Velvet Touch
12 O Confronto
Notas iniciais
Clara não entendeu absolutamente nada da atitude de Marina, mas aquele era um assunto no qual ela realmente não queria insistir, então mesmo sem saber o que a fotógrafa tinha decido a respeito do futuro de Cadu, resolveu não pressiona-la e marcar logo o tal encontro. Ligou para o chef enquanto preparava o café da manhã de sua amada.
_Oi Clara. Tá tudo bem? — atendeu no primeiro toque.
_Sim. A Marina teve alta ontem e está em casa. Ela quer conversar com você, e antes que pergunte, eu não sei o que ela decidiu. Não me disse nada e pediu apenas para marcar um encontro com você aqui, se possível ainda hoje. Dá pra ser? – disse de uma vez, deixando transparecer toda a indiferença que sentia pelo marido.
_Nossa Clara, quanta frieza. Eu mereço tudo isso mesmo? Um erro em dez anos e de repente eu não mereço nem a sua amizade mais!
_Carlos Eduardo, não gaste meu tempo a toa não. Cansei do seu discurso inocente, você não é nenhuma criança e sabe muito bem a gravidade do que fez. Se bem que qualquer criança saberia, e também acharia injustificável, ainda mais pelos motivos mesquinhos que você tenta usar para se defender. Então não venha fingir que não foi nada, me poupe! Vai vir ou não vai vir? – respondeu irritada e cansada dos absurdos que ouvia de Cadu desde que tudo acontecera.
_Ok, ok... Não precisa esculachar! Eu vou. Preciso resolver isso logo mesmo pra poder voltar a dormir. Vou só passar no bistrô agora de manhã pra encaminhar as coisas por lá e em seguida vou para Santa Teresa. Tudo bem?
_Certo, estaremos te esperando – afirmou, fazendo o homem do outro lado da linha entristecer-se pelo “estaremos”.
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Victória havia saído arrasada no dia anterior da casa de Marina. Ela realmente amava a fotógrafa, mas leu nos olhos da morena que ela estava sendo sincera quando declarou-se apaixonada por Clara, e decidiu que a felicidade de Marina era mais importante do que estar em um relacionamento com ela. Apesar da atitude nobre, não tinha como negar que aquilo a corroía por dentro e que seu coração estava realmente aos pedaços. No dia seguinte ao término cumpriu com o que prometera a fotógrafa e foi até ao estúdio ajeitar as fotos com as meninas.
_Oi Vic, tudo bem? – perguntou Flavinha, preocupada com a aparência abatida da loira.
_Oi Flavinha, está tudo bem sim. Eu falei com a Marina ontem, e claramente ela não vai conseguir cumprir a agenda dos ensaios para a próxima exposição, então, combinei de fechar essas fotos para ela. Assim ela não perde o que já fez, e principalmente não tem que cancelar o evento, você mais do que ninguém sabe o quanto isso pega mal – falava com uma apatia notável, e considerando o fato de Clara ter dormido com Marina na noite anterior, todas no estúdio sabiam o motivo de sua tristeza.
_Hum... Entendi... Que legal que você vai fazer essas fotos por ela Vic, tenho certeza que vão ficar ótimas! Como você está de agenda?
_Tô de férias Fla! – risos – Marca de acordo com a disponibilidade das modelos mesmo. Vamos manter as mesmas meninas que a Mari escolheu, sem por nem tirar nada. Só vou ocupar o lugar atrás das lentes mesmo – soltou um sorriso amarelo ao falar o nome da aluna – E falando nela, ela já acordou? Tá bem?
_Acabou de tomar café – respondeu Clara entrando no estúdio – Ela jura que está bem, mas não sei dizer ao certo. Toda hora sente dor, sente dificuldade pra respirar – respondeu a assistente, genuinamente preocupada.
_O médico disse que isso poderia acontecer mesmo Clara, mas se ficar frequente demais ela precisa ir para o hospital. Ele disse que esse primeiro mês ainda é tudo muito delicado, e que é ideal que ela não faça esforço físico, mantenha a dieta correta, e evite emoções fortes – falou a loira, desviando os olhos em direção à dona de casa.
_Ai é que está o problema! — disse mais para si mesma do que para as outras — Bom meninas, eu vou voltar lá pra cima pra ajeitar as coisas pra Marina e daqui a pouco desço pra vermos o que vamos fazer pra essa exposição sair — disse saindo pelo menos lugar que havia chego.
Todas no estúdio se entreolharam e um silêncio constrangedor tomou conta do espaço. Conhecendo bem esse tipo de sensação e ainda sensibilizada demais pelos últimos acontecimentos, Vanessa se aproximou de Victória.
_Sei bem como é isso Vic. Essa Marina ainda mata a gente do coração um dia! — a tentativa da ruiva em confortar Victória foi tão inocente que ambas riram.
_É Van, não sei o que acontece com essa menina, mas ela arrasa MESMO com os corações das mulheres por ai — riram novamente — Ai, ai... Vamos trabalhar vai... É o que nos resta nessa vida.
_Vamos! Vou pegar os números das agências e marcamos as meninas. Você fica no Brasil até quando? – perguntou distraída, procurando o book das agências.
_Tenho uma reunião em São Paulo daqui nove dias. Dependendo de como for lá, talvez eu fique mais ou volte logo pra Paris. Ainda não tenho certeza – respondeu sem dar muita atenção à ruiva.
_Huuummm... Entendi. Bom se você quiser, posso te levar pra conhecer um pouco do Rio de Janeiro enquanto estiver por aqui. Ninguém merece ficar enfurnada naquele hotel o dia todo – disponibilizou-se Vanessa, sabendo que os próximos dias reservavam muita melação entre Clara e Marina naquela casa.
_Eu adoraria. Acabei não conhecendo muitos lugares com a Marina, e... Eu realmente adoraria Vanessinha – respondeu, dando agora total atenção para a assistente de Marina.
_Combinado então! Ah, e te levo pra almoçar mais tarde hoje, mas só porque tô boazinha! — disse a ruiva sorrindo e sendo retribuída pela loira.
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Cadu estava ansioso, receoso e inquieto para a conversa que teria logo mais com a fotógrafa. Clara não tinha dado nenhuma pista da decisão que Marina tomara em relação a ele e isso o agoniava profundamente. O nervosismo era tanto que Cadu começou a sentir todas as reações fisiológicas causadas por sua doença acontecerem de uma vez só! Suava frio, seu coração estava acelerado, e o ar não lhe chegava aos pulmões em alguns momentos, não conseguindo ficar em pé por muito tempo enquanto estava no galpão, tampouco organizar as coisas por lá. Avisou a Ritinha que estava apenas de passagem e pediu para que ela tomasse conta do negócio enquanto ele resolveria alguns problemas pessoais.
Um pouco mais cedo do que Clara esperava ouviu seu celular tocar e identificou o nome do Cadu no visor.
_Oi Clara, eu estou quase chegando ai. Já estou no táxi e acho que não demoro nem quinze minutos. Tudo bem? – perguntou ansioso por uma confirmação da esposa.
_Ok. Vou avisar a Marina e pedir para que o porteiro libere a sua entrada – Clara falava como se já pertencesse aquela casa, e isso literalmente assustou e enfureceu Cadu.
_Nossa, virou a dona da casa já? – deixou escapar, arrependendo-se de imediato.
_Infelizmente ainda não. Mas, quem sabe em breve eu não divida mesmo esse posto com a Marina. Até Carlos Eduardo! – respondeu incisiva, desligando o aparelho logo em seguida.
Minutos depois, o táxi amarelo que guiava Cadu parou em frente à casa da fotógrafa em Santa Teresa e respirando fundo o chef desceu do carro, identificou-se na portaria e como sua entrada já estava autorizada, passou marchando pelo portão e tomou o rumo do estúdio. No meio do caminho, Clara o aguardava com cara de pouquíssimos amigos. A esposa ainda não tinha conseguido elaborar nada do que tinha acontecido, e toda vez que olhava para Cadu lembrava-se de suas mãos vermelhas, sujas com o sangue de Marina.
Cadu parou frente à esposa, esperando que ela lhe dissesse algo, mas Clara apenas o encarava, e em alguns instantes o clima estava tão pesado que a tensão chegava a ser palpável.
_Carlos Eduardo, eu não sei o que a Marina vai te falar. Ela realmente não me disse, e sinceramente, eu não gostaria que o pai do Ivan fosse para a cadeia. Mas, se essa for à decisão dela, eu vou apoiar. Assim como te disse que faria – a esposa pronunciava pausadamente palavra a palavra, tentando manter-se calma na presença de Cadu, mas a verdade era que Clara temia por essa conversa e pelo estado de Marina. Ela ainda estava debilitada e a possibilidade de que Cadu a machucasse de novo, física ou emocionalmente era totalmente insuportável.
_Tudo bem Clara, eu já entendi que nada do que eu diga ou faça vai me redimir. Já entendi. Podemos ir logo com isso? – disse impaciente.
_Vocês vão conversar no quarto dela. Ela não está em condições de descer ainda, então vou te levar até ela – Clara aproximou-se do chef – Cadu, se você fizer qualquer coisa contra a Marina, seja com força física ou palavras, eu não respondo por mim. Tá entendendo? – ameaçou.
_Não precisa me tratar como marginal ou um descontrolado total né cara! Eu já disse que não queria nada disso, eu perdi o controle, perdi o bom senso, eu perdi tudo naquele dia para o ódio. Fiquei cedo e fiz uma bobagem que vai me assombrar para o resto da vida! Eu não vou fazer nada contra a Marina. Eu juro! – assegurou Cadu.
Clara não disse nada, apenas olhou no fundo dos olhos do marido e fez um sinal com a mão para que ele a seguisse. Sem perguntar nada o chef seguiu a esposa que fazia o percurso já tão conhecido para o quarto da fotógrafa. Chegando ao quarto, Marina estava sentada na cama com as costas apoiadas na cabeceira e as pernas esticadas a sua frente. Clara fez um sinal com a mão para que ele esperasse e aproximou-se de Marina.
_Amor... O Cadu está aqui. Eu posso pedir para ele entrar? – assim que terminou a pergunta percebeu Marina empalidecer levemente – Tá tudo bem? Você não quer fazer isso outra hora ou de outro jeito? – a voz da assistente era baixa, íntima, preocupada.
_Não – engoliu em seco – pode pedir pra ele entrar, eu tô bem – assim que viu Clara se afastar, completou – Clarinha... Eu queria ter essa conversa a sós com o Carlos, tudo bem pra você?!
_Sozinha? Por quê? Marina... Eu não acho isso uma boa ideia! – a assistente estava visivelmente preocupada.
_Qual é Clara, eu já disse que não vou fazer nada. Está tudo bem! Vamos resolver logo isso, pelo amor de Deus – disse Cadu que ainda estava parado na porta.
_Viu amor?! Tá tudo bem aqui... Eu só quero ter um papo a sós com ele – falou Marina, maquiando sem muito sucesso a voz que saia um pouco trêmula.
Clara alternou seu olhar de Marina para Cadu, voltando a encarar sua amada logo em seguida e soltando o ar que tinha segurado desde o momento em que a fotógrafa fez o estranho pedido.
_Tudo bem. Estarei no quarto ao lado para qualquer coisa, é só chamar meu nome – Marina assentiu com um aceno de cabeça e a assistente rumou porta afora, liberando o caminho para Cadu passar.
O chef deu alguns passos vacilantes para dentro do quarto e encostou a porta atrás de si. Assim que chegou em frente a cama seus olhares se cruzaram. Marina usava um shorts jeans azul combinando com sua camiseta folgada e da mesma cor. Apesar da diferença nas cores, o modelito remetia levemente ao figurino que usava no dia em que tudo aconteceu, e Cadu estremeceu ao lembrar-se da cena.
_Pelo que eu tô vendo, não sou só eu que tremo lembrando tudo o que aconteceu entre nós – disparou a fotógrafa, vestindo uma máscara de segurança e autoconfiança.
_Marina... Eu sei que nada do que eu disser para você vai me redimir desse absurdo todo. Mas, eu queria que mesmo que não acredite, soubesse que eu me arrependo profundamente de tudo isso. Se eu pudesse voltar no tempo... Eu...
_É, mas infelizmente ninguém pode voltar no tempo não é Carlos? Além das óbvias possibilidades mais definitivas, eu podia ter que largar a fotografia por isso aqui. Sabia? Eu podia ter perdido os movimentos do ombro, e segundo o meu médico, isso não aconteceu por muito, muito, muito pouco.
_Eu... Eu não sei mesmo o que dizer Marina! Eu perdi completamente a cabeça, o juízo. Deixei o ódio me cegar e não medi nenhuma das possíveis consequências de uma atitude extremista como essa. Eu repasso tudo na minha cabeça, e não sei dizer em que momento eu tomei essa decisão. Sinto muito não poder fazer nada além de lhe pedir perdão agora – Cadu falava com sinceridade, como se ainda não acreditasse mesmo que tinha feito tudo aquilo.
_Como você mesmo disse, nada do que falar vai redimi-lo de nada disso. Então é melhor nem gastar muita saliva nessa parte. Eu pedi para a Clara te chamar aqui para falarmos sobre o futuro, e não o passado – disse categoricamente – Eu tenho uma proposta pra te fazer.
_Proposta? Como assim? Não entendi... Você pretende fazer a denuncia ou não pretende? – perguntou confuso.
_Isso vai depender de você, e não de mim. A proposta é a seguinte: você não dificulta a vida da Clara, assina os papéis do divórcio de forma amigável, deixa a guarda do Ivan com ela e eu não te denuncio.
_Como é que é o negócio ai? – falou chocado, erguendo o tom de voz.
_É desse jeito que você ouviu. Você chegou perto de estragar toda a minha vida, isso pra não mencionar o fato de que você na verdade quase tirou a minha vida efetivamente. Eu deveria te jogar numa cela qualquer e vê-lo apodrecer virando a menininha da prisão – disse com um lampejo de raiva nos olhos – Mas, amo demais a Clara para fazer isso com o pai do filho dela. Então estou te dando essa opção – Marina falava com uma convicção tão forte que deixou Cadu atordoado a sua frente.
_A guarda do meu filho não! Você não vai levar ele também. Não vai! – respondeu engasgado e começando a sentir-se encurralado.
_O máximo que posso flexibilizar no nosso acordo é conversar com a Clara para que ela permita uma guarda compartilhada. Só! – afirmou – E aí, como vai ser Carlos Eduardo? – pressionou a fotógrafa.
_Eu... Preciso pensar... Isso não é justo, Marina! Isso não é justo! – gritou Cadu, enquanto sentia as lágrimas quentes escorrerem por seu rosto.
_Quem você pensa que é para falar em justiça? A Clara pode ter esse divórcio e a guarda do Ivan no momento em que você for jogado em uma cela, seu idiota! – a fotógrafa agora tremia de raiva, e sua respiração começava a ficar descompassada – Eu estou te poupando disso ainda por cima! Pela Clara e pelo Ivan. Não por você, obviamente! – cuspiu as últimas palavras já sentindo seu peito doer.
Clara que tinha ouvido o berro anterior do marido, entrou no quarto no meio da discussão dos dois, com medo de as coisas saírem do controle e acontecer mais alguma tragédia. E ouviu as últimas palavras de sua amada, sem entender o que estava acontecendo exatamente. Percebeu que Marina não estava se sentindo bem e parecia um pouco tonta, então deixou a curiosidade de lado e disparou para o seu lado, segurando sua mão.
_Marina... Fala comigo amor... Tá tudo bem com você?
_Tá tudo bem Clarinha... – disse afagando o rosto aflito da mulher a sua frente e recostou a cabeça um pouco para trás, tentando recuperar o fôlego.
Do outro lado do quarto Cadu ainda estava atônito. Não queria que fosse verdade, mas sabia que realmente Marina tinha razão. No primeiro momento enfureceu-se com a atitude da fotógrafa em usar toda aquela situação a seu favor, como se tivesse a chave para manipular os resultados da copa do mundo. Mas, no fundo ele sabia que deveria ser grato, afinal, ela o estava poupando de ir passar alguns bons anos na cadeia.
_Ok Marina. Eu aceito sua proposta – disse de cabeça baixa, com uma falta de ar terrível.
_Ok. Os meus advogados vão entrar em contato com você nos próximos dias, e tudo só estará certo mesmo quando sua assinatura estiver nos papéis. Agora, sai daqui, e me poupe de ter que encontrar com você novamente na minha casa ou no meu estúdio Carlos Eduardo!
O chef ainda demorou-se mais alguns instantes, parado ali na mesma posição, tentando controlar sua respiração que saia pesada e cansada. Percebendo a situação, Marina não solicitou novamente que saísse e deixou que tivesse o seu tempo para se recompor. Cadu ergueu a cabeça e encontrou os olhos de Clara.
_Espero que você seja feliz Clara. Espero que um dia esse pesadelo acabe, e você me perdoe – Cadu sabia que agora, aquele jogo definitivamente estava acabado para ele.
_Eu serei feliz, tenho certeza que serei – afirmou.
O chef piscou, tentando tirar as últimas lágrimas que ainda embaçavam sua visão. Respirou fundo, agora com as emoções mais controladas e em melhores condições do que há poucos minutos, olhou novamente para as duas, balançou a cabeça negativamente e rumou um pouco cambaleante para a saída do quarto.
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Apesar de não terem nada marcado para aquele dia, a tarde passou corrida no estúdio. Gisele não tinha ido trabalhar, pois Vanessa a tinha liberado para curtir o dia com o namorado, mas no fim, Flavinha, Victória e a própria Vanessa acabaram ficando sobrecarregadas com a marcação dos ensaios novamente. A ruiva cobrara alguns favores das agências de modelos para conseguir remarcar os compromissos tão em cima da hora, mas no fim acabou tudo dando certo. Clara ficou a maior parte do dia com Marina, principalmente depois da conversa dela com Cadu. Contudo, por efeito dos fortes remédios que tinha que tomar naqueles primeiros dias, a fotógrafa mais dormiu do que qualquer outra coisa, e a assistente revezava-se entre o estúdio e o quarto da chefe.
Ao cair da tarde todas comemoravam as boas notícias em relação à remarcação dos ensaios, e Clara não pôde deixar de notar a aproximação repentina entre Vanessa e Victória, abrindo um largo sorriso ao imaginar que poderia se livrar de duas rivais de uma vez só, e no mesmo instante em que sorriu riu de si mesma.
_Van... Você está me devendo um almoço até agora, e olha que já são quase seis da tarde! – protestou Victória.
_Nossa! Verdade... Não paramos nem para almoçar hoje. Quem diria que o tempo passaria tão rápido por aqui. Mas, não seja por isso convido vocês para um jantar agora – risos – pode ser? Topa Flavinha? Clara?
_Ai meninas, eu vou ter que recusar. O Edu volta hoje de viagem, e prometi que iria busca-lo no aeroporto, inclusive, já estou atrasada! – respondeu Flavinha enquanto saia apressada.
_Também vou ter que declinar, meninas – disse Clara.
_Que surpresa! – risos – Nem imaginava que você diria uma coisa dessas Clara – brincou Vanessa, fingindo indignação e surpresa. Vic riu – Bom loirão, acho que somos só nós duas então. Vamos?
_Vamos sim. Eu só queria dar um tchau pra Marina antes... – disse, olhando para Clara. Quase que pedindo alguma espécie de autorização.
_Ela tava dormindo da última vez que subi, mas tenta a sorte. Ela vai ficar feliz de te ver, perguntou de você no meio do dia – falou Clara, sincera como sempre.
A loira subiu até o quarto de sua pequena, e ela estava realmente dormindo. Foi até a cama, beijou sua testa, e quando já estava virando-se para sair de fininho do quarto Marina a chamou.
_Vi... Oi. Tudo bem? – disse sonolenta.
_Oi dorminhoca! Tudo bem e você?
_Eu tô bem, eu acho – risos.
_Tenho notícias boas. Conseguimos remarcar todas as meninas que você tinha escolhido e vamos focar nessas fotos ai nos próximos dias. Vamos ter que correr um pouco, mas vai dar tudo certo para a exposição! – falou animada e tentando animar Marina.
_Jura? Ai... Que bom Vi! Mas... Ah, eu só te dou trabalho!
_E desde quando fotografar é só um trabalho pra mim hein?! Eu amo fazer isso, você sabe bem. Não tem trabalho nenhum em ajudar uma paciente tão fofa como você! – risos – Agora deixa eu ir. Passei só para te dar um beijinho e ver se estava melhor, a Van tá me esperando para comermos alguma coisa.
_Huuummm... Comer alguma coisa... Sei – brincou a fotógrafa, insinuante.
_Mas nem doente deixa de ser palhaça né?! Deus! – ambas caíram na risada e a loira despediu-se, prometendo visita-la novamente no dia seguinte após as fotos que faria.
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O dia havia chegado ao fim e finalmente chefe e assistente estavam a sós. A cabeça da fotógrafa repousava no colo de Clara que lhe fazia cafuné enquanto ouvia sua amada contar tudo o que tinha acontecido entre ela e o Cadu naquela tarde. No primeiro momento, Clara ficou chocada com a tal proposta de Marina.
_Mas amor... Porque você fez isso? Ele... Quase te matou! – Clara não compreendia plenamente a atitude de sua amada. Era como se não fizesse total sentido.
_Eu não iria colocar o pai do Ivan na cadeia Clara. Seria pura vingança, e eu não faria isso com o seu “bichinho” – desenhou aspas com os dedos no ar.
Clara emocionou-se com as palavras de sua amada, e puxou um pouco seu rosto, trazendo-o de encontro ao seu próprio.
_Você não cansa de ser maravilhosa não?! Não cansa de me surpreender? – perguntou Clara, sustentando um olhar profundo e apaixonado.
_Você ainda não viu nada mocinha! Pretendo te surpreender por muito tempo ainda... – respondeu Marina, beijando-a intensamente.
O beijo começou lento, romântico, apaixonado, e segundos depois os corpos de ambas estavam quentes. O beijo que antes era lento, agora acontecia de maneira avassaladora. Marina subiu no colo de Clara, passou os braços por seu pescoço e as mãos da outra automaticamente abraçaram sua cintura, puxando-a para mais perto de si. As línguas de ambas estavam famintas e exploravam suas bocas com vontade. As mãos da assistente eram curiosas e desciam pela lateral do corpo da chefe que não ficava para trás, entrelaçando seus dedos aos cabelos castanhos da assistente e puxando-os devagar, como que se prendesse sua boca a dela, sem lhe dar chance para escapar. Clara passou as unhas pelas coxas brancas da outra e Marina precisou interromper o beijo para soltar um gemido baixo. Automática e bruscamente Clara parou tudo o que estava fazendo.
_O que foi amor? – perguntou Marina, confusa.
_Você ainda está recém-operada Marina...
_E qual o problema? – sussurrou a fotógrafa em seu ouvido – Eu tô louca pra terminar o que a gente começou aquele dia aqui nessa cama – Marina pronunciava as palavras com tanto desejo que Clara sentiu todos os pelos de seu corpo se eriçarem – Amor... Não fala assim! – a assistente pedia, sem a mínima vontade que ela realmente parasse. Sentiu a língua quente e úmida da chefe descer por seu pescoço, entorpecendo seus sentidos e por instinto subiu sua mão até a nunca de Marina, puxando os cabelos encaracolados e guiando os lábios da outra de encontro aos seus novamente.
Sem permitir que suas bocas separassem-se, Clara girou seu corpo na cama e posicionou-se delicadamente sobre o corpo da fotógrafa que mantinha seus olhos fechados, completamente entregue a aquele momento. A pele branca e quente da chefe lhe despertava sensações que nunca na vida imaginou sentir, e tinha uma curiosidade arrebatadora de enfim terminar o que haviam começado dias atrás como Marina bem dissera. Desceu seus lábios explorando o pescoço da amada, deixando um rastro molhado por onde passava, causando arrepios profundos e intensos no corpo da outra. As mãos de Clara seguravam o quadril de Marina embaixo de si, e sua boca agora fazia o caminho de volta pelo seu pescoço, indo em direção a sua orelha.
_Eu também tô louca pra gente terminar o que começou aqui nessa cama... – sussurrou palavra por palavra, roçando a ponta de seu nariz ao redor da orelha da chefe – Você me provoca sensações que eu nunca tive na vida, sabia? – Marina arfou baixo, descendo as unhas pelas costas da outra – Me deixa num estado que ninguém nunca deixou – as mãos da fotógrafa apertavam sua bunda agora – Mas... Ordens médicas são ordens médicas meu amor! – decretou, beijando seu rosto e levantando-se da cama.
Marina olhou para ela ainda desorientada e descrente do que via.
_Você não vai fazer isso comigo né amor? É brincadeirinha né? – perguntou a fotógrafa, ainda descompassada.
_É seríssimo meu anjo! Nada de sexo até a senhorita estar plenamente recuperada – respondeu, assistindo a expressão de pidona que estampava o rosto de Marina – Não faz essa carinha pra mim, não é como se eu não quisesse voltar ai e fazer amor com você... – olhou a chefe de cima a baixo, fazendo questão de demonstrar o desejo que sentia — Agora mesmo!
_Então vem cá... Eu tô ótima amor. Para com isso! – disse esticando os braços em direção a Clara e fazendo uma careta involuntária de dor ao mexer rápido demais o braço com o ombro machucado.
_Viu?! Tá de castigo até ficar boa – sorriu maliciosamente – E nem adianta insistir, eu sou uma mulher muito difícil quando eu decido – beijou seus lábios rapidamente – Agora vou pegar o seu remédio e vou pra casa, meu filho daqui a pouco esquece que tem mãe.
_Aaaaah, eu vou dormir sozinha? Você já foi uma enfermeira melhor! – disse meio emburrada.
_Você fica tão linda fazendo charminho, se você soubesse! – respondeu sentando ao seu lado na cama já com o remédio e um copo d’água na mão – Toma amor. É o mesmo remédio que te apagou hoje a tarde, daqui a alguns minutinhos você estará dormindo e poderá sonhar com a gente fazendo o que você quiser – gargalhou.
_Você se diverte né?! Se diverte com o meu sofrimento. Deixa você Clara Fernandes!
_Olha! Ficou bravinha hein... Chamando pelo nome completo – riu debochada – até me daria medo, se não fosse tão sexy – disse mudando seu tom de voz para um mais grave, beijando os lábios da fotógrafa com vontade.
Assim que percebeu que as coisas estavam mais uma vez quentes demais, e que Marina tentava deita-la novamente, Clara segurou seu rosto com as mãos e interrompeu aquele contato. Encarando-a, a assistente depositou beijos por toda a linha de sua mandíbula, subindo devagar até alcançar novamente a orelha. Mordeu a pontinha, e brincou com sua língua por ali.
_Boa noite, amor! – sussurrou, levantando-se em seguida e saindo do quarto.
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