Venam - Nascidos para morrer
7 O Dia
Notas iniciais
Eu não desistirei dessa história, porque gosto bastante dela, mas tive alguns problemas pessoais e trava de criatividade que não me permitiram escrever!
Ah, a história está de capa nova :33 Gostei mais dessa kkkk
1 ano depois
Acordo ao sentir a cama se mover ao meu lado. Agarro a arma que deixo sempre sob o meu travesseiro e tento não sorrir. Abro os olhos ligeiramente, só para ver Leo levantando-se.
Mas não permito que ele termine o ato.
Me movo, jogando-o de volta na cama e sentando sobre seu peito, prendendo seus braços com as pernas. Aponto a arma para sua testa.
– Morto. De novo – digo, sorrindo.
Ele solta uma risada e balança a cabeça.
– Bom dia para você também.
Dou de ombros, levantando e me espreguiçando. Mordo o lábio lembrando-me de que o Dia está próximo.
– Acha que vamos nos sair bem? Quero dizer, será nossa primeira missão real.
Leo se aproxima, me abraçando por trás.
– Estamos treinando muito, vai dar tudo certo. Afinal somos ou não somos a melhor dupla desse lugar?
Viro-me para ele, depositando um beijo em seus lábios e sorrindo. Nosso próprio quarto é um exemplo do que diz, pois está completamente personalizado através das recompensas que recebemos: fossem envelopes com maços de notas, fossem objetos vindos de nossas casas.
– Você está certo, não sei por que estou tão preocupada.
Arrumamo-nos e vamos juntos até o refeitório. No último ano, Leo e eu temos treinado juntos. Nossos corpos e mentes tornaram-se praticamente uma coisa só. Sempre prevemos o movimento um do outro, nos movendo para permanecermos protegidos e ainda aumentarmos a potência dos ataques. Nenhum dos outros consegue nos vencer, nenhuma simulação é párea para nós.
Depois de comer, vamos até a sala de Malice. Ela nos recebe com um enorme sorriso.
– Bom dia, meus queridos! Vamos, sentem-se, sentem-se!
Fito a mulher. Faz tempo que ela nos trata assim, como se fôssemos uma espécie de sobrinhos prediletos ou algo do tipo. Trinco os dentes e sento à sua frente, segurando a mão de Leo ao meu lado.
– Vejamos... O Dia de vocês está próximo, então quero proporcionar um treinamento mais pesado. Vamos fazer uma simulação com os mestres. Eles vão ajudá-los a melhorar a identificação de parceiros e inimigos numa luta, além de reforçar o que aprenderam até aqui.
Somos enviados até a Sala de Simulação. A lembrança da criança morta ali ainda está viva em minha mente, mas agora é mais fácil ignorar, visto que já voltei muitas vezes ali para realizar testes.
A primeira coisa que vejo é o sorriso de Idioot. Ele tem feito de todos os meus dias grandes infernos. Sempre que pode, me mantém longe de Leo, encontra razões estúpidas para me fazer ter punições e têm sempre a mesma expressão debochada de superioridade. Mas um dia irei lhe mostrar quem é superior, com toda certeza vou.
A simulação é basicamente o centro de Londres cheio de Venam. Leo está do meu lado direito, e sinto vagamente os mestres espalhados perto de nós.
– Vamos avançar e acabar entrando na parede do inimigo. Concentrem-se em matar os certos e não morrer. A tarefa de hoje valerá um prêmio maior – Garret, mestre de Paul, diz.
Meu parceiro e eu assentimos, nos posicionando. A simulação começa e me jogo para frente, matando alguns alvos. Sinto a mão de Leo se entrelaçar na minha e me preparo. Ele me puxa, fazendo com que eu descreva um arco, dando um tiro certeiro no peito de cada inimigo à nossa volta. Solto uma risadinha, é sempre bom quando conseguimos fazer isso.
Encosto minhas costas nas dele e me concentro em não deixar que ninguém se aproxime. É estranho ver as balas reais se alojando nas simulações ao invés de atravessá-las e atingirem a parede oposta da sala. Alguma coisa a ver com magnetismo e alta tecnologia, não prestei muita atenção nessa aula.
Um especialmente grandalhão aparece à minha frente. Estou prestes a atirar quando reconheço os olhos. Idioot está com o rosto praticamente coberto, mas sei que sorri. Arqueia uma sobrancelha em desafio.
Ninguém precisa saber. Poderia ter sido um engano. Levanto a arma, sorrindo e sentindo minhas mãos mais firmes do que nunca. Surpreendo-me com a frieza dos meus pensamentos, mas nada diminuirá o ódio que sinto por ele, nunca.
Atiro, mas ele se assusta, tentando desviar. A bala acerta seu braço e imediatamente a simulação some. Todos correm até nós e eu ainda tenho a arma apontada em sua direção.
– Você está louca? – grita.
– Desculpe, pensei que fosse um deles – digo inocentemente.
Ele me encara com raiva e reprimo um sorriso. Então sua expressão se suaviza e ele se aproxima.
– Vai acabar morrendo cedo como sua mãe, e espero que seja exatamente como ela: diante de meus olhos.
A surpresa de suas palavras faz com que eu me afaste. Seus olhos brilham por julgar ser vitorioso dessa vez, mas não vou permitir que ele seja. Quase sem notar, atiro em um de seus olhos, vendo-o gritar de agonia e cair.
– Cuidado com o que deseja aos outros. – E acerto seu coração.
– Ele era nosso melhor soldado! – Malice diz exasperada na minha frente. – E seu único mestre! O que espera que seja feito de você agora, Sofia? E você, garoto, é o parceiro dela, deveria saber segurá-la!
– Não o coloque nisso – digo entredentes.
– O que? – ela indaga, me fitando.
– Isso mesmo. A culpa é apenas minha, mas não importa. Malice, minha mãe também foi recrutada?
A mulher permanece parada, a boca aberta com uma frase que não é dita. Lentamente, retoma a postura.
– De onde tirou essa ideia ridícula?
– Idioot disse que a viu morrer. Exijo que me explique.
– Você exige? Retire-se daqui agora. Mandarei alguém ao seu dormitório para receber sua devida punição.
– Deveria receber um prêmio, velha. Quem mais teria matado seu melhor soldado? – E saio, puxando Leo comigo.
Sinto seu olhar sobre mim, mas não quero dizer nada, ainda sinto meu coração batendo forte em meu peito. Assim que chegamos ao dormitório, o abraço e solto uma risada.
– Livre! Estou livre daquele idiota!
Leo me afasta ligeiramente, com uma expressão séria.
– Você matou um homem, Sofia. Está feliz por isso?
Reviro os olhos.
– Não era um homem qualquer, era o Idioot. Pense em quantas pessoas ele já matou e perturbou, e ainda faria muito mais se eu não o tivesse matado.
O garoto balança a cabeça, caminhando para longe e sentando na cama. Aproximo-me dele, resolvendo mudar de assunto.
– O que acha sobre a minha mãe? Quero dizer, será que ela também foi trazida para cá?
– Não sei, e não vamos saber. Está óbvio que Malice não falará. Que ideia absurda foi aquela de chama-la de velha, Sofia?
– Você está mesmo um chato hoje – resmungo. – Vou tomar um banho, tem sangue daquele nojento em mim.
Tomo um banho tomada pela felicidade. Sinto que algo dentro de mim está diferente, e talvez eu tenha errado, mas não será essa minha vida pelos próximos anos? Matar vários caras malvados?
O certo e o errado nunca ficaram tão unidos em minha cabeça. Não consigo criar uma distinção, então só me resta fazer o que me der vontade, já que a maior parte de minha liberdade já foi retirada.
Saio e encontro o quarto vazio. Suspiro, odeio brigar com Leo. Deito e me aconchego, pela primeira vez pensando em minha mãe.
Meu pai dizia que ela viajava muito para fazer apresentações de dança, mas isso poderia muito bem ser uma desculpa. Ninguém se aprofundava quando o assunto era ela, e eu também não fazia questão de saber. Será que ela era uma assassina? Será que ele sabia? E se morreu enquanto eu nascia, como Idioot pode ter visto?
As perguntas giram em minha mente até que adormeça.
Acordo com a respiração acelerada e o coração batendo forte. Não me lembro de nada do pesadelo além de um par de olhos verde-claro. Estendo a mão para trás, mas Leo não está ali. Lentamente as lembranças do dia anterior voltam até minha mente e percebo que não tenho a menor vontade de levantar.
Puxo a arma de debaixo do travesseiro e pego a caixinha sobre o criado-mudo. Começo a lustrá-la, pensando se estará sempre comigo. Seu brilho negro me faz sorrir e me imagino por um instante matando Malice também, e qualquer um que surja para comandar esse plano estúpido de recrutar adolescentes.
Durante todo o dia treino sozinha, com a sensação de que há um peso no meu coração. Malice não está no prédio e ninguém fala nada sobre minha conduta, assim como não aparece um novo mestre.
De noite, no quarto, a própria Malice entra. Estende-me um envelope de carta e se senta no sofá vermelho.
– Apesar de ter matado meu melhor soldado, sua conduta foi excepcional, então aí está seu prêmio, uma carta escrita por seu pai. E você poderá respondê-lo.
Fito o envelope, vendo a assinatura dele. Um sorriso se abre em meu rosto sem que eu permita, faz tanto tempo que não tenho notícias! E poderei dizer que estou bem, na medida do possível.
– Obrigada – murmuro, sem saber se devo mesmo agradecer.
A mulher assente.
– E já temos um novo mestre para você. – Fito seus olhos. – Eu.
Pisco os olhos e fecho a boca, que se abriu em surpresa. Espero ela rir e dizer que é alguma piada, não que ela tenha senso de humor. Penso por um tempo, assimilando a informação.
– Minha nova mestre, você – digo atabalhoadamente.
– Sim, começamos amanhã. E seu parceiro pediu para treinar sozinho de agora em diante, além de mudar de dormitório. Ele já está se instalando e virá buscar os uniformes. Ainda assim, a primeira missão é em dupla e vocês a farão juntos, pois já chegaram até aqui juntos.
Assinto, sentindo a garganta fechar. Então Leo realmente achou errado. Sinto meu humor decair e resmungo alguma coisa qualquer, não era ele quem estava dizendo que iríamos ser os melhores assassinos?
Os dias passam rápidos, pois Malice é ainda mais rígida que Idioot, mal permitindo que eu pare para comer e descansar. Sinto meu corpo ficar mais forte e ágil.
O Dia chega e todos somos levados até o último andar do prédio, no qual nunca fomos.
Constituído por apenas uma sala, o andar é para grandes simulações. Há mais duas portas além da que entramos e o comando é feito pelo andar de baixo.
Estamos todos armados e vestidos com uma roupa resistente de fácil movimento. Leo está quieto ao meu lado, não fala comigo desde o dia que trocou de dormitório. Dou um leve aperto em sua mão.
Ele se vira para mim e vejo em seus olhos não raiva, mas medo. Assinto, tentando fazer um movimento encorajador, e entrelaço minha mão na sua. O garoto abre um pequeno sorriso triste, aproximando-se de mim.
Nós quatro somos deixados sozinhos e a simulação começa. Estamos em túneis subterrâneos, uma espécie de labirinto. Ouvimos passos ecoarem quando os Venam entram na sala pelas outras portas. Serão dois para cada um de nós.
Avançamos, virando aleatoriamente e tentando encontrar nossos alvos. Como não os achamos, algo surge em minha mente.
– A missão é específica para as duplas. Talvez tenhamos que nos separar – digo.
Os outros assentem com certo receio. Leo e eu vamos para a direita, Gabriel e Paul para a esquerda.
Não demora e dois Venam surgem à nossa frente. Eles também estão vestidos com roupas especiais e carregam armas. Temos certa dificuldade em desviar dentro do pequeno espaço, mas consigo derrubá-los com a ajuda de Leo e o serviço é feito.
Os outros dois demoram mais a aparecer. Os encontramos em uma encruzilhada particularmente mal iluminada. Eles nos atacam separadamente e em certo momento não sinto mais a presença de Leo ao meu lado.
Não consigo parar para procura-lo, pois o Venam investe insistentemente com uma faca, conseguindo cortar meu braço. Trinco os dentes. Ele derruba minha arma e a joga para longe, em seguida prendendo meus braços e impedindo que pegue algum instrumento do cinto.
Mas ao invés de me matar, ele me segura e gira meu corpo de frente para o túnel lateral. Me debato, mas seus braços são fortes e ele me derruba, fazendo-me ficar de joelhos. Da escuridão surge seu companheiro, puxando Leo pelos cabelos.
Tento me soltar mais uma vez, sentindo uma joelhada nas costas que faz uma dor percorrer minha espinha.
Quando o homem vira Leo para mim, vejo que está acordado, mas sangrando muito. Foi espancado. Sinto o ódio crescer em minha mente e meus desejos irracionais começando a me dominar.
– Espero que se divirta – o homem diz numa voz fria.
Corro os olhos por ele, vendo-o de verdade. Tem os cabelos negros curtos e a pele negra. Os lábios são grossos e os olhos também negros. Ele leva uma faca manchada de sangue na mão que está livre.
Leva a faca até o peito de Leo e começa a cortar a pele, fazendo com que o garoto trinque os dentes. Conheço muito bem o garoto, ele não vai ceder e gritar. Sinto as lágrimas escorrerem, enquanto tenho cada vez mais consciência do aperto que me mantém presa.
O Venam para por um instante, parecendo pensar. Então joga Leo no chão e o prende, puxando a mão do garoto para si. Puxa um facão aparentemente afiado do cinto e abre um sorriso de dentes brancos para mim. Depois, num golpe rápido, decepa a mão de meu parceiro, que grita de agonia.
Tento me lançar para frente, sentindo uma faca deslizar por cima do corte já aberto em meu braço.
– Leo... – balbucio.
O homem pega os cabelos dele, levantando-o novamente. Os olhos castanhos reviram e ele parece prestes a perder a consciência. Preciso pensar, preciso pensar logo.
O alvo atrás de mim tem a mão esquerda ao redor de meus pulsos e a mão direita perto de meu ombro, pois ainda mantém a faca em meu corte. Meu braço direito está dormente, o que não ajuda muito, mas o esquerdo está perfeito.
Pelo que entendi, este não é o melhor lutador entre os dois, já que Leo está bem pior que eu. Vejo o homem à minha frente deslizar a faca pelo pescoço do mais novo – que agora tem os olhos fechados –, uma linha de sangue surgindo e começando a escorrer.
Viro o rosto de lado, abocanhando a mão direita do Venam com toda a força possível. Ele solta a faca e a pressão em minhas mãos cede ligeiramente, mas o suficiente para que eu puxe a mão esquerda para frente. Sinto gosto de sangue na boca, mas ignoro, virando-me e disferindo um soco contra o rosto do homem. Pego a faca que está caída no chão e acerto sua perna – a primeira coisa que vem à minha frente. Depois levanto e caio em cima dele, com a faca apontando para seu coração.
Sinto dor no peito por ter caído no cabo da faca, mas não importa, preciso ajudar Leo. Viro-me, vendo o homem ainda segurando meu parceiro. Ele balança a cabeça como se reprovasse meu movimento de aproximação. Em um movimento rápido, crava a faca no pescoço de meu parceiro e levanta, em seguida fugindo pelo túnel.
Caio ajoelhada ao lado de Leo, ignorando o moreno que corre para longe. Não sei se devo retirar a faca, não sei se já está morto.
– Leo – chamo. – Leo, responde, por favor.
Começo a soluçar, sacudindo o corpo inerte do garoto. Sei que está morto, mas não posso deixa-lo aqui. Não posso imaginar que não verei mais seu sorriso animado, sua voz ou seus olhos brilhantes.
Agarro-me ao seu corpo, ignorando todo o sangue que sinto. Meus sentimentos se misturam entre raiva e dor. Quero ir atrás do Venam, mas não posso deixar Leo, não posso.
– Vai ficar tudo bem – digo debilmente. – Agora você não sente mais dor, não é mesmo? Agora está livre. Está ouvindo? Livre, Leo.
Olho para sua expressão, mas mesmo agora ela ainda está marcada pela dor. Mal noto a simulação se dissolvendo à nossa volta e Gabriel e Paul se aproximando rapidamente.
Eles se agacham e tentam me puxar, mas não vou deixar Leo, não vou.
– Venha, Sofia – Paul diz em meu ouvido.
– Não, não posso. Leo está aqui.
Paul me tira à força e sinto meu corpo todo amolecer, fazendo com que ele tenha que me carregar. A imagem do corpo de meu parceiro não some em momento nenhum da minha mente.
Minha visão captura uma movimentação e vejo Malice aproximando-se do Venam moreno. Me debato, querendo ir até ele e perguntar como pôde ser tão cruel, mas me surpreendo.
A mulher olha com desprezo para ele, mas não faz nada além de conversar. Como ele sai sozinho pela porta pela qual entrou, imagino que o libertaram. Mas por quê? Não faz sentido que um Venam, assassinos procurados pelo governo, seja liberto por conseguir sair vivo como se tivesse passado em um teste ou ganhado uma aposta.
Trinco os dentes.
– Em que está pensando? – Paul pergunta baixinho, me observando quando saímos da sala.
– Estou pensando em vingança.
Notas finais
Mas a morte dele já era prevista há algum tempo T-T
O que acharam? Esperando as opiniões :)
Beijinhoss
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