Velvet Touch

31 Revelações


Notas iniciais
Oie galera, tudo bem?! Esse cap era pra ter saído no FDS, mas, tive uma agenda social movimentada essa semana, e ai acabou atrasando pra hoje. Cap dedicado as meninas fofas da Gang, em especial para a dona Thayane e a dona Jéssica, que me ameaçam de morte desde ontem para que o capítulo fosse publicado logo, kkkk ... Para as meninas do twitter, para todo mundo que comentou aqui nos últimos capítulos, e para o meu amorzinho, que sempre me ajuda com os paranauê de escrever, rsrs... Espero que curtam, e agora que to nessa vibe de escrever com trilhas sonoras, pra quem quiser saber, esse cap teve duas. Começou com Amor Marginal de novo, até porque a cena inicial pediu por isso, rsrs... E terminou com "Sonhador" da banda Scalene. Bom, enfim... Vamos ver se essas meninas se acertam agora, porque olha, não está sendo fácil! kkkk Boa leitura a todos.

Marina ficou sem reação. Tanta coisa passava por sua cabeça, pulsava em seu peito, e vibrava em seu corpo ao mesmo tempo, que era difícil processar tudo de uma só vez. Assim que Clara lhe tocou, a atmosfera entre elas mudara. E assim como havia acontecido mais cedo no restaurante, seus olhos não conseguiam deixar os da carioca livres nem por um breve momento que fosse.

Clara parecia não respirar. O silêncio entre elas, e a intensidade do olhar que trocavam, chegava a ser cortante. Da mesma forma que acontecia com a fotógrafa, Clara não conseguia definir exatamente o que se passava por sua mente naquele instante. Era coisa demais acontecendo, e a fim de tentar simplificar a situação para si mesma, tentou concentrar-se apenas no desejo latente de que Marina aceitasse seu convite, e entrasse.

Marina assistia suas barreiras caírem mais uma vez naquele dia. Todos os porquês que rondavam sua cabeça sem resposta, voltavam à tona com força, e por mais que tentasse ver qualquer traço de mau-caratismo, frieza, ou seja lá qual outro adjetivo ofensivo que tenha atribuído a assistente desde que tudo acontecera, não conseguia enxergar nada além de amor, ansiedade, e talvez um pouco de dúvida e mágoa naquele olhar.

Por alguns instantes, a cena parecia estar congelada. Marina não se movia nem para frente, nem para trás. Nem em direção ao apartamento, nem em direção ao elevador. E a cada segundo por qual a cena se perpetuava, Clara adquiria um novo motivo para duvidar de sua atitude em impedir a ida da fotógrafa, sem fazer a mínima ideia de que, na verdade, não tratava-se de nenhuma indecisão de Marina entre aceitar ou não seu convite para entrar, mas sim do fato de as pernas da fotógrafa simplesmente não lhe responderem naquele momento.

A imobilidade de Marina, apesar de na verdade não passar de poucos segundos, já parecia durar uma vida, e confusa sobre se tinha ou não tomado uma boa decisão em convida-la para entrar, Clara decidiu dar-lhe uma rota de fuga, para que pudesse escolher entre ficar, ou ir embora.

_Se você quiser entrar, claro – com a voz receosa, baixa, complementou seu convite inicial.

_Eu...– Marina parecia simplesmente não conseguir retomar o controle de si mesma, mantendo-se relativamente “fora do ar” – Sim. Quero!

_Então, entra... – sem soltar o braço de Marina, delicadamente Clara puxou sua mão de volta, trazendo a fotógrafa tanto para dentro do apartamento, quanto para mais perto de si – Eu vou... Vestir alguma coisa – riu baixo, verdadeiramente tímida, dando-se conta pela primeira vez de que estava realmente falando com ela só de toalha.

_Desculpe ter vindo sem avisar – solicitou Marina, permitindo-se dar um passo apartamento adentro, e mais outro, completamente desnecessário em direção a assistente – Não quero te atrapalhar – sem perceber, sua voz falhara, saindo levemente rouca.

Sem se dar conta efetivamente do que fazia, deixou seus olhos caírem pelo corpo de Clara. Era incrível como ela conseguia ficar linda mesmo enrolada em uma toalha. O bronzeado de sua pele contrastava perfeitamente com o branco do tecido, e os cabelos levemente molhados pareciam completar a cena com uma perfeição simplista, porém, totalmente impossível de se deixar passar despercebido.

Até aquele momento, Marina ainda não havia se dado conta da saudade que tinha de Clara. Não apenas a saudade física, mas a de simplesmente olhar para ela. Apenas admirar aquele rosto que, involuntariamente, lhe trazia tantos sentimentos, e recordações de noites em claro, sorrisos intermináveis, lágrimas, o mais duro dos sofrimentos, e principalmente, a mais crua felicidade.

Contrariando toda e qualquer expectativa, sem que controlasse seus movimentos de fato, desvencilhando-se dos dedos de Clara que ainda seguravam seu braço, Marina guiou uma de suas mãos lentamente até o rosto da ex-namorada. Com as costas da mão, fez um leve carinho perto da orelha da assistente, descendo por sua mandíbula, e encarando firmemente seus lábios.

Involuntária e inadvertidamente, o corpo de Clara respondeu ao olhar e ao toque da fotógrafa, arrepiando-se por completo.

_Você... Nunca me atrapalha – disse pausadamente, tentando e falhando miseravelmente em esconder a reação imediata causada pelo toque da outra.

Calculadamente, Clara encurtou um pouco mais o espaço entre ambas, ficando exatamente na mesma distância em que estiveram mais cedo, dentro daquele banheiro.

_Você tá linda – afirmou Marina, assistindo qualquer mínima resistência para a qual ainda pudesse tentar recorrer, desabar de vez – Você é linda!

A saudade gritava em cada pedacinho do corpo de ambas, e a proximidade entre elas naquele momento, não ajudava em nada nesse quesito. Os olhos de Marina não deixavam a boca de Clara, e inconscientemente, escorregou a ponta de seus dedos até o lábio inferior da outra. Não pensava em mais nada naquele momento, a não ser no quanto queria aqueles lábios nos seus novamente. No quanto desejava sentir o gosto, a maciez, e o calor daquele beijo de novo.

_Só sua – respondeu Clara sincera, beijando suavemente os dedos de Marina, que ainda pairavam sobre seus lábios.

A respiração da fotógrafa acelerou. Estava literalmente embriaga pelo cheiro de sabonete que vinha da pele de Clara. Literalmente hipnotizada pelos olhos, o tom da voz, e principalmente pelos lábios macios e delicados da outra. Seus sentidos pareciam todos independentes de sua mente. Todos à flor da pele. Sem controle.

Respirou fundo. Por mais que quisesse, não sabia se podia avançar. Não sabia se devia tomar qualquer atitude, e usando o mínimo de consciência que ainda lhe restava, mesmo que afastar-se fosse impossível, manteve ali, parada.

Como se lesse os pensamentos da outra, e prontamente respondesse a eles, assim como antes, mesmo com as mãos trêmulas, Clara firmou seus dedos na cintura da fotógrafa, colando seu corpo junto ao dela, e dando-lhe carta branca para fazer o que bem quisesse.

Marina entendeu perfeitamente a mensagem de Clara, e em um movimento quase reflexo, inclinou-se devagar, voltando a olhar fixamente para o castanho dos olhos de da outra. Não demorou muito, e a viu fecha-los, em expectativa. Deixou que os dedos escorregassem até sua nuca, entrelaçando-os suavemente aos fios de seu cabelo.

A cena parecia se repetir exatamente como acontecera mais cedo, no entanto, diferente de como fora no restaurante, dessa vez não havia ninguém que as atrapalhasse, e sem conseguir esperar mais, Marina selou os lábios de Clara com os seus.

Instantaneamente, Clara amoleceu por completo. Sua respiração parecia ter sumido. Seu coração se acelerara de tal forma, que dava a impressão de querer saltar do peito. Parecia uma reação exagerada a um simples beijo, contudo, aquele beijo, não era qualquer beijo. Aquela mulher que a beijava naquele momento, não era qualquer uma. O toque, não era qualquer toque. O cheiro, não era de qualquer um que usasse o mesmo perfume que a fotógrafa. Não. Aquela era a Marina. A sua Marina. A mulher que ela sabia que iria passar o resto da vida amando. A mulher que ela queria passar o resto da vida amando!

O beijo começou romântico. Lento. Intenso. Nele, parecia haver explicações, respostas, entendimento, pedidos de desculpas, e juras e declarações de amor, que mesmo que ambas quisessem, não conseguiriam jamais expressar em palavras. No entanto, não demorou muito mais do que apenas um minuto, para que a saudade entre elas gritasse, e transformasse aquele momento delicado, em um quase agressivo.

A urgência bateu à porta tanto de uma, quanto da outra, exatamente no mesmo instante. Marina agarrou-se aos cabelos de Clara com força, puxando-a para ainda mais perto de si. Clara, por sua vez, respondeu e correspondeu às investidas da fotógrafa, levando-a em direção ao sofá atrás de si. Sem pensar duas vezes, livrou-se de sua toalha, deixando que caísse no minúsculo espaço entre seus corpos.

Mesmo sem abrir os olhos, Marina sabia que Clara não estava mais coberta por aquela toalha. Na verdade, ainda não conseguia conceber a ideia de parar de beija-la, e mesmo que fazer uma breve pausa e abrir os olhos com certeza fosse recompensa-la, a saudade daqueles lábios era tamanha, que por mais que soubesse o quanto valeria a pena, era simplesmente inconcebível interromper aquele contato naquele momento.

As panturrilhas da fotógrafa depararam-se com o sofá da sala. Sem delongas, e com pouca delicadeza, Clara a empurrou para que sentasse, sentando-se ela própria, imediatamente em seu colo. Marina enfim abriu os olhos, e por mais que mantivesse cada mínimo pedacinho de Clara intacto em sua memória, era definitivamente inevitável não tirar alguns segundos para admira-la.

Com a ponta dos dedos, e uma calma absurdamente contrastante com a urgência que tinham de se ter naquele momento, Marina passeou por cada centímetro das costas de Clara. Suas unhas desciam e subiam pela lateral do corpo da outra, e a cada vez que repetia esse movimento, sentia o corpo de Clara tremer mais forte em resposta.

A urgência voltava, e já sem muita delicadeza, desceu com as unhas por toda a extensão de suas costas, deixando um rastro rosado no caminho que escolhera percorrer até chegar à suas coxas, posicionadas uma de cada lado de seu próprio corpo. Involuntariamente, Clara jogou as mãos sobre o pescoço de Marina, e deixando que um breve suspiro escapasse por seus lábios, agarrou-se a nuca da fotógrafa.

Independente de qualquer coisa que existisse pendente entre elas, a verdade era que nem uma, nem a outra, pensava em nada disso naquele momento. Não tinha mais como escapar daquela situação. Como escapar da saudade que sentiam uma pela outra, e inconscientemente, ambas decidiram entregar-se a esse momento de uma vez.

_Vamos pro seu quarto – sugeriu Marina, extremamente ofegante.

_Não. Quero você aqui, Marina. Agora! – respondeu Clara encarando-a nos olhos, absolutamente convicta – Por favor! – lembrava-se bem de como a namorada gostava quando ela lhe pedia qualquer coisa dessa forma. De como ela não conseguia lhe negar nada, quando usava esses termos.

_Não faz assim comigo, Clara – pediu a fotógrafa, torcendo secretamente para que a outra não atendesse a essa solicitação.

_Fazer o que Marina? – lentamente, pousou a boca no pescoço branco da outra, e sem a mínima pressa que fosse, começou a beija-lo. Centímetro por centímetro – Não tô fazendo nada – disse baixo, aproximando seus lábios do ouvido da fotógrafa – Ainda... – completou, passando a ponta da língua por detrás de sua orelha.

Marina estremeceu, e junto do movimento involuntário de seu corpo, ouviu Clara gemer baixo em seu ouvido. Antes que tivesse tempo de fazer qualquer coisa, sentiu as mãos da carioca subirem por suas costelas, puxando obstinadamente sua camiseta. A fotógrafa sorriu. Aquele sorriso que misturava inocência e a mais pura malícia, que era bobo e safado, e que só mesmo ela conseguia dar.

Sem dizer nada, ergueu os próprios braços, para que a outra pudesse tirar a camiseta por sobre sua cabeça. Clara aproveitou a deixa, não perdeu tempo, e em poucos segundos, atirava a camiseta de Marina pela sala. Rapidamente, deixou que seus lábios escorregassem do pescoço até os ombros da fotógrafa, beijando-a com pressa.

_Saudade de você! – com a voz rouca, Marina sussurrou em seu ouvido, enquanto prendia seus dedos à nuca da outra – Saudade dessa boca – disse, puxando os cabelos de Clara e forçando-a a olhar para ela. Clara gemeu mais alto.

_Eu tô aqui – respondeu, encarando-a nos olhos e aproximando sua boca perigosamente da de Marina – Pega! – sussurrou num fio de voz.

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Marina atendeu a sua solicitação, e sem nenhuma advertência ou pudor, selou os lábios de Clara com os seus, num beijo mais agressivo do que delicado. Mais urgente do que calmo.

Clara estava completamente nua, e sem interromper o beijo que trocavam, com a ponta dos dedos, Marina desceu insinuante pela parte interna de suas coxas. Sem que pudesse controlar, quanto mais os dedos de Marina aproximavam-se de sua virilha, mais forte seu corpo tremia.

A fotógrafa deixou a boca da outra livre por um instante, passando a ocupar seus lábios com o pescoço, os ombros, e o peito de Clara. Era notório o desejo que tinham em pertencer uma a outra novamente, e deixando a urgência tomar conta de si de vez, Marina agarrou-se a cintura da assistente.

Num movimento rápido, puxou o quadril de Clara para mais perto de si, fazendo-a sentar literalmente em seu colo. Involuntariamente, Clara gemeu com o contato de sua pele com a pele quente de Marina, e tentando buscar o mínimo de equilíbrio que fosse, jogou seus braços novamente em volta do pescoço da outra.

Sentiu a língua quente da fotógrafa descer em direção a seus seios, e ansiava tanto por aquele contato, que sem que percebesse, prendeu a respiração enquanto o aguardava. Voltando a puxar Clara pela nuca, Marina a afastou um pouco de seu corpo, e continuou descendo com a ponta da língua por seu peito.

Devagar, a fotógrafa deixava um pequeno rastro de saliva por onde passava. A assistente fechou os olhos, e sem demora sentiu a boca de Marina descer até seus seios e deliciar-se com cada um deles, sem pressa, alternando seus movimentos entre lambidas lentas, chupões rápidos e mordidas amenas em seus mamilos. Passando sua língua para cima e para baixo. De um lado, para o outro.

_Marina... – sentia seu sexo molhar um pouco mais, a cada movimento da língua de Marina, e sussurrou o nome dela num gemido suplicante.

_O que? – olhou para cima, sem deixar de fazer o que fazia.

_Não me mata assim! – pediu, sabendo que a fotógrafa sentia a mesma necessidade que ela – Não faz isso comigo.

_O que você quer que eu faça com você então, Clara? – perguntou maliciosa e inocente – Conta pra mim.

Clara encarou fixamente seus olhos, e sem dizer nada, levou uma de suas mãos até seu sexo.

_Me come – sem desgrudar seus olhos dos de Marina, literalmente implorou – Por favor!

Pela primeira vez, Marina sentia o quanto Clara estava molhada. Já tinham feito sexo muitas vezes, mas, se tinha uma sensação que tinha certeza que nunca superaria, a sensação era essa. Ridiculamente devagar, passou a ponta de seu dedo pelo sexo da assistente, e sem nenhum aviso prévio penetrou-a com força.

Clara arfou. A sensação da língua de Marina passeando por seus seios, e do dedo da fotógrafa entrando e saindo vagarosamente de dentro de si naquele momento, era realmente indescritível. Definitivamente, tinha muito mais saudade de pertencer a Marina do que imaginara até ali, e agora, a única coisa em que conseguia pensar, era no quanto queria mais dela.

Espalmou as mãos no peito da fotógrafa, e mexendo seu quadril devagar, começou a rebolar no dedo de Marina.

_Gostosa – exclamou a fotógrafa.

_Sua! – respondeu a outra – Só sua.

Ambas mantinham o olhar fixo uma na outra, e sem dúvida nenhuma, o desejo de uma se espelha no brilho do castanho dos olhos da outra. A necessidade que tinham uma da outra, era ridícula e absurdamente evidente.

Marina aumentou tanto a força, quanto a velocidade com que a penetrava. Clara, por sua vez, curvou o pescoço, e colando a boca em seu ouvido, começou a gemer baixo. Exclusivamente para ela.

Não demorou para que a fotógrafa quisesse mais dela, e tirando sua mão de onde estava, agarrou-se novamente a cintura de Clara, inclinando-a para que deitasse no sofá. Pesou seu corpo sobre o dela, e aproveitando-se do novo ângulo que tinha disponível do corpo da carioca, desceu com a boca por sua barriga.

Deixando que a língua escapasse por seus lábios entreabertos, Marina seguiu até a cintura de Clara, subindo com os beijos pela lateral de seu corpo novamente. Voltou até seu pescoço.

_Saudade do seu gosto – disse ofegante, com a voz falhando em uma ou duas palavras.

_Saudade da sua língua – respondeu no mesmo tom, com a mesma dificuldade, respirando da mesma maneira.

Marina gemeu baixo, e contrariamente a urgência que sentia, sem pressa nenhuma, desceu com a ponta da língua pelo corpo da outra. Passou pela boca, bochecha, orelha, pescoço, ombros, peito, seios. No caminho oposto ao de sua língua, subia com as unhas pelas coxas da assistente.

Sentiu as unhas da outra agarrarem-se as suas costas, e viu seu corpo arrepiar-se por inteiro. Naquele momento, a única coisa que desejava era sentir a língua quente da namorada invadir sua intimidade, e não conseguia mais esperar por isso.

_Por favor, Marina – pediu, percebendo a intenção da namorada de judia-la – Por favor!

A fotógrafa esperava por esse pedido, e no exato momento em que ele veio, foi atendido. Sem mais delongas, deixou seus seios, e escorregou sua língua pela barriga bronzeada de Clara. Subiu com a ponta da língua pela parte interna de sua coxa, até alcançar sua virilha. Brincou com a língua por ali, e ouviu Clara suspirar, gemer e resmungar qualquer coisa sem sentido. Uma das mãos da assistente buscou os cabelos de Marina, e a outra agarrou-se aos lençóis assim que sentiu aquela língua quente invadi-la de uma vez.

As duas gemeram em uníssono, a fotógrafa por sentir o gosto de Clara na ponta de sua língua e Clara por sentir-se completamente entregue para aquela mulher, mais uma vez. A língua da fotógrafa pincelava seu clitóris com ímpeto, subia, descia, escorregava para um lado, para o outro e Clara já não tinha mais nenhum tipo de controle sobre nada que acontecia em seu corpo.

Sentiu os dedos firmes da namorada tocarem seus seios, e os gemidos que lhe escapavam pelos lábios aumentavam cada vez mais de volume e intensidade, enlouquecendo Marina por completo.

Clara agarrou-se ao encosto do sofá. A língua de Marina mexia-se cada vez mais rápida, mais forte, mais intensa. Marina, sem dúvida nenhuma sabia todos os pontos sensíveis da assistente, e nesse momento, explorava cada um deles com uma maestria absurda.

Clara estava visivelmente enlouquecida, e o brilho que seus olhos espelhavam, era a tradução do mais puro desejo. Respirava fundo, no entanto, conforme a língua de Marina subia e descia por seu clitóris, inevitavelmente, passava a gemer mais e mais alto. Era tudo muito intenso com Marina, e enquanto segurava a cabeça da fotógrafa exatamente no lugar onde estava, começou a sentir seu corpo contraindo-se devagar.

A fotógrafa percebeu o corpo da outra estremecer embaixo do seu, e deixou que seus dedos voltassem para o sexo da assistente.

_Ah, Marina... – queria avisar a fotógrafa que estava prestes a gozar, mas a verdade é que não tinha forças para fazê-lo.

O quadril de Clara mexia-se de maneira ritimizada, acompanhando a velocidade com que os dedos de Marina trabalhavam, e a fotógrafa gemeu ao sentir a intimidade da outra contrair-se com força contra seus dedos, anunciando o gozo que viria.

Clara tentou segurar, mas a sensação de ser violada daquele jeito por Marina não a permitiu resistir por muito mais tempo. Gemeu de novo, no entanto, dessa vez o som saiu muito mais alto e intenso do que esperava, e no mesmo instante, sentiu seu corpo todo contrair-se em um gozo intenso e lento.

Marina lambeu cada gota do prazer de Clara, escalando o corpo da carioca logo em seguida.

_Você me mata! – admitiu Marina – Muito!

Sem dizer nada, Clara selou os lábios da fotógrafa com os seus, e Marina entendeu perfeitamente que a noite ainda não tinha acabado para elas.

_Vem, vamos pro quarto – convidou Clara – Agora é minha vez!

Sem questionar, Marina colocou-se em pé e deixou-se ser guiada por Clara.

–-//--

O som estridente e chato da campainha invadia cada canto do apartamento de Victória. De forma inesperada, cedo demais, e sem nenhuma delicadeza, despertou tanto a francesa quanto sua namorada. A noite entre as duas se estendera por horas e horas depois que chegaram do restaurante, e ambas estavam literalmente exaustas.

_Tá esperando alguém, amor? – perguntou Vanessa, tentando abrir os olhos por completo.

_Não! – respondeu Vic, quase que de mau humor – Que horas são, amor?

_Oito e meia – disse ainda sem enxergar direito – Quer que eu veja quem é pra você, linda? – ofereceu, percebendo a indisponibilidade da namorada em ir atender a porta.

_Por favor! – concordou a francesa, agarrando-se preguiçosamente no edredom e virando para o outro lado da cama.

Vanessa beijou a testa de Vic, e antes que perdesse a coragem, pulou da cama de uma vez. Vestiu um short, uma camiseta da namorada, e enquanto caminhava distraída em direção à porta, pensou em levar algumas peças de roupa para lá, na próxima vez que a visitasse.

O som da campainha gritou novamente, e temendo que o barulho voltasse a acordar a namorada, Vanessa correu para atender. Olhou pelo olho mágico da porta, e viu a imagem de Melissa ali. Respirou fundo, e antes que ela apertasse de novo o botão da campainha, abriu a porta.

_Oi Vanessinha! – cumprimentou-a, relativamente surpresa por a ruiva estar ali – Bom dia!

_Bom dia, Melissa. O que você quer tão cedo? – sem rodeios, foi direto ao ponto. Evitando qualquer conversa fiada com a Italiana.

_Quanta cordialidade! – ironizou – Vim falar com a Vic, ela está?

_Ela está, mas tá dormindo. Como qualquer pessoa normal estaria! – provocou – O que você quer com ela, Melissa? – questionou, querendo saber o que ela tinha de tão importante para tratar com sua namorada.

_É sobre a exposição, Vanessinha. Não precisa ficar preocupada! – riu, devolvendo a provocação de Vanessa.

_Porque eu ficaria preocupada exatamente, Melissa? – enfrentou-a Vanessa, caindo direitinho na provocação da italiana – Você não representa nenhum risco pra mim.

_Tem certeza? – perguntou, dando um passo para dentro do apartamento – Se eu fosse você, não estaria tão certa disso – sorriu maliciosamente.

Vanessa ainda não a tinha convidado para entrar, e a verdade era que procurava em sua mente, uma boa resposta que a fizesse sair dali. Não queria que ela entrasse. Não queria essa mulher perto de Victória. Não que não confiasse na namorada, ou achasse que ela poderia cair no suposto “charme” de Melissa, nada disso, simplesmente não suportava a ideia de ter que conviver com a presença da italiana.

_Melissa, não tô com paciência para esse seu joguinho de sempre – deu um passo em direção à morena – A Vic tá dormindo, e eu não vou acorda-la pra vir te atender. Seja o que for, pode esperar até ela estar mais disposta. Eu aviso que você veio – afirmou, recuando um passo para dentro do apartamento, e começando a fechar a porta.

_Ela marcou de tomar café da manhã comigo, Vanessa – Melissa começava a se irritar verdadeiramente – Eu viajo no fim da tarde para a Itália, para resolver problemas de família. Se não falar com ela agora, só nos veremos no dia da exposição – explicou, dessa vez sem apelar para as insinuações dúbias de sempre – Então, será que dá pra você chamar a Vic de uma vez, por favor?!

_Já acordei amor – a voz de Victória soou baixa pelo corredor – Tô indo aí! – completou, chegando a conclusão de que era melhor atender Melissa, antes que ela arrumasse algum tipo de confusão maior com sua namorada.

Não se lembrava de ter marcado nada com a Italiana, mas, tinha estado tão tensa nos últimos dias, que era realmente possível que tivesse apenas se esquecido do compromisso. Levantou depressa, colocou a primeira roupa que viu pular de seu guarda-roupa, penteou os cabelos com os dedos mesmo, e seguiu em direção à sala.

Vanessa estava com cara de pouquíssimos amigos, e totalmente a contragosto, fazia sala para uma irritada Melissa. Vic caminhou até a namorada, lhe deu um selinho rápido, e abraçando-a sussurrou um bom dia em tom de desculpas ao pé de seu ouvido.

_Bom dia Mel – cumprimentou-a, seguindo a etiqueta da boa educação – Tudo bem? – deu um beijo de cada lado de seu rosto.

_Tudo melhor agora, como sempre – respondeu, tencionando irritar Vanessa – Esqueceu do nosso café?

_Na verdade, acabei esquecendo mesmo Mel – Vic tentava manter a simpatia de sempre, mas a verdade era que desde que ficou sabendo do que Melissa fizera contra Clara, seu estômago embrulhava toda vez que olhava para a cara da italiana – Desculpa!

_Não tem problema! Só realmente não podemos deixar para depois, no fim da tarde vou mesmo para a Itália – reiterou a informação passada anteriormente a Vanessa – Podemos ir então?

_Podemos sim. Me dá só uns minutos para escovar os dentes, e terminar de acordar – riu – Ai vamos em seguida. Tudo bem?!

Disfarçadamente, Vic acenou com a cabeça para que Vanessa a seguisse, e sem fazer nenhuma questão de ficar fazendo sala à Melissa por um segundo a mais que fosse, a ruiva foi logo atrás dela até o quarto.

_Você disse que não tava esperando ninguém – acusou Vanessa, irritada com a maneira que a italiana havia lhe tratado.

_Eu sei amor, desculpa – pediu a loira, aproximando-se da namorada – Eu realmente esqueci desse café da manhã. Mas, porque você não vem com a gente? – convidou, sem saber se era uma boa decisão manter Vanessa e Melissa no mesmo ambiente por muito tempo.

_Não gosto dessa mulher! – desabafou – Odeio o fato de você estar envolvida com ela de qualquer forma que seja – involuntariamente, Vanessa fez bico.

_Eu sei disso, meu amor – disse, fazendo carinho no rosto da namorada – Eu não gosto disso tanto quanto você! Mas, já tá acabando – enlaçou a cintura da ruiva com seus braços – Assim que essa exposição acabar, não precisaremos mais conviver com ela – beijou a bochecha de Vanessa – E você tá fazendo um biquinho tão sexy agora, sabia? – mordeu os lábios da outra.

_Para – disse sorrindo – Boba! – beijou a namorada – Promete pra mim que assim que acabar a exposição, não vou ter mais que olhar pra cara dela?

_Prometo paixão! – beijou mais uma vez os lábios da namorada – Agora, me deixa escovar os dentes pra irmos resolver isso logo, tá?

_Tá bom. Mas, posso não ir amor? Realmente não tenho estômago pra ela!

_Tudo bem. Não tem problema! – concordou, pensando ser mesmo a melhor alternativa – Prometo te trazer alguma coisa bem gostosa, e voltar rapidinho pra você!

_Te amo! – declarou Vanessa, beijando os lábios da namorada novamente.

_Também te amo – respondeu Vic, sorrindo escancaradamente.

–-//--

Clara não sabia o que fazer. Tinha se deixado levar pelo turbilhão de sentimentos em seu peito, e agora acordava totalmente sem ação ao lado de Marina. Como seriam as coisas daqui para frente? Finalmente conversariam sobre tudo o que aconteceu? Marina finalmente daria atenção ao seu lado da história? Ou será que isso não tinha passado de um chamado urgente, vindo da saudade que seus corpos sentiam um do outro?

Sua cabeça girava com tantas perguntas. Não sabia se a decisão de dormir com a fotógrafa tinha sido boa, mas, ao mesmo tempo, não conseguia se arrepender de tê-la tomado. Lembrou-se dos momentos que tiveram na noite anterior, e como se pudesse reviver cada toque de Marina em si, sentiu cada pelinho de seu corpo arrepiar-se.

Não fazia ideia de como seria no momento em que Marina abrisse os olhos, e por mais que quisesse saber o que aconteceria, o fato de não saber como lidar com a situação, fazia com que torcesse para que a fotógrafa não acordasse tão cedo.

Olhou para o lado, e assim como pedira aos céus, pelo menos por hora, Marina dormia tranquilamente. Por mais perturbada que a mente de Clara estivesse, não conseguia não sorrir toda vez que olhava para o rosto daquela mulher. Por mais medo que tivesse, não conseguia não criar esperanças de que tudo se resolvesse. Fechou os olhos, respirou fundo, e tentando controlar sua própria mente, levou as mãos até a cabeça.

_Ressaca moral? – a voz de Marina soou sonolenta, preguiçosa – Bom dia! – assim como Clara, não sabia muito bem o que fazer ou falar.

_Bom dia! – respondeu quase que assustada – Não, eu... Não tenho porque ter ressaca moral – afirmou – Estava só pensando – completou, encarando-a nos olhos – E você?

_Eu também não tenho motivo pra isso – disse pausadamente, constatando a veracidade de cada palavra que proferia.

Clara continuou encarando-a. De fato, não sabia como agir, mas, além disso, aproveitava o momento para matar a saudade de acordar ao lado da sua fotógrafa. Ela era linda de manhã, e Clara amava com todas as suas forças a expressão manhosa, e o sorrisinho bobo que a preguiça lhe dava.

Inconsciente e inadvertidamente, esticou uma das mãos em direção a seu rosto. Marina não se esquivou do contato, e aproveitando a deixa, Clara deixou que a ponta de seus dedos lhe acarinhassem, descendo lentamente com eles pela linha de sua mandíbula até a altura do queixo.

Seus olhos se encaravam. Ambas queriam dizer alguma coisa, mas, nenhuma delas sabia por onde começar.

_Hum... A gente precisa conversar – arriscou-se Marina a sugerir.

_Agora você finalmente quer conversar? – acusou Clara, sem que pudesse controlar efetivamente a mágoa que despontava em seu peito.

_Você não quer? – Marina não queria começar uma discussão. Realmente não queria. Sabia que se isso acontecesse, acabaria não ouvindo nada do que Clara tinha pra dizer, e simplesmente jogaria as supostas verdades que tinha na cara dela.

_Sim. Eu quero – respondeu de pronto – Desculpa!

_Tudo bem. Eu sei que não te dei muita chance de falar até agora – encarou-a sincera, reconhecendo que não havia lhe dado oportunidade de defesa – Peço desculpa por isso. Quero realmente ouvir a sua versão da história.

_E você vai me ouvir do começo ao fim dessa vez? – perguntou Clara, na defensiva.

_Prometo que vou – selou a promessa beijando a mão da outra, que ainda pairava próxima a seu rosto – Te espero na sala?

_Pode ser – encarou de volta – Só vou lavar o rosto e me trocar. Não demoro.

Marina assentiu, e sem mais delongas, levantou da cama. Estava só de calcinha e sutiã, e por mais que o momento fosse tenso, era humanamente impossível não olhar para ela. No entanto, antes que Clara pudesse começar a babar, a fotógrafa rapidamente entrou na calça jeans que vestia no dia anterior, e certificando-se de que Ivan não havia chego por ali, saiu em busca de sua camiseta pela sala.

Clara chacoalhou a cabeça de um lado para o outro, e retomando o foco, foi em direção ao banheiro. Lavou o rosto, contou até dez, olhou-se no espelho, e como se isso pudesse lhe dar a coragem de que precisava para sair e encarar tanto Marina, quanto a verdade que esperava para ser dita, respirou o mais fundo que pôde.

Sabia que teria apenas uma chance para convencer a fotógrafa de sua inocência no meio disso tudo. Sabia que esse era o momento, e no fundo, por mais insegura que estivesse, acreditava na promessa da fotógrafa, acreditava que Marina finalmente sentaria para lhe escutar.

Muita coisa gritava em seu peito enquanto caminhava do banheiro para dentro do quarto novamente. O peso da realidade a ser remexida mais uma vez, a mágoa pela incredulidade da ex-namorada até ali, a dor da lembrança dela lhe dando as costas, a imagem da fotógrafa batendo a porta de seu apartamento e indo embora, sem olhar para trás.

Tudo isso doía mais do que ela queria lembrar. Mais do que conseguia imaginar. E mesmo tentando não ter isso em mente por hora, a verdade é que não conseguia simplesmente livrar-se dessas questões. Simplesmente livrar-se do peso que isso causava em seu peito.

Respirou fundo mais uma vez. Pegou a primeira roupa que viu, vestiu-se rapidamente, e com passos receosos, caminhou em direção à sala. No curto caminho que a levava até lá, como se fosse um mantra, repetiu mentalmente incontáveis vezes a palavra “calma”.

Marina a esperava lá. Sentada no sofá que ontem fora palco principal da pequena loucura das duas.

_Oi – disse Clara, sem saber como começar.

_Oi – respondeu a fotógrafa, virando-se na direção da carioca – Hãn... Sei que isso não vai ser fácil pra ninguém – completou, depois de alguns segundos de silêncio – Se você não quiser ter essa conversa agora, tudo bem.

_Não, eu quero sim. Já passou da hora de conversarmos civilizadamente sobre isso.

_Certo. Então, se você não se incomodar com isso, prefiro que você comece falando. Pode ser? – Marina estava determinada a ouvir, e fazia de tudo para manter-se fria, calma, neutra.

_Tudo bem. Por onde você quer que eu comece? – perguntou mais por não ter muita certeza de como faria para contar tudo o que aconteceu, do que por qualquer outra coisa. Sentou-se ao lado da fotógrafa no sofá.

_O que aconteceu entre você e a Melissa? – involuntariamente, o estômago de Marina embrulhou. Era difícil lidar com qualquer tipo de menção a italiana – Aliás, por que você foi até a casa dela aquele dia? – perguntou encarando Clara nos olhos.

_Bom... – Clara procurava o melhor jeito de começar com aquilo, e decidiu que iria, de fato, do início – Quando ela me chamou para jantar, vi a oportunidade de resolver as questões que estavam pendentes entre a gente, e pôr fim às suas investidas incansáveis.

_Que questões eram essas? Porque você mentiu pra mim sobre onde estava? – Marina ainda não havia engolido essa história da mentira, e querendo ou não, foi justamente ela o pivô da desconfiança cega com que lidara com toda essa situação até aqui.

_Porque eu queria fazer isso sozinha. Eu queria resolver, e se você estivesse lá, não teria como fazer isso. A coisa ficava sempre muito tensa quando vocês dividiam o mesmo espaço físico, Marina. Você sabe disso.

_Sim, eu sei. Mas, o motivo de tudo isso era bem claro: você – apontou em direção a Clara – Ela nunca respeitou os limites, Clara. Você sabe bem disso! Ela nunca respeitou nosso relacionamento, e sempre fez isso por puro esporte. Por puro prazer de rivalizar comigo! Sabe? É por isso que não consigo entender o porquê você iria lá! – por mais que Marina não quisesse, a mágoa e a desconfiança já lhe batiam a porta.

_Eu sei disso, e era justamente essa a questão que eu queria resolver. Fui ingênua, eu sei! Mas, desde o começo, eu só quis resolver isso. Essa rivalidade, essa falta de limites. Nada mais! – afirmou convicta – Desde São Paulo que eu a via rondando nossa relação, te tirando do sério. Achei que poderia lidar com isso de maneira adulta, e ir lá falar por mim mesma que eu não queria ninguém além de você na minha vida.

_Ok... Tudo bem! – concordou a fotógrafa, relativamente impaciente – E o que aconteceu naquele jantar afinal? – perguntou prendendo inconscientemente a respiração, e viu o corpo de Clara estremecer com a pergunta.

_Eu cheguei, e ela tava me esperando na parte de fora da casa – construía suas frases com cuidado, buscando não deixar que nada de importante se perdesse em sua falha memória sobre aquela noite – Queria ir embora de lá o mais rápido possível, e fui direto ao ponto desde o começo. Nos sentamos, começamos a discutir e disse pra ela o que tinha ido lá para dizer...

_Que era? – interrompeu Marina.

_Que eu não queria mais ela se metendo no nosso relacionamento, Marina! – respondeu irritada, deixando seu tom de voz subir um pouco – Que não queria mais passar por nenhuma situação igual as que vinham acontecendo desde a exposição em São Paulo. Que ela não tinha esse direito, tampouco essa suposta liberdade com que ela vinha agindo! – chegou perto de explodir de vez, no entanto, respirou fundo um segundo antes de ser tarde demais.

_Ok, Clara. Não precisa começar a gritar! – disse, percebendo a exaltação da outra – Eu tô só tentando entender aqui, como é que as coisas mudaram de: “Fui lá dar um fora nela”, para as fotos que nós duas vimos!

_Enfim... Disse o que tinha para dizer, e ela lidou com isso da maneira mais “Melissa” possível – fez aspas com os dedos no ar – Com aquela prepotência e arrogância que só ela consegue agir. Começou a questionar tudo o que eu dizia, como se ela soubesse mais do que eu mesma sobre meus sentimentos – fez uma careta, lembrando-se da insistência da italiana em irrita-la naquela noite – Ela estava irredutível, fazendo de tudo para me provocar, e em determinado momento, desisti do que tinha ido fazer ali. Resolvi que a melhor coisa que eu tinha a fazer era voltar para casa – fez uma pequena pausa, dando-se conta de que se lembrava perfeitamente de muito pouco além disso – No exato momento em que levantei para ir, ela recuou. Parou de agir como a babaca de sempre, e me impediu de ir embora.

_Como assim, te impediu? – Marina procurava entender cada movimento do relato de Clara, e assim como a assistente, não queria deixar nada de importante passar batido. Queria achar explicações pra tudo aquilo.

_Ela mudou de atitude, e disse que já que estamos lá, que terminássemos de conversar direito. Eu acabei ficando, afinal, já tinha feito tudo errado para estar ali naquela noite e parecia mais interessante gastar mais uns minutos, e tentar resolver efetivamente, do que, além de tudo, perder a viagem – fez outra pequena pausa – Enfim... Voltamos a sentar. E é a partir daqui, que tudo começa a ficar embaralhado na minha memória, Marina.

_Como assim, Clara? – não sabia muito bem o que pensar dessa afirmação, e contendo-se ao máximo, apenas esperou para ver o que a assistente lhe falaria.

_Havia uma taça de vinho, que estava lá preparada pra mim, antes mesmo de eu chegar. Lembro-me de ter bebido esse vinho quando nos sentamos pela segunda vez – Clara estudava cada mínima mudança na expressão de Marina, buscando captar o que a fotógrafa pensava sobre o relato que ouvia – Comecei a me sentir mal logo em seguida, e depois disso, a verdade é que tenho apenas alguns flashes de memória – baixou a cabeça.

_Começou a se sentir mal? – automaticamente, Marina empalidecera dois tons – Como assim, flashes de memória? Me conta isso direito, Clara! – exigiu, colocando-se em pé, e percebendo as peças se encaixarem em sua mente.

_Fiquei tonta, meio grogue, e de um minuto para o outro, não conseguia mais controlar meu corpo direito – disse, lembrando-se da conversa que tivera com Vic, e da revelação obvia que a francesa trouxe à tona – Marina, a verdade, a mais pura verdade, é que eu não sei o que aconteceu depois daí. Eu me lembro vagamente da escada da casa da Melissa, de um quarto, uma cama, do cheiro do perfume da Melissa, de uma voz de homem, e de um carro.

_Clara, como você chegou em casa aquele dia? – “E se nada disso tiver sido consentido, Marina?!”. A pergunta que Vic lhe fez naquela discussão, nunca fizera tanto sentido como agora, e Marina sentia seu mundo ruir.

_Não faço a menor ideia – disse baixando a cabeça – A menor ideia mesmo! Por isso estava tão estranha quando você chegou aqui no dia seguinte, Marina! Por isso não sabia que a casa não estava trancada – sem que pudesse se conter, Clara começou a chorar. Era pesado demais pensar em tudo aquilo novamente.

_Clara... Eu... Você... – Marina estava literalmente perdida – Você tá me dizendo que a Melissa te drogou? Que a Melissa... Te... – não conseguiu fazer a segunda pergunta.

_Acredita em mim, Marina! – pediu, ignorando momentaneamente todas as mágoas deixadas pela partida da fotógrafa de sua vida – Você foi embora sem me ouvir, e dói demais me lembrar disso toda vez que olho pra essa porta – apontou para a porta de entrada do apartamento – Mas, a verdade é que eu não consigo passar por isso sem você! – Clara desabou de uma vez, chorando tudo o que ainda tinha dentro de si para chorar.

Marina estava desnorteada. O que estava acontecendo? Como assim drogada? Definitivamente, a fotógrafa não sabia com qual realidade era mais difícil de lidar. Não sabia definir se o pior era saber de tudo o que acontecera a Clara, a sua Clara, ou se era o fato de ela ter lhe virado as costas em um momento tão delicado e crítico.

Não sabia o que devia fazer. Não sabia se deveria ir embora de vez da vida de Clara, e poupa-la de ter que lidar com a infantilidade dela. Ou se ficava, e tentava descobrir alguma maneira de passar o resto da vida tentando se redimir pelo que fizera. Levou um minuto até que conseguisse se mover.

_Clara... Eu... – ajoelhou-se a frente da assistente – Eu não sei o que te dizer! Eu... Eu tinha fotos. Ela me mandou um quadro de vocês. Um vídeo! – justificava-se mais para si mesma do que qualquer outra coisa – Meu Deus! Eu... Eu não...

_Você não me ouviu! Foi isso o que aconteceu! – a dor voltava a gritar em seu peito – Você não quis ouvir a mulher que você diz ser a pessoa que mais ama na vida, Marina! – Clara colocou-se em pé, e começou a andar de um lado para o outro da sala – Você me virou as costas, sem olhar pra trás! E me deixou aqui, sozinha. Passando por isso, SOZINHA – gritou, explodindo de todas as maneiras possíveis.

Marina não tinha o que dizer. Não havia argumentos que superassem as verdades que Clara lhe jogava na cara naquele momento.

_Você não confiou em mim! – sem que pudesse efetivamente controlar, continuou acusando-a – Na PRIMEIRA VEZ que você precisou me ouvir. NA PRIMERA E ÚNICA VEZ, MARINA! – berrou.

_Você tinha mentido pra mim, Clara! Você tinha mentido justamente para ir lá encontrar com ela! – Marina queria se explicar, mas, definitivamente não usava o tom certo para isso – E depois disso, eu tinha a droga das fotos na minha mão! O que você esperava de mim?

_Eu esperava que você me conhecesse bem o suficiente pra saber que eu JAMAIS faria isso com você, comigo, com a gente! JAMAIS FARIA!

_Eu nunca achei que você seria capaz! NUNCA ACHEI – gritou de volta – Mas, a questão é que eu tinha tudo contra você, Clara! Você tinha mentido pra mim, VOCÊ tinha quebrado essa confiança. Não eu! Não a Melissa!

_Eu te contei a verdade! Eu te disse por que eu tinha ido lá! – argumentou, extremamente irritada – Você é que não conseguiu acreditar em mim! – afirmou, magoada – E outra, Marina, se você realmente nunca achou que eu fosse capaz de fazer isso com a gente, por que não me deu nem o benefício da dúvida?

_EU TINHA PROVAS, CLARA! – exclamou, mais uma vez usando o tom mais errado possível – O fato, é que você mentiu pra mim para estar lá, jantando com ela, e logo depois que descubro isso, essas fotos vem parar na minha mão! – tentava explicar sua linha de raciocínio – Você fala como se eu tivesse tirado essa ideia da minha cabeça, e definitivamente, não foi isso que aconteceu. As fotos estavam na minha mão, elas eram verdadeiras!

_Eu pequei tentando acertar, Marina! Menti pra você sim, assumi na época e assumo agora – admitiu mais uma vez – Fui ingênua em acreditar que poderia resolver as coisas numa boa com uma pessoa tão nojenta quanto a Melissa, mas, sinceramente, acho que já paguei o preço pela minha ingenuidade – disse, sentindo o peso da realidade lhe esmagar sem dó.

_Clara... Você tá mesmo me dizendo que essa mulher... Que ela... Literalmente abusou de você? É isso mesmo? – perguntava o óbvio, ainda incrédula sobre tudo aquilo – Que em nenhum momento de tudo aquilo você estava sequer consciente?

_Você ainda duvida, Marina? É isso? – indignou-se Clara mais uma vez – Mesmo depois de me fazer reviver tudo isso, depois de me fazer vir atrás da sua compreensão de novo, você ainda duvida do que eu to te falando? – as lágrimas escorriam copiosamente pelo rosto da carioca.

_Eu não disse isso, Clara! – defendeu-se de pronto – Eu... Só... Não to conseguindo assimilar isso tudo! – disse sincera – Ok, estamos falando da Melissa, e com ela não se pode duvidar de nada, mas como é que um plano tão nojento desses ia passar pela minha cabeça? Como?

_Do mesmo jeito que passou pela cabeça da Victória! – jogou na cara da outra mais uma vez – Da Victória, hein Marina?! Alguém que não teria o mínimo motivo pra acreditar na minha palavra! Mas, adivinha? ELA ME OUVIU! ELA ACREDITOU EM MIM! – gritava novamente.

Marina parou por um segundo. Sabia que estava errada. Sabia que não tinha nada que pudesse dizer para desfazer tudo de injusto que falara e fizera nos últimos dias. Sabia que não havia defesa, que não havia explicação plausível para ter agido da maneira que agiu. Sentia a raiva por Melissa crescer, esquentar e pulsar em suas veias. Respirou fundo. Encarou Clara nos olhos.

_Eu não sei o que te dizer, Clara. Eu... Realmente não sei por onde começar a me desculpar – deu dois passos em direção a ela – Acredito em você. E sei perfeitamente que nenhum perdão que eu te pedir aqui vai ser suficiente. Eu errei. Eu errei muito. Eu não te ouvi. Eu te julguei sem te dar direito a defesa – assumia cada um de seus erros, provando o gosto mais amargo que já sentira na vida – Se pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente.

_É, mas você não pode! – cuspiu as palavras, tirando suas mãos das de Marina – Tá doendo, Marina. Tá doendo muito!

_Eu sei que tá doendo – baixou a cabeça – E esse é o último sentimento que eu gostaria de causar em você, amor.

_Não me chama assim, agora – Clara desabou um pouco mais. Tentou empurrar Marina, mas, sem forças, assim que espalmou a mão em seu peito, ao invés de coloca-la para longe, acabou caindo em seu abraço.

_Você disse que não conseguiria passar por isso sem mim – usou as palavras de Clara, abraçando-a forte – E eu estou aqui. Na posição que você quiser que eu esteja.

Clara não disse mais nada. Simplesmente não conseguia articular palavras e frases para continuar com aquela discussão. Pelo menos não por agora, não naquele momento. Ainda segurando-a em seus braços, Marina deu dois passos para trás, buscando senta-la novamente no sofá. Sentaram uma do lado da outra, e sem resistir, Clara acomodou-se no peito da fotógrafa, aceitando o cafuné que ela lhe fazia.

Marina respeitou seu momento, e a consolou em silêncio. Clara, por sua vez, chorou tudo o que ainda podia chorar, até que, despois de algum tempo, perdeu completamente as forças e adormeceu calmamente no colo da fotógrafa.

–-//--

Melissa estava entediada. De tudo que não gostava nessa vida, ter que esperar por algo ou alguém, estava, sem dúvida nenhuma, no topo dessa lista. Olhou no relógio diversas vezes, e algum tempo depois, ao invés de Vic sair do quarto para irem, quem apareceu pela sala foi Vanessa.

_Vanessinha, a Vic ainda demora muito? – perguntou, fingindo inocência – Fala pra ela que não precisa se arrumar tanto pra mim não.

Vanessa engoliu a seco.

_Sabia que essa coisa que você faz, é realmente chata Melissa? – respondeu, cansada de cair nas provocações da italiana – Sinceramente, você não cansa de ser indesejada pelas pessoas nos lugares onde passa não? – desdenhou.

_Indesejada não é uma condição com que eu esteja familiarizada, Vanessinha. Por quê? – provocou – Tá com ciuminho da sua francesa?

_Confio plenamente na Victória, Melissa – retrucou sincera, e, devido às circunstancias, incrivelmente calma – Você não vai me fazer cair nessa. Aliás, qual a graça de ficar me atazanando desse jeito? – Melissa riu.

_Sabe que eu não sei, Vanessinha?! – respondeu irônica – Mas, ultimamente vem sendo um dos meus esportes preferidos – riu novamente, passando perto de tirar Vanessa do seu momento zen.

_Estou pronta, Mel – disse Victória, materializando-se bem no meio da sala – Vamos?!

_Uau, você tá linda Vic – exclamou a italiana, espontânea pela primeira vez – Meu Deus, hein?!

_Tá linda mesmo, amor – concordou Vanessa, jogando os braços por sobre os ombros da namorada, e beijando-a rapidamente – Não demora pra voltar não! – aproximou a boca de seu ouvido – Vou te esperar na cama – sussurrou o mais baixo que pôde.

_Me espera, que já já tô de volta – sussurrou de volta, devolvendo o beijo que Vanessa lhe dera – Qualquer coisa, me liga.

No exato momento em que Vic soltou-se dos braços de Vanessa, a campainha do apartamento tocou. Melissa, abusada do jeito que era, usou da desculpa de estar mais próxima da porta de entrada, para atender por conta própria a quem quer que estivesse chamando do lado de fora.

_O que essa filha da puta tá fazendo aqui? – perguntou Marina, assim que identificou a figura de Melissa aparecer por detrás da porta.

Notas finais
Pessoal, muito obrigada pelos comentários. Eu leio todos, um por um, só não tenho muito tempo de responder. Mas, mesmo assim, muito obrigada pelo carinho de todas!