Notas iniciais
Sei que estou devendo um capítulo para vocês, afinal esse aqui deveria ter saído ontem, mas prometo compensa-las hoje sem falta. Espero que gostem!

Marina estava zonza. Não havia como negar a si mesma o desejo que tinha por aquela mulher, e menos ainda o quanto ansiava por tomar aquele corpo moreno para ela. A atitude de Clara a surpreendeu, mas seu coração ainda estava machucado pelas palavras da assistente, e mesmo ardendo em desejo tentava resistir aos seus encantos, sem muito sucesso.

_Clara, não é questão de te querer ou não... — tentava pronunciar as palavras por inteiro, mas o desejo não deixava, fazendo sua voz sumir vez ou outra.
_E é questão do que Marina? — sussurrava Clara apertando a cintura da fotógrafa, enquanto passeava com a ponta de sua língua em volta da orelha da chefe.
_Ai... Não faz isso comigo! — pedia Marina, ofegante.
_Fazer o que? — lançou-lhe um olhar malicioso — Isso? — provocava a assistente, enquanto descia sua mão pela lateral do corpo de Marina, causando um leve tremor na outra.

Marina sentia sua determinação ceder a cada toque de sua amada e desistiu de resistir, partindo para cima da assistente. Contudo, no momento em que suas mãos decidiram não mais obedecer sua mente e agarraram com força o quadril de Clara, empurrando-a em direção a cama, seu celular tocou. Ele estava guardado no bolso dianteiro do shorts da fotógrafa, e a vibração do aparelho fez com que as duas se assustassem, soltando-se de imediato. Clara encarou Marina, como se pedisse para ela não atender, mas a fotógrafa aproveitou o momento para tomar fôlego e recuperar a sanidade. O aparelho continuava a vibrar e a gritar incansavelmente, e num impulso Marina tirou-o do bolso vendo que o nome de Vic piscava na tela. Apesar de terem tomado alguma distância Clara estava perto o suficiente para ver o nome da loira ali, irritando-se de imediato, tanto pela interrupção quanto por saber quem tinha interrompido.

_Você não vai atender essa mulher agora né Marina?
_E porque não? Clara, para com isso. Ela não tem nada com nossos problemas. Já falei! — disse a chefe levando o aparelho a orelha — Oi Vi, tudo bem?
_Inacreditável!!! — rosnou Clara saindo do quarto.

–-//--

Vanessa passava pela piscina quando deu de cara com a figura de Clara andando apressada por ali. Clara não a viu, e quase jogou-a de encontro a água com o esbarrão que deu na ruiva.

_Eeeeeita! O que é isso mulher? Tá cega? — perguntou Vanessa.
_Hãn? Ah... Desculpa eu não te vi aí. Sem querer!
_Tá tudo bem? — questionou a ruiva, com a voz um pouco mole devido as doses a mais que tinha tomado depois das fotos em Ipanema, na companhia de uma antiga amiga com quem esbarrara no calçadão.
_Não, não tá nada bem não! Mas, tenho certeza que você já sabe o porque — respondeu sem fazer média com a rival.
_Ah, sei. Pode apostar que sei. Falei pra você que tava ferrada, não falei?! Tô sempre certa, viu?! Até cansa as vezes, hahaha — por mais que Clara estivesse frustrada não tinha como deixar de rir da forma com que Vanessa falava e da luta que travava com as pernas para se equilibrar em pé.
_Vanessinha, você não tá legal hein?! — riu a assistente.
_Aaaaaah, nada. Bobagem! Vem Clara, bora lá no estúdio tomar uma dose vai. Tô sabendo que cê tá precisando. Bora lá! — chamou a ruiva caminhando em direção a entrada do estúdio. Clara suspirou achando até uma boa ideia aceitar o convite da colega de trabalho, afinal, uma única dose não a derrubaria e naquele momento precisava de um bom trago mesmo.

Vanessa pegou a garrafa de wisky que tinham começado a beber mais cedo e dois copos no bar, jogando-se em seguida ao lado de Clara que estava sentada no sofá.

_Van, elas duas ficaram juntas quanto tempo?
_Namorando mesmo uns dois anos, mas o pior de tudo não é nem isso. Ela foi o primeiro amor da Marina. A primeira mulher com quem ela... Enfim... A primeira com quem ela foi para a cama — disse fazendo uma careta de nojo — e sabe como é né, dizem que o amor de saída do armário a gente nunca esquece.
_Amor do que? — respondeu confusa, tomando mais da metade do copo de uma vez só e estendendo o braço para que Vanessa lhe servisse novamente.
_Ai Clara, você é lenta mesmo assim ou se faz hein? Jesus! Nunca ouviu a expressão sair do armário? Foi ela que fez com que a Marina assumisse sua orientação sexual. Toda vez que ela aparece na vida da Marina é um inferno na minha! A mulher é poderosa minha filha, mexe com a branquela. Além de que é linda né?! É triste, mas não tem como negar! — assumiu amargurada.
_É, isso não tem mesmo. Não sabia que ela tinha esse peso todo na vida da Marina. Aff! Me dá essa garrafa aqui vai... — Clara tomou a garrafa da mão da ruiva, enchendo mais uma vez os copos de ambas.

–-//--

Marina estava confusa. Dividia-se entre a mágoa pulsante e o amor arrebatador que sentia pela assistente, e pela primeira vez não sabia como agir em relação a tudo isso. Victória a tinha chamado para sair, mas preferiu ficar em casa aquela noite e pensar sobre tudo o que tinha acontecido nos dois últimos dias. Clara a tinha acertado em cheio na outra noite e ressuscitado lembranças que não queria voltar a ter tão cedo. Lembrou de todas as ocasiões em que havia discutido com o pai a respeito de sua orientação sexual, e quantas e quantas vezes ele tinha dito aquela mesma frase a ela "Você não presta Marina!". A fotógrafa sentiu que o pedido de desculpas de Clara havia sido sincero, mas, lá no fundo ainda não conseguia perdoá-la por tê-la julgado daquela maneira, ainda mais tendo colocado o nome do marido dela no meio. Cadu, Cadu, Cadu, sempre esse nome sendo jogado em sua cara e ecoando em sua cabeça! Ao recordar-se da cena Marina irritou-se agarrando o travesseiro e revirando-se na cama. Talvez devesse ter aceitado o convite de Vic, afinal, se tinha algo bom para lembrar da noite anterior era da doçura e do toque da professora, que por sinal, parecia desempenhar-se cada vez mais de forma intensa e ardente na cama com o passar dos anos. Marina suspirou e pegou seu celular, ainda decidindo se deveria ou não ligar para Victória. O relógio do aparelho marcava 22h12 quando ouviu o som dos acordes de uma de suas músicas favoritas ecoando pelo quarto. Era "Satisfaction" dos Rolling Stones. Automaticamente Marina pensou em Vanessa, sem dúvida era ela a responsável por aquela barulheira toda, ainda mais naquela hora da noite.

Antes que a ruiva acordasse a vizinhança inteira, Marina decidiu ir até o estúdio e tomou um susto quando viu o que se passava ali. Clara e Vanessa estavam em pé, fazendo alguma espécie de dança, e com copos de whisky levantados enquanto gritavam o refrão a plenos pulmões juntamente com o Mick Jagger. Definitivamente Marina não sabia se ria ou se chorava, e decidiu interromper a festinha desligando o som.

_Ué?! Cadê? — murmurou Clara deparando-se com o silêncio.
_Olha quem apareceeeeeu. Marininha! — disse a ruiva olhando em direção ao som e avistando a fotógrafa que as encarava.
_Pois é. O que vocês estão fazendo meninas? Enlouqueceram de vez?
_Ah Marina, nem me venha com sermão hein. Só estávamos aqui bebendo um pouquinho e resolvemos colocar um som pra animar o ambiente! — disse Vanessa de maneira quase ininteligível, embolando uma palavra na outra.
_É Marina, relaxa! Não é você que sempre dizia o quanto queria que eu e Vanessinha nos entendêssemos? Olha só que coisa bonita a gente aqui — falou Clara brindando sem motivo com a ruiva pela milésima vez aquela noite.
_Meu Deus do céu. Eu não mereço tanto! — lamentou Marina mais para si do que para as assistentes — Vanessa, já deu pra você hoje né meu bem? Vai lá tomar um banho e deitar que você já passou da conta — disse séria.
_Xiiiiii. A chefe tá brava pessoal! — brincou a ruiva indo em direção a fotógrafa — Eu até vou, mas vai ter que me dar um beijinho de boa noite antes! — Marina revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente, mas foi impossível não rir frente ao esforço que a assistente fazia para se movimentar e tentar articular as palavras. Após ganhar um beijo no rosto de Marina, Vanessa saiu cantarolando qualquer coisa em direção ao seu quarto.

A fotógrafa não sabia o que fazer em relação a Clara, e ainda não acreditava que estava vendo a assistente naquelas condições. Já estava acostumada aos porres de Vanessa, e inclusive já tinha tomado muitos junto com ela, mas a Clara? Não. Definitivamente aquela cena não combinava nada com ela.

_ Ai Clara, o que eu faço com você? Cadê seu celular?
_Pra quê?
_Vou ligar para o seu esposo vir te buscar. Você não tem condições nenhuma de sair por aí sozinha — disse autoritária.
_O que? Você ligar para o Cadu vir me buscar? Nooooossa! Tá doida mesmo! Mas é nunca.
_Vamos Clara, me dá ai o celular. Não tenho o número dele no meu aparelho, e daqui você não sai nesse estado!
_Ah, tá bom. Então eu durmo aqui com você. Pronto, resolvido! — disse caminhando para perto de onde Marina estava.
_Ai Clara... Você só pode estar querendo me deixar maluca. Só me faltava essa agora! — Marina deixou a assistente se aproximar mirando o celular que estava no bolso traseiro esquerdo de seu shorts, e assim que Clara estava perto o suficiente a fotógrafa a enlaçou em seus braços e pegou o aparelho de seu bolso.
_Ixe! Pegou... Safada!
_Clara senta aqui — Marina a colocou sentada em uma das poltronas do estúdio — vou ligar para o Cadu e já venho. Não sei qual o motivo desse porre todo, mas direi que foi apenas uma comemoração pelo fim de um excelente trabalho e que acabou saindo do controle. Não saia daqui — sem forças para desobedecer, a assistente permaneceu sentada vendo a figura da chefe se afastar.

Ainda sem acreditar em tudo aquilo e internamente querendo esganar Vanessa, Marina correu até a cozinha e ligou para o esposo de Clara.

_Oi amor. Caraca! Estava preocupado com você! Te liguei duas vezes e você não atendeu. Tudo bem?
_Hãn... Oi Cadu, é a Marina. Tudo bem? — disse a fotógrafa receosa pela reação do homem do outro lado da linha.
_Marina? O que você está fazendo com o celular da Clara? Aconteceu alguma coisa? — perguntou num misto de preocupação e raiva.
_Então, na verdade mais ou menos. Voltamos pro estúdio no fim do trabalho de hoje e como a campanha toda foi um sucesso as meninas resolveram comemorar, abrimos algumas garrafas aqui, e como a Clara não está acostumada a beber acabou perdendo um pouco o controle — disse mais receosa ainda.
_O que? Como assim? Você tá me falando que a Clara está bêbada aí no seu estúdio? É isso? — respondeu deixando todo o tom de preocupação de lado e assumindo apenas a raiva em sua voz.
_Não é como se ela estivesse caindo pelas tabelas Cadu. Relaxa! Mas, não está bem para ir embora sozinha, e eu achei por bem te avisar para que viesse busca-la. Mas, todo caso, posso acomodá-la aqui em casa se você não tiver com quem deixar o Ivan agora.
_Dormir aí? Nunca né Marina, me poupe! Estou indo — afirmou e desligou o celular na cara da fotógrafa.

"É, continua simpático como sempre!" pensou Marina.

–-//--

Cadu saiu correndo de casa assim que desligou o telefone. Deu graças a Deus por ter deixado Ivan dormir na casa do seu colega de escola naquela noite, e partiu em disparada ao estúdio de Marina. Durante todo o percurso até Santa Teresa permaneceu indignado com o fato de ter recebido uma ligação daquelas, ainda mais tendo vindo de quem veio. O horário ajudou com o trânsito e Cadu conseguiu fazer o percurso em tempo recorde, levando menos de vinte minutos para tocar a campainha da casa da fotógrafa. Marina que tinha acabado de entregar mais um copo d'água para a assistente, respirou fundo e correu para abrir a porta, já sabendo quem seria do outro lado.

_Cadê a Clara? — rosnou Cadu de imediato.
_Oi pra você também. Tá lá dentro — disse Marina dando passagem para o chef.

Cadu adentrou o estúdio feito uma fera, procurando Clara por todos os cantos e a achando sentada em uma das poltronas ali. Não se lembrava qual tinha sido a última vez em que a esposa havia se permitido beber tanto assim, mas, ao menos Clara não parecia sentir-se mal, apenas levemente embriaga. Mesmo com toda a raiva que o consumia enquanto dirigia para lá, ignorou por um momento onde estava ao ver a cena do sorriso amarelo da esposa e permitiu-se até achar graça de toda a situação.

_Clara, você está bem? — perguntou o marido.
_Estou sim. A Marina que é exagerada cara! — respondeu colocando-se em pé, e tornando a sentar devido a tontura.
_Cadu, faz o seguinte, espera só um minuto que vou pegar um remédio para ela que é tiro e queda. Melhora na hora. Tudo bem? — propôs Marina.
_Tudo bem — disse o chef após um longo suspiro e ainda sem saber se achava graça ou revoltava-se com a situação da esposa.

Com a saída de cena da Marina, Cadu aproximou-se de onde Clara estava ajudando-a a se levantar. Ele podia até não se lembrar de quando tinha sido o último porre da esposa, mas lembrava-se muito bem dos efeitos que o álcool tinha sobre a sua libido. Pensou em onde estavam, em quem voltaria em breve para aquele espaço, e vendo a oportunidade de tirar algum proveito de toda aquela situação constrangedora, não teve dúvidas atacando os lábios de Clara em um beijo ardente e apaixonado. A assistente ainda estava tonta e levou alguns segundos para entender que estava sendo beijada e agarrada pelo marido. Ainda sem conseguir raciocinar muito bem, Clara deixou-se levar pelo momento e pelas sensações que aquela língua que invadia sua boca com tanta urgência lhe causava. Tinha sido rejeitada mais cedo pela fotógrafa e ser arrebatada daquele jeito pelo marido, ainda por cima no estado de embriagues que se encontrava, embaralhava de vez o seu juízo, fazendo-a esquecer completamente onde estava.

Ao voltar ao estúdio a fotógrafa ficou paralisada. Uma corrente elétrica que misturava sentimentos e sensações percorreu todo o seu corpo prendendo-a ao chão, muda e estática. Sem saber o que fazer, Marina assistia a cena boquiaberta. Não acreditava que estivesse vendo aquilo ali acontecendo bem no meio do seu estúdio. "Como ela pode ter essa coragem? Como? Ela sabia que eu estaria de volta. Ela sabia que eu veria. Ela... Vagabunda!" pensava Marina percebendo suas veias esquentarem com a raiva que aumentava gradativamente dentro de si, ainda sem conseguir ter qualquer tipo de reação a não ser o silêncio. Cadu pesava seu corpo sobre o de Clara, que por sua vez deixava-se cair no sofá ao lado dos equipamentos de luz segurando-se ao pescoço do marido que continuava a beija-la com fervor. A fotógrafa respirou fundo diversas vezes buscando acalmar o furacão que se formava em seu peito, e no momento em que percebeu as mãos de Clara começarem a abrir a camisa do esposo, resolveu que era hora de parar com aquele show de horror que se desenrolava bem no meio do seu próprio estúdio. Sem saber muito bem o que fazer ou falar, a fotógrafa apenas pigarreou alto e forte.

Cadu ergueu o rosto com um semblante vitorioso e encarou a figura da fotógrafa exibindo um sorriso de pura malícia. Clara levou um susto, e como se estivesse voltando de alguma espécie de transe hipnótico olhou em volta tentando entender o que estava acontecendo ali. Percebeu-se deitada em um sofá branco, com seu corpo esparramado embaixo do de Cadu. Olhou para o lado, viu a inconfundível mesinha estampada com uma carta de baralho e tomou outro susto dando-se conta de onde estava. Empurrou o corpo do esposo para lhe dar espaço e levantou-se num pulo.

_Marina...
_Bom, pelo jeito você não vai precisar do remédio. Parece estar passando muito bem! — disse a fotógrafa de maneira indiferente, impedindo Clara de prosseguir com qualquer tipo de discurso que não precisava ouvir, ainda mais na frente de Cadu.
_Marina, me... — a assistente ainda tentou retomar, mas mais uma vez foi impedida pela fotógrafa.
_Eu tô realmente cansada. Vou indo me deitar! Acompanho vocês até a porta Cadu, ou você consegue achar o caminho da saída com sua esposa? — perguntou Marina encarando-o olho no olho.
_Eu acho a saída sim. Não se preocupe! — respondeu triunfante. Tinha conquistado todos os seus objetivos ali.
_Ótimo! Tenho certeza que terão uma ótima noite, então dispenso meus votos para que seja boa — disse Marina caminhando até a porta do estúdio, querendo tirá-los de sua casa o mais rápido possível. Cadu entendeu o recado e não tendo mesmo mais nada a fazer naquele lugar, arrastou o corpo de Clara até o carro.

–-//--

Já chegando em seu quarto, assim que ouviu o barulhento carro arrancar afastando-se da entrada da casa, Marina autorizou-se chorar. Se jogou na cama, enrolou-se nos lençóis, abraçou seu travesseiro e não fez mais nada além de deixar que as lágrimas salgadas e quentes escorressem por sua face. Era a segunda noite seguida que Clara conseguia lhe atingir mais do que em cheio, e a fotógrafa sentia como se lhe enfiassem uma faca bem no meio do peito. Os olhos ardiam, a cabeça latejava, o ar não vinha! Marina ficou aninhada em seus lençóis por horas e horas, sem conseguir nem ao menos mudar de posição na cama. Seu choro alternava-se entre calmo e agitado, magoado e romântico, sofrido e raivoso, mas sem cessar por um mísero minuto que fosse. Sentindo o incômodo da claridade, abriu os olhos e deparou-se com a luz do sol invadindo seu quarto. Já havia amanhecido e mais uma vez a morena assistia ao nascer do sol não por vontade própria.

Usando da pouca força que lhe restava, arrastou-se até o banheiro e quando já estava com o comprimido que pretendia tomar para dormir em mãos, olhou-se no espelho a sua frente e sem reconhecer seu próprio reflexo, viu uma figura estranha parada ali. Rosto vermelho, inchado, semblante abatido, olheiras enormes. Naquele momento Marina fixou-se concentrando toda a sua atenção na imagem a sua frente, encarou seus próprios olhos com profundidade, vislumbrando um lampejo de frieza e indiferença lhe tomarem por completo e sentiu a tomada de decisão sendo feita por seu sub-consciente no mesmo momento em que se ouviu dizer: _Acabou Marina Meirelles! A partir de agora, ela nunca mais derrubará nenhuma lágrima pelo seu rosto. Ela não te merece, não merece o seu amor, e menos ainda a sua compreensão. Acabou a palhaçada e você esquecerá tudo o que sente por Clara Fernandes, custe o que custar.

Dito isso, a fotógrafa engoliu dois comprimidos de uma vez só, voltou a sua cama e permitiu-se ser abraçada por um sono profundo que não demorou a chegar, esperando que ao acordar ele tivesse carregado consigo toda a sua tristeza e lhe lavado a alma por completo.

Notas finais
Comentários? Sugestões? Críticas? Ameaças de morte? Hahahaha... Beijos!