Notas iniciais
Então, aqui vamos nós...(sim, foi o melhor que pude pensar)

Eu deveria me apresentar, porém não sou boa com apresentações, pois elas conseguem ser muito desconcertantes. Então já que eu vou contar meus dia-a-dia em minha perspectiva, estou considerando que somos íntimos. Então para tirar ao atraso, vamos ao ponto crucial. Não gosto da ideia de ser descrita por apenas uma palavra, as pessoas podem ser um dicionário inteiro, então prefiro tentar fazê-lo através de uma frase, o que além de ser mais impactante (em minha humilde opinião) é mais descolado, e eu gosto de fingir que sou descolada, mesmo que só um pouco: “Diga o que quiser, mas não quer dizer que eu vá ouvir.” Bom é isso ai. Fico orgulhosa em constar que fui eu que a criei, pelo menos eu acho que sim.

Agora que sabem minha frase personificada, devem saber meu nickname favorito também... Não estou só brincando, mas saibam que meu nickname também é bem profundo e comum ao mesmo tempo. Mais o que vocês realmente querem é o meu nome, nisso eu aposto. Então aí vai: Megan Fox. Por que tirar sarro é tão bom?

-Alicia Medeiros Batista, se eu te chamar mais uma vez você vai ter que ir com aquele macacão rosa choque que sua tia te comprou no ano novo! – Ah, Ótimo! Minha mãe estraga prazeres acaba com o suspense épico, como se isso fosse novidade...

-Tô indo mãe! – berra minha irmã na cama ao lado.

Não você não entendeu errado, minha mãe realmente acabou com o suspense, sabe por quê? Simples porque é assim que eu me identifico. “Prazer, irmã adotiva de Alicia Medeiros Batista” Tipo aquele desenho Irmão do Jorel, o problema é que todo mundo sempre pergunta meu nome, por educação é claro, já que ninguém quer saber.

Meu nome de registro é Vitoria, recebi esse nome graças ao meu querido papai que ganhou um jogo de pôquer, e como minha mãe era de aluguel ele pode me nomear da forma que quisesse. Porém graças a deus eu não tenho o sobrenome Medeiros Batista ( se tivesse o suicídio teria batido na minha porta assim que eu tivesse começado a aprender escrever) meu sobrenome é mais diferenciado, o que não quer dizer que bom. Vitória Willians White, foi nome que eu recebi de meu pai, e é uns dos motivos de eu não gostar nem um pouquinho dele. Vamos enumerar os motivos, porque eu me sinto importante fazendo isso: 1- Todo o meu sobrenome é estrangeiro, de forma que todo mundo, TODO MUNDO, pronuncia eles errado, inclusive o maldito do meu pai. 2- Vitória deveria ser na forma inglesa também, quer dizer o apelido “vick” é muito legal! Mas não... Tenho que cagar no nome da minha futura filha! 3- Eu não me lembro desse, mais sei que ele existe... Mesmo assim FODA-SE!

Como eu fiz questão de mostrar, meu pai é um otário, se você ainda não entendeu isso você também é, mas como eu luto pelas causas perdidas vou te explicar bem direitinho o porquê disso: 2+2=4... Assim como meu nome foi meio improvisado, eu também fui.

Como eu citei, minha mãe biológica é de aluguel (detalhe FELIZMENTE, não possuo o DNA do meu pai, já que ele não pode nem investir o próprio sêmen na filha, mas tudo bem). Meu pai e minha mãe estavam se divorciado, com a guarda da Alicia ficando com minha mãe, porém meu pai realmente amava a minha mãe (pobre coitada só dá azar) então ele tentou de tudo, mas nada nunca dava certo. Então envolto ao seu momento “Bad” ele resolveu tacar a ultima carta da manga de um desesperado: Ter um filho para segurar o casamento.

É, eu sei, muito sem noção, até porque Alicia seria a evidencia de que isso nunca iria funcionar. Mesmo assim ele tentou. Mas minha mãe sacava dos paranáue, e toda vez usava camisinha. Sem recursos ele apelou e contratou uma mãe de aluguel, e então... Mim nascer! Eu sei, meio louca a minha historia de vida. O importante é que minha mãe não quis meu pai de qualquer forma (surpresa), mas ficou com dó de mim, porque ela conhecia o homem com quem foi casada por 2 anos (ela também fez o manual de como humilhar a masculinidade de papai!).

E agora aqui estou eu, a filha não muito desejada, mas que acabou sendo amada ajudando a minha irmã mais velha a se arrumar pra escola. Hoje era nosso ultimo dia de aula, não porque estávamos no final do ano letivo, mas sim porque iriamos nos mudar de cidade.

- Vai tomar café da manhã eu arrumo seu material.

- Valeu mana, até te beijaria, se não fosse a politica de não-contato-físico.

Peguei os cadernos e livros do dia, sem nem ao menos olhar o horário, isso porque eu tive que decora-lo já que minha mana além de ser desastrada era bagunçada, o que sempre acabava colocando-a em apuros onde eu a tirava, simplesmente porque não tem nada que eu ame mais do que essas duas. Eu já tinha me arrumado, e terminado de arrumar a mochila da minha irmã assim como seu uniforme, que deixei em cima da cama (é, eu sei) então só escovei os dentes e fui me sentar no meio-fio da calçada. Uma das incríveis habilidades de Alicia, era que seja para compensar seus defeitos ou não, ela era rápida, muito rápida, então eu mal me sentei ela me ergueu pegou meu braço e nós duas saímos correndo.

Uma das coisas que eu mais gosto nela é que ela é a prova viva do porque de “não julgar um livro pela capa”: Ela tinha 1,65m e era a mais rápida da turma; estava sendo usando roupas estilo punk, mas seria a palhaça da turma, e a garota mais disputada, digamos assim; E para completar, seu jeito sonso enganava tudo mundo, porque ela pegava as coisas no ar.

Eu não gosto de ter que me descrever, porque sempre parece que ou estou me depreciando ou me gabando, e eu detesto sentir que estou fazendo qualquer uma das duas opções, mas vocês são especiais então vamos lá: Sou dez centímetros mais alta que Alicia (o que era meio polêmico), apesar de que ano passado era dez centímetros mais baixa, portanto ainda não me acostumei com esse lance de ser relativamente alta, então eu meio que sou... Desengonçada; Eu não tenho um estilo de roupas, sendo confortáveis para mim está bem; Tinha uma velocidade de raciocínio normal, mas como tinha meus métodos aprendia mais rápido até mesmo que Alicia, de forma que ela sempre estava tentando me ensinar algo. Acontece que “pegar algo no ar” não é tão fácil quanto “transmitir algo no ar” (não sei se isso existe, mas dane-se), ou seja, ela é uma péssima professora.

Chegamos na escola, adiantada. Isso por causa do maior defeito/qualidade da mamãe, ela era extremamente sacana. Enfim, nos (o que quer dizer Alicia) consolamos as almas infelizes com nossa partida (a partida de Alicia) com apertos de mãos e bagunçando cabelos (Alicia tem a regra antítoque, ou seja, ela não abraça e não beija e nem qualquer uma dessas coisas). Dava pra ver que ela estava ficando nervosa, com tantas pessoas tentando dar “toques-de-despedida”, então como sempre coloquei a minha irmãzona em primeiro lugar, bancando a megera:

- Dá pra andar logo com isso Alicia?- ela se vira agradecida para mim, e estamos nos afastando quando ela ouve os insultos sussurrantes direcionados a mim e se volta para os colegas.

- Tori não gosta de despedidas, ela se emociona por causa do... – ela da uma olhada pra tras como se estivesse conferindo que eu não estava ouvindo (o que não fazia sentido já que só o tom dela era de sussurrado, no resto ela estava quase berrando) e prosseguiu – pai dela. – ela me incentivou a continuar andando, e me deu alguns tapinhas no ombro, e eu fingi que limpava uma lagrima imaginaria.

Chegamos na porta da minha sala de aula, onde nós ficamos rindo do episodio toda vez que ficávamos a sós, até que bateu o sinal e ela se despediu erguendo-se na ponta dos pés e bagunçando meu cabelo.

O dia de aula foi bem normal, mais normal do que eu esperava, admito. Voltamos para casa e recolhemos o que era mais intimo e pessoal para nós duas, colocando tudo na mesma caixa, que foi acomodada na traseira da caminhonete.

Notas finais
Só eu achei que eu não sou boa com sobrenomes? Enfim, comentem o que gostaram na história, ou o que não gostaram, tanto faz, sério to tão carente que se vocês comentarem literalmente: "tanto faz" já fico satisfeita... (é, eu sei)