Velvet Touch
16 Sexual Revenge
Notas iniciais
Clara caminhou com Ivan até o táxi em que Cadu estava e torcendo para que o ex-marido não resolvesse dar qualquer tipo de showzinho na frente do filho. Assim que se aproximaram do carro, a porta amarela se abriu e o chef desceu dele, com os olhos injetados de raiva. Ele cumprimentou o filho com um abraço e um beijo no rosto, pedindo para que aguardasse dentro do carro e Clara respirou fundo, imaginando qual era o tema do assunto que Cadu queria discutir com ela.
_Clara, o que é que o meu filho estava fazendo aqui? – perguntou tentando soar calmo, porém, sem muito sucesso.
_Bom, ele passou mal na escola e então ficou o dia comigo. Se você ainda lembra, eu trabalho aqui. Logo, estava aqui. Qual a crise? – respondeu indiferente, deixando o chef mais revoltado do que já estava.
_Não me faça de idiota Clara, ele não estava aqui com você por que você trabalha aqui! E se passou mal, porque é que a escola não me avisou?
_Vai ver porque eu informei à diretora sobre o processo de separação, e pedi para que tirasse o seu telefone temporariamente dos contatos de emergência do meu filho, e passei o da Helena no lugar. É uma possibilidade! – disse irônica.
_Como assim você tirou o meu número de lá? Essa filha da puta agora vai virar pai do meu filho também? Que porra é essa Clara? – seu tom de voz havia aumentado, e mesmo sem entender direito, Ivan já conseguia ouvir a discussão de dentro do carro e olhava em direção aos pais com olhos curiosos e tristes.
_Você tem certeza que quer mesmo discutir isso na frente do Ivan? – ela indicou com o olhar que o filho os observava, mas Cadu estava possesso, e não parou por ali.
_Escuta aqui Clara, ela não é pai do meu filho! Se você quer ficar de putaria com essa aí, problema é seu. Mas se você vai querer me substituir na vida do meu filho por ela, aí o problema passa a ser meu também!
_Nossa! Carlos Eduardo, a sua infantilidade realmente supera qualquer expectativa mesmo. Ninguém ganha espaço no coração e na vida de outra pessoa a força! Foi assim comigo, e está sendo assim com o Ivan. Ele gosta da Marina, mas ela é a Marina e não o pai dele. Ela não quer esse posto, e ele não a colocaria desta forma em sua vida. Cresce criatura! – respondeu totalmente impaciente.
_Quem disse que ele gosta da Marina? Ele sabe já qual a sua real relação com ela? Ele sabe que é por culpa dessa vagabunda que você separou a família dele? Aposto que isso você não contou para o moleque né?!
_ELE DISSE!!! – gritou – E não, eu realmente não contei ainda, mas ele não é bobo e percebe muito bem o quanto essa mulher me faz feliz, diferentemente de você! E outra... Eu não vou ficar aqui ouvindo você xingar a Marina numa boa não, tá me ouvindo?! Não me faça perder a compostura na frente do meu filho e saia logo daqui, antes que eu tire o Ivan desse carro.
_Ah, agora não pode falar mais nada da Santa Marina! Cadê ela? Tá com medo de mim, aquela vaca? – debochou.
_Chega Carlos Eduardo, CHEGA! Vou pegar o meu filho – disse Clara dando a volta no carro para abrir a porta do lado do seu filho.
_Não Clara! Deixa o Ivan aí. Eu vou embora. Tô indo! – falou abrindo a porta do carro.
Clara respirou fundo, olhou para Ivan, ele sustentava uma expressão que lhe dizia que estava tudo bem e abriu um sorrisinho, tentando mostrar para a mãe que ela podia se acalmar. A dona de casa voltou para onde estava, colocou o dedo na cara de Cadu e deu um ultimato.
_É o seguinte, se eu pensar, imaginar, perceber, ou sonhar que você está tentando envenenar o meu filho contra mim, contra a Marina ou contra o meu relacionamento com ela, você não vai gostar nada de conhecer o meu outro lado. Tá ouvindo? Eu tô cansada de você e toda a sua criancice. Quem vai contar para o meu filho sobre o que está acontecendo entre eu e a Marina, sou eu e não você!
_Você está me ameaçando Clara? O que isso quer dizer afinal?
_Quer dizer que quem tem segredinhos criminosos aqui pro Ivan descobrir é você, meu querido. Quem tem restrição judicial por agressão à outra pessoa aqui, também é você. E não tem Marina nesse mundo que me convença novamente a te deixar ver o meu filho se eu perceber que você está tentando fazer a cabeça dele contra mim. Você está me entendendo Carlos Eduardo? – Clara pronunciava as palavras num sussurro tão ameaçador que restou a Cadu apenas engolir em seco e balançar a cabeça para cima e para baixo, respondendo a sua última pergunta.
_Bom que estamos conversados! – colocou a cabeça dentro do carro – Filho tenha um bom fim de semana com seu o pai, tá?! Se ficar ruinzinho de novo ou qualquer outra coisa você liga para a mamãe, tá?! Vou estar com o celular disponível 100% do tempo pra você.
_Tá bom mãe, pode deixar que eu ligo pra você não morrer de saudades de mim – respondeu rindo.
Clara despediu-se de Ivan dando-lhe um beijo estalado na testa, deu passagem para Cadu sentar-se ao lado do garoto, fechou a porta e observou o carro se afastar. Assim que perdeu o ponto amarelo de vista virou-se e voltou para dentro, ainda possessa de raiva por ter que aturar toda aquela infantilidade de Cadu.
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Diferente do clima que reinava do lado de fora dos portões, a noite caia serena e tranquila do lado de dentro da casa em Santa Teresa, pelo menos para Vanessa e Victória. Mesmo sem se rotularem de coisa nenhuma, as duas definitivamente haviam começado um relacionamento. Viviam juntas, e se não estavam no hotel em Copacabana estavam no quarto da assistente de fotografia. Inicialmente, aproximaram-se muito mais pela dor de um amor perdido, do que por qualquer outra coisa, mas, no meio desse caminho havia nascido uma admiração e um carinho grande de uma pela outra. Ambas se divertiam muito juntas, e tanto a loira quanto a ruiva estavam se permitindo curtir esse momento. Vanessa sentia como se estivesse vivendo os antigos tempos ao lado de Marina, onde farreavam em no mínimo cinco, das sete noites que existem na semana.
Victória era uma ótima companhia. Divertida, extrovertida e com ótimo gosto tanto para música quanto para filmes, ela entretinha a ruiva por horas e horas sem fazer muito esforço. Era fogosa assim como Vanessa, e o encaixe delas na cama era cada dia mais perfeito! Estavam agora jogadas no sofá da sala, debaixo das cobertas e as mãos de Vic pareciam não querer passear por outro caminho que não fosse o das coxas brancas e pálidas da ruiva. Assistiam, ou tentavam assistir um filme de terror qualquer na TV, e Vanessa adorava o joguinho de sedução que a loira lhe propunha e sabia jogar como ninguém.
Victória adorava coisas e momentos inusitados. Tinha a mente livre, aberta, e topava praticamente tudo quando o assunto em pauta era o que acontecia ou poderia acontecer entre quatro paredes. Apesar de ser uma pessoa mais quieta e menos atirada, tinha uma segurança que poucas mulheres têm a sorte de herdar, e utilizava-se desse trunfo quando o assunto era sedução e sexo. Puxou Vanessa para o seu colo no sofá, tomando os lábios vermelhos da ruiva com sede, apertou seu quadril com força, prendendo-a ali, e arrancando-lhe um gemido abafado.
_Tá gostando do filme Van? – perguntou num sussurro, passando a língua por seu pescoço.
_Uhum... Adorando – respondeu maliciosamente, olhando nos olhos azuis da outra – Já vi que você não vai me deixar dormir hoje de novo né? – disse a ruiva sorrindo.
_Que isso Van?! Deixo você fazer o que você quiser – respondeu passando a ponta da língua pelo lábio inferior de Vanessa, mordiscando-o de leve – Se quiser dormir – passava a ponta das unhas nas costas da outra – Eu deixo!
_Você tem essa carinha de anjinho, mas não presta Victória! – falou com os lábios colados aos dela – Conta pra mim... SE, eu não quiser dormir, o que você propõe que façamos hoje? – abraçou o pescoço da loira.
_Sabe que a gente recebeu uma proposta bem indiscreta pra hoje? – contou Vic, cheia de más intenções.
_Proposta indiscreta é? Que tipo de proposta? – perguntou Vanessa, já ofegante enquanto mordia o pescoço da loira.
Victória subiu suas mãos apertando as coxas brancas da outra, e deixando um rastro de vermelhidão com a marca de seus dedos por ali. Aproveitou-se do fato de Vanessa estar usando um shorts de malha largo, e seguiu com as mãos por dentro da peça até alcançar suas nádegas, apertando-as com força, fazendo a ruiva arfar, jogando o corpo para frente em seu colo, colando seus pescoços um no outro e gemendo mais alto em seu ouvido.
_Melissa... Convidou a gente pra conhecer o quarto dela mais tarde... Nós três... – disse num tom de voz sacana, demonstrando total interesse na proposta feita pela italiana a ela e sua parceira.
_Jura? – perguntou Vanessa um pouco sem forças, sentindo os dedos da outra passeando pela sua virilha, molhando-a ainda mais e provocando um pulsar intenso e latejante em seu sexo – E o que você acha desse convite?
A ruiva não podia negar que sempre fantasiara em participar de um ménage, uma vez, tempos atrás, quando ainda namorava com a Marina, as duas tentaram realizar essa fantasia, mas foi um desastre completo devido o ciúme possessivo que Vanessa sentia da fotógrafa. Já dessa vez as coisas eram diferentes. Ela e Victória estavam se gostando, se pegando, se curtindo, mas não se amando, e não tinha como não pensar no fato de que estar na cama com Victória e Melissa seria como estar no paraíso.
_Sinceramente? – perguntou Vic, deixando dois dedos escorregarem para dentro da calcinha da ruiva, brincando com a ponta deles por toda a extensão de seu sexo, até começar a massagear seu clitóris, já inchado – Achei uma proposta bem interessante! E você?
Vanessa se arrepiou inteira e gemeu baixo. Aquilo era uma loucura total e completa. Mas, a ruiva simplesmente não tinha como dizer não. Ainda mais agora, que já não sentia o ar chegar aos seus pulmões ao ser penetrada lenta e vagarosamente pelos dedos finos e experientes de Vic, que a olhava com toda a gota existente de malícia e desejo nesse mundo.
_Você é maluca! Mas... – interrompeu-se tentando retomar o fôlego – Tenho que concordar que é mesmo uma proposta interessante – agarrou-se a nuca da loira, puxando os seus cabelos loiros, e beijando sua boca.
As línguas de ambas se saboreavam com a mesma intensidade, e Victória sentia seus dedos molharem cada vez mais enquanto entravam e saiam de Vanessa, que agora rebolava freneticamente em seu colo. A ruiva gemia cada vez mais alto e mais forte, enquanto sentia a boca da loira passear por seu corpo, descendo lentamente pelo seu pescoço, seus ombros, por entre seus seios, escorregando um pouco os lábios até morder sei seio direito, ainda por cima da blusa, fazendo-a perder o resto de ar que tinha.
Vanessa apertava os braços da outra, cravava as unhas pelas costas, quadril, coxas. Pousou as mãos por sobre seus seios, apalpando-os devagar e sentindo as estocadas dos dedos de Vic irem cada vez mais fundo e mais rápido para dentro dela, enlouquecendo-a. A loira deitou-a no sofá, tirando-lhe o short e a calcinha de uma vez só e acomodando seu corpo por entre as pernas de Vanessa. Desceu os beijos até o abdômen da ruiva, subindo sua camiseta com os dentes, e circulando seu umbigo com a pontinha do nariz. A esta altura do campeonato, as duas já haviam esquecido completamente de que estavam na sala da casa, até ouvirem um barulho de passos descendo as escadas. Pararam de imediato o que estavam fazendo e Vanessa puxou a coberta para cima delas novamente, mas era tarde demais para que não fossem flagradas naquela situação.
_Ah, não liguem pra mim não – disse Marina arregalando os olhos para a cena que interrompera e rindo enquanto via as duas se ajeitarem no sofá – eu só vim buscar um vinho na geladeira. Podem continuar a pornografia de vocês. Suas safadas! – brincou – Ah, só pra saberem, a Clara deve estar entrando aí viu. Então, se não quiserem mais espectadores, o quarto é mais aconselhável pra essas safadezas! – a fotógrafa agora gargalhava com a cara de culpada das duas.
_Como você é né Marina?! Besta! – disse a ruiva, tímida, enquanto a loira ria em seu ouvido.
_Eeeeeu? – continuava rindo – Comigo não morreu! – disse rumando escada acima.
_E você fica rindo né?! Pilantra! Ela é minha chefe, sabia? – deu um tapa de leve no ombro da loira, fazendo cara de brava.
_Já fez coisa bem pior com a sua chefe que todo mundo sabe! – disse tomando os lábios da outra e colocando-se em pé a sua frente – E então, vamos? – estendeu-lhe a mão, sustentando o melhor e mais sedutor olhar que conseguiu fazer, e Vanessa, entendendo perfeitamente para onde iriam a partir dali, entregou-lhe sua mão, animada e de bom grado.
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Toda a tensão entre Cadu e Clara acabava de certa forma esbarrando em Ivan, que como a mãe dissera, não era bobo nem nada, e por mais que não tivesse certeza de muita coisa, fazia uma boa ideia de tudo o que estava acontecendo entre eles e Marina. Depois de presenciar a discussão que os dois tiveram naquela tarde, decidiu que falaria com seu pai a respeito. Afinal, ele gostava mesmo de Marina, e por mais que ninguém ainda tivesse lhe explicado muita coisa, sabia que sua mãe tinha passado a sorrir muito mais depois que começou a frequentar mais a casa da fotógrafa. Ele mesmo não tinha como negar que se divertia demais quando estava com ela, e tinha falado muito sério naquela tarde, quando lhe disse que estava quase deixando que ela namorasse sua mãe.
Ivan estava meio sem jeito para começar aquela conversa, mas sabia que precisava ter um papo de “homem para homem” com seu pai. Não tinha conseguido entender tudo o que os pais haviam discutido mais cedo, mas no fundo ele sabia o essencial. Essa coisa toda da proximidade e o relacionamento da sua mãe com a Marina incomodava e irritava muito o seu pai, que sem dúvida nenhuma, não gostava nenhum pouco daquela situação e muito menos da própria Marina. Tomou coragem e resolveu aproveitar a hora do jantar para tocar no assunto.
_Pai... Eu queria falar com você sobre uma coisa aí. Pode ser? – perguntou o menino, com a inocência que só mesmo uma criança poderia ter.
_Claro filho, você pode conversar comigo sobre o que você quiser. Está tudo bem? Problemas na escola?
_Então, não está lá muito bem não, mas não tem nada a ver com a escola. Tem a ver com você e a mamãe – Cadu gelou – Eu queria entender o porquê você não gosta da Marina, e porque sempre que escuto você falar dela a chama de algum nome feio – falou de uma vez, fazendo Cadu se engasgar com a comida e quase morrer engasgado por alguns segundos.
_Co...Como assim filho?
_Ué, isso eu que quero saber! Toda vez que você briga com a mamãe, você coloca o nome da Marina no meio, e sempre falando mal dela. O que ela fez pra você?
_Olha filho, eu prefiro que a sua mãe converse com você em relação a isso. Pode ser? – esquivou-se lembrando da ameaça que Clara lhe fizera mais cedo.
_Tudo bem pai, eu vou falar com ela também. Mas, eu queria te falar outra coisa – respirou fundo – Eu vi você perguntando pra mamãe quem que tinha dito que eu gostava da Marina, e eu queria te dizer que eu gosto dela sim. Ela sempre foi legal comigo, e pai... Você mesmo que me ensinou que eu não devo mentir, então, você tem que saber que ela faz a mamãe sorrir o tempo inteiro! Eu me divirto muito quando estou na casa dela e ela cuida super bem de mim.
_Você vai muito na casa dela? Como assim ela cuida de você? Sua mãe deixa você sozinho com ela? – perguntou ignorando tudo o que o menino tinha dito e irritando-se de imediato.
_Não pai. Nada disso! Não viaja na maionese. Eu só fui lá umas três, quatro vezes... E a mamãe não me deixa sozinho não. Mas tô dizendo que ela cuida de mim! Ela me buscou na escola hoje, me levou lá pra casa dela com a mamãe, nós ficamos o dia inteiro assinto filme e comendo pipoca. Fez até um chazinho que salvou o meu estômago, porque olha, ele tava zuado hoje! – contou o menino, com olhos sinceros e inocentes, tentando de verdade entender qual o problema que seu pai tinha com Marina.
_Eu não quero que você fique perto dessa mulher filho. Eu não quero! Ela não é uma boa influência pra você. Ela não é seu pai – o homem dizia em um tom baixo, tentando manter a calma e assimilar tudo o que o menino lhe dizia.
Ivan levantou-se e caminhou para o lado do pai, abraçando o seu pescoço e jogando-se em seu colo.
_Pai, eu te amo! E você nunca vai deixar de ser o meu pai. Mas, eu gosto da Marina e não vou ficar sem vê-la só porque você implica com ela e com a mamãe. Você tinha que parar com isso e aceitar que ela faz bem pra mamãe cara. Promete que vai pelo menos tentar vai pai... Por favor?! Eu não aguento mais vocês dois brigando toda hora.
Cadu abraçou o filho e começou a chorar copiosamente. Definitivamente não sabia como agir e muito menos o que deveria falar para o seu filho, e na ausência de palavras, resolveu ficar calado. Tentando absorver tudo o que Ivan tinha lhe dito nos últimos minutos, e pensando no que faria para lidar com isso.
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Clara voltou para casa e foi em busca de Marina pelos cômodos, não a encontrou em lugar nenhum e partiu para o quarto. Entrou já chamando pela chefe e começando a reclamar do ex-marido.
_Amor cadê você?! Aff, que raiva que tô do Cadu, ele é muito idio... – interrompeu-se assim que viu o clima do quarto. As luzes estavam todas apagadas, e a única iluminação do ambiente vinha de algumas velas acesas por ali. Procurou a figura da amada e a viu sair do banheiro vestindo um robe de cetim. Marina caminhou lentamente até onde Clara estava parada no quarto, mas passou direto por seu corpo e foi até a porta, trancando-a. Voltou na mesma velocidade que fora, com passos lentos e calmos, parando bem a sua frente. Subiu uma das mãos até o laço da faixa que prendia o robe ao seu corpo, e puxou-o delicadamente, revelando usar apenas uma lingerie vermelha contrastando perfeitamente com a sua pele branca, e um scarpin de salto alto e fino da mesma cor nos pés.
Clara arregalou os olhos ao ver Marina daquele jeito, mediu-a de cima a baixo e respirou fundo. A fotógrafa aproximou seu corpo do dela, olhando fixamente em seus olhos, deslizou as mãos pelo próprio corpo, começando pelas coxas e subindo devagar, até encontrar seus ombros e empurrar o tecido fino do robe que ainda os cobria, permitindo que ele escorrega-se por suas costas e pousasse no chão, atrás de si. Encostou a pontinha do nariz no pescoço da outra, que estava totalmente estática e descompassada a sua frente, indo lentamente até seu ouvido, ainda sem toca-la.
_Ouvi você dizer que está com raiva... – sussurrou com a voz firme – Por quê? – mordeu o lóbulo da orelha de Clara.
_O Ca..du... Ele... – balbuciava a assistente, que já não conseguia mais se concentrar em formar frases inteiras, deixando seu olhar se perder por completo nos olhos castanhos que a encaravam, ambos lampejando com todo aquele amor e desejo que já lhes era familiar, tomados por aquela intensidade inquietante que era só delas.
_Sabe que... – ela ainda sussurrava, enquanto passava a ponta de sua língua onde antes tinha mordido a orelha da assistente – Eu conheço um método incrível de relaxamento para momentos como esse... – disse sentindo as mãos de Clara abraçarem seu quadril e escorregarem até suas costas.
Marina continuou olhando-a da mesma maneira, sem toca-la e desviando seus lábios dos de Clara no último segundo, quando ela tentava lhe beijar. A assistente tentou uma, duas, três, quatro vezes, até que sentiu os dedos de Marina encostarem na pele quente de sua barriga, lhe provocando um arrepio intenso que percorreu todo o seu corpo. A fotógrafa continuou subindo lentamente a camiseta que ela usava até tira-la por sua cabeça, e então concentrar seus dedos em desabotoar a calça que ainda estava ali. Depois de aberta, colocou uma mão de cada lado do quadril da assistente forçando a calça para baixo, permitindo que a mesma escorregasse pelo corpo bronzeado e quente parado a sua frente. Clara usava um conjunto branco e rendado, que assim como o de Marina, contrastava perfeitamente com sua pele bronzeada.
As mãos da fotógrafa passeavam agora pelas costas da outra, enquanto deliciava-se com o som da sua respiração fluindo ofegante e entrecortada próxima a seu ouvido. Seus dedos rapidamente encontraram o fecho do sutiã da dona de casa, soltando-o habilmente. Continuou a escalada com a ponta dos dedos pelo corpo da outra, indo até seus ombros e provocando a queda das alças de seu sutiã. Sem desviar o olhar dos olhos de Clara por um segundo que fosse, a fotógrafa abaixou-se a sua frente e com sua ajuda, terminou de tirar sua calça, deixando a outra apenas de calcinha e com aqueles sapatos altos que a chefe tanto amava.
Subiu passando suas unhas desde a canela até a cintura da assistente, ouvindo-a gemer baixo e sentindo-a segurar-se em seus cabelos. Ainda sem beija-la, jogou os braços da outra por sobre seus ombros fazendo-a abraçar seu pescoço, e guiou seu corpo até a cama. Deitou-a nos lençóis brancos ali e deixou que seu corpo caísse por sobre o dela, colocando seu joelho por entre as pernas da assistente e pressionando levemente o seu sexo, sentindo o tecido da calcinha de Clara quente e molhado. Ela gemeu, dessa vez um pouco mais rouco e mais alto – Ah Marina, me beija! Por favor... – Marina guiou seus lábios até os da assistente, porém, mais uma vez desviou-os no último segundo, ouvindo protestos involuntários saírem da boca de Clara.
A fotógrafa tateou a cama e enfiando a mão por debaixo de seu travesseiro pegou dois objetos, um preto e outro meio metálico, mas que a assistente não conseguiu identificar no primeiro momento. O sorriso, assim como toda a expressão facial de Marina modificou-se no mesmo instante, carregando-se com uma malícia e um olhar tão sacana que ainda eram novidade para a dona de casa. Clara olhou novamente para as mãos da outra e arfou ao perceber o que ela segurava. A fotógrafa empurrou o corpo da assistente, posicionando-a mais para o centro da cama, e passando a língua por toda a extensão de seu pescoço, procurou com os lábios pelo seu ouvido.
_Agora você vai ficar quietinha e comportar-se como a boa menina que é, enquanto eu vendo você, e isso aqui – balançou a algema que tinha em sua mão – por enquanto é só pra te lembrar que se eu quiser, ou se você não se comportar, eu posso te prender.
Clara ficou muda, estática. Não porque estivesse simplesmente obedecendo a sua amada, mas por não saber como agir ou reagir naquela situação. Seu peito subia e descia rapidamente, e ela ofegava como se tivesse acabado de correr duas maratonas inteiras enquanto via tudo a sua frente escurecer, graças à venda preta que Marina, sem que ela percebesse efetivamente, já havia lhe colocado.
_Marina... Não faz assim comigo! – falava com dificuldade, tentando controlar sua respiração.
_Você achou mesmo que sairia impune de tudo o que fez comigo ontem aqui nesse quarto? Jura? – sussurrava com os lábios perto dos dela – Te disse... Quem brinca com fogo, acaba se queimando, meu amor!
_Ah... Então quer dizer que eu estou sendo punida aqui. É isso?
_Não. Ainda não! – voltou a sussurrar em seu ouvido, agora com a voz tão carregada de tesão que Clara não conseguiu conter que um gemido mais alto lhe escapasse.
Sentiu o peso e a temperatura do corpo de Marina se afastar, e a tentação de tirar aquela venda era absurda, mas lembrou da ameaça que a outra lhe fizera minutos antes e decidiu conter-se. De repente, começou a ouvir as batidas iniciais de “Glory Box” do Portishead invadindo o ambiente, e alguns barulhos que pareciam com o de uma rolha sendo tirada de alguma garrafa, e o arrastar de algum objeto metálico perto de onde estava, provavelmente sendo depositado na mesinha ao lado da cama. Rapidamente sentiu o cheiro de Marina se aproximando novamente.
_Agora você vai ser boazinha, e vai me obedecer direitinho – sentiu o peso do corpo da fotógrafa voltando a deitar-se sobre o seu – As regras são simples – passou a língua por entre os lábios de Clara, sem beija-la – Você não pode tirar a venda sob nenhum pretexto – subiu com a pontinha do nariz pelo rosto da assistente e depositou um beijo delicado em cada uma de suas sobrancelhas – E... Só pode me tocar quando e se eu deixar – disse sentando no quadril da outra e guiando as mãos da assistente por seu abdômen, até tocarem os próprios seios – Entendeu direitinho? – perguntou ouvindo Clara gaguejar qualquer coisa em resposta. Tirou as mãos da outra de onde estavam e segurou-as acima de sua cabeça.
A voz de Beth Gibbons ainda soava quando Clara sentiu a língua de Marina deslizar por seu pescoço. Se na noite anterior ao gozar nos braços de sua amada, ela imaginara que nunca poderia sentir algo igual ou parecido na vida, agora chegava à conclusão de que estava ridiculamente errada. Marina ainda não tinha nem ao menos a beijado e ela sentia como se seu sexo pudesse explodir a qualquer momento. Respirava fundo, tentando buscar o ar que insistia em não vir, e sentiu seu corpo inteiro estremecer quando a fotógrafa abocanhou seu seio esquerdo. Ela não podia ver Marina e o fato de não conseguir prever ou imaginar o que ela faria em seguida, lhe causava arrepios em lugares que nem lembrava que existiam em seu corpo.
A língua dela passeava quente e úmida pelos mamilos de Clara. Revezava-se entre o direito e o esquerdo, alternando apertões, lambidas e chupadas leves e intensas. Num movimento rápido suas mãos tomaram o lugar de sua boca, e agora os lábios de sua amada aventuravam-se pelo seu abdômen, descendo perigosamente para seu umbigo. Marina deixou sua língua brincar por ali, circulando o umbigo da outra lentamente e escorregando-a sorrateiramente para costura de sua calcinha. Clara já não conseguia, tampouco queria controlar os gemidos que brotavam em seus lábios, e a cada vez que arfava entre um e outro, ouvia a fotógrafa gemer baixo junto com ela.
Marina deixou os seios da assistente livres por um segundo e desceu passando suas unhas pela lateral do corpo da outra, arranhando-a de leve, mas deixando vergões rosados por onde passava. Parou suas mãos no quadril de Clara, posicionando seus polegares um em cada tira de sua calcinha, e descendo a ponta do nariz por toda a extensão do seu sexo, aspirando e embriagando-se com o cheiro que vinha da assistente. Clara bateu com as mãos espalmadas na cama, segurando os lençóis por entre os dedos e Marina sorriu antes de descer as mãos e com a ajuda da boca deslizar o tecido de sua calcinha até tira-la por seus pés.
Clara era uma bomba de sensações que nunca imaginou sentir, e seu corpo antes receoso, agora pedia desesperadamente por mais de Marina. A fotógrafa tirou os sapatos da assistente, deixando-os cair no chão com um barulho abafado, e subiu beijando desde os seus pés até sua virilha, brincando com a língua por ali. Suas unhas, que agora deixavam marcas rosadas pelas coxas da outra, subiram guiando suas mãos de volta para os seios da assistente, que mais uma vez estremeceu ao sentir-se sendo apalpada por Marina.
A fotógrafa estava disposta a fazer com que Clara lhe implorasse para ser tocada mais intimamente por ela, e não pretendia medir esforços para alcançar seus objetivos. Invadiu rapidamente a intimidade da outra, passando com a pontinha da língua por seu clitóris, para cima e para baixo. Clara quase gritou, e agarrou-se aos lençóis com mais força ainda. Pensou em desistir de seus planos quando sentiu o gosto daquela mulher em sua boca pela primeira vez, mas, logo respirou fundo e mesmo sob os protestos de Clara, deu andamento a aquela sessão de tortura particular que havia preparado.
Marina guiou seus lábios pelo corpo bronzeado a sua frente, fazendo todo o caminho de volta até o pescoço da outra – Marina... Isso... É sacanagem! – gemeu Clara com dificuldade enquanto a fotógrafa deixava sua respiração pesar no ouvido da outra – Abre a boca! – ordenou Marina, assumindo um tom que conseguia ser autoritário e sensual ao mesmo tempo. A assistente ouviu o barulho de algum líquido sendo despejado e obedeceu. Sentiu os lábios da fotógrafa tocarem os seus e os abriu, dando passagem para sua língua. Contudo, ao invés de beijá-la, a chefe despejou o vinha que estava em sua própria boca para que a outra bebesse. Clara engoliu o líquido delicioso e gelado, tentando tomar os lábios de Marina com os seus na sequencia, mas ela desvencilhou-se deles e repetiu o gesto, dando-lhe um pouco mais de vinho tinto.
Clara estava literalmente desesperada! Não aguentava mais de vontade de beijar, tocar e sentir Marina e quando já estava prestes a ignorar as ameaças iniciais que a outra fizera, ouviu a música ao fundo mudar e como se de forma cronometrada, sentiu os dedos da fotógrafa lhe preencherem como na noite anterior no mesmo instante em que os primeiros acordes de “I Wanna Be Yours” do Arctic Monkeys soaram pelo quarto. A assistente agarrou as costas de Marina e gritou, cravando suas unhas na pele branca e a ouvindo gemer junto com ela – Eu não me lembro de ter deixado você me tocar, amor... – disse a chefe – Marina, não faz assim comigo, pelo amor de Deus! – o tom de Clara era realmente suplicante, mas a fotógrafa não estava ali para brincadeiras – Tsc, tsc, tsc, pode tirando a mãozinha daí, não me obrigue a te prender – a assistente suspirou alto, e vencida pela ameaça da outra, voltou a agarrar os lençóis ao seu lado.
Os dedos de Marina a penetravam lenta e vagarosamente, num vai e vem molhado e sem fim, brincando com sua língua mais uma vez pelos lábios de Clara, ora lambendo e delineando o superior, ora invertendo para o lábio inferior, e quando finalmente permitiu que a assistente lhe beijasse os lábios, sentiu seu corpo contrair-se fortemente ao redor de seus dedos, e intensificou não só a velocidade e a profundidade com que seus dedos exploravam a intimidade de Clara, mas também a pressão do beijo que trocavam, e não demorou para sentir seus dedos melarem mais ainda com o gozo que quente que vinha de dentro da assistente. Clara amoleceu em seus braços, mas a fotógrafa queria mais.
_Tá liberada pra fazer o que quiser amor, mas nada de tirar a venda ainda – a assistente até quis protestar, mas não tinha forças para fazê-lo e por pura falta de condições em desobedecer às ordens dadas pela namorada, obedeceu-a. Marina desceu passeando com a língua pelo corpo de Clara, parou em seus seios por alguns minutos, mas logo deixou que suas mãos cuidassem deles e disparou pelo abdômen bem definido da outra, indo de encontro ao seu sexo – Ah, Marina... – a assistente gemeu o nome da namorada ao entender quais eram suas próximas intenções. Apesar de todo o jogo de prazer e sedução que a fotógrafa armara, a verdade é que agora já não aguentava mais esperar, e sem fazer muitas cerimônias deixou sua língua quente invadir o sexo de Clara.
Mesmo com toda a pressa, Marina deslizava sua língua devagar, explorando toda a extensão do sexo de sua amada. O gosto de Clara era altamente delicioso e viciante e a fotógrafa tinha certeza que precisaria daquela mulher em sua vida para sempre. Ouvia os gemidos de Clara soarem cada vez mais altos pelo quarto, e a cada pedido dela para que não parasse ela intensificava um pouco mais os movimentos de vai e vem que sua língua realizada por ali. A assistente arqueava o corpo na cama, e balançava seu quadril de encontro à língua de Marina, pressionando-a contra seu próprio sexo. As mãos de Clara estavam trêmulas, mas mesmo assim uma agarrava-se ao lençol e outra nos cabelos da fotógrafa – Ah, você me deixa louca Marina... Eu vou gozar! – ao ouvir esse anuncio da amada, a chefe intensificou um pouco mais os movimentos que sua língua investia contra a intimidade da amada e voltou a penetrá-la, porém dessa vez de maneira forte e rápida.
Clara explodiu em um orgasmo intenso e demorado, soltando um grito que era a mais pura tradução do prazer. Marina sentiu seu próprio sexo pulsar, e gozou junto com a assistente, fazendo questão de lamber todo o líquido quente que escorria pelo sexo da outra, provocando espasmos mais intensos do que os que já sentia. Escalou seu corpo depositando beijos em cada centímetro de pele que encontrou por ali, e tirou a venda dos olhos de Clara.
_Oi gostosa! – sorriu, beijando a pontinha de seu nariz.
_Oi amor... – disse sem forças, sentindo seu corpo todo desfalecer abaixo de Marina, que a abraçou deitando-se ao seu lado e puxando sua cabeça para repousar em seu peito – Nossa Marina! Você acabou comigo... Meu Deus! Você acha bonito isso? – Marina riu.
_Gostou?
Clara apoiou-se nos cotovelos, levantando o rosto para poder encarar a fotógrafa.
_Amei Marina! Amei mesmo. Você me enlouquece demais!
Marina sorriu maliciosamente e beijou os lábios da assistente, que segurava em sua cintura com ares de menina aventureira, curiosa e desejosa.
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