Vampires Today! - Fall
6 Capítulo 5: A Verdadeira Cath
Uma das “Caths” estava no chão, agora com pequeno corte na testa, olhando perplexa para a Cath que estava em pé.
A Cath em pé a encarava secamente, sem demonstrar piedade, o culpa pelo que havia feito. Estava com o cabelo bagunçado, alguns arranhões no rosto, algumas partes de sua roupa estavam rasgadas. Mesmo não estando surpreso, estava curioso para saber o que havia acontecido.
– O que você pensa que está fazendo? Sua vadia! – Cath que estava no chão estava gritando, sem se importar com o fato de estar em meio a um exame.
A Cath “desarrumada”, apenas jogou um dos galho para trás dos arbustos,se agachou, e com força pressionou sua mão sobre a boca da outra Catherine, claramente a calando.
– Cale a boca, não percebe que estamos no meio de um exame cheio de outros alunos atrás de um mesmo objetivo? –Cath desarruma falava calmamente, enquanto a outra Cath tentava tirar a mão de sua sósia da boca, sem sucesso.
Agora fiquei um pouco surpreso. Não podia imaginar que Cath fosse tão forte.
Mesmo estando a menos de 1 metro da agitação, não interagi com ambas, apenas as observei.
A Cath do chão, tentava se soltar de sua silenciadora, mas nada parecia ser eficaz. Até que depois de algum tempo de agonia, Cath desarrumada permitiu que a outra Cath se libertasse.
Após ficar a uma distancia “segura” da Cath com o galho, a outra perguntou, gritando novamente:
– O que há com você!? –ela disse me encarando, com uma cólera de fúria a mostra- Você não vai fazer nada? Essa farsante aparece do nada, me ataca, e você apenas fica aí parando, analisando a situação!? –sua fúria era explicita- Vamos! Faça alguma coisa!
Ela tinha razão. Eu devia fazer algo. E já sabia o que.
Ainda muito calmo, caminhei em direção a Cath com o corte na testa. Minha aproximação era suave, mas mesmo assim a Cath com o corte parecia confusa. Me aproximei mais ainda, e quando estava a menos de 30 centímetros dela, coloquei minha mão direita sobre seu ombro, e aproximei meu rosto ao seu. Ela se assustou, mas se manteve calada –talvez porquê a perplexidade a impedisse que falar.
Com a minha boca muito próxima a sua orelha, sussurrei:
– Você não acha que já está na hora de parar com essa farsa? –minha voz rouca a fez se arrepiar- Eu já percebi faz algum tempo! –sorri maliciosamente.
Ela se espantou, e me empurrou e se distanciou mais ainda.
– O-O que você está dizendo? Percebeu o quê? – ela parecia estar prestes a entrar em uma colapso de lágrimas, olhando em volta, analisando a situação, parecia que ela finalmente percebeu o quão estava encrencada. – V-você está louco!? –as primeiras lagrimas começavam a cair de seus olhos.
A verdadeira Cath sorria orgulhosa.
– Eu sei que você não é a verdadeira Cath –eu sorria sarcasticamente em direção da farsante– Você teve “boa” intenção, mas cometeu algumas falhas.
– Falhas!? Que falhas!? – falou aos soluços, seu rosto estava inundado pelas lágrimas.
– Primeiro: você está sem o suéter, no qual a verdadeira Cath disse que jamais se separaria. – expliquei com o dedo levantado.
A falsa Cath se esbugalhou. Talvez ela não imaginasse que um detalhe tão pequeno pode ser tão decisivo.
– Segundo: sua personalidade é de certa forma diferente do de Cath – ainda explicava – Terceiro, e mais decisivo: O seu cheiro!
Agora ela ficou mais surpresa ainda. Dando passos involuntários para trás.
– Enquanto o cheiro de Cath era suavemente forte, e masculino, o seu é doce, e enjoativo! – expliquei de forma sagaz – Será que você não pensou que em nossas formas originais de vampiros, nosso olfato estaria várias vezes mais aguçado? O cheiro de seu perfume é tão enjoativo e forte, que quando eu o senti, tive um ataque de enxaqueca!
Agora ela caiu no chão, colocou o braço sobre a face, e me encarava com seus olhos abertos no limite.
– Mas você não tem culpa. Esse é a sua linhagem sanguínea.
Não faço idéia de qual é seu clã, mas sei quais são seus poderes. Você manipula o seu aroma, e ele invade o cérebro do inimigo, distorcendo as percepções mais básicas. Assim você pode se “disfarçar” de quem quiser. Mas na verdade, não é um disfarce, é só uma distorção da realidade que acontece apenas no cérebro de quem o aroma atingiu! É uma linhagem tão fascinante, que distorce até mesmo o paladar, audição e tato!
Ela percebeu que foi completamente descarada.
– A única falha nessa linhagem, é que depois que o aroma atinge o nariz do oponente, ele pode sentir cheiros normalmente. E não há como enganar o meu olfato Ou melhor, o olfato de um vampiro.
– Bom trabalho, Dan! – a Cath verdadeira se levantou e colocou o braço envolta do meu pescoço- estou muito orgulhosa de você! Por um momento pensei que você não perceberia!
– MAS E A BETH!? OQUE VOCÊ FEZ COM ELA!? – a farsante gritou perguntando para Cath.
– A sua parceira? Vamos dizer que eu dei um jeito nela! –Cath riu maleficamente.
A “falsa” tentou se recompor, se levantou e correu eu em direção dos arbustos em velocidade sobre-humana. Provavelmente foi atrás de sua parceira. Quem sabe?
Cath me abraçou forte, e novamente sussurrou no meu ouvido “estou orgulhosa”.
– Vamos, ainda temos que procurar Fautos. Tenho uma idéia de onde ele pode estar.
– Tá! — sorri – Mas o que houve com você?
Nós começamos a caminhar. Dessa vez com mais calma. Acho que nem um de nós queria repetir o acontecimento passado.
Ela me contou que durante sua corrida foi interceptada por uma garota, que a manteve presa durante um tempo, a tal Beth; Acho que aquelas garotas estavam nos mirando desde o inicio. Talvez pensassem que seriamos um alvo mais fácil.
Durante a caminhada tivemos a sorte de não topar com nenhuma outra dupla. Mas as vezes ouvíamos sons estranhos, gritos...
Chegamos em uma região ainda mais escura da floresta. Haviam mais rochas naquela região, porém menos árvores.
Nós decidimos fazer uma pausa, não para descansar, mas sim, para analisar melhor a situação.
Sentamos em uma espaçosa pedra lascada branca.
– Tem outra coisa que não entendi. – indaguei .
– O quê? – Cath perguntou olhando para mim.
– Por qual motivo aquelas duas garotas tentariam nos encurralar?
– Oh! Boa observação! Na verdade elas foram muito espertas nesse conceito.
Demorei um pouco para entender, mas acho que agora já posso te dar uma boa explicação:
Pense bem: você não acha que há uma grande possibilidade de ninguém conseguir tocar no professor? – Cath me encarava enquanto explicava. Pensando bem, aquele era realmente uma grande possibilidade, então afirmei com a cabeça – Então, e se realmente ninguém conseguisse encostar no professor? O professor não estipulou um tempo máximo para o exame, mas isso não significa que ele vá durar para sempre. Uma hora ele terá de terminar, não é? E se ninguém conseguir encostar no professor? Nós teríamos de passar quem sabe a noite toda o caçando, para que no final ninguém recebesse nada?
– É verdade, faz senti...
– Não me interrompa! Eu não terminei – Cath falou com firmeza – Isso quer dizer, que caso ninguém consiga de fato encostar nele, ele deverá ter outro método de avaliação por precaução.
Mas qual seria esse método? Simples. Nosso desenvolvimento durante o próprio teste! Esta é uma aula de caçada. Isso quer dizer que nessa aula nos devemos trenar principalmente nossos instintos como vampiros. Ou seja, a batalha! ele foi vago na explicação propositalmente. Na verdade, não haviam muitas regras mesmo. Ele não citou se poderíamos ou não enfrentarmos uns aos outros, destruirmos nossas próprias duplas, ou até mesmo cooperar com outras duplas. Porque na verdade, tudo isso é permitido. Porque ele estará avaliando absolutamente tudo! – Cath terminou a esplicação parecendo orgulhosa por pode-la concluir claramente.
– Entendi. Faz todo o sentido! – disse abismado com a complexidade de uma exame que até pouco tempo parecia simples – Mas... Como ele descobrirá sobre nosso desenvolvimento? Ele não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Ou pode?
Cath pensou um pouco, e então respondeu:
– Tenha a suspeita, de que ele poderia ter colocado outros vampiros dentro da floresta para nos analisar. Ou até mesmo espiões infiltrados como alunos. Minha dúvida mais duvidosa, é de que ele pode nos monitorar por distância, através de seus instintos.
– Isso seria impossível! – mesmo assim não retirava o mérito do professor, que agora parecia um gênio para mim.
– É melhor no subestimarmos ele, Danny! Afinal ele é um professor.
Passamos alguns minutos apenas observando a paisagem, e procurando por novos questionamentos e lógicas
Olhamos para frente, e vimos uma caverna. Tão escura que mal podíamos ver o que havia nela.
– Que tal dar uma olhada nessa caverna? – Cath sugeriu.
– Que utilidade isso teria no teste?
– Poxa, é só curiosidade! – Cath gritou de empolgação inconscientemente.
Um enorme rugido veio de dentro da floresta. O rugido mais estrondoso e ensurdecedor que eu pensei já ter escutado. Era um som insuportável! Que fez com eu e Cath colocássemos as mão sobre a orelha e fechássemos.
Aquele rugido rouco e desesperado, me deu a sensação de que meus tímpanos fossem explodir.
Pareceram décadas com aquele som horrível no ar.
Mas logo que rugido cessou, olhei na direção da caverna. E vi algo que jamais esqueceria pelo restos dos meus dias...
Aqueles olhos. Os olhos mais terríveis e assustadores que alguém ou algo poderia ter.
Os olhos de algo sem consciência ou sentimentos...
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