Velvet Touch
21 A Exposição
Notas iniciais
Como já era de costume em todas as suas exposições, Marina desceu as escadas deslumbrante, e esbanjando confiança por todos os lados do salão, que aquela altura já estava lotado. Posou para as primeiras fotos, e insistiu para que Victória lhe acompanhasse desde os primeiros cliques. Clara observava as duas de longe, mas seus olhos só conseguiam captar a beleza de Marina, e o orgulho que sentia da namorada voltara a aparecer nitidamente em sua expressão.
_Nem disfarça hein Clarinha?! – brincou a tia.
_Ah tia, não dá... Ela não é linda?
_Olha que nisso tenho que concordar viu! Como é que você demorou tanto tempo pra se jogar na cama dessa mulher minha filha?! – fez cara de impressionada e riu da expressão de espanto da sobrinha.
_Você está muito saidinha pro meu gosto viu dona Juliana, cadê o seu marido que não tô vendo? – disse dando-lhe uma cotovelada de leve.
_Foi buscar uma bebida, mas, bem observado. Acho que ele se perdeu no meio do caminho. Já volto Clara – afastou-se indo na direção que Jairo saíra minutos atrás.
_Lindas, não é?! – disse Vanessa aproximando-se e babando nas duas fotógrafas da sua vida.
_Realmente... – mesmo que não quisesse, Clara tinha que admitir que Victória era realmente linda – E... Como vocês estão Van?
_Ai Clarinha... – suspirou – Pra falar bem a verdade, eu não sei. Estamos “deixando rolar” – fez aspas com os dedos – Sabe?! Não falamos nada sobre relacionamento sério, e também, ela mora em Paris né. Enfim... Não sei bem...
_Olha só! Acho que tem gente apaixonada aqui, é isso mesmo? – Clara riu, genuinamente contente com a novidade.
_Dá nem pra esconder né?! Fazer o que?! Acho que tenho uma queda por fotógrafas lindas e famosas – riu de volta, caminhando em direção a loira que se desvencilhava das câmeras.
Marina, por sua vez, avistou Clara fitando-a sorridente e assim como no dia que em que a conheceu, seguiu em direção a ela e repetiu as mesmas perguntas que lhe fizera meses atrás.
_Quem é você? – a assistente sorriu, e sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem ao recordar do dia em que sua vida tinha mudado, mesmo sem que tivesse se dado conta na época.
_Como? Quem sou eu... Como? – lembrava-se perfeitamente daquelas palavras e de todas as sensações que aquela mulher havia lhe provocado com uma simples pergunta.
_Eu tô te vendo assim, pela primeira vez de perto, mas, eu já te vi em alguma revista ou programa de TV? Jornal?
_Não, você deve estar me confundindo com alguém, porque eu nunca fui fotografada. Quer dizer... A não ser nas festas de família lá em casa, mas, não... – o sorriso da fotógrafa aumentava automaticamente em seu rosto graças à satisfação de saber que assim como ela, Clara também havia guardado tão bem aquele momento.
_Tudo bem. Mas, agora você vai ter que me dizer o seu nome, o que você faz, e aonde foi que você encontrou tanta beleza – lançou o mesmo olhar e usou o mesmo timbre de voz charmoso e sedutor de meses atrás.
_Nossa! Não esperava essa entrevista toda. Mas, tudo bem. Vamos lá... Oi, meu nome é Clara. Namorada da fotógrafa! – riu e beijou-a, sem receio de estar sendo observada pela tia.
_Já descobriu onde encontrou tanta beleza, amor?! – disse acariciando o rosto da outra – Tá todo mundo olhando pra você nesse lugar. Vou começar a ficar com ciúmes daqui a pouquinho!
_Mesmo? Não reparei... Tava ocupada demais babando numa tal de Marina Meirelles, conhece? – beijou sua mão, dando-lhe um selinho em seguida – Bobinha! – viu a tia acenar em sua direção do outro lado do salão, chamando-a – Amor, a Ju tá me chamando ali, você já tá livre ou ainda vai fazer média aí?
_Média por enquanto – riu baixo – Daqui a pouquinho te encontro lá.
Clara saiu e foi em direção a sua tia, que agora já estava com Jairo ao seu lado. Marina juntou-se a suas assistentes e inevitavelmente procurava pela figura de Melissa no salão. Sabia que tinha provocado a onça no café da manhã, e mesmo sem fazer a mínima ideia do que seria exatamente, tinha certeza de que ela aprontaria alguma coisa. Perguntou discretamente para Victória, que respondeu não saber onde ela estava, e que só tinha avisado que chegaria um pouco mais tarde.
Voltaram a dar atenção aos jornalistas, e aproveitaram para esclarecer as questões voltadas ao relacionamento das duas. Afinal, após todo o incidente com as fotos e depois de terem assumido publicamente o namoro, não haviam se pronunciado formalmente a respeito do término do mesmo, e as perguntas não paravam de brotar nesse sentido. Além disso, Marina esclareceu o conceito por trás da exposição, apontou as fotos que mais havia gostado, e as que mais a haviam impactado, agradecendo sempre a loira pela parceria no trabalho e enaltecendo todo o seu talento enquanto artista.
Sutilmente, Marina desvencilhou-se dos jornalistas e procurou Clara pelo salão, encontrando-a do lado oposto ao que estava e rumou em sua direção.
_Marina Meirelles! – disse Shirley, materializando-se na frente da fotógrafa.
_Eu mesma, prazer! – sorriu – E você?! – cumprimentou-a com dois beijos no rosto.
_Shirley, e o prazer sem dúvida nenhuma é todo meu. Mulher, mas que coisa maravilhosa essa exposição! Sensacional!
_Muito obrigada Shirley – disse rindo do jeito exagerado da loira.
_Menina, você sabe que não consegui ir até a sua exposição em Londres, ano passado, e quando cheguei ao Brasil a do Rio de Janeiro já tinha acabado. Quase tive um treco de agonia!
_Poxa, que bom saber que tenho admiradores do meu trabalho aqui no Brasil. Alguma coisa que lhe chame atenção em particular? – Marina estava realmente impressionada com o interesse da outra pelo seu trabalho.
_Ah, tudo e nada viu Marina! Sinceramente, eu não entendo nada de fotografia, mas, tenho que admitir que isso aqui é de uma sensualidade e uma beleza extraordinária! Principalmente a parte da sensualidade – riu animada, olhando para as fotos em volta – Difícil escolher qual comprar.
_Todas são realmente lindas, não é Shirley? – disse Clara, parando ao lado de Marina como se demarcasse seu território, e a fotógrafa não entendeu como as duas se conheciam.
_Clarinhaaaaaa... Você por aqui? Não sabia que gostava tanto assim de fotografia! – depositou dois beijos no rosto da carioca, enquanto Juliana se aproximava do grupo – Ju! Você também?! Mas o que é isso, alguma espécie de reunião da família Fernandes? Não vá me dizer que a Leninha veio também – perguntou espiando por sobre o ombro de Clara a sua frente, cumprimentando Juliana em seguida.
_Não, não veio... E eu amo fotografia, mas, na verdade estou aqui porque trabalho com a Marina.
A loira olhou as duas, uma ao lado da outra, e não demorou para perceber que a relação delas ia muito além da profissional.
_É, estou vendo – deixou escapulir a observação sem querer, e as duas se entreolharam – Mas Ju do céu, como você está diferente! Quase que outra mulher.
_Tudo graças ao Jairo e a pequena Bia, que iluminaram a minha – sorriu e apresentou o marido formalmente – Mas, você também mudou muito, querida. O que tem feito de bom?
_Eu? Mudei nada... Continuo a mesma de sempre, só que com mais bom gosto, é claro. Nada como passar uma temporada na Europa!
Assim que perceberam que ambas estavam entretidas conversando, as duas aproveitaram para sair de fininho e tentar ficar um pouco a sós. Os olhares de todos no salão tinham endereço fixo, e não paravam de perseguir as duas por onde quer que fossem. Marina chamava a atenção naturalmente, mas o figurino de ambas aquela noite parecida torna-las irresistível ao público, e as pernas de Clara eram com certeza uma atração à parte. Haviam tomado apenas alguns passos de distância do grupo, quando a fotógrafa sentiu o clima do ambiente mudar. Ainda não as tinha visto, mas era como se sentisse que a cavalaria estava a caminho, e que ela era o alvo.
Como todas as outras vezes na vida, seu sexto sentido não falhara, e assim que olhou para frente, como se brotasse um filme de seu passado, lá estavam elas. Guiadas por Melissa, desfilando como em uma passarela e roubando o ar de mais da metade dos convidados.
Marina encarou a italiana que caminhava lentamente pelo salão, e estampava um sorriso desafiador nos lábios enquanto se aproximava das duas.
_Boa noite meninas! – cumprimentou Melissa, que a chegada não tinha sido percebida por Clara até então.
_Boa noite Mel. Tudo bem com você? Estava preocupada, achando que não viria mais – se a ironia de Marina fosse líquida, sem dúvida escorreria por seus lábios.
_Ah, mas você acha mesmo que eu perderia essa oportunidade, Mari? – a italiana não ficava atrás no quesito ironia e Clara sentia a tensão entre as duas ficar densa, quase palpável – Clara, uau! Quando eu acho que você não pode ficar mais linda, você aparece e joga na minha cara o quanto estou errada! – disse cumprimentando-a com os beijos clássicos no rosto. Demorando-se mais do que o necessário em cada um deles e sendo literalmente fuzilada pelos olhos castanhos de Marina.
_Obrigada Melissa – limitou-se a dizer. Definitivamente, não sabia jogar aquele jogo. Não sabia brincar daquilo, e deixava as atitudes por conta de Marina naquele momento.
_Ah, deixa eu apresentar para vocês – o cinismo era nítido em cada palavra que saia de sua boca. Deu um dois passos para o lado, deixando as três mulheres à vista – Clara, essa é a Thais, a Rebeca e a Lívia. Marina... Bom, tenho certeza que já se conhecem muito bem. Certo?
Marina respirou fundo. Não sabia exatamente o que aconteceria, nem como as meninas reagiriam a sua presença depois de tanto tempo. A única certeza que tinha era que Melissa tinha conseguido o primeiro ponto daquela noite, pois já podia sentir os olhos da namorada pousando curiosos e desconfiados sobre ela. Resolveu manter a pose e agir normalmente.
_Oi meninas – cumprimentou-as uma a uma, e sentiu as mãos de Thais enroscarem-se a sua nuca sem a mínima necessidade. Desvencilhou-se o mais rápido possível daquele contato, e tentou tirar Clara de lá – Clara, eu preciso falar com algumas pessoas ainda, vamos comigo ali?
_Nossa Ma, você já foi uma anfitriã melhor – a voz aveludada e rancorosa de Thais ecoou em seus ouvidos – Ah, olha só quem está aqui também! Victória Bouvier, a inseparável professora, é claro!
_Oi Thaís. Quanto tempo não? – disse Vic que assistia a cena de longe, e resolveu juntar-se ao grupo a fim de ajudar Marina – Continua simpaticíssima, é claro! – devolveu o sarcasmo.
_É Marina, convenção das ex-namoradas hoje, hein?! – destilou Melissa gastando todo o seu veneno.
Ambas as fotógrafas a fuzilaram com os olhos, e Marina ouviu Clara soltar um suspiro desacreditado ao seu lado, marcando o segundo ponto de Melissa em menos de cinco minutos. Clara olhou para Marina, buscando alguma explicação ou negativa daquela para aquela frase da italiana, e como não encontrou nada parecido com uma negação em seus olhos, balançou a cabeça de um lado para o outro, ainda sem acreditar naquela coleção de ex-namoradas que lhe era jogada na cara naquele momento.
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_Melissa, podemos conversar um minutinho? – perguntou Vic, encarando-a nos olhos e já afastando-se. A italiana a seguiu – O que você está fazendo Mel?
_Eu? Eu não estou fazendo nada Vi. Quem fez foi a Marina... Partiu o coraçãozinho das pobres moças ali, um dia teria que lidar com isso, não acha não?! – riu debochada.
_Você não acha que tá indo baixo demais? Isso é jogar sujo! Poxa Mel... Tanta mulher no mundo para você querer levar pra cama, porque tem que ser a Clara?
_Vic, sem sermão. Você não é puritana, eu não sou e como estamos vendo, Marina também nunca foi, então simplesmente divirta-se – falou jogando os braços ao redor do pescoço da loira – E inclusive, Vanessinha está bem emburrada ali atrás, viu?! – deu um selinho rápido e inesperado nos lábios da outra e voltou para a reunião de ex-namoradas Meirelles.
Desvencilhando-se do assédio das modelos, principalmente de Thais, Marina havia aproveitado a deixa que Vic lhe dera e conseguiu levar Clara para longe das três. A carioca estava visivelmente irritada, mas não queria fazer nenhuma cena ali, na frente de todo mundo, então tentava manter-se em silêncio, por pura segurança.
_Amor, você não vai mais falar comigo? – perguntou Marina após tentar estabelecer um diálogo com a namorada pela quarta vez.
_Eu só estou um pouco irritada, Marina. Podemos nos falar depois? Vou lá com a Ju um pouco – disse virando-se para sair, mas a fotógrafa segurou em seu braço.
_Clara, não vamos ficar nesse clima. Eu não sabia nem que elas estavam em São Paulo, quanto mais que viriam para cá hoje.
_Ok. Eu só não sou obrigada a fazer sala e oferecer champanhe para elas agora que estão aqui, ou sou? – encarou-a, não conseguindo mais disfarçar o quanto aquela situação a incomodava – Me solta. Mais tarde a gente conversa!
_Amor, não faz assim, fica comigo. Por favor! – a voz de Marina saíra suplicante.
Clara fitou a namorada por longos segundos, e decidiu que era realmente melhor estar perto ao invés de deixa-la a sós com aquela mulherada toda disponível por ali. Suspirou e entrelaçou seus dedos aos dela, deixando que sua atitude respondesse a pergunta que acabara de lhe fazer.
_Ahhhh, finalmente achei você! – quem chegava agora era Renata, animada como sempre – Tudo bem Mari?
_Oi Rê! – Marina soltou o ar que nem se deu conta de que prendera – Tudo bem e você?
_Tudo ótimo! – cumprimentaram-se – Essa que é a Paula, sua fã número zero! – riu.
_Oi Paula! Prazer em te conhecer... – disse Marina simpática
_Nossa, o prazer é todo meu! Sem dúvida nenhuma. Eu AMO, simplesmente AMO o seu trabalho! Sua arte que me inspirou para cursar fotografia! – a estudante faltava dar pulinhos de alegria por estar conhecendo Marina.
_Poxa, fico realmente lisonjeada em saber disso – respondeu sorrindo – Meninas, deixem eu apresentar para vocês. Rê, Paula, essa é a Clara, minha namorada! – por mais que estivesse irritada, sem gostava de ouvir a fotógrafa apresenta-la daquela forma.
Todas cumprimentaram-se, e depois de mais alguns minutos de tietagem de Paula em relação a Marina, Renata puxou um assunto que não fazia nem ideia de que não devia puxar.
_Mari, então essa que é a sua maluca? – perguntou rindo, e deixando Clara sem entender nada.
_Pois é Rê, em carne e osso! – respondeu rindo junto com a estudante.
_Poxa Clara, como que você é maluca de deixar um mulherão desses dando sopa na night paulistana? – brincou Renata.
_Eu? Não deixo não... – falou sem entender muito bem do que a menina ruiva a sua frente estava falando – Por quê? Você a achou perdida por aí?
_Conheci a Rê ontem, no bar que fui à noite – antecipou-se Marina – Não deu tempo para te contar sobre isso hoje.
_Pois é! Diz pra mim se tem alguém nesse mundo com mais sorte do que eu, Clara?! Conhecer Marina Meirelles de bobeira, em um bar da rua gay mais movimentada desse mundo, e ainda conseguir entrada VIP para essa maravilha aqui! – a empolgação ainda era evidente em sua voz, e contava dos acontecimentos sem se dar conta do quanto aquilo irritava a namorada da outra.
_Mais sortuda eu, que nem no bar estava, e ganhei convite também – quem ria agora era Paula, tão empolgada quanto à ruivinha ao seu lado.
_Nossa Marina, mas seu bom gosto realmente não tem fim, hein?! – disse Melissa aproximando-se, se apresentando e cumprimentando as estudantes – Não sabia que gostava de garotinhas também.
As duas amigas entreolharam-se, entendendo, porém sem entender muito bem o que estava acontecendo. Renata percebeu o clima pesar, e lançou um olhar cúmplice para Marina, como se a perguntasse o que deveria fazer. Clara viu a atitude da garota, porém, interpretou seu olhar de maneira errada, pedindo licença no mesmo instante, e indo em direção a sua tia e Shirley. A fotógrafa devolveu o olhar da ruiva com um leve aceno de cabeça, como se pedisse para que a deixasse a sós com Melissa. Renata entendeu perfeitamente e puxou Paula de lá, sentindo-se um pouco culpada por talvez ter colocado a amiga em maus lençóis.
_Então é assim que vamos brincar disso Melissa? – perguntou Marina.
_Brincar do que querida? – deu um passo a frente, desafiando-a claramente.
_Você é muito baixa mesmo. Faz jus a fama! Pena é só você achar que ela vai me deixar por você. Ela me ama, Melissa!
_Está me informando, ou tentando se convencer disso Marina? – seu tom de voz outrora aveludado, agora era venenoso. Marina riu, debochando da rival.
_Encare como quiser, meu bem. Sua opinião não muda os fatos, e eu confio na minha mulher!
_Na “sua mulher” – desenhou aspas nos ar – Veremos até quando vai poder ostentar esse título, Mari – deu uma piscadela para a fotógrafa.
_Pois então veremos – aproximou seus lábios do ouvido da outra – Saiba desde já que isso aqui não é uma competição, e que a Clara não é um troféu. Eu só disputo de igual para igual, e você ainda tem que crescer muito para merecer a minha atenção, Mel – devolveu a piscadela da outra e mandou-lhe um beijo no ar antes de sair.
Melissa fuzilou as costas da outra ferozmente, e assistiu Marina marcar o seu primeiro ponto aquela noite. Engoliu a raiva, e resolveu continuar com seu plano, procurando Clara pelo salão.
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Até aquele momento, Victória não tinha percebido o quanto Vanessa estava incomodada com a distância dela aquela noite, e por mais que não esperasse por aquilo, não teve como não achar a coisa mais fofa do mundo ver a ruiva com ciúmes.
_Ei, o que foi aquilo? – perguntou Vanessa para a loira.
_Melissa sendo Melissa Van... Nada demais! – disse abraçando a cintura da outra – Isso é ciúmes é?
_Melissa sendo Melissa né Victória?! Sei... Lembro bem o quanto você gostou dessa daí!
_É, isso realmente é ciúmes – riu – Sabia que você fica uma gracinha assim? Faz até biquinho! – brincou a francesa, conseguindo facilmente desfazer a irritação da outra. Trocaram um beijo intenso, e sentaram-se juntas, observando o movimento das pessoas e conversando sobre amenidades do dia-a-dia.
_Vou pegar uma bebida pra gente, e depois podemos ir embora Vi? Tô com tantas ideias interessantes para a nossa noite, você nem imagina! – disse maliciosamente.
_Claro gatinha! Seria um pecado imperdoável, desperdiçar o trabalho de uma mente tão fértil como a sua – sorriu com a mesma malícia da ruiva, e admirou seu corpo indo em direção ao bar.
Continuou sentada ali, observando o movimento das pessoas indo e vindo pelo salão e seus olhos captaram a imagem de Marina se desvencilhando pela milésima vez de Thaís. Balançou a cabeça negativamente, e procurou por Clara com os olhos azuis esquadriando os dois andares da galeria. Encontrou-a do lado oposto do salão, acompanhada mais uma vez de Melissa. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas conhecia Marina como a palma da mão, e tinha certeza que de sua pequena estava sofrendo com tudo aquilo, fosse o que fosse.
Olhou para o bar, percebeu um pequeno amontoado de pessoas ali, e calculou que Vanessa demoraria um pouco mais para voltar, então levantou-se e foi em direção a Marina.
_Psiu...
_Oi Vi...
_O que tá acontecendo hein?! Porque você está aqui e ela lá? – perguntou sentando-se ao seu lado.
_Ela tá irritada comigo. Já tentei falar com ela trocentas vezes, mas não tá querendo papo comigo. Ao contrário da Melissa né?! Não sai de perto dela – fechou os olhos tentando acalmar o próprio coração.
_Imaginei que as coisas estivessem assim. Foi muito baixo da parte dela trazer as meninas aqui. Eu não sabia pequena, não sabia mesmo!
_Ai Vi... A Beca e a Lívia tudo bem, elas são umas fofas e tudo o mais. Mas a Thaís? Ah, a Thaís não! Ela já falou alguma coisa pra Clara que eu vi daqui, mas que ela não quis me contar quando perguntei. Essa droga dessa italiana que não sai do lado dela, esses jornalistas que não me dão paz um minuto aqui também, nunca vi terem tanta pergunta pra fazer! – Marina desatou a falar – Aff! Tô uma pilha de nervos Vic... – desabafou deixando-se ser abraçada pela professora.
_Já sei o que vai te animar! Vem... Vem comigo ali no longe que vou pedir uma música especial pro DJ.
_Não tô com cabeça pra isso Vi...
_Você não vai me deixar aqui plantada, vai? – perguntou a loira já em pé, com a mão esticada na direção da aluna e com aquele sorriso doce que Marina conhecia tão bem.
Assim que chegaram ao lounge, a voz de Lorde começara a preencher o ambiente com uma das músicas preferidas da loira “Glory and Gore”. As duas se entreolharam e sorriram, concordando em silêncio que não precisariam pedir nenhuma outra música para o DJ naquele momento. Marina estava tão frágil ali nos braços de Victória, que pela primeira vez em muito tempo a deixara guiar os passos daquela dança. Vic abraçou sua cintura, e apesar de ainda lhe doer o fato de ter que consolar sua pequena em virtude de outra pessoa estar lhe partindo o coração, simplesmente não podia evitar.
Enquanto dançavam, Marina continuava seu desabafo, e Vic tentava ao máximo aconselha-la a ter calma, e parar com o jogo de desafio com Melissa. Afirmava que Clara a amava, e que não acreditava que ela fosse deixa-la por outra mulher, ainda mais uma como a italiana. Nenhuma das duas percebeu, mas tanto Clara quanto Vanessa as observavam dançar desde que a música começara.
_É Clarinha... E continuamos aqui, com os copos nas mãos enquanto essas duas dançam. De novo! – disse a ruiva, visivelmente enciumada e entregando a dose de vodka que havia pegado para a loira nas mãos de Clara.
_Não é fácil namorar essas mulheres né Van? – respondeu virando a dose que continha no copo entregue pela outra – Não é mesmo fácil! – olhava para a cena das duas e seu coração apertava.
Assim que a voz de Lorde cessou nos alto falantes, ambas as mulheres materializaram-se a frente de suas respectivas fotógrafas.
_Podemos ir? – ambas disseram ao mesmo tempo, e se a tensão não emanasse no ar, seria fácil achar a cena engraçada. As fotógrafas se entreolharam e voltaram seus olhares para as mulheres a sua frente.
_Claro que podemos! – falou Marina – Vi, vocês estão de carro, querem uma carona?
_Aluguei um pequena, estamos de carro sim. Almoçamos amanhã? Topa Clara? – perguntou para a assistente, tentando evitar qualquer má interpretação daquele convite.
Clara balançou a cabeça positivamente, despediu-se das duas e dirigiu-se a saída, sem esperar por Marina. A fotógrafa por sua vez, despediu-se de um número maior de pessoas, encontrando inclusive Renata e Paula pelo meio de caminho, desculpou-se pelo que tinha acontecido mais cedo e prometeu um almoço ou um jantar para compensar. Correu para a saída e assim que chegou lá deparou-se com a cena de Melissa beijando o rosto de Clara, despedindo-se também.
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O silêncio no carro era perturbador, e Marina ligou o som para tentar amenizar o clima. Não sabia se deveria falar alguma coisa ou se a melhor coisa era esperar que Clara o fizesse, e tinha que admitir que seu sangue ainda fervia pela última cena que assistira antes de saírem da galeria. Mesmo sem perceber, respirou fundo algumas vezes pelo caminho, tentando controlar a raiva que parecia apenas crescer dentro de si ao relembrar as cenas da noite, as atitudes de Melissa, e principalmente todas as vezes que vira a namorada perto da italiana.
Aquele vácuo era tão tenso que a sensação era de que elas poderiam toca-lo a qualquer momento, e todo esse silêncio parecia suscitar memórias nada agradáveis para ambas. Chegaram ao hotel e tanto Clara quanto Marina seguiram batendo o pé pelo corredor, adentrando o quarto furiosas. Marina tinha entendido bem o jogo de Melissa aquela noite, mas, a raiva a consumia tanto que não conseguia pensar muito bem. Bateu a porta atrás de si, e o estrondo provocado por esse movimento funcionou como um click para a raiva de Clara.
_Que desfile hein Meirelles? Mais um pouco e não caberia tanto caso seu em uma mesma galeria! – cuspiu Clara.
_Não me venha com esse lenga lenga Clara! Você ficou a noite inteira de conversinha com aquela vadia da Melissa, acha que eu não vi?! – seu tom de voz começara a subir involuntariamente – E não são “casos” meus como você está dizendo. São pessoas que fazem parte do meu passado!
_Muitas pessoas, não é?! Diz aí pra mim, com quantas você dançou a tal música da sua vida? – apontava o dedo para Marina, extremamente irritada – Pra quantas delas você já prometeu mostrar como é que se alcança o céu?! – deu dois passos a frente, indo em direção à fotógrafa – Quantas foram pra Angra com você?! Hein?! Fala! – a assistente gritou a última parte.
_O que é que tanto você falava com aquela lá? Posso saber, ou é segredinho? – esquivou-se das perguntas da namorada.
_Me responde Marina! – a assistente tinha os punhos cerrados.
_Clara elas são o meu passado! Já disse. Fazem parte de uma fase da minha vida que acabou. Não tenho o que te dizer mais sobre isso. O que você quer saber afinal?! – Marina não queria falar naquilo, não queria remexer nas histórias de seu passado. Clara sabia que a fotógrafa não tinha sido uma santa na vida, mas, nunca tinham conversado sobre isso diretamente, e ela não fazia ideia do quão extensa era a lista de relações amorosas da namorada antes de conhece-la.
_Passado? Vamos falar de um passado bem recente seu então. Aquele passado ruivo de ontem à noite! Aquele que você conheceu quando se desbancou do Morumbi, para ir a um bar gay quase no centro da cidade – Clara encarava Marina com raiva – Não tinha whisky em nenhum bar por aqui Marina? Por isso precisou dar a volta em São Paulo? Ah, e o bar precisava ser gay mesmo? – aquele detalhe realmente a incomodava, triplicando sua irritação – A porra do whisky dos outros bares não é envelhecido o suficiente? Ou estava procurando alguma outra coisa além da droga de um trago lá?
_Para Clara! A Renata não tem nada com essa história, ela só foi uma boa amiga na mesa do bar. Sai daqui ontem e pedi para o taxista me levar a algum bar gay próximo e ele só conhecia naquela região. A droga do bar era gay porque eu me sinto mais a vontade em bares assim, não estava à procura de nada! – respondeu com a mesma irritação da outra, quase ofendendo-se pela insinuação escondida na pergunta de Clara – Agora... Para de show com isso, e vamos falar do que realmente interessa aqui. O que é que você tinha tanto para falar com a Melissa? – repetiu a pergunta pausadamente.
_Ah, então nós vamos falar do que interessa? Ótimo! Victória... O que você estava fazendo dançando com ela hoje? Na minha cara Marina! NA MINHA CARA! – Clara não tinha mais o controle do volume com que sua voz saia. Tudo naquela noite a havia irritado, mas Victória era o seu ponto fraco. Sabia que Marina tinha um carinho único pela loira, e por mais que não conhecesse muito os detalhes da história das duas, sabia o suficiente para ter a certeza de que qualquer proximidade da namorada com a Francesa era perigosa.
_Nós só estávamos dançando. E sim, na sua cara, porque não tenho nada para esconder de você! Agora, Clara... Você vai ou não vai me responder qual era o assunto que tinha tanto para falar com aquela mulher hoje? – a voz da fotógrafa soava cansada. Não aguentava mais repetir a mesma pergunta. Afinal, qual era a dificuldade em obter uma resposta? – E eu juro que é a última vez que te pergunto, Clara! Juro!
_Eu mal estava falando com ela Marina, me poupe! – disse jogando os braços para o alto.
_Me poupe você Clara! No mínimo sete, de cada dez vezes que te procurei, você estava ou perto ou falando com ela – mesmo que involuntariamente, Marina voltara a gritar – Ficou longe de mim mais da metade da exposição, e por quê?! Hein? Qual era o entretenimento?
_Sabe que hoje sim eu consegui entender direito a frase que me disse no aeroporto antes de vir para cá. Você foi mestre MESMO na “escolinha de sedução da Melissa” – fez aspas com as mãos – Não é?! Não foi assim que você me falou?! Agora faz total sentido pra mim! Resta saber se foi, ou ainda é!
A cabeça de Clara rodava. O quarto parecia ficar cada vez menor, e a cada instante que passava, sentia que o ar a sua volta ficava mais e mais rarefeito. Encarava Marina nos olhos, e pela primeira vez não sabia exatamente o que estava sentindo. Tinha raiva, dúvidas, medos, intensidade, amor, ciúmes. O que era tudo aquilo afinal? Quem era aquela mulher a sua frente? Marina Meirelles, ou a sua Marina? Aliás, será que a “sua Marina” realmente existia? Afinal de contas, ela tinha sido “a Marina” de quantas daquelas e outras mulheres por aí? Definitivamente, Clara não era tão boba assim, e sabia perfeitamente que aquilo tudo não era nenhuma coincidência, e sim uma jogada de Melissa. Contudo, apesar de a italiana possivelmente ter armado toda essa situação, nenhuma daquelas histórias deixava de ser verdade, e era isso que a consumia naquele momento.
Marina respirava fundo, tentando inutilmente controlar sua respiração. Não acreditava nas coisas que estava ouvindo, e menos ainda no que não estava ouvindo. Seu peito subia e descia com força, e sua cabeça parecia latejar. Porque ela não lhe respondia? Porque mais uma vez fugia do tema Melissa?
_Sim Clara, EU FUI. Conjugou muito bem o verbo! E não venha querer insinuar nada sobre o meu amor. Ok?! – quem apontava o dedo agora era Marina – Quem está fugindo de respostas aqui é você!
_Eu não estou fugindo de nada Marina. Eu não estava falando com a Melissa, mas sim, estava perto dela. E sabe por quê?!
_Tá aí uma coisa que eu gostaria muito de saber! – disse convicta, porém, uma sensação de puro medo lhe invadiu no mesmo instante, fazendo seu estômago gelar.
_Porque enquanto você gastava o seu tempo se esfregando com a sua Francesinha, ela estava lá, me cercando de todos os lados! Eu me mexia, ela se mexia... Me seguiu naquela galeria o tempo todo!
_Eu não estava me esfregando com ninguém e você bem sabe disso. Não me venha com acusações vazias! O que é que essa vadia quer com você?
_ Eu e você sabemos o que ela quer – disse de uma vez – Não é hora de se fazer inocente, meu amor. Até porque, depois de hoje, ambas sabemos que de inocente Marina, você não tem nada! – sua voz alcançara um nível de ironia, que até aquele momento ainda lhe era desconhecido.
_E você, Clara? Tava gostando de ser assediada pela linda Melissa? – perguntou sarcástica, ignorando deliberadamente a provocação da outra.
_Não tenho nem que te responder isso! Sinceramente... – falou indignada.
_É isso o que você quer, não é? Ver duas mulheres se digladiando por você... É disso que você gosta? – as palavras simplesmente brotavam na boca da fotógrafa, como se viessem de algum lugar escondido dentro dela e quisessem dizer alguma outra coisa. Seu olhar mudara, sua postura era outra e agora caminhava lentamente em direção a outra.
_Ah Marina, me poupe de ter que escutar as suas loucuras! Quem vai “tomar um ar” hoje sou eu. Com licença! – decretou caminhando em direção à saida. Contudo, a fotógrafa valeu-se do fato de estar mais próxima da porta do que Clara, e colocou-se a sua frente, impedindo que passasse.
_Você não vai a lugar nenhum, Clara! – a voz de Marina assumira um tom diferente, novo. Um que Clara nunca tinha escutado antes, e mesmo em meio aquele furacão, sentiu um arrepio intenso percorrer todo o seu corpo, como uma corrente elétrica.
Clara deu um passo à frente, tentando em vão passar pela namorada que continuou plantada exatamente no mesmo lugar. Deixou seus olhos perderem-se nos de Marina, encarando-a com firmeza. Ambas tinham a mesma confusão no olhar, mas agora, um brilho diferente lampejava pelo castanho dos olhos da fotógrafa. Um brilho que assim como o tom de voz usado por ela há segundos atrás, era novo e desconhecido, causando novos arrepios no corpo da assistente.
_Que jogo é esse que vocês estão jogando Marina? Eu sou o que no meio de tudo isso? – perguntou a meia voz.
Marina retomou a sua trajetória anterior, indo em direção a Clara. Mais uma vez, movia-se a passos lentos e calculados, e a assistente agora via mais claramente todas as mudanças no corpo e nas atitudes de Marina. Engoliu em seco, e instintivamente deu dois passos para trás. Olhava fixamente para a namorada, e a cena que assistia agora sem dúvida assemelhava-se a de um animal acuando a sua presa.
_O que você é Clara? É isso que você quer saber? – aquele novo tom estava lá novamente, porém, agora assumia uma rouquidão involuntária.
_É Marina! É isso o que eu quero saber! – apesar de toda a mudança de cenário, a irritação pelos acontecimentos da noite ainda não tinha deixado a mente da assistente.
_Eu te conto... – aproximou mais um pouco seus corpos, e seu olhar agora era um misto de lasciva, desejo e raiva – Você, Clara... – inclinou seu rosto para frente, pousando os lábios próximos ao seu ouvido – É a MINHA mulher! – colou a boca em sua orelha, desenhando-a com a língua – Entendeu?
A assistente sentiu cada um dos músculos de seu corpo responder e corresponder a aquelas palavras, e o hálito quente que ia de encontro a sua pele lhe inebriava a mente por completo. Marina segurou os braços de Clara com força, encostando-a sem muita delicadeza na parede atrás de si. Olhava fixamente em seus olhos, e já não sabia mais dizer se controlava plenamente seus atos. Antes que a assistente protestasse, rapidamente colou seu corpo ao dela impedindo que saísse dali.
_Marina me solta! – disse Clara, já ofegante.
_Não! – a boca da fotógrafa devorava o pescoço da outra com força, disparando mordidas por onde passava – A não ser que me convença de que quer mesmo isso.
_Vai atrás da sua professorinha! – as palavras saiam com dificuldade.
_Porque eu iria? – as mãos de Marina desceram urgentes pelo corpo da outra, parando em suas nádegas e apertando-as com força, com vontade, e quase que com raiva.
_Não tava lá se esfregando com ela até agora? Vai lá! – a assistente ofegava tanto que a frase ficara praticamente ininteligível. Já não conseguia mais sustentar o tom irônico e raivoso em seu timbre de voz e tentou empurrar Marina, que não se moveu um centímetro sequer.
_Tenho tudo o que eu preciso bem aqui, Clara! – violou seus lábios com ímpeto e em um movimento involuntário, as mãos de Clara agarraram-se aos seus cabelos, buscando o equilíbrio que suas pernas já não lhe davam mais. Suas línguas enfrentavam-se e brigavam ao mesmo tempo em que se acarinhavam em suas bocas, fazendo com que o ar de ambas acabasse com certa facilidade.
Os dedos da fotógrafa deslizaram firmes por suas coxas, encontrando rapidamente o fim do tecido e tocando sua pele quente – Esse vestido fez mais sucesso do que as fotos hoje, sabia?! – declarou e mordeu o lábio inferior da outra – Fez? Pra quem? – provocou Clara – Pra exposição inteira! – sentiu a pressão dos dentes da namorada aumentar em seu lábio, como se ela a punisse por aquilo – Efeito colateral, porque eu sempre me visto pra você – aproximou sua boca do ouvido da outra – Só pra você!
As mãos da fotógrafa agora trabalhavam em subir o tecido do vestido pelas coxas bronzeadas da assistente – Me conta... O que mais que é só pra mim aqui? – a pergunta veio acompanhada de um toque inesperado em seu sexo e Clara gemeu alto. Nunca tinha sido tomada com aquela intensidade pela namorada. Era impossível negar o quanto estava realmente alucinada com oímpeto das ações e todo aquele domínio que a outra agora exercia sobre ela, e se um dia havia sido tímida entre quatro paredes, decidiu que isso não valeria para aquele momento.
_Tudo aqui é seu! – declarou Clara, sentindo os dedos de Marina lhe invadirem vagarosamente, e gemendo baixoem seu ouvido – Não, eu quero saber detalhe por detalhe – o tom de voz da fotógrafa alcançara um timbre mais autoritário, e a assistente sentiu seu corpo inteiro estremecer ao ouvi-la falando daquele jeito ao pé de seu ouvido.
_Minha boca... – beijou seus lábios sensualmente, ainda agarrada aos seus cabelos, puxando-os devagar. No mesmo ritmo de sua língua – Meu pescoço... – subiu com a ponta do nariz por seu rosto, deixando o pescoço livre para ser mais uma vez devorado pelos lábios da outra – Meus seios... – guiou a mão de Marina que estava livre até um de seus seios, sentindo a fotógrafa apertá-lo com mais força que o normal, com um ímpeto novo, um desejo diferente, e soltou um gemido alto quando percebeu as duas mãos da fotógrafa trabalharem sincronizadas e na mesma intensidade. Uma em cada parte de seu corpo.
_Ah... Marina...
Os dedos de Marina mantinham um ritmo lento e contínuo, encharcando-se um pouco mais a cada estocada que desferia contra a intimidade de Clara. Sentia as mãos da assistente puxarem seus cabelos cada vez com mais força, acompanhando o ritmo dos gemidos que aceleravam-se junto com sua respiraçao.Sentiu seu corpo tremer, e sabia que suas pernas já não lhe sustentavam direito. No entanto, era assim que Marina queria. Queria Clara ali, exatamente onde estava e exatamente do jeito que estava. Aumentou a intensidade com que seus dedos entravam e saiam da assistente, fazendo pressão em seu clitóris com o polegar – O que mais é meu, Clara? – a dona de casa já não conseguia mais falar. Os gemidos lhe escapavam, sua respiração estava completamente fora de controle, e aquele tom de voz mandão de Marina ainda lhe causava arrepios pelo corpo todo. Pousou sua mão já um pouco trêmula por cima dos dedos da fotógrafa em seu sexo.
_Isso você já pegou sem permissão.
_Eu preciso de permissão? – perguntou mordendo o lóbulo de sua orelha.
_Não... Sou sua por inteiro! – disse puxando seu rosto e atacando-lhe os lábios vorazmente.
Marina sentia o corpo de Clara responder a cada uma de suas investidas, percebia sua intimidade contrair-se contra seus dedos, e queria sentir o calor do líquido que vinha de dentro da namorada escorrer em seus dedos.
_Goza pra mim! – ainda usando daquele novo tom de voz, as palavras da fotógrafa definitivamente não foram um pedido. E o corpo de Clara obedeceu quase que instantaneamente. Suas pernas fraquejaram de vez, e a assistente poderia jurar que mesmo considerando as outras vezes em que fizera amor com Marina, nunca havia gozado tão intensamente quanto naquele momento. As mãos da fotógrafa seguraram seu corpo pelo quadril, sustentando-o em pé. Ostentava um sorriso lascivo e desejoso no rosto, que revelava escancaradamente todas as suas intenções e vontades, e sem dar tempo para que Clara retomasse o ar que ainda não chegava a seus pulmões, seus dedos já brincavam com o clitóris sensível e inchado da namorada novamente.
_Ah, Marina... – gemeu seu nome com sofreguidão.
_Adoro ouvir você gemendo meu nome assim... – confessou a fotógrafa com a voz rouca, baixa, sacana...
_Adora é? – Clara ainda não conseguia sustentar o peso do corpo, e ergueu um de seus joelhos até a cintura da outra, esperando que Marina a sustentasse. A fotógrafa segurou-a de pronto, puxando sua outra perna para a mesma posição do outro lado de seu corpo, e guiou-a até a cama, a ouvindo gemer seu nome algumas vezes, provocando-a ao repetir o mesmo tom que fizera instantes atrás.
Marina sentou-se nos lençóis brancos, deixando o corpo de Clara apoderar-se de seu colo.
_Sim, eu adoro! – suas mãos encaixaram-se a nuca da outra e entrelaçando os dedos aos seus cabelos puxou-os com força, inclinando a cabeça de Clara para trás – Mas eu quero mais de você. Muito mais!
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