Vampires Today! - Fall
7 Capítulo 6: Olhos sangrentos
Os primeiros sinais da noite começavam a aparecer. Não só no ambiente, aonde a luzes alaranjadas começavam a mudar para lindos feixes prateados vindos do luar, mas também em nossos corpos, meu e de Cath. Nossa audição, visão, olfato, tudo começavam a ficar ainda melhor. Mas não apenas nosso instintos, mas também nossa forma começava a se alterar.
Era como se meus músculos estivessem se retraindo, e ficando mais fortes e resistentes. Essa pressão corporal fazia com que varias veias se sobressaltassem sobre minha peles, em várias regiões. Minhas presas ficaram ainda mais afiadas, e nossas unhas começavam a se converter em afiadas e mortais garras assassinas.
Mesmo que isto estivesse acontecendo, aquele sensação era menos dolorosa do que a de nossa transformação primária.
Quando estamos em nossas formas humana, nós, vampiros, não sentimos “na pele” os benefícios que lua nos trás, as vezes somente um aumento do bem estar, mais nada. Mas agora meu corpo se modificava completamente, transformando-me em uma besta quase que completa.
Para falar a verdade, talvez eu não tenha dado a devida atenção a minha transformação, já que estava paralisado por aqueles olhos aterrorizantes.
Era olhos que não poderiam pertencer a nenhum animal conhecido. Aqueles olhos. Os quais eu nunca esqueceria.
Aqueles olhos não possuíam uma pupila comum. Era uma pupila em formato oval, mas com “as pontas afiadas”, o cristalino, simplesmente não existia. E a retina, era a parte mais assustadora de todas! Ela era de um tom escarlate vivo, cheio de pequenos vasos que transcorriam pro todo olho, quase penetrando a pupila.
A pupila não parava de se mover sequer um segundo. Seja lá oque tivesse aqueles olhos, estava desesperado, buscando em todas direções alguma coisa. Aqueles olhos estavam desesperados, não sabia pelo que.
A caverna estava muito escura para que pudéssemos distinguir que criatura era aquela, mas seus olhos era como faróis em meio a toda a escuridão, e se faziam ver a metros. Mas era óbvio que aquele criatura possuía mais de 2 metros de altura.
Eu não tinha como saber o que estava se passando na cabeça de Cath, mas imaginava que ela estivesse tão apavorado quanto eu.
Mas porquê aqueles olhos no paralisavam? Era como se ao olhar diretamente para aqueles olhos todos o mais terríveis e sangrentos pensamentos emergissem de minha cabeça. Todo aquele sangue em meus pensamentos, era demais, até mesmo para um vampiro. Eram cenas de massacres horríveis, onde algo ou alguém estivesse devorando cada corpo que encontrasse. Fosse eles criança, adulto, homem ou mulher. Aquilo não distinguia suas vitimas, apenas as atacava, sem o menos sinal de piedade. Aquilo estava quebrando, cortando, rasgando e sugando cada indivíduo que estava em seu caminho. Seja lá o que fosse aquilo, a cidade industrial aonde a criatura assassinava dezenas nunca mais seria a mesma.
Aquele vulto, aquela sombra destruía não apenas pessoas, mas também objetos. Aquilo conseguia partir blocos de pedra com as mãos nuas, e parar carros apenas um das mãos.
Eu não sabia se aquilo era um sonho alucinação, o qualquer outra coisa. Mas era muito real. Aquela chuva de sangue... era real de mais para mim.
Era incrível o quanto apenas um olhar me afetava.
Não havia como imaginar o que Cath estava sentindo naquele momento, tinha que verificar como ela estava se sentindo... Mesmo com aquelas imagens ainda em minha cabeça –dificilmente eu as esqueceria- tinha que verificar como Cath se sentia, pois o estado dela poderia ser pior. E era.
Cath, que antes estava em pé, agora estava sentada com a cabeça entre os joelhos, com os olhos extremamente abertos e cheios de lágrimas, não poderia imaginar que o que ela estava sentindo fosse tão ruim assim. Imediatamente perguntei:
– Cath, calma, eu também vi aquelas imagens, mas não precisa ficar tão assustada assim. Não sabemos se ao menos são reais, vamos, já passou! – Cath não expressava reação alguma, apena continuava a olhar fixamente em direção a caverna, aonde os olhos como faróis já não estavam mais brilhando, talvez a criatura tivesse fechado os olhos- Vamos lá! Levante-se! Temos que pelo menos terminar o teste! –começava a me preocupar com Cath, mas na verdade, naquelas condições duvido que ela realmente pudesse terminar o teste.
Fiquei um tempo tentando chamar sua atenção, balançando-a e a chamando, mas ela continuava inerte, sem expressar qualquer sinal de vida.
E se Cath estivesse em perigo? Como deveria agir? Será que havia alguma pessoa a espreita, caso algo como isso acontecesse?
De repente, uma raiva começou a surgir de dentro de mim. Como um professor poderia ser tão negligente? Afinal, eram apenas jovens, praticamente lutando por suas vidas em uma floresta proibida, sem o mínimo de apoio ou suporte.
Mas outros minutos se passaram, Cath continuava indolente, e minha fúria só aumentava. Pensei em gritar, mas pensei que isso revelaria nossa posição aos outros participantes, que poderiam piorar ainda mais a nossa situação.
Minha preocupação também crescia... Abracei Cath e disse:
– Vamos lá, eu sei que você pode sair dessa! –disse esperançoso
Pra minha surpresa, Cath, pela primeira vez esboçou um movimento, mas não em minha direção. Ela virou a cabeça para trás lentamente e disse:
– Alguém estão vindo. – Cath sussurrou.
– Quem? –perguntei confuso.
Olhei para trás, na direção que Cath indicava com a cabeça.
Vi um vulto se espreitando por entre as árvores, andando quase cambaleando, era alguém não muito alto, com certeza outro aluno.
Meu temor se realizou. Outro aluno percebera a verdadeira função do teste e viera se livrar de mais uma dupla. Pelo menos era o que eu imaginava naquele momento.
Fiquei parado assistindo o baixo aluno se aproximar. No estado em que Cath estava, correr seria ineficaz. E ele provavelmente nos alcançaria, decidi então esperar para quem sabe dialogar com o garoto. E de qualquer maneira, um garoto daquela estatura não poderia me dar tanto trabalho. Naquele momento, minha prioridade era ao menos proteger Cath. Me posicionei a sua frente.
O garoto agora estava a poucos passos de nós. Agora pude ver com clareza quem era o garoto.
Era evidentemente um garoto baixinho. Loiro, com um franja que lhe caia sobre o olhos, fazendo com que seus olhos ficassem quase ocultos. Apenas em uma pequena parte de seu rosto a franja possuía uma pequena abertura, em sua testa, do lado direito. Lá havia um corte aparentemente profundo, que sangrava muito. O sangue escorria da testa diretamente para os olhos vermelho carmim e continuava até o final do rosto. Seus olhos estavam tão esbugalhados quanto os de Cath. A cor dos olhos e o sangue se faziam confundir. O sorriso do garoto, era marcante. Um sorriso sem falhas, mas extremamente doentio e assustador, o sorriso de um psicopata.
– O que você quer? –perguntei, de certa forma intimidado.
O garoto nada respondeu, e continuou a olhar fixamente para mim e Cath, que continuava no mesmo estado. Seu blazer –parte do uniforme- estava torto, assim como sua gravata
– O que você quer!? –perguntei novamente, dessa vez, de uma forma mais agressiva.
Pensei que não seria possível, mas o sorriso do garoto se abriu ainda mais, e o mesmo começou a rir baixo.
– O que eu quero? –os olhos esbugalhados do garoto agora ficaram mais confusos.
O garoto colocou a mão direita sobre seu olho direito ensanguentado. Ele permaneceu com a mão ali, apenas rindo.
Depois, ainda rindo, o garoto olho para mão ensanguentada, e pareceu se chocar.
– O sangue não possui uma cor magnífica? –o garoto fez uma pergunta estranha, mas a expressão em seu rosto demonstrava inocência.
Fiquei extremamente confuso. O que havia com aquele garoto?
– Não é possível haver uma cor mais lindo do que esta. –afirmou o garoto. A maneira que ele falava, era formal demais, pelo menos para um garoto de nossa idade. Sua voz era aguda e inocente.
– Quem é você? O que houve com a sua testa? –perguntei, desta vez seguro. De alguma maneira o garoto não representava mais perigo para mim.
– Quem sou eu? –a garoto ficou confuso novamente, e fixou o olhar no céu pouco estrelado- Eu não lembro.
– Não se lembra!? –fiquei chocado. Será que o ferimento na testa do garoto havia sido tão grave ao ponto de ele perder a memória por sua causa?
– Hihi! –o garoto riu- Mas isso não tem importân...
– Não importa!? O que poderia importar mais do que isso? –minha perplexidade só crescia.
– Não importa... agora a única coisa que eu quero saber é: “qual será o tom da cor do vosso sangue?” – seu sorriso psicótico chegou a ápice, de repente pude sentir toda a hostilidade daquele garoto, e me arrepiei.
“Droga, tenho que sair daqui. Esse garoto não está sã.” Foi o que pensei naquele momento. Mas logo me conscientizei de que não poderia fazer isso com Cath ainda em choque. Decidi então tentar intimidar o garoto.
– E o que vai fazer, garotinho?
O garoto começou a gargalhar, gargalha ser parar. Uma gargalhada doentia de alguém que tinha sede de sangue. Ele colocou as mãos na cabeça, o sangue em sua mão manchou seus cabelos loiros esbranquiçados.
Eu apenas olhava fixamente para o garoto com o objetivo de não o perder de vista, por mais que ele estivesse parado.
Mas em um segundo, um instante, um milésimo. O garoto praticamente “sumiu”, e ressurgiu, com a mão fechada em punho a milímetros de mim.
Mal tive tempo de expressar qualquer reação. Apenas senti uma pancada extremamente forte em minha bochecha. Meu corpo voou para trás, e logo após eu estava deslizando sobre a terra e folhas secas por um bom tempo. Só parei quando minha cabeça se chocou contra uma rocha.
Fiquei inerte no chão durante certo tempo. Confuso. De onde veio aquele força descomunal? Como um garoto daquele tamanho poderia possuir tamanha força?
Reuni forças e levantei a cabeça. A distancia que aquele soco havia me enviado era assustadora, eu estava a poucos metros da entrada da caverna. O garoto estava do lado de Cath, rindo loucamente.
Cath ainda parecia estar tonta, porém agora mostrou alguma reação. Talvez a movimentação brusca a tenha feito “despertar”. Ao perceber o garoto ao seu lado, ela tentou fugir engatinhando, mas o pequeno psicopata a pegou pelos cabelos. Cath soltou um pequeno grito de dor.
– Iremos começar por você. –o garoto segurava Cath com firmeza.
O garoto pegou com a mão livre um pedra pontuda, do tamanho de um palmo.
“Não é possível, ele vai mesmo fazer isso?” Me perguntei. Tinha que agir de alguma maneira. Tentei me levantar, porém meu corpo estava fraco pela recente pancada. Mesmo assim insisti. Quando levantei meu tronco do chão, senti algo quente escorrendo por minha nuca, e logo após por minha testa. Aquele choque havia me ocasionado um corte na parte superior da cabeça. Mesmo assim, tentei novamente me erguer, mas estava fraco demais. O soco também me dera um profundo corte na boca, o qual eu analisava com a língua. Havia sangue também em meu queixo, sangue que havia vazado de minha boca. O que poderia fazer por Cath então?
Cath tentava se soltar, mas ela também parecia não ter muita força sobrando. Seus olhos lacrimejavam enquanto miravam a pedra pontuda na mão do garoto.
– Se prepare. –disse o garoto, erguendo a pedra, e mirando na direção do pescoço de Cath.
O garoto fez seu movimento, e a única coisa que pude fazer foi gritar:
– CATH!!!
Não ouvi o grito de Cath, mas sim o do próprio garoto.
Pensei que ele a havia acertado um golpe fatal, por isso minha visão se embaçou por alguns instantes.
Quando minha visão voltou ao normal, suspirei aliviado ao olhar na direção de Cath.
Era o garoto que agora havia voado para longe de Cath.
E seu salvador? Nada menos que o próprio professor Faustos, que havia acertado um grandioso soco de direita no centro do rosto do garoto.
Faustos estava agachado ao lado de Cath, com a mão em seu ombro falando algo a ela que eu não era capaz de ouvir a aquela distancia. Porém Cath ainda parecia assustada demais para responder.
O garoto voou para uma direção diferente da minha, mas a distancia que ele “percorreu” foi ainda maior do que a minha.
Ao contrário de mim o garoto logo se levantou furioso, e correu em direção ao professor, em velocidade sobre-humana, que apenas olhos de outro vampiro poderiam seguir.
O vampiro saltou em um mergulho em direção ao professor. Faustos continuava olhando em direção a Cath. Pensei que o professor seria pego pelo vampiro, mas quando o mesmo estava a pouca distancia dele, o professor desapareceu, e só pude vê-lo novamente em pleno ar enquanto se jogava no garoto. O professor agarrou o garoto pela gola, e deslizou em cima dele pelo chão, dessa vez em minha direção.
Fiquei tonto de repente, e uma fraqueza ainda maior me atingiu, me fazendo tombar para o lado.
Depois que os dois pararam de deslizar, o professor socou um garoto com firmeza, 2 ou 3 vezes, até que ele perdesse a consciência.
Faustos se levantou, e foi em minha direção, se agachou e perguntou:
– Você está bem, garoto?
Ao ver a cor vermelha do casaco do professor, um surto de coragem me invadiu, e fui apenas capaz de pegar na gola de seu casaco e dizer:
– Agora que consegui encostar nesse casaco e fazer e teste acabar, sim. –falei com a voz fraca.
Só pude dizer isso. Logo após minha força se foi novamente, minha visão se embaçou, e eu perdi a consciência.
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