Notas iniciais
Outro capítulo pra vocês =)
Esse ainda não tem ação, foquei mais em mostrar quem são os outros personagens importantes...
No próximo capítulo as coisas mais interessantes irão começar hehehehe

Corro os olhos pelo local, procurando qualquer indício de que existam câmeras me filmando, que alguém apareça falando que estou na televisão, ou que meu pai diga que é tudo uma brincadeira de aniversário. Porque isso só pode ser uma brincadeira.

– Hm, ok. Onde é a surpresa? – Suspiro. – Meu pai está cansado de saber que odeio surpresas, sempre me fazem ser o ponto central da festa.

– A única surpresa que poderia ocorrer, seria se alguém entrasse aqui para tentar te matar antes que você comece o treinamento. Levante-se e venha comigo.

Percebo que ele está falando sério e não quero discutir com um cara grandalhão como aquele. Agora noto que estou em um quarto constituído basicamente de uma cama e uma porta. Estremeço só de pensar o quanto aquele piso deve estar frio, já que não tem carpete como nos lugares comuns daqui. E falando em frio, onde está o aquecedor? Passo os braços ao redor do corpo, pensando que as pessoas ali talvez queiram que eu me sinta desconfortável.

– Ér... Vocês não sentem frio?

– Nossas roupas são térmicas – ele diz virando os olhos rapidamente em minha direção. – Soldado 75418, Gary Idioot. Abrir.

– Passagem permitida – a porta responde, me deixando de queixo caído.

O corredor tem quatro portas idênticas à da sala em que eu estava e imagino se os outros alunos que foram escolhidos estão atrás delas. Também chocados, ouvindo um soldado dizer que se tornarão assassinos.

– Meu pai sabe que estou aqui?

– Ele foi avisado que está sob a custódia do governo.

– Estou? Achei que vocês fossem de alguma seita legal e sinistra – digo levantando a mão e fazendo o sinal do rock and roll.

O soldado levanta as sobrancelhas e só. Permanece em silêncio por todo o caminho. Corredores e mais corredores. Mais soldados vestidos com aquela roupa preta coladinha – e térmica.

Até chegarmos a uma sala de paredes salmão, carpete vermelho, aquecedor, seis cadeiras, uma mesa e uma mulher.

A mulher parece ter mais ou menos quarenta anos, mas não tenho certeza. Ela tem algumas rugas no rosto, olhos azuis como os meus, mas incrivelmente claros (quase cinzas), cabelos brancos presos em um coque por baixo da boina preta e mantém uma postura perfeita. Percebo que ela é a comandante e que provavelmente não devemos contrariar sua vontade, em hipótese alguma.

Depois de algum tempo, os outros quatro adolescentes chegam. Não estou muito interessada neles, quero saber o que diabos estamos fazendo aqui.

– Olhe, dona, acho que houve algum engano. Eu não deveria estar aqui. – Dou um sorriso sem graça.

Os olhos frios viram-se na minha direção e ela dá um sorriso desprovido de emoção.

– Não houve engano, menina tola. Você foi selecionada para fazer um serviço de grande honra. Trabalhará para o bem da humanidade! – diz em uma voz rouca e grave.

Então ela aperta um botão sobre a mesa que eu não havia notado e a parede a nossa frente pisca algumas vezes, até mostrar várias fotos em miniatura.

– Meu nome é Malice Tough. – Osso duro mesmo essa daí. – Há algum tempo, fomos obrigados a criar um sistema para proteção da população. Essas pessoas... – ela diz apontando para a tela-parede. – São assassinas, a quem chamamos de Venam. Portadores de alta tecnologia, eles formam um grupo terrorista espalhado pelo mundo, capaz de cometer as piores atrocidades.

“Esse sistema, uma aliança entre muitos países que foram atacados, reunia os nossos melhores soldados. Com o tempo, descobrimos que havíamos cometido um grande erro. Ignoramos a capacidade dos Venam, e estes adquiriram todas as informações dos soldados designados à sua perseguição para suborna-los, se estes tivessem família, e mata-los assim que encontrassem alguma chance.”

“Tendo perdido grande parte de nosso contingente, tomamos uma importante decisão: de tempos em tempos, escolhemos escolas aleatórias das quais retiramos nossos soldados. Durante um trimestre, eles serão testados na área de lógica, estratégia e luta. – Bem, isso explica muita coisa não é? – Aqueles que se destacarem serão trazidos para cá, onde começarão o treinamento de verdade e serão designados a vinte Venam.”

“Vocês cinco terão o privilégio de conhecer e manusear equipamento de alta tecnologia que poucas pessoas no mundo sabem que existe, terão treinamento militar, saberão usar e reconhecer armamento e, principalmente, saberão não sentir.”

“Aqueles que não forem capazes de completar suas missões, serão mortos, seja por um Venam, seja por nós. Qualquer um de vocês sabe demais e somente ao terminar o que lhes foi designado será capaz de compreender a complexidade do que acontece e só assim confiaremos em liberá-los para suas antigas vidas.”

Ninguém diz nada. Ouço a respiração pesada dos outros sentados ao meu lado. Essa mulher é louca. Todos que estão concordando com isso são loucos.

– Por que exatamente vocês tomaram essa decisão? – pergunto.

– Senhora... – Levanto uma sobrancelha. – É assim que se fala com um superior.

– Por que exatamente vocês tomaram essa decisão, senhora? – pergunto novamente, resistindo ao impulso de revirar os olhos.

– Muitos achavam que esse plano falharia na primeira tentativa, mas nossos primeiros soldados mostraram justamente o contrário. Você vê? Todos os escolhidos não passam de rostos desconhecidos. Os Venam nunca sabem quais escolas serão selecionadas, visto que nem todas possuem aqueles com perfil adequado.

– E porque somos mais descartáveis do que verdadeiros soldados – sussurro.

Malice vira os olhos para mim. Não concorda, mas também não discorda. Estou gelada por dentro, nem o aquecedor é capaz de acabar com essa sensação. Ou matamos, ou morremos. É simples assim.

Somos levados até um grande salão: o refeitório. Ali é insuportavelmente quente. Aparentemente, eles deixam a cozinha aberta ao local de alimentação, fazendo com que a fumaça e temperatura dos grandes fogões inundem o lugar.

Pego a comida, que tem uma cara até boa, e sento em uma das cadeiras de metal junto com os outros quatro.

– E então, o que acham disso tudo? – pergunto.

– Parece interessante. É como RPG, matar, completar missões... – Ele dá de ombros.

Observo melhor o garoto. Ele é incrivelmente estranho. Possui um porte atlético que faria aqueles caras que se matam em academias sentirem inveja. Mas seu rosto é cheio de espinhas, com traços finos e angulosos, cabelos penteados estilo “mauricinho” para o lado direito, olhos de um tom de castanho apagado e que levam óculos fundo-de-garrafa. Ele parece a cabeça de um nerd em um corpo de lutador.

A menina ao meu lado tem os cabelos loiros ondulados com uma franja, os olhos de um tom verde intenso e o rosto arredondado. Nunca a via muito na escola já que ela era de outra turma.

É nesse momento que o vejo. Deveria ter reparado as pessoas que estavam comigo antes. Paul está com os cabelos negros bagunçados como sempre, os olhos castanhos escuros observadores como sempre, o corpo tenso e travado como nunca.

Eu sempre tive uma queda por esse cara.

– Sofia, certo? – ele pergunta notando que o observo. – Já vi você lá na escola. Prazer, Paul.

Assinto e permaneço em silêncio. O garoto já está pensando que sou uma maníaca engolindo ele com os olhos, não preciso dizer nada para piorar minha situação.

– Não acho que aqui seja o local mais adequado para sua pergunta.

Sigo seu olhar e entendo o que ele diz. Acima de nós não há um teto, mas um material cinza, cheio de furos e com fios de energia para todos os lados. Aquilo parece funcionar como um microfone gigante, absorvendo cada palavra que ousamos dizer. Engulo em seco.

Decido que é melhor continuar minha especulação. Viro os olhos para o último garoto.

– Leo! – solto.

Ele dá um sorriso distorcido e assente.

– Ei, Sofia.

Leo tem cabelos castanhos claros, uma pele que consegue ser mais pálida que a de todos nós (que nunca tomamos sol de verdade) juntos, os olhos castanhos sonhadores e um sorriso maroto. É aliviante tê-lo aqui. Leo sempre sabe deixar o clima das coisas melhor, sempre com boas piadas.

Espero que ele diga algo realmente brilhante, mas aparentemente não sou a única abalada com a situação.

Notas finais
Gostaram? O que acharam dos outros selecionados para matar? Esperando opiniões :))))