Velvet Touch
22 O Pacto
Notas iniciais
Vanessa chegou calada ao hotel, e por mais que sorrisse para a loira com frequência no caminho, Victória sabia que tinha alguma coisa errada entre elas. Não sabia se deveria perguntar ou esperar que a ruiva falasse, optou pelo silêncio de início, mas quando ouviu a outra trancar a porta do banheiro ao ir tomar seu banho, começou a ficar realmente preocupada.
Apesar de não ter certeza, Victória fazia uma ideia de qual era o motivo da irritação de Vanessa, e pensou se queria mesmo ter aquela conversa com ela. Sentou na beirada da cama e deixou sua mente vagar por aquele tempo todo que estava morando no Brasil. Afinal, porque ainda decidira ficar nesse país depois de ter terminado sua relação com Marina? Porque optara, deliberadamente, por continuar em um país estranho, mantendo um custo fixo razoável, longe de sua família, seus amigos, seu estúdio. O que a prendia aqui?
Respirou fundo, fechou os olhos, e imagens dos passeios que fizera com a ruiva lhe vieram à mente. As mãos dadas, os dedos entrelaçados, os beijos roubados, os sorvetes na praia, caminhadas no calçadão, o nascer do sol com os cabelos ruivos em seus braços, as noites juntas, os sussurros, suspiros, gemidos. Abriu os olhos novamente e piscou forte, focalizando o quarto a sua frente e voltando para a realidade. Sorriu boba, olhando seu próprio reflexo no espelho, e no mesmo instante em que sua cabeça entendeu o que seu coração lhe soprava, a ruiva saiu do banheiro.
Vanessa vestia uma camisola azul marinho rendada, e Victória não conseguiu segurar o queixo antes que caísse.
_Nem se anima! – decretou a ruiva, vendo a reação involuntária da outra – Você não está merecendo viver os planos que eu tinha para essa noite não. Sinto muito! – deu a volta na cama, e jogou-se embaixo dos lençóis, virando para o lado oposto ao da outra.
_Não estou merecendo? – perguntou carinhosa, respeitando o espaço da ruiva – Por quê? – deixou seus dedos acariciarem os braços brancos que estavam à mostra.
_Você sabe o porquê – falou sem se virar – É até meio patética essa cena, afinal... Nós... Ah, deixa Vic – queria entrar no assunto com a francesa, porém, lá no fundo lhe faltava coragem para correr o risco de ouvir um não – Vamos dormir vai! Vem pra cá logo, tá frio – virou-se para o lado da loira e a viu com um sorriso brincalhão no rosto – Faço uma grevezinha e você tá rindo Vi? Vou fazer sempre então! – disse usando um tom mais ameno, passando a ponta dos dedos pela linha de sua mandíbula, derretendo-se com o doce que era aquele sorriso, e agora, nesse exato momento, dava razão e concordava com todos os elogios que Marina um dia fizera para aquela expressão da ex-professora.
_Definitivamente, você é a coisa mais fofa desse mundo com ciúmes amor! – Vic pronunciou a última palavra naturalmente, e Vanessa gelou. A loira nunca a tinha chamado assim. Victória percebeu a mudança na expressão da outra e no primeiro momento não soube identificar exatamente se era algo positivo, ou negativo. Olhou-a nos olhos, segurando seu rosto entre as mãos – Me conta, porque está chateada?
_Você já sabe! Não preciso contar – protestou exibindo um biquinho involuntário.
_Eu sei, mas eu quero que você me fale.
_Ah Vic... Porque eu tô com ciúme, ué! Você ficou longe de mim o tempo todo na exposição, beijou a Melissa, dançou com a Marina – foi enumerando as situações com os dedos, erguendo três dedos no ar – Poxa... Eu, sei lá... Eu... – as palavras lhe vinham à cabeça, mas tinha se deliciado demais com o fato de ter sido chamada de “amor” segundos atrás, para que conseguisse dize-las e correr o risco de perder aquela mulher agora.
_O que tem você?! – a francesa a encorajava a continuar.
_Eu... A Vic, isso é mesmo necessário? Vamos dormir vai... – disse desvencilhando-se do toque da outra e virando para o lado que estava anteriormente.
Victória levantou-se da cama e deu a volta nela, abaixando-se em frente à ruiva e voltando a segurar seu rosto por entre as mãos.
_Van, fala pra mim. Por favor! – Vanessa nunca tinha ouvido a loira soar tão delicada e sincera, e resolveu despejar de uma vez.
_Eu não quero mais te dividir com ninguém. Pronto! É isso! – disse como se estivesse libertando-se de um peso imenso no peito e baixou os olhos, com receio de fitar os olhos azuis a sua frente e enxergar o que não queria.
Aquela era exatamente a frase que a francesa queria e esperava ouvir, mas sentiu seu coração acelerar no peito do mesmo jeito enquanto a esperava. Lentamente, Victória aproximou seu rosto da outra, selando seus lábios devagar, com cuidado, com carinho e sem nenhuma pressa.
_E se eu te disser que também não quero dividir minha ruivinha com mais ninguém? – perguntou com os lábios colados aos dela, deixando sua língua delinear o lábio inferior da outra –Que quero namorar exclusivamente essa ciumenta?
Ao contrário de Victória, Vanessa não tinha essa expectativa. Não esperava que a loira fosse querer algum tipo de relacionamento e muito menos compromisso mais sério com alguém, e aquela frase a tinha pego completamente desprevenida. Involuntariamente, abriu um sorriso imenso, que quase rasgara seu rosto de fora a fora, e sentiu seu coração sorrir junto com seus lábios. Puxou o corpo da loira para cima do seu na cama.
_É sério isso Vi? Como isso vai funcionar? Quer dizer... Você mora do outro lado do mundo! Eu... – foi interrompida pelo dedo indicador da outra.
_Van... Vamos deixar para ver isso depois, tudo bem?! O que importa agora é que eu quero ficar com você, e você por algum motivo desconhecido quer ficar comigo também – seu tom de voz passava de carinhoso para malicioso, e Vanessa percebeu quais eram as intenções da agora namorada.
_Acha que só porque tá me pedindo em namoro a greve acabou mocinha?! Continua sem merecer! – forçou um tom sério na voz, mas não teve muito sucesso em enganar a outra. Esquivou-se do corpo da loira, jogando-a para o seu lado na cama e dando-lhe as costas.
Victória riu do charminho da namorada, mas se ela queria brinca daquilo, que fosse! Levantou da cama, tirou seu vestido, seu sutiã, e sua calcinha, rapidamente voltando para seu posto anterior, completamente nua. Ajeitou-se debaixo dos lençóis e colou seu corpo nas costas de Vanessa, abraçando-a. Sentiu o corpo da outra arrepiar-se ao tocar o seu e percebê-lo nu. Pousou o nariz atrás de sua orelha, passeando com a ponta do mesmo lentamente por ali e deixando sua mão escorregar pela coxa desnuda de Vanessa, indo em direção ao seu joelho.
_Poxa Van, jura que vai fazer isso comigo mesmo? – perguntou com um tom de voz baixo e pidão – Estou com tanta saudade de você! – depositou beijos demorados em seu pescoço.
_Pode parando aí dona Victória – segurou a mão da namorada em cima de seu joelho e levou até a boca. Beijou seus dedos e deixou a ponta de sua língua escorregar pela palma da mão delicada da outra – Vai continuar com saudade!
Victória deixou um gemido baixo e rouco escapar por seus lábios ao sentir aquele toque, e percebeu o corpo da outra estremecer em seus braços. Sorriu e decidiu que não desistiria tão fácil de convencer a namorada a mudar de ideia. Vanessa pousara a mão da loira junto da sua cintura, e lentamente Vic começou a descer a ponta de seus dedos pelo quadril da outra, até alcançarem o fim do tecido azul da camisola. Mordeu o lóbulo de sua orelha, e deixou que a língua apagasse a leve marca de dentes que ficara ali.
Vanessa suspirou. Só ela sabia o quanto estava com saudades da loira nos últimos dias, e apesar do charminho, sem dúvida nenhuma queria amar Victória aquela noite, ainda mais depois dos últimos acontecimentos. Mas, conhecendo a francesa, decidiu esperar para ver quais seriam seus próximos passos. Sentiu seus dedos subirem pela lateral da sua coxa, agora por baixo do tecido da peça que usava, e deliciou-se com a surpresa dela ao encontrar Vanessa sem calcinha.
_Isso é porque você queria mesmo fazer greve né?! – sussurrou em seu ouvido, colando seus corpos um pouco mais. A ruiva sorriu e virou-se, ficando de frente para a namorada. As duas encaravam-se com desejo, e as mãos de Victória encarregavam-se de subir o tecido de cetim azul pela cintura da ruiva, deixando-o acima de seu quadril. Selou seus lábios em um beijo mais intenso, urgente, e a língua de Vanessa correspondeu à altura as exigências firmes e intensas da outra. Automaticamente, seus corpos colaram-se ainda mais, e entrelaçados suas pernas, a coxa da loira pressionava o sexo pulsante e quente de Vanessa.
_E tem como resistir a você Vi? – a loira respondeu com o olhar e um sorriso extremamente malicioso cresceu ainda mais em seu rosto – Espero que não amor, afinal, agora você é só minha – disse tomando seus lábios sensualmente.
Mais uma vez, aquela palavra repercutia na cabeça da ruiva, “amor”, fazendo-a sorrir pela segunda vez. Prendeu seus dedos aos cabelos loiros da namorada, com carinho, com desejo, e entregou-se de bom grado aos encantos daquela mulher, que agora, finalmente, podia chamar de sua.
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Melissa saíra parcialmente satisfeita da exposição de Marina. Afinal, apesar de ter perdido alguns pontos, e se irritado um pouco mais com a fotógrafa, no final das contas tinha conseguido ficar a maior parte do tempo perto de Clara, e o principal de tudo, tinha conseguido faze-las brigar aquela noite. Sorriu para o espelho, lembrando de todas as investidas que dera em Clara durante o evento, e pensando em algumas das palavras da namorada de Marina.
Definitivamente, dessa vez ela tinha um desafio pela frente, e não apenas por Marina ser uma rival a sua altura, mas pelos sentimentos que a assistente realmente tinha por ela. Por um minuto, pensou se aquele joguinho valia mesmo a pena e se todo o esforço a compensaria no final. Pensou no estrago que uma possível entrega de Clara causaria em seu relacionamento atual, e por míseros segundos, chegou até mesmo a pensar nas palavras que Vic lhe dissera mais cedo.
“Você não acha que está indo baixo demais? Isso é jogar sujo!” Jogar sujo? Afinal, o que podia ser considerado jogar sujo ou limpo quando o que estava em pauta era a disputa de um amor? Para onde tinha ido o tal do “Na guerra e no amor, vale tudo!”? Balançou a cabeça, e até tentou buscar algum bom motivo que a fizesse desistir de Clara. Contudo, os poucos escrúpulos que tinha em situações assim não a deixaram encontrar nada que considerasse bom o suficiente. Outra fala da francesa atacou sua mente “As duas passaram por cada coisa para chegarem onde estão hoje. Não estrague uma história por capricho seu!”. Capricho! Desde quando desejo recíproco tinha virado capricho? Afinal, aquele incômodo todo, as bochechas rosadas, e o ar sem graça de Clara em sua presença tinham que querer dizer alguma coisa, certo?! E aquela resposta a sua pergunta na exposição? Era vaga, sim, mas podia-se subentender o que quisesse daquilo lá.
_Mel, vem logo se não a água vai esfriar aqui gata! – chamava Thaís de dentro da banheira, e sua voz trouxe Melissa de seus devaneios, estacionando-a novamente no tempo presente.
_Já vou gostosa! – respondeu quase que automaticamente.
Antes de partir em direção ao banheiro, mais uma frase da loira lhe veio à mente “Tanta mulher no mundo para você querer levar pra cama, porque tem que ser a Clara?”. Essa, sem dúvida era a pergunta mais difícil e mais fácil de todos os tempos. Melissa era poderosa, matadora, e tinha plena consciência de que podia ter a mulher que quisesse.Comendo em suas mãos e sem muito esforço, tendo inclusive já se acostumado a possuir companhias femininas diferentes com frequência em sua cama. Contudo, nenhuma dessas outras todas era Clara, nenhuma dessas outras todas tinha aquele sorriso, e menos ainda poderia lhe proporcionar aquele “power play” particular com Marina Meirelles.
Lembrou-se das palavras da fotógrafa na exposição, e colocou a mão no queixo, como se estivesse refletindo sobre a tomada de uma decisão importante. Marina a tinha desafiado, e nunca, absolutamente nunca na vida, tinha perdido ou estendido uma bandeira branca e se retirado de jogos assim. Olhou-se no espelho mais uma vez, revirando seu interior atrás de respostas e viu aquele meio sorriso malicioso aparecer involuntariamente em seus lábios. Apertou os olhos para o próprio reflexo e aquela imagem lhe mostrava que lá no fundo, as respostas não interessavam de verdade, e ela sabia que tudo aquilo era inevitável. Queria Clara, e não voltaria atrás por nada nesse mundo.
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Completamente alheias às ideias e pensamentos de Melissa no outro quarto, anoite entre Clara e Marina transcorria quente e intensa, da mesma maneira que começara. O corpo da assistente ainda apoderava-se do colo da fotógrafa, e os dedos de Marina agora escorregavam por suas costas, abrindo o zíper do vestido que ainda estava em seu corpo. Continuou o caminho de seus dedos, e desceu as mãos até as nádegas da namorada, dando-lhe um tapa estalado.
_Já te falei o quanto você é gostosa? – perguntou com a voz sacana, e mais desejosa do que antes – Você acha amor? – dizia ofegante, tentando retomar o controle de sua respiração – Uhum... Você é uma delícia Clara! – puxou seus cabelos, fazendo-a olhar em seus olhos – A minha delícia! – atacou seus lábios com vontade, e na sequencia arrancou o vestido preto rapidamente por sua cabeça, revelando a lingerie que Clara havia comprado especialmente para aquela noite.
Não havia nenhuma super produção, mas ela estava linda com aquele sutiã meia taça, tomara que caia, que contrariamente ao vestido era branco e rendado, assim como a calcinha de cintura alta. Marina contemplou o corpo da mulher a sua frente, e o contraste da pele bronzeada com a lingerie branca, era definitivamente perfeito – A minha delícia – repetiu a fotógrafa encarando-a lascivamente enquanto umedecia e mordia quase que inconscientemente o próprio lábio.
_Sabe que eu adoro você falando assim? – provocou Clara, sussurrando no ouvido da outra – É?! E o que mais você adora? – respondeu no mesmo tom, provocando-a de volta, e escorregando suas mãos para os seios de Clara. A assistente grudou os olhos nos dela, jogou um de seus braços ao redor do pescoço branco da namorada, e com o outro guiou a mão direita de Marina até seu sexo – Adoro quando me deixa assim, molhada desse jeito! – com a própria mão, direcionou dois dedos da namorada para o seu interior quente e Marina delirou ao ouvi-la gemer em seu ouvido.
_O que mais você adora, gostosa? – A mão que estava no pescoço da fotógrafa agora se agarrava a sua gravata, puxando-a em sua direção e colando suas testas. A outra mão ainda cobria a da namorada em seu sexo, e agora ditava o ritmo com que os dedos dela entravam e saiam de dentro de si – Adoro essa sua boca... – Clara atacou os lábios da outra com ímpeto, deixando a mão de Marina livre para continuar sozinha as estocadas em sua intimidade, utilizando-se de suas duas mãos para desfazer o nó da gravata da outra e atira-la pelo quarto.
Ainda sem desfazer o contato de suas bocas e o duelo de suas línguas urgentes e famintas, a assistente deixou seus dedos correrem pelos ombros da namorada, baixando o terno que usava até a altura dos cotovelos, passando rapidamente a abrir os botões de sua camisa. Suas mãos passeavam urgentes pelo peito de Marina, e a fotógrafa desvencilhava-se do terno no exato momento em que Clara perdeu a paciência com os botões, e puxou a camisa com força, estourando a maioria deles, fazendo-os voar para todos os cantos do quarto.
Marina desfez o contato de seus lábios e voltou a encara-la. Passou a língua ao redor de seus lábios, provocando-a, e sentiu os dentes da outra avançarem. Esquivou-se da mordida e desceu com a língua até o pescoço de Clara, depositando mordidas, lambidas e chupadas por ali. Sua boca desceu um pouco mais, passeando pelo colo da namorada, chegando até a renda branca de seu sutiã.
_Tira pra mim! – ordenou a fotógrafa, puxando o tecido com os dentes – Porque você mesma não faz isso? – perguntou Clara, ocupada demais em tentar controlar as sensações que os dedos de Marina violando-a vagarosamente naquele momento lhe causavam – Porque eu quero assistir você tirando. Tira pra mim! – o tom de voz da fotógrafa soara tão obsceno que a assistente não conseguiu fazer nada, a não ser obedece-la.
Clara estava visivelmente enlouquecida, e o brilho que seus olhos espelhavam, era a tradução do mais puro desejo. Entrou no clima do pedido dd Marina, e fez uma cena para tirar a peça, demorando-se a abrir o fecho e liberar seus seios. Depositou o sutiã no ombro da outra, inclinando-se em sua direção e tirando a mesma peça da namorada, liberando agora os seus seios e jogando ambas as lingeries no chão do quarto. Agarrou-se a nuca de Marina, buscando equilíbrio e tentando aproximar a boca de seu ouvido.
_Sabe o que mais eu adoro? – o ritmo de sua respiração tornara-se tão irregular e descompassado, que as palavras quase não saiam de sua boca – O que? – perguntou num suspiro, e sentiu a língua da outra contornar toda a sua orelha – Adoro sentir sua língua passeando em mim! – sussurou, gemendo alto no final, devido a um toque mais forte de Marina em seu sexo – Ah, você gosta é? – a mão da fotógrafa pousou no seio direito de Clara, apertando seu mamilo de leve – Amo! – respondeu com a boca ainda colada a seu ouvido, em meio a gemidos, que involuntariamente ficavam cada vez mais altos.
Marina deixou seus lábios deslizarem pelo corpo da namorada, indo do pescoço até seus seios. Trocou os dedos que estavam ali por sua língua e abocanhou o seio de Clara com vontade; sugando, lambendo e mordendo seu mamilo sem pudor algum. Ouviu-a tentar abafar um gemido mais alto, escondendo rosto em seus cabelos, porém sem sucesso – Amor... Eu vou gozar! – declarou com dificuldade, sentindo aquela onda de calor que lhe invadira momentos antes, voltar a tona – Rebola pra mim, Clara – a assistente captou os olhos castanhos da namorada, apoiou as mãos em seus ombros, e mais uma vez naquela noite, a obedeceu.
O quadril de Clara mexia-se de maneira ritimizada, acompanhando a velocidade com que os dedos de Marina trabalhavam, e a fotógrafa gemeu ao sentir a intimidade da outra contrair-se mais uma vez contra seus dedos, anunciando o gozo que viria. Fitou seus olhos pronfundamente e o corpo de Clara entendeu perfeitamente o pedido escondido naquele olhar, arrebatando-a em mais um orgasmo intenso e prolongado, obrigando-a a agarrar-se aos cabelos da outra em busca de equilíbrio.
Apoiou sua cabeça na curva do pescoço da outra. Respirou fundo, tentando mais uma vez controlar e compassar sua respiração. Mais uma vez, falhou com louvor. Sentiu os dedos de Marina deixando o interior de seu corpo devagar, e a viu tencionar repetir uma das cenas que ela própria adorava assistir: a namorada lambendo seu gozo por entre os dedos. Contudo, antes que a fotógrafa pudesse terminar o movimento que começara, Clara a interrompeu, segurando sua mão e levando seus dedos até a própria boca. Encarou-a por alguns segundos, e chupou dedo por dedo de Marina, vendo sua respiração sair do eixo e falhar algumas vezes durante o processo.
Marina beijou os lábios de Clara, sentindo o gosto da outra misturar-se a saliva de ambas, e o beijo que inicialmente apresentou-se de forma lenta, mudou de dinâmica rapidamente, tornando-se intenso, urgente e novamente desejoso. As mãos da fotógrafa pousaram no quadril da outra, e Clara foi surpreendida mais uma vez aquela noite, quando em um movimento rápido, a namorada girou seus corpos na cama, deitando-a sob os lençóis e deixando seu corpo cair por sobre o dela.
_Ah, Marina... – Clara gemia seu nome pela milésima vez aquela noite, entendendo perfeitamente as intenções da namorada – Você só pode estar querendo me deixar louca! – a pontinha do nariz da fotógrafa passeava por seus ombros, subindo lentamente pelo pescoço, e parando em sua orelha – Eu sempre quero te deixar louca, meu amor! – sussurrou palavra por palavra, sentindo sua sede por aquela mulher aumentar ao pronunciar cada uma delas. Deixou sua língua escapar por entre os lábios, fazendo o caminho de volta até encontrar sua boca, porém, não a beijou. Lambeu seus lábios devagar, delineando-os com a ponta de sua língua, como que em uma tortura particular.
As mãos de Marina já passeavam novamente pelo corpo bronzeado de Clara, e a assistente sentia seu sexo pulsar novamente por entre as coxas. Por um segundo, a assistente pensou no como era incrível o fato de Marina ter aquele poder sobre ela, conseguindo excita-la com uma facilidade que nunca tinha experimentado antes. Fechou os olhos e sentiu a boca da namorada descer até seus seios e deliciar-se com cada um deles, alternando entre lambidas lentas, chupões rápidos e mordidas amenas em seus mamilos. A fotógrafa percebeu o corpo da outra estremecer embaixo do seu, e deixou que seus dedos voltassem para o sexo de Clara, desta vez, brincando com seu clitóris inchado e sensível, ouvindo-a suspirar a cada pincelada de seus dedos por ali.
Sentiu as unhas da outra agarrarem-se as suas costas, e repetiu o mesmo ritual feito por seus lábios anteriormente, escalando o corpo de Clara com a boca até chegar a sua orelha – Tem mais alguma coisa que você adore... – mordeu o lóbulo de sua orelha, deixando a marca de seus dentes por ali – E queira me contar Clarinha?! – sua voz era rouca, grave, baixa, e a assistente nunca tinha ouvido seu apelido soar de forma tão obscena quanto agora. Seu corpo se arrepiou por inteiro, e naquele momento, a única coisa que ainda desejava era sentir a língua quente da namorada violar sua intimidade.
Deixou suas mãos se entrelaçarem aos cabelos da outra, puxando-os de leve, trazendo a boca da fotógrafa até a sua, beijando-a com mesmo desejo com que fora beijada minutos atrás. O ar acabou, e ela precisou desfazer aquele contato. Apesar de timidez que sempre tivera em sua vida, tudo era diferente com Marina, e mesmo sem acreditar que conseguiria dizer aquilo sem corar, tomou fôlego, e sem mais delongas contou seu desejo para a namorada – Quero gozar na sua boca, Marina! – sem dúvida, era a informação que a outra ansiava por ouvir, mas mesmo assim, sentiu seu corpo inteiro responder e corresponder a aquelas palavras.
_Ah, você quer? – sua voz falhou em todas as palavras, e soou tão baixa, que se sua boca não estivesse tão próxima do ouvido da outra, ela não a escutaria – Se você me pedir com jeitinho, posso pensar em fazer isso por você! – a língua de Marina subia e descia lentamente atrás de sua orelha, trazendo a memória da assistente todas as vezes que a namorada fizera esse mesmo movimento em seu sexo, e Clara pode sentir sua intimidade molhando-se um pouco mais com aquela recordação – Amor... – sua voz era quase suplicante – Me deixa sentir sua língua em mim, por favor! – pediu entre gemidos, e Marina então voltou a torturar seus lábios, lambendo-os sensualmente, como fizera antes.
_Assim, amor? – seu olhar assumia um tom cada vez mais sacana, e Clara literalmente deliciava-se com o brilho que via naqueles olhos castanhos. Entendeu bem o jogo da namorada, e decidiu colocar logo em palavras o pedido que seu corpo inteiro lhe fazia naquele momento – Marina... – puxou seus cabelos novamente, fazendo seus olhares se cruzarem – Me chupa! – seu tom assumira outra entonação, e aquelas palavras atingiram em cheio a libido inesgotável da fotógrafa. Involuntariamente mordeu o lábio inferior, umedecendo-o com a ponta da língua, e começou a descer pelo corpo de Clara, espalhando beijos e mordidas por onde sua boca passava.
Sua língua escorregou pela barriga bronzeada da namorada, brincou em seu umbigo e logo encontrou o tecido branco da calcinha que cobria sua intimidade. Marina, que antes torturava a namorada com a demora em atender seus desejos, agora tinha pressa. Muita pressa. Tirou sua calcinha rapidamente, deixando a peça cair ao lado da cama. Subiu com a ponta da língua pela parte interna de sua coxa, marcando um rastro leve de saliva por onde passava, até alcançar sua virilha. Brincou com a língua por ali, ouvindo Clara suspirar, gemer e resmungar qualquer coisa sem sentido. Uma das mãos da assistente buscou os cabelos de Marina, e a outra agarrou-se aos lençóis assim que sentiu aquela língua quente invadi-la de uma vez.
As duas gemeram em uníssono, a fotógrafa por sentir o gosto de sua amada na ponta da língua e Clara por sentir-se completamente entregue para aquela mulher, mais uma vez. A língua da fotógrafa pincelava seu clitóris com ímpeto, subia e descia, descia e subia, movia-se da direta para esquerda, da esquerda para a direita, e Clara já não tinha mais nenhum controle sobre nada em seu corpo. Sentiu os dedos firmes da namorada tocarem seus seios, e os gemidos que lhe escapavam pelos lábios aumentavam cada vez mais de volume e intensidade, enlouquecendo Marina por completo.
A fotógrafa explorava cada canto do sexo de Clara, e a sentiu estremecer quando penetrou-a com sua língua, repetidas vezes. A mão que estava em seu cabelo pressionava seu rosto contra a intimidade da assistente, e Marina sentia-se molhar cada vez mais ao deliciar-se com todas as nuances do prazer de sua mulher. Sentiu o corpo da outra contrair-se, e aumentou a intensidade dos movimentos de sua língua contra o clitóris da amada. Clara gemeu, e o som saiu muito mais alto e intenso do que esperava, enquanto sentia o líquido quente que vinha de dentro de si ser completamente sugado pela boca faminta e exigente da chefe. Marina bebeu o prazer da namorada com sede, e pode sentir o próprio gozo chegar ao ouvi-la ofegar daquela forma. Fechou seus olhos e gemeu, passando sua língua por toda a extensão do sexo da outra, uma última vez. Contrariando todas as suas expectativas, mais uma vez Clara gozara com uma intensidade jamais vivida, e seu corpo já não respondia mais aos seus comandos.
Marina escalou o corpo da amada, cobrindo-a de beijos e mordidas até alcançar seus lábios. Os braços da assistente repousavam ao seu lado na cama, inertes, e Clara sentia que não conseguiria mexe-los. Tentou entrelaçar suas pernas as da namorada, mas, mais uma vez não conseguiu que seu corpo lhe obedecesse.
_Eu te amo, Clara Fernandes! – declarou Marina, com os lábios colados aos dela – Eu te amo demais!
_Eu também te amo, minha delícia! – riu, fazendo referência a forma que a namorada lhe chamara mais cedo – Você acabou comigo, Marina! Não consigo nem me mexer mais, e agora hein?! – disse ouvindo o riso fraco e travesso da fotógrafa ecoar em seus ouvidos.
Marina a beijou mais uma vez, e ajeitou-se as suas costas, abraçando-a apertado.
_Eu cuido de você, meu amor – pousou seu nariz no pescoço da outra, logo abaixo de sua orelha, permitindo assim que Clara adormecesse ao som de sua respiração que agora encontrava-se calma, lenta, serena e despreocupada.
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Amanheceu, e a cidade cinza fazia jus ao seu nome. Não houveram raios de sol disponíveis para invadir o quarto, tampouco vontade e coragem de nenhuma das duas para levantar da cama. Marina já havia acordado e dormido no mínimo três vezes, com Clara sempre lhe fazendo cafuné e a admirando dormir todas as vezes que seus olhos se fechavam novamente. Pensava no dia anterior, em toda a tensão vivida na exposição, a briga que tiveram, as farpas que trocaram, o desfecho memorável da noite, mas o que mais lhe inquietava naquele momento era o presente que tinha levado para a namorada. Não sabia o que Marina iria achar, e isso lhe preocupava o suficiente para pensar em desistir de entregar aquela caixinha.
Como se a despertasse de alguma realidade paralela, o toque do telefone lhe trouxe de volta ao quarto, e Clara correu para o outro lado da cama, tentando atender o aparelho antes que ele acordasse a fotógrafa.
_Oi, Clara?!
_Oi tia, sou eu mesma. Tudo bem?!
_Tudo Clarinha e vocês? Pela voz, a noite foi boa hein! – riu – Como eu sei que não vai me responder isso mesmo, já vou falando logo de uma vez. Eu e o Jairo vamos voltar para o Rio com a Shirley hoje mais tarde, e pensei em almoçarmos todos juntos, nós aqui e vocês todas aí do estúdio, o que vocês acham?
_Eu acho ótimo, tia! Só preciso ver com as meninas e a agenda da Mari. Posso te retornar daqui alguns minutinhos?
_Pode sim, mas não se empolga ai com a Marina não hein, já são mais de onze da manhã, e aposto que quem acordou vocês duas fui eu. Acertei?
_Acertou sim – riu do jeito meio doidinho da tia – Mas, só eu que acordei. Ela ainda está dormindo, parecendo um anjinho aqui – suspirou involuntariamente – Então, pode deixar que eu não vou me empolgar – riu novamente.
_Certo! Então tô esperando, beijos.
Desligou o telefone e mais uma vez pensou na caixinha azul que carregara consigo na mala até São Paulo. Respirou fundo, e decidiu que o máximo que poderia acontecer era a namorada achar aquilo meio bobo e piegas, mas, no fim das contas, não era assim mesmo que ela se sentia ao lado de Marina?! Uma boba por estar tão perdidamente apaixonada, e cometendo frequentemente pieguices do tipo sair suspirando pelos cantos sem motivo aparente, enquanto seus pensamentos voavam em silêncio na direção de sua fotógrafa.
Tomou coragem e foi até a mala. Pegou a caixinha azul nas mãos e subiu novamente na cama. Permitiu-se admirar Marina dormir mais alguns segundos e deu início ao ritual que era acorda-la de verdade. Beijou seu rosto, seu pescoço, seus lábios, e a viu sorrir, ainda de olhos fechados.
_Acorda dorminhoca, já são quase meio dia – disse ainda distribuindo beijos e carícias em seu rosto, e ouvindo-a resmungar qualquer coisa, ainda mais dormindo do que acordada – Acooorda amor, a Ju chamou a gente para almoçar – Marina ensaiou abrir os olhos, mas era como se não conseguisse faze-lo, e mais uma vez, resmungou – E eu tenho uma surpresinha para você! – como se desse um click em sua cabeça, seu corpo despertou de imediato e acordou de súbito.
_Nossa amor, como você é cara de pau! Agora já sei o que tenho que fazer para te acordar em menos de uma hora! – disse rindo. Apesar da apreensão pela reação da namorada, seu estado de espírito era ótimo naquela manhã.
_Ah amor, adoro suas surpresas né?! Sempre! – seu sorriso assumia uma malícia involuntária e Clara sorriu, lembrando-se mais uma vez da noite anterior.
_Pode tirando seu cavalinho da chuva que não é nada disse que está passando por essa sua mente poluída não! – a assistente continuava rindo – é sobre uma outra coisa – baixou um pouco seu tom de voz, reassumindo uma certa seriedade.
_O que foi amor? Aconteceu alguma coisa? – preocupou-se com a súbita mudança da outra – Tá tudo bem?
_Calma amor, tá tudo bem sim. É que eu estava pensando numa coisa, e pode ser que você ache isso meio piegas, ou bobo, ou até clichê, ou sei lá eu... – Clara dava voltas, e Marina percebeu a ansiedade em sua voz.
_Clara, nada que vem de você é bobo ou piegas, e menos ainda clichê. O que foi? – Segurou suas mãos e percebeu que ela escondia algo embaixo do travesseiro.
_Bom... Depois que você veio aqui pra São Paulo, e nós ficamos brigadas daquele jeito, eu pensei muito no nosso relacionamento, e em como eu poderia fazer para te mostrar o quanto te amo – Marina iria interrompe-la, mas Clara colocou o dedo indicador em seus lábios, impedindo-a de prosseguir – E o quanto a nossa relação é importante para mim. Então... Cheguei a uma conclusão e queria te propor um pacto.
_Um pacto? Tô começando a ficar com medo Clara – disse tentando descontrair o próprio nervosismo.
_É, um pacto – puxou a caixinha azul que escondia debaixo de seu travesseiro até então, e a abriu, exibindo duas delicadas alianças de ouro branco. Antes que Marina conseguisse dizer alguma coisa, Clara voltou a falar – Eu amo você Marina Meirelles, eu amo mesmo. Quero viver com você tudo o que temos direito, e preciso que você tenha a segurança de que isso não é uma aventura pra mim – a seriedade aumentara em sua voz, mas Clara sentia a fala embargar – Nós não somos uma aventura. Sei que falar é fácil, mas pretendo te provar isso todos os dias, e não apenas com palavras, mas com todas as minhas atitudes – pigarreou fraco, para limpar a garganta e desembargar a voz – Estamos passando pelos nossos primeiros problemas e desafios enquanto casal, e eu quero muito que possamos confiar uma na outra, sem reservas ou questionamentos, portanto, o que eu estou te propondo, meu amor – sorriu para a outra – é um pacto de lealdade entre nós duas. Fidelidade, amizade, companheirismo, confiança, mas principalmente lealdade – Marina enxugou uma lágrima que teimou em escorrer dos olhos de Clara – E enquanto essa certeza ainda não está assim, tão concreta, eu quero deixar esse lembrete no seu dedo – pegou a aliança que continha a inscrição “C. Fernandes” gravada – De que onde quer que eu esteja, o que quer que eu esteja fazendo, estou sempre pensando em você, e sempre honrando esse nosso pacto. Longe ou perto – respirou fundo – Se você quiser aceita-lo. É claro!
Marina foi pega completamente desprevenida. Em momento nenhum tinha imaginado que a surpresa da namorada pudesse ser algo parecido com isso, e emudeceu. Perplexa. Entendia a seriedade do que Clara a estava propondo, e todas as palavras que saíram da boca da outra transbordavam no coração de Marina naquele momento. A fotógrafa piscou forte, e abriu um sorriso iluminado, de pura felicidade.
_Você me faz a mulher mais feliz do mundo, Clara Fernandes! – entregou a mão para a mulher a sua frente – É claro que eu aceito.
Assistiu Clara colocar a aliança que lhe cabia, lentamente, depositando um beijo demorado em seu dedo, e deixando uma lágrima alcançar o dorso de sua mão. Repetiu o gesto da outra e por mais que não quisesse, não conseguia não pensar em tudo o que já tinham passado para estarem ali agora. Respirou fundo, e deixou duas lágrimas escorreram também por sua face. Olhou Clara nos olhos, e acariciou seu rosto, deixando o polegar passear pelas bochechas, mandíbula, queixo, lábios, sobrancelhas e beijou-a com ternura.
_Eu te amo! – disse Marina selando seus lábios mais uma vez – E isso não tem nada de piegas! – riu baixo.
_Eu também te amo! – respondeu Clara entre um beijo e outro – E eu não ligo de ser piegas com você, bobona.
Trocaram mais alguns beijos e carícias, e quando Clara percebeu que a situação tomava outro caminho, interrompeu-as, lembrando Marina do almoço com a tia. Ligaram para as meninas que toparam de imediato, e algum tempo depois, encontravam-se todas no saguão do Hilton, indo em direção ao restaurante indicado por Shirley.
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A mesa estava animada. Shirley esbanjava seu humor ora ácido, ora negro para todos os lados, e era humanamente impossível não rir com suas observações sobre a vida. Juliana era outra atração à parte na mesa, sempre muito franca e direta, matava Clara de vergonha a cada história que resolvia contar de sua infância. Jairo tinha as melhores reações. Falava pouco, até porque não era um exímio conhecer de nenhum dos assuntos tratados a mesa, mas sempre que resolvia abrir a boca, lá vinha uma nova bomba! Seu jeito machista de ser incomodava a esposa, mas, no fundo, mesmo com a troca de algumas farpas e algumas observações atravessadas de Jairo, os dois até que funcionavam muito bem.
O clima na mesa era leve, e o romance era evidente. Victória e Vanessa nunca estiveram tão bem, e menos ainda tão próximas em público quanto naquele dia. Juliana e Jairo trocavam selinhos rápidos de vem em quando, e o casal atração era sem dúvida Clara e Marina. O clima entre elas era de uma intimidade tão gritante, que mesmo quem nunca as tivesse visto, poderia dizer, sem medo de errar que elas formavam um casal, e dos mais bem entrosados ainda por cima.
Os assuntos abordados ali foram diversos, mas sempre rondavam as artes, a Europa, os bons vinhos e as coisas boas da vida. Que segundo Shirley, resumiam-se em três palavras: amor, dinheiro e champanhe. Aos poucos o assunto foi sendo direcionado para a noite anterior, e o foco principal das pessoas na mesa agora era os acontecimentos da exposição de Marina.
_Marina, me diz aí, como é ter um harem aos seus pés? Porque minha gente, vamos combinar que mais da metade daquela galeria ontem queria o seu corpinho em uma bandeja – perguntou Shirley, desbocada como sempre – Você viu isso né Clara?! Toma cuidado!
_Ôh se eu vi Shirley! Namorar essa mulher é pedir para sofrer – involuntariamente tanto Vic quanto Van assentiram com a cabeça, como se concordassem plenamente com a afirmação dd Clara – mas amor, conta ai pra gente! Como é ter esse número ilimitado de opções?! – cutucou a namorada, jogando Marina na fogueira e cruzando os braços, a espera de uma resposta.
_Um disperdício. Afinal de contas, meu olhos já tem dona, e só se perdem nos dela. Independente das supostas concorrências! – respondeu de pronto, fazendo Clara lembrar-se da fase galanteadora de Marina no início de tudo.
_Olha aí, o que eu falei sobre os artistas viverem com mais intensidade?! Até em uma simples resposta! – disse Shirley com seu jeito extrovertido – Segura essa mulher hein Clarinha!
_Essa aqui já é minha, e não largo! – selou os lábios da outra demoradamente, e Jairo literalmente engasgou com a cerveja que tomava, quase cuspindo tudo em cima da mesa.
_Ah, que coisa mais linda! Só a gente sabe o quanto sofremos junto com elas para chegarem aqui hoje – disse Flavinha, indicando a si mesma, a ruiva e a loira ao seu lado.
_Verdade! Você largou o bonitão? – disse a socialite, levando a mão até a boca – Não me leve a mal Marina, mas é que o Cadu é um pedaço né gente, vamos combinar! – o jeito de Shirley era tão espontaneo que não tinha como se ofender.
_Não foi bem assim, largar. Mas me separei do Cadu sim! Não funcionávamos juntos e depois que a Marina apareceu na minha vida, ficou insustentável – trocaram um sorriso cúmplice, e Shirley resolveu que faria a pergunta que rondava a sua mente naquele momento.
_Que mel hein Clara! Primeiro é o bonitão, agora essa mulher maravilhosa do seu lado. Mas, me conta, Marina tá dando conta do recado?! – agora não só o Jairo, mas todos na mesa engasgaram-se quase que simultaneamente. Provocando um ataque de riso coletivo no grupo.
Ao longe, sentadas em outra mesa, um grupo de quatro belas mulheres chamava a atenção de grande parte do salão, e não demorou para que Melissa reconhecesse Clara sentada ao lado de Marina na área externa do restaurante. A italiana sorriu para si mesma, satisfeita com a feliz coincidência de encontrar com Clara por ali, mesmo que sem querer. Como se estivesse hipnotizada pela figura da carioca, Melissa levantou-se de onde estava e rumou salão afora, indo em direção a ela.
De onde estava sentada Clara não teria como perceber a chegada da morena, porém, Marina não tinha a mesma sorte, e não demorou para que seus olhares se cruzassem, desafiando-se de imediato. O desdém nos olhos de Marina era tão intenso que Melissa vacilou por alguns segundos, diminuindo o passo. A segunda pessoa a vê-la foi Victória, que não a poupou de um novo fuzilamento desdenhoso.
_Ué gente, eu acho a pergunta da Shirley super válida! – palpitou Juliana – Vai Clara, revela. Marina dá ou não dá conta do recado?
Assim que ouviu a pergunta a italiana parou de vez, ficando a poucos passos da mesa, mas não exposta o suficiente para que os demais a vissem ali. Marina percebeu a parada de Melissa, e mesmo sem virar a cabeça para olhar na direção da outra, era como se pudesse sentir a sua presença ali.
_É amor, responde a pergunta. Essa resposta muito me interessa! – encorajou Marina, fazendo Clara virar um verdadeiro pimentão, enquanto Vanessa e Victória riam.
_Tá se garantindo hein Marina? Para pressionar a resposta em público assim! – Shirley gargalhava na ponta da mesa – E aí Clara, é para hoje ou para amanhã essa resposta?
_Marina dá conta do recado, do bilhete, da secretária eletrônica, e da agenda inteira! – seu rosto ardia de vergonha, mas ainda assim inclinou-se para beija-la, deixando seu pescoço exposto, e de repente, Juliana caiu na gargalhada, sem ninguém entender nada.
_Olha a Marina deve mesmo dar conta da agenda inteira porque meu Deus Clara, o que é isso no seu pescoço? – disse apontando para uma marca roxa localizada bem abaixo da orelha da sobrinha.
_Viu Marina! Eu falei que alguém ia ver! – ralhou com a namorada, dando-lhe um leve tapa no ombro e escondendo o rosto em seus cabelos, já sem saber dizer do que estava com mais vergonha. A fotógrafa riu.
_Eiiiita que a noite foi boa! – disse Vanessa, disparando um olhar malicioso para a namorada, que não perdeu tempo e selou seus lábios.
_Eu tô parado no tempo, ou isso aqui tá tudo errado mesmo. Só pode! – resmungou Jairo para si mesmo.
_Ah, as noites com a Clara sempre são maravilhosas. Mas, a de ontem foi mesmo sensacional! – sentiu a namorada lhe dar mais um tapa e permanecer escondida em seus cabelos.
Mesmo sem dizer nada, Clara tinha percebido o tom diferente que Marina usara na voz, e passou os olhos pelo lugar, sem saber ao certo se buscava mesmo encontrar alguma coisa por ali. Arrependeu-se no exato momento em que seu olhar cruzou com o verde dos olhos de Melissa. Fechou os olhos e piscou forte, como se pudesse dissipar a imagem e a desmentir a presença daquela mulher com este gesto. Porém, quando tornou a abrir oa olhos, se deu conta de que ela continuava ali, e pior, caminhava em sua direção.
_Boa tarde garotas! – cumprimentou a todos genericamente – Clarinha, boa tarde! – como de costume, fez questão de diferenciar seu cumprimento para Clara dos demais.
_Boa tarde, Melissa! – respondeu a italiana, sentindo o corpo de Marina tensionar automaticamente ao seu lado.
A tensão pairava densa no ar, e mais um pouco seria possível pega-la.
_Por que não se junta a nós? É... Melissa, não é?! – perguntou Juliana.
_Só se me deixarem responsável pela próxima rodada de drinks dessa mesa – disse já chamando o garçom, pedindo as novas bebidas e sentando-se ao lado de Ju.
Os olhares de metade da mesa pousavam em Marina, como se estudassem suas ações, e a outra metade parava em Melissa. Shirley, que não era boba nem nada, entendeu logo de cara o conflito, captando sem dificuldade alguma o ar desafiador entre as duas mulheres. Como apaziguadora não constava em sua lista de características, resolveu jogar um pouco de lenha na fogueira.
_Pois bem Melissa, estávamos aqui falando sobre como os artistas vivem com mais intensidade, e graças a Clara e seus hematomas de amor, acabamos de descobrir que a coisa é intensa no amor e na cama também. O que você acha de tudo isso? – jogou a pergunta, e todos na mesa viraram-se para ouvir a resposta da outra.
_Bem... Casais, por mais medianos que sejam, sempre acabam tendo uma noite ou outra fora da curva, não é?! – respondeu encarando Marina, como se dissesse para ela que as marcas da noite que tiveram não lhe atingiam – Mas, sobre a intensidade no amor, não sei se adianta muito acordar roxa, quando lá no fundo pensa em conhecer outras camas no outro dia pela manhã. Será isso amor? Intensidade? Não sei... O que você acha Mari? – a insinuação de Melissa deixara Clara furiosa, e no exato momento em que ela preparava-se para falar, a fotógrafa pousou a mão em sua coxa, apertando-a levemente, solicitando que não falasse nada. Os olhos de todos na mesa agora pairavam sobre Marina.
_Realmente Mel, relações furtivas tem dessas coisas. Mas, acho que você não entenda muito bem o significado da palavra amor. Afinal, uma das características desse sentimento é justamente o querer estar junto, o querer para si – direcionou seu olhar para a namorada – A vontade de cuidar e ser cuidada, de mimar e ser mimada, de beijar e ser beijada, sempre pela mesma pessoa, pela mesma boca – sorriu para a assistente – E eu tenho mesmo muita sorte nesse quesito viu, Mel?! Afinal, gerando roxos ou não, minhas manhãs com Clara conseguem ser melhores do que as noites. Hoje, por exemplo, recebi juras de amor, um pedido de namoro oficial, e de quebra ganhei um presente lindo – levou a mão direita de Clara até a boca e beijou sua aliança – Se não é amor, se não é intenso, o que é?!
A italiana sentiu seu celular vibrar no bolso da calça, e como se fosse salva pelo gongo, atendeu a ligação irritada de Thais. Por mais que quisesse dar uma boa resposta a pergunta de Marina, a verdade é que as palavras lhe escapavam frente a realidade daquela aliança no dedo das duas, e resolveu apreoveitar a oportunidade e sair pela tangente.
_Infelizmente terei que me retirar, garotas – levantou-se – Foi um imenso prazer reve-las – meneou a cabeça em direção as mulheres da mesa, no exato momento em que Melissa despedia-se – Espero que apreciem as bebidas – virou-se para Clara –Clarinha... Ainda me deve uma resposta pela pergunta que te fiz ontem – piscou para a carioca e saiu.
Melissa digeriu o ponto que Marina marcara como se degustasse algum tipo de ácido, e caminhando de volta a sua mesa, teve que admitir que a fotógrafa vencera aquele round. Nocaute técnico!
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