Notas iniciais
Desculpe-me pela falta de ação na história, é que eu preciso explicar algumas coisas antes e relatar alguns fatos para que vocês entendam o que vai acontecer pela frente. Espero que gostem desse capítulo e boa leitura!

– Eve, não acha melhor nós deixarmos nossas mochilas no quarto antes não? Vai nos atrapalhar na hora de levar o colchão se ele for pesado.

– Mas eu preciso pegar o colchão agora Liza, porque depois não vai dar tempo, a não ser que a gente possa ficar vagando pelo corredor à noite.

– Não, pior é que não podemos. Mas então, me dê sua mochila que eu levo lá no quarto e depois volto pra cá para te ajudar, certo?

– Certo, mas volte para me ajudar, viu? Não conheço esse colégio direito e não quero ficar perdida sozinha por aqui...

– Pode deixar. – ela disse gritando já bem distante de mim.

Bati na porta que estava fechada, mas ninguém abriu. Bati mais umas duas ou três vezes e nada. Resolvi entrar e eu mesma pegar o colchão, depois eu avisava para a moça do depósito. Para a minha surpresa, a porta estava destrancada, mas para o meu azar lá estava tão cheio de coisas que seria difícil achar o colchão no meio daquela enorme bagunça. Fiquei alguns minutos passeando pelos pequenos corredores cercados por estantes de ferro azul, quando sinto um sopro em minha nuca. Virei-me para trás no mesmo instante, mas não havia nada nem ninguém ali. Quando viro-me para frente novamente, tomo um susto tão grande que ao dar um pulo para trás, esbarro em uma estante cheia de baldes e pregos e a derrubo brutamente sem querer.

– Então, nos encontramos de novo. – ele dizia com a mesma voz sombria de antes.

– Que susto garoto! Por que você está me seguindo?

– Você devia me agradecer por estar te seguindo e tentando te avisar...

– Avisar? Avisar sobre o quê?

– Um aviso: Peça a aquele cara com cabelos castanho mel que vive cheio de livros e bolsas e que anda em um carro um pouco velho que te leve embora daqui. E que de preferência nem você, nem ele volte.

Ele descreveu meu pai por completo e até descreveu o nosso carro, que sim, está um pouco velho, mas nada que alguns consertos e uma boa pintura não resolvam. Como ele sabia isso sobre meu pai? Eu nunca o vi na vida! E creio que meu pai também não, até porque ele vive trabalhando e não tem tempo para conversar com jovens intrometidos querendo saber da vida alheia.

– Está falando do meu pai? – eu perguntei muito confusa e nervosa.

– O que ele for. Não importa. Vocês têm que sair dessa cidade, antes que seja tarde demais. – ele disse com a aparência calma, porém com uma voz um pouco agressiva.

– Por quê? Eu não vou sair dessa cidade agora que eu estou me adaptando aqui, e ainda mais porque você quer!

– Não sou eu que quero.

– Como não? Você me persegue, me dá sustos e me diz que eu e meu pai temos que sair da cidade. Se você não quisesse que a gente sumisse do seu mapa, não teria feito tudo isso, então não me venha falar que você não quer que eu saia daqui! – eu disse um pouco eufórica, nervosa com toda a confusão que estava acontecendo.

– É para o bem de vocês dois! E por favor, seria melhor se você não me questionasse sobre o porquê de eu estar lhe avisando isso, não é um assunto que você gostaria de saber, tenho certeza. E nada do que você me pergunte eu vou te responder, sem chances!

– Então, — eu digo entre risos irônicos – você simplesmente me manda sair da cidade junto com meu querido pai que acabara de arranjar um ótimo emprego por aqui, e ainda me diz para não pedir explicações? Qual é? Pare de brincar comigo, eu não tenho tempo pra suas idiotices, então, se me permite, deixe-me passar. Preciso pegar umas coisas.

Ele simplesmente se arrasta para o lado e quando eu passo por ele, sinto um arrepio tão grande e ouço ele dizer quase sussurrando:

– Não pense, só vá embora. Não me faça ter que lhe explicar tudo. Apenas vá embora, antes que seja tarde demais.

Quando viro-me para trás para dar uma última olhada em sua face, ele já não está mais lá. Fico imóvel, chocada com sua rapidez para se mover, não acreditando em tudo que acabara de ver e ouvir.

Tento achar o colchão o mais rápido possível, antes que eu possa ter outra interferência, mas sou impedida de completar minha tarefa novamente quando percebo que há alguém atrás de mim e, então, começo a dizer sem mesmo virar-me para trás para conferir se era realmente ele:

– Quer parar de me seguir? Eu já disse que eu não vou...

– Seguir? Quem é que tá te seguindo? Você mal entrou no colégio e já está enlouquecendo? – pergunta Elizabeth com a testa franzida me interrompendo.

– Não, esquece, não é nada demais... – eu disse tentando disfarçar meu nervosismo. Não queria metê-la nessa confusão e perturbá-la com minhas possíveis alucinações. O garoto e toda sua ameaça não poderiam ser reais. Eu estava ficando maluca, só pode.

– Tem certeza? Você me parece um pouco... abalada.

– Tenho certeza sim, mas obrigada por se preocupar.

– Que nada. – ela disse sorrindo com os olhos.

– Mas você demorou a voltar hein? – eu disse tentando mudar de assunto.

– Desculpa, é que encontrei o Sr. Montez no caminho.

– Ah sim...

– Daí, quando voltei eu achei estranho a porta estar meio aberta e então achei que ainda estivesse aqui.

– É, quando eu bati na porta ninguém abriu, mas a porta estava destrancada e eu resolvi entrar e pegar o colchão sozinha.

– E você o achou?

– Não, ainda não. – eu ri.

– Então vamos, eu te ajudo a encontrar. – se ofereceu Liza, como sempre, muito simpática e solidária.

Depois de alguns minutos procurando, achamos o colchão. Ele era inflável e estava dobrado. Não pesava mais do que um quilo, no máximo. Pegamos ele e fomos direto para o quarto aproveitar os 20 minutos que faltava para a hora do almoço para descansarmos.

Notas finais
Eaí, gostaram? Deixem reviews, hihi s2