Notas iniciais
Confesso que me divirto muito com os comentários de vocês por aqui gente, rs. Algumas amam a Vic, já outras querem até matar a moça! Hahahaha... Muito obrigada pelo acompanhamento e os comentários empolgados a cada capítulo. Estou adorando escrever em parceria com vocês! Segue mais um capítulo. Espero que gostem e me perdoem por eles estarem tão extensos. Prometo tentar reduzir um pouco nos próximos!

_Pronto, enlouqueceu de vez! De onde veio isso agora Clara? Por causa de um beijo roubado na frente da amiguinha? Você só pode estar maluca! — disse Cadu recusando-se a acreditar no que havia acabado de ouvir.

_Não Cadu, eu não estou maluca. Menos ainda terminaria um casamento apenas pela cena de ontem. Não é por nada disso. É porque eu não posso mais conviver com toda essa mentira. Não consigo mais mascarar os meus sentimentos em uma capa de indecisão. Eu sei o que eu sinto, eu sei o que eu quero. Eu amo você Cadu, amo de verdade. Mas não mais como homem, e sim como um amigo e companheiro — Clara pronunciava as palavras com uma calma que chegava a assustar até a si mesma.

_Como é que é? E você resolveu isso de ontem para hoje? Assim? Do nada, não me ama mais? — Cadu gritava, indignado — É aquela mulher não é? Ela te seduziu com aquela vidinha fútil dela. As fotos, a viagem, a festa!

_Eu não me venderia por tão pouco Carlos Eduardo. Me respeita! Não estou fazendo nada disso por ela, apesar da Marina ser elemento fundamental nisso tudo. Estou me divorciando de você por mim! Eu não aguento mais viver assim — respondeu aumentando seu tom de voz.

_Assim? Assim como Clara? Não aguenta mais viver com seu marido e seu filho? Somos pouco, ou melhor, somos entediantes demais pra você, é isso? Não aguenta mais o que? — o marido espumava enquanto rosnava as perguntas para a esposa.

_Não coloque o meu filho no meio desse seu discurso imbecil não Cadu! Nenhum passo que eu der na vida rumo a felicidade irá atingi-lo. Tá ouvindo? Você não vai me chantagear com isso! Com o amor do meu filho, não! — acusou Clara, apontando o dedo na cara do marido.

_Pois então pague pra ver! Felicidade? O que é felicidade para você? Virar mais uma das mulheres na cama da Marina? É isso? Escreva o que eu estou te dizendo Clara, eu não vou deixar o Ivan participar dessa sua putaria! Porque é esse o nome disso tudo, putaria! Safadeza — o chef agora berrava, descontrolado.

_Realmente Cadu, eu tenho pena de você. Não reconheceria o amor nem se lhe esfregassem ele na cara! Machista! Não adianta mais fazer ameaças. Você já me chantageou até com a sua doença, mas não venha com esse discurso vitimizado pra cima de mim não, o nosso casamento já ia mal das pernas bem antes da Marina aparecer na minha vida! O amor é um sentimento generoso e não egoísta como o que você diz sentir. A Marina me ensinou isso — disse com tanta doçura o nome da morena, que Cadu perdeu completamente as estribeiras.

_Como você tem coragem de falar que aquela vagabunda te ensinou alguma coisa Clara? Sou EU — apontava para o próprio peito enquanto aproximava-se da esposa — que estou aqui há dez anos! EU que sou pai do seu filho. EU que sou o seu marido. EU que tenho o que você gosta! Não ela — afirmou Cadu, assustando Clara com a expressão que se formava em seu semblante raivoso.

_Não a chame de vagabunda, Carlos Eduardo. Ela merece muitos adjetivos, mas sem dúvida esse não é um deles! Me respeite e se respeite um pouco mais. Esse discurso de macho ferido nem sequer combina com você! — respirou fundo, tentando não rebater as palavras do marido na mesma moeda.

_Macho ferido? Hahaha — debochou — não adianta negar Clara, sou eu que tenho o que você gosta, e bem aqui — apontou em direção a própria cintura antes de partir para cima da esposa e agarra-la.

Clara debatia-se nos braços fortes do marido, enquanto Cadu mordia seu pescoço e puxava a fivela de seu cinto com tanta força, que acabou por arrebenta-la. Atordoada, sentiu a ereção do marido pressionar sua coxa e empurrou-o com toda a força que conseguiu reunir, jogando-o de encontro ao sofá. Cadu caiu sentado e olhou para a figura da esposa parada a sua frente, como se voltasse a realidade.

_Você só pode estar louco! — disse Clara ajeitando os cabelos e a blusa — Você... você... o que você pretendia fazer Carlos Eduardo?

_Clara, me desculpe. Eu... eu me descontrolei. Eu... me desculpe! — pediu o marido, realmente arrependido. Clara o fitava, a mágoa e a decepção eram evidentes no olhar da esposa.

_Eu vou dormir na Helena. O Ivan já está lá. Você tem até o fim da semana para sair dessa casa. Ela é minha e permanecerá assim — Clara pegou sua bolsa e saiu. Cadu não tentou impedi-la, estava perplexo demais com a atitude que tivera minutos antes. Ficou sentado no sofá sentindo o peso do mundo cair sob seus ombros. Abaixou a cabeça e chorou.

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Clara passou a noite acordada. Sabia que ter aquela conversa não seria fácil, mas Cadu havia passado de todos os limites imagináveis ontem a noite. Ainda não tinha certeza de como as coisas iriam se desenrolar, e seu único temor naquele momento era pela reação de Ivan. Não apenas em como ele receberia a notícia do divórcio dos pais, mas principalmente no quanto poderia sofrer se a coisa tomasse proporções maiores e mais dramáticas, caso Cadu resolvesse mesmo brigar pela guarda do menino. Mesmo com o coração apertado frente a essa possibilidade, Clara não retrocederia. Protegeria o seu bichinho com unhas e dentes e lutaria por sua felicidade até as últimas consequências.

Ainda meio zonza com os últimos acontecimentos, Clara levantou-se mais cedo do que o habitual, tomou um banho para despertar, um café rápido na cozinha e pediu para Rosa avisar a sua irmã que havia precisado sair mais cedo para resolver alguns problemas. Subiu até seu apartamento e respirou fundo antes de girar a maçaneta e entrar. Deparou-se com a cena de Cadu dormindo no sofá acompanhado de uma garrafa de vodka quase vazia. Revirou os olhos para a cena, pensando na irresponsabilidade do marido com a própria saúde e foi direto para o quarto trocar de roupa. Optou por um jeans justo, camisa social preta e sapatos de salto alto. Maquiagem leve, e cabelos presos em um rabo de cavalo alto, que deixava escapar algumas mechas soltas em seu rosto.

Passou de fininho pela sala a fim de não acordar Cadu e poupar-se de mais uma discussão logo de manhã. Hoje começava uma nova fase de sua vida e nada iria estragar seus planos para aquela manhã. Clara foi mais cedo para o estúdio e assim que chegou a casa da fotógrafa disparou em direção ao seu quarto. Antes de entrar, a assistente ficou alguns minutos parada, olhando para a porta. Como se tomasse coragem, ajeitou os cabelos pela milésima vez e entrou.

Caminhou lentamente até a cama, não conseguindo deixar de observar a bagunça que estava no quarto. Haviam roupas espalhadas próximo a cama, e Clara sentiu uma pontada no peito quando teve a sua suspeita confirmada. Marina dormia serenamente, abraçada a Victória. Sentou-se na cadeira em frente a cama e observou a cena por alguns minutos. Mil perguntas fervilhando em sua mente. O que será que a Marina sente por ela? Será que elas estão juntas de verdade? Conseguiria reconquistar Marina como queria? Deveria mesmo tentar tê-la de volta?

A verdade é que Clara não tinha resposta para nenhuma dessas questões, menos para a última. Se bem que a aquela altura do campeonato nada mais importava. A decisão de Clara estava tomada e sem dúvida nenhuma investiria em ter a sua Marina de volta. Por mais que Marina fosse linda ao acordar, não se obrigaria a assistir a cena de sua amada acordando ao lado de outra, então a assistente levantou-se, encarou as duas por intermináveis segundos, e decidiu descer para o estúdio. Era oficial, Clara partiria para o ataque.

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Victória acordou primeiro que Marina e permitiu-se admira-la dormindo por alguns instantes. Noites de amor, lugares exóticos, loucuras, jantares, beijos, filmes, viagens, passeios de mãos dadas. Inúmeras lembranças brotavam na mente da loira, fazendo-a abrir um sorriso involuntário que iluminava seu rosto de orelha a orelha. Passava a ponta dos dedos suavemente pelo rosto da fotógrafa, lhe fazendo carinho até que Marina abriu seus lindos olhos castanhos.

_Te acordei meu anjo?

_Uhum... — respondeu ainda sonolenta.

_Você é uma dorminhoca mesmo né?! — brincou Vic dando um beijo em sua testa.

_Ah, sou mesmo, tá?! Se existisse um campeonato de preguiça, seria campeã mundial. Certeza! — respondeu a brincadeira, devolvendo os carinhos da loira.

_Haha, sem dúvida você tem potencial pra isso viu pequena — ambas sorriram e trocaram um selinho — Mari, queria falar com você sobre uma coisa aí... Hãn... Como anda a sua agenda para os próximos dias?

_Huuummm, uma coisa ai? O que?

_Primeiro me responde da agenda, curiosa!

_Chata! — disse mostrando-lhe a língua — Minha agenda está tranquila até dia vinte e alguma coisa. Porque? Aiiii, fala logo Vi.

_Nossa gente, tá pra nascer alguém mais curioso do que você. Haha. Bom, dia vinte é só daqui quinze dias, então... Eu gostaria de te fazer um convite!

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_Nossa! Caiu da cama hoje é mulher? — perguntou Vanessa ao ver Clara ali tão cedo.

_Pois é. Minha noite foi um pouco conturbada então resolvi vir mais cedo. E você? Qual a sua desculpa?

_Vou usar a mesma que você. Hahaha, não tá fácil pra ninguém mesmo viu Clara!

_Victória dormiu aqui né?

_Eita que você tá direta hoje. Que milagre é esse? Tá tudo bem? — respondeu irônica.

_Ai Vanessa, como você é boba né?! Fico chocada! — disse Clara revirando os olhos, e tendo como resposta uma careta da ruiva.

_O que seria dos seus dias sem mim né?! Ah, e respondendo a sua pergunta, sim. Ela dormiu aqui. Se é que dormiram né?! Porque olha, a coisa estava animada ontem nessa casa! Aff! — falou Vanessa com cara de poucos amigos.

Antes que Clara pudesse comentar a observação da colega, Flavinha e Gisele chegaram juntas ao estúdio. Todas começaram a conversar sobre os seus respectivos finais de semana, e Clara riu sozinha, imaginando como poderia contar o seu. "Bom meninas, sexta eu briguei com a Marina porque ela beijou a Victória, sábado descobri que elas passaram a noite juntas, tentei agarrar a Marina, tomei um porre com a Vanessa e meu marido me agarrou aqui no estúdio na frente da nossa linda fotógrafa. Domingo, ah, domingo foi light! Vim aqui pra discutir com a chefe de novo, coloquei o dedo na cara da Victória e cheguei em casa pedindo o divórcio!", ainda divertindo-se com essa ideia, ouviu a voz de sua amada ecoando pelo local, roubando toda a sua atenção.

_Oi meninas. Bom dia! — Clara virou-se na direção da voz e seu coração disparou. Marina estava linda! Não que estivesse diferente de qualquer outro dia, mas hoje Clara sentia-se especialmente livre para admira-la. Fitou seus olhos por um longo instante, desviando apenas quando ouviu a voz da loira. Olhou na direção das mãos de Marina e lá estavam os dedos de Victória entrelaçados aos dela.

_Clara... — a assistente estremeceu ao ouvir Marina falar seu nome. Tudo parecia novo e diferente naquele dia, as sensações e sentimentos acertavam Clara em cheio, como se fosse uma adolescente descobrindo-se apaixonada pela primeira vez — Você pode conferir para mim quando será o primeiro ensaio das fotos para a próxima exposição? É dia vinte e alguma coisa se não estou enganada.

_Vinte e três, Marina — respondeu Vanessa prontamente.

_Quase acertei Vi, risos. Obrigada Van!

_De pé então? — perguntou a loira, deixando todas no estúdio curiosas, principalmente Clara e Vanessa.

_Com certeza! — respondeu selando seus lábios nos dela — nos vemos mais tarde?

_É claro! Você ainda está me devendo um cinema — Vic beijou os lábios de Marina mais uma vez e saiu dando-lhe uma piscadela. Clara e Vanessa fizeram caretas involuntárias para a cena, enquanto Flavinha e Gisele divertiam-se com a recente inabilidade de Clara em disfarçar seu ciúmes pela chefe.

_E então? Vamos trabalhar minha gente? — disse a fotógrafa partindo em direção a sua câmera. Não teriam ensaio aquele dia, e Marina concentraria-se em finalizar o trabalho que haviam realizado no sábado. Colocou o cartão de memória em seu notebook e começou a passar as fotos para uma nova pasta específica. Mantendo sua pose de durona, mesmo sabendo que estava sendo observada pela assistente, Marina evitava olhar em direção a Clara, mantendo-se focada na tela do computador.

Percebendo a atitude da fotógrafa, Clara decidiu dificultar um pouco as coisas para a chefe e caminhou em sua direção, deixando algumas fotos caírem propositalmente no chão ao lado de Marina, sentada em uma das poltronas no canto do estúdio. Uma das fotos tocou seu pé, chamando a atenção da fotógrafa, que virou-se para ver o que tinha acontecido. Assim que os olhos de Marina localizaram as fotos no chão, Clara abaixou-se sensualmente para pega-las, desculpando-se por ser tão distraída. A fotógrafa não respondeu, assim que Clara ergueu os olhos, viu que Marina encarava fixamente seu decote, e agradeceu aos céus por ter deixado aquele botão da camisa aberto. Levantou-se lentamente e teve o prazer de ver os olhos da chefe analisando todo o seu corpo.

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Marina pigarreou e tentou retomar a atenção para a tela do computador, mas o cheiro do perfume de Clara era perturbador demais para que conseguisse se concentrar. Clara estava particularmente linda e, francamente, aquela camisa estava tirando Marina do sério. Respirou fundo, pousou o notebook na mesinha a sua frente e foi até a cozinha. Abriu a geladeira, pegou uma garrafinha d'água e pensou no convite que Vic lhe fizera. Seria bom para ela. Se afastar um pouco de Clara e todo o drama que vinha com ela, mas por outro lado, pensava em como conseguiria ficar tanto tempo longe daquela mulher. Suspirou.

_Suspirando... Está apaixonada?

_Hãn?! Ah, oi Clara. Não, só no mundo da lua mesmo — respondeu ainda um pouco aérea.

_Hum... Entendi... — disse indo em direção a geladeira e deixando seu corpo encostar no de Marina no meio do caminho, como que sem querer — desculpa, tô meio distraída hoje.

_Pensando muito no marido? — alfinetou a fotógrafa — Calma, daqui a pouco você já está em casa de novo.

_Fácil seria se meus pensamentos fossem dele — devolveu a provocação, olhando fixa e intensamente nos olhos da chefe, deixando-a sem resposta — Hãn... Fecha os olhos.

_O que? Por que? — perguntou confusa.

_Tem um cílio rebelde querendo atacar seu olho. Fecha logo Marina — Marina obedeceu e Clara aproximou seu corpo do dela muito mais do que o necessário, a fotógrafa sentia a respiração da assistente tocando seu rosto. Delicadamente, Clara pousou a ponta do dedo no rosto de Marina, abaixo do olho. Ao sentir o toque da amada, involuntariamente a fotógrafa prendeu a respiração. Clara tirou o cílio dali e aproximando-se ainda mais, sussurrou no ouvido da chefe — Pode respirar. Eu não mordo, pelo menos não até você me pedir — depositou um beijo em seu pescoço e saiu da cozinha de volta ao estúdio.

Marina ficou parada, não por vontade própria, mas porque não conseguia mesmo se mexer. Seu corpo inteiro havia respondido aquele toque suave dos lábios de Clara em sua pele branca, causando arrepios e provocando uma espécie de choque elétrico que percorreu cada canto do corpo da fotógrafa. Marina piscou algumas vezes, como se recuperando a consciência das coisas e do ambiente a sua volta. Clara só podia estar querendo a deixar maluca de verdade. Não havia outra possibilidade! Balançou a cabeça de um lado para outro, tentando dissipar todo o desejo que a assistente lhe provocava, respirou fundo mais uma vez e voltou para o estúdio.

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O dia correu tranquilo para todas, a não ser para Marina que estava prestes a entrar em combustão com todas as provocações feitas por Clara. Sempre que podia, a assistente se insinuava para a chefe, as vezes com indiretas, outras com olhares desejosos, e até mesmo com toques e esbarrões desnecessários. A atitude da dona de casa confundia Marina, que não conseguia acreditar que tudo aquilo não passava de fogo de palha causado por ciúmes e pela perca de atenção que a mesma tivera desde que Vic reapareceu. Como se pudesse ler seus pensamentos, seu celular tocou e era o nome de Victória que piscava na tela.

_Oi Vi, tudo bem?

_Tudo gatinha e você? Conseguiu ver a melhor data para irmos? Estou com o piloto na outra linha — disse animada.

_Vou resolver com a Flavinha aqui, mas, acredito que amanhã mesmo podemos ir. Sem problemas! Posso te confirmar em alguns minutos? — perguntou carinhosa.

_Claro! Fico esperando então. Chego ai às 19h, tá?!

_Perfeito meu anjo. Beijos loira linda — despediu-se sorrindo.

_Beijos pequena!

_Meninas, venham cá um minuto, por favor! Preciso repassar algumas coisas com vocês. Vamos ter um imprevisto ai nos próximos dias — Todas dirigiram-se até onde a chefe estava sentada e Clara e Vanessa já não se aguentavam mais de curiosidade, até que Marina jogou a bomba de uma vez no colo de todas — Seguinte, a Victória tem um compromisso em Paris daqui a dois dias e me convidou para acompanha-la. Eu aceitei, e ficarei aproximadamente dez dias viajando com ela. Logo, precisamos ver como vão ficar as coisas aqui no estúdio enquanto isso — as assistentes estavam atônitas. A expressão de Clara beirava o mais puro choque. Como assim ela iria viajar com aquela lá? Dez dias? Oi? Como assim?

_Hãn... É, bom... Não temos mesmo nenhum ensaio importante, mas temos algumas modelos marcadas para trabalhos secundários Mari — respondeu Flavinha, a única que conseguia falar naquele momento.

_Então Flavinha, era isso mesmo que eu queria ver com você. Eu pretendo ir amanhã para a França, então cancela essas fotos e remarca entre os dias 19 e 22, tá?! Vanessinha, além dessas fotos, tem algum evento social que estava programado?

_Oi? Ah... Não, nada muito importante não — respondeu a ruiva ainda atordoada com o golpe.

_Certo meninas, então espero que vocês cuidem muito bem do nosso estúdio enquanto eu não estiver por aqui. Divirtam-se e não morram de saudades de mim! — riu Marina, animada com a viagem e dando por encerrado o expediente do dia.

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Clara sentia-se sem chão com a notícia. Como assim Marina iria ficar todos aqueles dias longe dela? E ainda por cima com aquela outra lá. Sentiu seu sangue ferver de raiva da loira. Ela era esperta, e sem dúvida rápida no gatilho! Mas a assistente não deixaria por menos e prometeu a si mesma que não permitiria que Marina fosse para aquela viagem sem ter do que se lembrar. Assim que Flavinha e Gisele foram embora, Vanessa pegou suas coisas e disse que sairia para dar uma volta, dando a Clara a chance de que precisava. Marina já tinha ido para seu quarto, e pelo horário sabia que em breve Victória estaria ali, portanto, não perdeu tempo e disparou escada acima ao encontro de sua amada. Chegando ao quarto encontrou a chefe vestindo apenas uma lingerie preta de renda, que contrastava perfeitamente com o branco de sua pele, dando a ela ares de sedução sem o menor esforço.

Marina estava de costas para a porta e não viu quando Clara entrou. A assistente estava vidrada na figura a sua frente e então resolveu colocar o seu plano em ação. Puxou Marina pela cintura fazendo-a ficar de frente para ela. A chefe a encarou, ainda assustada pelo puxão inesperado que levara. Sem fazer cerimônias, tampouco pedir autorização, Clara a beijou. A assistente deixou que todo o seu desejo pela chefe ficasse evidenciado em seus lábios naquele momento. Com uma das mãos segurou a nuca da outra com força, e com a outra prendia seu quadril ao dela. A fotógrafa permitiu-se, e deixando toda a falsa indiferença de lado correspondeu ardentemente ao beijo que lhe fora roubado.

Clara interrompeu aquele contato. Precisava de ar! Finalmente tinha provado dos lábios de Marina e a sensação era muito maior e melhor do que um dia pudesse ter imaginado. A chefe ofegava a sua frente.

_Clara... O que... Por que...

_Isso é pra você lembrar de voltar pra casa — disse segurando o queixo de Marina entre as mãos. Clara afastou-se ainda encarando-a, e deixando a chefe completamente zonza para trás correu escada abaixo.

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Os dias se arrastavam lenta e vagarosamente. Faziam nove dias que Clara não tinha notícias diretamente de Marina, e apenas acompanhava as fotos que saiam em colunas sociais, revistas e jornais de ambas as fotógrafas passeando nos eventos mais badalados da Europa. Os jornais se perguntavam se ambas haviam reatado o relacionamento, e a assistente fazia-se a mesma pergunta em sua casa. Os dias até ali não haviam sido fáceis. Além de estar longe de sua amada e nutrindo uma imensa incerteza sobre tudo o que estava acontecendo do outro lado do mundo e o que tudo aquilo significava de verdade para Marina, Clara ainda por cima teve que enfrentar a ira e a infantilidade de Cadu em relação ao término de seu casamento. Ele havia mudado para um apartamento alugado na divisa entre o leme e copacabana e Ivan ainda não conseguia lidar muito bem com a nova configuração que sua família tinha tomado. Afinal, os pais não moravam mais juntos, e sempre que se viam seu pai discutia com sua mãe. Apesar de ainda meio perdido, o menino tinha certeza que a melhor coisa era mesmo que permanecem separados para que não brigassem mais.

Depois de mais uma tarde vazia no estúdio, Clara buscou Ivan na escola, chegou em casa e jogou-se no sofá. Sua vida estava de pernas para o ar, mas, não se arrependia de nenhuma das decisões que havia tomado até ali. Tentou reconfortar-se no fato de que Marina chegaria ainda aquela noite ao Brasil, e que no dia seguinte a chefe estaria de volta ao estúdio, possibilitando-a a ver aquele sorriso que lhe acalentava a alma novamente. A saudade massacrava o peito da assistente. Ligou a TV sem prestar atenção no que de fato passava na tela, quando de repente sua campainha tocou incansável e descontroladamente. Clara levantou-se preguiçosamente, e quando abriu a porta tomou um verdadeiro susto. Lá estava Marina, parada, com os lábios vermelhos e um vestido tomara que caia que deixava grande parte de seu corpo exposto por ali. Clara perdeu o ar, e Marina a agarrou. Literalmente!

A fotógrafa empurrou o corpo da assistente para dentro do apartamento e chutou a porta atrás de si, encostando Clara na parede mais próxima. Marina selou os lábios da assistente em um beijo profundo e intenso enquanto explorava as curvas de seu corpo com as mãos firmes, experientes, fazendo a outra derreter-se em seus braços e pedir por mais. Marina escorregou seus dedos para dentro da blusa de Clara, apertando seus seios sem o menor pudor ou medo de repreensão por parte da outra. Sentia Clara entregue em seus braços, e percebeu que não tinha mais volta quando arrancou-lhe a camisa e a ouviu gemer com os lábios ainda colados aos seus. Apesar de inexperiente, a assistente se arriscava e enlouquecia a chefe com seus toques delicados e imprecisos. Ambas se encararam novamente e os olhares emanavam todo o desejo que sentiam uma pela outra naquele momento. Clara segurou os cabelos de Marina puxando sua cabeça para trás e ouvindo-a suspirar enquanto deliciava-se com seu pescoço fino exposto.

Marina passeava com as mãos pelas costas da assistente procurando pelo fecho de seu sutiã, não demorando-se a abri-lo, expondo os seios perfeitos de Clara a sua frente. A fotógrafa não pensou duas vezes e abocanhou o seio esquerdo da assistente, chupando-o com força e arrancando um gemido mais alto da outra que lhe segurava firmemente pelos cabelos. Clara sentiu seu sexo encharcar enquanto pulsava loucamente a espera do toque mais íntimo de sua amada. Sensualmente e ainda brincando com a língua pelo mamilo de Clara, a fotógrafa começou a abrir os botões e o zíper de sua calça, puxando-a com força depois de aberta. Tinha pressa em sentir o gosto da morena. Tinha pressa em tomar Clara para si. Escorregou uma de suas mãos por entre as coxas da assistente e gemeu ao sentir o tecido da calcinha da outra molhado de desejo. Ajoelhou-se a frente dela e desceu beijando, mordendo e lambendo toda a sua barriga até chegar a altura de sua virilha. Passou com a ponta da língua por cima do tecido molhado e Clara arfou, gemendo alto. Marina mordeu a lateral de sua calcinha, puxando a peça para baixo e exibindo o sexo pulsante de Clara diante dos seus olhos. A fotógrafa a olhava com fome, com sede, e no momento em que Clara sentiu a língua quente e úmida de Marina invadindo a sua intimidade, ouviu a realidade lhe chamar.

_Mãe, Mãããããããeeeeee... Você não vai acordar hoje não é? Já está na hora de irmos para a escola!

_Hãn?... Ivan?... Que? — balbuciou Clara ainda meio perdida.

_Escola mãe. Aquele lugar que eu tenho que ir todos os dias pela manhã se não você me mata, lembra? Já estamos em cima da hora e você ai, dormindo — disse o menino rindo.

_Ah, sim... Claro! A escola! Corre lá na tia Helena para tomar café, que eu vou tomar um banho rápido aqui e já saímos, tá bom?!

_Beleza! Mas não vai demorar hein cabeça.

_Olha o jeito que fala comigo menino.

Clara riu da brincadeira de Ivan e saiu em direção ao banheiro. Odiava tomar banho frio, mas diante das circunstâncias não conseguia ver outra alternativa para baixar a temperatura de seu corpo após aquele sonho. Já havia sonhado outras vezes com Marina, mas nunca com toda aquela riqueza de detalhes, nunca com toda aquela intimidade, e principalmente com todas aquelas sensações. Tudo parecia ser real e Clara sentia seu sexo pulsando entre as pernas enquanto lembrava-se das cenas ainda vivas em sua cabeça. Aumentou a potência do chuveiro, tocou-se imaginando as mãos da fotógrafa no lugar das suas e não demorou para sentir as pernas fraquejarem.

Saiu do box, enrolou-se na toalha e como se fosse um mantra martelando em sua mente, não conseguia parar de pensar na mesma frase: Essa mulher vai acabar me enlouquecendo!

Notas finais
Aposto uma notinha de dois reais que tem gente aí querendo me agredir agora! Hahaha... Calma gente! Fortes emoções estão por vir a partir de agora! Segurem a emoção, hahahaha. Comentários, sugestões, críticas? Beijos...