Venam - Nascidos para morrer
6 Recomeço
Notas iniciais
acho que demorei demais pra postar, não é? Mil desculpas, estou de férias e viajando, então não paro muito pra escrever!
bem, esse cap é 16+ kkkkkk eu acho ele necessário e não tem nada explícito e chulo, não gosto de coisas assim.
ah, me inspirei um pouco no filme "Cisne Negro", quem assistiu acho que irá entender!
então, espero que gostem :))
– Vamos logo – digo de forma quase desesperada, com o peso de Paul ainda sobre meus ombros.
Saímos porta afora e olho à minha volta, virando-me de frente para o edifício. Todos estão ali. Então os olhos de Leo se arregalam em algum ponto atrás de mim. Viro-me novamente.
Várias lâmpadas começam a acender, deixando-me sem enxergar nada. Quando minha visão se acostuma, vejo várias silhuetas à nossa frente e, mais próxima de nós, Malice.
Prendo a respiração instintivamente, meus próprios olhos se arregalando ligeiramente. Paul subitamente se endireita ao meu lado, o braço ainda passado por cima de meu ombro, mas dessa vez de forma protetora. Aconchego-me em seu corpo automaticamente, estremecendo de medo.
A mulher bate palmas e um sorriso se estende por seu rosto. Embora estejamos ali, do lado de fora, prontos para fugir, ela parece genuinamente alegre. Os soldados atrás estão desarmados, noto agora.
– Muito bem. Vocês se provaram capazes.
– O que quer dizer com isso? – Leo diz postando-se do meu outro lado.
– Ora, por que acham que deixamos o computador no dormitório de Gabriel? Ou porque deixamos Sofia ficar com a arma? Esse foi o primeiro teste de vocês, e estou feliz em dizer que passaram, embora me pareça que... – Seus olhos nos percorrem como se procurasse algo. – Vocês deixaram uma para trás. Onde está Ana?
Percebo que meu corpo todo treme. Como é possível sentir tanto medo? A sensação de ser prisioneira para sempre. A imagem da menininha morrendo aparece diante de meus olhos e em um instante de consciência percebo que Paul me chama, seus braços me suportando.
Será que estou morrendo? Porque todo o sentimento está se esvaindo. Mas se eu estiver, não quero voltar.
Meus olhos reviram e percebo uma onda de náusea me invadir. Curvo-me para frente e vomito. As sensações lentamente voltando ao meu corpo.
Leo segura meu cabelo e Paul está com os braços à minha volta, me segurando, já que eu aparentemente não consigo me manter de pé. Meu olhar se levanta e percorre as pessoas paradas ali na frente. O olhar de Malice agora se tornou de reprovação, mas eu não me importo.
Meus olhos encontram um par verde-claro à direita de Malice. Estreito os olhos. Gary Idioot. Será que alguma coisa está afetando minha mente? Porque tudo que consigo pensar agora é em tirar esse sorriso debochado de seu rosto.
Desvencilho-me dos garotos e dou um passo à frente sem tirar os olhos do homem.
– Você está dizendo, senhora Tough, que vocês já sabiam o que estávamos planejando? – Minha voz sai estranhamente estável.
– Em partes – a mulher responde. – Se tivéssemos descoberto o plano, ou alguns de nossos soldados pego vocês no meio do caminho, certamente já estariam mortos. Vocês obviamente não foram treinados ainda, então apenas distribuímos alguns guardas pelo prédio e deixamos as ferramentas necessárias.
Adquiro uma expressão incrédula, mas permaneço calada. Queria ter a coragem necessária para levantar aquela arma e matar qualquer um dos dois, Malice ou Gary. As duas coisas iriam me satisfazer. Mas tudo o que consigo fazer, é desabar para trás de novo quando meus joelhos cedem.
Cada mestre acompanha seu aprendiz e nos guiam pelo prédio. Idioot me explica que as coisas começaram realmente agora. Receberemos roupas e quartos novos, além de treino pesado.
– Vou poder ficar com ela? – indago fitando a Glock.
– Ela é sua. Embora a maioria de vocês não receba premiação antes do primeiro teste, ninguém também havia realizado trabalho com excepcional frieza como a sua.
Trinco os dentes, me segurando para tentar não pular em seu pescoço. É mais que óbvio que eu só levaria uma surra.
Somos levados até o terceiro andar do prédio. Aqui as portas dos dormitórios são iguais, o que me desanima consideravelmente. Porém, assim que a minha é destravada, me surpreendo.
Uma cama de casal com lençóis verde-claro; paredes cor de creme; um tapete peludo cinza claro; janelas grandes de madeira; uma porta; um conjunto de guarda-roupa e criado-mudo. Parece um quarto normal.
– No guarda-roupa tem suas novas roupas, roupa de cama, toalhas, essas coisas. A porta leva a um banheiro, lá tem coisas de higiene pessoal. Divirta-se – Idioot diz e me deixa sozinha.
Pisco os olhos algumas vezes, tendo certeza de que não é nenhuma ilusão. Depois vou até o guarda-roupa: roupas que parecem de malha preta com detalhes verdes estão penduradas, todas do mesmo tamanho; conjuntos de pijamas; toalhas com meu nome gravado; meias e luvas negras; botas também negras.
Vou até a porta do banheiro e a abro. Uma banheira, pia e vaso sanitário cor de creme. Nas paredes, pastilhas. O lugar tem cheiro de limpeza e parece reconfortante.
Tiro a roupa rapidamente e tomo o banho mais demorado do mundo, esquecendo toda aquela história louca. Depois visto um dos pijamas que selecionei e agradeço por ser macio e cheiroso.
Levo um baita susto quando saio do banheiro e encontro Leo sentado na cama. Ele abre um meio sorriso e passa a mão no cabelo castanho nervosamente.
– O que achou de tudo isso?
– Assustador – digo sorrindo e sentando ao lado dele.
– De fato, uma área com aquecedor e panos macios e sedosos é assustador por aqui.
– Bobo. – Meu sorriso se alarga.
Solto um bocejo e percebo como estou cansada. Olho para Leo e penso na noite anterior, quando ele precisou dormir comigo, será que essa noite eu não teria pesadelos?
– Também estou me perguntando isso – ele diz, observando minha expressão. – Sabe que podemos escolher duplas aqui? Quero dizer, pra dividir o quarto e os treinamentos.
Por algum motivo o argumento me deixa envergonhada e desvio o olhar. Quero dizer, ele já dormiu uma vez comigo e ele é o meu melhor amigo, então por que isso agora? Um estranho nervosismo me domina e mordo o lábio.
– Por que não?
Leo levanta em um salto e olho para ele.
– Vou falar com Richard, meu mestre. – E sai porta afora.
Não demora muito e Leo está de volta. Jogamo-nos na cama, um de costas para o outro e estranhamente afastados. Talvez amanhã poderemos pedir camas de solteiro.
Quando acordo, sinto braços em volta de mim e me afasto assustada.
– O que? O que foi? – Leo pergunta levantando-se rapidamente.
Começo a rir, percebendo que provavelmente o usei como um travesseiro durante a noite.
– Vamos, já deve estar na hora do café.
Visto uma das roupas emborrachadas e percebo que está no tamanho exato. Leo também veste as dele, e noto com admiração ombros largos e os pequenos músculos que antes não havia como notar.
Idioot diz que o primeiro treinamento deverá ser separado. Entrega outras roupas para mim depois do café e um mapa para chegar até onde devo. A roupa é apenas um collant negro, acompanhado de meia-calça cor de pele e um par de sapatilhas. Me sinto exposta e agradeço por haver aquecedores por ali. Depois me dirijo até a sala, que fica no andar de cima.
Uma das paredes é completamente revestida de espelhos. O chão é liso, sem emendas. Barras são parafusadas nas paredes laterais. No centro, um cano de ferro do chão ao teto. Engulo em seco. Não acho que eles simplesmente achem bonitinho que eu aprenda a dançar.
Um homem alto e esguio entra pela porta. Ele tem os cabelos loiros bagunçados, usa calças largas e uma blusa de manga folgada. Está definitivamente mais relaxado que eu. Cruzo os braços e o encaro, tentando fazer uma expressão de durona.
– Bom dia, Sofia. Sou Patrick. – Ele me observa por um momento, as mãos colocadas nos bolsos e os ombros relaxados. – Vamos lá, relaxe um pouco, não vou atacar você, nem nada assim.
Estreito os olhos, ele não se move. Suspiro e solto os braços ao lado do corpo.
– O que pretendem com isso? – pergunto abrindo os braços.
– Que você aprenda a dançar. – Ele ergue uma sobrancelha. – Não é meio óbvio? E eu percebo a necessidade deles. Você não tem postura, é completamente travada; e precisa de alguém que a lembre que não é um homem, pelo que me parece.
Trinco os dentes. Mal conheci Patrick e ele também já está entrando para minha lista negra. Impeço-me de cruzar os braços novamente.
– Quando vai parar de falar e começar a me ensinar? – indago irritada.
– Já comecei. – Ele sorri. – Vamos, sente-se.
Patrick senta-se no chão e apoia os braços atrás de si. Permaneço de pé, me recusando a ficar à vontade. Devo estar com uma expressão muito carrancuda, porque ele ri e balança a cabeça.
– Você por acaso já se masturbou?
– Eu o... O que? – gaguejo, sentindo minhas bochechas corarem.
– Então você irá tentar, vai ajudar a relaxar. Agora quero ver o que sabe fazer com ele – diz apontando para o cano.
– Nada. Nunca nem cheguei perto de um desses.
– Sei. Bem, então acho que vou ter que te ajudar.
Ele levanta-se e vem até mim, depois pega minha mão e me puxa até perto do cano. Coloca minhas mãos em volta do objeto frio e me dá um impulso. Meus pés deslizam no chão liso e me vejo girando.
– Vá abaixando.
Obedeço, imaginando que ele tenha uma arma escondida em algum canto. A sensação não é ruim, afinal. Quando paro estou completamente agachada e levanto, encarando-o.
– Assim não. Você levantou de uma vez, mais sensualidade da próxima. Estamos aqui pra você deixar de ser uma garotinha idiota que anda e age como um menino, e se torne uma mulher atraente. Haverá momentos em que usará seu corpo para atrair um Venam. Apesar de viverem afastados do resto das pessoas, eles também têm necessidades, e você precisa saber utilizá-las.
Solto uma risada e coloco as mãos nos quadris.
– Pra começo de conversa eu não vou fazer droga nenhuma desse jeito. E depois que eu não seduziria ninguém, nem que eu quisesse.
– É por isso que eu estou aqui. – Ele abre um sorriso.
Patrick me ensina alguns movimentos no queijo, reclama sobre minha postura e ombros tensos quase o tempo todo e diz que preciso aprender a destravar os quadris. Sem falar nas vezes que chega por trás, deixando-me desconfortável ao passar a mão em minhas coxas e cintura para controlar meus movimentos.
– Não esqueça o dever de casa – diz dando uma piscadela quando estou saindo da sala.
Sinto meu corpo todo doer e meu estômago ronca de fome. Patrick não me deixou sair para comer nada, estou apenas com o café da manhã no estômago, e a noite já cai.
Observo meu corpo nu no espelho do banheiro. Mordo o lábio. Eu não conseguiria fazer aquilo, embora já tenha ouvido falar de como é. Tomo um banho e volto pro quarto.
Nem havia notado que adormeci até abrir os olhos, atordoada.
– Desculpa, não queria acordar você. – Ouço Leo sussurrar atrás de mim.
Viro-me na cama e o vejo deitando. Existe certo momento no dia, que se chama madrugada, que meu cérebro parece sofrer algum defeito. Nesse momento, qualquer parede existente na minha mente é derrubada e as palavras simplesmente jorram da minha boca. Por esse motivo, foi uma péssima hora para Leo me acordar.
– Leo, você... Você se masturba?
Ele parece engasgar, e tosse algumas vezes. Olha para mim e então desvia o olhar, percebo que está vermelho.
– Por que a pergunta?
– Curiosidade.
– Acho que todo homem faz isso... – Então abre um sorrisinho e me olha. – Curiosa, ein?
Continuo encarando-o, sem saber bem o porquê de fazer isso. Sei que espera que eu sorria da piada maliciosa, mas não sinto vontade. Observo seus traços, notando como são incrivelmente familiares para mim.
– Sofia?
Não sinto vontade de responder também. Apenas olhá-lo aqui, onde parece que estamos pelo menos um pouco seguros. Eu conheço Leo desde pequena e foi uma surpresa descobrir que ia estudar com ele quando cheguei à escola de Norwich.
Agora percebo o quanto a presença dele sempre foi necessária para mim, desde sempre. Como sempre nos demos bem, como sempre brigamos e como agora queremos cuidar um do outro.
Me aproximo e o abraço forte. Ele parece pego de surpresa, mas logo retribui o abraço, beijando o topo da minha cabeça. Tão confortável, tão quente, tão familiar. Levanto o rosto e encosto meus lábios nos dele. Eu mesma não esperava que fosse fazer isso, nem sabia que queria até esse momento.
Ele retribui, me puxando para mais perto, e nosso beijo vira algo que eu nunca havia experimentado antes. Suas mãos são tão ágeis pelo meu corpo, que me pergunto se ele já fez isso muitas vezes.
O beijo é quente, incrivelmente quente, e urgente. Sinto sua mão se dirigir para entre minhas pernas e a voz de Patrick ecoa em minha mente. Não esqueça o dever de casa. Então relaxo, confiando em Leo, deixando que ele me leve e esquecendo por um momento onde estou e tudo o que nos espera fora desse quarto.
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