Velvet Touch
24 O Jantar
Notas iniciais
O clima no carro era ótimo, a viagem dos três estava programada para acontecer dentro de dois dias, e a animação de Ivan era contagiante ao extremo. Mãe e filho brincavam o tempo todo com Marina, que apesar de toda a descontração dentro do carro, reservava-se no direito de estar apreensiva pelo jantar de logo mais, na casa da tia de Clara. Já tinham se conhecido na exposição, tinham tido aquele almoço, mas tudo isso havia acontecido em seu território, ou ao menos, em território neutro. Diferentemente de agora, que ela estaria no prédio da família da namorada.
Assim que pararam em frente ao prédio no Leblon, Clara percebeu a apreensão de Marina, e segurou firme em sua mão, como se lhe dissesse que estava tudo bem. Ivan, que observava sua amiga pelo espelhinho do retrovisor central do carro, também percebeu que ela estava meio nervosa e tratou de tranquiliza-la.
_Marina, fica tranquila. Geral vai gostar de você quando te conhecer, e se não gostarem eu te defendo! – como sempre a inocência e a sinceridade infantil de Ivan eram comoventes.
A fotógrafa sorriu para ele pelo espelho e virou-se, dando um beijo estalado no rosto do menino.
_Sendo assim, com um defensor gato desse jeito, vamos lá né?! – deu um selinho na namorada e seguiram para fora do carro.
Passaram pela portaria, e seu Zé observou em silêncio a interação entre os três, enquanto esperavam o elevador. Já tinha visto a fotógrafa algumas vezes por ali, mas nunca imaginara que duas mulheres, bonitas como elas, tivessem um envolvimento dessa natureza. Ainda mais Clara, que era casada com um tipão igual a Cadu até pouco tempo atrás. A mãe de Ivan reparou nos olhos curiosos do porteiro e sorriu para ele, pegando na mão de Marina e depositando um beijo rápido em sua bochecha, confirmando todas as possíveis suspeitas e dúvidas que o homem ainda pudesse ter.
Passaram primeiro na casa de Helena para deixar Ivan, e Marina, sentindo-se como uma adolescente, prendeu a respiração antes de adentrar a casa da irmã de Clara. O menino estava eufórico ainda com a ideia de conhecer a neve, e a primeira coisa que fez foi contar sobre a viagem que fariam a Bariloche para sua tia e Virgílio, que tomavam uma garrafa de vinho e conversavam sentados um em cada sofá da sala de estar.
_Tia, vamos ver a neve! Acredita? Daqui dois dias. Cara, nem vou dormir! – disse enquanto corria para cumprimenta-los com beijos no rosto. Marina sorriu, e Clara explicou a parte que o menino não contara.
_Boa noite! – riu – Hãn... Vamos para Bariloche em dois dias irmã – contou, chamando a atenção dos dois para onde estavam ela e Marina. Paradas logo depois da porta, de mãos dadas.
_Boa noite garotas! – cumprimentou Virgílio, levantando-se e indo em direção as duas, não muito surpreso com a cena que assistia – Como assim Bariloche? Vai enfrentar mais um avião, Clara?
_Ai cunhado, não fala muito nisso não, porque se não desisto! Vocês sabem como morro de medo de voar né?! Mas... A Marina nos convidou, e vocês estão vendo a empolgação desse moleque para irmos agora né?! Não terei como escapar – disse alternando sorrisos entre o filho e a namorada.
Helena seguiu os passos do esposo, e agora cumprimentavam adequadamente as duas mulheres ali.
_Tomara que eu não perca a minha mão dessa vez. Voltando de São Paulo já não sobrou quase nada – a fotógrafa tentava descontrair mais a si própria do que o ambiente em si – É medo demais em uma pessoa só – riu baixo, soando quase tímida.
_É! Para de ser medrosa né mãe?! Desse tamanho pô! – brincou Ivan, enquanto colocava-se no meio das duas e segurava uma mão de cada – E outra, eu e a Marina estaremos lá para te proteger. Então, pega nada!
_É filhote, pega nada né?! – falou no mesmo tom de voz do menino, bagunçando seus cabelos e rindo baixo.
Tanto Helena quanto Virgílio observavam o comportamento de Ivan em relação à fotógrafa, e era absolutamente evidente o quanto o menino gostava da namorada da mãe. Helena respirou aliviada. Amava muito sua irmã caçula, e apesar de torcer para que ela pudesse viver esse amor ao lado de Marina, tinha medo de como seria a reação de Ivan a tudo aquilo. Afinal, era uma mudança consideravelmente razoável em sua dinâmica familiar anterior. Contudo, pelo que via ali, o menino a aceitava muito melhor do que a própria Clara pudesse ter imaginado que aconteceria.
Trocaram mais algumas palavras, e assim como já tinha combinado com a irmã ao telefone mais cedo, Clara deixara Ivan para dormir lá novamente aquela noite. Subiram até o apartamento de Juliana, e para a surpresa da fotógrafa, a namorada lhe roubou um beijo dentro do elevador, no tempo em que esperaram o andar de sua tia chegar. Marina sorriu, e devolveu o beijo na namorada, buscando encontrar a calma que ela queria lhe transmitir. Contudo, mesmo rindo internamente de si mesma, mais uma vez, a exemplo do que acontecera na porta de Helena, Marina respirou fundo ao ouvir o som da campainha.
_Olá meninas! Achei que não vinham mais – disse Ju, cumprimentando-as com dois beijos no rosto.
_Que exagero né tia?! Estamos o que? – Clara olhou em seu relógio de pulso – Vinte minutinhos atrasadas só – riu baixo – Culpa da Leninha. Passamos lá para deixar o Ivan antes de vir para cá.
Juliana sorriu para as duas, e deu passagem para que adentrassem o apartamento. Jairo que estava sentado em um dos sofás colocou-se de pé e caminhou até elas, cumprimentando-as educadamente, porém, não conseguindo deixar de encarar os dedos das duas que permaneciam entrelaçados. Seguindo os olhos do marido, Juliana percebeu qual a cena que intrigava Jairo, e sem que percebesse balançou a cabeça negativamente, jogando-a de um lado para o outro, já imaginando que o jantar seria recheado de suas observações e comentários fora de hora.
Conversaram um pouco, e para alívio de todos, Ju contou que o mal estar de Bia não tinha passado de um susto, e que a menina já estava sem febre ou dores, dormindo tranquilamente naquele momento. Sem muita demora, dirigiram-se a mesa e o jantar servido era composto por iguarias da culinária japonesa. A primeira coisa a ser servida foi uma rodada generosa de saquê, e após um e outro fracasso de Jairo em conseguir comer com o Hashi as risadas já rolavam initerruptamente à mesa.
Marina soltava-se cada vez mais, e com a ajuda das rodadas extras de saquê que eram servidas animadamente por Juliana, em pouco tempo já sentia-se completamente a vontade na presença do casal anfitrião.
_Ai tia, para! – disse Clara em meio a risadas que pareciam não ter fim – Não sei por que você insiste em acabar com a minha reputação contando essas histórias! Poxa! A Marina vai achar que sou a pessoa mais desajeitada do mundo desse jeito. Socorro!
_Ah amor, como se eu já não soubesse disso, não é?!
_Que absurdo! – forçou uma expressão indignada – Como assim amor? Você tinha que me defender, não acha não? – brincou enquanto desviava de um selinho que a namorada tentava lhe dar como pedido de desculpas.
_Hãn... Eu posso fazer uma pergunta? – questionou Jairo, deixando todas as mulheres ali extremamente curiosas – Como que funciona esse negócio aí de mulher com mulher? – direcionou sua pergunta para Marina, e ela saiu com uma curiosidade e uma confusão tão evidentes, que se no almoço do dia anterior tinha sido ele a se engasgar a mesa, agora era a vez de Clara e Marina repetirem essa cena.
Apesar de surpresa pela pergunta, a fotógrafa sorriu maliciosamente, e sua voz assumiu uma entonação sedutora de forma automática. Como se ela não pudesse controlar essa alteração.
_Bom Jairo, a maioria dos homens tem a ilusão de que as mulheres possuem apenas dois pontos de prazer. Mas, a verdade é que o corpo feminino funciona de maneira bem diferente do masculino – a naturalidade com que a namorada respondia a pergunta de Jairo, fazia com que Clara ficasse cada vez mais vermelha – Vocês, tem um prazer mais físico e se excitam de forma quase que involuntária – riu da expressão atenta do malandro, que além de concentrado em sua fala, agora concordava com ela através de um aceno positivo de cabeça – Nós mulheres, não.
_Como assim? Conta que agora tá interessante isso aí rapá! – por mais que não vivesse mais em sua antiga comunidade, o linguajar que fora adquirido em seu bairro natal não deixava de marcar presença em sua maneira de falar, e agora quem corava era Juliana.
_Com as mulheres, a excitação às vezes não envolve nem o toque em si, mas, uma palavra específica, uma maneira de falar, uma respiração mais pesada – a mão de Marina escorregava pela coxa parcialmente desnuda de Clara, por debaixo da mesa, e a assistente esforçava-se para não denunciar aquele movimento para os demais presentes – Nós temos paciência para descobrir cada um dos pontos de prazer do corpo da outra, além da vantagem de poder atingir o orgasmo diversas vezes na mesma noite – Clara e Juliana já deixavam seus respectivos queixos caírem, e a assistente não conseguiu segurar um suspiro baixo, que literalmente lhe escapou por entre os lábios quando as unhas de Marina marcaram a parte interna de sua coxa, chamando a atenção de Jairo – Sem contar que uma mulher, conhece melhor a anatomia de seu próprio corpo do que um homem, né Jairo?! – as unhas da fotógrafa desceram até o joelho da namorada, provocando-lhe um novo suspiro.
_Não entendo ainda como é que isso funciona, sem... Bom, sem... O instrumento principal aí no meio, mas caraca mané! Você deve ser boa mesmo hein Marina?! A mulher já tá suspirando aí sem rolar nada. Ganhou meu respeito! – Marina riu baixo. Um riso rouco, sensual, e tirou sua mão rapidamente de onde estava, ganhando um tapa forte da namorada em seu ombro.
_Nossa Marina, agora eu entendo o porquê da Clara falar em você sempre pegando fogo! Você é poderosa hein mulher? Meu Deus! – disse abanando-se, e provocando um olhar de pura malícia da fotógrafa em direção a sua namorada.
_E aí Ju?! Que parada é essa? – perguntou Jairo, irritado pela brincadeira da esposa.
_Ju, vamos mudar de assunto que é melhor – interviu Clara, não apenas pela irritação de Jairo, mas pelo medo de não conseguir controlar o desejo que a mulher ao seu lado lhe despertava.
_ Com toda essa beleza e sedução, você deve ter arrasado o coração da mulherada por aí né Marina?! – a fotógrafa fica um pouco sem graça, lembrando-se principalmente do desfile de ex-namoradas que estiveram em sua exposição, e como não poderia deixar de ser, por mais despretensiosa que fosse a pergunta de Juliana, aquele questionamento ligara o ciúmes de Clara quase que automaticamente.
_Ah, mas nem pergunte quantas ela já pegou viu Ju?! Porque olha, sinceramente, deve nem fazer ideia mais. Não é amor?! – perguntou irônica.
_Não é bem assim né. Eu tive minhas histórias no passado, minhas fases! Só isso.
_Suas fases?! Sei... Viu que isso quer dizer que ela não sabe mesmo o número né tia?! – Jairo fazia cara de bobo, ainda processando a informação anterior e meio que sem acreditar que outra mulher pudesse realmente pegar tanta mulher assim quanto Clara insinuava – Agora, se perguntar para ela quem foi à primeira, e curiosamente a última antes de mim, essa ela sabe.
_Pera aí, aquela loira bonitona lá da exposição foi a sua primeira namorada? Gente! Jura? Começou bem hein menina?! – riu.
_Pois é tia. A linda e querida professorinha Victória! – o ciúme era o único tom que saia da boca de Clara, e Juliana literalmente assustava-se ao ouvir a sobrinha, afinal, Clara nunca tinha tido ciúme de Cadu antes, então definitivamente não conhecia esse seu lado. Marina, por sua vez, quase ofendeu-se com o tom usado por Clara para falar de Vic, e sua expressão agora beirava a indignação.
_Engraçado você falar assim, né Clara?! Afinal de contas, “curiosamente” – usou o mesmo tom da namorada – Eu não sou a única mulher a fazer parte da sua vida, não é?! – cutucou com a mesma ironia e ciúmes que a outra usara, e agora foi a vez de Clara ofender-se com a referência que Marina fizera à Melissa.
_É sobrinha, eu vi aquilo lá no almoço com a tal da Melissa hein. Demorou tanto para admitir que estava apaixonada pela Marina, e agora já tem outra na parada?! Pegou gosto rápido pela coisa hein minha filha?!
_Epa! Não é assim que a coisa acontece não tia. Vamos parando por aí vocês duas! Ela que fica me assediando.
_Fica mesmo. E sua sobrinha corresponde que é uma beleza, viu Ju?! – o sarcasmo agora dominava o tom de voz da fotógrafa.
_Eita que agora a coisa vai fica boa aqui! – Jairo pensou alto demais, servindo uma nova rodada de saquê para todas sentadas a mesa.
_Marina! Isso não é verdade! Eu não correspondo nada não. Já te falei que ela me incomoda, e que é isso só. Ponto final.
_Incomoda? Hum... Mas, Clara, o que a Melissa faz quando te assedia? – perguntou Juliana, curiosa.
_O que ela faz?! Co...mo assim o que ela faz? – gaguejou, começando a ficar nervosa com o rumo que a conversa tomava.
_É amor, conta pra gente. O que ela faz? – o olhar de Marina era fulminante, mas Juliana parecia não perceber o que estava acontecendo ali. Os olhos de Clara grudaram-se nos da namorada. Involuntariamente passou a mão pela nuca, e engoliu em seco, sentindo-se meio sufocada.
_Ela não faz na...nada! – gaguejou mais uma vez.
_Ah Clara, vamos lá. Se ela te assedia, ela faz alguma coisa!
_Concordo plenamente com você Ju. Afinal, o que eu vi no saguão do hotel em São Paulo não me pareceu nada, dona Clara. Imagine o que eu não vi, não é?! – cuspiu Marina, ainda irritada por todas as cenas de proximidade que presenciara entre a namorada e a italiana.
_Vixe! Agora a porra ficou séria! – disse Jairo, engasgando-se com sua décima dose de saquê e rindo baixo.
_Amor, a gente já conversou sobre isso! Não é nada. Parem vocês duas! – decretou, tentando encerrar aquele tema de uma vez por todas.
_Olha Marina, você fica de olho nisso aí, porque com você, também não era nada não, viu?!
Naquele momento, Marina já corroía-se internamente, sentindo o ciúme e a raiva que tinha de Melissa a consumirem de dentro para fora. Respirou fundo, tentando controlar-se melhor, porém, falhando com louvor. Pediu licença e retirou-se da mesa, indo em direção ao banheiro.
_Pô Ju! Você também não colabora né cara?! – esbravejou Clara, saindo de encontro à namorada.
Jairo e Juliana trocaram um olhar divertido, achando graça em ambos os ataques de ciúmes de suas convidadas e continuando o jantar de onde haviam parado. Clara, por sua vez, estava nervosa, e como já tinha decidido que Melissa não atrapalharia mais sua relação com Marina, foi atrás da namorada para resolver a situação. A porta do banheiro estava apenas encostada, e a assistente bateu duas vezes antes de abri-la por completo e encontrar a fotógrafa ali, encarando seu próprio reflexo no espelho.
_Ei, o que aconteceu? – perguntou deixando a porta fechar atrás de si.
_Nada. Eu só vim jogar uma água no rosto. Já volto pra lá! – Marina mentia tão mal, que não enganaria nem mesmo uma criança.
Clara aproximou-se das costas da namorada e abraçou sua cintura, pressionando o corpo da fotógrafa contra a pia. Marina espalmou as mãos no mármore gelado e com a pontinha do nariz, Clara delineou desde o ombro até seu ouvido, deixando a respiração pesar ao sentir o cheiro da chefe penetrar em suas narinas. A fotógrafa arrepiou-se, assistindo aos movimentos de Clara pelo espelho a sua frente e uma de suas mãos automaticamente jogou-se para trás, enlaçando o pescoço da namorada e aceitando aquele contato.
_Amor, você sabe que mente mal, não é?! – disse Clara, deixando seus lábios passearem pelo pescoço branco de Marina – Por que você é tão bobinha assim, hein?! – os lábios deram espaço para a língua, e a assistente agora contornava toda a orelha da namorada.
_Clara, Clara... Não faz assim! – pediu sentindo sua respiração começar a acelerar.
_Assim como? – a assistente colou seu corpo um pouco mais ao da chefe, e suas mãos agora passeavam por cima do jeans que cobria suas coxas. Marina tentou girar seu corpo, mas Clara não deixou – Tá com pressa amor? – as palavras foram sussurradas em seu ouvido, e o tom de voz usado pela assistente era completamente obsceno. A mão da fotógrafa, que pairava comportada no pescoço da namorada, agora já agarrava-se a sua nuca e lhe puxava os cabelos, tentando trazer a boca da outra em direção a sua própria.
Clara ameaçou tocar seus lábios, mas desviou no último segundo, arrancando um suspiro involuntário da namorada. Repetiu esse movimento mais algumas vezes, porém, em uma dessas investidas, distraiu-se, dando a chance de Marina ficar de frente para ela. Sem perder tempo, a fotógrafa tomou-a em seus braços e avançou em seus lábios, arrebatando-a em um beijo intenso e urgente.
_Amor... Temos... Que... Voltar... – Clara ofegava, e sua voz já quase não saia e apesar da insinuação de que precisavam parar o que estava começando ali naquele banheiro, as mãos da assistente não lhe diziam a mesma coisa, e como se tivessem vida própria, subiam lentamente por dentro da blusa da fotógrafa. Marina sorriu maliciosamente para ela – Tem certeza que quer voltar agora Clarinha?! Fica só mais um pouquinho... – as mãos da fotógrafa guiaram as da assistente até seus próprios seios, apertando-os por sobre o tecido do sutiã.
_Marina... – Clara gemeu o nome da outra no mesmo instante em que sentiu seu corpo encostar no azulejo gelado da parede atrás de si. Os dedos finos da fotógrafa subiam por suas coxas, e Clara podia sentir o tecido de sua calcinha umedecer cada vez que eles ficavam mais próximos de tocá-la mais intimamente, porém, Marina fazia um pequeno jogo de tortura com a namorada, descendo os dedos para iniciarem a escalada de sua perna novamente, toda vez que chegavam à altura de sua virilha.
Clara sentia sua mente embaralhar, e inutilmente, tentava conter as sensações involuntárias que Marina provocava em seu corpo, e colocar as ideias no lugar, afinal, estavam no banheiro do apartamento da tia, e ela e seu marido estavam a sua espera na sala de jantar, logo ali, do ladinho das duas. Contudo, se mesmo que mínima, uma parcela da mente de Clara ainda pensava em impedir a namorada de continuar, ela definitivamente perdeu essa batalha no exato momento em que Marina tocou seu sexo por sobre o tecido molhado da calcinha com a ponta dos dedos.
_Não parece que você quer mesmo parar por aqui amor – a provocação da fotógrafa saíra de forma tão baixa, pausada e rouca, que a assistente gemeu, apenas por ouvi-la falar daquela maneira. Sem esperar por consentimentos explícitos, Marina colocou seus polegares um de cada lado da cintura de Clara e agachou-se devagar, escorregando sua calcinha lentamente por ali até encontrar o meio de suas coxas, olhando-a fixamente durante todo o caminho. A assistente deliciava-se com a cena da namorada encarando-a daquela forma, com todo aquele desejo, e sentiu-se molhar um pouco mais quando percebeu a ponta da língua de Marina umedecendo os próprios lábios, quase que inconscientemente.
Esperou que a fotógrafa levantasse novamente, ansiando pela troca de um novo beijo e fechou os olhos, aguardando por aquele contato. Entretanto, para sua surpresa, a namorada não levantou de onde estava, e segurando-se firmemente em suas coxas, sem pedir permissão, invadiu seu sexo com a língua quente e faminta que Clara já conhecia tão bem. Foi impossível controlar um gemido, que sem dúvida saiu bem mais alto e intenso do que a assistente gostaria, e quase que automaticamente suas mãos agarraram-se aos cabelos da namorada, buscando o equilíbrio que suas pernas já não lhe davam mais.
Juliana, por mais desligada que fosse, já começava a achar estranha a demora das duas, e por mais que tivesse entendido que a cena que assistira ali anteriormente não devia ter passado de uma pequena crise de ciúmes, não sabia se as coisas estavam bem entre a sobrinha e a namorada, e uma pontada de culpa lhe atingiu. Aquele era seu jeito, todos sabiam disso, mas, às vezes, ela mesma admitia que falava de forma espontânea demais, sem perceber ou considerar o incômodo que isso causava nas outras pessoas.
Pensou um pouco, e resolveu checar se estava tudo bem entre as duas. Levantou, indo em direção ao banheiro, e Jairo, como não poderia deixar de ser, a seguia a passos lentos. Encontraram a porta do banheiro fechada, e Juliana, agora já mais curiosa do que preocupada efetivamente, colocou a orelha na madeira branca da porta. Escutou atentamente por alguns segundos, fazendo um sinal para que Jairo permanecesse afastado. E de repente, levou uma das mãos à boca, sufocando um riso que quase deixou escapar, enquanto a outra puxou o marido pelo braço, fazendo com que ele a seguisse de volta para a sala.
Assim que voltaram à mesa, Juliana caiu na gargalhada, e Jairo não entendeu absolutamente nada do que estava acontecendo.
_Qual é Ju? Por que você me puxou daquele jeito? O que é tão engraçado?
_Ai Jairo... Só posso te dizer que brigando é que elas não estão! – disse em meio a um novo acesso de gargalhadas, e agora já não sabia mais se ria da situação ou da cara de espanto do marido.
_Co...mo assim? Elas... Tão se pegando?! Tipo... Se pegando MESMO?
_Exatamente! Mas, você nem ouse colocar essa sua mente fértil para imaginar nada disso não Jairo! Me poupe hein...
Da mesma maneira que a esposa, Jairo também caíra na gargalhada, e logo na sequencia tratou de mudar de assunto, mas, não conseguiu atender ao pedido de Juliana, e sua mente agora viajava por possibilidades e especulações de como estaria acontecendo aquela pegação lésbica dentro de seu banheiro.
Alheias aos acontecimentos, ao tempo, ao espaço, e principalmente ao flagra que haviam levado, Clara e Marina continuavam a amar-se intensamente dentro do banheiro, e já ficava cada vez mais difícil para a dona de casa controlar o volume com o qual seus gemidos lhe escapavam, quando começou a sentir aquela onda já familiar de calor lhe invadir, sentindo seu sexo contrair-se contra a língua da namorada.
_Ah! Marina... Eu... Vou... – antes que pudesse completar o aviso, Marina já sentia o gosto adocicado do gozo de Clara escorrer por seus lábios. As pernas de Clara bambearam e a assistente segurou-se nos ombros da fotógrafa, buscando o equilíbrio necessário para manter-se em pé, enquanto a namorada lambia gota a gota de seu prazer com uma satisfação quase obscena.
Marina subiu a calcinha de Clara novamente, deixando uma leve marca de suas unhas pelas coxas bronzeadas da outra. Buscou os lábios da carioca com os seus, e a namorada correspondeu ao beijo da fotógrafa com desejo, paixão e ternura.
_Amo você! – declarou antes de morder os lábios vermelhos e borrados de Marina – Hoje à noite você não me escapa Marina!
_Tá me ameaçando, é?!
_É só um aviso, meu amor. Só um aviso! Agora, arruma esse batom logo e vamos – agora foi a vez de Clara sorrir maliciosamente para a namorada, e sem mais delongas deixou-a lá, retocando seu batom frente ao espelho e voltou para a mesa ao encontro de sua tia.
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Era fim de tarde, e Melissa começava a organizar e arquitetar suas ideias. Acabara de sair da loja onde adquirira a peça fundamental para a realização de seu plano e agora olhava para o objeto em sua mão, rindo involuntariamente da ironia que aquela máquina representava naquele momento. Pensou no cenário ideal, nos poucos dias que tinha antes da viagem das duas, e decidiu não incrementar demais, atendo-se apenas ao necessário.
Sua mente voava, e mesmo que sem querer, não conseguia parar de pensar e imaginar a cena de Clara deitada em sua cama. Definitivamente, aquele era um plano de mestre, e Melissa o executaria com todo o cuidado do mundo. Estava no shopping, e decidiu parar na praça de alimentação para comer qualquer bobagem por lá mesmo. Zapeou o celular por ali e encontrou o número que queria.
_Alô Denis? Oi querido, é a Mel, tudo bem?!
_Melzinha... Quanto tempo! Eu estou ótimo e você?
_Pois é, tempo demais mesmo! Época boa aquela das nossas festas!
_Com certeza. Programando alguma das boas?!
_Por enquanto não, mas em breve, muito breve quero dar uma sim – fez as contas mentalmente – Aliás, tô pensando em fazer uma daqui exatamente doze dias. Comemorar uma conquista aí! Já prepara as coisas pra mim.
_Huuummm, você e suas comemorações misteriosas. Aposto que tem a ver com mulher! – gargalhou do outro lado da linha – Mas, pode deixar que prepararei as melhores mercadorias.
_Perfeito! Ah, e por hora, preciso de um pouquinho daquela que peguei com você da última vez.
_Melissa, Melissa, o que tá aprontando hein?!
_Nada Denis. Só preciso desinibir e encorajar uma moça aí!
_Certo! Eu mando um dos meninos levar na sua casa. Precisa pra quando?
_Até amanhã à tarde, sem falta. Se não perco a moça! – riu.
_Combinado. Se cuida e vê se não apronta demais hein Albertini!
_Deixa comigo! Beijos.
A empolgação de Melissa era tanta em colocar seu plano em ação, que não percebeu a aproximação de Victória e Vanessa, que passeavam pelo shopping de mãos dadas.
_Oi Mel. Tudo bem? Que moça que você vai perder hein?! – perguntou Vic, já relativamente desconfiada, mesmo sem saber do que desconfiava efetivamente.
_Curiosa hein Vi?! – disse abraçando a loira e despertando o ciúme de Vanessa – Fica tranquila que seu posto ninguém tira! – deu uma piscadela para a francesa.
_Tira o olho que essa tem dona Mel – respondeu a ruiva, quase que involuntariamente.
_Não tem problema. Gosto mesmo é das duas juntinhas! – provocou Melissa, dando dois beijos em Vanessa.
_Parece que se interessou mesmo em fotografia né Mel?! – disse a loira, apontando para a câmera fotográfica na mão da morena, tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que na verdade não sabia nem se existia.
_Convivendo com uma fotógrafa linda que nem você Vi, como não se apaixonar não é?!
_Eu que o diga – o ciúmes começava a dominar a fala de Vanessa, e ela foi pega de surpresa ao receber um selinho rápido da namorada.
_Bom, minhas lindas, o papo está bom, mas eu tô morta de fome. Vocês querem se juntar a mim e comer alguma dessas bombas calóricas daqui?
Victória olhou para a namorada, esperando que ela respondesse ao convite da italiana. Sabia que Vanessa tinha ciúmes da relação dela com Melissa, e apesar de querer ficar para tentar descobrir mais alguma coisa, preferiu não aceitar sem ter certeza de que estava tudo bem para a outra.
_Infelizmente não vai dar tempo. Nosso filme começa daqui a pouco Mel, mas obrigada pelo convite!
_Que pena Vanessinha, a companhia de vocês é sempre muito bem vinda. Mas, deixa para a próxima então.
As duas despediram-se de Melissa, e seguiram sua caminhada pelo shopping.
_Nós vamos ao cinema é amor? – brincou Victória.
_Ah, para de ser boba!
_Ué, só não sabia que íamos ao cinema! – riu da cara da namorada.
_Eu não quero você de conversinha com essa Melissa, ela não tem limites! – disse fazendo biquinho – E você não ajuda né Victória?! Porque bem que fica dando asinha pra ela, né?! – deu um tapa de leve no ombro da outra.
_Já te disse o quanto você fica linda com ciúmes, amor?! – respondeu a loira, abraçando a cintura da namorada e forçando a parada das duas no corredor – Não dou asinhas pra ela não. Mas acho que ela tá aprontando alguma!
_Por quê? Como assim?
_Ah Van... Não sei. Sexto sentido talvez, mas acho que ela está aprontando, e se estiver, vindo da Melissa sem dúvida é das boas né?!
_Espero que você esteja errada. Mas, não foge do assunto não, cara de pau!
Victória fez cara de indignada com o adjetivo dado a ela pela ruiva, mas roubou-lhe um beijo ali mesmo, fazendo juras de amor silenciosas e melhorando a pequena crise de ciúmes de Vanessa. Mesmo com uma pulguinha atrás da orelha em relação a uma possível maracutaia de Melissa, a francesa decidiu que deixaria isso de lado por hora, e resolveu efetivamente levar a namorada ao cinema.
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Assim que saíram da casa de Juliana, Marina acompanhou a namorada até a porta de seu apartamento, sendo surpreendida por um beijo mais intenso do que esperava enquanto despedia-se.
_Aonde você pensa que vai me dando tchau mocinha?
_Ué, para casa! – Marina riu, e a namorada abraçou sua cintura, abrindo a porta atrás de si e puxando-a consigo para dentro do apartamento. Sem delongas, Clara encostou a fotógrafa na parede ao lado da porta – Ei, o que você tá fazendo hein?!
_Te levando pra casa, ué! – foi a vez de Clara rir, e sem dar chances para respostas da fotógrafa, avançou com seus lábios em direção ao pescoço branco e fino da namorada.
Marina tinha que admitir que estava surpresa. Apesar de já ter sido surpreendida pelo desejo da namorada outras vezes, Clara parecia particularmente urgente em ter o corpo da fotógrafa para si aquela noite, e isso não só a excitava, mas lentamente enlouquecia e inebriava cada um de seus cinco sentidos. A fome da outra podia ser sentida na intensidade com que tocava, apertava, mordia, e beijava o corpo de Marina, e esta, por sua vez, deixou-se levar por todos os encantos e sensações que sua namorada tentava, e com certeza conseguia lhe provocar naquele momento.
Clara tinha pressa. Desde que saíram do banheiro do apartamento da tia, ansiava pelo momento em que estariam sozinhas novamente. Sempre havia gostado do fato de Marina tomar as iniciativas com ela, e todo aquele jogo de sedução que ela sabia fazer e envolve-la tão bem, sem nenhum esforço, era sem dúvida um dos pontos mais altos da personalidade da fotógrafa, mas essa noite não. Essa noite seria diferente.
Como que por vontade própria, as mãos de Marina subiram e agarraram-se a nuca de Clara, puxando-a para mais próximo de si, quase fundindo seus corpos um no outro. O suor começava a brotar, a respiração a acelerar, e o compasso dos batimentos cardíacos de ambas entrava em uma frequência única, ritmada, rápida. As mãos de Clara passeavam no corpo de Marina, iniciando seu roteiro na cintura delicadamente delineada da fotógrafa, subindo rapidamente pela lateral de seu corpo, e indo de encontro aos seios escondidos pelo tecido preto de seu sutiã.
_Ah, Clara... – gemeu Marina, deixando claro o quanto a namorada ia pelo caminho certo naquela escalada. Clara não perdeu tempo, e voltou a devorar o pescoço da outra, subindo os lábios em direção ao seu ouvido – Te avisei que hoje você não me escaparia Marina Meirelles! – sussurrou palavra a palavra, tão baixo, e tão próximo do ouvido da fotógrafa, que Marina perdeu a fala, o ar, o equilíbrio, e em um movimento reflexo, apenas conseguiu jogar seu pescoço para trás, encostando a cabeça na parede fria da sala, dando liberdade para a língua quente e úmida de Clara deslizar por trás de sua orelha, enquanto sentia sua calcinha molhar em resposta ao toque, e ao lembrete cheio de promessas da namorada.
Clara sabia que ela tinha marcado os pontos que precisava naquele momento. Sentia que Marina estava entregue a ela, e não deixou esse momento passar. Segurou uma das mãos da fotógrafa e guiou-a até sua própria coxa. Marina tentou agir por conta própria, porém, foi imediatamente impedida pela outra – Tsc, tsc, tsc, onde você pensa que vai? – disse segurando os dedos finos da namorada que tentavam subir até sua cintura – Acho que você ainda não entendeu Marina – a boca de Clara permanecia colada ao ouvido da outra, e seu tom de voz era no mínimo obsceno – Vou tentar ser mais clara com você: hoje... – deixou o restante da frase no ar por um minuto, deixando que sua língua contorna-se lentamente a orelha da namorada – Quem dita o ritmo aqui... – mordiscou a pontinha de sua orelha – Sou eu!
Como que em resposta a declaração de Clara, automaticamente o corpo de Marina estremeceu por completo, fazendo brotar um meio sorriso absolutamente vitorioso e que traduzia o significado da mais pura malícia nos lábios da outra. Subitamente Clara se afastou, deixando Marina sem entender muito bem o que aquilo significava.
_Vem... – disse dando as costas para a fotógrafa e caminhando em direção ao quarto. Ainda sem conseguir compassar sua própria respiração, Marina fitou as costas da outra afastando-se de onde estava e segui-a. Chegaram ao quarto, e as mãos da fotógrafa grudaram-se a cintura da namorada, guiando-a até a cama. Deitou-a de costas para si, entrelaçou os dedos em seus cabelos e puxando-os devagar, jogou-os para o lado, liberando assim sua nuca. Com beijos lentos e delicados, Marina desceu sua boca por ali, deixando a língua escapar vez ou outra por entre os lábios, enquanto ouvia Clara suspirar, jogando os braços sob a cama e agarrando-se aos lençóis a sua frente.
A mão esquerda da fotógrafa desceu insinuante pela lateral do corpo da outra, seguindo até a parte posterior de sua coxa. Tocou a pele quente de Clara como se nunca o tivesse feito, e foi a vez do corpo da outra vibrar embaixo do seu. Colocou uma de suas pernas por entre as da namorada, pressionando o jeans de sua calça de encontro ao sexo molhado de Clara, enquanto deixava a respiração pesar em seu ouvido. A ponta de seus dedos escorregaram para a parte interna da coxa da assistente, subindo lenta e vagarosamente por ali, enquanto suspirava baixo, saboreando as reações que o corpo de Clara exprimia em resposta a seus toques.
A mudança de papéis e posições era evidente, porém, Clara já não tinha mais como resistir a isso. Não dava mais conta de manter a respiração compassada há tempos, e definitivamente sentir a coxa de Marina pressionando seu sexo em movimentos lentos e repetitivos não ajudava em nada para que conseguisse se recompor. Sentiu os dedos da namorada tocarem sua virilha, e deixou que um gemido lhe escapasse mais alto do que gostaria.
_Já que é você que dita regras por aqui hoje... – provocou Marina, sendo agora a sua vez de colar os lábios ao ouvido da outra – Me diz... O que você quer que eu faça agora? – perguntou no tom mais baixo e rouco que conseguiu – Ah, Marina... Você não presta! – respondeu em um fio de voz, enquanto sentia os dedos da namorada brincarem com a lateral do tecido de sua calcinha – Você gosta! – afirmou Marina categoricamente, enquanto puxava os cabelos castanhos da outra com mais força do que antes.
A mão de Marina subiu por cima do tecido molhado da calcinha da namorada, puxando-o lentamente para baixo, enquanto mordia a nuca de Clara cada vez mais forte.
_Ah, Marina... Você me deixa louca! – disse jogando uma das mãos para trás e segurando os cabelos encaracolados da outra – Te deixo louca é? Mas ainda não fiz nada amor! – os dentes da fotógrafa davam lugar a sua língua, e subitamente, Marina escorregou um de seus dedos para o interior molhado de Clara, ouvindo-a soltar um gemido que fora abafado pelo travesseiro a sua frente.
Gostosa! – gemeu Marina no ouvido da assistente, deixando sua respiração acelerar, enquanto colocava mais um dedo no interior de Clara e aumentava a velocidade com que eles entravam e saiam da namorada. Os dedos da assistente se entrelaçaram aos cabelos da nuca da outra, puxando a boca de Marina em direção a suas costas. Os lábios da fotógrafa obedeceram, e lentamente, depositou beijos em cada canto das costas da namorada, ouvindo-a gemer a cada toque delicado sua boca.
Sem tirar os dedos de onde estavam, com a ponta do nariz e a ajuda dos dentes vez ou outra, Marina subiu o tecido fino do vestido de Clara até a altura de seu sutiã. Soltou seus cabelos e habilmente abriu o fecho da lingerie da namorada, deixando a ponta de sua língua passear pelo centro das costas bronzeadas de Clara, indo da nuca a cintura, subindo e descendo bem devagar. Aumentou a intensidade com que penetrava à namorada, jogando sua cintura de encontro à dela no mesmo ritmo em que seus dedos trabalhavam.
_Ah, Marina... – gemeu fraco, rouco, baixo.
_Que foi amor? – perguntou com o tom de voz mais sacana que conseguiu, fazendo com que todos os pelinhos do corpo de Clara se arrepiassem por completo.
_Quero você, Marina! Quero sentir sua língua dentro de mim... – pediu a assistente, ofegante. Involuntariamente, Marina gemeu e desceu com as mãos para a cintura da namorada, saindo de cima de suas costas e girando o corpo de Clara na cama – Não amor. Deita aqui! – disse a assistente, antes que a fotógrafa deitasse por sobre o seu corpo. Puxou a namorada para o seu lado na cama – Hoje vai ser do meu jeito! – declarou colocando um joelho de cada lado da cintura de Marina.
Clara apoiou sua própria cintura no quadril da namorada, enquanto tirava a blusa de Marina com pressa. Apoiou as mãos nos seios da outra e começou a rebolar lentamente, roçando seu sexo molhado no jeans da calça da outra, enlouquecendo a fotógrafa abaixo de si.
_Clara, deixa eu te chupar – pediu Marina, olhando fixamente nos olhos da namorada sentada em seu ventre. Clara não respondeu, e devolvendo o olhar da outra, apenas engatinhou por sobre o seu corpo, guiando sua cintura em direção a boca da fotógrafa. Deixou seu quadril cair, e sentiu a língua quente e úmida de Marina lhe invadir suavemente. Espalmou as duas mãos na cama, e a exemplo do que fazia antes, começou a rebolar devagar contra a língua da namorada.
Os gemidos saíam de maneira incontrolável, e Clara já não conseguia mais sustentar o peso do corpo sob os joelhos dobrados. Marina sentiu o corpo da outra estremecer acima de si, e intensificou as pinceladas de sua língua contra o sexo pulsante de Clara, sentindo-a responder e corresponder a cada uma de suas investidas.
_Amor... Eu vou... Gozar! – gemeu Clara, já sem conseguir conter o prazer que era anunciado por seus lábios. Como de costume, Marina bebeu cada gota do líquido que escorria quente do interior de Clara, segurando-a pelo quadril, como que a obrigando a continuar ali onde estava. Desenhou o contorno de seu clitóris com a ponta da língua, passando-a lentamente de cima para baixo, de baixo para cima. Da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, até que Clara levantou-se e saiu de onde estava, deitando ao lado de Marina na cama.
Rapidamente, Clara posicionou-se por entre as pernas da namorada, deixando seu corpo pesar por cima do dela, guiando as mãos para o botão e o zíper de sua calça, abrindo-os hábil e rapidamente.
_Nossa noite ainda não acabou, Marina!
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Amanheceu mais um dia típico no Rio de Janeiro. O sol batia na janela da mansão de Melissa, e apesar de todo o autocontrole típico dos calculistas, a italiana não via a hora de finalmente executar o plano que tinha em mente, e a ansiedade para que as coisas acontecessem do jeito que gostaria já lhe rendia boas dores de estômago, e poucas horas bem dormidas de sono. Não podia ter certeza de que Clara aceitaria o convite que lhe faria, mas, torcia com todas as forças para que tudo corresse dentro do esperado, e decidiu que não esperaria mais tempo.
Como se seguisse um ritual, levantou com o pé direito, despiu-se lentamente, tirando peça por peça de suas roupas como se ao invés de si própria, estivesse despindo um outro alguém, e partiu para o seu banho matinal. Sem se importar com os avisos insistentes dos ambientalistas, se deu ao luxo e ao direito de permanecer 30 minutos embaixo do chuveiro, sentindo a água cair e caminhar em sua pele com se fosse os dedos de uma mulher.
Saiu do banho e não produziu-se muito, não queria parecer agressiva nem nada, então vestiu apenas uma regara branca, e uma calça jeans azul clara. Olhou-se no espelho, como que encarando os próprios olhos, respirou fundo e mentalizou a imagem de Clara. Ela estava sorrindo, e definitivamente, Melissa teve mais uma vez a certeza de que havia algum tipo de magia ou encanto escondido por trás daqueles lábios arreganhados. Balançou a cabeça de um lado para o outro, dissipando a imagem da dona de casa de sua mente, e dando lugar no espelho para a imagem daquele seu já tão conhecido sorriso. Malicioso, predatório, faminto.
Amarrou os cabelos negros em um rabo de cavalo e rumou com o carro sentido o bairro do Leblon, não muito longe de Ipanema, onde morava. Não demorou para chegar em seu destino e assim que parou na entrada do prédio da namorada de Marina, avistou o carro da fotógrafa parado por ali. Era cedo para que ela estivesse chegando por lá, então deduziu que as duas provavelmente tinham passado a noite juntas, e fez uma careta involuntária para essa possibilidade.
Cruzar com Marina não estava em seus planos, afinal, não queria que a fotógrafa soubesse do convite que faria a sua namorada, e tinha quase certeza de que caso aceitasse, Clara também não lhe contaria. Contando com um pouco de sorte, assim que olhou para a entrada do prédio novamente, viu o corpo magro e esbelto de Marina passando pela porta, sozinha, indo a passos largos em direção ao seu carro. Seu semblante não era dos melhores, e sua expressão estava um pouco carregada. Teriam elas brigado? Seria um sinal do destino de que dessa vez estava do lado dela?
Assistiu Marina sair com o carro e desceu do seu, tomando o sentido da portaria. Perguntou por Clara ao porteiro, que babando descaradamente na mulher a sua frente, prontamente lhe deu informações demais e liberou sua subida sem autorização prévia da dona da casa. Melissa entrou no elevador, apertou o número do andar que iria e pela primeira vez no meio de tudo isso, sentiu-se apreensiva. E se nada desse certo? Se ela não aceitasse? Seu plano era bom demais, mas não era a prova de falhas, e isso não lhe agrava nenhum pouco.
O elevador se abriu alguns andares abaixo do que solicitara, e um rosto que lhe era familiar apareceu por ali.
_Oi. Melissa, não é? – cumprimentou Juliana, surpresa por encontrar a Italiana por ali.
_Oi. Eu mesmo! Nos conhecemos em São Paulo, não foi?! – respondeu Melissa, cumprimentando a tia de Clara com dois beijos no rosto.
_Isso mesmo. Sou a Juliana. Nos conhecemos na exposição da namorada da minha sobrinha. Sou tia da Clara! Veio visita-la? – a curiosidade era evidente em sua voz.
_Vim sim — disse no exato momento em que o elevador estacionava em seu andar de destino – Inclusive, é neste andar, não é?!
_Neste mesmo. Prazer em revê-la, Melissa! – afirmou segurando a porta do elevador para que a morena passasse.
_O prazer é todo meu, sem dúvida — as palavras de Melissa saíram em um tom aveludado, dando uma conotação sedutora ao texto, e mesmo que involuntariamente, Juliana se arrepiou.
Melissa não queria ter sido vista por ninguém ali, mas a casualidade no elevador, poderia até lhe render bons frutos no futuro, afinal, Juliana parecia conhecer e conviver com Marina, "a namorada de sua sobrinha". Parou em frente a porta branca que carregava o número indicado pelo porteiro como sendo de Clara, e sem mais delongas tocou a campainha. A espera durou poucos segundos, mas para Melissa, era como se já houvessem se passado anos quando finalmente Clara abriu a porta.
_O que você está fazendo aqui? – perguntou Clara, num movimento quase reflexo.
_Oi pra você também – disse sorrindo – Calma, eu venho em missão de paz! — ergueu as duas mãos para o alto, como em sinal de rendição.
_O que você quer aqui Melissa? Como sabe onde eu moro? – Clara olhava para ambos os lados no corredor, como se alguém pudesse aparecer a qualquer momento por ali.
_Eu vim te fazer um convite.
_Eu já disse que não vou posar pra você! – esbravejou, sem muita paciência para manter aquele diálogo.
_Apesar de ser uma pena você privar o mundo de ter seu rosto estampado e eternizado em uma tela, não é sobre isso que vim falar.
_E sobre o que é? – as defesas de Clara caíram um pouco. Afinal, quanto mais rápido Melissa falasse seja lá o que tivesse para falar, mais rápido ela iria embora.
_Vim lhe fazer um convite. Para um jantar – esperou para ver a reação da outra, e viu um certa irritação e impaciência brotarem nas linhas de expressão de sua testa, e antes que Clara pudesse recusar, acrescentou – Somos duas pessoas adultas, e eu sei que não venho sendo nem um pouco legal com você, Clara. Quero apenas conversar com você, esclarecer as coisas, e te mostrar que não sou essa mimada que você provavelmente pensa. Por favor, aceite.
Clara encarou os olhos verdes da italiana por um momento. Lembrou do quanto todo o assédio de Melissa afetava Marina, e pensou no quanto precisava resolver aquela situação, fosse ela qual fosse com a morena a sua frente.
_Tudo bem Melissa. Precisamos mesmo colocar os pingos nos “is” aqui. Quando e onde? E não me venha com jantarzinho romântico não, porque sabemos que o clima não é esse.
_Calma Clara! Já te disse que estou aqui em missão de paz. Que tal hoje a noite? Eu pensei na minha casa, assim não temos problemas para conversar. Mas se preferir outro lugar, não tem problema.
_Tudo bem. As 19h está bom? Me manda seu endereço depois por SMS – respondeu já tirando Melissa quase que às pressas dali.
_Te espero às 19h então.
Despediram-se da mesma maneira que cumprimentaram-se, apenas com um aceno de cabeça leve, e Melissa sorriu para a porta branca que fechava-se a sua frente. A primeira parte do plano estava pronta. Até ali, ela tinha conseguido!
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