Velvet Touch

6 O Gosto do Azedo


Notas iniciais
Pessoal, muito, muito, muito obrigada pelos comentários de vocês nos capítulos anteriores. Estou adorando esse acompanhamento e a troca de boas ideias! Segue mais um aí pra vocês!

Clara seguiu muda durante todo o caminho de Santa Teresa até seu apartamento no Leblon. Cadu que tentava puxar assunto com a esposa sem obter nenhum sucesso, pressentia que aquele silêncio todo não era nada bom, mas agora era tarde demais para se arrepender. E numa boa? Uma discussão a mais na coleção das que já tinha tido com a Clara, não seria suficiente para estragar o prazer que o chef sentiu ao ver o semblante de Marina naquele momento. Assim que chegaram em casa o marido explicou que o filho havia pedido para dormir na casa de Rafael, seu colega de classe, e que ele tinha permitido, sendo este o motivo de Ivan não estar em casa.

_Cadu, porque você fez isso? — perguntou a esposa sem dar chances de fuga para o marido, ainda em choque.
_Isso, o que? — desconversou.
_Não se faz de desentendido não. Por favor! Porque você me agarrou daquele jeito lá no estúdio?
_Ué, sou seu marido. Esqueceu? Não sabia que tinha que pedir autorização antes de beijar a minha esposa — respondeu irônico e fingindo não dar importância ao que Clara dizia.
_Carlos Eduardo, você sabe muito bem do que eu estou falando. Eu quero saber se você fez isso de propósito! — indagou Clara exaltando-se.
_Fiz o que de propósito Clara? Tá ficando louca?
_Foi de propósito né? Cara! Como você pôde fazer isso? Isso foi cruel Cadu! Cruel! — o tom de voz da esposa começou a preocupar Cadu, que já sentia o sangue ferver ouvindo-a iniciar sua habitual defesa à aquela mulher.
_Quer saber Clara? Foi de propósito sim! E eu faria mais milhões de vezes, só para ver aquela carinha de prepotente dela ir ao chão novamente! E você tá dizendo o que? Até onde tô lembrando aqui, a coisa parou com suas mãos nos botões da minha camisa. Então não venha bancar a santa! E outra... Porque é que cargas d'água eu estou aqui tentando explicar o porque beijei a minha mulher? Isso não é crime ainda não! — acusou indignado.
_Ah me poupe desse seu lenga lenga de "minha mulher", você foi cruel sim, e sabe muito bem disso. Além do que, você me usou! — respondeu cerrando os dentes para tentar conter a raiva que borbulhava em seu peito.
_Te usei Clara? Ah, poupe-me você! — debochou o marido.
_ME USOU SIM! — berrou a esposa perdendo o controle e sentindo o peso daquelas palavras — Me usou para esse seu joguinho baixo, sujo, asqueroso! Você devia ter vergonha Carlos Eduardo.
_Vergonha? E vergonha do que eu deveria ter hein Clara? Me explica porque não tô entendendo direito essa sua raivinha aí. Defende aquela mulherzinha com unhas e dentes e acha que me faz de idiota com esse joguinho?
_Aquela mulherzinha não meu querido. Ela tem nome, e o nome dela é Marina! E ela faz por mim o que você nunca fez, se é que se interessa em saber! E o papel de idiota você exerce sozinho, não precisa da minha ajuda para absolutamente nada! — explodiu Clara apontando o dedo na cara do marido — Cafajestagem! É esse o nome para o que você fez hoje. E pode ter certeza que a minha parte de culpa eu não tiro não. Mas a minha eu vou resolver, pela minha absolvição nisso tudo eu vou até o fim do mundo se for preciso. Isso você pode apostar!
_O que é que você quer dizer com isso Clara? Hein? — questionou, exasperado com a atitude da mulher.
_Não se faça de sonso, e não me obrigue a ter pena de você! Você me entendeu bem até demais! — disse saindo em direção a porta.
_Aonde é que você pensa que vai a esta hora?
_Aonde eu penso não. Eu vou! Você pode ser meu marido, por enquanto, mas nunca foi e não será agora que vai virar o meu dono. Portanto, não é da sua conta! — cuspiu as palavras enquanto saia batendo a porta do apartamento provocando um barulho ensurdecedor.

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Clara saiu sem rumo, sem direção, sem chão. A esta altura do campeonato o efeito do álcool já tinha passado e além de todo o peso da culpa que martelava em seu coração, sentia agora sua cabeça explodir em uma ressaca antecipada. Já era tarde, e as primeiras horas da madrugada eram evidenciadas nos ponteiros de seu relógio de pulso. Em um momento desesperado pensou em pegar o primeiro táxi de volta para Santa Teresa, mas imaginou que a fotógrafa não quisesse vê-la tão cedo.

Clara sentia-se totalmente desamparada e perdida, então decidiu buscar abrigo na casa de sua irmã mais velha. Desceu até o apartamento de Helena e ficou sem graça de tocar a campainha aquela hora. Imaginando que a única acordada fosse a sua sobrinha, sacou o celular do bolso e discou o número de Luíza que atendeu prontamente com um tom preocupado. A tia tratou de tranquiliza-la e perguntou se ela poderia abrir a porta. Sem pestanejar, a filha de Helena correu de encontro a tia no corredor. Entraram sem fazer barulho, indo direto para o quarto da estudante, e apesar de não se sentir a vontade para contar a verdadeira versão da história, Clara deixou-se desabar no abraço apertado da sobrinha.

_Eu tô aqui tia. Tá tudo bem! O que aconteceu?
_Ai Lu, a minha vida está uma confusão. Meu casamento em queda livre, e talvez eu tenha... tenha perdido... — Clara não conseguia nem ao menos pronunciar as palavras com medo dessa possibilidade.
_Tá tudo bem tia. Calma... Você está dividida entre o Cadu e a Marina não é? — disse, dando um susto na tia que ainda chorava em seu colo.
_Como assim Lu?
_Ah tia, qualquer um que parar e observar você do lado dela percebe que rola alguma coisa. Ela te olha de um jeito, que nossa. Até eu fico com calor! E você corresponde, você admira, e arrisco até a dizer que também tira umas casquinhas com uns olhares maliciosos — falou rindo, tentando amenizar o clima e acalmar Clara.
_Nossa! Jura que a coisa está tão óbvia assim? Meu Deus! — exclamou, realmente surpresa.
_Com certeza tia.
_O que eu faço da minha vida hein Lu? O Cadu apesar de ultimamente estar cada dia mais irreconhecível, é meu companheiro de vida, pai do meu filho, meu marido há 10 anos. Mas, por outro lado, a Marina... Ah, a Marina é a loucura e a doçura que sempre procurei em um grande amor. Ela me enlouquece e me acalenta na mesma proporção, sabe?! — disse com o olhar perdido no teto, pensando em sua amada.
_Jesus do céu tia! E você ainda tem coragem de dizer que está dividida? De dividido esse discurso aí não tem nada. Sei que talvez eu não seja a melhor para dar conselhos nesse quesito, mas, se eu puder te dar um, ainda mais sendo a gata da Marina, SE JOGA!!! — Luíza disse séria, mas ao mesmo tempo em tom de brincadeira e ambas caíram na risada.

–-//--

Marina acordou sem muita noção de quanto tempo tinha dormido e de que horas eram. Tateou pela cama até achar o celular escondido embaixo de um dos travesseiros espalhados por ali. O relógio no visor do aparelho acusava que tinha perdido grande parte do dia na cama, marcando 15h35. Sem se importar com o tempo que já havia gasto a fotógrafa espreguiçou-se preguiçosamente, esticando-se toda na cama e ouvindo seu corpo inteiro estralar. Piscou algumas vezes buscando focar o quarto a sua frente, soltou um suspiro lento e profundo e enfim estava oficialmente acordada. Sentou-se na cama, olhou novamente para o celular em sua mão, e ao desbloquear a tela de início deu de cara com 23 ligações perdidas, duas mensagens de texto e uma mensagem de voz, todas eram do número de Clara e pela primeira vez, aquele nome não lhe causou nada além do mais puro cansaço. Não desejou ler as mensagens, ouvir o correio de voz, tampouco retornar as ligações da assistente, mas mesmo assim resolver abrir o primeiro sms:

"Marina, eu imagino que não queira falar comigo. Mas, por favor, me atende. Preciso falar com você!"– a fotógrafa revirou os olhos e partiu para o segundo.

"Por favor Marina, não faz assim. Me dê pelo menos a chance de falar com você! Só isso." _Ai eu me pergunto, falar o que né Clara? — disse para si mesma e clicou para abrir o correio de voz que estava armazenado.

Por mais que estivesse odiando Clara naquele momento, assim que a voz da assistente saiu pelo alto falante do aparelho Marina congelou. Do outro lado a voz de Clara dizia: "Eu entendo perfeitamente que não queira falar comigo e que esteja magoada com o que aconteceu. Mas Marina, me dê a chance de te explicar. Você não é assim. Não faz assim comigo. Não faz isso com a gente, por favor!"– a mensagem havia sido deixada na caixa postal de Marina há meia hora atrás e após ouvir a voz da assistente a fotógrafa pensava se deveria ou não ligar para ela. Resolveu parar de se torturar e ouvir seja lá qual fosse a estória que Clara fosse ter coragem de falar.

_Marina? Marina é você? — disse atendendo no primeiro toque.
_Sim.
_Graças a Deus você retornou. Tava preocupada! Você está bem? — perguntou uma Clara extremamente aflita do outro lado da linha.
_Você disse que precisava falar comigo e queria uma chance para se explicar. Pois bem, tô aqui realmente curiosa pra saber como é que vai ter coragem de fazer isso! — respondeu seca e irônica.
_Posso ir até ai? Essa não é uma conversa para termos no telefone — pediu a assistente.
_Olha Clara, eu tenho alguns compromissos mais a noite. Mas, se você quiser vir para cá agora, falamos. Se não, deixa para amanhã já que estará aqui de qualquer jeito — usou de toda a indiferença que podia. A verdade é que Marina não queria ouvir nada e estava realmente decidida a não ceder nem um milímetro mais em direção a Clara.
_Tudo bem. Eu tô entrando no táxi e daqui uma meia hora chego ai. Posso te pedir uma coisa?
_Pedir pode, mas sinceramente não tô muito solicita hoje.
_Se desarma só um pouquinho Marina. Por favor! Por tudo de bom que você disse sentir por mim — pediu quase sussurrando.
_Não estou armada. Estarei te esperando na piscina, meu próprio estúdio me dá calafrios ultimamente — alfinetou a fotógrafa, tendo como resposta um suspiro do outro lado da linha.
_Tudo bem, daqui a pouco estou aí. Beijos.
_Até — desligou.

Assim como fora no dia anterior, o encontro com Clara seria inevitável. Então era melhor ter logo a tal conversa com a assistente, aproveitando inclusive para valer-se da raiva que ainda pulsava em seu coração para se manter firme em seus propósitos. Levantou da cama e ia tomando o rumo do banheiro quando se deparou com uma única rosa vermelha e um bilhete escrito a mão que a esperavam repousando na mesinha de canto.

"Je suis allé à sa maison plus tôt, mais tu dormais comme un ange et je préfère ne pas vous réveiller. Tristé sans toi! Baisers, Vic." (Fui até a sua casa mais cedo, mas você dormia como um anjo e preferi não te acordar. Saudades! Beijos, Vic)

A fotógrafa sorriu involuntariamente olhando para o bilhete em sua mão, levou a rosa até a altura do rosto e aspirou o delicioso perfume que a flor exalava. Pegou o celular e entrou no banheiro discando o número da loira.

–-//--

O táxi já estava parado a aproximadamente cinco minutos em frente a casa da fotógrafa. Clara lembrava-se das palavras da sobrinha na noite anterior tentando tomar coragem. Respirou fundo, pagou a corrida e desceu ao encontro de sua amada. Assim como combinado Marina a esperava na piscina. Clara só não contava com o fato de que a fotógrafa estaria vestida apenas com um biquíni preto, e um camisão branco que usava aberto tapando apenas suas costas. Marina ainda não a tinha visto e a assistente permitiu-se admirar o corpo esbelto e bem definido da chefe por alguns instantes. Era definitivo. Marina tinha o poder de tirar Clara do eixo e a assistente parecia estar especialmente disposta a entender e captar todas as nuances dessa loucura que era estar próxima a fotógrafa.

_Oi Marina — sorriu a assistente, sem ser correspondida.
_Oi — disse indicando a cadeira para Clara sentar — Então Clara, por onde você quer começar? Aliás, o que exatamente temos para conversar hoje? — disse áspera, fazendo Clara estremecer.
_Bom... Primeiro eu tenho que te pedir desculpas. Por duas coisas. Uma delas é por não ter respeitado o meu locar de trabalho em dois aspectos ontem. Tanto na bebedeira quanto... no... no que aconteceu depois. E a outra é por ter te obrigado a ver aquela cena com o Cadu. Ele...Eu...
_Ok Clara. Era só isso?
_Marina... Olha, a verdade é que eu poderia colocar a culpa na bebida, mas não vou fazer isso aqui. Não sou mais adolescente tem algum tempo e me responsabilizo por meus atos totalmente. Mas, o que aconteceu ontem aqui não foi simplesmente natural. O Cadu fez de propósito.
_Pelo que eu vi tinha uma outra boca beijando a dele. Ah, e falando nisso, eram as suas mãos que estavam abrindo a camisa do cara. Clara, olha... Ele é seu marido e você pode se pegar com ele quando quiser, mas gostaria que tivesse tido o mínimo de bom senso e me respeitado. Respeitado a minha casa e o seu local de trabalho. Por que os meus sentimentos, ah, esses eu sei que você não respeita mesmo!
_Isso não é verdade Marina! Você não sabe do que está falando e não pode falar assim por mim — disse a assistente indignada.
_Atitudes falam e pesam mais do que esse seu blá blá blá ai Clara. Mas, fique tranquila. Você não me deve nada!
_O que você tá querendo dizer com isso? — perguntou sem conseguir ler o olhar da fotógrafa.
_Tô querendo dizer exatamente o que eu disse. Seguiremos nossas vidas normalmente. Continuarei sendo a dona do estúdio e você continuará sendo minha assistente. Ponto final — afirmou, levantando-se rapidamente de seu lugar a fim de encerrar a conversa, mas Clara dessa vez não ia deixar passar.
_Não Marina! Não é ponto final coisa nenhuma. Nunca fomos apenas chefe e assistente, e isso você e eu estamos cansadas de saber que nunca seremos!
_Ah, nunca seremos? E somos o que então Clara? Hein? E por DEUS, não ouse dizer amigas!!! — desafiou a fotógrafa aumentando o tom de voz.
_Eu não sei Marina. Eu não sei! Eu só sei que quando eu te olho eu fico fora do eixo. Eu... Eu penso em você o tempo inteiro... Eu sonho com você... Eu... — Clara olhava Marina de cima a baixo deixando todo o desejo contido por aquela mulher transparente, pulsante, e num ímpeto de coragem deu dois passos em direção a chefe — Eu imagino todo santo dia qual o gosto da sua boca, do seu beijo... — disse passando a ponta do dedo indicador trêmulo pelos lábios de Marina, que para a surpresa de Clara não se esquivou do seu contato — Eu penso mais em você do que em mim mesma Marina!
_E por um milagre você acabou de descobrir isso? Agora? Depois de saber que passei a noite com outra pessoa e agarrar o seu marido na minha frente? Agora você descobre isso? Você só pode tá querendo foder com a minha cabeça Clara! Só pode ser! — explodiu Marina andando para lá e para cá.
_Para com isso!!! Eu... Eu te... — Clara atirou-se no peito da fotógrafa enlaçando-a em um abraço apertado — Eu só sei que eu não vou conseguir conviver com a sua indiferença! — falava agora ao pé de seu ouvido.
_Temos que arcar com as consequências dos nossos atos, sempre Clara! — disse desvencilhando-se do abraço da assistente e voltando a andar de um lado para o outro — Eu não sou de ferro, caramba! Eu preciso de amor também, eu preciso de carinho. Chega Clara! Chega de ser a sua segunda opção. Chega de ser o abraço certo nas horas ruins e o riso garantido nas comemorações! Chega! Eu quero mais, eu mereço mais! E chega dessa droga de conversa também! Cansei de tudo isso — esbravejou ensaiando dar as costas a Clara.
_Tudo bem. Eu já vou indo. Mas saiba de uma coisa Marina, eu vou lutar por você! Eu juro, por tudo quanto é mais sagrado que eu vou reconquistar a minha Marina! Escreve o que tô te falando. Não vou te entregar de bandeja pra essa Victória não — decretou, virou as costas e saiu deixando uma atordoada Marina para trás.

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Clara demorou-se no jardim e ainda enxugava algumas lágrimas quando viu a loira descer do táxi na entrada da casa da fotógrafa. Não perdeu tempo e foi em sua direção.

_Oi Clara, está tudo bem? — perguntou polida.
_Escuta aqui Victória, e escuta bem, porque eu vou te falar uma vez só, tá legal?! Eu vou lutar pela Marina. Vou lutar por ela até o fim — disse apontando o dedo para a loira sem medo de represálias e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Clara saiu deixando-a sem entender absolutamente nada.

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Marina precisou de cinco minutos para conseguir se mexer. A Clara só podia estar louca! Lutar por ela? Faz-me rir né?! Cada Coisa. Clara estava era com ciúmes, isso sim. E a fotógrafa não dava algumas semanas para que todo esse interesse repentino por ela sumisse e ela continuasse com a sua rotina normal com o marido. Era como ela tinha dito a assistente, ela merecia mais do que isso! Ainda meio perdida em seus pensamentos, Marina sentiu as mãos de Vic segurarem sua cintura enquanto seus lábios beijavam sua nuca. Virou-se passando seus braços pelo pescoço da professora lhe arrancando um sorriso sincero e bobo dos lábios. Marina selou seus lábios nos dela em um selinho rápido.

_Oi — disse sorrindo.
_Oi pequena! — deu-lhe mais um selinho, e beijou a pontinha do nariz da aluna.
_Tô atrasada, risos. Me dá só um minuto pra tomar um banho e me trocar? Prometo que não vamos perder o filme.
_Te dou quantos minutos você precisar minha linda. E pode ficar tranquila, sua beleza não precisa de maquiagem — declarou segurando o queixo de Marina e dando-lhe um beijo arrebatador.
_Assim vai ser difícil te levar ao cinema.
_Mesmo? Porque? — perguntou a professora sedutoramente.
_Porque pode ser que eu te mantenha em cativeiro no meu quarto, ao invés de te expor para um cinema inteiro.
_Sabe que eu não teria problema nenhum em ser sua refém. Acho a ideia bastante atraente inclusive! E... Por falar em atraente — afastou-se um pouco para medir a fotógrafa mais a vontade — isso deveria ser crime!

A loira voltou a colar seu corpo ao de Marina chamando-a para um beijo intenso e emergencial. A fotógrafa a correspondia na mesma intensidade com que recebia as investidas da professora, e Vic foi conduzindo-a suavemente até que se deixasse cair na espreguiçadeira. Cobriu-a com seu corpo, sentindo-a se arrepiar a cada beijo que disparava em seus ombros expostos. Vic tinha urgência em ter Marina, mas não tinha pressa e sabia que quando ela perdia o controle, quando as coisas não eram do jeito que ela queria, isso a enlouquecia. Tanto para o bem quanto para o mal. Devagar e como se tivessem todo o tempo do mundo a loira sentou no colo da morena e delicadamente começou a tirar o camisão que Marina ainda usava. A fotógrafa mantinha a respiração descompassada, ofegante — Ai Vi... Não faz assim — As unhas da professora passeavam pelas costas agora expostas de Marina, arrancando suspiros de sua pupila.

Marina tentou virar o jogo e tomar o controle da situação, mas Vic não deixou. Hoje não — tsc, tsc, tsc, mocinha. Hoje quem manda em você sou eu... — disse sussurrando em seu ouvido antes de morder o lóbulo de sua orelha. Enquanto beijava o pescoço da fotógrafa, Vic explorava todo o corpo da morena passeando agora com suas mãos pelas coxas brancas e bem torneadas da outra — vamos lá pro meu quarto?... — sussurrou — ainda não Marina... ainda não — disse em tom autoritário. Os dedos da loira passavam agora pela virilha da fotógrafa que soltou um gemido baixo logo sufocado por um beijo carregado de desejo e sensualidade. As duas línguas se encontravam com fervor, saboreando as nuances uma da outra com um furor quase selvagem — você só pode estar querendo me matar Victória, só pode! ... — Calma pequena, ainda não comecei a fazer nada com você... — disse enquanto descia por seu corpo beijando pescoço, ombros, peito.

Desceu um pouco mais, procurando os seios da fotógrafa com os lábios, abocanhou o direito por cima do tecido preto ao mesmo tempo em que escorregou um de seus dedos para o sexo pulsante da morena. Vic sentiu seus dedos melarem — Ai Marina, você me enlouquece garota... — pôde ver o risinho vitorioso da aluna formando-se no canto da boca e não deixou por menos, penetrando-a com força e inesperadamente. Marina gritou, cravando as unhas no quadril da loira trazendo o corpo da outra para mais próximo do seu — Vi, pelo amor de Deus, me leva para aquele quarto. Agora!" — Victória riu e arrebatou a fotógrafa em mais um beijo quente, penetrando-a lenta e vagarosamente. Marina mordeu seus lábio inferior como forma de provocação. Vic tirou seu dedo de dentro da morena e chupou-o lentamente, mantendo seu olhar fixo nos olhos de Marina que parecia delirar com a cena que assistia — vem... vamos logo pro seu quarto pequena... tô louca para provar do seu gosto de novo!

Marina e Victória passaram pela casa esbarrando em quase tudo o que estava por ali, inclusive em Vanessa. Vic segurava Marina pelas coxas guiando-a até o quarto, enquanto se beijavam loucamente. Assim que passaram pela porta, Marina arrancou a blusa de sua antiga professora e deixou-se ser jogada por ela em sua cama.

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Assim que chegou em casa, Clara sabia que teria que enfrentar o clima de guerra com seu esposo, o que apesar de já estar virando rotina, incomodava cada vez mais a ambos. Clara voltara da casa de Marina decidida aquela tarde. Sabia que tinha errado feio com a fotógrafa, mas não tinha mais medo de admitir para si mesma o que sentia por ela. A falta de coragem para responder as perguntas que Marina lhe fizera haviam desaparecido e sim, ela sabia que estava apaixonada. Perdida e irremediavelmente apaixonada. Sabia que toda aquela frieza e indiferença aparente de Marina eram apenas de fachada, pois podia sentir a reciprocidade de seu sentimento quando estava perto da morena. Quando seus braços se fechavam em um abraço, era como se abraçasse sua felicidade. Como se sorrisse para o mundo!

Sabia que teria que reconquista-la, sabia de tudo isso. Mas, por mais maluco que pudesse parecer nesse momento, ela não podia mais viver uma mentira. Não podia mais mentir para Cadu, para Marina e o mais importante, não conseguia mais mentir para si mesma. Sentou-se no sofá com a cabeça a mil, a porta sd abriu e ficou ao mesmo tempo feliz e angustiada ao ver a figura de Cadu passar por ali.

_Cadu, nós precisamos conversar! — disse determinada.
_Ah, finalmente resolveu ser sensata sobre aquele escândalo de ontem!
_É, você tem razão. Eu resolvi ser sensata sobre o de ontem, o de semana passada e o do mês passado. Não tem jeito fácil, tampouco bonito de falar isso, então vou dizer de uma vez — Cadu ficou pálido — Cadu, eu quero me divorciar de você!

Notas finais
E agora Brasil? É muita emoção pra minha cabecinha! Rsrs... Sugestões? Críticas? Comentários? Beijos.