Notas iniciais
Espero que não tenham esperado tanto. Boa leitura!

– Sim – disse Júnior. – Já que a nossa parte da herança está toda aqui no Brasil...

– Júnior! – exclamou Carmen. – Não acredito que você ficará no Brasil só por causa da herança que acaba de receber.

– A senhora quer o que? – questiona o homem. – Que eu e minha família voltemos para os Estados Unidos e deixemos as coisas que papai deixou na nossa responsabilidade para a senhora? Eu não nasci ontem, titia. Cuidarei do Café Boutique e a Carol do orfanato, assim como meu pai ordenara. Jamais deixarei essas coisas em suas mãos, eu te conheço muito bem.

– Você está me ofendendo, Júnior! – gritou Carmen.

– Tem algo mais da herança de meu pai para ser lido, doutor? – Júnior pergunta para o advogado, ignorando Carmen por completo.

– Não, senhor. Tudo que o doutor José Ricardo Almeida Campos colocara no testamento, foi lido.

– Certo. – Júnior levanta-se e os outros fazem o mesmo. – Muito obrigada, doutor.

– Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo – disse o homem.

Minutos depois, o advogado foi embora. E ficou apenas Júnior, Carol, Beto e também Carmen na casa que agora pertence a Beto.

– E a senhora não vai embora? – Júnior questiona.

– Eu moro aqui – responde ela.

– Não mais – diz Beto. – Essa casa agora é minha, e apenas as pessoas que eu gosto moram aqui. Uma pena, a senhora não está nesta lista.

– Beto! – exclamou Carol.

– Deixe Carol – fala Carmen. – Já percebi que com a morte de meu amado irmão, minha família me abandonará.

– Quanto fingimento – resmungou Beto.

Carol arregalou os olhos para o filho.

– Ah Carmen – disse Beto. – Você tem uma hora pra arrumar suas malas e sair daqui.

– Uma hora? – repetiu ela. – Mais para onde irei? Estou sem lar e...

– Sem lar? – Beto riu. – E as propriedades que vovô deixou para você? Não serve?

– Vocês são... – Carmen não termina a frase e gritou unindo as mãos como se fosse enforcar alguém.

– Também te amamos muito, Carmen! – exclamou Beto.

Carol e Júnior seguravam o riso.

– Ouviu o dono da casa, não é? – questiona Júnior. – A senhora tem menos de uma hora para sair dessa casa definitivamente.

Carmen arregalou os olhos, em seguida saiu dali acompanhada pelo barulho do salto alto.

– Então é isso? – diz Carol. – Temos que obedecer ao novo dono da casa?

– Fiquem tranquilos. Só fiz isso para aproveitar a oportunidade mesmo, nunca gostei dela. – Beto dá de ombros.

Carol olha para Júnior, ambos sorrindo.

– Nosso menininho cresceu! – disseram eles, abraçando Beto.

– Não, isso não. Por favor! – pede Beto.

Desobedecendo a ordem do filho, Carol e Júnior apertam a bochecha dele.

– Eu mereço – resmungou Beto.

Depois de brincarem como quando Beto tinha apenas 12 anos, Júnior e Carol foram com o filho conhecer a mansão da família Almeida Campos.

– Esse daqui é meu quarto! – anunciou Beto, se jogando na cama de um dos quartos.

– Que bom querido – disse Carolina. – Só falta nós encontrarmos nosso quarto, não é amor?

– Vamos ver os outros cômodos e deixá-lo sozinho? – Júnior sugeriu.

– Claro! – e eles saíram.

Ao ver que estava sozinho, Beto fecha os olhos e o orfanato onde morou lhe veio no pensamento.

– Clarita – sussurrou ele. – Será que agora que estou de volta, poderemos nos reencontrar?

(...)

– Aqui está o seu pedido – fala Clarita, entregando o café que o cliente pedira. – Mais alguma coisa?

– Não obrigada – responde ele.

Logo após, Clarita vai até o balcão do Café Boutique para conversar com sua melhor amiga.

– Acredita que estou super cansada de arrumar o nosso apartamento? – diz Clarita.

– Nem fala! Não vejo a hora de chegar o fim do dia, para ir pra casa e tomar um banho relaxante.

– Somos duas!

– Hei pessoal! – Maria Cecília, braço direito do falecido doutor José Ricardo, se aproximou dos empregados. – Já estão sabendo que o filho do doutor José Ricardo virá até o café hoje?

– Mais o homem não acabou de falecer? – questiona Mili.

– Pelo o que parece eles não perderam tempo com luto – disse Clarita.

– Daqui a pouco eles virão até aqui. Para conhecer o Café e seus funcionários – explica Maria Cecília. – Eu lhes peço, comporte-se da melhor maneira possível. Isso custará o emprego de vocês e o meu também, afinal de contas, logo após que o doutor José Ricardo foi internado o Café ficou na minha responsabilidade.

– Não se preocupe, Maria Cecília – fala Clarita. – Iremos fazer tudo muito bem! – afirmou.

– É isso que espero de vocês. Logo eles chegarão, fiquem prontos – disse ela, e saiu em rumo a sua sala.

– Só espero que o filho do doutor José Ricardo não seja tão chato como o pai – resmungou Francis.

Ao ouvirem as palavras de Francis, Mili e Clarita dizem:

– Eu também.

(...)

– Já falei que não vou! – gritou Beto.

Júnior revirou os olhos. Já tinha alguns minutos que ele e Beto estavam discutindo sobre o filho ir ao Café Boutique para acompanhar os pais.

– Você é meu filho, terá que ir! – disse Júnior.

– Mais eu não tenho nada haver com a empresa. Quero ficar em casa hoje, estou cansado.

– Querido, não iremos demorar – fala Carol. – Nos acompanhe, por favor.

– Por que insistem tanto nisso? – Beto questiona.

– Você é meu filho e o que todos estão sabendo é que o filho do doutor José Ricardo e sua família irão ao Café para conhecer todos os funcionários e tudo mais.

– Por que não esperamos uns dias. Já ouviram falar em luto?

– Pelo o que sei, a empresa está quase falindo. Não posso perder tempo, entende?

– E eu preciso ir junto?

Júnior bufou.

– Se você não for conosco, irei contratá-lo no Café. E como barista!

– Pai! – exclamou Beto.

– Estou falando sério, Alberto.

– Está bem, eu irei. Mais não precisa me tratar como se tivesse 12 anos ok?

– Ok. Vamos para o Café Boutique? – pergunta Carol.

(...)

Naquele momento, o Café Boutique estava quase vazio. Já faz algum tempo que o local esta nessas condições: na beira da falência. Porém, não era nisso que Clarita estava pensando naquele momento. Ela apenas gostaria de estar no apartamento onde divide com Mili, deitada em sua cama, descansando mais...

– Olha só! – exclamou Francis. – O filho do doutor José Ricardo chegou!

Ao olhar em direção a porta de entrada do local onde trabalha, os olhos de Clarita se cruzou com o dele, dando a sensação que já tinham se visto antes.

Notas finais
Gostaram? Comentem, sua opinião é importante ok? Beijos!