigo continua morta."
Aquilo atingiu o homem de cabelos prateados como um tapa na face. Ele havia se esquecido, por um momento, que Dino não era o único cujo futuro talvez não existisse. Ele tem razão. Eu não sei o que faria se encontrasse o Jyuudaime de dez anos. Eu nem sequer conseguiria falar. A ideia de que ele era inútil naquela situação só serviu para enfurecer Gokudera. Sua mão direita cerrou-se em forma de punho e ele desejou estar sozinho para que pudesse descontar sua raiva em alguma coisa... ou alguém.
"Você fica com Tsuna. Eu irei e reportarei tudo o que descobrir." Yamamoto parecia tranquilo. "Só precisamos marcar o dia. Acredito que obter a bazuca não será um problema."
"Já falei com Giannini; ele disse que estará tudo pronto."
"Podemos utilizar a base subterrânea. O outro eu pode ficar ali durante o tempo que ficarei ausente. Gokudera poderia ser responsável por vigiar a porta." Havia uma doçura desnecessária naquele mudo pedido.
"Não. Eu ficarei com o Jyuudaime. Peça para algum dos subordinados dos Cavallone para fazer companhia. Eu não irei."
O Guardião da Chuva não recebeu bem aquela resposta. Seus olhos se tornaram sérios e ele não voltou a mencionar aquela ideia. O Chefe dos Cavallone se comprometeu a ele mesmo fazer companhia a versão mais velha do moreno, além de que isso serviria também como uma forma dupla de obter informação de maneira mais rápida.
"Ele me dirá o que está acontecendo e utilizaremos os seus olhos apenas para nos certificarmos. Desse modo, teremos certeza absoluta de que tudo ocorreu como planejado."
Isso se o plano funcionou. O Guardião da Tempestade se sentia enjoado. A cada segundo que ele passava ali, mais difícil era afastar a ideia de que muito breve tudo aquilo escorreria por entre seus dedos.
"Quanto à data, o que acha de três dias?" A voz de Dino fez os olhos verdes se arregalarem levemente. Muito cedo.
"Acho ótimo." Yamamoto respondeu no mesmo instante.
"Então estamos combinados." O louro sorriu como se seu trabalho estivesse feito. "Entrarei em contato para conversarmos sobre os últimos detalhes."
O Guardião da Chuva sorriu e agradeceu a presença do italiano, mas tudo o que o Braço Direito do Décimo conseguiu fazer foi permanecer sentado. Ele não ouvia seu entorno e não prestara atenção quando o Chefe dos Cavallone se despediu e a sala de reuniões tornou-se mais e mais vazia, até que os únicos presentes fossem ele e o moreno.
"O que foi isso?"
O som da voz de Yamamoto trouxe o homem de cabelos prateados de volta à realidade. A expressão do homem sentado à sua frente era suave e gentil, e aquilo só piorava a situação. Gokudera não poderia simplesmente dizer o que lhe afligia, pois seria o mesmo que expor seus medos e deixar que seu amante conhecesse um lado que ele não queria mostrar a ninguém. Eu não posso dizer que eu não quero que ele vá porque eu sei que ele vai me deixar. A impotência que o Guardião da Tempestade sentiu o fez sorrir, um triste e derrotado sorriso. Eu posso correr e mentir para mim mesmo, mas eu não posso me esconder. Cedo ou tarde isso aconteceria. Eu sabia. Eu sempre soube. O Braço Direito balançou a cabeça em negativo e ficou em pé. Eu tenho três dias. Eu aproveitarei esses meus três dias como se nada fosse acontecer.
“O que acha de comermos alguma coisa? Podemos ir àquela cafeteria que você mencionou on–”
"Eu não vou deixá-lo, Hayato."
O restante das palavras morreu na boca do homem de cabelos prateados. Seu coração bateu mais rápido e seus olhos verdes encararam a mesa, temerosos do que veriam se fossem erguidos.
"Eu sei que você está com medo, mas não importa o que aconteça, eu prom–"
"CALE-SE!" Gokudera bateu a mão direita na mesa, erguendo o rosto e dando uma boa olhada em Yamamoto. Seu corpo tremia de raiva, arrependimento e medo. "Não ouse me prometer nada e não aja como se não soubesse da verdade. Eu disse, não? Eu já sei o futuro. O seu futuro. Você vai estar casado em dez anos, provavelmente morando em uma larga casa com os filhos que sempre quis. Então, não ouse me prometer nada."
"Você não sabe disso. Você não sabe de nada." A voz do Guardião da Chuva saiu mais alta. Ele estava sério. Ao contrário da outra seriedade que o moreno demonstrara na reunião, naquele momento a verdadeira seriedade de Yamamoto surgia. "Eu escolhi você e nada do que eu veja no futuro vai mudar isso."
"Você está errado e sabe disso." O Guardião da Tempestade bateu novamente na mesa. Seu sangue fervia. Adeus meus três dias. "E eu não ficarei aqui para ser rejeitado. Vá para o futuro! Vá para o inferno que eu não me importo. Mas eu não estarei aqui."
"O quê? Do que você estava falando, Hayato?"
Oh, não. Não me venha com primeiros nomes. Não torne isso ainda mais difícil, idiota. O Braço Direito sabia o que deveria dizer. Se ele terminasse aquela relação suicida seria muito mais fácil lidar com a inevitável futura rejeição. O moreno voltaria com suas novidades, confirmando ou não o plano, e com a inesquecível visão de um futuro que provavelmente só seria bom para ele mesmo.
"Esqueça," o homem de cabelos prateados fechou os olhos e respirou fundo. O ar pareceu entrar por todos os seus poros, mas aquilo não foi suficiente para acalmar seus ânimos. "Não tem sentido. Precisamos falar com o Jyuudaime e preparar a base subterrânea."
"Você está fugindo da conversa." Yamamoto parecia ofendido.
"Não, não estou. A conversa terminou." Gokudera tentou o seu melhor para parecer despreocupado. "Eu estou apenas ansioso. Se nada mudou no futuro, então teremos de pensar em um plano B e, honestamente, nenhum de nós tem um plano B."
O Guardião da Chuva manteve a expressão carrancuda por alguns segundos, suavizando-a após ouvir pela segunda vez sobre a suposta preocupação do Braço Direito do Décimo. O homem de cabelos prateados ficou encarregado de falar com Tsuna sobre o ocorrido na reunião, mas ambos decidiram que seria melhor fazer isso no dia seguinte.
"Eu preciso ir para casa." O moreno ainda soava chateado. "No fim do dia eu passarei pelo apartamento."
"Hoje é a final, não?" O Guardião da Tempestade tentou ao máximo soar normal, independente do que realmente aquilo significasse.
"Sim." Yamamoto deu a volta na mesa, parando em frente a Gokudera. Os olhos verdes se ergueram, e ele se sentiu levemente intimidado. "Eu vou provar que tudo o que venho dizendo durante essas semanas é real. Eu não estou brincando aqui, Hayato. Eu não passo meu tempo com você, eu não o beijo, eu não o abraço porque não quero ou porque me sinto forçado a isso." O Guardião da Chuva soltou um baixo suspiro. "Eu apenas queria que você confiasse em mim e acreditasse nos meus sentimentos. Eu sei que eu fiz você esperar anos, e que parece impossível que eu sinta o que eu digo sentir, mas eu mereço pelo menos o privilégio da dúvida. Não decida meu futuro por mim. Eu faço minhas próprias escolhas. Eu te escolheria hoje, amanhã e depois e depois. Se você tivesse se declaro em qualquer momento no passado eu teria te escolhido. E não, eu não estou colocando esse peso nas suas costas."
O moreno esboçou um meio sorriso, aproximando-se e depositando um gentil beijo na bochecha esquerda do Guardião da Tempestade.
"Eu te amo, Hayato, e isso não mudará." Os lábios de Yamamoto tocaram levemente uma das orelhas de seu amante. "E se para fazer você acreditar nisso eu precise mudar meu futuro, então que seja. Mas esteja preparado para assumir a responsabilidade de me ter ao seu lado até nos tornarmos dois velhinhos. Até mais tarde."
O Guardião da Chuva deixou a sala, mas foi preciso muito mais do que meros minutos para fazer com que o Braço Direito do Décimo se movesse. Suas pernas não andaram e seus braços não fizeram nenhum movimento. A primeira coisa em seu corpo a reagir foram seus olhos. A lágrima que escorreu pelo canto de seu olho esquerdo formou uma gota em seu queixo e pingou em seus sapatos escuros. Foi somente nesse momento que o homem de cabelos prateados pareceu acordar de seu transe, enxugando o rosto com certa pressa e respirando fundo. Idiota. Você é realmente um idiota, Yamamoto. Gokudera riu consigo mesmo, sentindo que seu peito estava muito mais leve. Mas eu acho que consigo te oferecer o benefício da dúvida. Pelo menos durante os próximos três dias.
E, respirando fundo, o Guardião da Tempestade deixou a sala.
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O apartamento nunca pareceu tão grande quanto naquela tarde. O Guardião da Chuva permaneceu ajudando o pai durante toda a tarde e boa parte da noite, retornando quando o Braço Direito do Décimo Vongola já não tinha mais esperanças de vê-lo. Quando a campainha soou, o homem de cabelos prateados encarava vários folders de restaurantes, escolhendo onde jantaria. Sua despensa estava cheia, mas ele não se sentia inclinado a cozinhar absolutamente nada. Ao ouvir o som que vinha da porta, porém, Gokudera imaginou que seu jantar estaria acompanhando seu visitante.
Yamamoto abriu um largo sorriso quando a porta foi aberta. Ele vestia um conjunto esportivo azul escuro e em sua mão direita havia duas sacolinhas onde provavelmente estaria a comida. Entretanto, o que realmente chamou a atenção do Guardião da Tempestade foi a bolsa esportiva que ele carregava em seu ombro esquerdo.
"Você foi treinar?" O Braço Direito reconhecia aquela bolsa. O idiota sempre a carregava quando tinha treino de baseball.
"Não, mas eu precisava trazer minhas roupas em algum lugar."
"Roupas?" O homem de cabelos prateados franziu a testa.
"Sim. Eu passarei os próximos três dias aqui."
A simplicidade com que aquela frase foi dita só não seria mais rotineira do que a maneira com que o Guardião da Chuva retirou os tênis com os próprios pés, entregou as sacolas com a comida e seguiu pelo corredor, como se aquilo fosse normal. Como se eles sempre tivessem vivido daquela forma... como se ele morasse aqui.
"D-Do que você está falando?" Gokudera fechou a porta e apressou-se para ir atrás de seu amante. O moreno virou à direita e seguiu pelo corredor, entrando no quarto e deixando a bolsa esportiva sobre a cama. "O-O que você faz no meu quarto?" Suas bochechas se tornaram rubras. Até aquele momento Yamamoto não havia entrado em seu quarto... não depois de tudo."
"Eu quero passar esses três dias com você. Eu já avisei meu pai e trouxe tudo o que necessito. Só precisarei de uma toalha." O Guardião da Chuva o olhou sem demonstrar nenhum receio de compartilhar aquelas informações.
"P-Por quê? Você tem uma casa."
"Se você quiser dormir lá em casa nesses dias eu não me importo." O moreno espreguiçou-se enquanto se aproximava. "Eu gostaria de um banho."
O Guardião da Tempestade entreabriu os lábios para argumentar, mas algo dentro dele gritou que aquilo seria uma grande perda de tempo. Seus olhos se reviraram e seus passos o levaram até o guarda-roupa, abaixando-se e abrindo uma das gavetas, retirando uma toalha azul-clara. Ele não pode ficar aqui. Yamamoto segurou a toalha e sorriu, deixando o quarto e o Braço Direito com seus pensamentos. Ele não pode ficar. Eu não sei se tenho todo esse autocontrole. O homem de cabelos prateados só deixou o cômodo quando ouviu a porta do banheiro ser fechada. Seus passos até a cozinha foram rápidos, quase uma corrida. Seu coração batia apressado e sua mente lhe mostrava diversos cenários diferentes.
Os dois não haviam feito sexo em quase três semanas, embora tivessem chegado perto... perigosamente perto. Nós somos homens. É normal. É perfeitamente normal, era o que Gokudera gostava de repetir para si mesmo todas as vezes que seus hormônios pareciam querer levar vantagem sobre sua mente. Nos quatro primeiro dias eles não fizeram nada além de trocar longos beijos. Foi uma questão de tempo até que os beijos se tornassem insuficientes e as mãos começassem a subir e descer, tocando e conhecendo o corpo um do outro. Tudo o que fizemos foi nos tocarmos, nada mais. E nada mais vai acontecer aqui. O Guardião da Tempestade respirou fundo, apoiando as mãos sobre a beirada da pia. Se ele for me deixar, eventualmente, eu não quero precisar me lembrar de tudo o que fizemos. A ideia de que o sexo com o moreno seria apenas uma lembrança amarga acabaria tornando a situação ainda mais cruel.
O Braço Direito garantiu que sua mente estivesse ocupada durante os minutos que seu amante passou no banho. Ele arrumou a mesa de jantar, na sala, ajeitou os sushis que o idiota havia trazido, mas foi impossível não sentir o coração bater mais rápido quando a porta do banheiro foi aberta. O homem de cabelos prateados estava na cozinha, mas seguiu para sala em uma velocidade absurda. Quando Yamamoto finalmente apareceu, ele estava sentado e aparentemente quieto.
"Obrigado por me esperar." O Guardião da Chuva sentou-se em frente à sua companhia e sorriu. "Eu trouxe mais sashimi. Eu sei que é um dos seus favoritos."
"Espero que tenha pagado pelo jantar. Roubar comida do restaurante é um absurdo." Gokudera sentia-se menos nervoso. De nada adiantaria se esquivar do moreno. Ele acabaria notando e as coisas ficariam piores. De qualquer forma, ele dorme no sofá, como sempre. Nada mudou. Nada!
"Hahahaha não se preocupe com isso." Yamamoto riu enquanto se servia. "Não acredito que já estamos no final do campeonato. Tentarei ir ao estádio no próximo ano. O que acha de me fazer companhia?"
"Jamais." O Guardião da Tempestade juntou as sobrancelhas, achando aquilo absurdo. Ele? Em um estádio? Assistindo baseball? Ridículo! "Eu tenho coisas muito mais importantes para fazer do que perder meu tempo com essa bobagem."
"Do que você está falando?" O moreno ria. "Você esteve em quase todos os meus jogos."
Por você, não pelo baseball. Aquela lembrança levou um gosto amargo aos lábios do Braço Direito, pois, em basicamente todos os jogos, sempre que o time saia vencedor, a primeira coisa que o idiota fazia era sorrir e acenar na direção da namorada. O homem de cabelos prateados não respondeu, e o Guardião da Chuva pareceu entender o silêncio. Sua mão coçou sua nuca, e os olhos castanhos encararam o prato e a figura à sua frente em uma frequência perturbadora.
"O quê?" Gokudera ergueu os olhos, cansado daquele joguinho. Três dias. Três dias. Não perca tempo com brigas desnecessárias. Você sentirá falta desses momentos depois.
"Nada." Yamamoto sorriu. "Eu estava apenas te olhando comer. Você realmente gosta de sashimi."
"Preocupe-se com o seu prato, idiota, ou ficará sem nada!"
O Guardião da Tempestade esticou o braço, roubando com seu hashi o shashimi que estava no meio do prato de seu amante. O moreno fingiu uma indignação que não existia, rindo em seguida e ameaçando comer todo o restante do sushi. Aquilo desencadeou uma pseudo-briga inútil, regada a risadas e ameaças infindáveis. Em poucos minutos o clima se tornou descontraído novamente, e, embora tivesse conhecimento de que havia tornado a situação propositalmente melhor, o Braço Direito não se importou. Seu tempo com aquele homem era muito precioso e ele não desperdiçaria um minuto sequer com lembranças bobas.
O sushi terminou antes da conversa. Pois, mesmo que estivessem em um estranho e novo relacionamento, nenhum dos presentes jamais poderia esquecer que, antes de tudo, eles eram amigos. Aquela amizade que havia começado com uma grande inimizade (por parte do homem de cabelos prateados, claro), transformara-se em algo muito maior e mais profundo naqueles anos. Parar e relembrar conversas e cenas ridículas era a melhor parte da nostalgia.
"Não ria, idiota!" Gokudera tentou parecer zangado, mas seus lábios acabaram sorrindo. "Você não sabe o quão difícil foi convencer o Jyuudaime a ir naquele maldito festival."
"Não mais do que convencê-lo a acompanhar a Sasagawa. Eu consigo ver claramente a cara do Tsuna. Ele nos olhou como se implorasse ajuda e tudo o que fizemos foi sorrir hahaha."
"O Jyuudaime foi extremamente corajoso! Ele entrou na casa mal-assombrada e protegeu a donzela indefesa. Esse é o meu Jyuudaime!"
"Ele gritou o caminho inteiro, Gokudera hahahaha." Yamamoto riu alto. "A Sasagawa foi a corajosa naquele dia."
"Maldito! Como ousa!!"
O Guardião da Tempestade sabia que aquilo era uma meia verdade. O assunto era o festival cultural do colégio Namimori. O evento aconteceu no último ano do ensino médio graças à estranha ausência de Hibari Kyouya que, embora já tivesse se formado na época, aparecia basicamente todos os dias para fiscalizar os alunos. O ex-Líder do Comitê Disciplinar não esteve presente em nenhum dos três dias, e devido a isso o festival pôde ser realizado. Ele provavelmente estava com o Haneuma. Naquela época eu já sabia que eles estavam juntos. Custei a acreditar que aquilo fosse real. O Braço Direito do Décimo juntou os hashis. Foi por um mero acaso que ele viu, em uma tarde de outono, o Guardião da Nuvem e o Chefe da Família Cavallone lutando no terraço. A ação mesmo durou poucos segundos. O moreno foi completamente imobilizado, e se a cena em si já não fosse chocante o bastante, já que Hibari nunca perdia, ver o louro puxar o chicote, segurar o rosto do Guardião da Nuvem e beijá-lo foi definitivamente uma das coisas mais surpreendentes que ele já vira na vida. O mais incrível não foi a cena, mas sim Hibari não ter revidado e simplesmente aceitado o beijo como se fosse uma coisa comum... como se eles fizessem aquilo sempre.
"Você acha que Tsuna criará coragem e pedirá a Sasagawa em casamento? Porque ele está nessa situação há anos." A voz do Guardião da Chuva o trouxe para a realidade. "Eu sei que ela gosta dele, então por que eles simplesmente não ficam juntos?"
A vida não é assim tão fácil, idiota. O homem de cabelos prateados ficou em pé e começou a recolher a louça. Ele concordava com o moreno. Seu precioso Chefe e amigo tinha praticamente todas as chances com a jovem mulher, mas, no fundo, Tsuna temia que algo pudesse acontecer a ela, por isso mantinha certa distância. E ele estava certo. Gokudera engoliu seco, lembrando-se inevitavelmente que Kyoko morria futuramente, da mesma maneira como Dino havia morrido. Se o plano funcionou, então tudo mudará. Hibari terá seu amante de volta, mesmo não merecendo aquele homem. O Jyuudaime terá a esposa, e eu perderei o homem que amo. Aquela constatação o fez erguer os olhos, ficando levemente surpreso ao ver que Yamamoto o olhava. Havia um estranho e curioso meio sorriso em seus lábios.
"O quê?"
"Nada," o Guardião da Chuva ficou em pé e segurou as embalagens vazias, "eu só estava te admirando."
"Me... admirando?" O Braço Direito juntou as sobrancelhas e cruzou a sala, seguindo até a cozinha. Sua companhia vinha logo atrás.
"Sim, admirando. Você é muito bonito, Gokudera, e, antes que diga qualquer coisa, eu achei isso desde a primeira vez que te vi." O homem de cabelos prateados colocou os pratos sujos dentro da pia e virou-se, erguendo uma sobrancelha e esboçando uma expressão de total incredulidade. "Eu sempre achei que você fosse bonito e diferente. Não é sempre que vemos pessoas tão brancas e com cabelos tão finos e prateados. Eu achei que fosse tivesse saído de algum conto de fadas hahahaha."
O Guardião da Tempestade sentiu o rosto tornar-se rubro. Aquele comentário era totalmente gratuito e desnecessário, e por um momento as palavras lhe haviam faltado. Ele queria praguejar com aquele idiota por ter dito aquilo, mas como? Como destratar alguém que havia feito um elogio tão puro? O Braço Direito do Décimo Vongola pensou em uma maneira de responder, mas antes que pudesse ter tal atitude, Yamamoto soltou um baixo "Oh!" e consultou o relógio.
"Você quer ajuda com a louça?"
"Não, pode ir. Eu me viro." Gokudera sentiu-se mais aliviado. A final do campeonato começaria em minutos. Fui salvo por baseball!
"T-Tem certeza?"
"Vai, vai!"
O Guardião da Chuva foi quase enxotado da cozinha, mas o homem de cabelos prateados se sentiu extremamente aliviado ao ver-se só naquele cômodo. Não havia muita louça para ser lavada: dois pratos e dois copos. Os hashis e as embalagens foram para o lixo, então ele poderia permanecer apenas poucos minutos na cozinha antes de ir para a sala fazer companhia a seu amante. O Guardião da Tempestade começou a lavar a louça, parando ao segurar um dos pratos. Eu sempre fiz isso quando o idiota fazia as refeições aqui, mas parece diferente. Os olhos verdes encararam a louça, imaginando que não seria de todo ruim ter de fazer aquilo todos os dias. Tudo seria em dobro. Ao notar que suas bochechas estavam vermelhas, o Braço Direito balançou a cabeça, tentando afastar aquela ideia absurda. Três dias. Somente mais três dias.
Gokudera deixou a cozinha quando não havia mais motivos para permanecer afastado da sala. O moreno estava sentado no sofá mais largo e de frente à tv. Seus lábios esboçaram um meio sorriso ao ver sua companhia, e ele apontou para o lugar vazio ao seu lado, mas o Guardião da Tempestade optou pela poltrona. Daquela posição ele ficava longe o suficiente para não tocar aquele homem. Seus olhos podiam ver, mas suas mãos não podiam tocar. É seguro aqui. Eu não farei nada demais se estiver sentado à certa distância.
Se havia algo que o homem de cabelos prateados genuinamente não entendia era a paixão que Yamamoto tinha por baseball. Ele conhecia as regras, as posições dos jogadores e o tempo das partidas, mas tudo aquilo fora aprendido através do Guardião da Chuva. O Braço Direito do Décimo apoiou um dos cotovelos no braço da poltrona e encarou a tv, franzindo a testa e tentando encontrar naquela cena alguma coisa que o motivasse a estar ali. Sua companhia, porém, parecia sentir totalmente o oposto. O idiota estava inclinado para frente, os belos olhos castanhos vidrados no que acontecia, e a cada lance o Guardião da Chuva fazia algum gesto que demonstrava exatamente o que ele sentia. Os olhos de Gokudera se reviraram nas órbitas, e ele soube que aquela seria uma longa noite.
A atenção na partida foi facilmente desviada para o fanático moreno que assistia a tudo com olhos atentos. O Guardião da Tempestade, inicialmente, apenas pousava os olhos em Yamamoto vez ou outra, mas não demorou a que a única coisa que valesse a pena ser admirada fosse apenas o Guardião da Chuva. O Braço Direito do Décimo Vongola recostou-se melhor à poltrona, enquanto seus olhos verdes fitavam sua companhia com muito mais do que admiração. Eu me lembro das horas que o idiota passava treinando. O homem de cabelos prateados perdera a conta de quantas vezes ficou depois da aula, no terraço, fumando e observando o treino que acontecia bem embaixo de seus olhos. O moreno tornou-se o capitão do time assim que entrou no ensino médio e por três anos o colégio Namimori não perdeu uma única partida. Os garotos o tinham como ídolo, as garotas suspiravam por onde ele andava e hoje ele está aqui, na minha sala, no meu sofá...
Aquele pensamento levou uma onda de eletricidade pelo corpo de Gokudera. Ele evitava pensar no assunto, mas era em momentos como aquele que era difícil esquecer que há mais de um mês ele não sabia o que era tocar e ser tocado intimamente por outro ser humano. Desde que deixei Masayoshi... Seu contato com o Guardião da Chuva ainda não havia chegado naquele nível, e, embora tivesse dito para si mesmo que nada aconteceria, o Guardião da Tempestade achou que não haveria nada de mal em apenas imaginar. Como se fosse a primeira vez que eu fizesse isso... O Braço Direito abaixou os olhos, lembrando-se das milhares de vezes que seu amante visitou suas fantasias naqueles anos.
Se o homem de cabelos prateados pudesse dizer exatamente o que gostaria de fazer naquele momento, envolveria suor, gemidos e nenhuma roupa. O moreno fez algum comentário sobre um dos jogadores, mas Gokudera não prestou atenção. Ele estava ocupado demais imaginando o que Yamamoto faria se ele ficasse em pé, caminhasse até o sofá e o beijasse. Ou o que o idiota pensaria se ele se despisse e o chamasse para o quarto. Eu não precisaria do quarto. O Guardião da Tempestade engoliu seco quando sua mente foi mais além, mostrando cenas e fazendo-o imaginar como seria sentar-se sobre a ereção do moreno, enquanto seu quadril se movia em uma velocidade absurda. Eu me sinto com 15 anos novamente.
O pensamento o fez mexer as pernas, notando que seu baixo ventre começava a responder àquelas ideias. O Braço Direito encarou rapidamente a tv, apenas para se manter atento ao que estava acontecendo. Entretanto, quando seus olhos voltaram à figura do moreno, seu corpo tremeu ao notar os olhos sérios e castanhos que o encaravam. O homem de cabelos prateados não soube por que corou e ficou em pé, quase no mesmo instante. Eu preciso de outro banho. Eu preciso de um banho urgentemente. Seus pés se afastaram da poltrona e uma de suas mãos colocou a franja prateada atrás da orelha, mas ele nunca conseguiu passar além do sofá. Na verdade, ele não soube direito o que aconteceu.
Em um segundo ele caminhava na direção do corredor; no segundo seguinte ele sentia suas costas no macio sofá vermelho, ao mesmo tempo em que suas pernas eram afastadas sem delicadeza enquanto algo pesado tocava seu baixo ventre. O gemido, porém, morreu em sua boca quando os lábios de Yamamoto o beijaram com tanta vontade e violência que por um momento seu mundo pareceu girar. E, por um tempo que Gokudera não soube contar, eles se beijaram. A situação tornou-se clara pouco a pouco, e, quando o Guardião da Chuva afastou os lábios, ele entendeu o que havia acontecido: o moreno o puxara para o sofá e simplesmente o agarrara. O peso que o Braço Direito do Décimo sentia em seu baixo ventre dizia respeito à ereção de Yamamoto.
"Eu não consigo mais esperar, Gokudera." A voz do moreno saiu rouca e grossa. Seu corpo projetou-se para frente e o Guardião da Tempestade gemeu baixo ao sentir a ereção que se esfregava em seu próprio membro. "Eu quero você... agora."
"O jogo." Aquela foi a primeira coisa que passou pela mente do homem de cabelos prateados. Ele estava rubro e completamente indefeso embaixo daquele homem. "É... a final."
"Eu não me importo." Yamamoto quase riu. Sua mão grande e pesada subiu pelo abdômen do homem que estava por baixo, e foi impossível para Gokudera omitir o gemido quando ela tocou um de seus mamilos. "Eu vou levá-lo até o quarto, Hayato. E eu vou amá-lo com todas as fibras do meu corpo, está bem?"
O Guardião da Tempestade apenas meneou positivo com a cabeça. Seu coração batia absurdamente rápido, e, assim que respondeu, o moreno o puxou e ambos ficaram em pé. Os lábios de Yamamoto retomaram o beijo, e o que havia começado quente e eufórico tornou-se uma erótica dança até o quarto. Nunca aqueles móveis pareceram tão ardilosos e perigosos. A mesinha do telefone foi derrubada, mas nenhum deles ouviu o barulho. O Braço Direito apenas sentiu suas costas baterem com força contra a parede da sala, e sua camisa ser retirada com pressa. As mãos do Guardião da Chuva o ergueram levemente, fazendo com que ambas as ereções se encontrassem. O beijo só era interrompido para pegar ar, e mesmo nesses curtos momentos os lábios do moreno ficavam ocupados com beijos no pescoço pálido e leves mordidas. O caminho pelo corredor foi ainda mais difícil. Não era necessário mais do que dez passos, mas naquela noite até aquele pequeno espaço parecia uma longa caminhada. Na metade do corredor os lábios de Gokudera gemeram mais alto ao sentir uma das mãos de Yamamoto dentro de sua calça. Seu amante o virou contra a parede e começou a masturbá-lo enquanto esfregava a ereção em seu quadril. Aquelas camadas de roupas evitavam o contato direto, mas serviam para que o coração do Guardião da Tempestade se preparasse para o prato principal.
Quando entrou finalmente no quarto, a pressa do Guardião da Chuva pareceu ter triplicado e o mesmo poderia ser dito sobre a excitação do Braço Direito do Décimo. O moreno o empurrou sobre a cama e sorriu. Aquela era a primeira vez que o homem de cabelos prateados via aquele sorriso. Era diferente de qualquer coisa que ele já havia visto. Não era simpatia, alegria ou felicidade. Havia uma estranha satisfação nos lábios de Yamamoto, e até mesmo seus olhos estavam diferentes, um pouco sérios, semicerrados... desejosos. O Guardião da Chuva aproximou-se, inclinando-se levemente sobre a cama, esfregando gentilmente seus lábios nos de seu amante. Suas mãos desceram até a cintura de Gokudera e foi com uma facilidade incrível que ele se livrou da calça de moletom e a roupa de baixo. O Guardião da Tempestade nunca se sentiu tão vulnerável, porém, ele nada fez para cobrir seu corpo. Os olhos verdes se ergueram e o coração do Braço Direito bateu ainda mais rápido ao ver, por um breve momento, a maneira sensual com que Yamamoto passou a ponta da língua pelos próprios lábios enquanto o observava.
Até aquele dia o homem de cabelos prateados não sabia o que era realmente estar tão excitado por alguém, a tal ponto que seu corpo inteiro parecia ansiar por contato. O moreno se pôs a tirar a camisa e a calça, e, embora aqueles gestos tivessem acontecido com rapidez, do ponto de vista de Gokudera o tempo foi suficiente para que cada centímetro de seu corpo imaginasse como seria sentir Yamamoto dentro dele. Seu amante usava uma roupa de baixo vermelha e extremamente grudada. Não foi difícil notar a ereção ou a maneira como o tecido prendia as coxas bem definidas do Guardião da Chuva. Quando o moreno inclinou-se sobre ele, o Braço Direito pôde ouvir claramente seu coração bater. Suas mãos encostaram trêmulas ao peito nu e moreno, e, assim que seu amante tocou levemente os lábios e o beijou, esfregando indiretamente as ereções, o homem de cabelos prateados gemeu... e gemeu.
Gokudera nunca havia chegado ao orgasmo sem estímulo nenhum, muito menos por causa de um quase beijo. Seu rosto estava quente por causa do clímax, e, apesar de seus olhos verdes estarem um pouco embaçados por causa do prazer repentino, ele viu quando o Guardião da Chuva sorriu extremamente satisfeito com o que havia visto.
"Diga o que preciso fazer, Hayato." Yamamoto pegou a própria camisa e limpou o abdômen do homem que estava por baixo. "Eu nunca fiz isso e quero fazer direito."
"N... Nada." O homem de cabelos prateados arfava e sua voz era um fio, porém, ele entendia aquela conversa e não deixaria que o moreno fizesse absolutamente nada. Era a primeira vez que o Guardião da Chuva tinha contato, sexualmente falando, com outro homem. "E-Eu posso m-me vir..."
"Hayato." A voz de Yamamoto soou mais alta e séria. Somente naquele momento Gokudera notou que seu amante tremia. Ele não aguenta esperar, o Guardião da Tempestade corou ainda mais ao encarar a ereção do moreno. Era extremamente lisonjeiro pensar que um homem como aquele estava tão excitado por ele.
"Na... gaveta." O Braço Direito apontou para o lado esquerdo da cama. Havia uma pequena cômoda e um abajur.
O Guardião da Chuva abriu a gaveta com pressa e segurou o tubo de lubrificante. A cabeça do homem de cabelos prateados se inclinou ao não ver os preservativos que ele sempre guardava naquele local, e foi preciso alguns segundos de esforço mental para lembrar que os que estavam ali haviam sido utilizados e que a caixa nova estava no banheiro. Da última vez eu os levei comigo para a casa de Masayoshi.
"No banheiro. Os preservativos estão no banheiro."
"Eu preciso me preocupar com alguma coisa?"
Aquela pergunta fez Gokudera juntar as sobrancelhas. Ele nunca pensou que ouviria Yamamoto dizer aquele tipo de coisa, e, embora a frase soasse estranha aos lábios daquele homem, ele não desgostou. Sua cabeça balançou para ambos os lados, em negativo. O Guardião da Tempestade poderia dormir com quem fosse, mas mensalmente ele fazia exames para se manter saudável. Não é como se eu dormisse com muita gente, mas eu não abuso da sorte. O moreno sorriu e ajoelhou-se na cama, inclinando-se um pouco à frente.
"Então eu não preciso ir até o banheiro. Você também não precisa se preocupar com nada. Eu sou uma pessoa saudável. Nós usaremos das próximas vezes, está bem? Mas hoje eu quero senti-lo por inteiro."
"Eu não estou preocupado." O homem de cabelos prateados sabia que se havia alguém que se cuidava, era Yamamoto. O idiota provavelmente nunca dormiu com as namoradas sem preservativo. "Mas você nunca dormiu com outro homem. As coisas são diferentes. Eu já disse, eu posso me virar."
"E eu disse que sei como fazer. Eu assisti aos filmes, Hayato!" Havia resignação na voz de Yamamoto.
Não me faça lembrar da pornografia gay, Gokudera tentou não rir. Imaginar o Guardião da Chuva, de braços cruzados e olhar sério, assistindo a um filme pornográfico homossexual era uma visão simplesmente absurda.
"Eu sei o que fazer, apenas diga se estou fazendo certo, está bem? Eu não quero ser o único a aproveitar."
Aquelas palavras foram seguidas por um beijo que soou mais casto do que eufórico. Os braços do Guardião da Tempestade subiram pelos ombros largos e fortes de seu amante, e ele permitiu que a língua do moreno entrasse em sua boca e intensificasse o beijo. O peso do corpo de Yamamoto sobre o dele o fez gemer baixo, ainda sensível por causa do orgasmo. Cada pedacinho do corpo do Braço Direito do Décimo queria ser possuído por aquele homem. Sua racionalidade, suas dúvidas, seus medos e anseios pareceram extremamente irrelevantes se comparados a um dos mais básicos e naturais instintos humanos. Os lábios de Yamamoto desceram pelo pescoço pálido, enquanto seus dentes mordiscavam levemente aqui e ali, deixando um rastro vermelho por onde passavam, como se marcassem o homem de cabelos prateados. Os gemidos retornaram quando o Guardião da Chuva chegou à altura dos mamilos. Uma das mãos desceu até o membro de Gokudera, começando a masturbá-lo, enquanto os lábios e dentes mordiscavam a região rosada. O Guardião da Tempestade sabia que era sensível, mas não esperava que seu corpo reagisse daquela forma. Suas mãos apertaram o lençol e seus pés moviam-se sobre a cama, inquietos e sem saber como fugir daquele homem. Quando o moreno desceu com seus beijos, a respiração do Braço Direito tornou-se mais alta. Ele sabia até onde aquilo iria. Ele sabia que o caminho que os lábios de seu amante traçavam o levaria até seu baixo ventre e então parede nenhuma seria capaz de omitir seus gemidos.
Ele está me provocando, pensou o homem de cabelos prateados quando o Guardião da Chuva desviou de sua recém-ereção para beijar o interior de suas coxas. As pernas de Gokudera se moveram, e suas mãos apertaram com ainda mais força a roupa de cama.
"Eu nunca fiz isso antes, então você vai precisar me dizer se eu estou te fazendo sentir bem." A voz do moreno soou levemente abafada.
O Guardião da Tempestade ergueu levemente a cabeça, juntando as sobrancelhas enquanto assistia Yamamoto colocar a ereção em sua boca sem nenhum aviso. O gemido alto que deixou os lábios do Braço Direito ecoou por todo o quarto e suas costas se arquearam levemente do colchão. Ele deveria ter começado devagar! O homem de cabelos prateados inclinou a cabeça para trás conforme o Guardião da Chuva começava a mover sua língua e lábios ao redor de seu membro. Os gemidos eram altos e os suspiros tão profundos que Gokudera não ouviu quando o tubo de lubrificante foi aberto, ou teria preparado seu corpo para o que viria em seguida. Entretanto, ao contrário do gesto anterior, o moreno não o penetrou de repente. O Guardião da Tempestade sentiu a pressão que o dedo de seu amante fez em sua entrada, e tentou automaticamente relaxar o corpo, mesmo sendo humanamente impossível. Ele nunca dormiu com um homem. Ele nunca precisou ter esse trabalho. As pequenas preocupações tentaram retornar à mente do Braço Direito do Décimo Vongola, mas elas simplesmente não tinham espaço naquela cama. Não quando o dedo de Yamamoto o penetrou e tocou seu ponto especial praticamente ao mesmo tempo.
A resposta para aquela reação foi um baixo "Oh!" dito pelos lábios do Guardião da Chuva. Aquilo pareceu tê-lo deixado ainda mais animado, pois um segundo dedo pediu passagem e foi naquele momento que o homem de cabelos prateados soube que estava simplesmente a mercê de seu amante. Ele não deveria saber fazer isso. Gokudera tentou tapar a boca com as mãos, mas sua respiração o denunciava. Quando um terceiro dedo entrou, e os movimentos do moreno se tornaram mais fortes e menos gentis, o Guardião da Tempestade simplesmente não se importou mais.
"T-Takeshi... por favor." Seus lábios moveram-se sem que ele tivesse conhecimento. Os dois olhos castanhos se ergueram e o ex-capitão do time de baseball parou o que fazia. "Eu quero você... agora... em mim, por favor."
Yamamoto engoliu seco e abaixou os olhos, rindo baixo enquanto ficava de pé.
"Você é tão injusto, Hayato. E eu aqui me controlando porque queria que a nossa primeira vez fosse algo para ser lembrado." As mãos do Guardião da Chuva tremiam levemente enquanto ele retirava a roupa de baixo.
A excitação do Braço Direito tornou-se duas vezes mais forte ao ver aquele homem completamente nu e animado. Seu corpo projetou-se à frente sem que ele tivesse controle, e a próxima coisa que ele soube foi que havia se inclinado e levado a ereção do Guardião da Chuva até seus lábios. Eu quero esse homem dentro de mim. O homem de cabelos prateados deixou que sua língua corresse por toda a extensão do membro de seu amante, saboreando aquele momento e imaginando as centenas de coisas que eles fariam sobre aquela cama. Uma das mãos do moreno tocou os cabelos prateados, colocando a franja atrás da orelha. Os olhos verdes se ergueram, encarando o rosto corado de Yamamoto e o sorriso que beirava a satisfação e a malícia. Eu não sabia que ele teria esse tipo de expressão. Eu não sabia que Yamamoto poderia olhar alguém com tanto desejo. Os lábios de Gokudera se afastaram da ereção, apenas para esboçar um meio sorriso que transbordava luxúria. Seu convite mudo foi aceito automaticamente pelo Guardião da Chuva, que o empurrou sobre a cama e afastou suas pernas com menos gentileza do que era esperado, mas não com menos ansiedade e desejo.
O Guardião da Tempestade não conseguiu gemer.
O som ficou preso em sua garganta quando o moreno o penetrou. Seus olhos se arregalaram e sua cabeça pendeu para trás, enquanto suas costas se arquearam do colchão. Foi intenso. Foi erótico. Foi muito. Nunca ninguém havia ido tão fundo e tão além. A ereção de Yamamoto retirou-se e o penetrou com o dobro de força, e então finalmente o Guardião da Tempestade cantou. Até aquele momento ele nunca havia gemido tão deliciosamente como naquele instante. A voz que deixou seus lábios não era sua. Era aguda e cheia de desejo, pedinte e necessitada. Suas mãos apertaram a roupa de cama e os nós de seus dedos se tornaram brancos, tamanha a força que ele fazia para simplesmente não gritar, enlouquecido pelo turbilhão de sentimentos que o possuía. Três. Quatro. Cinco... em cinco estocadas Yamamoto o fez chegar ao orgasmo pela segunda vez naquela noite.
O clímax veio forte e pintou o abdômen e peito do Braço Direito. Os lábios rosados, porém, não pararam. Depois de dois orgasmos seu corpo estava extremamente sensível e cada estocada era sentida com o dobro de intensidade. Ele é bom. Ele sabe o que está fazendo. O homem de cabelos prateados sentiu o corpo mover-se sobre a cama. Manter-se somente naquela posição não era suficiente. Ele queria ser possuído de todas as maneiras possíveis e imagináveis. De todos os jeitos mais sujos e abomináveis. Eu nunca senti isso antes. Eu nunca achei que fosse capaz de desejar uma pessoa dessa maneira. Meu amor por esse homem foi subestimado.
O Guardião da Chuva pareceu entender aquele sinal. Sua ereção retirou-se de dentro de seu amante por um breve momento, apenas o tempo suficiente para virar Gokudera e erguer seu quadril. O ritmo não diminuiu, pelo contrário. O moreno segurava a cintura do homem que estava por baixo, não poupando esforços em possuí-lo por completo. Naquela posição o rosto do Guardião da Tempestade ficou afundado no travesseiro, então sua voz e gemidos foram omitidos. Ele sentiu as lágrimas se formarem em seus olhos, enquanto seus dedos apertavam a roupa de cama em busca de alguma forma de alívio. Nenhum amante até aquele dia fora capaz de obter as reações que o Braço Direito do Décimo demonstrava. Seu histórico sexual não era vasto, mas ele havia tido sua cota de experiências ao longo daqueles anos; e, se fosse totalmente honesto, o homem de cabelos prateados preferia sexo não tão violento e sensações mais intensas e menos dolorosas. Entretanto, ele jamais poderia dizer que não sentiu aquela noite com cada fibra de seu corpo e coração. Não era apenas físico. A maneira como Yamamoto o penetrava e o amava não era meramente uma forma de buscar alívio imediato. Aquilo era o resultado de anos de sentimentos reprimidos, ansiedade e medo. Sim, medo; pois da mesma forma como Gokudera temia perder aquele homem, era fácil notar a possessividade em cada gesto do Guardião da Chuva. Tolo. Eu o amei por seis anos. O mundo pode mudar, os tempos podem passar, mas isso nunca mudará. Você irá me deixar, mas eu permanecerei aqui, sempre.
O orgasmo do Guardião da Chuva foi seguido por um gemido mais alto e rouco, que rivalizou por um momento com o coro que o Guardião da Tempestade esteve fazendo nos últimos minutos. Nunca o Braço Direito do Décimo achou tão erótico receber o clímax de um amante. Ele sentia o calor do moreno dentro dele conforme o membro o penetrava por mais três vezes. Seus joelhos, porém, vacilaram sem que ele tivesse controle algum. Até aquele momento ele não havia percebido que suas forças estiveram em suas pernas e braços, que estavam vermelhos por causa do atrito. Eu mal conseguirei sair da cama amanhã, o homem de cabelos prateados afundou ainda mais o rosto no travesseiro, sentindo-se solitário quando Yamamoto retirou-se de dentro dele.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!"D...Desculpe, eu o machuquei?" A voz vinha de algum lugar, e Gokudera ergueu um pouco a cabeça para ver seu amante deitar-se ao seu lado. "Des... desculpe, eu não consegui me controlar."
"Eu estou bem." O Guardião da Tempestade tentou afundar o rosto novamente, mas a mão do moreno o impediu.
O beijo dessa vez foi longo e sem pressa. Não havia a euforia de outrora, nem a necessidade imediata de contato. O Braço Direito virou-se devagar, sentindo aquele homem voltar a se aproximar, até que os corpos de ambos se encontrassem. As mãos do homem de cabelos prateados subiram pelos ombros morenos e úmidos, diminuindo ainda mais a distância. Os lábios se moveram com um pouco mais de vontade, e o beijo tornou-se mais intenso. O corpo de Gokudera estava arrepiado pela proximidade e aquele nível de conexão que ele nunca sentira antes. Durante anos ele admirou aquele homem, amou seus olhos, sorriso, cheiro e tudo o que dizia respeito ao simpático e idiota ex-capitão do time de baseball. E depois de todos aqueles anos, ele tinha o homem que tanto amava em seus braços, e a realidade parecia um sonho. Não é um sonho. O homem em meus braços é real. Ele está aqui. O Guardião da Tempestade fechou os olhos, afundando o rosto no pescoço do moreno. Seu amante cheirava a suor, sêmen e homem. O cheiro perfeito.
"Eu preciso de um banho." A voz do Braço Direito do Décimo soou baixa. Aquele era um convite, não um aviso.
"Eu também."
Yamamoto sorriu antes de ficar em pé, erguendo a cabeça e passando as costas das mãos pelo belo rosto que o encarava. Gokudera sentiu suas costas e quadril doloridos ao se levantar, mas isso não foi o bastante para fazê-lo recusar aquela oportunidade. O Guardião da Chuva deu a volta na cama e se aproximou, passando as mãos ao redor da cintura pálida e juntando os corpos. O beijo foi inevitável, e ele continuou durante o curto caminho até o banheiro. O Guardião da Tempestade não notou a distância do quarto até o corredor, e do corredor até o banheiro. Seus pés apenas sentiram o piso gelado do box. Seus olhos estiveram fechados o tempo inteiro, e só se abriram quando a água morna do chuveiro tocou suas costas e o beijo foi encerrado. O que o recebeu foram dois belos olhos castanhos e um travesso meio sorriso.
"Eu fui um idiota." Aquela autorreflexão surpreendeu o Braço Direito. Não era sempre que ele ouvia o Guardião da Chuva assumir tal coisa. O problema é que aquela sentença estava no passado, quando deveria ter sido conjugada também no presente e futuro. "Eu fui cego também." As mãos morenas deslizaram pelas costas de seu amante, e somente naquele momento o homem de cabelos prateados notou o contraste que eram seus corpos. A água deixava tudo mais evidente. A pele morena rivalizava totalmente com a sua palidez, e havia algo muito erótico em senti-las se misturarem. "Você esteve o tempo todo ao meu lado e eu nunca percebi que tudo o que eu sempre quis e precisei esteve sempre ao alcance das minhas mãos. Nós não vamos trabalhar amanhã, Hayato, pois eu tenho anos e anos de tempo perdido para viver."
Aquela declaração quase fez o homem de cabelos prateados rir, mas ele teria de deixar a graça para uma outra ocasião. Suas costas encostaram-se ao gelado azulejo, e Yamamoto pareceu duas vezes mais alto. As mãos do Guardião da Chuva apertaram a cintura branca, como se pedissem permissão. Gokudera corou e abaixou os olhos, virando-se devagar e sabendo muito bem o que aconteceria em seguida. O moreno deu um passo à frente, e quando seu corpo juntou-se ao de seu amante, os lábios do Guardião da Tempestade deixaram escapar um gemido baixo ao sentir-se penetrado.
O banheiro era bem mais iluminado do que o quarto, então os olhos verdes viram o que era possível ser visto daquela posição. Ele viu a maneira como ficava na ponta dos pés toda vez que era penetrado; o jeito como seus dedos se fechavam, tentando arranhar o azulejo, mas em vão; a mão morena que segurava sua cintura, tornando as estocadas fortes e certeiras; e a mesma mão morena que desceu para o membro do Braço Direito e começou a masturbá-lo. Os detalhes eram tão intensos quanto o ato em si, e após alguns minutos o Guardião da Tempestade chegou ao orgasmo, acompanhado por Yamamoto. Seu amante o manteve em pé, e ambos permaneceram parados e imóveis por alguns segundos. Era difícil respirar, falar ou simplesmente estar ali naquele pequeno espaço. Um beijo estalado e no alto da cabeça prateada trouxe o Braço Direito de volta à realidade, e os olhos verdes se abriram no mesmo instante.
O homem de cabelos prateados virou-se devagar, permitindo que suas mãos subissem pelo peito moreno do Guardião da Chuva. A pele estava quente, e o coração daquele homem batia extremamente rápido. Entretanto, foi preciso uma dose maior de coragem para encarar os olhos castanhos. Internamente Gokudera tinha receio de receber um olhar sério ou transbordando arrependimento pelo que havia acabado de acontecer.
"Eu não estou arrependimento." O moreno ergueu o queixo de Gokudera e finalmente os olhares se encontraram. "Eu estou feliz, mas levemente triste e enciumado também"
"Triste?" O Guardião da Tempestade tentou não soar desapontado. Ele havia se preparado. Aquela era a primeira vez que Yamamoto tinha algum contato sexual com alguém do mesmo sexo. Decepções e desapontamentos eram quase obrigatórios.
"Triste por não ter sido o primeiro a te envolver." A expressão no rosto do Guardião da Chuva tornou-se um pouco mais dura, e ele corou levemente por baixo da pele morena. "E enciumado porque outros tiveram o privilégio que eu só tive hoje. Eu nunca vou me perdoar por ter demorado tanto."
"Privilégio?" O Braço Direito soou irônico. Ele queria rir amargamente daquilo, pois foi impossível não se lembrar da primeira vez que dormiu com um rapaz e como aqueles dez minutos foram longos. Do que você está falando, idiota? Privilegiadas foram todas as suas namoradas.
"Mas eu vou reparar o tempo perdido. Não hoje, claro, mas temos amanhã e depois de amanhã e semana que vem. Eu prom–"
"Não." O homem de cabelos prateados ergueu a ponta dos dedos e tocou os lábios de seu amante, balançando a cabeça em negativo. Eu não quero ouvir. "Não me prometa nada. Eu não preciso de nada disso." Não faça promessas que não possa cumprir e eu não esperarei por você.
"Certo," O moreno beijou a ponta dos dedos que estavam sobre seus lábios e sorriu, "eu terei de provar a você que estou falando sério. Eu não me importo. O sacrifício vale a pena."
O banho foi um pouco mais longo do que Gokudera esperava. Os beijos duraram mais tempo do que os minutos debaixo d'água, mas mesmo assim o Guardião da Tempestade acabou permitindo que Yamamoto deslizasse a esponja por seu corpo e o ajudasse em certas partes, principalmente as pernas, já que o Braço Direito não se sentia muito inclinado a abaixar. O Guardião da Chuva, porém, saiu antes.
"Eu vou trocar a roupa de cama."
"N-Não é preciso, eu faço isso." O homem de cabelos prateados corou. Não era justo deixar o idiota fazer, literalmente, o trabalho sujo logo naquela primeira noite.
"Tome seu banho. Eu não farei nada errado hahaha."
A porta do banheiro foi fechada e a última coisa que Gokudera viu foram as costas de seu amante e a sensual toalha branca em sua cintura. Sozinho e com toda a privacidade do mundo, o Guardião da Tempestade pôde finalmente dedicar ao seu corpo a atenção que ele necessitava. Quando o chuveiro foi finalmente desligado, o Braço Direito se sentia totalmente limpo e satisfeito. A toalha creme estava ao redor de sua cintura, e ele abriu a porta pronto para seguir até o quarto. Todavia, aos pés da porta havia uma nova troca de roupas e aquele gesto simples e tolo acabou roubando um meio sorriso terno de seus lábios. De banho tomado e de roupa limpa, o homem de cabelos prateados finalmente ganhou o corredor.
A cama estava arrumada, as janelas abertas e não havia nenhum sinal naquele quarto de que há pouco mais de meia-hora os dois estiveram deitando e rolando sobre aquela cama. Yamamoto acabava de fechar o guarda-roupa, esboçando um meio sorriso ao vê-lo entrar no quarto.
"Como você se sente? Quer um chá? Um copo d'água?"
Ele está preocupado. Eu não sei se deveria me sentir aborrecido ou contente. Gokudera arrastou-se até a cama e entrou embaixo do fino lençol, respondendo aquela pergunta.
"Eu estou apenas cansado." E agora?
"Entendo..." O Guardião da Chuva coçou o queixo e corou. "Bem, agora... eu não sei... sobre o sofá."
"Você é realmente um idiota." O Guardião da Tempestade revirou os olhos e puxou o lençol, mostrando que sua companhia poderia dormir na cama. "Depois de tudo o que fizemos você está preocupado se vai ou não dormir no sofá?"
"Hehehe desculpe."
O moreno deitou-se na cama, ainda esboçando o mesmo sorriso de tola felicidade. O Braço Direito do Décimo corou levemente ao ver aquela proximidade, mas aquele novo e estranho sentimento pareceu dar lugar a algo completamente diferente ao encarar o belo rosto de Yamamoto. Seu corpo estava dolorido e cansado e ele sabia que acabaria pegando no sono em uma questão de minutos, então que fosse encarando aqueles olhos.
"Boa noite, Hayato."
A voz do Guardião da Chuva soou baixa e o moreno se aproximou, fazendo com que eles estivessem extremamente próximos. Uma das mãos desceu pelas costas do homem de cabelos prateados e foi naquele momento que Gokudera soube que poderia dormir tranquilamente. Seus olhos piscaram pesados, e manter-se acordado acabou se tornando mais e mais difícil. O sono veio naturalmente, envolvendo Gokudera como o delicado e gentil braço em sua cintura. Entretanto, o homem de cabelos prateados não dormiu, pelo menos não imediatamente. Uma de suas mãos tocou o rosto de Yamamoto, ainda incrédulo por pensar que aquele homem estava realmente em sua cama. Por quantas noites eu sonhei com isso? Na época aquilo não passava de um belo sonho. Mas isso é real. A pele morena e quente... Ele é real e está aqui, por mim... para mim. A ponta de seus dedos subiu e desceu pela face de seu amante, e intimamente Gokudera sorriu, sentindo seu peito se tornar aquecido com aquela tola e infantil ideia que se apoderou de seu coração naquele instante. Talvez não seja uma ideia tola, pensou o Guardião da Tempestade enquanto fechava os olhos e sentia o sono se aproximar. O idiota me faz sentir vontade de lutar por ele, independente de como o futuro irá se mostrar. O sono o envolveu levemente, e, antes de perder a consciência, Gokudera achou que aquela luta valeria a pena, se isso significasse manter Yamamoto em sua vida para sempre.
Continua...
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