Velvet Touch
14 A Primeira Noite
Notas iniciais
Clara estava totalmente nervosa. Esbarrava nas coisas pelo estúdio, e quase derrubou a câmera de Marina duas vezes. A fotógrafa fingia não perceber, importando-se mais em esconder a própria ansiedade pela noite que se aproximava. Clara tinha prometido uma surpresa e ela estava literalmente roendo as unhas de curiosidade e expectativa. A assistente por sua vez, tinha toda uma programação na cabeça, e queria que tudo, absolutamente tudo, fosse perfeito para a primeira noite que teria com sua amada. Sabia que Marina ansiava por aquele dia, e ela mesma nem poderia dizer o quanto a ideia de finalmente ser toda da fotógrafa a excitava.
Apesar da expectativa de ambas, o dia passou corrido. Vanessa e Victória tinham voltado ao Rio na parte da tarde e contavam sobre como tudo tinha dado certo em São Paulo, e a notícia que acompanhou uma garrafa de champanhe foi a de que a loira tinha conseguido um contrato importante na cidade cinza, e ficaria por mais alguns meses no Brasil.
_Mari, preciso que você me indique um bom estúdio para alugar aqui no Rio. São Paulo é cinza demais pra mim – disse encarando Vanessa nos olhos.
_Alugar estúdio no Rio? Ah, Vic. Por favor, né... Olha o tamanho desse aqui. Podemos muito bem dividir ele pelo tempo que você precisar, e é o mínimo que eu posso fazer para te agradecer pela ajuda com essas fotos – ofereceu a ex-aluna, sorrindo.
_Tem certeza que não vou atrapalhar seus trabalhos aqui?
_Atrapalhar o que Vi? As próximas fotos mais importantes que farei são as da nossa exposição em Londres que é daqui... Quanto tempo mesmo? – a loira pensou um pouco.
_Daqui quase três meses, pequena – deixou o apelido escapar. Marina não percebeu, mas tanto Clara quanto Vanessa fizeram cara de quem comeu e não gostou.
_Então... Minha agenda vai cruzar com a sua. Nada de muito importante até lá, ainda mais que estarei ocupada com essa exposição em Sampa. Mi estúdio és su estúdio – brincou a fotógrafa, e Clara não conseguiu não sentir ciúmes.
_E a assistente, você vai me emprestar um pouquinho também? – perguntou, andando em direção a Vanessa que ainda fazia cara de poucos amigos. Marina riu. Estava realmente achando um barato que as duas estivessem tendo um envolvimento. Nenhuma delas tinha contado nada específico, mas não faziam questão de esconder que não se tratava apenas de uma amizade.
_Boooom... Aí teremos que negociar um horário. Se bem que acho eu que a Vanessinha não verá problema em fazer uma jornada dupla pra te ajudar Vi... É só uma impressão que tenho. Não sei por quê! – continuava rindo, e a ruiva mostrou-lhe a língua.
_Como você é boba né Marina?! Já vi que o médico estava certinho. Está ótima mes... – foi interrompida, pois os lábios da loira selaram os seus rapidamente, surpreendendo-a.
_Sabia que isso ia dar namoro! – disse Flavinha do outro lado do estúdio.
_Ai ai... Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas precisamos ir Van. As meninas estão esperando a gente. Flavinha, você não vai mesmo com a gente? Leva o bofe mulher! – brincou a loira.
_Ah meninas, hoje eu que não estou muito a fim... Dor de cabeça... Mas na próxima eu vou. Certeza! – esquivou-se Flavinha.
_Bom, o casal vinte aí eu nem vou chamar de novo, porque né... Não querem mais saber da socialização com outras pessoas – provocou Vanessa – Então vamos Vic, porque a Melissa já ligou de novo – disse puxando a loira para fora do estúdio e dando um tchau geral para as que ficaram.
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A correria continuava a mil no galpão cultural, já às vésperas de ser inaugurado e o clima não era diferente no bistrô de Cadu, que corria de um lado para o outro terminando de resolver os últimos detalhes com fornecedores. Mesmo com a empolgação por estar realizando seu sonho, ele não conseguia se desvencilhar dos últimos acontecimentos e sua cabeça parecia estar sempre girando. A conversa que tivera no dia anterior com a médica enquanto ela lhe dava uma carona para casa foi de certa forma reconfortante, afinal, ele conseguiu colocar para fora algumas das coisas que o estavam sufocando. Confiava em Silvia, e viu na figura da loira uma amiga.
Ainda meio perdido em seus pensamentos Cadu percebeu a presença de Nando no bistrô, e foi dar uma atenção ao seu amigo e sócio. Nando lamentava-se por uma situação desagradável que tinha passado com Jairo e Juliana no elevador do prédio quando saia para ir trabalhar, e que resolveu passar lá para conversar um pouco com o amigo. Fazia tempo que não se sentavam para falar da vida, e além de seus próprios problemas, Nando tinha também uma notícia para levar até Cadu.
_Cadu... Tenho que te dar uma notícia meio chata – começou o advogado.
_Vixe Nando, quando você começa assim é porque lá vem bomba! O que aconteceu agora? – perguntou pessimista.
_Bom, você me indicou como contato para os advogados da Mari... – interrompeu-se – Da Clara... E chegaram ontem no meu escritório os papéis tanto do divórcio quanto da guarda do Ivan – disse cautelosamente.
_Guarda??? Como assim Nando??? – perguntou espalmando as mãos na mesa e derrubando o porta guardanapos no chão, provocando um som metálico agudo.
_Eita, calma homem! A Clara não pediu a guarda total. Ela propõe guarda compartilhada, e o documento que está comigo é mesmo uma proposta, e não um pedido de guarda efetiva, já que você concordou em dar o divórcio de maneira amigável, à guarda também pode ser resolvida pelos pais e sem a interferência de um juiz. Entendeu?
_Ah, tá... Entendi... – disse acalmando-se – E o que ela propõe?
_A proposta é razoável Cadu. O Ivan mora com ela, e fica dois dias da semana com você, considerando finais de semana alternados – viu a tristeza evidente no rosto do amigo a sua frente – Olha meu amigo, eu sei que não é o que você queria, mas considerando todas as circunstâncias, você está mesmo sem saída. Não tem muito pelo que brigar com a Clara, depois de tudo o que aconteceu – Nando era o único que saiba tudo o que realmente envolvia aquela mudança de atitude de Cadu em relação à separação, e como advogado realmente não lhe restava muitos conselhos ou manobras que pudessem ajudar o chef.
_É Nando eu sei... Mas, dois dias por semana e com finais de semana alternados com o meu menino? Poxa! É pouco demais cara. A Clara podia pegar mais leve comigo né?! Eu posso ter feito bobagem, mas nunca fiz nada contra o menino. Sempre fui um bom pai para o Ivan – choramingava Cadu.
_Bem... Se você quiser Cadu, nós podemos tentar flexibilizar algumas coisas com ela. Como eu te disse, estamos tratando de propostas, então tudo isso é na base da conversa. Podemos devolver a proposta com três dias por semana, por exemplo, para não forçar muito a barra e manter os finais de semana alternados.
_Não é o ideal, mas também né, eu nem posso querer muito mais do que isso agora. Com essa loucura do bistrô, inauguração, e ainda por cima morando sozinho. Faz isso pra mim Nando, pede os três dias por semana e deixa os finais de semana assim mesmo.
_Certo. Vou pedir para o Renato providenciar isso lá no escritório – disse já pegando o celular – Hãn... E tem outro documento que chegou junto com esses.
_Meu Deus do céu o que mais essas duas querem de mim? – falou raivoso.
_Distância – pensou alto – A Marina entrou com uma ordem de restrição contra você. Ela alega perturbação e tentativa de agressão apenas, e agora você não pode ficar a menos de trezentos metros dela própria, da casa ou do estúdio dela – falou de uma vez – Ah, e antes que você se irrite, é no mínimo compreensível e você continua com sorte, porque a restrição é só em relação à Marina e não envolve a Clara.
_Essa filha da puta é esperta né?! Mas também, eu não tenho mesmo o que fazer perto dela ou daquele antro de putaria que ela chama de casa – disse já vermelho e engasgado de raiva.
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Finalmente, o relógio marcava 19h00 e tanto Clara quanto Marina já não conseguiam mais disfarçar a ansiedade pela noite que chegava. A assistente que havia saído para buscar Ivan no colégio e deixa-lo com Helena, disse que levaria a fotógrafa para jantar em um restaurante ali por Santa Teresa mesmo, mas não deixou que ela se arrumasse em seu quarto, alegando que tudo fazia parte da surpresa que faria para ela. Marina tomou seu banho no outro cômodo, e a curiosidade para saber o que Clara estava aprontando era tamanha, que seu estômago já começava a doer, graças a uma gastrite nervosa que se manifestava de vez em quando.
Enquanto a fotógrafa arrumava-se no cômodo ao lado, Clara terminava de ajeitar as coisas no quarto da amada. A insegurança pela ideia maluca que estava em sua cabeça e o medo de estar enganada a respeito de uma suspeita que tinha a consumiam aos poucos, mas ela decidiu que não desistiria. Não depois de já ter anunciado a Marina que ela teria uma surpresa aquela noite.
Antes de conhecer a fotógrafa, Clara era uma mulher tímida, recatada, e quase infantil na maneira de se mostrar para o mundo. Vestia-se de forma apagada, e não conseguia enxergar sua própria beleza no reflexo do espelho, convencida de que era uma mulher absolutamente normal, comum, e até sem graça. Cadu, por sua vez, não parecia discordar dessa auto percepção da esposa, pois, mesmo elogiando-a raramente, tudo parecia acontecer de forma apática ao seu lado, não via as cores ou os sabores que a autoestima elevada pode proporcionar a uma mulher, e hoje não saberia dizer em que momento deixou sua sensualidade de lado.
Marina entrou em sua vida e sem pedir licença transformou muita coisa dentro dela. Trouxe de volta a vontade de viver que havia conhecido apenas em sua adolescência e deixado de lado há muito tempo. As cores voltaram a brilhar, os sabores começaram a serem sentidos novamente, e definitivamente Clara havia saído da zona de conforto que tinha em sua “vida de mulherzinha” e se redescoberto como mulher. Agora, ela olhava-se no espelho e via o que realmente estava ali. Ainda não se achava linda, mas todas as vezes que encarava seu reflexo via os olhos desejosos de sua namorada lhe encarando de volta, e se deu a chance de enxergar-se com o mesmo olhar que ela.
Respirou fundo, retomando a coragem que a levara até ali e como se esse ato lhe desse a segurança de que precisava, saiu do banho enrolada na tolha, foi até sua bolsa e vestiu a lingerie que havia pegado em sua casa mais cedo, quando levara o filho. A lingerie era preta, e a verdade era que Marina já a tinha visto com ela, no dia seguinte a sua festa de aniversário. Naquela ocasião, Clara percebeu que havia alguma coisa que não tinha sido dita pela fotógrafa, mas de início, achou que era apenas uma impressão sua. Contudo, mais tarde naquele dia, ainda tentando fazer as pazes com Cadu, voltou a elogiar o presente que ele lhe dera, afirmando que tinha adorado e repetindo a frase que disse para a fotógrafa: “só uma pessoa que me ama muito, que me conhece muito bem poderia ter me dado um presente que é tão a minha cara”, e o ouviu suspirar, murmurando um “ela deve ter contado” enquanto virava-se emburrado para o lado oposto na cama. Era uma aposta, e Clara esperava estar certa em suas suspeitas.
Olhou no espelho, fez sua maquiagem, ajeitou o cabelo, e terminou de vestir-se com uma calça jeans azul justa e uma camisa preta de cetim, calçou botas também pretas de cano médio e decidiu que estava pronta para começar aquela noite. Assim que saiu do quarto trancou a porta e levou a chave consigo, apesar de não haver nenhuma super produção por lá, queria evitar espionagens indevidas da namorada. Desceu até a sala e Marina a esperava com um copo de whisky na mão. Vestia uma saia azul marinho, uma blusinha branca bem decotada e segurava um casaquinho da mesma cor da saia nas mãos.
_Nossa Clara, você está um espetáculo! – elogiou a fotógrafa enquanto a assistia descer a escada.
_Espetáculo está você! – respondeu a outra abraçando-a, e envolvendo seu lábios em um beijo terno e delicado – Vamos?!
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O papo seguia interessante e divertido entre todas na mesa. Vanessa, pela primeira vez em muito tempo estava realmente se divertindo, e conseguia ver o porquê Marina havia um dia sido perdidamente apaixonada por Victória. Ela era gentil, inteligente, educada e tinha uma coisa de instinto protetor e até um certo “cavalheirismo” que a ruiva adorava! Estavam em um dos quiosques badalados da orla de Copacabana, e dentre outras pessoas que já conhecia, Vanessa enturmava-se com algumas amigas de Victória. A maioria do meio artístico, sendo algumas artísticas plásticas, fotógrafas e modelos.
A mais linda da mesa era Melissa. Ela tinha um sorriso lindo e encantador, e assim como Victória esbanjava uma simpatia natural e espontânea, sem esforço nenhum. Melissa era uma artista plástica famosa que a exemplo de Marina, tinha como sua especialidade nus femininos, e seu nome e sobrenome sempre a antecediam por onde quer que fosse. Admirava as belas artes, a boa música e morava no Brasil já há dois anos, alegando ter se apaixonado perdidamente pelo Rio de Janeiro e não conseguido voltar para a Itália, sua terra natal. A artista tinha um ar de segurança e independência que atiçava os sentidos de qualquer um que a olhasse, e podia-se perceber o quanto ela adorava isso.
Melissa era alta, elegante, pele branca, olhos esverdeados, cabelos negros como a noite e um corpo que pararia qualquer avenida. Vanessa a tinha conhecido quando acompanhou Vic na viagem para São Paulo, e esse novo contrato da loira era na verdade uma produção conjunta com a artista, que pretendia expor suas obras ao lado de fotos que as imitassem, invertendo o velho ditado de que “a arte imita a vida” e colocando a realidade para imitar a arte através de seus trabalhos e as fotos que Victória faria.
_Ah, Melissa, você precisa conhecer logo a Marina. Ela é ótima fotógrafa também e vai nos ceder o estúdio dela aqui em Santa Teresa para fazermos as fotos – contou Vic, animada.
_Jura? Bom, a fama de Marina Meirelles a precede, mas com certeza seria um prazer enorme para mim conhece-la. Dizem que ela é uma mulher muito interessante, em todos os aspectos – disse, sorrindo maliciosamente.
_Chegou atrasada Mel, ela está apaixonada por uma pessoa – Victória riu, tentando disfarçar seu incômodo com o comentário da colega – E aquela ali apaixonada, esquece. Nem adianta insistir que não sai nada!
_Se a vida te dá limões, faça uma limonada Vic! Mas, claro que meu interesse por Marina restringe-se única e exclusivamente ao seu talento profissional – lançou outro sorriso, mais uma vez carregado de malícia – Pelo menos por enquanto é – declarou rindo.
_Ai Melissa, você não toma jeito na vida mesmo né menina?! – brincou a loira – Mas, indo direto ao que interessa... Estou animadíssima para essa exposição que faremos juntas! Quando você acha que podemos começar com os ensaios? Quero sua ajuda para escolher as modelos deste trabalho, seu olhar é indispensável para que as coisas saiam como queremos.
_Também estou ridiculamente animada! – risos – Faz um bom tempo que quero realizar essa exposição, mas era como se não tivesse achado as obras certas, tampouco a pessoa certa pra fazer isso comigo, até que a senhorita resolveu fazer a gentileza de estar passando férias no Brasil e me avisar isso bem no dia que decidi tirar esse sonho do armário – mediu Victória de cima a baixo, deixando um certo desejo lampejar em seus olhos – Quero fazer parte de cada etapa desse processo. Com certeza! Minha agenda está meio complexa só até o fim dessa semana mesmo, mas depois, sou toda sua! Pode ser? Entre segunda e terça-feira?
_Van... Você acha que o estúdio vai estar tranquilo para começarmos?
_Hãn... Provavelmente! A exposição da Marina é na quarta, então tanto os painéis quanto ela mesma irão para São Paulo na segunda, ou até antes – falou a ruiva, ainda meio chocada e meio hipnotizada por Melissa e seu descaramento.
_Perfeito então, segunda começamos! – afirmou Victória, pressentindo que Melissa aprontaria das suas.
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O jantar corria tranquilamente entre a fotógrafa e sua amada, porém, cada minuto que passava e cada carícia que trocavam só fazia aumentar a tensão sexual entre elas. Clara tinha pensado em tudo mesmo, e reservado uma mesa em um canto mais privativo do restaurante, dando a elas um pouco mais de liberdade para se tocarem, sem que virassem o centro das atenções do local. Estavam sentadas uma de frente para a outra, e por diversas vezes durante a noite, ambas ficavam em silêncio, encarando-se. Não por não terem assunto, muito pelo contrário, o assunto entre elas era algo que nunca tinha fim, e sim porque aquele sentimento de uma para a outra era tão grande que gostavam de ouvir o silêncio que a paz de finalmente estarem vivendo aquele amor as proporcionava.
Naquele momento, várias coisas passavam pela cabeça de Clara, como por exemplo, o fato de não saber o que fazer na cama com outra mulher. Obviamente ela tinha alguma ideia de como a coisa deveria funcionar, afinal, já havia estado em situações mais íntimas com a fotógrafa, mas, sentia-se completamente insegura em relação a como deveria fazer para conseguir dar prazer a sua amada. Com o Cadu, o sexo já havia se tornado algo completamente mecânico e automático, nunca saiam do convencional e isso fazia com que ela não precisasse pensar muito no que ou como fazer para dar prazer ao ex-marido. Era tudo sempre igual e na maioria das vezes insatisfatório, ao menos para ela.
Clara tentava rebater cada uma de suas dúvidas internas, mantendo-se confiante na ideia de que atingiria todos os seus objetivos com a surpresa que tinha reservado para a fotógrafa. Estavam na segunda taça de vinho e apesar de todo o nervosismo, Clara já começava a sentir-se mais confiante quando Marina a chamou de volta para a mesa do restaurante.
_Amor... Que planeta que você está agora? – riu – Tudo bem? – perguntou segurando sua mão. Sabia que Clara nunca tinha se deitado com mulheres antes e que muito provavelmente estava nervosa.
_Tá tudo bem sim linda – respondeu sorrindo.
_Tem certeza? Olha... Nossa noite está ótima, e nós não precisamos fazer nada que você não se sinta pronta para fazer ainda.
_Posso te surpreender com o que estou pronta pra fazer com você, Marina! – disse sedutoramente. Carregando as palavras com todo o desejo que sentia pela chefe, e viu a outra arregalar os olhos a sua frente – Acho que está na hora de pedirmos essa conta – completou, sustentando um olhar malicioso.
Marina ergueu o braço e com um gesto de mão, solicitou que o garçom trouxesse a conta até a mesa. Assim que a conta chegou e a fotógrafa esticou a mão para pegá-la, Clara tomou a sua frente.
_Você fica quietinha aí que hoje você está por minha conta. É bom que saiba desde já – completou em um tom de voz baixo e rouco.
Marina tentou protestar, mas Clara já tinha saído da mesa e ela não encontrou forças para sair do lugar. Estava literalmente chocada com as últimas falas da assistente, e sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo quando pensou no significado que a frase “Posso te surpreender com o que estou pronta pra fazer com você, Marina!” poderia ter. Respirou fundo e assistiu Clara voltar até onde ela estava, admirando cada uma das curvas do corpo bronzeado e bem definido que era exibido pela carioca em seu retorno a mesa.
Já no carro, Clara não perdia a oportunidade de provocar a fotógrafa que estava ao volante. Passava as unhas pela nuca da outra, acariciava seu rosto, seu pescoço, e Marina desdobrava-se para conseguir focar na rua a sua frente. Assim que chegaram a casa, foi a vez da chefe não perder tempo e jogar o corpo de Clara de encontro ao carro, beijando-a com uma urgência e um desejo tão grande que a assistente assustou-se, sorrindo depois nos lábios da outra.
_Me leva lá pro quarto logo Marina... – pediu, ansiosa por colocar seu plano em prática.
_Seu pedido é uma ordem... – sussurrou a fotógrafa em resposta.
Entraram pela casa aos beijos, encostando em todas as paredes disponíveis até conseguirem, enfim, chegar até a porta do quarto. Clara pegou a chave e antes de entrarem, deixou claro quais seriam as regras do jogo para aquela noite.
_Lembra quando eu te disse que hoje você está por minha conta, lá no restaurante? – perguntou ofegante, com seus lábios grudados aos dela.
_Uhum... Lembro... — respondeu a fotógrafa mordendo seu pescoço.
_Então é bom que você saiba que eu estava falando muito sério antes de entrar nesse quarto. Hoje, quem manda em você sou eu – disse autoritária, arrancando um gemido involuntário de Marina, que já sentia seu sexo pulsar.
_Sim senhora!
Clara finalmente abriu a porta e elas entraram no quarto aos beijos, quando de repente Marina sentiu a postura de Clara mudar totalmente. Como se ela tivesse virado outra pessoa, assumido outra personalidade. Seus olhos lampejavam de desejo e ela sustentava uma expressão tão sacana no rosto que Marina sentiu seu sexo molhar ainda mais. Ambas estavam extremamente ofegantes, e a fotógrafa demorou um pouco para perceber que havia uma cadeira em frente à cama. Clara pegou uma de suas mãos e a guiou até a cadeira que estava ali, ordenando que se sentasse, e em seguida sentou em seu colo, de frente para ela.
_Agora você vai ter que ser uma boa menina – a assistente falava em um tom de voz tão sedutor que era como se Marina estivesse embriaga pelo som da sua voz.
_Boa menina? – perguntou desnorteada.
_É, uma boa menina – passou os braços em seu pescoço e aproximou a boca de seu ouvido – Como você foi muito boazinha nos últimos dias e cumpriu com o nosso acordo, ganhou um presente – disse passando a ponta da língua atrás de sua orelha.
_Que presente? – Marina arfava sentada ali, e suas mãos seguravam o quadril de Clara com força em seu colo.
_Isso você vai ver agora. Mas, o quanto você vai desfrutar desse presente só vai depender do seu bom comportamento – mordia seu pescoço lentamente, enquanto escorregava suas mãos por cima das dela, tirando-as de onde estavam e deixando-as cair ao lado de seu corpo na cadeira – Nada de me tocar! Se encostar, a brincadeira acaba... – decretou, levantando-se de imediato e indo de encontro ao controle do som.
A música que Clara tinha escolhido era um clássico, porém, regravado em uma nova versão feita por Becky Barksdale, e assim que os primeiros acordes de “I Just Want To Make Love To You” preencheram o silêncio do quarto, o queixo da fotógrafa foi ao chão. Ela não conseguia acreditar no que estava para acontecer, e mentalmente concordou com o fato de que a assistente poderia realmente surpreende-la com o que estava disposta a fazer naquela noite.
Clara encarou Marina nos olhos, e viu a expressão de espanto se formar em seu rosto. Apesar de nunca terem ido para a cama efetivamente, era como se já tivessem feito amor várias e várias vezes pelos olhares, pelos beijos, e mesmo que nunca tivessem consumado de fato seu desejo, aquela situação já parecia familiar e a intimidade entre elas era algo completamente surreal. Não sentia mais nenhum pingo de insegurança, e contemplar o estado em que conseguia deixar sua amada lhe dava toda a coragem de que precisava naquele momento. Caminhou lenta e sensualmente até onde ela estava sentada e parando bem a sua frente, começou a balançar o corpo, entregando-se ao ritmo cadenciado da música que preenchia o ambiente. Marina ergueu uma de suas mãos, fazendo menção de tocar a assistente e apesar de não se esquivar, Clara reprovou o gesto da amada com a cabeça, balançando-a de um lado para o outro e dando um passo para trás. Ficando fora de seu alcance.
A dona de casa dançava provocantemente à sua frente, e Marina sentia-se completamente torturada. O fato de não poder tocá-la a enlouquecia segundo a segundo, mas ao mesmo tempo, controlava-se, pois a última coisa que queria na vida era que Clara parasse com aquele show particular. Viu as mãos da assistente passearem por seu próprio corpo, descendo e subindo pelo seu abdômen bem definido, e não conseguiu evitar que um gemido lhe escapasse dos lábios. A música aumentou levemente o ritmo, e a assistente acompanhou essa nova nuance balançando o quadril em direção a Marina, que já não sabia mais como se fazia para respirar.
Clara sentou-se mais uma vez em seu colo, e agora as mãos dela subiam passeando entre seus próprios seios, apertando-os por cima da camisa e gemendo com os lábios quase colados aos da fotógrafa. Seus dedos subiram até o primeiro botão da camisa e a assistente começou a desabotoa-lo lentamente, enquanto Marina alternava seu olhar entre a boca, os olhos, e o decote da mulher a sua frente. Clara continuou a abrir os botões de sua camisa sensualmente, livrando-se deles um por um, e com toda a calma do mundo deixou a camisa cair por seus ombros e encontrar o chão atrás de si.
Marina sentiu seu sexo martelar por entre as pernas quando viu a lingerie que Clara usava e mais uma vez, outro gemido lhe escapou. Dessa vez um pouco mais alto, mais agudo. A assistente colou sua boca no ouvido da chefe e confessou.
_Eu sei que foi você que escolheu isso – afirmou categoricamente.
_E... Co..mo você sabe? – balbuciou, mal conseguindo articular as palavras. Ouviu Clara rir em seu ouvido ao obter a confirmação para suas suspeitas.
_Simplesmente sei... – disse beijando sua boca com paixão.
_Ai Clara... Não tô aguentando mais, me deixa te tocar – implorava a outra.
_Não tá aguentando é? – perguntou subindo suas mãos pelas coxas da fotógrafa, enquanto a encarava – Mas, a gente só tá começando!
A música mudou, e agora o som que Marina ouvia era dos riffs iniciais de “Night Prowler” que vinha das guitarras do AC/DC. Clara levantou-se novamente e colocou um de seus pés por entre as pernas de Marina, inclinando-se para abrir o zíper de sua bota, dando a fotógrafa uma visão privilegiada de seus seios. A assistente repetiu o movimento com o outro pé, chutando as botas para algum lugar desconhecido do quarto, e indo para as costas de Marina. Encostou seu queixo na clavícula da morena passando a ponta de seu nariz pelo pescoço da outra, ouvindo-a gemer baixinho. Suas mãos procuraram os ombros da fotógrafa e agora tiravam a jaqueta que usava, deixando-a cair por suas costas. Após livrar-se da jaqueta, foi à vez da blusa, que Clara tirou de uma vez só, com pressa.
As mãos inexperientes de Clara agora passeavam pelo colo nu de Marina, que ofegava profundamente, e já não conseguia mais controlar seus gemidos que saiam cada vez mais altos e fortes. Com a ponta dos dedos, apalpou os seios da amada, apertando-o os mamilos de leve, assim como ela fizera com o seus em outras vezes, e a outra jogou a cabeça para trás, como se procurasse pela boca da assistente. Clara deliciou-se com seus lábios vermelhos por alguns instantes, e encerrando aquele contato voltou a ficar a frente de Marina, dedicando a atenção de seus dedos agora aos botões e zíper de sua calça. Colocou seus polegares um de cada lado de seu quadril e empurrou a calça para baixo, deixando-a cair ao chão.
Clara agora vestia apenas a sua lingerie e decidiu que era hora de liberar Marina de seu castigo. Fez um gesto com o dedo indicador, chamando-a. A fotógrafa levantou-se de pronto, mas suas pernas fraquejavam, e caminhou cambaleante em direção a assistente ainda sem toca-la. Clara pegou sua mão e encarando-a nos olhos, chupou dedo por dedo, terminando de enlouquecer Marina.
_Faz amor comigo Marina! – sussurrou em seu ouvido, sendo tomada no mesmo instante pelas mãos da fotógrafa que seguraram em seu quadril, com força, empurrando-a de encontro à parede – Ah... – Clara arfou, segurando-se nos cabelos da outra com a mesma força que ela lhe apertava. A boca de Marina devorava a sua, sem nenhum pudor ou restrição e as línguas se saboreavam na mesma proporção em que se digladiavam em suas bocas famintas umas pela outra. A fotógrafa estava completamente alucinada, e sentia seu sexo pulsando, quente e molhado por entre as pernas, tendo a sensação de que iria gozar a qualquer momento, quando em um movimento inesperado Clara ousou tocar em seu sexo, ainda por cima do tecido da saia e da calcinha, mas foi o suficiente para Marina chegar ao ápice, soltando um gemido intenso e agudo no ouvido da outra, que agora segurava seu corpo com um sorriso lascivo nos estampado nos lábios.
O desejo da fotógrafa por aquela mulher era tão grande que Marina se recompôs rapidamente, ansiando cada segundo mais para tomar Clara para si. Puxou as coxas da outra até prendê-las a sua cintura, e guiou o corpo da assistente até sua cama, jogando-a entre os lençóis e deitando-se sobre ela – Ai Marina... Quero você! – Gemia Clara em seus lábios, com uma voz suplicante, rouca, baixa e carregada de expectativa. Suas bocas não se desgrudavam, e a enquanto suas línguas envolviam-se em mais um beijo arrebatador, as mãos da fotógrafa trabalhavam em tirar a única peça de roupa que Clara ainda usava. A assistente não deixou por menos e aproveitou que seus dedos passeavam livremente pelas costas da fotógrafa para abrir o fecho de seu sutiã e tira-lo do caminho. Logo suas peles quentes se tocavam, e ambas gemeram quando seus mamilos enrijecidos se encontraram.
Marina contemplou o corpo bronzeado a sua frente, enlouquecendo mais um pouco só de pensar no que viria a seguir. Seus lábios agora aventuravam-se pelo colo de Clara, descendo lentamente em direção aos seios. Abocanhou o mamilo direito, brincando com sua língua por ele, fazendo movimentos lentos e circulares, alternando mordidas, lambidas e sugadas fortes que faziam o corpo da outra tremer – Ah... Marina, eu preciso sentir você... Agora! Por favor... – suplicou a assistente, tendo como resposta a mão da fotógrafa invadindo seu sexo encharcado, e penetrando-a forte, colocando dois dedos dentro dela. Clara cravou suas unhas nas costas de Marina e gemeu alto enquanto a fotógrafa começava a massagear seu clitóris inchado com o polegar.
Enquanto sua boca ocupava-se dos seios de Clara, a fotógrafa a penetrava rapidamente, sentindo o sexo da assistente contrair-se em volta de seus dedos cada vez mais – Eu... vou gozar amor... Não para não! – anunciou a dona de casa num fio de voz, sendo atendida por Marina, que além de não parar o que fazia, intensificou o ritmo de seus dedos no interior da amada, e passou a sugar seu seio com força fazendo o corpo da outra tremer. Clara agarrou-se em suas costas e gritou, gozando deliciosamente nos dedos da fotógrafa que ainda a olhava lascivamente. A assistente a puxou para um beijo apaixonado e lentamente Marina tirou os dedos que estavam dentro dela, olhando-a nos olhos e levando-os a boca, lambendo um por um.
_Gostosa! – sussurrou a fotógrafa, deixando seu corpo cair sobre o dela.
_Nossa Marina... Eu não tô nem sentindo minhas pernas. Meu Deus! – ambas riram, ainda ofegantes, e Clara puxou sua amada em um abraço apertado.
_Eu amo você, Clara! – disse a fotógrafa, olhando carinhosamente em seus olhos e lhe acariciando o rosto.
_Eu também amo você, Marina! Tanto, mas tanto, que eu não sei o que fazia da minha vida até hoje sem você! – declarou-se a assistente, beijando sua amada com tanta ternura, que o beijo mais parecia uma nova declaração de amor, agora mais íntima e silenciosa entre elas, selada no segredo dos seus lábios colados um no outro.
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