Trovões. Chuva forte. Noite totalmente escura. Em um extremo da cidade, em um beco, uma jovem se esconde. Ela parece estar com medo, sua expressão não omite tal coisa. Permanece ali, como se fosse um abrigo, embaixo de uma sacada, dentro de um caixote. Aparenta ter idade próxima de dezoito, suas vestes estão rasgadas, parece que foi toda arranhada por fortes garras ou até mesmo dentes, seu rosto está cortado na face esquerda. Ele sangra. A cada trovoada, a garota se encolhe ainda mais.

- Você não pode se proteger! Muito menos se esconder eternamente de mim. — diz uma voz grave e medonha, era masculina — Se não a encontrar hoje, voltarei a procurar-te dia após dia. Até o dia em que... — a voz para. E em seu lugar ouve-se mais um trovão, esse havia sido o mais forte da noite. A chuva torna-se cada vez mais forte. O vento forte ao encontrar um corpo, parece congelar.

....

- Ei! Ei! Acorde! Moça! Acorde!

A garota é sacudida por uma senhora. Abrindo levemente os olhos ela percebe que amanhecera, não deveria ser mais do que oito horas da manhã.

- Eu estou viva?!

Essas foram as únicas palavras que consiguiram sair de sua boca.

- Do que está falando? Você está toda ferida sim, mas pelo que me parece, não é nada grave. Mas, minha jovem, a senhorita adormeceu aqui e nem percebeu? Logo abaixo da minha sacada. Você não tem moradia?

- Eu o que? — ela analisa tudo ao seu redor.

"No final das contas, acabei adormecendo aqui mesmo. Devo ter gasto toda minha energia fugindo. Mas..."

O rosto da jovem torna-se totalmente pálido.

- Você está bem?

- Hã? Ah sim, claro... só me lembrei de uma coisa que esqueci de fazer. Obrigada, senhora.

A garota começa a caminhar, meio cambaleante para a direção central. Por onde ela passada, despertava diferentes olhares. Espanto, piedade, medo, preocupação.

"Eu preciso chegar logo em casa. E arrumar um jeito de me proteger novamente. A noite chegará, não há como impedi-la. E com ela..."

Um rosto totalmente pálido vem a mente dela. Um rosto fino, com longos cabelos brancos, olhos extremamente vermelhos, nem pareciam reais, parecia jovem, mas ao mesmo tempo não.

Ela chega em casa, tudo está uma bagunça. Ela mora sozinha. Sofás virados, poltronas rasgadas, televisão quebrada, vidros também. Novamente cambaleante, ela vai até o banheiro para tomar banho. Enquanto o fazia, as lembranças da noite passada a atordoavam... — Quero fugir! Não quero viver isso novamente. E nem me entregar! — lágrimas se uniam com a água do chuveiro que escorria em seu rosto. Ela sente um aperto no peito e olha para suas roupas que estavam no chão. Todas destruidas.

- Como irei trabalhar hoje? Nesse estado... Eu preciso ir, mas não posso me arriscar. E se ele vier novamente me procurar?! E por que justamente eu? Não poderia ser outra pessoa? Eu não tenho nada de especial. Sou uma pessoa normal! Ele poderia muito bem perseguir outra pes...

Suas perguntas são interrompidas pela campainha. — Quem será? — Ela se enrola na toalha e vai lentamente até a porta. Assim que abre a porta sua expressão é de surpresa...