Velvet Touch
9 Descobertas
Notas iniciais
A imagem da loira aparecendo subitamente em sua cabeça a deixou atordoada. Victória estava sendo um amor com ela, e absurdamente compreensiva com todo o turbilhão de sentimentos e emoções que era Marina naquele momento de sua vida. Por mais que não conseguisse deixar de amar a assistente, estar com Vic vinha lhe fazendo bem e ela era a última pessoa que gostaria de magoar. Contudo, Clara não a deixava nem ao menos tomar fôlego, avançando em seus lábios e pescoço com uma voracidade quase animal e a fotógrafa não conseguia pensar claramente.
_Clara... Eu não... Posso... — disse com dificuldade, tentando completamente em vão conter o desejo presente em sua voz já rouca e falhada.
_Porque Marina? Porque você não pode? — perguntou a assistente sussurrando em seu ouvido enquanto mordia levemente a ponta da sua orelha, fazendo Marina arfar e soltar um suspiro entrecortado.
_A Vic... Não posso fazer isso com ela... — balbuciou.
_Ah não... Hoje não! Eu não aguento mais — sussurrava autoritária junto aos lábios de sua amada, olhando-a sedutoramente — Faz amor comigo Marina. Agora!
Marina sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, como se tivesse recebido uma descarga elétrica de 220 volts com aquela solicitação de Clara, e sentiu que a partir daquele momento estava acabado! Toda e qualquer determinação que Marina tentava achar dentro de si para resistir a sua amada caiu por terra naquele instante, e a fotógrafa agora era puro desejo. Clara pesava seu corpo sob o da chefe, mas Marina tratou de mudar esse cenário rapidamente girando seus corpos na cama e invertendo a posição com a assistente.
_Porque você faz isso comigo Clara? Porque? — perguntava a fotógrafa, sem esperar por respostas enquanto devorava o pescoço da assistente — Você me deixa louca! — sussurrou descendo as mãos pelo seu corpo.
Marina perdeu qualquer resquício de lucidez e racionalidade quando ao invés de responder as suas perguntas, sentiu as mãos trêmulas da dona de casa descerem arranhando suas costas. Sentia a pressa da outra, o desejo pulsante, a entrega, e então resolveu torturar um pouco o corpo da mulher deitada abaixo de si. Como se quisesse fazê-la pagar por todo o tempo de espera que tivera até ali.
Marina diminuiu o ritmo dos beijos e começou a espalha-los lentamente por toda a região dos ombros, clavícula, pescoço, mandíbula, bochechas. Sentindo o corpo todo de Clara se arrepiar, guiou seus lábios até os da assistente, parando milímetros antes de tocá-los com os seus, Clara tentou beija-la, mas ela esquivou-se uma, duas, três vezes. Passava a língua por entre os lábios e mordia o lábio inferior toda vez que a dona de casa fazia menção de preencher aquele curto espaço que separava suas bocas. A expressão de Clara tornava-se suplicante, e a fotógrafa divertia-se com a situação, os olhos lampejando de malícia, assim como o sorriso que estampava em seu rosto.
_Marina... Não faz assim! — pediu quase sem voz.
_Assim? — perguntou a fotógrafa, deslizando suas mãos pelas laterais do corpo da assistente, apertando e arranhando suas coxas com a ponta das unhas — Assim como? — suas mãos agora subiam pelas pernas bronzeadas de Clara, indo em direção ao zíper lateral de seu vestido, assim que chegaram em seu destino, os habilidosos dedos da fotógrafa baixaram-o lentamente, enquanto ela encarava a assistente nos olhos. Clara não conseguia falar, e deixou um gemido baixo escapar sem querer quando sentiu os dedos da morena tocarem a sua pele por baixo do pano do vestido — Hein Clarinha? Assim como? — ainda sem desviar seus olhos dos de Clara, Marina deixou seu corpo escorregar um pouco mais pelo de sua amada enquanto beijava seu peito, permitindo que sua língua se aventurasse por entre os lábios, marcando a pele bronzeada com um leve rastro de sua saliva quente.
_Isso é... Jogo sujo... Marina... — balbuciou as palavras, ofegando como se tivesse corrido meia maratona — Não me tortura assim não... Por favor... Preciso sentir você! — pediu, sem pudor. A fotógrafa, no entanto, não estava muito boazinha nesse quesito, e não pretendia poupar Clara de nada. Voltou a passear com as mãos pelo corpo da assistente, guiando uma delas para seu seio esquerdo apertando-o suavemente, enquanto a outra subia pela parte interna de suas coxas. Clara estremeceu e soltou um gemido alto quando sentiu a ponta dos dedos de Marina subirem e descerem na região da sua virilha. A chefe estava realmente empenhada em enlouquecer a assistente, mas suas investidas contra o corpo bronzeado e bem definido de Clara não causavam reações apenas na outra e Marina podia sentir seu sexo molhado e pulsando entre suas pernas.
_Porque você não tira esse vestido? — provocou, mordendo o queixo da assistente — Ele tá me atrapalhando aqui — soltou uma risada baixa e rouca em seu ouvido — Tira você, abusada! — retrucou Clara, e Marina obedeceu. Depois de se livrar do vestido, a fotógrafa precisou de alguns segundos para tomar ar novamente. Clara usava uma lingerie preta, rendada, linda e agora Marina literalmente admirava a figura da assistente em sua cama — Nossa Clara, você está um escândalo! — confessou ainda olhando-a de cima a baixo — Um escândalo, é? Especial pra você... — decretou a assistente, puxando-a pelo quadril e enlouquecendo Marina por completo.
Quem tinha pressa agora era a fotógrafa, e demonstrava isso na intensidade com a qual beijava Clara. As línguas de ambas se experimentavam com fervor e não demorou para que os corpos ficassem suados. Clara arrancou a regata que Marina usava, deixando-a apenas de lingerie assim como ela. Suas bocas não se desgrudavam mais, e a cada momento o beijo das duas passava por novas nuances e sensações, acendendo cada pedacinho de pele que era tocado pelas mãos da outra. Marina livrou-se do sutiã que Clara vestia e não demorou-se para explorar os seios perfeitos da assistente por entre seus dedos. Alternava carícias e apertões nos mamilos rígidos, provocando gemidos cada vez mais altos de Clara que apertava cada centímetro de seu corpo.
Marina voltou a se acomodar por cima do corpo de Clara, mas dessa vez ajeitou-se por entre as pernas da assistente. Liberou as mãos que aventuravam-se pelos seios da dona de casa, trocando-a por sua boca. Clara agarrou-se a seus cabelos e não conseguia fazer nada além de gemer e suspirar, enquanto sentia o corpo estremecer nos braços da fotógrafa que lambia, mordia e chupava seus seios com vontade, com fome.
Clara sentia-se delirar naquele momento. Nunca, em toda a sua vida, havia sentido algo parecido com o que sentia agora. Era como se o mundo pudesse se acabar ali. Ela tentava se controlar, pois ainda tinha muito por vir e queria sentir tudo o que a fotógrafa pudesse lhe proporcionar. Seu sexo pulsava, impaciente e suplicante pelo toque da mulher deitada sob seu corpo. Clara puxou-a pelos cabelos até que sua boca encontrasse com a dela e a beijou intensamente — Ai... Marina... Eu quero você. Por favor! Eu preciso! — pediu em meio a sussurros, gemidos e mordidas.
A fotógrafa atacou o pescoço da assistente novamente, descendo lentamente com os lábios até os seios de sua amada, voltando a abocanha-los. Hora um, hora outro. As mãos de Marina desceram pelas costelas de Clara, agora com urgência, agarrando-se a sua bunda por um instante. Marina deixou que seus dedos brincassem novamente na virilha da assistente, provocando gemidos mais altos e apertões em seus braços. Suavemente, a fotógrafa escorregou dois dedos por cima do tecido preto e gemeu junto com Clara ao sentir o quanto a assistente estava molhada de desejo. Sem pensar duas vezes, Marina invadiu a calcinha de Clara...
_Marina, vem cá você não atende mais o celu... — Vanessa não conseguiu completar a frase ao dar de cara com a cena que se desenrolava no quarto da fotógrafa — Uau! O que está acontecendo por aqui? — perguntou-se retoricamente enquanto via as duas mulheres cobrirem-se com o lençol a sua frente.
_Porra Vanessa! Você não sabe bater na porta antes não? — esbravejou Marina, furiosa pela interrupção causada pela ruiva.
_Epa! Pera aí. Vocês não trancam a porta e a culpa agora é minha? — respondeu num misto de indignação e choque pela cena que assistira sem querer — E outra, eu só vim aqui porque a SUA namorada está tentando incansavelmente falar com você no celular, e seu lindo aparelho só dá caixa postal — falou em um tom de voz baixo, como se não quisesse que alguém as ouvisse — E aí ela ligou pra quem? Pra mim, óbvio!
_A Vic tá me ligando? Hãn... — passou os olhos por toda a extensão do quarto, procurando pelo aparelho — Acho que deixei o meu celular no estúdio mais cedo... — disse meio zonza, e percebendo a realidade que batia em sua porta com o anuncio de Vanessa, abaixou a cabeça e calou-se.
Vanessa suspirou — Sim. Ela está atrás de você! E não, antes que você me pergunte, eu não sei se aconteceu alguma coisa Marina — disse erguendo seu próprio aparelho celular com uma das mãos, indicando que a loira estava na linha — Fique tranquila. Não que eu devesse fazer isso, mas, está no mudo. Ela não ouviu nada! — adiantou-se em dizer quando viu a expressão de susto no rosto de Marina — Talvez ela esteja receosa em te deixar sozinha com a Clarinha na mesma cidade. Será?! — não perdeu a chance de alfinetar.
_Van, fala que eu tô dormindo. Eu não posso falar com ela agora! Preciso... Preciso conversar com a Clara. Por favor!
_Dormindo? Ai Marina... Olha... Aff... — disse a ruiva enquanto saia do quarto e fechava a porta.
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Clara não sabia muito bem o que fazer. Estava meio perdida com a onda de sensações que lhe atingia naquele momento. Ainda sentia o toque da fotógrafa em sua pele, ainda estava arrepiada e levemente embriaga de desejo, mas também estava envergonhada por terem sido pegas por Vanessa naquela situação, com ciúmes por ouvir o nome de Victória no meio de tudo aquilo, e agora sentia até um pontada de culpa por ter partido para cima de Marina do jeito que fizera mais cedo. Não conseguia decifrar muito bem a expressão que a fotógrafa sustentava ao seu lado, e imaginou que a chefe estivesse passando pela mesma confusão que ela.
_Marina... Eu... Eu não sei muito bem o que dizer... Me desculpe por tudo isso! — disse sem saber definir se de fato se arrependia de alguma coisa.
_Clara, me diz só uma coisa. Porque você veio aqui hoje? — perguntou séria, virando-se para encarar a assistente nos olhos.
_Eu vim porque já não aguento mais ficar sem a minha antiga Marina! Não dá mais pra ficar assistindo você nos braços da Victória todos os dias. Eu não aguento mais isso! — respondeu de uma vez, sem elaborar muito as palavras.
_A coisa toda se resume a ciúmes Clara? — perguntou Marina num fio de voz, magoada — É tudo porque não te dou mais a mesma atenção de antes?
_Não Marina... Não é por ciúmes! É por tudo o que eu sinto por você. É por tudo que se passa aqui dentro quando meus olhos encontram os seus — disse apontando para o próprio peito — Ei... Olha pra mim... — segurou seu queixo com uma das mãos, fazendo com que seus olhares se cruzassem — Eu não agiria assim com você. Eu não seria leviana Marina! — a fotógrafa chorava copiosamente — Não chora não meu anjo... Eu tô aqui. Eu sempre estive aqui — afirmou Clara, abraçando-a com toda a força que conseguiu reunir.
_Ai Clara... Porque você faz isso comigo? Eu sinto que vou enlouquecer as vezes! Eu não sei lidar com tudo isso... Eu... — seu choro aumentara razoavelmente, e Marina agora parecia uma criança assustada.
_Calma linda. Calma... Eu tô aqui com você... — Clara a apertou ainda mais, beijando o topo de sua cabeça. As lágrimas também escorriam por seu rosto, e elas ficaram assim durante horas, rompendo madrugada adentro. Marina chorava toda a dor que havia em sua alma. Um choro intenso mas silencioso, e a assistente respeitou o momento de sua amada com o coração apertado no peito por entender o quanto a tinha feito sofrer até aquele dia.
Clara acarinhava seus cabelos e percebeu que a fotógrafa havia adormecido em seus braços. Permitiu-se admira-la por alguns instantes, mas assim que viu que a claridade das primeiras horas da manhã começava a despontar pela imensa sacada do quarto da fotógrafa, lembrou-se que precisaria estar em casa quando Cadu e o filho chegassem aquela manhã. Não queria acordar Marina, e com um beijo na testa despediu-se, tentando se desvencilhar de seus braços.
_Não... Fica aqui comigo... — pediu a fotógrafa ainda mais dormindo do que acordada.
_Eu não posso linda. Já vai amanhecer e preciso estar em casa. Cadu, Ivan... Sabe como é — disse carinhosamente, sem esperar pela reação que viria a seguir.
_Cadu, Cadu, Cadu, Cadu! Quem não aguenta mais esse nome sou eu! Tudo bem Clara. Volte para a sua família logo — cuspiu as palavras, com raiva.
_Marina... Não faz assim. Temos muita coisa pra conversar. Você não sabe do que está falando — Clara não queria discutir e mesmo sem saber o porque, ainda não se sentia segura para contar que havia deixado o seu esposo.
_É eu realmente nunca sei de nada, nem quando eu acho que sei. Vai lá Clara. Vai... — soltou-se do abraço de Clara e girou seu corpo para o outro lado da cama, como uma criança mimada.
A assistente respirou fundo, vestiu-se, e indo até o outro lado da cama ajoelhou-se em frente a figura de Marina, que permanecia emburrada.
_Linda... — segurou seu rosto por entre as mãos — Você fica fofa assim emburrada, mas não faz essa cara pra mim. As coisas vão ficar mais claras. Eu prometo pra você! Mas, agora eu preciso mesmo ir. Podemos conversar mais tarde?
_Tá... — mesmo chateada, depois de tudo o que acontecera ela estava desarmada, e não conseguiria dizer não para a Clara.
_Tudo bem. Eu ligo pra você mais tarde — Clara selou os lábios de Marina com os seus, dando-lhe um beijo suave e intenso, surpreendendo a fotógrafa que se iluminou em um enorme sorriso.
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Depois que Clara havia lhe pedido o divórcio, Cadu era o retrato da amargura. O chef não conseguia entender onde tinha errado, e depositava toda a culpa pela situação de seu casamento na conta de Marina, acusando-a sempre que podia de ser uma destruidora de lares, além de afirmar categoricamente que a fotógrafa havia seduzido sua esposa apenas para leva-la para a cama. A raiva e a incompreensão lhe feriam o orgulho um pouco mais a cada dia, e sempre que se olhava no espelho se sentia derrotado. Tentava animar-se com o bistrô e a inauguração do galpão cultural que estava chegando, mas mesmo que seu sonho estivesse se concretizando, nada parecia estar no lugar em sua vida. Era como se ele não funcionasse direito sem ter Clara ao seu lado.
Saiu de casa para levar Ivan até seu antigo apartamento bem mais cedo do que havia combinado com Clara no dia anterior, pois havia marcado uma consulta médica com a Drª Silvia para um pouco mais tarde aquela manhã e como não vinha se sentindo bem, resolveu que não perderia o horário com a médica, correndo o risco de no máximo encontrar Clara dormindo. Chegou ao prédio e Ivan pediu para tomar café na casa de sua tia Helena, pois como era sábado, queria aproveitar o dia na oficina junto com o Virgílio. O pai então o deixou lá, cumprimentando Rosa e Seu Benjamim, os únicos acordados naquela hora. Já em frente ao apartamento da esposa, contou com a sua antiga chave para entrar. Percebendo o silêncio que se apoderava do espaço achou que Clara ainda estive dormindo e resolveu aproveitar a chance que se desenhava a sua frente para acordar a esposa e quem sabe ter mais do que uma conversa com ela, afinal, sonhar ainda não é proibido, não é?!
Assim que entrou no quarto deparou-se com o vazio, e não soube identificar muito bem qual o sentimento que teve naquele momento. Um misto de preocupação com irritação. Preocupação pelo fato de a esposa não estar em casa tão cedo, imaginando com o pessimismo automático dos seres humanos que algo de ruim poderia ter acontecido, e irritação por cogitar a possibilidade de a esposa ter aproveitado a ausência do filho e ter dormido fora de casa, mais precisamente na casa daquela mulherzinha. Num impulso Cadu pensou em ir para a casa de Marina em Santa Teresa e tirar suas dúvidas a limpo, mas no mesmo instante em que essa ideia lhe tomou a cabeça, ouviu a porta da frente se abrindo.
_Cadu! Nossa... Vocês chegaram cedo. Aconteceu alguma coisa? Cadê o Ivan? — perguntou Clara assustada por ser pega chegando aquela hora, e preocupada com seu filho.
Cadu a mediu de cima a baixo e chegou a conclusão que sua hipótese estava correta. Ela não havia dormido em casa na noite passada.
_Nossa! Como você é rápida Clara! Já está dormindo fora de casa, é isso mesmo? Menos de um mês separados e você já está na cama daquela vagabunda?! — Cadu berrava, sentindo suas veias esquentarem — Como você tem essa coragem Clara? Como?
_Cadu, primeiro, meça muito bem o seu tom de voz e as suas palavras para falar comigo, e segundo, cadê o meu filho? — Clara tentava controlar-se para não explodir e responder a altura para o chef que bufava a sua frente.
_O Ivan está na Helena. Graças a Deus! Assim ele não precisa ver no que a mãe dele vem se transformando. Vestidinho sexy esse hein Clara? Foi fazer showzinho particular para aquela vadia ontem?
_Carlos Eduardo, dobre sua língua para falar da Marina! — rebateu aproximando-se do marido e encarando-o ameaçadoramente — Você está na minha casa, e eu exijo que você respeite o meu espaço. Além de que, não é mais o meu marido, e não lhe devo nenhuma explicação sobre nada do que eu faço ou deixo de fazer!
_SOU SEU MARIDO SIM!!! Esse seu papo de divórcio não vai rolar minha querida. Eu NUNCA vou dar o divórcio para você Clara! NUNCA!!! — esbravejou, devolvendo os olhares ameaçadores da esposa.
_Pois se você quiser agir assim, que seja! Se não quiser me dar esse divórcio por bem Carlos Eduardo, ela será tirado a força e por mal. São atitudes como essas que você vem tendo que me fazem ter cada vez mais certeza que tomei a decisão certa! — disparou a esposa, exaltando-se.
_Então você pode contactar seus advogados querida! E se prepare, porque vou com tudo pra cima de você e vou brigar com unhas e dentes pelo meu filho! Ele não vai ficar no meio dessa sua putaria, JÁ DISSE!!! — afirmou Cadu, encurtando perigosamente a distância que mantinha da mulher a sua frente.
_Não coloque o Ivan no meio dos nossos problemas Cadu! Aliás, nem ele e nem a Marina tem absolutamente nada a ver com o fim do nosso casamento! Pare de se fazer de cego, isso só trás mais sofrimento.
_Sofrimento? O que você sabe sobre sofrimento? Você não parece estar sofrendo nada Clara! Vai, conta aí... Como é que foi a noite com aquela vadia lá? Gostou pelo menos? Conseguiu gozar?
Sem pensar meia vez, Clara espalmou o rosto de Cadu com força, deixando uma lágrima escorrer pelo canto do olho pela mágoa que aquelas palavras lhe causaram. Cadu olhou indignado, pressionando o lado do rosto onde Clara havia lhe atingido. Sentiu seu sangue ferver. Não conseguia acreditar em nada do que estava acontecendo, não conseguia aceitar nada daquilo, e muito menos o fato de Clara ter lhe dado um tapa para, de certa forma, defender o seu relacionamento com aquela vagabunda da Marina! A raiva o cegava naquele momento, mas por mais incrível que pareça não tinha Clara como alvo, mas sim a fotógrafa. Deu as costas para a esposa que ficou parada no meio do apartamento, estática, chocada com a própria atitude enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto.
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Cadu saiu do prédio transtornado e completamente cego de ódio, pegou um táxi e foi em direção ao apartamento em que morava, pedindo para que o taxista lhe aguardasse na entrada do prédio, pois não demoraria. Passou pelo apartamento correndo, revirando as gavetas de seu quarto até achar o que procurava. Sem pensar meia vez, voltou ao táxi e rumou para Santa Teresa. Depois daquele dia em que buscara Clara no estúdio da fotógrafa, nunca mais teve nenhum motivo para colocar os pés ali, mas, lembrava-se muito bem do caminho até lá.
Chegou ao estúdio ofegante, a raiva o consumia por dentro e suas veias latejavam com o sangue já fervendo. Entrou parecendo um furacão, sem dar chance de ser anunciado pelo porteiro.
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Marina sentia o corpo cansado, mas não aguentava mais ficar deitada naquela cama. O cheio que Clara deixou ali, bem como as lembranças da última noite, a embriagavam e embaçavam sua mente. Ainda não tinha conseguido ligar para Victória, decidindo fazer isso mais tarde. De preferência depois que conversasse com Clara e ouvisse quais eram as novidades que ela tinha para lhe contar. Disse a Vanessa que queria ficar sozinha, e optou por passar o sábado trabalhando. Desceu até o estúdio e começou a revisar as últimas fotos que tinha feito, escolhendo mais algumas para a sua próxima exposição. Marina estava sentada em uma das poltronas no canto do estúdio, vestia um shorts jeans curto e uma camiseta vermelha larga, usava seus óculos, estava com uma taça de vinho na mão, o notebook no colo e tão concentrada no que fazia que só percebeu o terremoto que invadia seu estúdio no momento em que ele parou a sua frente.
_Ah, ai está ela... A grande artista! — cuspiu Cadu, queimando em ódio.
_Cadu? O que você está fazendo aqui?
_O que eu estou fazendo aqui? Hahaha — riu, irônico — Como se você não soubesse né, sua vadia! — gritou.
_O que é isso? Você enlouqueceu de vez? Se está atrás da Clara, ela não está aqui, e esse é o meu local de trabalho. Sinto lhe dizer, mas não é bem vindo querido. E se aqui está, mesmo sem convite, terá que me respeitar! Portanto, meça suas palavras aqui dentro!
_Medir minhas palavras? Me poupe Marina!!! Comigo o seu lenga lenga não cola e seu charminho não funciona!!! Você pode até PENSAR que conseguiu roubar a MINHA MULHER, mas sinto lhe dizer que isso não vai acontecer. EU NÃO VOU DEIXAR!!!
_Roubar a sua mulher? Do que você está falando Cadu?
_É muito cinismo mesmo! Você obrigada a Clara a pedir o divórcio e destruir um casamento de dez anos e agora vem fazer a linha da desentendida?! — esbravejou Cadu, não fazendo a mínima ideia de que era ele o portador desta notícia.
Marina ficou muda. Estava total e completamente perplexa com a novidade que acabara de descobrir pelos gritos de Cadu. Por que Clara não tinha lhe contado? Quando isso tinha acontecido? Porque isso tinha acontecido? A cabeça da fotógrafa girava e ela começou a se sentir tonta quando lembrou-se de algumas cenas daquele último mês. Clara dizendo que iria lutar por ela aquela tarde na piscina, depois naquela confusão toda da revista quando disse que ela sabia sim o que queria, aquela visita inesperada da noite anterior, e foi aí que sua mente deu um clique. Clara estava deixando seu casamento, e estava deixando por ela. Foi inevitável sorrir.
_Tá sorrindo pra quem? — enlouqueceu Cadu, colocando a mão por baixo da camisa, na altura da cintura e puxando o objeto que tanto procurou em seu apartamento — Você não tem vergonha de destruir uma família assim não? Nós temos um filho pequeno. Eu não vou deixar você levar tudo o que eu tenho, sua puta! VOCÊ NÃO VAI TIRA-LOS DE MIM!!!
A fotógrafa ainda estava aérea enquanto processava todas aquelas informações, e demorou alguns segundos para entender a cena que acontecia bem diante dos seus olhos. Piscou forte algumas vezes tentando focalizar o homem parado em sua frente, e quando as suas vistas finalmente clarearam Marina gelou. Sua expressão era de espanto, sua boca formava um "O" e ela não podia acreditar no que via.
Cadu estava com uma pistola prateada na mão, apontando-a nervosamente em sua direção.
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