Vendetta

20 Masayoshi


Masayoshi

A parte favorita do dia para Masayoshi eram as manhãs.

Ele adorava a sensação de acordar após longas horas de sono, abrir os olhos e encarar o céu através do vão de sua janela. A segunda etapa era se arrastar para fora da cama, tomar um longo banho e se dirigir para a cozinha. Não seria preciso dizer que o café da manhã era sua refeição favorita do dia. Nada poderia ser capaz de superar uma fumegante xícara de café acompanhada por três torradas. Aquele hábito ele havia adquirido durante os anos em Harvard, pois, antes de morar nos Estados Unidos, o moreno era o mais perfeito exemplo de homem japonês.

Foi também em Harvard que o advogado teve seu primeiro e último relacionamento sério e pseudo-duradouro. O rapaz era inglês, altura mediana, cabelos castanhos, pele morena e um fatal par de olhos verdes. Mikael era seu nome, mas Masayoshi diria com certeza que de anjo aquela pessoa possuía somente o nome. Mikael era um ano mais velho, seu senpai, mas fisicamente ele não aparentava estar em uma universidade. Traços delicados, sorriso contagiante, voz calma e gentil... o moreno se encantou quase automaticamente. Do encanto inicial para o primeiro beijo foi preciso apenas uma festa da fraternidade e três copos de cerveja barata. Do beijo para a cama foram necessárias duas noites de flertes descarados e um empurrãozinho por parte do advogado – naquela época um mero aluno do segundo ano. Ele nunca havia visto outro homem gemer e tremer como Mikael naquela noite.

Masayoshi sempre se relacionou com homens. Sua única experiência heterossexual foi um desastre, mas ele se sentia vitorioso por ter conseguido manter sua ereção por cinco minutos. Todos os homens com quem o moreno havia dormido foram diferentes. Nem todos eram confortáveis com sexo, exatamente por causa do cuidado e da bagunça. O advogado, em particular, achava que não existia nada mais prazeroso do que estar dentro de outro homem, ouvindo-o gemer, sentir seu calor, o cheiro de suor, o clima de pura luxúria. Mikael o surpreendeu de todas as maneiras naquela noite e teria sido impossível não se apaixonar perdidamente por aquele adorável anjo. A realidade, porém, mostrou-se três meses depois, quando Masayoshi entrou no quarto de seu amante e o pegou na cama com outro homem. O moreno nunca mais falou com Mikael novamente, embora o rapaz houvesse tentado reatar o que quer que eles tivessem. E, após aquela decepção, o advogado não voltou a permitir que outra pessoa invadisse seu coração. Eles poderiam ter seu corpo, seu tempo, mas nunca seu coração.

Bem, isso até Masayoshi conhecer Gokudera Hayato.

Era uma noite de quarta-feira, ele jamais esqueceria. O moreno estava preso em um caso horroroso de divórcio em que a ex-esposa estava fazendo o impossível para quase, literalmente, depenar o ex-marido. O advogado – que defendia o marido – juntava as provas para alegar que ela não teria direito algum por ter sido infiel. O caso era fácil. Estava ganho. E naquela noite de quarta-feira ele havia ido ao bar apenas para se distrair... apenas para tirar a mente um pouco do mundo cheio de infidelidade, mentiras e hipocrisia que o cercava.

O Guardião da Tempestade estava lá. Sentado sozinho próximo ao balcão, um copo de qualquer coisa em sua mão e a expressão mais desolada que Masayoshi já vira na vida. Eu achei que ele havia sido traído também. Que o mundo havia se dividido em dois grupos: os que traíam e os que ainda iriam trair. Eu não sei por que fui me sentar ao lado dele. O moreno pediu whisky e teria apenas bebido e ido embora se o homem de cabelos prateados não tivesse feito isso primeiro. O advogado mal havia tocado em sua bebida quando seus braços se ergueram, segurando o Braço Direito do Décimo. Gokudera caiu desfalecido em seus braços, não por causa da bebida, mas de fraqueza. O bar havia parado para olhar a cena, e Masayoshi apenas o auxiliou pelos ombros, arrastando-o para fora do local.

Aquela foi a primeira vez que o moreno levou um homem desacordado para sua casa. O Guardião da Tempestade despertou cerca de uma hora depois, grogue e visivelmente fraco. O advogado estava na beirada da cama, oferecendo-o um copo d' água e levemente curioso para saber sobre a história por trás daquele desmaio. O homem de cabelos prateados era perigosamente belo, apesar da aparência fraca. Sua pele era pálida, quase doentia. Seus cabelos batiam abaixo das orelhas, finos e brilhosos. Entretanto, o que realmente chamou a atenção do advogado foram os olhos verdes... grandes e tristes. Havia uma profunda e permanente tristeza naquele olhar e o advogado lembrou-se de si mesmo, embora aquela história tivesse acontecido há oito anos.

A conversa entre eles foi breve. O Braço Direito se apresentou, agradeceu a ajuda e desculpou-se pelo trabalho. Masayoshi, porém, o impediu de ir embora e Gokudera somente aceitou permanecer um pouco mais porque estava realmente fraco. O moreno cozinhou a primeira coisa que encontrou na despensa, e aquela foi a primeira vez que ele viu alguém comer um prato de arroz e omelete com tanto gosto. Durante todo o tempo o advogado ficou ao lado, fiscalizando e pronto para segurar aquela pessoa se ela desmaiasse novamente. O Guardião da Tempestade não desmaiou, mas agradeceu a comida e foi somente neste momento que o moreno permitiu que ele fosse embora. O homem de cabelos prateados agradeceu quando o táxi parou na entrada da casa, e o advogado retornou para sua vida, sentindo-se um pouco satisfeito por ter amparado um completo estranho em um momento de dificuldade.

O problema foi que aquela pessoa não seria uma estranha por muito tempo. Dois dias depois daquele incidente Masayoshi reencontrou o Braço Direito no mesmo bar, na mesma banqueta e com a mesma expressão triste. Desta vez Gokudera não desmaiou, apenas sorriu ao ver o moreno sentando-se ao seu lado. A conversa que eles tiveram naqueles cinco minutos foi totalmente irrelevante. O tempo, a cidade, as atualidades, a economia... a típica conversa trivial. O que veio depois da conversa, porém, mudaria tudo para o advogado.

"Sua cama ainda possuí um lugar vago?"

Foi a exata pergunta que o Guardião da Tempestade fez ao virar o copo de bebida que estava entre seus dedos. O moreno havia acabado de pedir seu whisky, mas naquele momento a bebida havia perdido seu sabor. Havia algo muito mais apetitoso e devorável bem diante de seus olhos.

O homem de cabelos prateados lembrava em muito o antigo e infiel Mikael, pelo menos no quesito sexual. Em seus braços Gokudera gemeu alto e permitiu-se ser possuído como poucos permitiam. Não foi difícil para o advogado perceber que aquela pessoa realmente apreciava sexo com outro homem. A maneira como ele recebia as estocadas, o jeito com que seu quadril se movia, os gemidos, os suspiros... O Guardião da Tempestade era o amante ideal para noites solitárias. A relação deles, ou o que quer que fosse aquilo, iniciou-se basicamente naquela noite e arrastou-se por dois anos. Eles não eram amantes, ou amigos ou colegas. Tudo o que possuíam era tempo livre e desejo sexual; e Masayoshi só descobriria o motivo daquela triste expressão quando o Braço Direito do Décimo anunciou que os dois não dormiriam mais juntos. Naquele dia tudo fez sentido.

Gokudera não havia sido traído. Ele nem ao menos tivera a oportunidade de se envolver.

Porém, o importante era: por que o moreno estava se lembrando de tudo aquilo?

A resposta surgiu quando o advogado arrumava o guarda-roupa. Ali, ao fundo de uma das gavetas, havia uma camisa que não lhe pertencia. Ele usava essa peça quando eu o trouxe desfalecido para cá. E, embora fosse extremamente organizado, durante aqueles dois anos Masayoshi não havia notado que a peça estivera ali, escondida no fundo de seu guarda-roupa. O moreno então se viu entre três opções: ele poderia jogar a peça de roupa fora, doá-la para a caridade ou a terceira, a mais tola escolha... devolver para seu dono.

O número do Guardião da Tempestade ainda estava em seu celular. Ele não havia deletado, porque não fazia diferença mantê-lo ali. A pessoa do outro lado da linha atendeu no segundo toque, a voz séria, mas levemente surpresa. O advogado estava em seu quarto, sentado em sua cama, a peça de roupa entre seus dedos. A conversa foi breve. Masayoshi mencionou a camisa, mas antes que o homem de cabelos prateados sugerisse o que ele já deveria ter feito (jogar a peça fora!), o moreno se adiantou e o convidou para tomarem um café. Houve hesitação por um breve momento. O Braço Direito calou-se, e o advogado conseguia imaginar com detalhes a expressão pensativa da pessoa do outro lado. No fim, Gokudera concordou em um encontro, mas deu ênfase para "apenas um café" mais de três vezes. A data marcada seria no dia seguinte, e, quando a ligação foi desligada, Masayoshi não pôde evitar sorrir.

x

Ele está diferente. Foi a primeira coisa que cruzou a mente de Masayoshi quando o Guardião da Tempestade se sentou à sua frente, em um calmo Café de Namimori. O moreno ajeitou os óculos, encarando sua companhia e tentando imaginar o que de tão bom pudesse ter acontecido àquele homem para que ele parecesse tão... feliz. Em poucas semanas o Braço Direito havia ganhado certa cor em suas bochechas e seus olhos verdes brilhavam mais do que nunca. Havia uma timidez bem discreta na maneira como ele olhava e sorria, como se estivesse desconfortável por estar ali. O advogado ergueu uma sobrancelha, deduzindo pouco a pouco o que poderia ter acontecido. O homem de cabelos prateados pareceu notar e retribuiu o mesmo olhar.

"O que foi?" Gokudera segurava o cardápio de maneira displicente. No final Masayoshi sabia que ele escolheria uma xícara de café sem açúcar.

"Você parece feliz."

"Eu não estou infeliz." O Guardião da Tempestade deu de ombros e ergueu a mão, chamando a atendente. "Café preto?"

O moreno meneou a cabeça em positivo, sentindo os lábios se alargarem em um meio sorriso. Seu corpo inclinou-se um pouco e ele pegou a sacola que estava repousando em seus pés.

"Lavada e passada." O advogado a ofereceu para sua companhia.

"Obrigado." O Braço Direito a segurou. "Eu não fazia ideia de que havia perdido esta camisa."

"Provavelmente porque não fez falta." Aquela frase soou estranha. Como se ela significasse muito mais do que um simples comentário sobre uma simples camisa esquecida.

O homem de cabelos prateados ergueu os olhos e naquele momento Masayoshi soube que ele não fora o único a entender. Os dois permaneceram em silêncio, aguardando o pedido ser servido, mas sem saberem ao certo como iniciar um diálogo. Conversas nunca foram nosso forte. Nós sempre dialogamos com nossos corpos. O moreno ajeitou novamente os óculos e relaxou os ombros. Mas as coisas mudaram...

"Então, vocês estão juntos?"

A pergunta não foi feita de maneira displicente ou sem o intuito de realmente atingir Gokudera. O advogado sorriu, calando-se quando a atendente depositou as xícaras sobre a mesa. O Guardião da Tempestade o olhava de maneira séria, mas em poucos segundos coçou os cabelos e suspirou, segurando a alça de sua xícara e bebericando um pouco do café.

"Por enquanto." A voz do Braço Direito do Décimo saiu séria, mas resignada. Havia mais.

"O que você quer dizer?" Masayoshi segurou sua xícara. Normalmente ele não se permitia conversas triviais com ex-amantes, mas o homem de cabelos prateados era diferente. Ele nunca mentiu para mim ou foi infiel. Desde o começo Hayato deixou claro o que tínhamos. Aliás, se eu for realmente pensar sobre o assunto, ele foi o parceiro mais honesto que tive na vida. "Eu talvez possa ajudá-lo."

"Ninguém pode." A resposta saiu rápida, como se estivesse ali o tempo todo. O moreno ajeitou os óculos e fez sinal para que sua companhia continuasse. "Ele vai me deixar."

"Quando?"

"Logo."

"Quando...?"

"Um dia."

O advogado juntou as sobrancelhas, pousando a xícara sobre a mesa e tentando entender o que acabara de ouvir. Do que ele está falando? Masayoshi entreabriu os lábios, pensando se havia algo que pudesse ser dito para prolongar aquela resposta tão... pobre. Gokudera havia bebido metade de seu café, e sua expressão havia se tornado ainda mais séria.

"Eu estou perdido aqui, Hayato. Eu não faço ideia do que você está falando."

"É melhor que não saiba." O Guardião da Tempestade deu o último gole no café. "Obrigado pela camisa."

"Hayato..." O moreno esticou a mão, tocando o braço de sua companhia antes que ela se colocasse de pé. O Braço Direito do Décimo Vongola o olhou, mas não afastou o toque e naquele momento o advogado pensou que talvez aquela pessoa quisesse conversar desde o começo, mas não havia encontrado companhia e oportunidade. "Nós não estamos mais juntos, mas eu gostaria de ouvi-lo. Eu já superei a sua rejeição." Masayoshi deu ênfase à palavra, sorrindo sadicamente. "Mas não existe nada que impeça uma conversa vez ou outra."

Foi realmente difícil fazer com que o homem de cabelos prateados decidisse falar, mas o moreno sempre foi uma pessoa paciente. Gokudera recostou-se melhor à cadeira, suavizando os ombros e encarando sua xícara vazia.

"Ele vai me deixar em breve. Eu apenas não sei se consigo mais voltar àquela vida."

"Ele disse que irá te deixar?" A resposta foi um curto menear negativo de cabeça. "Então, como sabe? Como tem tanta certeza de que ele vai te abandonar?"

O Guardião da Tempestade coçou a nuca, mas apenas deu de ombros. O advogado suspirou, sabendo que aquele era um dos momentos em que era preciso deixar a experiência se sobrepor ao pessimismo da juventude. Ele era nove anos mais velho e já havia vivido sua cota de relações infrutíferas, amantes infiéis e todo o lixo emocional que uma pessoa de 30 anos poderia carregar.

"Ouça, Hayato." A voz de Masayoshi saiu séria e ele ajeitou os óculos. "Ninguém sabe o que acontecerá no futuro. Eu sei que você está temeroso porque finalmente conseguiu quem queria." O olhar do Braço Direito do Décimo era a certeza que o moreno precisava. Ele desconfiou que o alto homem que apareceu no apartamento de seu ex-amante fosse a pessoa. O segundo encontro, na livraria, apenas comprovou o que ele já desconfiava. Ele é o motivo pelo qual Hayato estava sentado naquela mesa de bar. Triste e conformado. "Mas não é injusto se privar de aproveitar o presente com medo do que o futuro possa trazer?" O advogado se surpreendeu com suas próprias palavras. Ele havia desistido do amor e relacionamentos há anos.

"Não é apenas isso..." O homem de cabelos prateados brincava com a alça da xícara. "Ele nunca esteve com outro homem. Ele está apenas curioso porque é tudo novo e-"

"Vocês já fizeram sexo?"

"HÃ!?"

A pergunta havia deixado os lábios de Masayoshi em um tom normal, mas ele mentiria se dissesse que não se divertiu ao ver sua companhia levantar-se da mesa, corada e levemente indignada. Eu havia me esquecido o quão adorável Hayato é. Vê-lo assim me faz querer levá-lo para casa, prendê-lo na cama e possuí-lo por horas. O moreno suspirou. Ele já havia feito aquilo uma vez...

"Responda à pergunta, Hayato. Nenhum de nós é uma garota virgem de 15 anos."

"S-Sim..." Gokudera estava incrivelmente rubro quando voltou a se sentar. "Nós já dormimos juntos."

"Você acha que ele teria dormido com você se não tivesse interesse?" O advogado deu de ombros. "Você acha que outro homem teria ido até o fim por curiosidade? Não me leve a mal, isso seria compreensivo com mulheres, mas homens? Você melhor do que ninguém sabe a bagunça que é dormir com alguém do mesmo sexo. Agora, diga. Eu não o conheço, porém, você acha que ele é o tipo de pessoa que faria isso por curiosidade?"

A resposta veio na forma de um menear negativo de cabeça. Masayoshi já havia encontrado aquele tipo de homem, os curiosos. Eles se deixavam seduzir facilmente, mas somente quando encaravam a realidade é que percebiam que certas coisas eram melhores somente no mundo da fantasia. Entretanto, aquilo não acontecia no caso de seu ex-amante. O moreno sentiu uma estranha possessividade vinda daquele homem quando o encontrou. Nas duas vezes o amigo de Gokudera lhe pareceu sério demais para estar apenas curioso. Ele provavelmente não sabia que tinha interesse em Hayato. Pode ter sido curiosidade, no começo, mas duvido que seja isso que o mantém ao lado dele. O advogado terminou seu café, sentindo o gosto amargo em sua boca. De certa forma eu sinto inveja desse tipo de coisa. Eu me tornei incapaz de acreditar em finais felizes.

"Faça o que achar melhor, mas se me permite um conselho..." Masayoshi ficou em pé, retirando três notas de sua carteira e pousando-as sobre a mesa. "Pare de se auto-sabotar, Hayato. A pessoa que você sempre amou está ao seu lado e você merece esta felicidade. Pare de se subestimar. Você é muito mais do que pensa e se não fosse por esse homem eu jamais teria deixado você ir embora."

"Você fala como se eu tivesse lhe pertencido." Havia um desafiador sorriso nos lábios do Guardião da Tempestade e sua voz soou divertida.

"Você foi mais meu do que todos os meus amantes anteriores." O moreno sorriu. "Espero que seja feliz, Hayato."

O advogado acenou e afastou-se da mesa antes que sua companhia insistisse em dividir a conta. Seus passos o levaram até o outro lado da rua, onde seu carro estava estacionado. Masayoshi entrou e ligou o ar-condicionado, sentindo-se sufocado. Ele sabia que havia feito a coisa certa. Só porque sua vida pessoal era um lixo, não significava que as outras pessoas precisassem compartilhar daquilo. E, mais do que ninguém, o moreno desejava que o Braço Direito do Décimo fosse feliz. Por dois anos ele teve uma excelente companhia nas noites solitárias, e, embora o relacionamento deles não tivesse passado de algo sexual, o advogado falou sério quando disse que gostaria de ter tido a oportunidade de terem algo mais profundo. Ele não é Mikael. Ele nunca seria Mikael. O carro parou quando o semáforo ficou vermelho e Masayoshi ergueu os olhos, encarando o céu absurdamente azul. O verão estava no fim e não demoraria a que o outono chegasse. Quando o veículo voltou a andar, o moreno se pegou pensando se um dia sua vez chegaria. Se existia alguém no mundo que pudesse fazê-lo mudar seus conceitos. Se havia alguém para remendar seu coração...

Continua...