Velvet Touch

19 Cidade Cinza


Notas iniciais
Oi minhas lindas!!! Mais um capítulo ENORME para vocês!!! Prometo que vou me conter e parar com essa palhaçada de escrever bíblias a cada capítulo. Isso é culpa da parada do Nyah, tinha muito tempo para escrever os capítulos, então me empolguei, rsrs... Confesso que as reações de vocês me surpreenderam com relação a Melissa no cap anterior. Achei que ela dividiria mais opiniões, mas tivemos pelo menos 90% das leitoras querendo tacar fogo nela viva e coisas parecidas, rsrsrs... Enfim, amando os comentários de vocês, e como sempre, espero que gostem!

Marina estava aflita. Seu coração parecia estar apertado desde o momento em que se despedira de Clara no aeroporto no Rio de Janeiro, um dia e meio atrás. Ainda tentava aprender a lidar com todos aqueles sentimentos malucos que se misturavam e gritavam em seu peito, mas para dizer bem a verdade, não estava tendo lá muito êxito com isso até o momento. Apesar de todo o seu turbilhão interno, a razão lhe chamava a atenção e a fotógrafa sabia que tinha que concentrar-se no trabalho e cuidar dos últimos detalhes para a sua primeira exposição na terra da garoa. A noite de estreia era sempre a mais importante, e a presença bem disposta da fotógrafa costumava determinar o sucesso de cada uma das temporadas.

As obras que seriam expostas dessa vez apropriavam-se da temática “A feminilidade em movimento” e mostravam a evolução da mulher e de seu papel social ao longo da última década. As lentes de Marina, com a ajuda mais do que fundamental de Victória, haviam clicado vários biótipos femininos diferentes, através da montagem de variados espaços e situações novas que atualmente contavam com a presença da mulher na sociedade, porém, que pertenciam ao cenário tradicionalmente masculino, como por exemplo: oficinas mecânicas, delegacias de polícia, paradas de caminhão, campos de futebol, dentre outros. Algumas fotos eram nus, outras não totalmente, e no final, o resultado apontava que o contraste desse enredo rude e tosco com a sensualidade e a delicadeza feminina, dava um tom novo e extremamente sensual aos painéis expostos na galeria.

Marina havia trabalhado duro aquele dia. Começou bem cedo, e marcara painel a painel junto com os funcionários que os montavam e reposicionavam seguindo seus comandos, e cuidou para que tudo, absolutamente tudo estivesse como ela queria que ficasse. Teve algumas discussões rápidas com Carlos a respeito das mudanças de última hora que decidira fazer na luz do ambiente, e nesses momentos arrependeu-se profundamente de ter liberado Vanessa para ajudar Vic com seu novo projeto. Aliás, novo projeto que a loira conduzia em parceria com Melissa. Só de lembrar o nome da italiana à enxaqueca lhe atacou. Levou as mãos a cabeça, e esfregou a testa, tentando tirar a imagem irritante da artista de sua cabeça, sem muito sucesso.

Repassou rapidamente os últimos detalhes e informou a Carlos que ainda passaria por lá na manhã do dia seguinte, a fim de verificar se tudo ficara de acordo com o que havia pedido, e apesar da irritação, o homem teve que dar o braço a torcer e reconhecer que a fama de exigente e dedicada de Marina era realmente verídica. Despediram-se e a fotógrafa tomou o rumo do hotel. Era fim de tarde e o tempo na cidade cinza era o habitual para aquela época do ano, nem muito quente, nem muito frio, e Marina chegou a tempo de observar o sol morrer atrás dos imensos arranha-céus ali da sacada de seu quarto.

Seus devaneios tinham nome e sobrenome, e a saudade que se misturava a toda aquela maluquice que era seu coração nos últimos dias, lhe martelava forte no peito. Estavam separadas há pouco tempo, mas a maneira com que se despediram da última vez em que estiveram próximas não agradava nem um pouco Marina. No fundo, ela sabia que tinha que se resolver consigo mesma, afinal, o amor de fato não tinha garantias, como ela bem dissera a Cadu tempos atrás. Mas a verdade era que realmente não sabia como reagir a toda aquela insegurança que a consumia de dentro para fora.

Respirou fundo, olhou no relógio que enfeitava seu pulso e ele apontava 18h em ponto. Nesse momento, Clara já deveria ter saído da audiência de separação e partido em direção ao aeroporto para pegar seu voo às 18h45. Procurou pelo celular em sua bolsa e discou o número da namorada algumas vezes, porém, todas as tentativas foram frustradas, com a ligação caindo direto na caixa postal. Imaginou que ainda estivesse com o celular desligado, e resolveu esperar que ela lhe retornasse. Tinham conversado mais cedo e combinado que o carro que estava a serviço da fotógrafa lhe apanharia no aeroporto, pois não sabia se ia demorar ou não para sair da galeria aquela noite, e era melhor não arriscar.

Marina olhou para o relógio novamente, fez as contas mentalmente, pensou, repensou, e realmente teria que sair correndo para conseguir chegar do Morumbi até Guarulhos a tempo. Ainda mais naquele horário, onde o trânsito da cidade cinza já começava a ficar mais insuportável a cada minuto que passava. Decidiu manter o plano inicial, liberou o carro para ir de encontro a Clara e partiu para uma ducha demorada, porém, não tão relaxante assim. A água quente batia em seu corpo, mas não parecia conseguir lavar a bagunça de sua cabeça, e muito menos de seu coração.

Saiu do banheiro enrolada em uma toalha e enxugando os cabelos encharcados com outra. Caminhou lentamente pelo quarto e parou em frente ao espelho que tinha ali. Olhou-se profundamente e se lembrou do dia em que fizera esse mesmo gesto tempos atrás, lá em seu próprio banheiro, quando decidira esquecer Clara e apaga-la de sua vida. Mesmo estando completamente decidida naquela época, não conseguiu minimizar em nada seu desejo, seu carinho e muito menos o seu amor pela assistente. Respirou fundo e deixou sua mente vagar pelos momentos de amor que consumara junto de sua amada em seu quarto. Lembrou-se dos beijos, do toque, da temperatura da língua, dos olhares, da respiração pesada, dos suspiros, dos gemidos, dos gritos. Lembrou-se do gosto que provara em sua intimidade, das juras de amor eterno ao pé do ouvido, dos abraços, dos cafunés.

Abriu os olhos novamente, balançando a cabeça como se ajeitasse as ideias no lugar e voltasse ao tempo presente, encarou-se e sentindo todo seu corpo esquentar decidiu que nada estragaria seu reencontro com Clara aquela noite.

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Melissa caminhou graciosa e sedutoramente até onde o corpo de Clara ficara estacionado.

_Oi, linda! – a voz da italiana era aveludada, grave, e ridiculamente sexy.

_Oi... Hãn... O que você tá fazendo aqui? – perguntou com a voz um pouco falha.

_O mesmo que você. Vou para São Paulo hoje, aproveitei a exposição da Marininha amanhã para me antecipar e marcar um jantar com alguns amigos – seu tom de voz permanecia o mesmo e agora sua mão ajeitava uma mecha do cabelo de Clara, pousando-o atrás de sua orelha.

_E é claro que em uma ponte aérea como Rio — São Paulo, com voos quase que de meia em meia hora, é pura coincidência você estar no mesmo voo que eu. Acertei? – disse dando dois passos para trás e lembrando-se da discussão que tivera com a namorada em torno da palavra coincidência.

_Absolutamente! Fiz questão de descobrir seu voo e sua poltrona – assumiu sem receio nenhum, preenchendo novamente o espaço vazio entre elas – eu odeio viajar sozinha, e não se dispensa uma companhia como a sua.

Clara sentiu seu corpo tremer. Não de desejo, não de expectativa, mas de pura intimidação e receio.

_Minha poltrona? Você... Como? – Melissa sorria ao perceber Clara mais uma vez desconcertada em sua presença.

_Tenho os meus contatos, Clarinha – sussurrou, próxima demais ao seu ouvido.

A voz feminina que ecoava dos alto-falantes voltara a soar, avisando que o embarque do voo 1026, com destino a São Paulo, já estava liberado.

Clara encarou Melissa com certa raiva no olhar, e saiu na frente em disparada. Procurou sua poltrona, acomodou-se ali no corredor e rezou para que o lance da poltrona fosse apenas um blefe. Porém, assim que abriu os olhos deu de cara com o corpo da morena lhe pedindo passagem para a poltrona da janela. Assim que Clara fez menção de se levantar para que a outra passasse, sentiu as mãos da italiana pousarem delicadas e firmes uma em cada ombro seu, enquanto suas coxas, expostas parcialmente devido ao pequeno comprimento do vestido, roçavam lentamente em seus joelhos e ela tomava o rumo da poltrona ao seu lado.

A assistente não sabia o que fazer. A única coisa que conseguia pensar era em Marina e no quanto ela ficaria irritada se soubesse das últimas atitudes de Melissa. Uma voz familiar soou no interior da aeronave, e não demorou para que Clara reconhecesse o timbre de voz do comandante. Sem dúvida era Ricardo, esposo de sua mãe e primo de sua namorada que falava, e naquele momento percebeu o quanto estava distante de sua família. Não por qualquer motivo em específico, mas pela correria que tinha sido os últimos tempos com toda a confusão entre Cadu e Marina. Primeiro a cirurgia e os cuidados médicos com a namorada, e depois aquela vontade insuportável de ficar do lado dela 24 horas por dia e sete dias por semana, acabaram a distanciando da convivência mais próxima e constante que tinha com a família Fernandes sem que percebesse.

Ainda meio perdida em seus pensamentos, Clara começou a perceber toda a movimentação de preparação para a decolagem, e aquele já tão conhecido frio na barriga lhe arrebatou em cheio. Não era apenas de helicópteros que a assistente tinha medo, mas sim de qualquer coisa que alçasse voo e tirasse seus pés do chão, segurou-se com força nos braços da poltrona, já sentindo sua respiração se descompassar.

_Tudo bem Clara? – perguntou Melissa colocando uma das mãos por cima da sua.

_Mais ou menos – respondeu automaticamente.

_Não acredito que tem medo de voar – soltou um riso baixo – Mas você tem sorte, como sou muito boazinha, deixo você ir segurando minha mão – entrelaçou seus dedos aos de Clara – Aliás... – aproximou seus lábios do pescoço da assistente, que apertava seus dedos involuntariamente enquanto o avião decolava – Deixo você segurar o que quiser!

Clara não agiu, tampouco reagiu a nada daquilo e simplesmente fechou os olhos. O medo a consumia naquele momento e era como se sua mente não conseguisse lidar com as duas coisas ao mesmo tempo. Alguns minutos depois, sentiu que o procedimento de decolagem terminara, e concentrou-se em controlar sua respiração. Aspirava profundamente e expirava soltando o ar lentamente de seus pulmões, repetindo esse movimento algumas vezes. Assim que a calmaria lhe atingiu, piscou os olhos com força e os abriu de uma só vez. Percebeu que sua cabeça estava meio tombada para o lado, e seus olhos depararam-se com as curvas dos seios de Melissa perto demais de seu rosto.

Como se retomasse a consciência viu-se em uma cena que não se deu conta de que estava acontecendo até então. Sua cabeça estava encostada no peito de Melissa que tinha os dedos de uma das mãos entrelaçados aos seus, e com a outra lhe fazia cafuné, passando o braço ao redor de seu pescoço, como em um “meio abraço”. No mesmo instante em que se deu conta do que acontecia, desvencilhou-se dos braços da outra, e as cenas que lhe vinham à mente eram dos momentos de tensão que passara no helicóptero a caminho de Angra com Marina. Ela cuidara e protegera Clara exatamente daquela maneira, daquele jeitinho.

_Relaxa Clara, não é como se você tivesse cometido um crime – riu – ninguém precisa saber que você me agarrou no avião – o tom de voz da morena era baixo, como se compartilhasse um segredo.

_Ah Melissa, para de ser desse jeito. Eu não agarrei você! – a assistente riu de puro nervosismo.

_Pena eu não ter feito uma fotinho de recordação – suspirou – Você fica ainda mais fofa quando está vulnerável – lançou mais um de seus sorrisos arrebatadores.

_Melissa... – seu tom era de advertência – Para! Cara, você é cara de pau demais né?! Como consegue uma coisa dessas? – perguntou Clara com toda aquela sinceridade que lhe era habitual.

_Não sou cara de pau, Clarinha. Sou determinada! É bem diferente uma coisa da outra – aproximou-se seu rosto do de Clara – Você não acha não?

O hálito quente da outra lhe atingiu o rosto no mesmo instante em que suas unhas escorregaram por seu braço, e um arrepio involuntário percorreu toda a espinha dorsal da dona de casa. As atitudes de Melissa lembravam absurdamente as de Marina, principalmente quando estavam naquela fase inicial de conquista, e tudo isso confundia a cabeça de Clara. Não tinha dúvidas do que sentia pela fotógrafa, absolutamente! Mas, não tinha mais como negar a si mesma a realidade que batia em sua porta: Melissa definitivamente mexia com ela. Clara era nova nesse “jogo” e talvez o fato dos encantos da morena serem tão parecidos com os de Marina é que os tornava tão atrativos.

A essa altura do campeonato, sua cabeça já tinha dado um nó, e não tinha como responder a pergunta feita pela italiana. Na tentativa de fugir de sua presença, chamou a comissária de bordo, perguntando se poderia falar com o comandante. Explicou quem era, e foi informada de que como já tinham decolado, se o comandante não visse problemas poderia sim leva-la a cabine e pediu que aguardasse um minuto.

_Hummm, lá vai ela fugir de mim de novo! – disse num tom debochado – Não acha estranho esse incomodo todo que sente do meu lado, Clarinha?!

_Pretensão sua achar tudo isso! E outra... Para de me chamar de Clarinha! Não dei essa liberdade pra você não – respondeu séria, tentando inutilmente cortar as asinhas da morena.

_Viu?! Se não incomodasse tanto, não teria problema – riu, irritando Clara profundamente – Posso chamar de outra coisa se quiser, aliás, posso te chamar de muitas coisas. Tudo depende do momento! – acrescentou retomando o tom que usara na sala de embarque no aeroporto mais cedo.

_Srta Clara?! O comandante disse que gostaria muito de recebê-la. Vamos lá?

_Salva pelo gongo hein?! – riu novamente, lançando uma piscadela para Clara que saia quase indignada e seguia a comissária até a cabine do comandante.

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O relógio de Marina apontava 19h50, e a falta de notícias de Clara começava a incomoda-la. Tentou ligar novamente no celular da namorada, mas novamente só ouviu a voz da amada pela gravação da caixa postal. Apesar da irritação pela falta de notícias, imaginou que a mesma já estivesse a caminho do hotel, uma vez que consultara o status de seu voo no site da companhia aérea e o mesmo já havia pousado em Guarulhos há aproximadamente dez minutos. Mesmo a noite, o trânsito em São Paulo era sempre caótico em determinadas regiões, e definitivamente pegar toda a marginal para chegar do aeroporto até o Morumbi era uma tarefa complexa.

Estimou que a namorada deveria levar mais ou menos o mesmo tempo que ela própria levara para chegar ao hotel, e calculou que provavelmente ainda a esperaria ao menos por mais 50 minutos. Cansada de não fazer nada no quarto e decidida a se acertar com Clara quando esta chegasse, teve uma ideia um pouco mais ousada. Foi até suas malas e procurou por uma lingerie que tinha levado para a cidade cinza já cheia de segundas, terceiras, quartas e quintas intenções. A peça consistia em um espartilho preto, acompanhado de uma calcinha fio dental da mesma cor e uma discreta e delicada cinta liga.

Marina vestiu-se e maquiou-se rapidamente, investindo consideravelmente no vermelho que pintava seus lábios. Jogou apenas um sobretudo de corte cinturado e relativamente comprido por cima da lingerie e calçou sapatos de salto alto. Ajustou as lâmpadas do quarto, deixando a iluminação do ambiente a meia luz, ligou na recepção pedindo vinho tinto, morangos e duas taças. Assim que recepcionou seu pedido, já enjoada das paredes do quarto e relativamente mal intencionada a respeito do caminho que Clara teria que percorrer até chegar ali, resolveu descer e esperar por sua amada no saguão do hotel.

Sentou-se em uma das poltronas laterais, ficando nas costas de quem vinha da rua, e começou a folhear uma revista de moda que achara na mesinha de centro a sua frente. Vez ou outra espiava pela porta e consultava o relógio, pelo horário, Clara chegaria a qualquer momento então deixou a revista de lado e focou-se em acompanhar o entra e sai das pessoas pela porta do hotel. Os olhares de todos que sentavam-se ou apenas passavam pelo saguão, não saiam do ambiente sem que encontrassem e admirassem a figura da fotógrafa sentada ali. Afinal, com o corpo um pouco de lado na poltrona, as pernas cruzadas sensualmente, os lábios vermelhos e aquele copo de whisky na mão, a imagem de Marina era mais uma vez o retrato personificado do pecado.

Olhou para a porta pela milésima vez e finalmente viu Clara passar por ali. Ela estava linda. Sempre achou que o azul lhe caia bem, e no momento em que fez menção de se levantar enxergou Melissa caminhando ao seu lado. Coçou os olhos na esperança de que aquela imagem fosse apenas fruto de sua imaginação, e assim que abriu os olhos novamente à cena piorara. Clara falava com a recepcionista e como se tivesse toda a intimidade do mundo, Melissa ajeitava uma mecha do cabelo da namorada. Viu a dona de casa tirar a mão da morena dali, mas não parecia não ter gostado realmente do toque da outra!

A fotógrafa assistia a cena estática. Boquiaberta. Sua cabeça girava, seu peito pesava, doía, e já não sabia identificar mais o que sentia ao ver tudo aquilo. Era como se o chão tivesse se aberto aos seus pés e estivesse a engolindo. Tentou buscar ar, mas o ambiente parecia rarefeito e não conseguia encher seus pulmões, fazendo sua respiração se descompassar cada vez mais. Mesmo com os olhos um pouco embaçados ainda assistiu a cabeça de Melissa repousar por um segundo no ombro de Clara, como se fizesse charme para a assistente que demorou demais para desvencilhar-se daquele contato. O ângulo em que estava não favorecia totalmente sua visão, e mesmo não acreditando plenamente em seus olhos, viu o rosto da namorada virar-se na direção da outra, dando a clara impressão de que a ponta de seu nariz escondera-se por alguns segundos nos cabelos negros da italiana.

Marina não sabia exatamente como agir naquele momento, e resolveu aproveitar que nenhuma das duas a tinha visto ali para voltar ao quarto. Escondendo-se atrás de uma das pilastras que a separava do corredor de elevadores, correu e entrou no primeiro que parara no andar, sem observar que seu destino era a garagem. Como se aquele espaço fosse alguma espécie de território neutro, soltou o ar que ficara preso em sua garganta todo esse tempo, e torceu secretamente para que o elevador não parasse novamente no térreo, e para a sua sorte, assim aconteceu. Não conseguiu ser educada com os demais hospedes que estavam por ali, deixando de responder a alguns cumprimentos e desejos de “boa noite” que recebera e mal ouvira.

Assim que o elevador atingiu o vigésimo quinto andar, desceu tateando os bolsos a procura do cartão magnético que correspondia à chave do quarto em que estava, mas ele parecia ter sumido por ali.

_Perdeu um desses aqui, senhorita?! – perguntou Clara segurando um cartão igual ao seu em uma das mãos, e com um sorriso que ia de orelha a orelha por rever a amada.

_Acho que sim – respondeu com um sorriso tão apagado e uma voz tão chocha que a assistente quase não a reconheceu.

Assim que Clara abriu a boca para perguntar o que tinha acontecido, deu-se conta do figurino que a namorada usava e sua boca continuou aberta, mas agora por outro motivo.

_Uau, aonde você foi linda desse jeito? – mesmo sem querer, sua voz saíra um pouco enciumada – Você tá um espetáculo, amor! – mediu-a dos pés a cabeça, e aproximou-se na tentativa de beijar seus lábios.

_Eu estava no saguão, esperando você – seu tom de voz saiu magoado e Clara sentiu cada pedacinho de seu corpo congelar – Mas... Estava ocupada demais pra me notar lá – disse sacando o cartão magnético que finalmente encontrara em seu bolso e abrindo a porta.

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Clara ficara completamente paralisada ali e assistiu Marina adentrar o quarto, deixando o cheiro de seu perfume para trás, como se o vento o carregasse até ela em uma espécie de tortura particular. Era como se tudo o que mais temia na vida estivesse acontecendo ao mesmo tempo.

_Vai entrar ou tem outro quarto pra visitar? – perguntou a fotógrafa, encarando-a fixamente com um misto de mágoa e raiva no olhar.

A assistente fechou os olhos e respirou fundo, como se aquelas palavras pesassem e doessem mais do que um tapa muito bem dado em sua face. Deu alguns passos a frente, sem conseguir sustentar o olhar que a namorada lhe lançava e ouviu a porta bater com força atrás de si. Marina passou do seu lado indo em direção à garrafa de Scotch que parecia lhe esperar convidativamente no pequeno bar posicionado no canto oposto ao da cama no quarto. Serviu-se de uma dose e virou todo o líquido de uma vez “a lá cowboy”, puro e sem gelo. Arrastou a garrafa um pouco mais a frente na mesa de mogno e deixou seu corpo cair sob a imensa poltrona de leitura estacionada por ali.

Clara olhava em volta e seu coração apertava-se no peito. Pelo figurino, iluminação, a garrafa de vinho e a taça de morangos ao lado da cama, a namorada estava mais do que disposta a fazer as pazes. Estava.

_Amor... Eu não sei o que você viu, mas vamos conversar. Beber não vai adiantar muito – disse receosa enquanto assistia Marina servir-se de uma dose bem mais generosa do que a anterior.

_Amor? – riu ironicamente – Sabe que agora eu finalmente entendi porque seu celular está desligado quase o dia todo. Não vou nem perguntar se fez boa viagem, porque né...

_Marina... Não faz assim – arriscou aproximar-se da outra, mas parou no meio do caminho.

_Não faz assim, como? – perguntou retoricamente, sem dar chance de resposta – E aí, vai continuar dizendo que é viagem minha, ou vai ter a decência de me contar a verdade?

_Que verdade é essa que você quer ouvir?

_Não sabia que a verdade tinha vertentes – tomou um gole de sua bebida – Bobinha eu, não é?! – a exemplo do rumo que a discussão que tiveram por telefone havia tomado, a ironia dominava cada palavra que saia da boca de Marina – Mas, pode começar respondendo a pergunta mais simples que já te fiz até hoje. O que está acontecendo entre você e a Melissa?

Clara engoliu em seco. Não tinha mais como fugir. Sabia que nada havia acontecido no saguão, afinal, não estava tão louca a ponto de não se lembrar do que fazia ou deixava de fazer, mas tinha consciência de que não dava mais para insistir naquela ideia de que absolutamente nada estava acontecendo.

_Eu... Sinceramente não sei! – sua voz saiu engasgada – Ela me incomoda Marina, mas nada aconteceu entre a gente. Eu não faria algo assim nem com você, nem comigo mesma – apressou-se em dizer.

_Hum... Você não sabe?! Vou te contar então... Você achou que no fundo não tinha nada de diferente, mas percebeu que entrou em um mundo totalmente distinto do que você vivia. Mulheres assim como a Melissa não podem ser encontradas em exemplares masculinos. Jamais um homem poderia exercer a mesma sensualidade e fascínio que uma mulher, e se você não consegue dizer Clara, eu digo por você: Ela te fisgou. Você está claramente atraída por ela! – decretou com tanta convicção que apesar das palavras saírem de sua boca, doeram descomunalmente em seu próprio peito.

_Não coloque palavras na minha boca Marina! – rebateu relativamente ofendida. Porém, tinha que assumir que ficara confusa com a possível veracidade da acusação da namorada.

_Não tente me fazer de idiota Clara! – o tom de voz da fotógrafa subira de uma vez, assustando a dona de casa.

_Marina... As coisas não são assim como você está dizendo. Eu amo você! Você não acredita nisso?

_Você amava o Cadu, não amava? E agora estamos aqui, não estamos? O que muda? – aquela pergunta acertara Clara em cheio.

_Nã..Não tem como comparar uma coisa com a outra – disse em dúvida se de fato não tinha mesmo como fazer aquela comparação – Nunca amei o Cadu como eu amo você. Com você tudo é diferente, amor... Tudo! – tentou tomar coragem para aproximar-se mais de Marina, e deu alguns passos vacilantes à frente, ainda mantendo certa distância.

_Não estou questionando o seu amor. Pelo menos, ainda não – tomou mais um gole de seu Scotch, secando o segundo copo – Mas eu quero ouvir da sua boca o que você sente por aquela mulher!

_Eu... Eu não sei. Ela me incomoda, já disse! Não sei te definir o que é.

_DROGA CLARA! ASSUME DE UMA VEZ! – a fotógrafa agora gritava.

_TÁ BOM MARINA, TÁ BOM! Talvez eu esteja mesmo atraída por ela. Pronto, era isso que você queria ouvir?! – cuspiu as palavras com certa raiva.

Marina emudeceu e sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto. Clara não as viu, pois tentava esconder as que rolavam pela própria face. Ainda muda, a fotógrafa levantou-se e se serviu de mais uma dose. Olhou para o copo em sua mão, como se esperasse receber algum bom conselho do líquido que pairava por ali, e como nada lhe ocorreu virou mais aquela dose. Caminhou até a assistente e segurou seu rosto com as duas mãos, fazendo-a olhar em seus olhos.

_Você é o meu conto de fadas, Clara. Não cheguei a pensar que éramos imunes a isso, mas realmentenão pensei que fossemos passar por isso tão cedo – seus olhos transbordavam a confusão gerada pela luta que acontecia entre seu cérebro e seu coração naquele momento – Eu não sei se aguento. Eu... Não sei se dá pra ser como sempre fui, e simplesmente não ligar para a exclusividade – seus corpos estavam próximos, e os polegares de Marina acariciavam o rosto de sua amada com carinho, enxugando as lágrimas que caiam – Você tem razão quando diz que entre a gente tudo é diferente. Eu não sei lidar com isso. Nunca fiz uma cena dessas na vida, e sinceramente... Não sei se consigo superar outra indecisão sua – todas as palavras saíam carregadas de sinceridade da boca da fotógrafa e agora as lágrimas banhavam completamente seu rosto.

_Eu não quero nada disso, amor. Não quero! Você me basta. Você sempre me bastou! – foi inevitável atacar os lábios da namorada.

Marina correspondeu ao beijo de Clara com intensidade, mas precisa sair dali. Precisava pensar, precisava de ar e logo interrompeu aquele contato.

_Preciso tomar um ar, Clara – seus lábios ainda estavam colados – Vou dar uma volta por aí. Por favor, só não venha atrás de mim. Preciso ficar um pouco sozinha.

_Mas amor... Aonde você vai? Tá tarde já e São Paulo é perigoso!

_Clara, moramos no Rio, estamos no mínimo empatados em violência – riu – Fica tranquila. Não vou fazer nenhuma besteira, e não demoro. Só preciso de um pouco de ar mesmo!

_Amor... Não sai assim! Poxa... Eu não fiz nada, eu não faria isso com a ge... – foi interrompida por Marina que colocou o dedo indicador por sobre seus lábios.

_Eu volto logo.

A fotógrafa selou os lábios da outra rapidamente e pegou sua bolsa antes de rumar porta afora.

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A cabeça de Marina literalmente girava. Não quis ficar no bar do hotel, pois não queria correr o risco de encontrar Melissa por ali. Pediu para a recepção lhe chamar um táxi, e em poucos minutos estava dentro do carro branco, solicitando ao motorista que a levasse a algum bar sossegado e de preferência GLS que ele conhecesse.Disse que por ali não conhecia muitos, mas que a levaria para um na famosa rua Frei Caneca. O motorista era simpático e foram conversando durante todo o percurso, aquela hora o trânsito já era mais tranquilo e não demoraram para chegar no destino proposto pelo taxista. O nome do bar era “O Gato” e realmente parecia ser bem interessante.

Marina sentou-se no bar mesmo e pediu uma dose dupla do melhor whisky que tivessem. Bebeu-a devagar, saboreando o gosto amargo que lhe descia garganta abaixo, dando a sensação de esquentar todo o caminho que percorria em seu corpo até perder-se em algum lugar lá no meio.

_E então, quem foi à maluca que partiu o seu coração? – disse uma menina simpática que sentara ao seu lado. Marina tentou sorrir, mas a pouca força que tinha parecia ter se esvaído junto com a bebida em seu copo.

_Tá tão óbvio assim é?

_Bom, uma mulher linda como você com essa carinha desanimada e bebendo whisky aqui sozinha, só pode ser obra de alguma maluca!

_Não sei se partiu meu coração, pelo menos ainda não. Mas, talvez ela parta! E é isso que está me matando – desabafou – Será que é sofrer demais por antecipação?

_Pode até ser. Mas, tendo ou não tendo partido, mantenho minha opinião de que é uma maluca! – soltou um riso baixo, quase cúmplice, e Marina percebeu que apesar da cantada, não havia apenas um coração machucado ali naquele balcão.

_Pelo jeito não sou só eu que tenho uma maluca na vida, não é?! – devolveu o riso da outra – bebe comigo?

_Com certeza!

Pediram mais duas doses duplas do mesmo whisky que Marina acabara de tomar e começaram a conversar. A menina era realmente simpática, e para a surpresa da fotógrafa, conhecia o seu trabalho e admirava sua arte. O papo rendeu por horas, falaram de assuntos diversos, alguns com temas sérios outros mais bobos. Ela lhe contou que cursava direito e amava a profissão que escolhera seguir, mas que o caminho não tinha sido fácil até chegar ali. Vinha do interior de São Paulo e com muito custo e dedicação conseguira passar na USP. Morava em uma república de meninas próxima a universidade e que a maluca que partira seu coração morava nessa mesma casa, dificultando um pouco as coisas para o seu coração. Falaram sobre algumas das exposições mais famosas de Marina, até que chegaram a que aconteceria no dia seguinte e a estudante lamentou-se por não ter conseguido convite para o evento.

_Mas com certeza isso está resolvido. Pega aqui o meu celular, me ligue amanhã que mando providenciar a sua entrada VIP na casa. Se quiser levar algum acompanhante, fique a vontade também – falou anotando seu telefone no guardanapo.

_Ah, para! Jura Marina? – a empolgação de Renata era evidente – Vou ser grata para sempre! – riu.

_Pois então já pode começar a agradecer – riu de volta.

Como por um reflexo de seu relógio interno, Marina consultou as horas e percebeu que já passavam das três da manhã. Precisava voltar para o hotel. Se não tivesse dormido, Clara provavelmente estaria preocupada, e ela tinha mesmo que dormir um pouco para estar relativamente bem para o dia seguinte.

_Rê, o papo está ótimo e adorei te conhecer, mas tenho que voltar para a minha maluca – sorriu – Além de dormir um pouco e me preparar para amanhã – disse fazendo uma careta e levantando-se.

_Pena que já tem que ir, realmente me diverti muito com você – deu-lhe dois beijos no rosto, despedindo-se – Quem diria que em uma noite despretensiosa eu conheceria Marina Meirelles em plena frei caneca, e ainda por cima ganharia passe VIP para a sua exposição! Tô chocada! – brincou.

_Pois é, coisas extraordinárias acontecem nos bastidores, não é assim que dizem por aí?! – riu mais uma vez, já com a fala arrastada pelo excesso de bebida – Me ligue amanhã.

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Marina pagou a conta do bar, conseguiu um táxi na avenida mesmo e poucos minutos depois estava de volta ao quarto de hotel. Pensou que por conta do horário fosse encontrar Clara dormindo, mas a namorada estava completamente desperta, vidrada em um filme qualquer que passava na televisão.

_Pensei que estivesse dormindo. O que faz acordada ainda?

_Esperando você voltar. Liguei no seu celular, mas você o deixou aqui – tentava disfarçar certa irritação em sua voz – Você disse que voltava logo e já são quatro da manhã Marina. Fiquei preocupada!

_Não precisava. Estou bem! Só fiquei um pouco no bar.

_Isso dá pra perceber de longe né?! O cheiro de whisky tá vindo aqui. Pra que beber tanto?

Marina a olhou com cara de culpada. Realmente havia bebido além da conta, mas tinha que admitir que precisava daquilo aquela noite. O efeito do álcool agora amenizava um pouco o turbilhão de sentimentos que moravam em seu peito, e melhoravam razoavelmente seu estado de humor. De repente, como se desse um estalo em sua cabeça, lembrou-se que permanecia apenas com aquela lingerie por baixo do sobretudo que usava, e agradeceu por estar frio o suficiente para não ter pensado em desabotoa-lo enquanto estava no bar. Olhou na mesinha ao lado da cama e os morangos ainda estavam ali, pensou por alguns segundos e decidiu brincar um pouco com a namorada.

Parou em frente a Clara na lateral da cama e sem pronunciar uma palavra sequer começou a desabotoar o sobretudo. Abriu o primeiro, o segundo e o terceiro botão, exibindo a curva dos seios e o começo do tecido preto do espartilho. Mesmo que a outra ainda estivesse irritada, sentiu os olhos dela fixarem-se ali e sorriu, abrindo os demais botões sem muita cerimônia. Clara engasgou.

_Você ficou na rua horas e horas vestida assim desse jeito?! – não sabia se ficava brava ou excitada e na dúvida, deixou um pouco de cada um dos sentimentos aparecer em sua pergunta.

Ainda sem dizer nada, Marina deixou que o sobretudo caísse por seus ombros, segurando-o com uma das mãos antes que chegasse ao chão e jogando-o em direção a poltrona que sentara antes, do outro lado do quarto.

_Fiquei. Exatamente assim... Por quê? – provocou.

_Por quê? Co...Como assim porque Marina? – gaguejou, provocando um sorriso malicioso na outra.

A fotógrafa tirou seus sapatos, soltou a liga, colocou uma das pernas na cama, e com a ponta dos dedos, começou a descer lentamente a meia que a cobria, repetindo o mesmo gesto com a outra, abusando de toda a sensualidade que sabia que tinha. Vestia agora apenas o espartilho e sua calcinha, que diga-se de passagem, era um show a parte. Encarando-a em silêncio puxou suas cobertas e deixou que seu corpo caísse por sobre o da namorada, posicionando-se sem dificuldade por entre as pernas de Clara e apoiando uma mão de cada lado de sua cabeça. A assistente usava uma camisola branca de cetim que acentuava ainda mais as curvas já perfeitas de seu corpo.

_Você tinha tudo isso esperando por você aqui nesse quarto hoje à noite, sabia?

_Na...Não sabia! Mas, tinha? Não tenho mais? – sua voz falhava a cada palavra, enquanto as mãos prendiam-se a nuca da outra.

Marina puxou os joelhos para cima, encostando-os na parte interna das coxas da namorada. Esticou uma das mãos, pegou um morango na taça que estava ali do lado, prendeu a fruta com a ponta dos dentes e aproximou-se do rosto de Clara. Sua respiração estava descompassada e batia quente e rápida contra a pele da fotógrafa, provocando-lhe alguns arrepios involuntários. Deslizou o morango lentamente pelo rosto da assistente, contornando-o delicadamente e sentiu as mãos de Clara prenderem-se firmes a sua cintura, como se exigissem mais da fotógrafa. Marina respondeu de imediato aquele toque, escorregando um de seus joelhos por entre as coxas bronzeadas da outra e encostando-o levemente em seu sexo. Um sorriso lascivo e vitorioso brotou em seus lábios ao sentir o tecido molhado da calcinha de Clara e levou a fruta até seus lábios, contornando-os lenta e sensualmente.

A assistente mordeu o morango partindo para os lábios ainda vermelhos da namorada logo em seguida. A língua de Clara invadia a boca de Marina com força, com vontade, como se precisasse desesperadamente daquele beijo e a fotógrafa a correspondeu a altura. A dona de casa sentia o amargo da bebida ainda presente na boca de Marina, mas naquele momento até mesmo aquele gosto a excitava. Suas mãos agarraram-se as costas brancas da namorada, buscando e encontrando rapidamente o zíper que abriria seu espartilho. Puxou-o com força para baixo e jogou-o para longe, liberando os seios da amada.

_Ah Marina... – gemeu o nome da outra, sentindo a pressão em seu sexo aumentar, enquanto a fotógrafa friccionava lentamente o joelho por sobre o tecido molhado de sua calcinha.

_Você gosta disso, Clarinha?! – sussurrou a pergunta em seus lábios, enquanto sentia os dedos de Clara apalparem seus seios com firmeza.

_Você sabe que sim...

Marina respirou fundo, e antes que perdesse completamente o foco e cedesse aos toques da amada, lembrou-se de seu plano inicial. Liberou uma das mãos, apoiando-se apenas com a esquerda e deixando a direita deslizar por toda a extensão do corpo da namorada, invadindo sem cerimônias o meio de suas pernas e adentrando seu sexo. Sentiu a ponta de seus dedos melarem enquanto passeavam pelo clitóris de Clara, e sua determinação vacilou quando penetrou-a pela primeira vez, mas repetiu a profundidade da respiração anterior, e colou seus lábios no ouvido da outra.

_E disso? Você gosta? – seus dedos entravam e saiam de Clara vagarosamente, num ritmo quase torturante.

_Marina... Não faz isso comigo! Você sabe que amo! Amo fazer amor com você... – respondeu com dificuldade, sentindo a língua da outra contornar sua orelha.

_Ama é? – provocou mais uma vez, aumentando o ritmo com que seus dedos trabalhavam – Sabe, é mesmo uma pena que você tenha sido uma menina má – seus dentes mordiam o pescoço da outra – e mereça ser castigada – sua boca desceu até os seios da outra, abocanhando o direito e mordendo seu mamilo de leve – assim, desse jeito – as estocadas de Marina aumentaram de força e intensidade, provocando gemidos mais altos e involuntários dos lábios da outra – Mas... Fazer o que né amor?!

Tirou os dedos lentamente de onde estavam, lambeu-os com a ponta da língua, de olhos fechados, soltando um gemido longo e intenso logo em seguida. Clara estava confusa, e tudo só piorou quando sem mais nem menos, sentiu o peso do corpo de Marina sair de cima do seu e a viu deitar-se ao seu lado na cama.

_Amor... Não! – Clara ainda ofegava, tentando traze-la novamente para onde estava.

_Hora de dormir, amor! – decretou Marina dando um beijo na pontinha do nariz da outra e virando-se para o lado oposto ao da assistente na cama.

Clara fechou os olhos, tentando se acalmar. Ainda tentou abraçar as costas de Marina e demovê-la desta ideia com alguns beijos disparados pelo seu pescoço, mas mesmo sentindo o corpo da outra responder de pronto aos seus toques, Marina continuou firme em sua decisão e Clara entendeu que não conseguiria mesmo mudar aquele cenário. Respirou fundo algumas vezes, e continuou abraçada as suas costas.

_Isso não se faz Marina! – sussurrou em seu ouvido, depositando um beijo em seu rosto e entrelaçando a coxa por entre as pernas da outra.

_Isso é pra você não se esquecer do que tem em casa, e escolher melhor suas companhias, Clara Fernandes.

Clara entendeu perfeitamente o que Marina quis lhe dizer com aquilo, e abraçou-a mais forte, pousando seu nariz nos cabelos sedosos da namorada.

_Eu nunca me esqueceria, meu amor. Nunca!

Notas finais
Medo de vocês me agredirem na rua, hauhuahuhau... Mas, vamos lá... Comentários, críticas, sugestões?! Beijos, suas fofas!