Notas iniciais
Oi pessoal, estava com problemas para conseguir postar aqui antes, então darei uma overdose de 4 capítulos iniciais aqui para vocês e depois postarei um por dia. Minha ideia é mudar um pouco o cenário das coisas como estão na novela, pois, acredito que a personagem de Marina tenha que ter mais vida e ser um pouco mais independente da Clara em cena. Espero que gostem, e comentem!

Era sexta de manhã e não teria nenhuma atividade no estúdio antes das 14h. Após um café da manhã reforçado, Clara deixou Ivan no colégio e ao invés de ir para Santa Teresa, resolveu usar do tempo livre e voltar a sua casa. Cadu estava no bistrô desde cedo, e poderia ficar um pouco sozinha com seus pensamentos. Já em casa, jogada no sofá, a lembrança da tarde anterior com a fotógrafa martelava em sua mente. Não conseguia decifrar a atitude de Marina, e se já era confusa por natureza, estava entrando em completo parafuso.

Ela estava lá. Parada, descompassada, entregue. Ansiava por aqueles lábios, e pela primeira vez desde que a conheceu, não pensava em fugir ou se esquivar daquele contato. Sentiu a respiração da fotógrafa tocar seu rosto, seus dedos finos e delicados deslizando suavemente pela linha da sua mandíbula. Marina a encarava com os lindos olhos castanhos, e aquele olhar que emanava intensidade e desejo parecia despir Clara por completo. O momento era perfeito. Ou pelo menos a assistente achou que fosse. Fechou os olhos, e esperou por um beijo que não veio.

Clara balançou a cabeça de um lado para o outro, como se quisesse dissipar a cena de sua mente, mas sem muito sucesso. Não sabia interpretar tudo aquilo. Afinal, tinha sido uma rejeição? Não. Marina não a rejeitaria! Rejeitaria? Havia tudo naquele olhar, menos rejeição ou indiferença. Chegando a conclusão de que a ideia de ficar em casa aquela manhã não tinha sido das melhores, resolveu ir mais cedo até o estúdio, quem sabe não dava a sorte de ter um momento a sós com a fotógrafa, ou quem sabe até um momento de extrema coragem para a confrontar com suas dúvidas. Olhou-se no espelho, arrumou sua franja e riu dessa hipótese.

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Marina estava inquieta. Viu o nascer do sol da sacada de seu quarto e voltou para cama, ainda sem conseguir dormir. Sua cabeça estava a mil, e seu coração parecia não querer ficar atrás, como se houvesse algum tipo de competição interna, disputando para ver quem a enlouqueceria primeiro. Olhou para o teto e riu de si mesma, pois acostumada demais com a posição de caçadora, nunca imaginou-se pega em uma situação como essa. Ontem teve a chance de beijar os lábios de Clara, mas não o fez, e agora tentava acreditar que tinha mesmo virado o rosto de sua amada, naquele último segundo e depositado apenas um beijo no canto de sua boca.

Apesar de ainda não acreditar muito na firmesa que tivera, a verdade é que não havia porque duvidar de sua atitude, afinal, ela tinha decidido que não iria mais tomar iniciativas com Clara. Tinha se prometido isso. Não aguentava mais ouvi-la falar o nome do Cadu o tempo todo. Mesmo entendendo por completo os sentimentos e a situação da assistente, Marina não tinha como negar o quanto aquilo a machucava. Vanessa podia ser azeda e ciumenta, mas tinha razão em muitas coisas que falava, principalmente quando dizia que essa não era a Marina Meirelles de verdade. A fotógrafa nunca teve talento para o sofrimento, menos ainda disposição para ficar no compasso da espera de um amor platônico. Contudo, no fim das contas, a realidade era que Marina estava completamente apaixonada, e desta vez era diferente. Não estava sendo leviana, não queria Clara por uma noite. Queria Clara por inteiro, queria para ela. Só pra ela.

Sem se dar conta do tempo que se arrastava aquela manhã, ficou ali enrolada nos lençóis e presa em seus pensamentos por horas. Até que, como se a despertasse de um transe, seu celular tocou, insistente e chato do outro lado do quarto. Mesmo tomada pela preguiça, Marina correu para atendê-lo, afinal de contas poderia ser a Clara, e Deus sabe como ela queria ouvir a voz da assistente naquele momento. Porém, quando chegou ao aparelho, no visor aparecia apenas "número não identificado". Apesar de estranhar e internamente odiar receber chamadas bloqueadas, era mais curiosa do que qualquer coisa nesse mundo, e resolveu atender.

_Alô?!
_Marina?
_Sim. Quem fala? — perguntou a fotógrafa, curiosa.
_Um doce pra você se acertar quem é, risos. — disse alegremente a voz feminina do outro lado da linha.
_Hum, eu adoro doce. Mas, não faço a mínima ideia de quem é. Dicas? — Marina resolveu entrar na brincadeira.
_Bom, já que estou de bom humor, te dou até três. Mas, presta atenção porque serão as únicas hein: Cabelos loiros, olhos azuis, Paris.
_Meu Deus do Céu!!! Vic??? É você meu anjo?
_Hahaha, continua esperta! Tudo bem meu amor?
_Tudo, tudo melhor agora. Com certeza! Quanto tempo. O que anda fazendo? — Marina sorria de orelha a orelha.
_Tudo uma loucura. Estava trabalhando muito. Mas acabei de começar minhas férias, e adivinha onde estou agorinha.
_Não me diga que está no Brasil!
_Sim senhorita. Na porta do seu estúdio pra ser mais exata!
_E por que que não me disse isso logo mulher?! Estou indo ai.

Empolgada pela visita inesperada de Victória, Marina pegou a primeira calça jeans que achou no guarda-roupa, vestiu uma regata branca que estava jogada na cadeira e desceu correndo até a entrada do estúdio para receber Vic. Abriu a porta ainda soltando os cabelos, e parou de imediato ao dar de cara com aquele olhar brincalhão que a loira lançava até então para a porta. O sorriso dela continuava exatamente do jeitinho que a fotógrafa lembrava. Inocente, lindo, feliz. As duas se abraçaram fortemente, trazendo a tona uma série de lembranças e recordações de um passado bem recente da vida de ambas. Marina estava de olhos fechados, e sentia o cheiro dos cabelos de Vic quando ouviu a voz desconcertada de Clara que se aproximava ao fundo.

_Oi?! — disse Clara, meio perdida e incomodada com a cena de Marina abraçando a loira desconhecida com aquela intimidade toda.
_Oi Clarinha. — Ainda radiante, a fotógrafa se afastou um pouco, mas involuntariamente permaneceu com os braços em volta da cintura de Vic, que por sua vez passava os braços em seu pescoço e sorria docemente.

Clara olhava para aquela cena e parecia não reconhecer o sentimento que brotava em seu interior naquele momento. Era um misto de raiva por estarem tão íntimas, inveja por pela primeira vez não ser o motivo da alegria de Marina, e um incomodo crescente e agudo com essa constatação. Com o coração batendo fora do ritmo, a assistente fixou o olhar nas mãos de Marina que se entrelaçavam nas costas da loira, fazendo com que os dois corpos permanecessem próximos. Próximos demais para o gosto de Clara. Sim, definitivamente ela estava com ciúmes.

Percebendo o olhar da assistente, Marina se desvencilhou delicadamente do abraço de Victória e fez as apresentações

_Clarinha, essa é a Victória. Uma amiga de longa data! — disse disparando um lindo sorriso em direção a loira.
_Vic, essa é a Clara. Minha... Amiga... e assistente promissora aqui do estúdio.
_Olá Clara, muito prazer. Tudo bem? — disse Vic, com uma educação impecável e um português embolado, enquanto a cumprimentava com dois beijos no rosto.

Como num passe de mágica e antes que Clara pudesse responder, Vanessa, Gisele e Flavinha apareceram juntas no mesmo momento no estúdio. As três chegaram tagarelando e rindo alto, quase não se dando conta da cena que acontecia por ali. A primeira a avistar Victória foi Gisele que correu para cumprimentá-la, seguida das demais.

_Ai que bom que você achou o estúdio sem maiores problemas Vi. E que ótimo que chegou, porque esse segredo estava me corroendo! Arght! — disse Gisele fazendo uma careta.
_Ah, então a Sra sabia de tudo é sua bandida? — Marina ria enquanto dava um tapinha no ombro da prima.
_Segredo é segredo né chefe?! Além de que, uma boa surpresa não pode ser estragada. Aprendi isso com você!
_É Marina, você que passa essa filosofia por ai, agora não adianta reclamar. — disse Flavinha juntando-se as meninas e abraçando Victória.

Todas pareciam gostar da loira, menos Vanessa, que apesar de educada e cumprir todo o protocolo de cumprimentos iniciais, fez uma careta nas costas de Vic. Clara, mesmo tendo rido da careta reproduzida por Vanessa, sentia que aquilo só podia ser um mau sinal, afinal, a ruiva morria de ciúmes da Marina, e sem dúvida sabia mais da relação das duas do que ela.

_Van, quem é essa moça?
_Porque a pergunta? Ciúmes é? — respondeu Vanessa, azeda como sempre.
_Curiosidade só — mentiu a assistente, corando levemente.
_Pois se eu fosse você, ficaria com ciúmes mesmo, e muito! — disse a ruiva, dando as costas para Clara, deixando-a sem resposta e saindo do estúdio em direção a cozinha com cara de poucos amigos.
_Marina, passei aqui só pra te dar um beijo mesmo. A saudade já estava demais, mas quando cheguei no Brasil a proximidade deixou a coisa mais séria! Preciso ir me instalar no hotel direitinho ainda, tomar um banho. Fora o cansaço do vôo — disse Vic, sorrindo.
_Porque não fica aqui com a gente? Tenho um quarto de hóspedes lindo.
_Agradeço muito — a loira agora ajeitava uma mecha de cabelo atrás da orelha da fotógrafa — mas você sabe que eu tenho uma tara por hotéis, risos. Queria muito ver vocês a noite. Colocarmos o papo em dia, conhecer a tal da noite carioca. Você escolhe o bar Marina? Meninas, posso contar com vocês?

Todas, inclusive Clara, responderam que sim e Marina foi acompanhar Victória até o carro estacionado na entrada. Despediram-se com mais um abraço, e Vic depositou um beijo demorado no rosto de Marina. Ambos os gestos, assim como o sorriso da fotógrafa enquanto acenava para a loira, foram acompanhados e fulminados pelos olhares enciumados de Clara e Vanessa, que aguardavam o fim da cena paradas em frente a porta do estúdio.

Teriam muito trabalho ao longo do dia, e como de costume, Vanessa descarregava todos os seus descontentamentos pessoais enfiando a cara no trabalho, logo, não demorou para começar a distribuir ordens e organizar o figurino das modelos. Flavinha corria para lá e para cá com as luzes, e Gisele limpava freneticamente as lentes que seriam utilizadas no ensaio aquele dia. Clara ainda sem saber como lidar com os sentimentos dentro de si, organizava e catalogava algumas fotos que Marina havia pedido, sentada em um cantinho escondido do estúdio.

O dia passou corrido, e no fim do expediente todas jogaram-se nas almofadas espalhadas por ali. Marina não parava de falar em Victória um minuto que fosse, até que levantou-se subitamente, esbanjando animação.

_Meninas, então estão todas confirmadas hoje a noite? Podíamos ir todas juntas, o que acham? Flavinha, Gi e Clara, os meninos irão com vocês?
_O Murilo vai Mari, com certeza. — confirmou Gisele
_Vou sozinha hoje, meu digníssimo está viajando pela empresa essa semana. — disse Flavinha, desanimada.
_Eu não vou não Marina. — respondeu Clara, seca.
_Por que não Clarinha? Vamos com a gente vai!
_Não vou não. Mas, não vai nem sentir minha falta — disse, exibindo um sorriso nervoso — Bom, tenho que ir meninas. Amanhã nos vemos, divirtam-se hoje.

Clara levantou do sofá onde estava, pegou sua bolsa e já estava quase na porta quando sentiu a mão da fotógrafa segurar seu braço

_Clara, tá tudo bem?
_Nossa. Lembrou que eu existo?
_Não tô te entendendo. Como assim? — perguntou Marina, confusa.
_Nada Marina. Está tudo bem sim! Só tenho que ir mesmo. Divirta-se hoje!

Notas finais
Curtiram? Comentários? Críticas? Sugestões? Beijos, até o próximo capítulo ;)