Vencendo desafios

2 Desafio 2 - Papai frustrado


Notas iniciais
Alguém mais roeu as unhas de ansiedade? kkkkkk

Sabia que seria difícil, mas não conseguira prever todas os aspectos pertencentes ao fato. Ele chegara no mesmo horário. Perguntara como havia sido meu dia, e o descrevi omitindo a parte principal. Separou algumas roupas e se dirigiu até o banheiro tomando banho, e enquanto ouvia sua voz forte cantarolar no chuveiro, sorri com a ideia de que aquilo não faria falta. Quando papai estava pronto, sentou-se diante da mesa e começou a comer. Depois de alguns minutos ele notou que eu não fazia o mesmo, apesar de ocupar o lugar costumeiro na mesa, e ao me questionar a razão soube que não podia mais protelar a conversa.

— Pai, eu passei na seleção para uma bolsa de estudos...

— Não havia necessidade disso, meu anjo. Já havíamos discutido esse assunto e nosso acordo era que trabalharia meio período na oficina com as notas fiscais e o restante do seu tempo dedicaria a seus estudos universitários.

Como explicar-lhe que ficar ali o manteria fiel a um acordo silencioso de dedicação integral a mim? E que ele abdicaria mais anos de uma via pessoal?

— Onde é?

Aquela era a pergunta que eu me programara para responder por último. Infelizmente foi a segunda que ele me fizera, e isso desintegrara o planejamento mental que havia feito.

— Nova Orleans!

Ele parara todas suas funções e me fitara fixamente. Seus olhos pareciam um espelho refletindo os meus. Era o único traço físico idêntico. Um tom de verde com pinceladas douradas! No entanto, o clima ou até mesmo nosso ânimo modificava a cor original por tonalidades mais claras, muitas vezes acizentados ou amendoados. Apesar do nosso rosto permanecer neutro em diversas situações, os nossos olhos eram literalmente as janelas das nossas almas! Mas nesse momento apenas refletíamos emoções. Enquanto os meus transmitiam insegurança, os dele era completa e absoluta confusão.

— A quanto tempo sabe da resposta?

— Algumas horas...

Simultaneamente, mordemos o lábio inferior... uma ação comum em todos os O'Connor quando o nervosismo abrangia mais do que seus limites...

— O processo de seleção...

— Dois meses, pai!

Ele arregalou os olhos surpresos e ingeriu todo a limonada que se encontrava no copo a sua frente.

— Foi algo que eu fiz?

— Não pai... É uma boa oportunidade... A escola prepara profissionais que são disputados no mercado de trabalho. O ensino foi eleito o melhor em 11 anos consecutivos...

Nos minutos seguintes, expus o histórico da escola, usando uma convicção que estava longe de sentir. Ele estava visivelmente contrariado ainda, mas atento as minhas palavras. Percebi que as razões que eu dava, apesar de concretas, eram ineficazes.

— ... os dormitórios também são rigidamente separados, mesmo sendo uma escola mista. A supervisão é rígida quanto postura e valores.

Ficamos em silêncio por mais um tempo, antes dele levantar e pegar as chaves do carro na mesinha de entrada.

— Parece que você já escolheu...

— Pai...

—... e minha opinião será insignificante no final. Só preciso pensar um pouco...

Ele saiu novamente, deixando um adolescente incerta para trás. Nada naquela noite obteve um resultado razoável. Fui me arrastando para meu quarto, procurando meu celular. Deixei tudo na cozinha como estava, sem forças para fazer nada além de ligar para única pessoa que poderia me orientar naquele instante: tia Kyra. No segundo toque, ela já atendera.

— Foi muito ruim?

Antes de responder, um sucessão e lágrimas explodiu violentamente.

Notas finais
Abraços mentais para Lyn, por favor!!!!